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Eleitor de Marina diz que Dilma “se lixa” para biodiversidade


28/08/2014 - 20h30

dilma em londres

por Luiz Carlos Azenha

Separo minhas páginas individuais do Facebook, as duas, das postagens neste blog e na página oficial do Viomundo. Lá eu escrevo à vontade. Escrever para o blog requer de mim uma reflexão mais apurada.

Como escrevi lá, eu não teria nenhum problema em votar em Marina Silva em outras circunstâncias políticas. Talvez venha a fazê-lo no futuro. Sou pragmático. Já votei em Orestes Quércia para senador, quando votar nele significava, de certa forma, enfraquecer a ditadura militar. Já votei em Franco Montoro, um democrata cristão. Já votei em candidatos do MDB, do PMDB, do PT, do PSB, do PCdoB e do PSOL.

Tenho amigos eleitores de Marina que me acusam de, no Facebook, fazer críticas a ela parecidas com as que Lula sofreu quando foi candidato em 1989. Minha resposta: as circunstâncias são diferentes. Lula, então, tinha fundado um partido político, tinha apoio de uma parcela significativa da igreja católica, tinha ajudado a fundar uma central sindical e tinha sido figura-chave tanto em negociações sindicais quanto no enfrentamento da ditadura. Marina, agora, apesar do significativo número de votos obtidos em 2010 pelo PV, não conseguiu fundar seu próprio partido, entrou num terceiro partido às vésperas da campanha — partido do qual pretende sair — e não tem qualquer garantia de uma base parlamentar significativa caso ela se eleja, a não ser que ganhe de lavada no primeiro turno, uma improbabilidade.

O mais provável é que forme uma bancada com os votos (30%?) do primeiro turno, uma bancada para um partido, o PSB, do qual pretende sair! Nestas circunstâncias específicas, como ficará a “nova política”? Vai fechar o Congresso? Ou vai negociar cargos como sempre fizeram os presidentes anteriores? Vai formar maioria com o PSDB? Vai ter de entregar cargos para a “velha política” para garantir sustentação?

Já imaginaram outra experiência tipo Partido da Reconstrução Nacional (PRN) do Collor? Com a sexta ou sétima maior economia do mundo? Em um quadro de grave crise internacional? Em um quadro no qual o capital financeiro, abalado em seu tripé Estados Unidos-Europa-Japão, quer e já está avançando sobre os recursos naturais em todo o mundo? Ou vocês acham que foram por acaso a destruição da Líbia e do Iraque e as tentativas de destruição institucional da Venezuela? Se fossem países áridos, sem nenhum petróleo, vocês acham mesmo que o eixo Washington-OTAN iria se preocupar com eles?

Portanto, que fique claro que minha posição política é embasada numa lógica. Talvez esteja completamente equivocada. Neste quadro, Marina é uma aventura política impulsionada pela justa revolta de setores importantes da sociedade brasileira (Dilma tem taxa de rejeição de 43% entre os eleitores de menos de 30 anos, a confiar no Datafolha) com a crise institucional do país. Minha resposta? Constituinte exclusiva. Isso, sim, é “nova política”.

Além do mais, eu jamais, nem sob tortura, votaria em candidato ou candidata que se propusesse a extinguir a já frágil soberania financeira do Brasil, entregando-a direta ou indiretamente à Citi de Londres ou a Wall Street. É o que significa dar autonomia ao Banco Central, que hoje já define as taxas de juros depois de ouvir… banqueiros.

De qualquer maneira, quero deixar aqui as razões pelas quais um eleitor de Marina — que não identifico porque ele não me autorizou a fazê-lo — expôs para escolher a candidata do PSB. Na verdade, foram sugestões de pauta para o blog. Deixo claro que já tratamos de várias delas:

1. O Itaú é o quarto maior doador da campanha de Dilma;

2. Katia Abreu articulou o fim das novas unidades de conservação no país que ainda tem muita área de urgente necessidade de preservação a ser constituída;

3. O Decreto 7957/2013 que autoriza o exército a entrar em terras indígenas para fazer estudos de impacto de empreendimentos sem que os indigenas sejam ouvidos, como preconiza a OIT 169, que Dilma fingiu tentar regulamentar apenas para se safar das sanções da OEA, mas seguiu usando estratégia militar contra os povos da floresta;

4. A portaria 303 que a AGU fez a pedido de Dilma para impor as condicionantes de Raposa Serra do Sol a todas as outras terras indígenas do Brasil, quando o próprio STF julgou contrário a vincular estas condicionantes, que limitam o usufruto exclusivo dos indígenas ao seu território;

5. Apoio ruralista para todas as 562 mortes de indígenas neste período, um aumento de 269% de assassinatos de indígenas durante o período de governo da presidente Dilma.

O leitor também sugere que eu inclua “na sua lógica marxista a floresta como palco de luta de classes, para entender como este governo está à direita e se lixando para nossa diversidade socioambiental”.

PS do Viomundo: Não inclui os trechos em que meu caro amigo de página repete os mesmos argumentos de Reinaldo Azevedo ou Merval Pereira sobre blogueiros — chapa-branca, governista, et. al — por serem irrelevantes. Mas, em nome de combater a desinformação, sugiro a ele que siga alguns links deste site sobre a questão ambiental. Apresento “apenas” 15, para não chatear quem realmente é leitor do Viomundo.

Notem que é tudo direto ao ponto, não tem nenhum blábláblá:

Contra a nomeação de Kátia Abreu para o ministério Dilma 

Capobianco: Na questão ambiental, governo Dilma é pré-histórico

Lúcio Flávio Pinto: Ritmo de exportação de minério de ferro é “crime lesa Pátria”

Portaria 303 da AGU afronta os direitos indígenas

A guerra contra os Guarani em Mato Grosso do Sul

ANP acusada de atropelar direitos indígenas

Pesquisa confirma toxina transgênica no sangue de mulheres canadenses

Exclusivo: A pesquisadora que descobriu veneno no leite materno

Stédile: Globo faz parte da associação do agronegócio

Claudio Puty: Ruralistas querem abrandar conceito de trabalho escravo

Kátia Abreu: Pobres têm que comer comida com agrotóxicos, sim!

Pública: No Tapajós, energia para quem?

Wanderlei Pignati: Até 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes na água que você bebe

Lúcio Flávio Pinto: Ocupação da Amazônia ainda segue diretriz da ditadura

Celio Bermann: Belo Monte serve a Sarney e às mineradoras



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31 comentários

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abolicionista

30 de agosto de 2014 às 13h49

É isso, Marina se tornou o fantoche do PSDB, que vai governar de fato, uma vez que o “partido” de Marina não tem poder nenhum no congresso. O PT não investiu em politização, no trabalho de base e jogou fora décadas de trabalho coletivo sério e árduo. E agora, sem credibilidade para fazer oposição, vai assistir de camarote ao desmonte neoliberal, apoiado em rede nacional. Privatizações, arrocho salarial, juros altos, banco central entreguista. E quem reclamar será enquadrado por formação de quadrilha e acusado de pertencer aos black blocs…

Responder

    Mário SF Alves

    01 de setembro de 2014 às 11h05

    “O PT não investiu em politização, no trabalho de base e jogou fora décadas de trabalho coletivo sério e árduo.”
    _________________________________
    Manda isso pros canais youtúbicos do Olavo e do Azevedo e aguarde:

    Primeiro você vai ouvir uma sequência de pelo menos uns dez xingamentos, depois, em uníssono, irão gritar para você:

    Como?!! Como jogou fora, como não investiu em politização?

    E dirão: O PT está totalmente empenhado na revolução cultural gramsciana, meu caro! Olha a subcultura dos professores universitários; olha pro Saflate; olha a tragédia cultural que são os estudantes universitários, os professores de ensino fundamental. São tudo umas bestas! Ninguém é capaz de formular uma frase contra o PT. Ninguém é capaz de entender um palmo à frente do nariz.

    Daí por diante o argumento já será “argumentum ad hominem” e um deles o xingará até a 10ª geração.
    __________________________________
    Êta, revoluçãozinha essa, heim? Deve ser por isso que o Brasil inteiro é só elogios ao PT. Deve ser por isso que a presidenta Dilma vai ser reeleita no já primeito turno.
    _______________________________________________
    Agora, falando sério. Você tem toda a razão, prezado Abolicionista. De fato. Eu, por exemplo, não vejo absolutamente nada que o PT tenha feito no sentido de aprimorar o senso crítico da população brasileira.

    E, francamente, não entendo o porquê disso.

    Abs.,
    Mário.

abolicionista

30 de agosto de 2014 às 13h42

Para preservar a Amazônia, vamos entregá-la à Natura, que doa milhões pra campanha de Marina.

Responder

Renato

29 de agosto de 2014 às 22h16

Chorem, tucanos vão votar na Marina. E ela ganhará já no 1º Turno.

Responder

    Mário SF Alves

    30 de agosto de 2014 às 17h19

    E desde quando tucanos são confiáveis?
    Tá. Até entendo. Numa perspectiva sólida de parceria num provável butim privatista, sim, mas… e se acharem uns calos, uns levanta-aécio-ora-pro-nobis, uns jatinhos sem dono, uns sei lá mais o quê, que dê margem pra fazerem a entrega do BB, CEF e do Pré-sal de mãos próprias?

    Lembra como cortaram as asas da Roseana Sarney? Esquece, isso de cortar as asinhas não conta, até porque, na ocasião estavam no governo.

Josué

29 de agosto de 2014 às 21h33

Parece que votar na Marina é tipo assim “saco cheio dos mesmos” ou seja, tanto faz Dilma, FHC ou Collor – no fundo mesmo eles querem é se arrumar – e arrumar para os seus apaniguados.
Lula 8 anos. Dilma 4 anos – e quer mais 4 – 16 anos de PT. Era para estar muito melhor ou pelo menos, menos pior já que o PT se diz o máximo do supra sumo do ápice da competência e da decência e a Dilma a encarnação de todas estas maravilhas.
A recessão esta aí para mostrar que o PT – e a Dilma – são o que são, os mesmos de sempre…
Seriam 16 anos da esquerda que sabe ser duma direita impressionante quando convém.
É a Marina que parece estar ai, assustando o mané do Aécio e a arrogante do PT – A direita deste País esta sem opção.

Responder

    Mário SF Alves

    30 de agosto de 2014 às 17h30

    Direita neste país?

    Ôpa, e quem disse que a direita deste/neste país alguma vez precisou de opção?

    A direita neste país, um dos países historicamente mais à direita do mundo, é o próprio poder. Vide julgamento da AP 470. Nunca deixou de sê-lo. E o PT não intimida, mas incomoda; a frágil soberania econômica incomoda; os BRICS incomodam, e o marco regulatório do Pré-sal incomoda mais ainda. Por isso toda a bronca contra ele, por isso o jogo bruto midiático contra ele.

Tô de Olho na oPósição

29 de agosto de 2014 às 20h03

Voto em Dilma pelo que representa de avanço atual e possível para o Brasil.
Contudo, se tiver que ser, que ganhe o Aécio, pois é o inimigo identificado. Palpável! Tem consistência. Em 2018 retomamos ao poder.
Agora, como combater fantasmas? Marina representa governar o país com “a imaginação”: Itaú e Natura como empresas “puras”, sem máculas e sem más intenções, elite disposta a ajudar ao invés de subjugar, e até Eduardo Campos, elevado a condição de Getúlio, “pai dos pobres”, com sua morte precoce e trágica. Desculpando-me com seus familiares, mas era somente mais um! Um líder, como tantos outros!
Marina é a 3a via: a via do sonho, da ilusão do que não quero, sem saber o que quero e sem saber como chego lá! Discurso cativante, mas perigoso pelo risco inerente.
Chega de estado onírico. a população brasileira precisa acordar!!!

Responder

Patrick

29 de agosto de 2014 às 18h06

Essa aqui nem blogueiros nem a mídia deu. Destaco do texto abaixo: “Brasil é apresentado como o país que fez as maiores reduções no desmatamento e nas emissões em todo o mundo”. Isso nos últimos 4 anos, pós gestão Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente!

http://www.hugomanso1366.com.br/brasil-e-exemplo-mundial-na-reducao-do-desmatamento/

Brasil é exemplo mundial na redução do desmatamento

Um relatório divulgado hoje (5) na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, destacou o Brasil como exemplo de sucesso na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. Produzido pela Union of Concerned Scientists (UCS), com sede nos Estados Unidos, o documento intitulado Histórias de Sucesso no Âmbito do Desmatamento: Nações Tropicais Onde as Políticas de Proteção e Reflorestamento Deram Resultado traz um capítulo dedicado ao Brasil, apresentado como o país que fez as maiores reduções no desmatamento e nas emissões em todo o mundo.

Dezesseis países da África, América Latina e Ásia também são citados como exemplos de sucesso na proteção às florestas. O relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990, com grande intensificação neste século, e as moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e carne de áreas desmatadas. “As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e a sua contribuição para atrasar o aquecimento global não têm precedentes”, diz o documento.

De acordo com o principal autor do trabalho, Doug Boucher, o caso brasileiro mostra que o desenvolvimento econômico não é prejudicado pela redução do desmatamento. “Por exemplo, as indústrias de soja e de carne bovina no Brasil prosperaram apesar das moratórias evitando o desmatamento”. O relatório avalia que a derrubada da floresta, “vista no século 20 como algo necessário para o desenvolvimento e uma reflexão do direito do Brasil de controlar seu território, passou a ser vista como uma destruição de recursos devastadora e exploradora daquilo que constituía o patrimônio de todos os brasileiros”.

O estudo destaca o papel desempenhado pelas reservas indígenas na conservação da Floresta Amazônica, iniciativas estaduais e a ação de promotores públicos de Justiça, “um braço independente do governo, separado do Poder Executivo e Legislativo, e com poderes para processar os responsáveis pela violação da lei”. Também é citado o apoio internacional, como o acordo celebrado com a Noruega, que já repassou US$ 670 milhões em compensação pelas reduções das emissões. O documento é considerado de natureza não apenas financeira, mas também política e simbólica, mostrando o compromisso em apoiar os esforços dos países tropicais.

Em relação ao futuro, no entanto, o relatório informa que duas mudanças em 2013 levantaram dúvidas sobre a continuidade do sucesso do país na área climática: as emendas ao Código Florestal Brasileiro que anistiam desmatamentos anteriores e o aumento de 28% na taxa de desmatamento entre 2012-2013 na comparação com o período 2011-2012. A avaliação do documento é que ainda é muito cedo para prever se este crescimento será uma tendência, mas ressalta que, embora o desmatamento tenha aumentado 28% no ano passado, em relação a 2012, ele foi 9% menor ao registrado em 2011 e 70% inferior à media entre 1996 e 2005.

“O Brasil inscreveu seu plano para reduzir o desmatamento em 80% em 2020 na lei nacional, mas para que haja um progresso continuado será necessário redobrar os esforços para reduzir as emissões” afirma o documento. “Nesse meio tempo, a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra”, finaliza.

Responder

Tiago M. Bevilaqua

29 de agosto de 2014 às 16h25

Marina Silva repete, angelical, e diariamente que vai governar com os melhores – e parece que isso está “pegando” muita gente. Essa senhora conseguiu inventar uma coisa realmente nova, governar – não com partidos – mas com pessoas. Isso é nada mais nada menos que enganar. Mas, ela tem de dizer isso já que nega a política. O país não tem interesses divergentes, poder econômico, conflitos, contradições, tem gente de bem e capaz que nos levará a um futuro brilhante. Ela criou um país e um estado imaginários. E mais, conseguirá realizar o estado da meritocracia, em 4 anos, pois ela repete, por pureza e desapego ao poder (palavra que ela não usa, naturalmente) que só governará por 4 anos. Ela realmente é capaz de produzir milagres, Santa Marina! Essa senhora é um ENORME perigo, mas tem muita gente caindo no “conto Marina”.

Responder

    Mário SF Alves

    30 de agosto de 2014 às 17h44

    “…O país não tem interesses divergentes, poder econômico, conflitos, contradições, tem gente de bem e capaz que nos levará a um futuro brilhante.”
    __________________________________

    Só faltou incluir a cruz¹ e a lápide:

    Aqui jaz a História!
    _____________________________________________
    ¹Cruz? Sei lá. Talvez a estrela. Não, não a do PT. A outra. Aquela que emparedou os palestinos.

    Marina, tudo a ver com o “O Fim da História”, de Francis Fukuyama.

Francisco

29 de agosto de 2014 às 14h25

Antes de Marina ser boa candidata a presidente ela tem que provar que foi melhor MINISTRA do que seus dois sucessores no Ministério do meio ambiente.

1) Nunca se reduziu tanto a desmatamento no Brasil quanto após a chegada do PT ao poder
2) Entre os ministros campeões de evitar desmatamento não está Marina Silva.
3) Logo, ela é incompetente. Até para ser ministra…

Responder

Fabio Silva

29 de agosto de 2014 às 14h02

Antes de mais nada, admiro a coerência dos posicionamentos políticos de Azenha, progressista de esquerda e solidário, que não fez de seus valores um peão descartável no xadrez da política. “Tenho utopias, logo existo” deve ser seu lema.
No caso das práticas do PT no Governo Federal, não acho que todos tenham perdido a capacidade de sonhar, de ter utopias. Não acho que seja um objetivo eleitoreiro todo o esforço para tirar milhões da miséria, ou dar a oportunidade de ampliar os estudos e o conhecimento. Na verdade, é a realização de velhos sonhos progressistas.
Mas, então, porque trataram os povos indígenas como vêm tratando? Por que escolher esses povos para sofrer as consequencias das escolhas da “realpolitik”, da busca de governabilidade? Reviraria o estômago de qualquer militante de esquerda saber que algum governo progressista apoia Israel contra os Palestinos por motivos eleitorais, sendo que é o que acontece no Brasil em relação aos indígenas, e o que se ouve cinicamente é que “não se faz omelete sem quebrar uns ovos” ou então “deixa de ser politicamente infantil”! Dizem que não dá para comparar porque os Palestinos são efetivamente um povo, mas as diferenças entre os povos indígenas entre si, e entre eles e os não indígenas são só uma questão de um folclore aqui, uma crençazinha ali.
Será que tantos militantes de esquerda introjetaram tão profundamente os ensinamentos racistas e genocidas da ditadura militar? Para os militares, o Brasil era (tinha que ser a qualquer custo!) uma nação de um povo só. Mas o Brasil não é, nem nunca foi e nunca será uma nação de um povo só. É uma nação com MUITOS povos, todos sob uma mesma Constituição Federal. Essa é a realidade, e que só pode ser mudada pelo extermínio, pelo assassinato, pelo não reconhecimento dessa realidade e a consequente não demarcação das terras para a proteção desses outros povos. Os Xavante são Xavante E brasileiros. Os Terena são Terena E brasileiros, os Tupinambá são Tupinambá E brasileiros. E eu, que não sou indígena, sou brasileiro e ponto. Agora, só porque eu não sou indígena, não tenho o direito de achar que os indígenas não têm direito de reivindicar sua diferença em relação a mim! Muita gente que se diz de esquerda age assim! EXATAMENTE como a direita raivosa faz em relação aos direitos das mulheres, dos negros e da diversidade de gêneros, dizem “não pode ter cota para negros pois todos os brasileiros são iguais”. “Por que vai dar terra prá índio? Sou brasileiro como eles, também quero”. Caraca, os povos indígenas têm direito porque são POVOS INDÍGENAS, e a Constituição garante porque são BRASILEIROS! Quando a esquerda vai dar valor a uma educação transformadora, que nos ensine o que realmente é o Brasil? Vai ficar tudo nas costas dos jornalistas progressistas? Espero, de coração, que as leis recentes para o ensino da história da multiplicidade étnica brasileira, tanto negra quanto indígena, estejam sendo levadas a sério, lá na ponta, na sala de aula.
Enfim, a política é complexa porque a vida é. Se há alguns companheiros de esquerda que repetem os mesmos argumentos de hierarquia racial e cultural que lhes foram ensinados pela ditadura militar e pela ideologia higienista da elite, há outros, como o revelado pelo Azenha (e que não são nem companheiros, nem de esquerda) que são profundamente solidários com povos marginalizados como os indígenas, no entanto, acabam não negado sua origem elitista e revelam que, no fundo, estão pouco se lixando se milhões de brasileiros, hoje, podem fazer as três refeições diárias que antes não faziam, e pouco se lixando se elas podem vir a perder isso. Acredito que esse é um risco com a eleição de Marina. Nem de longe porque ela defenda esse retrocesso! De forma alguma. Mas pela sua fragilidade política e pelos motivos expostos pelo Azenha: ela puxa, sim, muitos votos, mas não tem condições de fazer uma ocupação do Estado com uma estrutura de apoiadores em extensão suficiente nem para chegar perto daquilo que a militante Marina gostaria de fazer. O PT, com o tamanho que tem, não conseguiu, o que dirá Marina, uma pessoa. Daí que ela precisará de alianças. “Ah, mas o PT também não fez alianças?” Sim, e alguma delas funestas, e devem ser revistas urgentemente. O problema é que as alianças da Marina não são as que vão fazê-la acertar onde o PT falhou (do ponto de vista da militância progressista), são as que estão babando de ódio pelo que o PT acertou (do ponto de vista da militância progressista). É o que me parece. Adoro a Erundina, mas será limada rapidinho pelo PSB psdbista de São Paulo.
E por fim, para os que estão lendo o post do Azenha, uma dica: antes de dizer que está concordado com o Azenha e logo em seguida detonar os apoiadores dos povos indígenas ou os próprios povos indígenas, saiba que o post continua até as letrinhas em azul, que são links de posts no Viomundo apoiando e se solidarizando com os indígenas, e mostrando os graves erros do PT nessa questão. Sim! Progressistas podem criticar o PT, e não vão para o inferno por isso! Libertador, não!?

Responder

    Mário SF Alves

    30 de agosto de 2014 às 18h00

    Fábio,

    De minha parte, respeito e aplaudo sinceramente o que você manifestou.

    Agora, e só a título de curiosidade. Acho que acabei de entender como é que iria se dar a tal sustentabilidade tão encontradiça no discurso da candidata Marina:

    É fácil, basta transformar o Brasil inteiro em território indígena. Pronto. Acabam-se definitivamente os problemas. Seremos todos índios, viveremos em estrita conformidade com as leis da natureza, e de quebra, ainda seremos uma sociedade não apenas sustentável, mas, sobretudo, autosustentável; especialmente se contarmos com a espertise duma Natura.

sergio

29 de agosto de 2014 às 01h43

E a Marina também. kkkkk
A biodiversidade não está no programa de governo do Itaú.

Responder

Edgar Rocha

29 de agosto de 2014 às 01h20

É este tipo de argumentação que tem faltado aos ‘estrategistas’ da campanha petistas e à militância mais inflamada do PT, para escancarar os verdadeiros comprometimentos da candidata Marina. É um post de utilidade pública! E sem deixar de mencionar que o Governo Dilma, se não foi um total fiasco na questão ambiental e de direitos indígenas, deveria ao menos admitir que foi uma nulidade. Isto não invalida de forma alguma as razões pelas quais não se deve votar em Marina. É saber pesar as consequências, como fez o Azenha. O PT tem de admitir que há sim, falhas graves no Governo Dilma que implicam em retrocesso da democracia, muito mais que em avanço das elites. As ‘conquistas’ da chamada base de apoio parecem difíceis de se reverter, sobretudo no quesito Meio Ambiente. Floresta derrubada, hidrelétrica em local errado, usurpação de terras e patrimônio natural indígenas, vidas humanas perdidas nos conflitos… Estas coisas não podem ser desfeitas. Infelizmente, o PT desistiu de sua posição de agente da política nacional. Preferem apoiar incondicionalmente a um governo refém das elites, evitar as quedas de braço por espaço político e aceitar a coação moral de Lula, cuja postura paradoxal de quem ‘não governa só para o PT’ e a exigência de que este aceite a todas as contradições e retrocessos reivindicados pelos ‘aliados’ sem nenhuma resistência, ’em nome da causa’, têm matado o partido e seus projetos na raiz.
Estas coisas só alimentam o apetite dos que estão descontentes. Apetite este muito menos por mudança e muito mais por atenção. O pouco que restou dos movimentos esperava muito mais da Dilma, do Lula e dos que costuram politicamente o jogo político no executivo. Estes, ao menos, deveriam achar legítimo que movimentos continuem lutando em nome de suas bandeiras. Nem isto. Tudo é rotulado como traição, todos são ignorados solenemente. E agredidos fisicamente, se necessário. Menos os aliados.
Ao contrário do Azenha, ainda não me decidi. Sei em quem não vou votar, mas as opções em relação a Aécio e Marina – incluo a Dilma aí – me causam incômodo. De certa forma, votar de novo na Dilma, é como ter de aguentar um desaforo. Ao contrário do Azenha, não consigo ser totalmente pragmático. Não tanto pela Dilma. Mas, aguentar um Vacarezza e outros tantos chutando o balde nas negociações é desanimador.

Responder

    Mauro Assis

    29 de agosto de 2014 às 10h14

    Amigo, quem tem que admitir a lambança é a própria Dilma, que arrogante que é não o fará nunca. Ela vai afundar falando que seu governo é uma maravilha.

Alexandro Rodrigues

28 de agosto de 2014 às 23h37

Não me baseio em pesquisas. Me baseio nas ruas, e não falo da Avenida Angélica em Higienópolis não… Falo das ruas estreitas, escuras e mal cuidadas da periferia de São Paulo onde moro. Dilma já perdeu as eleições! Na fila do ponto do ônibus, no supermercado, na academia de ginástica, em todos os locais que frequento fico antenado quando comentam algo sobre política. O encantamento da classe C com Marina é impressionante, quase hipnótico!

O PT perdeu as eleições quando não soube diagnosticar, talvez por excesso de auto-confiança e arrogância, que nesse momento de agitação popular, alguém como Dilma não atenderia os anseios da população. Tinha o antídoto perfeito para seguir no poder, Lula, mas se imaginou mais poderoso do que era, e resolveu vir com mais do mesmo. Ignorou as vozes das ruas. Ignorou o poder da mídia. Ignorou o ódio das elites.

Assim como Azenha, a priori, não tinha nenhuma ojeriza a Marina. Não tinha! Pois agora, com mais clareza ante ao seu discurso econômico, já vislumbro como será o Brasil do Banco Central independente, de agentes de mercado como Lara Resende definindo os rumos de variáveis que praticamente definem quem será ou não capaz de comprar sua casa própria, financiar o seu carro ou seu curso superior, suas férias, seu negócio próprio, e etc.

Já como a imaginar como seria fabuloso enfiar pela goela dos entreguistas o sucesso do novo ciclo de desenvolvimento que o Brasil entraria no curto prazo. O Brasil dos BRICS. O Brasil da nova infraestrutura. O Brasil do pré-sal. Quando vejo esses jovens ignorantes das ruas periféricas por onde ando, jovens estes que preferem o baile funk da sexta que a cesta de oportunidades de estudo e trabalho que o Brasil pode oferecê-lo hoje, magnetizado com o discurso messiânico da fada safada da floresta imagino: será que nós merecemos?

Sim. Minha resposta. O povo brasileiro, mesmo que generoso, é incivilizado, mal educado, burro e covarde. Só um povo que pela primeira vez em séculos conseguiu alcançar direitos básicos como o de comer, se encantaria por uma aventura como essa. Pois digo: bem feito! Assistirei a mais uma derrocada do Brasil de longe. E dessa vez com a mente tranquila pois fiz o que pude: estudei, trabalhei, militei, ajudei como um bom cidadão a melhorar o país enquanto meus iguais o que fizeram? Ajudaram a sabotar mais uma vez o destino dessa desgraçada nação.

Responder

    Caracol

    29 de agosto de 2014 às 08h36

    Calma, meu amigo, não sofra por antecipação, imaginando algo que é perfeitamente possível de não acontecer. Olhe, eu poderia dizer coisas pra você do tipo “eleição se resolve no dia”, “eu já vi ‘n’ vezes a coisa virar”, coisas assim, mas vamos deixar isso pra lá pois são obviedades, vamos partir pra algo mais objetivo e prático: está em nosso poder agir, não se entregar, use o seu dinamismo, a sua capacidade de formador de opinião, vá à luta, continue fazendo a sua parte que tão bem descrita foi em seu texto, não se entregue ao desânimo. Os últimos doze anos, de certa forma e em surpreendente patamar, significaram uma revolução social jamais vista em 500 anos de colonialismo predador, esse doze anos geraram uma força auto-alimentadora, vamos usar essa energia e manter a roda girando.
    Vamos à luta, cara, você não pode abandonar a sua inteligência nas mãos dos babacas a que se referiu.

    Joao Batista

    29 de agosto de 2014 às 14h36

    Olá, Alexandre e Caracol, concordo, desistir jamais! Mesmo que seja desanimador perceber que o “óbvio” para quem conhece o mundo antes / depois do PT, é absurdo para a maioria dos mais jovens que só ouviram o programa de demonização incessante do PT que a mídia mantem no ar há anos. Esses acham mesmo que o PT é um demônio a ser eliminado… não associam a mudança do país ao PT, até porque, não conhecendo o “antes”, eles não percebem a “mudança”..
    Então, me parece até que a história avança mesmo é de forma cíclica. Se por um lado realmente avançamos muito, mesmo em termos de consciência política – e hoje, acho que a polarização é inevitável e benéfica – por outro, a “superficialidade” da percepção da realidade por parte dos eleitores é algo assustador. Eles são mesmo capazes de trocar tudo que alcançamos por uma frágil “promessa” com Marina… Será que é necessário perdermos o que conquistamos, para esse público conhecer o “outro lado” e dar valor ao que o PT significou para o país??? Será que é necessário retroceder e dar mais uma vez nosso ouro ao capital especulatório-financeiro e aos abutres que sempre dominaram as “periferias” do mundo, para então sermos capazes, como “povo” de dar um basta a essa enganação?

    Alexandro Rodrigues

    29 de agosto de 2014 às 18h00

    Caros Caracol e João Batista eu já cansei da ignorância do povo brasileiro. Eu quero agora é que, sob a batuta de Marina e Neca (a verdadeira presidente quase eleita), os nordestinos voltem a passar fome; que os moradores dos morros do Rio voltem a viver à margem da sociedade e que os paulista voltem a se digladiar por subempregos em filas de desempregados. O “bom selvagem” brasileiro merece esta desgraça!

    Maria Costa

    30 de agosto de 2014 às 18h59

    O Azenha mostrou os problemas da governança da Dilma, mas existem acertos e muitos mesmo na área do campo. Se não fosse assim porque As Margaridas rumaram à Brasília nesta semana para apoiá-la? Marina pode ganhar em SP, porque os paulistas votam no no psdb há 20 anos. Ou seja o voto paulistano é conservador. Como Marina é conservadora.
    Ela pode não ganhar na conservadora São Paulo, mas ganha no resto. As pesquisas sao amostras feitas na região sudeste com a classe média. Experimenta fazer no NE ou N.

FrancoAtirador

28 de agosto de 2014 às 22h58

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No FLA-FLU da Política

MariNéca dá uma de Árbitra

que inverte todas as faltas.
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Responder

Urbando

28 de agosto de 2014 às 22h33

A czarina silva, em termos de política, não consegue falar sobre nada que seja verdadeiramente justo e correto, até mesmo porque esses valores viriam objetar o nascimento das criaturas contidas em seu ego mais recôndito. Se dela não dá para se esperar lá grande coisa de valor, então dos seus seguidores é que fica difícil mesmo. Em termos de incompetência, ela consegue fazer frente até ao mitômano zé contra rampa.

Responder

Muhamad

28 de agosto de 2014 às 22h21

O eleitor de Marina é capaz de explicar o que entende por biodiversidade? Dilma está se “lixando”? E Aécio?

Marina não explica nada, mas talvez ele possar ajudar a candidata a sair da sinuca de bico, pois ela fala coisas ininteligíveis e somente com explicações anexas ou com legendas seria possível saber o que ela entende do assunto. Ou se ela entende de algum assunto.

A resposta dela ao ser perguntada sobre o Cessna do PSB é um primor de “nada dizer” e já se vem adotando o verbo BLABLAR, que significa falar, articular sílabas, formar palavras que juntadas não dizem nada.

Vamos blablar todos juntos?

Responder

Elvys

28 de agosto de 2014 às 21h50

Bela análise Azenha. Não temos espaço para aventuras políticas, com todo respeito à história de Marina Silva. Fico imaginando: aqueles que foram às ruas em junho de 2013, como reagiriam em um eventual governo de Marina Silva na presidência do Brasil, com ela tendo que fazer a “velha e suja política” para poder governar?

Responder

Bacellar

28 de agosto de 2014 às 21h18

Bulls eye.

Um futuro governo (bate na madeira mangalô 3 vez) sem arcabouço político encarando um PMDB que passou anos represado em suas demandas pelas fricções com o PT e louco pra partir pra cima, um PT sangue-no-olho na oposição, um PSDB exigindo nada menos que o comando total da política econômica para compor…Marina seria jantada com farinha orgânica no congresso. Enormes chances de renúncia e colapso institucional.

O amigo ambientalista-kaiowa do Azenha tem lá seus pontos mas Marineca seria a implosão do projeto nacional de conciliação e distribuição de riqueza que nos levou a patamares sociais nunca antes alcançados e que, embora saturado, ainda tem lenha pra queimar em função do nível de vida medieval que leva grande parte de nosso povo.

2008 não acabou. Cachorro acuado morde. Tupã e Nhanderú celestial que nos salvem de Marineca!

Responder

Mariana Silveira

28 de agosto de 2014 às 21h03

A Dilma está a um passo de perder as eleições. Os eleitores da Marina acreditam piamente que ela não faz política e e contra tudo isso que esta aí; mesmo sendo financiada pelo Itau e pelo George Soros, ou seja, sendo financiada pelo mercado.

Os jornais estão explorando o sebastianismo/messiânico e a aura de santidade na política que a Marina faz. Esta carregada de oportunismo da crença. Há o lado religioso impregnado no discurso dela; seus eleitores repetem isso como mantra.

Diferentemente do que ocorreu com o Russomano, que houve a rejeição por pertencer a Universal, em Marina não cola. O sebastianismo/messiânico e visível e explorado tanto por ela quanto pela mídia e o mercado. Não porque eles crêem nisso, mas porque nela querem tirar a esquerda do poder, para retomarem o controle da economia.

Se continuar assim, a santa Marina vencerá a eleição com a ajudinha do Ibope, da mídia, do mercado e do púlpito, isto e, dizendo que tudo esta ruim.

No púlpito, o PT e rejeitado porque apoia casamento gay, lei da palmada, liberdade religiosa.
Na mídia/mercado porque não aceita o estado do bem estar social e cria o clima mentiroso de pânico na economia e a historinha da corrupção. A corrupção e originária do PT.

Governar com os melhores neste Estado mobilizador/pentecostal/teocratico/pro mercado, Chico Mendes, Ianomamis e Neca Setúbal são iguais. Isto nada mais e do que o discurso cristão de que na igreja todos são iguais.

Sim, de fato todos somos iguais e Deus não faz acepção de pessoas, mas qualquer um sabe que em qualquer crença institucionalizada isto não existe, por razões óbvias.

Há, sim, igualdade doutrinária e quem discorda esta fora, e herético ou algo que o valha. Mas não há igualdade entre seres humanos, como deve ser, iguais todos os homens, isto e o correto, mas o problema esta no homem e a igreja não foge disto. Nenhum homem ou igreja alcançou a perfeição em Cristo, enquanto ela não for glorificada. Imagine num Estado-nação.

Não há nada de errado com a doutrina de Cristo, o problema esta em nós, seres humanos. Ora, se a igreja não alcançou isto que cultua a Deus, poderá um Estado-nação alcançá-lo?

O discurso do ser e do dever ser esta sendo empregado por ela. No Estado mobilizador/teocratico/pentecostal /pro mercado, não há interesses. Não há interesses de grupos, do mercado que prejudiquem outros.
No governo que traz os melhores de todos os lugares, interesses particulares, de grupos e difusos não existem. Até a corrupção, que, segundo a Biblia e inerente ao homem, será superada.

Nesta visão, o problema da corrupção não e do homem, nem do Estado brasileiro, mas ele existe a partir do advento da esquerda no poder e na polarização do pais.

No discurso da Marina, governar com os melhores no Estado mobilizador/teocratico/pentecostal/pro mercado, infere se que poderemos chegar, como Estado nação, ao discurso de Pedro,”nação santa, povo eleito, sacerdotes reais” Os melhores, os escolhidos para governar com ela resolverão estes problemas.

Não sei que pais ou povo imaginário e este. Mas e visível o uso da crença para pregar um governo e povo imaginário puros. Mesmo sabendo que quem a financia tem enorme responsabilidade pelo atraso e desigualdade sociais no pais. E o caso, por exemplo, do Itau e da Globo! com suas sonegacoes. E no âmbito da corrupção e moralidade, ambos serem um fiasco. Sem falar nas distorções morais das novelas globais.

Como será este Estado mobilizador/teocratico/pentecostal/pro mercado?

Uma guinada de direita sem precedente na História do pais. E o nosso tea party tupiniquim. O mercado com oEstado mínimo e a bancada evangélica agirão juntos.

Neste Estado, teremos eventuais combate aos comunistas, ao que pensa diferente, aos gays, aos credos que seguem de forma de diferente a sua fé. Enfim, restrições das liberdades individuais e sociais. As bases para o fim do Estado laico serão estabelecidas e teremos a volta do Estado mínimo, na economia.

Para a esquerda comunista e defensora dos direitos sociais e das minorias, a perseguição vai continuar. Quem pensa diferente do Estado mínimo, este nem se fala;por ultimo, serão calados os que pensam diferentes no campo religioso. O púlpito, o mercado e a mídia trabalham juntos.

Portanto, vamos ao tão sonhado Estado mobilizador/teocratico/pentecostal/ pro mercado. E, claro, vamos a meritocracia plena e ao darwinismo social. Não e estranho darwinismo social disfarçado de cristianismo? Pois e.

Você acha que o povo vai acordar antes das eleições? Não sei. Mas com o tripé, (midia, mercado e púlpito), só Jesus salva. Lembre se que, de um lado, você tem midia e mercado querendo o fim dos direitos sociais; do outro, você tem a bancada evangélica querendo restrições aos direitos individuais.

A Marina esta com o discurso do púlpito e não sei como ela irá atender ao mercado, que a financia, tirando os direitos sociais dos pobres com o Estado mínimo que seus economistas e coordenadores, pregam.

Cuidado com este discurso da anti política, isto não existe. A política existe e todos querem seus interesses, colocar se acima do bem e do mal e perigoso para o Estado de Direito. Se vencer, teremos instabilidades.

O discurso da anti política não existe. Quem financia a campanha da Marina? Os empresários. Por acaso isso a conta chega para os outros políticos e para ela não?
Ledo engano, financiou, quer algo em troca. No caso do Itau , que sonega, quer o controle do Banco Central, o apoio esta condicionado ao controle e autonomia do mesmo pelo mercado.

Responder

    Mário SF Alves

    30 de agosto de 2014 às 18h34

    “Estado mobilizador/pentecostal/teocratico/pro mercado, onde Chico Mendes, Ianomamis e Neca Setúbal são iguais.

    Clap, clap, clap. Parabéns!

    ____________________________________
    Só falta a ela finalizar com a inclusão da cruz e da lápide, com a inscrição:

    Aqui jaz a História!

    A Universal. Não só a da IURD, mas de todas as histórias.

    Quem sobreviver, verá!

    E mais, duvido que ela acredite numa linha do que você acabou de escrever, prezada Mariana, caríssima galilineana herege.

Adilson

28 de agosto de 2014 às 20h53

Arrasou, Azenha!

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