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João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel
Política

João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel


14/08/2013 - 15h50

por João Paulo Rillo

A empresa Siemens denunciou a prática de cartel em diversas licitações do governo paulista durante pelo menos 10 anos. As denúncias citam o governador Serra, como foi mostrado pelo jornal Folha de S. Paulo, e, pelo período que atravessou, ocorreu nos períodos de governo de Alckmin e Mário Covas, como bem mostra a revista IstoÉ na histórica capa sobre o “propinoduto”.

As denúncias sobre pagamento de propina para viciar licitações no caso Alstom e Siemens são de conhecimento público desde meados da década passada e, em 2008, chegaram em cheio ao Brasil, com inúmeros caso relatados pela imprensa na época, até com confissão de diversos autores desse esquema.

A bancada do PT entrou com 15 representações e o Ministério Público as arquivou, por não encontrar prova – os ministérios públicos suíço e alemão foram à Justiça e conseguiram, nesses países, a condenação dessas práticas.

No caso alemão, houve a condenação da empresa por propinas pagas de oito milhões de euros, que tinha a ajuda de donos de offshore brasileiras encarregadas de lavar o dinheiro e pagar a autoridades paulistas por trabalho fictício.

O cartel tem contratos de, pelo menos, R$ 30 bilhões que, segundo informações da Siemens na matéria da IstoÉ, foram firmados com superfaturamento de 30%, ou seja, chegaríamos a R$ 9 bilhões desviados, o que daria para fazer pelo menos 20 quilômetros de metrô ou passagem grátis por 4 anos nesse meio de transporte. Isso sem contar os quase 35 quilômetros de metrô que os tucanos deixaram de fazer por má gestão administrativa.

A bancada do PT pretende afastar cinco personagens: o atual presidente da CPTM, Mário Manuel Seabra Rodrigues Bandeira, com contratos e aditamentos julgados irregulares no valor de R$ 915 milhões; o atual Diretor de Operação e Manutenção, José Luiz Lavorente; Décio Tambelli, que cuida da PPP da linha 4 e das novas PPPs, como da linha 6, que movimentará mais de R$ 6 bilhões; Nelson Sclagioni, atual chefe no Metrô; e o atual Secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernando Ribeiro Fernandes, que ocupou o mesmo cargo na gestão anterior do governador Geraldo Alckmin.

A revista IstoÉ traz, nessa semana, foto de Lavorente, Jurandir Fernandes e do lobista Arthur Teixeira, mostrando a proximidade desses personagens. Lavorente, Seabra Bandeira e Jurandir Fernandes foram responsáveis por contratos e aditamentos de contratos lá atrás e, se foram conivente ou não perceberam a ação do cartel lá atrás, não parecem preparados para exercer as funções que exercem hoje.

O governador afirmou aos jornais no dia 6 de agosto de 2013 que “não tem notícias da participação de agentes públicos na suposta formação de cartéis, mas garantiu que, se essa hipótese for confirmada, o servidor será punido. Alckmin disse ainda que não tem informações de que a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos sabia do suposto esquema”.

João Paulo Rillo é deputado estadual (PT-SP)

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26 comentários

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Cartel dá R$ 307 milhões de prejuízo à CPTM; governo Alckmin faz vista grossa - Viomundo - O que você não vê na mídia

11 de setembro de 2013 às 13h33

[…] João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel […]

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Governo Alckmin contrata por R$ 2,7 bilhões empresas envolvidas no propinoduto do tucanato - Viomundo - O que você não vê na mídia

26 de agosto de 2013 às 10h56

[…] João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel […]

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Rômulo Gondim – População reconhece que mídia representa os donos e os que tem mais dinheiro; 43% não se enxergam na TV

19 de agosto de 2013 às 10h36

[…] João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel […]

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População reconhece que mídia representa os donos e os que tem dinheiro - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de agosto de 2013 às 20h00

[…] João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel […]

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IstoÉ: Todos os homens que operaram o propinoduto paulista - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de agosto de 2013 às 14h03

[…] João Paulo Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel […]

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leonardo brito

15 de agosto de 2013 às 22h31

O intrigante é ver o Alckmin vir à TV dizer que processar as empresas. Mas como processar as empresas se elas pagaram propinas aos homens públicos ligados ao PSDB e ao Metrô de SP ?? Há anos os deputados de oposição ao governo paulista deram entrada em 15 representações junto ao Ministério Público Estadual e todas foram arquivadas por falta de provas. Como falta de provas, se por duas décadas a corrupção era uma regra entre eles ??

Responder

leonardo brito

15 de agosto de 2013 às 22h22

Vamos que vamos Alckmin, abra o jogo e entregue quem recebeu a milionária propina das empresas Siemens e Alston e acaba com o caso.

Responder

Ideraldo

15 de agosto de 2013 às 17h15

Eu queria que essas CPIs chegassem nos nomes dos todos-poderosos do PSDB, por exemplo e não ficassem apenas nos subalternos e “laranjas”.

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Caracol

15 de agosto de 2013 às 09h05

Sapeca “domínio do fato” no alkmin, não é mesmo, joaquim barbosa?

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sulista

15 de agosto de 2013 às 08h31

Quanta hipocrisia e falta de caráter desses envolvidos, tando do governo do Estado como da imprensa golpista e monopolista. Eles tem coragem de falar do mentirão. Temos grande parte do judiciário de m…, inclua-se o mp, cúmplices, assim como a imprensa golpista e monopolista.

Responder

Fabio Passos

14 de agosto de 2013 às 22h58

galinha e raposa eu não sei.
Mas os ladrão são alkmin, serra e toda a gangue do psdb de SP.

R$9 Bilhões de superfaturamento é impressionante.
Os tucanos são muito mais ladrões que o maluf!

E globo, veja, fsp e estado são cúmplices da roubalheira.
A defesa que o PiG faz dos ladrões é uma confissão pública de participação.

Responder

    Valente

    15 de agosto de 2013 às 16h54

    Fico com raiva é de mim. É do povo.

    Quando eu deveria ter começado a fazer algo e não fiz?!

    Fabio Passos

    15 de agosto de 2013 às 21h38

    Como explicou o cego Júlio: “A culpa não é do povo!”

antonio carlos ciccone

14 de agosto de 2013 às 22h43

E os nossos pobres jovens nas escolas do Estado terminam o ensino médio(se terminam)e não sabem ler um texto mais complexo ou fazer operações básicas de Matemática.Gerações perdidas….

Responder

Zé Brasil

14 de agosto de 2013 às 21h53

Metrô: os caminhos dos negócios subterrâneos dos tucanos.

Responder

    Valente

    15 de agosto de 2013 às 16h56

    Eles provaram a grana fácl da privataria e gostaram. processo, aliás, começado pelo PMDB.

    Viram que era fácil e farto. Era só usar a mídia e dar uns trocos pra mídia.Assinar uns jornais, coisas assim, se sei tudo,

FrancoAtirador

14 de agosto de 2013 às 20h24

.
.
Alfinetada da Carta Maior

Alckmin diz que a Siemens foi a raposa.

E o PSDB, a galinha… Por 16 anos…

E a mídia?
.
.
Carta Maior, pelo editorialista Saul Leblon, responde:

“A mídia está envolvida até o pescoço nesse escândalo, sugestivamente só revelado por iniciativa da pata empresarial do negócio e da ação do Cade.

Seu envolvimento tem um nome: omissão.

E sobrenome: cumplicidade.

Como explicar que o diligente jornalismo bandeirante, sempre tão atento à malversação da coisa pública na esfera federal, nunca investigou a fundo aquilo que esteve o tempo todo diante do seu nariz?

E não só diante do nariz, mas, como se vê pela reportagem de 2010, em suas próprias páginas, em escândalos, todavia, rebaixados como episódicos e pontuais?

A mídia conservadora hesita, se retorce e se remói.

A dimensão sistêmica do que aflora no metrô de SP coloca-a diante de um duplo abraço de afogados.

Se não investigar a fundo esse episódio, veiculado a fórceps, naufragará como parceira carnal do tucanato.


Se investigar, com rigor e isenção, uma prática de 16 anos de governos que sempre contaram com seu esférico apoio, em algum momento, de certa forma, terá que investigar a si própria.”

(https://www.viomundo.com.br/denuncias/saul-leblon-a-midia-esta-envolvida-ate-o-pescoco-nesse-escandalo.html)

Responder

    Marat

    14 de agosto de 2013 às 22h06

    A mídia, Franco… sejamos francos… é o pintinho sob as asas da galinha. Quentinho e protegido!

    FrancoAtirador

    15 de agosto de 2013 às 11h24

    .
    .
    Pode ser, Marat.

    Mas em toda essa galinhagem tucanalha paulista

    quem está por cima mesmo é a Águia do IV Reich,

    que prende nas garras a raposa e a galinha,

    e ainda leva no bico os pintinhos midiáticos.

    Enquanto deixarem essa Ave de Rapina fazer ninho,

    na Embaixada e nos Consulados, continuará nisso.
    .
    .

    Marat

    15 de agosto de 2013 às 20h21

    Franco, chego à conclusão de que este zoológico é orwelliano… só que o escritor errou o país… Abs

    renato

    15 de agosto de 2013 às 16h48

    Eu não sei se estou certo.
    Mas eu quero cadeia, para os envolvidos.
    Será que estou pedindo demais.Ou Não?
    Me ajude Franco!

    FrancoAtirador

    15 de agosto de 2013 às 20h21

    .
    .
    Que se cumpra a Lei.
    .
    .

JC Tavares

14 de agosto de 2013 às 17h10

O que era previsto aconteceu. O imprensalão golpista, transforma o bandido em mocinho, afinal ele não é do PT. Descaradamente tira todos pra otário, e tranquilamente vai ao cinema comer pipocas e dar boas gargalhadas em um filme tragicômico, como se nada tivesse acontecido. No mundo do crime, esse fato também aconteceu, com quem matou toda a família e agiu da mesma forma. A diferença é que ele hoje encontra-se preso pagando pelo crime que cometeu. A prevaricação da chamada “grande imprensa” em conluio com os crimes praticados pelos governos tucanos havia décadas, impunemente sem nenhum incômodo deixa a impressão de que não tem autoridades nesse país, que todos são covardes que se borram de medo dessa corja. É um bofete na cara da sociedade. A pergunta que não quer calar: ATÉ QUANDO?????????????

Responder

Mardones

14 de agosto de 2013 às 16h36

Eita trensalão bãum!

O PSDB não sabia que havia denúncia de cartel e corrupção nas licitações dos trilhos. São inocentes, como todos aqueles moradores dos presídios.

Responder

    Museusp Batista

    15 de agosto de 2013 às 05h02

    Com uma diferença. Lá nos presídios tem muito ladrão de galinhas e alguns que nem viram as galinhas. Já do lado de fora, …….


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