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Roberto Amaral: Por que os jornalões são contra?


12/07/2012 - 11h16

O Mercosul na pauta da velha imprensa

por Roberto Amaral, em CartaCapital

De par com a uniformidade ideológica de direita – ou seja, a inexistência do contraditório requerido pela democracia –, salta à vista a desconexão entre o interesse nacional e a mesquinhez editorial da grande imprensa brasileira.

Quando escrevo, nas linhas acima, “interesse nacional”, refiro-me, inclusive, aos interesses mais imediatos do empresariado. Do descompasso entre a chamada mídia e a nação, exemplo irretorquível é a campanha contra o ingresso da Venezuela no Mercosul, acesso o qual, sabem até os contínuos das redações, é do maior interesse para a economia brasileira e atende a necessidades geopolíticas nossas. É isso mesmo: o Brasil, mercê de sua extensão territorial, dos seus recursos naturais e da sua população, tem interesses geopolíticos legítimos; ademais, é a principal economia do continente. Gostem ou não os órfãos da política da subalternidade e as viúvas do alinhamento automático do Brasil aos interesses das grandes potências.

Essa realidade, da qual evidentemente decorrem novas exigências, é incompatível com o “complexo de vira-lata” que domina a visão de mundo de nossas elites alienadas. A visão que elas têm de nosso povo e de nosso projeto de nação, uma nação que não poderia dar certo porque colonizada por portugueses de cabelos pretos e olhos escuros e não por franceses e holandeses. Povo que não poderia ansiar pela grandeza porque formado por europeus de segunda classe, índios preguiçosos e negros nostálgicos.

Por que, contrariando nossos interesses econômicos e políticos, essa “grande imprensa”, reflexa, combate o ingresso no Mercosul da terceira economia continental, uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e o terceiro mercado consumidor da região? Na Venezuela, país ao qual me refiro, aliás, já operam inumeráveis empresas brasileiras, e para suas importações se voltam as esperanças da indústria manufatureira nacional, como alternativa às crises europeia e norte-americana – sim, por incrível que pareça, a crise é deles, do “pessoal de olhos azuis” como muito bem grafou o presidente Lula.

Em resumo, é do interesse da economia brasileira, mais do que de todas as demais economias da região e do bloco, a expansão do Mercosul e nele o ingresso da Venezuela, já aprovado, antes da reunião de Mendonza, pelos parlamentos de Brasil, Argentina e Uruguai. Mas esse interesse não é só das empresas estritamente brasileiras (indústrias, construtores, bancos), pois é do interesse óbvio das multinacionais aqui instaladas, vez que elas atuam no Mercosul e em alguns casos com maior desenvoltura do que nossos empresários.

Mas os jornalões são contra.

Por quê?

No caso da incorporação venezuelana, simplesmente alegam que não gostam do sr. Hugo Chávez Frías, que amanhã, tragado pela tragédia biológica ou pela derrota eleitoral, pode não ser mais presidente da República Bolivariana da Venezuela. E, em qualquer hipótese, não mais o será daqui a seis anos, o que é um nada na vida das nações e do próprio Mercosul. E, afinal, para nossa direita caolha, o sr. Chávez é tão relevante que se torna mais importante do que seu próprio país?

Nossa velha imprensa se volta contra os interesses da economia brasileira porque as quatro famílias que controlam a opinião publicada não toleram Chávez, seja porque é criolo, seja porque é anti-americanista, seja porque é nacionalista, seja porque é falastrão, seja porque é “ditador”, seja porque ganha muitas eleições, seja por isso ou por aquilo. Não gostam e pronto. O motivo aparente é irrelevante, porque não passa de pretexto para a postura reacionária que, no extremo ideológico, não tem dúvidas de postar-se contra o interesse nacional quando este, ainda que de leve, de raspão mesmo, parece não coincidir com os interesses do mercado dos EUA.

Por isso mesmo são contra a política externa brasileira e para criticá-la têm sempre à mão meia dúzia de diplomatas de pijama, magoados, ressentidos, frustrados entre a pequenez pessoal e a grandeza de uma política que, na profissão, não souberam honrar. E essa gente pequena, loquaz, escrevente, está sempre nas páginas gráficas e na tevê, para dizer docilmente o que a pauta da mídia lhes encomenda. São os “especialistas” de que a grande imprensa carece para abonar sua pauta reacionária. Exemplar desse desserviço é um ex-embaixador fernandohenriquenho em Washington, em boa hora afastado da sinecura pelo presidente Lula, e agora aboletado pelo sr. Skaf na Fiesp para deitar regras contra o interesse nacional e perorar que a indústria paulista, em crise auto-anunciada, não precisa do mercado venezuelano.

Foram os mesmos “especialistas” a serviço da mesma imprensa que decretaram o fracasso da Rio+20 antes de sua realização, fracasso simples de vaticinar: ora ela seria organizada pelos diplomatas tupiniquins, no governo Dilma, no Brasil e no Rio de Janeiro…

Não poderia dar certo. Mas deu. Que se há de fazer? Continuar dizendo que não deu certo, ora bolas. Se a versão ideológica se choca com a realidade, às favas com esta.

Mas nossa imprensa tampouco gosta de Evo Morales, nem de Rafael Correa, nem de Cristina Fernandez, como não gostavam de Lugo, embora fosse simpática a Uribe, como chegou a ser de Fujimori quando o larápio, antes de ser pego com a mão na botija, era o implacável carrasco da esquerda peruana.

Que haverá de comum entre esses governantes (Morales, Correa e o defenestrado Lugo) para atrair a má-vontade das quatro famílias? O fato de serem todos homens do povo, isto é, estranhos aos estratos dominantes, incrustados no poder há 500 anos? O fato de haverem chegado aos respectivos governos no cume de processos sociais caracterizados pela emergência das grandes massas? Ou por que todos estão comprometidos com a defesa da soberania de seus países?

Nos primeiros minutos, para logo corrigir-se, a imprensa nativa ecoou a correta postura do governo brasileiro de condenação do golpe de Estado parlamentar que destituiu a soberania do povo paraguaio e cassou – na 24ª tentativa! – o mandato de Fernando Lugo, golpe levado a bom termo pela aliança entre os Colorados (60 anos de poder) e os Liberais de seu vice, unificados, no esforço por restabelecer o modelo de país atrasado e de povo pobre.

A partir do momento em que Brasil, Uruguai e Argentina consolidaram o ingresso da Venezuela, os humores mudaram. O golpe contra o Paraguai, um repeteco do golpe da “Justiça” hondurenha (em cujo episódio a diplomacia brasileira teve desempenho igualmente correto), traz para nosso continente a instabilidade com a qual, há tantos anos, os interesses forâneos o vinham alimentando, com golpes e contra-golpes e ditaduras, como a ditadura paraguaia de Stroessner, tão bem compreendida pela “imprensa livre”.

Seja qual for a opinião de cada um de nós sobre Chávez, o fundamental é que o ingresso da Venezuela no MERCOSUL é do nosso maior interesse político e econômico: em 2010, enquanto exportamos para a Venezuela U$ 4.592 milhões, importamos apenas U$ 1.266 milhões. Do total de nossas exportações (alô, sr. Skaf!), 65% foram manufaturados, 32% produtos básicos e 3% semi-manufaturados (dados: Secex/MDIC). Esta é a realidade: as relações comerciais se dão entre Estados e não entre governos O resto é mesmo cretinice ou picaretagem.

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38 comentários

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Djijo

13 de julho de 2012 às 12h16

O que me deixa curioso é que se tudo que a imprensa faz mais prejudica o empresariado brasileiro, como é que eles continuam a pagar para essas enpresas para fazer propaganda de seus produtos? Onde está a lógica disso tudo? A Fisp representa a indústria de SP, se ela comandar um movimento dos empresários de não mais contribuir com a mídia e suas distorsões, essa mídia derá que rever seus conceitos de golpísta para não perder dinheiro. Ou os empresários sabem disso mas por ideologia não se importam de perder dinheiro contanto que seu time ganhe o jogo? Há um paradóxo aí que ninguém ainda explicou, e as pessoas que podem investigar, consultar empresários sobre isso são justamento os jornalistas. Que tal o Azenha fazer esse trabalho?

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Samuel Pinheiro Guimarães: Os objetivos dos EUA na América do Sul « Viomundo – O que você não vê na mídia

13 de julho de 2012 às 11h47

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Gilson Raslan

13 de julho de 2012 às 11h11

É fácil entender o comportamento das aludidas famílias midiáticas e da FIESP: as suas dificuldades são sempre resolvidas pelo governo.

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dukrai

13 de julho de 2012 às 09h56

todo mundo sabe disto? Sabe, mas é muito bom alinhavar ponto a ponto, letra a letra, palavra por palavra, bater, martelar e repetir, “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” (Joseph Pulitzer)Copiado do http://brasilmostraatuacara.blogspot.com.br

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RicardãoCarioca

13 de julho de 2012 às 09h43

Para o PiG fazer oposicão a governos trabalhistas, fica contra até o empresariado.

Responder

Bertold

13 de julho de 2012 às 09h21

A elite e a mídia era a favor do Mercosul, sim, quando os principais países da AL eram governados por FHCs e Menens da vida. Mas, mudando um pouco o foco. Bem que Roberto Amaral podia no esclarecer porque o seu partido, o psb, está fazendo um movimento rumo a direita com Aécio e dem para 2014 e procura isolar o PT.

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augusto2

13 de julho de 2012 às 09h07

Aos internautas q discutem com bela desenvoltura os temas de geopolítica e de como gira o mundo, recomendaria ainda os escritos de
Soraya Sepahpour-ulrich. Uma especialista que liga as politicas externas + internas mais linhas gerais mais detalhes… E que sobretudo pensa e analisa com sua propria cabeça. quem nao leu procure por ai que a mulher é fera.

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Murdok

13 de julho de 2012 às 08h43

Graças a blogosfera podemos ter a liberdade de ler artigos como esse. Objetivo e esclarecedor. A lucidez do autor nos brinda com essas verdades.

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RicardãoCarioca

13 de julho de 2012 às 08h42

Wikileaks: Revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC e morte de um Brasileiro

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-telegramas-do-wikileaks-sobre-o-programa-espacial

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luiz mattos

13 de julho de 2012 às 08h07

Vamos envelhecendo e por vezes desanimamdo frente as canalhices da midia velhaca mas com poderosas vozes como do grande Roberto Amaral e os comentários brilhantes de verdadeiros Brasileiros preocupados com o servilismo safado de nossa “elite” tacanha readiquirimos forças e esperança de que aos poucos esta elitizinha seja substituida por uma nova ELITE vinda das classes populares.

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Eduardo Vieira Miranda

13 de julho de 2012 às 01h05

O contexto é bem maior. Antes de serem contra a Venezuela no Mercosul, os setores submissos e conservadores da direita brasileirão são contra o próprio Mercosul.

Responder

Delvo de Oliveira

12 de julho de 2012 às 22h19

Artigo faz um recorrido abrangente da aparente burrice do PIG. Mas essa gente não bate prego em estopa. São mesquinhos, sim, e por isso mesmo sentem-se ameaçados. Sabem que mais democracia e mais relações culturais e comerciais com os povos latino-americanos e do mundo acabarão de vez com sua já minguada relevância. “Foram” a opinião publicada… Além de minguar o pouco que lhes resta de credibilidade, perdem dinheiro. Mais importante, já não publicam sozinhos. Aí está a blogosfera desmascarando-os, revelando suas patranhas políticas e associações com esquemas de bandidagem. Pensam que estão na república velha, ou na ditadura que promoveram e defenderam…
Debater, divulgar e compartilhar os interesses do povo brasileiro são responsabilidades da blogosfera progressista e das publicações honestas, e existem muitas (Carta Capital, p.ex.). E tem que alcançar os meios comunitários, jornais e rádios que existem milhares Brasil afora, e não dependem dos esquemas das quatro “famiglias” oligárquicas, aliás, são soterrados por elas. Governo deveria repartir ainda melhor (o fez em parte) suas verbas publicitárias, dar sustentação aos meios independentes que sobrevivem sob escassez de recursos enquanto açambarcam o bocado do leão. Blogosfera, publicações honestas e independentes tem hoje mais credibilidade, disparado, do que os acachoeirados do PIG.

Responder

    Jotace

    13 de julho de 2012 às 00h35

    Caro Delvo,

    São por demais importantes suas considerações a respeito de ser a blogosfera fortalecida com um apoio mais ponderável de parte do governo. E que, assim, possa o povo ser beneficiado com informação verídica, análise do contraditório, e demais fundamentos de uma imprensa democrática e que a mídia tradicional não possibilita, uma vez que está a serviço das oligarquias corruptas apoiadas pela pirataria do capital transnacional. Aqui devo dizer que não conheço pessoalmente – ou ao menos o suponho assim – nenhum dos responsáveis por quaisquer dos blogs que fazem tão importante trabalho. Como o Viomundo, por exemplo. Nem mantenho ou mantive com eles quaisquer contatos, a não ser os que faço publicamente, como este. Contudo, sempre insisto na necessidade de que, com o nosso apoio de frequentadores que somos, eles lutem junto às autoridades para a obtenção de maiores recursos. Pois estes são os que não faltam à ‘grande’ mídia. E incrivelmente é o povo, toda coletividade que sustenta pelos impostos que paga, a máfia da grande imprensa que tanto mal tem causado ao povo brasileiro. Abraços, Jotace

Jotace

12 de julho de 2012 às 22h00

Imperdível o artigo do Ex-Ministro Roberto Amaral. De fato se confundem num trabalho inglório a mesquinhez da sórdida, corrompida,‘grande’ imprensa, com a pobreza de visão de certos elementos da chamada elite empresarial tal como a conhecemos. Pois, não só as quatro famílias mafiosas continuam suas tarefas de vendepátrias na denúncia do ingresso pleno da Venezuela no Mercosul, mas a elas também parecem ter se unido no mesmo lambe-botas propósito grandes industriais da Fiesp do Sr. Skaf e do Sr. Rubens Barbosa. Caberia a estes vir a público e explicar o porque da intenção, uma vez que esta sabidamente prejudica a indústria nacional que a eles muito caberia defender. Pois é indiscutível a importância para o Brasil, particularmente para São Paulo, do mercado consumidor da Venezuela, a grande potência energética em que se tornou a partir do governo Chávez. Por outro lado, a visão mal assessorada e singularmente distorcida da direção do organismo classista, ao combater a admissão da Venezuela como membro pleno no Mercosul, afeta grandemente o Brasil em importantes necessidades geopolíticas. Inclusive, na justa pretensão do nosso país de se furtar à uma condição secundária no chamado ‘Muro do Pacífico’, já em formação, e integrado pelo Chile, Peru, Colômbia e México. No futuro, tal bloco que contará decerto com outros países do hemisfério Norte, poderá obstaculizar o melhor acesso dos nossos produtos aos grandes mercados asiáticos e até africanos. O comportamento do presidente e do assessor da Fiesp além de, no seu servilismo, prejudicar o Brasil, leva a instituição a dar um um tiro no próprio pé e só é comparável ao de alguns sórdidos congressistas. Como o do senador Álvaro Dias, que viajou ao Paraguai para assegurar o seu apoio aos golpistas, mesmo sabedor de que eles passariam, como sucedeu, às ameaças de transformar o Paraguai numa grande base estrangeira a fim de tornar efetiva a conquista militar do Brasil. Jotace

Responder

Sergio Antonio Bortolini

12 de julho de 2012 às 21h37

O grande mal de Chavez foi ter revertido o golpe dos americanso contra ele. Isto é o por que que a grande mídia não tolera o Chavez.

Responder

Fabio Passos

12 de julho de 2012 às 21h18

Por que a mídia-lixo-corporativa é contra a Venezuela no Mercosul?

Porque o PIG é o atraso!
Esta oligarquia midiática é o que há de mais podre em nosso país.

Responder

Francisco

12 de julho de 2012 às 20h42

Me preocupa mais ai é o caráter autoritário da rejeição à entrada da Venezuela no Mercosul. Independente de golpe ou não golpe no Paraguay, se o Brasil não fizesse parte do Mercosul, estaria mercadejando com a Venezuela porque o Congresso brasileiro (eleito e em pleno uso de suas prerrogativas democráticas) aprovou esse mercadejar.

O Congresso Nacional votou: ponto final!

Lembro de algum tempo atrás, articulistas criticarem o Brasil por ficar “amarrado” a economias menores (se referiam a Uruguay e Paraguay) e deixar de tomar decisões com a agilidade comercial necessária.

Em tempo: o Paraguay não foi punido pela OEA. E se Chavez daqui a seis anos fizer algo parecido para tirar um sucessor do caminho e voltar ao poder? A américa do norte não entende nada da importância para nós, do sul, da importancia da clausula democrática. Ela é infinitamente mais importante do que superavits ou exportações.

A democracia é nossa única saída.

Responder

    Mário SF Alves

    13 de julho de 2012 às 21h01

    “A democracia é a única saída”. Concordo. E mais, além de nossa única saída é a saída homeopática por natureza. Foi escudados e em nome dela que deram o golpe de 64. Naquela ocasião o pretexto usado era o de que o governo do então presidente João Goulart – aquele das Reformas de Base, sabe? – estaria sensível à ameaça comunista. Hoje, porém, após a derrocada do comunismo, tal pretexto já não se sustenta mais, exceto, claro, no blog do professor Ariovaldo. Pois bem, e o que é que se utilizaria em lugar da dita ameaça? A resposta é fácil e a temática bem diversa: mensalão, cansei, impostômetro, aborto, papa, esquema cachoeira versus (in)Veja e etc.. Mas, você deve estar se perguntando, afinal, onde entra a tal homeopatia? Pois, é, então, homeopatia no caso, é em referência ao princípio fundamental daquela terapia que diz “semelhante cura semelhante; veneno contra veneno”. Agora é a nossa vez. Livres das chantagem habitual e histórica, só nos compete usar a arma mais eficaz que dispomos e que é, senão outra, a própria, a abençoada, a maltratada, a vilipendiada, a heróica, a anti máfia atômica, a nossa ainda mal consolidada democracia.
    Tirando isso, … só a …
    Bom, seja como for, fica a mensagem de fé “à força das armas, a força das ideias”. E vivam os blogs sujos.

Bonifa

12 de julho de 2012 às 19h55

Porquê? Porque os jornalões são contra a Venezuela em todos os sentidos, instâncias e oportunidades. Há uma guerra mundial a caminho, e tanto os jornalões quanto a Venezuela já fizeram suas opções, opostas. São inimigos mortais. O Brasil, por sua vez, vai se equilibrando precariamente, mas ainda está conseguindo manter neutralidade e alguma credibilidade com aqueles que entendem que as ruínas nada mais têm a oferecer à Humanidade.

Responder

Jair de Souza

12 de julho de 2012 às 19h15

Não por gosto próprio, mas desta vez tenho de concordar com um dos lambe-botas das oligarquias que costumam opinar por aqui. O artigo não tem razão em dizer que, de qualquer maneira, Hugo Chávez não continuará no governo depois de 6 anos. A constituição venezuelana (elaborada por representantes democraticamente eleitos para tal e referendada pela esmagadora maioria do povo) foi corrigida por amplíssima maioria de votos para permitir que um governante seja eleito ao cargo de presidente por tantos mandatos quanto o povo deseje. Ou seja, Hugo Chávez será presidente da Venezuela até quando o povo assim o quiser. A única possibilidade de que não ocorra isto (e é por esta que nosso lambe-botas e seus amos torcem) se daria no caso de seu falecimento. É claro que nossos lambe-botas não aceitam a possibilidade de que seja o povo quem determine quanto tempo alguém permaneça na chefia de uma nação. Eles só aceitam estas coisas em países capitalistas colonialistas (como quase todos os da União Europeia). É que, por lá, eles sentem que o voto popular ainda é incapaz de romper a blindagem ao sistema proporcionada pelos grandes bancos. Por isso, nem nossos lambe-botas nem seus amos se empenham em protestar contra a possibilidade de alguém se eternizar no poder nos países capitalistas da Europa. Mas, se Hugo Chávez tiver condições e desejo, e se o povo venezuelano assim o quiser, ele permanecerá no comando do governo da Venezuela até o ano 2030, ou mais. Eu sei que é duro para um lambe-botas (em nome de seus patrões) tragar esta realidade, mas… fazer o quê?

Responder

Nelson

12 de julho de 2012 às 18h34

Se depois deste artigo inteligente, que Roberto Amaral escreveu com rara felicidade nos termos de que se utilizou, ainda sobrar quem faça coro com o PIG em sua postura contrária à Venezuela, sinto dizer, trata-se de caso perdido. Nem desenhando esse alguém vai conseguir entender a importância do ingresso do país governado por Hugo Chávez no Mercosul.

Responder

lulipe

12 de julho de 2012 às 18h21

“…E, em qualquer hipótese, não mais o será daqui a seis anos, o que é um nada na vida das nações e do próprio Mercosul. ..”

O chapolim muda a Constituição do país como quem muda de roupa.Quem garante que daqui a seis anos ele não continuará com sua sana ditatorial???

Responder

    Gersier

    12 de julho de 2012 às 19h09

    Eita caboclo bem informado.Pelo PIG é claro.
    Mal sabe ele que da constituição do saudoso Ulissses Guimarães,que já no nascedouro foi estuprada pelo mariposa “jonhbim”,representante das “zelites’,pouca coisa restou.

    Nelson

    12 de julho de 2012 às 23h07

    Te desesperes um pouquinho mais, Lulipe.
    É que a atual constituição da Venezuela, aprovada pela maioria do povo venezuelano, permite reeleições sucessivas aos ocupantes de cargos eletivos. Portanto, você está sujeito a ter que engolir o Hugo Chávez – novamente – daqui a seis anos.
    E, como convém a um bom processo democrático, quem dará a última palavra, quem dirá se Chávez governará por mais um mandato, será o povo venezuelano, soberana e serenamente.

    Nelson

    12 de julho de 2012 às 23h21

    Sim, eu tenho notado uma “sana ditatorial” no ar.
    É a tentativa tua, Lulipe, e de comentaristas do PIG – supostos especialistas, supostos democratas – de, nos impor uma realidade que não existe na Venezuela. Tentam nos convencer de que um dos países mais democráticos do planeta, que atingiu tal estágio em termos de democracia justamente após a aprovação da Constituição bolivariana proposta por Chávez, virou uma ditadura.

    augusto2

    13 de julho de 2012 às 09h14

    teu problema e o da midia nossa não é ter o hugo mudado a constituiçao…
    Mudar constituiçoes no sentido e na direçao da defesa das elites é o que mais se vê em toda a parte.E a midiocracia nao reclama nada,-vide o fato de nossa de 1988 ter aberto a porta para aumentar os 30 dias de ‘avisos previos’ no trabalho e ficamos 24 anos sem faze-lo…- Teu problema e da midia é que ele conseguiu mudar a lei magna com maior força na direçao dos interesses do suas maiorias pobres. E tirar a PDVSA das garras da elite vendida.
    Isso é tao claro que dói.

Roberto Locatelli

12 de julho de 2012 às 17h54

Tudo é uma questão de interesses de classe. O PIG defende, especificamente, os interesses de banqueiros, especuladores e grandes latifundiários. Para eles, interessa que o Brasil se subordine aos EUA.

Não é à toa que a Odebrecht tem obras em Cuba, mas o PIG desce a lenha em Cuba.

Não é à toa que a Fiesp comemora a queda da taxa Selic enquanto a Miriam Leitão diz que “ainda não era o momento” de baixar a Selic.

Para os empresários da indústria e do comércio, Venezuela no Mercosul é motivo de festa (exceto para a minoria de otários que acreditam na Veja). Mas para o PIG, representa uma insubordinação do Brasil para com os EUA.

Responder

Márcio Gaspar

12 de julho de 2012 às 17h10

O PIG diz, Hugo Chavez é ditador, nao tem democracia, sufocou a oposição blábláblá, o que é mentira, é o PIG, convenhamos. Mas se o PIG seguir a sua lógica, mas logicamente não segue, deveria condenar o comércio com a China, é uma ditadura, sufoca a oposição, não tem liberdade de imprensa, mas efim, é o PIG, convenhamos.

Responder

    Roberto Locatelli

    12 de julho de 2012 às 17h46

    Muito bem lembrando, Márcio.

    O massacre da Praça da Paz Celestial foi pavoroso, foi coisa de uma ditadura sanguinária. Mas, sabe como é, trata-se da China… Então o PIG finge que não sabe de nada.

Mardones

12 de julho de 2012 às 16h49

Excelente! O final do artigo é uma beleza.

As quatro famiglias que mandam na mídia nativa são formadas por cretinos e picaretas.

Apoiado!

Parabéns ao Vi o Mundo.

p.s: e essa história de que a Globo pagou a ESI, que repassou para os marginais Mr Teixeira e Havelange?

PHA disse que o Rodrigo Vianna mostrou em reportagem.

Que a Globo sempre defendeu o Mr Bribe, isso todo mundo sabe, mas que fazia parte do suborno, é novidade vinda em ótima hora.

Responder

Julio Silveira

12 de julho de 2012 às 14h09

O problema nosso, talvez até legal, não sei, é que os grandes grupos midiáticos corporativos “brasileiros” tem uma cartilha própria, vinculada a interesses das grandes agências de noticias, que por sinal não são brasileiras. Falam a mesma língua, mas aqui é traduzida da original. Quando disse talvez até legal, e por que preocupa-me essa penetração clandestina, que faz com que interesses estrangeiros possam ser colocados para nossos cidadãos de forma tão insidiosa que parece despretensiosa. Só parece.

Responder

Claudio Jose

12 de julho de 2012 às 14h00

Eu li estes dias do ex-ministro Eduardo Jorge que o Brasil exporta mais de 600 produtos para a Venezuela. Esses empresários brasileiros são muito BURROS, tem que abrir os olhos deles.

Responder

Marco Aurelio

12 de julho de 2012 às 13h23

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22984/militares+paraguaios+negam+pressao+de+chanceler+venezuelano.shtml

Militares paraguaios negam pressão de chanceler venezuelano
No início do mês, a ministra de Defesa do Paraguai, María Liz García, disse que o diplomata tentou sublevar as forças armadas

Militares paraguaios que se reuniram com o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, pouco antes do golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo, negaram nesta quarta-feira (11/07) à promotora paraguaia Stella Mary Cano que o diplomata os tenha pressionado para que se sublevassem contra o presidente designado, Federico Franco.

A acusação de que a Venezuela interferiu junto aos militares foi feita pela ministra de Defesa do Paraguai, María Liz García, em 3 de julho. No vídeo, editado, o chanceler venezuelano aparecia acompanhado de membros das forças armadas paraguaias.

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No dia seguinte, Maduro foi declarado persona non grata no país, mesmo com a revelação da íntegra do vídeo pela rede multiestatal TeleSur, que mostra não só o diplomata, mas o resto do grupo de chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-americanas) no encontro, encabeçado pelo secretário-geral, Alí Rodríguez.

Os militares admitiram que, no momento em que era processado o juízo político de Lugo, em 22 de junho, foi debatida a possibilidade de as forças armadas emitirem um comunicado, porém, isso não se concretizou. Na reunião dos militares com os enviados da Unasul se falou também das possíveis consequências da destituição do presidente.

Cano admitiu no início da semana que, ao contrário do que havia afirmado a ministra da Defesa, a gravação, feita com as câmeras de segurança do palácio de governo, não prova a denúncia de Garcia.

* Com informações da rede multiestatal TeleSur

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