VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Noam Chomsky: Um mundo cheio de ‘não-pessoas’


09/01/2012 - 18h24

Reconhecendo as “Não-pessoas”

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

Por Noam Chomsky, no Truthout

No dia 15 de Junho, três meses depois do começo dos bombardeios da OTAN na Líbia, a União Africana apresentou ao Conselho de Segurança da ONU a posição Africana sobre o ataque – na realidade, bombardeio de seus tradicionais agressores imperiais: França e Grã-Bretanha, junto com os Estados Unidos, que inicialmente coordenaram o ataque, e outras nações, marginalmente.

É preciso relembrar que houve duas intervenções. A primeira, sob a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 17 de Março, estabeleceu uma zona de exclusão aérea, um cessar-fogo e medidas de proteção aos civis. Depois de poucos momentos, essa intervenção foi deixada de lado, pois o triunvirato se juntou ao exército rebelde, servindo de força aérea para ele.

No começo do bombardeio, a UA conclamou esforços diplomáticos e negociações para tentar evitar uma catástrofe humanitária na Líbia. Em um mês, à UA se juntaram os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros, inclusive a maior força regional da OTAN, a Turquia.

Na realidade, o triunvirato estava bastante isolado nos seus ataques – usados para eliminar o tirano imprevisível que eles apoiaram enquanto era vantajoso. A esperança era ter um regime que acatasse melhor as exigências do Ocidente com relação ao controle sobre os ricos recursos da Líbia e, talvez, oferecer uma base africana ao Comando militas dos Estados Unidos para a África – AFRICOM –, por enquanto confinado em Stuttgart.

Ninguém sabe dizer se o esforço relativamente pacífico proposto pela Resolução 1973 da ONU, que tinha o apoio de quase todo o mundo, teria sucesso em evitar a terrível perda de vidas e a destruição que se seguiu na Líbia.

No dia 15 de Junho, a UA informou ao Conselho de Segurança que “ignorar a UA por três meses e levar adiante os bombardeios da terra sagrada da África foi desrespeitoso, arrogante e provocador”. A UA foi adiante e apresentou um plano de negociação e policiamento dentro da Líbia, pelas forças da UA, além de outras medidas de reconciliação – para nada.

O informe da UA para o Conselho de Segurança também relatou o contexto das preocupações dela: “A soberania tem sido a ferramenta da emancipação dos povos da África, que estão começando a forjar novos caminhos depois de séculos predatórios com o tráfico de escravos, o colonialismo e o neocolonialismo. Assaltos descuidados à soberania dos países da África, portanto, significam abrir feridas recentes no destino dos povos africanos”.

O apelo africano pode ser encontrado no jornal indiano Frontline, mas praticamente não foi ouvido no Ocidente. Isso não é uma surpresa: os africanos são “não-pessoas”, para adaptar um termo de George Orwell para os que não estão qualificados para entrar na História.

No dia 12 de Março a Liga Árabe ganhou status de pessoa ao dar apoio à Resolução 1973 da ONU. Mas essa aprovação logo desapareceu, quando a liga se recusou a apoiar o subsequente bombardeio Ocidental à Líbia.

No dia 10 de Abril, a Liga Árabe voltou à categoria de “não-pessoa” ao pedir à ONU que impusesse uma zona de exclusão aérea sobre Gaza e levantasse o embargo israelense, o que foi virtualmente ignorado.

Isso também faz muito sentido. Os palestinos são os típicos “não-pessoas”, como vemos regularmente. Considere a edição Novembro/Dezembro da revista Foreign Affairs, que começa com dois artigos sobre o conflito Israel-Palestina.

Um, escrito pelos oficiais israelenses Yosef Kuperwasser e Shalom Lipner, culpa os palestinos pela continuação do conflito, por se recusarem a reconhecer Israel como um estado Judeu (para ficar em dia com a norma diplomática: Estados são reconhecidos, mas não setores privilegiados dentro deles).

O segundo, do estudioso americano Ronald R. Krebs, atribui o problema à ocupação israelense; o subtítulo do artigo é: “Como a Ocupação está Destruindo a Nação”. Que nação? Israel, claro, ferida por ter suas botas nos pescoços das “não-pessoas”.

E não ficamos sabendo de nada a respeito de centenas de detidos, mantidos em prisões israelenses, por longos períodos, sem que haja uma acusação contra eles.

Entre os presos não mencionados estão os irmãos Osama e Mustafa Abu Muamar, civis sequestrados por forças de Israel que assaltaram Gaza City no dia 24 de Junho de 2006 – um dia antes da captura de Shalit. Os irmãos foram “desaparecidos” dentro do sistema carcerário de Israel.

Não importa o que se pense sobre a captura de um soldado de um exército que ataca, sequestrar civis é simplesmente um crime mais sério –- a não ser, claro, que eles sejam “não-pessoas”.

Para se ter certeza, esses crimes não se comparam com outros, entre eles os constantes ataques aos cidadãos beduínos de Israel, que vivem no sul do deserto de Negev.

Eles estão, novamente, sendo expulsos sob um novo programa desenhado para destruir dúzias de vilas beduínas para as quais foram forçados anteriormente. Por razões benignas, claro. O gabinete israelense explicou que 10 assentamentos judeus seriam fundados ali “para atrair uma nova população para o Negev” – ou seja, para substituir as “não-pessoas” por pessoas legítimas. Quem se oporia a isso?

As estranhas crias dos “não-pessoas” podem ser encontradas por toda parte, inclusive nos Estados Unidos: nas penitenciárias que são um escândalo internacional, nas cozinhas públicas, nas favelas em decadência.

Mas os exemplos enganam. A população mundial como um todo balança na beira de um buraco negro.

Somos relembrados diariamente, até  mesmo por incidentes pequenos –- por exemplo, no mês passado, quando os republicanos da Câmara dos Deputados barraram uma reorganização praticamente sem custos que investigaria as causas das variações extremas de clima em 2011, oferecendo assim melhores previsões do tempo.

Os republicanos temiam que essa pudesse ser uma brecha para “propaganda” sobre o aquecimento global, um não-problema, de acordo com a catequese recitada pelos candidatos à indicação para concorrer à Casa Branca do que, no passado, foi um partido político autêntico.

Triste espécie.

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36 comentários

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Noam Chomsky: Depois das não-pessoas, os não-eventos | Midiacrucis's Blog

11 de fevereiro de 2012 às 11h20

[…] Noam Chomsky: Um mundo pleno de não-pessoas […]

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Noam Chomsky: Depois das não-pessoas, os não-eventos | Viomundo - O que você não vê na mídia

10 de fevereiro de 2012 às 12h58

[…] Noam Chomsky: Um mundo pleno de não-pessoas   […]

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Trita Parsi: Obama deveria ter ouvido o Brasil | Viomundo - O que você não vê na mídia

18 de janeiro de 2012 às 14h08

[…] Noam Chomsky: Um mundo cheio de ‘não-pessoas’ No Truthout […]

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ZePovinho

11 de janeiro de 2012 às 12h37

Sobre assassinatos de cientistas e professores universitários.A matança continua:
http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?…

* Mais um cientista do programa nuclear iraniano é assassinado num atentado a bomba, em Teerã, nesta 4ª feira**Mostafa Ahmadi Roshan é o 4º cientista do programa iraniano assassinado desde 2010** governo local atribui ações a serviços secretos de Israel e EUA** em recente anúncio de cortes de gastos militares, Obama adiantou que a nova doutrina de segurança dos EUA vai privilegiar ações 'pontuais' de eficiência imediata, espionagem e guerra cibernética**Guantánamo completa 10 anos** Obama engole promessas e sanciona lei que permite aos EUA manterem 'suspeitos' em cárcere indefinidamente** 60% dos detidos no campo de concentração norte-americano foram presos sem provas** ………………………..

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Paulo P.

10 de janeiro de 2012 às 20h58

O assassinato das populações e das soberanias nacionais

Parte duma Conferência de Imprensa de Daniel Estulin no Parlamento Europeu no dia 1 de dezembeo de 2011.

Nesta conferência, Daniel Estulin explica, entre outros temas:

– A desintegração do sistema financeiro económico transatlântico,

– O colapso do sistema financeiro com a existência de 1 a 2 quatrilhões de dólares em aplicações financeiras especulativas,

– O assassinato das populações com a autoridade e a venda das soberanias nacionais,

– A guerra actual diferente de todas as outras, em que quem controla as operações não são os governos, mas sim as grandes empresas mundiais,

– O papeis de Monti, Draghi, Rompuy, Barroso,

– A impossibilidade dos países “resgatados” pagarem as dívidas,

– A criação de duas Europas.

(legendas em português)
http://www.youtube.com/watch?v=pGEtvl4-238&fe

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Luca K

10 de janeiro de 2012 às 19h51

Esta aqui é ótima, programa israelense para treinar pessoal para modificar e publicar conteúdo na Wikipedia de acordo com a visão sionista do mundo:
[youtube LofScCiJT4c&feature=g-vrec&context=G270f843RVAAAAAAAAAA http://www.youtube.com/watch?v=LofScCiJT4c&feature=g-vrec&context=G270f843RVAAAAAAAAAA youtube]

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    Beto_W

    10 de janeiro de 2012 às 23h28

    O problema, Luca, é que estas pessoas realmente acreditam no que escrevem, e acham que é seu dever "balancear" a Wikipedia colocando sua visão pró-Israel, pois eles estão convencidos de que assim estão lutando contra o anti-semitismo. Mas o próprio Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, disse que não se sentiu nenhum impacto desse grupo nos artigos sobre Israel, Palestina e Oriente Médio.

    Luca K

    11 de janeiro de 2012 às 11h38

    ãham, e pq o J.Wales disse e o q ele disse te serve, vc acredita… tsc, tsc, tsc. Beto, eu poderia facilmente te dar uma lista dos principais meios de comunicação mundiais controlados por sionistas(e os nomes dos caras) e vc ainda diria q isto não tem impacto na percepção das massas ignaras sobre os acontecimentos na região.

    Beto_W

    11 de janeiro de 2012 às 15h21

    Concordo com você que a grande mídia tem um viés pró-Israel. O que eu quis dizer é que esse grupinho mostrado no vídeo, e vários outros similares, tem pouca ou nenhuma expressividade, mesmo nos meios os quais eles se propõem a "balancear", e seu impacto é praticamente nulo.

Luca K

10 de janeiro de 2012 às 19h44

Na "única democracia do Oriente médio", IsraHell, kkkk, a parlamentar judia anastasia Michaelis trata assim o parlamentar palestino-israelense Majadele:
[youtube mNh5ipdc8Zo http://www.youtube.com/watch?v=mNh5ipdc8Zo youtube]

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    Beto_W

    10 de janeiro de 2012 às 23h18

    Alguns esclarecimentos, Luca:

    Majadele não é palestino-israelense, é árabe israelense, ou seja, cidadão israelense de etnia árabe. Ademais, sua religião é o Islã, ou seja, ele é um árabe israelense muçulmano membro do parlamento israelense. Majadele já foi inclusive Ministro da Ciência, Cultura e Esporte (em Israel os três são da mesma pasta). E Majadele é membro do Partido Trabalhista de Israel.

    Anastassia Michaeli, a parlamentar judia que jogou o copo d'água, é do Yisrael Beiteinu, partido de ultra-direita liderado pelo imbecil Avigdor Lieberman. Ela já demonstrou seu temperamento em outras ocasiões no parlamento, como quando tentou impedir a parlamentar Hanin Zuabi (árabe-israelense do partido Balad) de falar quando foi questionada sobre sua presença na flotilha de 2010. E ela foi severamente punida pela comissão de ética do parlamento (que parece ser mais eficiente por lá do que por aqui), que a suspendeu por um mês, quando em geral a punição por brigas é de alguns dias. Zuabi tinha sido suspensa por duas semanas por conta de sua participação na flotilha.

    O assunto que gerou a discórdia? O parlamentar Danny Danon pedia a demissão de um diretor de uma escola que levou seus alunos a uma passeata em defesa dos direitos humanos em Tel-Aviv. Majadele estava argumentando a favor do tal diretor, quando Michaeli o interrompeu, dizendo que a demonstração era contra o Estado. Majadele respondeu mandando-a se calar, o que ela tomou como um desrespeito às mulheres do parlamento. A discussão continuou até culminar no fatídico copo d'água.

    Luca K

    11 de janeiro de 2012 às 11h59

    Grande Beto, se apressou em defender a "democracia" israelense! Kkkkkkkkk
    Chamo Majadele de palestino-israelense de propósito Beto. Árabe é vago, não significa nada pra mim. Imagino que Majadele seja um dos palestinos que os judeus NÃO conseguiram EXPULSAR da Palestina histórica em suas várias operações de limpeza étnica. De acordo com a Association for Civil Rights in Israel, os "árabes-israelenses" são discriminados em quase todos os aspectos de suas vidas, a saber;
    " employment; education; healthcare; housing; land; infrastructure; political representation;
    legislation; personal safety; socioeconomic status; family unification".

    Beto_W

    11 de janeiro de 2012 às 15h38

    Luca, estou apenas esclarecendo alguns pontos. O termo usual é árabe israelense, mas se quer falar palestino-israelense, fique à vontade.

    Existe discriminação em Israel, nunca neguei. Não só contra árabes, mas contra imigrantes russos, contra negros… Recentemente houve um protesto contra as dificuldades que os judeus etíopes enfrentam para comprar casas, ao qual se juntaram os russos e árabes ( http://www.haaretz.com/news/national/hundreds-of-… ).

    Por outro lado, Tel Aviv foi eleita o melhor destino de viagem para homossexuais numa pesquisa do site GayCities.com ( http://www.haaretz.com/travel-in-israel/tel-aviv-… ). Já em Jerusalém os mesmos homossexuais não seriam nada bem recebidos. Ou seja, em alguns lugares há uma tolerância e convivência acima do comum em relação a algumas minorias, enquanto em outros lugares essas minorias sofrem preconceito; e há minorias que sofrem preconceito em todo o país.

    Aqui no Brasil também temos minorias que sofrem preconceito (apesar de ter gente que negue), e somos uma democracia. Em Israel, um árabe-israelense (ou palestino-israelense, como você prefere) pode ser eleito como membro do parlamento, e em teoria não há limite máximo, nem cotas de membros desta ou daquela etnia, como acontece no Irã. A democracia lá pode não funcionar em vários aspectos (e não funciona), mas não deixa de ser uma democracia. A nossa aqui tampouco é perfeita, também temos nossos problemas. E ambas estão sujeitas a manipulações e interesses escusos de empresários atrás do lucro fácil.

    Sob a ótica da ocupação e opressão dos palestinos, realmente não é uma democracia, já que eles não têm voz em Israel. Mas para os cidadãos de Israel (mesmo as minorias), por mais falha que seja, existe democracia, já que todo cidadão tem direito a votar em qualquer candidato, e qualquer cidadão pode ser candidato. O próprio Majadele, palestino-israelense segundo seus termos, é membro do parlamento e foi legitimamente eleito pela população, e inclusive já chegou a ser ministro. Concordo que de uma pasta não muito estratégica, mas já foi. Se não houvesse ao menos um arremedo de democracia, não haveria nenhum árabe-israelense no parlamento, e atualmente há 14, se forem contados os drusos e beduínos ( http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Arab_members… ), ou 12% das cadeiras do parlamento. Concordo que isso não reflete a parcela de árabes da população israelense, que é de aproximadamente 20%. O que quero dizer é que, mesmo que não exista uma democracia plena, existe um pouco de democracia, o que é melhor que nada.

    Quanto a esse papo de "única democracia do oriente médio", eu sempre discuto com meus amigos judeus quando ouço isso. Cito o Iêmen, o Líbano e a Autoridade Palestina como outros exemplos de democracia. O Irã também é de certa forma democrático, apesar de seu sistema de governo ser formalmente centrado na religião.

    E antes que você me critique dizendo que estou defendendo qualquer coisa, estou apenas querendo mostrar que nada é preto ou branco, existem vários tons de cinza. Israel não é nem de longe uma democracia perfeita, muito menos uma sociedade justa e igualitária, e tem vários problemas, conflitos, incongruências, inconsistências. Mas aqui e ali se vê lampejos de democracia, justiça e tolerância. E se olharmos no espelho, a democracia brasileira também tem seus problemas, que todos os que acompanham o Viomundo conhecem.

    Luca K

    12 de janeiro de 2012 às 11h06

    Olá Beto! Olha, Democracia perfeita sequer existe. Alguns países supostamente muito democráticos estão mais para ditadura soft. O que estou dizendo é q em Israel pratica-se contra os "arabes-israelenses"(verdadeiros donos da terra) discriminação escancarada em diversos níveis. Se pudessem ou se as condições surgirem no futuro, o governo israelense expulsaria esta população palestina remanescente. O tal do Benny Morris já afirmou ter sido um grande erro Israel ter permitido q ficassem.
    Abs

    Beto_W

    12 de janeiro de 2012 às 15h38

    Pois é. E como eu falei, eles não são os únicos discriminados por lá… Os judeus etíopes, trazidos com grande fanfarra a Israel por operações de resgate organizadas nos anos 80 e 90 para tirá-los do Sudão, e celebrados como a tribo perdida de Israel, hoje em dia enfrentam várias dificuldades devido à discriminação. Os beduínos também são discriminados, como menciona Chomsky, e em partes do país os imigrantes russos não são nada bemvindos.

    Aqui no Brasil também temos nossos governantes que desejam o desaparecimento dos "indesejáveis" a seus olhos. Também temos os nossos "palestinos", por cujos direitos devemos lutar.

Jair de Souza

10 de janeiro de 2012 às 09h50

Noam Chomsky, um dos maiores humanistas vivos, é cidadão estadunidense e professa a religião judaica. Isto significa que ser estadunidense e ser judeu não faz de ninguém automaticamente um defensor de atrocidades, do racismo, do apartheid e nem do imperialismo. Coisa muito diferente de ser sionista e imperialista. Como seria bom para a humanidade que gente como Noam Chomsky servisse de modelo de conduta digna. No video que indico a seguir, podemos constatar como vivem as "não pessoas" citadas por Chomsky na Palestina ocupada pelas forças militares do estado sionista de Israel.[youtube EYvOQHExhnY&feature=player_profilepage http://www.youtube.com/watch?v=EYvOQHExhnY&feature=player_profilepage youtube]

Responder

Mr. Chance

10 de janeiro de 2012 às 09h04

Magnífico, Mestre Chomsky… Por razões óbvias, detestado pelos reacionários (mídia incluída) mundo afora. Ele fala verdades muito inconvenientes para o pensamento hegemônico ocidental…

Responder

Jorge

10 de janeiro de 2012 às 08h03

A humanidade sempre trilhou o caminho da rejeição, rejeição ao próximo, porque assim é a natureza humana: arrogante, agresiva e individualista. Em cada nível que nos pusermos a pensar, somos assim. É por esta natureza que os americanos excluem hispânicos e africanos, os ingleses aos latino-europeus, australianos aos aborígenes, paulistas e sulistas aos nordestinos, nordestinos ricos aos nordestinos pobres, os mais fortes e mais ricos aos mais fracos e mais pobres em qualquer escola do mundo. Somos essa praga que infestou a Terra e que não sabe conviver além do próprio umbigo. Somos o primeiro degrau da piramide evolutiva…….

Responder

João-PR

10 de janeiro de 2012 às 02h22

Mais uma vez o Chomsky nos brinda com uma bela análise.
Estava pensando que o conceito de "não-pessoas" cabe direitinho do que o Kassab está fazendo no Projeto Luz e na Favela Moinho.
Nâo-pessoas…não me esquecerei mais deste conceito.

Responder

Marcus Fitz

09 de janeiro de 2012 às 23h25

Métodos nazistas.

Como na 2º Guerra, os 'arianos' faziam diligentemente com os judeus, ciganos, homossexuais & afins.
Israel aplica essa assertiva com os palestinos.
Os Yankees com os imigrantes latinos e asiáticos.
Os europeus – ingleses principalmente, já que eles não se consideram parte da Europa – com as pessoas do leste (europeu).
Aqui no Brasil com os miseráveis (principalmente).

MF

Responder

    Júnior

    10 de janeiro de 2012 às 00h38

    Esqueceu de dizer que é o que a Turquia e o Irã fazem com os Curdos.

Regina Braga

09 de janeiro de 2012 às 22h49

Não gosto de zumbis ou vampíros…Sei lá,não é muito o meu estilo…Gosto de coração pulsando,é o que Chomski, faz. Nos impele a reagir,para mostrar a nossa força e sensibilidade…Nos chama a ser pessoas outra vez.Vamos começar in loco…Caso aluno da USP,o abuso da PM, tbém com os viciados,favelas queimadas,etc….

Responder

Morvan

09 de janeiro de 2012 às 21h22

Boa noite.

Noam Chomsky é navalha na carne.
Frio; preciso. Pontual.
Não precisamos de muito, para nos tornarmos, em definitivo, uma legião mundial, uma imensa nuvem de "não-pessoas", na definição de Orwell:
Os nossos "protetores" são os Estados unidos, a França e a Prússia, digo, Alemanha.
"Poor sad species." – Noam Chomsky. É o "capitarrentismo" a nos coisificar, a nos transformar em mercadorias.
Ao me lembrar do adágio "somos à medida que os outros também o são" (Karl Jaspers), ocorre-me um pensamento inquietante: tornar-nos-emos todos zumbis (ou "não-pessoas") ou haverá uma saída?
O sentido que Jaspers dava ao seu aforismo era outro. O grifo da pergunta é do autor.

Aproveito para pedir a Heloisa Villela que nos presenteie com mais textos de pensadores do porte de Noam Chomsky, bem como com sua tradução irretocável.

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

ZePovinho

09 de janeiro de 2012 às 21h22

E eu fiquei horrorizado com isso aqui e com a possibilidade desse assassino ter participado do extermínio de professores universitários no Iraque:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia

5 de Janeiro de 2012 – 10h45
Atirador dos EUA diz ter matado 255 pessoas: "adorei o que fiz"

Ele diz ter matado 255 pessoas no Iraque e garante que não se arrepende. "A lenda", "o exterminador" e "o diabo de Ramadi" são apenas algumas alcunhas pelas quais o atirador de elite reformado Chris Kyle ficou conhecido entre os colegas.

Entre 1999 e 2009, o então oficial do pelotão Charlie, terceiro grupo da força Seal da Marinha norte-americana, construiu para si uma temida reputação como o atirador mais letal da história da corporação………………

……….."Adorei o que fiz. Ainda adoro. Se as circunstâncias fossem diferentes – se minha família não precisasse de mim – eu voltaria em um piscar de olhos", escreve o atirador. "Não estou mentindo nem exagerando quando digo que foi divertido."……………………………………………………
http://tribunaliraque.info/pagina/campanhas/unive

LISTA DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS ASSASSINADOS NO IRAQUE DURANTE A OCUPAÇÃO

Documento da Campaña Estatal contra la Ocupación y por la Soberanía de Iraq (CEOSI)
IraqSolidaridad ( http://www.nodo50.org/iraq)

10 de Novembro de 2005

Tradução do inglês e do árabe para o castelhano: Paloma Valverde e Houmad El Kadiri
Tradução do castelhano para português: TMI-AP-JMB

NOTA DA TRADUÇÃO PORTUGUESA: lista elaborada até fim de Outubro 2005; ver, no fim da lista (n.os 101 a 108), os nomes dos assassinados de Novembro e Dezembro

A seguinte lista de professores e professoras iraquianos assassinados durante a ocupação, não sendo ainda definitiva, aumenta para 100 a que foi anteriormente publicada por IraqSolidariedad1, agrupando os casos por universidades e incluindo uma categoria de académicos que, no momento de serem assassinados desempenhavam cargos administrativos, alem de três nomes de professores cuja universidade se desconhece. Esta nova listagem foi elaborada com base em várias fontes de informação iraquianas e internacionais2, além de fontes jornalísticas árabes3.

Tal como a anterior, esta lista ampliada não inclui os nomes de professores do ensino primário e secundário4, nem de médicos no activo ou profissionais não vinculados à docência universitária.

Tendo em conta a situação que se vive no Iraque, é compreensível que não se disponha duma única lista completa de professores e académicos assassinados durante a ocupação. No passado mês de Outubro, o Ministério do Ensino Superior iraquiano cifrava em 146 o número de professores universitários assassinados no Iraque desde o início da ocupação5.

Várias organizações ligadas à iniciativa Tribunal Mundial sobre o Iraque preparam uma campanha de denúncia destes assassinatos selectivos, cuja lógica, sejam quem forem os seus executores6, visaria eliminar o estrato qualificado da população a quem caberia assegurar o futuro cultural, académico e científico de um Iraque libertado e soberano.

BAGDADE
Universidad de Bagdade

Abbás al-Attar: Doutor em Humanidades, professor da Faculdade de Humanidades da Universidade de Bagdade.
Abdel Huseín Jabuk: Doutor, professor da Universidade de Bagdade.
Abdel Salam Saba: Doutor em Sociologia, professor da Universidade de Bagdade.
Ali Abdul-Huseín Kamil: Doutor em Ciências Físicas, professor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Bagdade.
Basil al-Karji: Doutor em Ciências Químicas, professor da Universidade de Bagdade.
Basil al-Karkhi: Doutor em Ciências Químicas, professor da Universidade de Bagdade.
Essam Sharif Mohammed: Doutor em História, catedrático e Director do Departamento de História da Faculdade de Humanidades da Universidade de Bagdade.
Fuad Abrahim Mohammed al-Bayati: Doutor em Filologia Germânica, catedrático e Director do Departamento de Filologia Germânica da Faculdade de Filologia da Universidade de Bagdade.
Haifa Alwan al-Hil: Doutora em Física, professora na Faculdade de Ciências da Mulher da Universidade de Bagdade.
Hazim Abdul Hadi: Doutor em Medicina, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Bagdade……………………………………………………………..

CONTINUA.PAROU EM 104 PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS EM 2005.IMAGINEM O TAMANHO DO EXTERMÍNIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

    Morvan

    09 de janeiro de 2012 às 21h43

    Boa noite.

    ZePovinho, eu vi a figura doidivana deste zumbi, no Terra. É só o que o Império pode ofertar à humanidade, são estes psicos, estes autômatos.
    Quando "a América" (ô coisa tosca! É como estes dementes se autodenominam. Erroneamente, claro.) manda um "snipper" destes para matar o inimigo(?), o salário dele é pago em espécie e em catarse. Eles são máquinas de matar.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

    ZePovinho

    10 de janeiro de 2012 às 12h36

    Eu fico realmente assustado com essas coisas,Morvan.Penso no Brasil.Penso que temos de desenvolver todas as regiões do país para que não sejamos desmembrados pelo método das divisões regionais e étnicas que os EUA usam na defesa dos interesses imperiais.O que ocorreu no Iraque pode ocorrer conosco.
    Me conforta saber que o Breasil está se desenvolvendo no nordeste,que o que ocorreu com o Ceará e Pernambuco vai ocorrer com a região norete e meio-norte com a construção da maior refinaria do mundo no Maranhão.
    Eu sou um desenvolvimentista,mesmo.Temos de integrar o Brasil, fazendo com que o desenvolvimento chegue a todas as regiões e fortaleça o país para o caso de enfrentarmos a cobiça desse bandidos por recursos naturais como,por exemplo,o maior aquífero do mundo na Amazônia: o aquífero Alter do Chão.
    O meu irmão vai para o Haiti.Ele é CFN,atirador de elite como esse sujeito que coloquei aí acima.Enviei a matéria para ele.A doutrinação faz dessas coisas,Morvan.É uma máquina de assassinatos e guerras contínuas que o Professor Peter Dale Scott chama de "Doomsday Project".Vale a pena conhecer o Estado totalitário profundo que comanda a América:
    http://www.voltairenet.org/The-Doomsday-Project-a

    HISTORY OF THE US DEEP STATE (1/2)
    The Doomsday Project and Deep Events: JFK, Watergate, Iran-Contra, and 9/11

    by Peter Dale Scott

    In this two-part analysis, former diplomat and scholar Peter Dale Scott deciphers the successive stages, since the assassination of John F. Kennedy, of the United States’ inexorable slide into the situation that President Eisenhower had feared and cautioned his compatriots against. Since 26 October 2001 and the introduction of the Patriot Act, a secret structure – the "Deep State" – has been governing the United States behind the trappings of democracy.

    PS:Se nós não tivermos cuidado,o Brasil pode ir pelo mesmo caminho com essa aliança entre empreiteiras e empresas de armamento.O aviso do Eisenhower,penso,também vale para nós.

    [youtube T-xEcChFC6I http://www.youtube.com/watch?v=T-xEcChFC6I youtube]

    Morvan

    10 de janeiro de 2012 às 16h19

    Boa tarde.

    ZePovinho, não acredito que estas técnicas de "dividir para governar" tenham eficácia no Brasil.
    O "ideal" separatista é muito localizado, no Brasil. Felizmente. Nada que nos permita nos deitar sobre os louros e ficar em berço esplêndido. Mas, mesmo com o fundamentalismo e a xenofobia sendo muito fortes, lá fora, aqui, felizmente, este pessoal separatista está desarticulado (ainda!).

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

    ZePovinho

    10 de janeiro de 2012 às 13h03

    http://www.strategic-culture.org/news/2012/01/04/

    Why The US Needs a Major War
    Viktor BURBAKI | 04.01.2012 | 00:00

    "….Mathematical modeling of the global geopolitical dynamics warrants the conclusion that a victorious large-scale war fought with conventional warfare is the US only option to reverse the fast meltdown of its unsurpassed geopolitical status'……

    Ps:Fiquei pensando se esse cara é do grupo BOURBAKI de matemáticos franceses.

    Luca K

    10 de janeiro de 2012 às 19h40

    Ah, o Chris Kyle… ele tem na verdade 160 "Kills" supostamente confirmadas. O restante seria sem confirmação. Se o número 160 for real ele se tornou o maior sniper da história militar estadunidense, superando veteranos do Vietnam como Waldron e Carlos Hathcock. Tenho minhas dúvidas por 2 razões: uma q no Vietnam os snipers americanos operavam numa área que era "rica em alvos". Em seu pico, os efetivos regulares do Vietnam do Norte somados aos VCs chegaram a mais de 460 mil homens. Já no Iraque os insurgentes raramente passaram de umas poucas dezenas de milhares. A segunda razão é que o tal Kyle recentemente andou contando o q parece ser uma tremenda mentira sobre os ex-governador de Minnesota e ex-Seal, Jesse Ventura, aparentemente com o objetivo de, em aliança com o PIG americano, difamá-lo . Jesse Ventura é conhecido por sua postura anti-imperialista bem como por suas denúncias sobre a erosão da Constituição e do estado de direito nos EUA. Kyle contou ter esmurrado de surpresa Ventura num bar frequentado por Seals na California pq Ventura teria desrespeitado as tropas e a morte do seal Michael Mansoor. Ventura negou veementemente a estória de Kyle, inclusive observando q sequer conhece o cidadão. O PIG dos EUA, principalmente a Fox News deu grande destaque para Kyle, divulgando sua estorinha sem procurar confirmá-la primeiro. A forma grotesca como este imbecil – Kyle – falou sobre sua experiência como sniper imediatamente me lembrou das memórias do sniper alemão(2º guerra) Sepp Allerberger. Em total contraste com Kyle, Sepp se angustiava com suas lembranças. Teve 257 Kills confirmadas mas estima o número real acima de 500. Sem contar os que matou com metralhadora e submetralhadora. Atuou exclusivamente na frente Oriental. O contraste entre a angústia de Sepp e o "digo que foi divertido" de Kyle me impressiona.

João P

09 de janeiro de 2012 às 21h10

A Frontline é uma revista, não um jornal…

Responder

Jorge Leite Pinto

09 de janeiro de 2012 às 20h52

Outro excelente artigo, do excelente Chomsky.
Agradeço ao Azenha a oportunidade de ler artigos dele neste blog. Está cada vez mais difícil achá-los na imprensa em geral…

Responder

    Morvan

    09 de janeiro de 2012 às 21h28

    Boa noite.

    Com toda razão, Jorge Leite Pinto.

    É que há pouca gente escrevendo coisa capital.
    A maioria, (na verdade, quase toda a intelectuália), está escrevendo a serviço do capital.
    Pedi a Heloisa Villela, em Post recente, que publique, quando puder, mais textos deste calibre.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

    Jorge Leite Pinto

    10 de janeiro de 2012 às 14h14

    apoiado, Morvan.

Francisco

09 de janeiro de 2012 às 19h21

Chomsky ficou horrorizado com as "não-pessoas".

Eu fiquei horrorizado com essa "partilha da Polônia" africana e muito mais…

Fiquei horrorizado com o presidente afro-estadunidense propiciando o linchamento de um líder africano.

E eu que pensava que só no Mississipe se linchava, e eu que imaginei que esse tempo tinha passado e eu que delirei que líderes negros não fariam tal torpeza com outros líderes negros.

Prefiro ser uma "não-pessoa" a ser um "não-humano"…

Responder

    Marcelo

    09 de janeiro de 2012 às 21h11

    Francisco, teve uma discussão há algum tempo atrás (se eu não me engano gerada a partir de uma fala do Chico Buarque, ou esse repercutindo alguém), onde o argumentador dizia que "não precisava ir ao ' fundo do poço' para lutar/resgatar pelas pessoas que estivessem lá". De certa forma, na minha opinião, o argumentador tinha uma boa razão. E por similaridade, me permita um reparo na sua fala: jamais proponha se tornar uma "não-pessoa" para estar (até para sempre, se necessário) lutando ao lado desses. Saudações!


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