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Muniz Sodré: É a educação, ministro Carvalho!


11/08/2012 - 18h32

por Muniz Sodré, em CartaCapital

Greve de professor é mesmo greve? A quem se dispuser a refletir sobre a questão, é aconselhável pesquisar o pragmatismo americano, que atribui grande importância à terminologia como vetor de consolidação ou de mudança ideológica na vida social. Veja-se greve: no contexto semântico do neoliberalismo e na mentalidade seduzida pelo “capitalismo cognitivo”, registra-se uma tendência nada sutil para expurgar da História contemporânea essa palavra.

Primeiro, argumenta-se que, para determinadas atividades, como a educação, não “existe” greve porque a interrupção do trabalho não prejudicaria realmente o empregador. Segundo, no caso do operariado, a greve prejudica a produção, sim, mas seria um instrumento típico do regime fordista de trabalho, logo, anacrônico. A falácia desse tipo de argumentação está em supor a universalidade de categorias hipermodernas, como o “capital humano” (a criação de valor não pela força de trabalho externa ao trabalhador, e sim pelo seu saber vivo, dito “imaterial”), fruto do capitalismo cognitivo, supostamente emergente e virtuoso em todos os rincões do planeta.

Nada disso é falso, mas tudo isso, colocado apenas dessa maneira, esconde alguns fatos importantes. Por exemplo, o capital dito humano mantém a sociedade dependente da “velha” produção material e, não raro, em regimes historicamente regressivos. Outro: a flexibilidade do contrato de trabalho, um dos aspectos emergentes desse processo, contribui para que empresa e produção de riquezas deixem de ser mediadas pelas formas clássicas de trabalho.

A greve é um mecanismo clássico de luta operária, porém, o seu sentido vem sendo reposto na História pelos movimentos sociais em prol não apenas dos direitos trabalhistas, mas também dos direitos civis e dos direitos sociais (educação, saúde). A própria legislação (Consolidação das Leis do Trabalho) reconhece que a palavra greve refere-se, por extensão, à interrupção coletiva e voluntária de qualquer atividade, remunerada ou não, para protestar contra algo. Nada impede que se faça greve até mesmo pelo direito de trabalhar, quando essa atividade estiver ameaçada em sua dignidade ou na possibilidade de sua continuação.

A greve atual dos professores das universidades federais, com quase três meses de duração, insere-se nesse quadro amplo, de muitos aspectos. Comecemos pelo aspecto macroeconômico. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que um dos fatores para a atual ascensão da baixa classe média foi a universalização do ensino fundamental a partir dos anos 1990. Estima-se que a continuidade da mobilidade social dependerá do cumprimento das metas de educação.

O problema é que a educação comparece no discurso oficial como uma reles peça orçamentária, mensurável apenas por estatísticas de matrículas, avaliações e recursos. Deixa-se de lado o essencial em todo e qualquer processo educacional, ou seja, o professor e seus históricos fronts republicanos – cultura, pedagogia e democracia. Sem a formulação de projetos político-pedagógicos em níveis nacionais, vê-se prosperar uma subcultura avaliativa, decorrência lógica da presença de tecnoburocratas, em vez de pedagogos e pensadores, na esfera clássica da educação.

É essa subcultura, aliás, que alimenta as organizações internacionais (OCDE, Banco Mundial, Comissão Europeia) empenhadas na constituição de um mercado mundial da educação. Ainda assim, o discurso globalista consegue estar à frente da parolagem governamental, onde a palavra educação circula como um fetiche economicista. Mesmo apoiado no limitado escopo empresarial do capital humano, o discurso globalista não abre mão da valorização do professor.

A valorização republicana do professor dá-se pelo reconhecimento público de sua estabilidade institucional no quadro do Estado. Este é o ponto central do movimento grevista em curso: um novo plano de carreira e um salário sem os “penduricalhos” instáveis, obtidos ao longo de anos de lutas. O reajuste salarial está atrelado a esse plano, sintomaticamente rejeitado pelo atual governo: “A reestruturação das carreiras já ocorreu no governo Lula e agora mudou a política, numa situação agravada pela crise”.

Mas que mudança política? Que crise? Que agravamento? Estas palavras não aparecem nos discursos oficiais sobre os preparativos para a Copa do Mundo ou para as Olimpíadas. Num país que dispõe (neste mês de agosto) de 376 bilhões de dólares em reservas, paga em dia a dívida externa e é credor do Fundo Monetário Internacional, não se podem invocar os álibis da crise mundial e seu agravamento, mesmo com a redução do PIB.

Não se trata realmente de falta de fundos, mas de falta do bom-senso necessário a uma mudança de mentalidade em favor da ampliação das políticas sociais, com vistas à transformação da educação e da saúde públicas. O cuidado é outro, como reverbera o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho: “Temos de nos preocupar muito com o emprego daqueles que não têm estabilidade. Então, toda a nossa sobra fiscal estamos procurando empregar para estimular a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços, porque esses nos preocupam mais”.

Em outras palavras, a iniciativa privada gera riqueza, logo, paga impostos que arcam com o custo das políticas sociais. Isto é o que a retórica chama de “paralogismo da indução defeituosa”, e nós chamamos de pérola da simplificação neoliberal.

Defeito: o porta-voz deixa de dizer que, quando uma empresa qualquer contrata um profissional qualificado, está incorporando um “ativo” que custou anos de “ativos” familiares ou estatais para a sua formação. Onde o neoliberal diz “custo” leia-se “investimento em infraestrutura”. A terminologia proativa explica: “É a educação, Carvalho!”

“Mas temos todo o respeito pelos servidores”, ressalvou o ministro. Por que então não dialogar com todos os seus órgãos de classe? Respeitar é não discriminar. O plano de carreira, por exemplo, é matéria controvertida entre os próprios professores: tem laivos corporativistas, passa ao largo do problema da padronização salarial que impede a contratação de cérebros estrangeiros. Greve é hoje demanda de diálogo público. Mas no vazio da representatividade inexiste diálogo, já que voz nenhuma se reproduz no vácuo.

Por tudo isso, no momento em que o fantasma do neoliberal Milton Friedman reaparece nos jornais, é admissível pensar que esta greve dos professores universitários tem algo de pedagógico numa sociedade de fraca participação coletiva, mobilizada apenas pela novela das 8: uma aula pública de indignação diante da hipocrisia oficial para com a educação e um apelo à mobilização da sociedade como um todo.

Muniz Sodré é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e escritor.

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46 comentários

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Urbano

12 de agosto de 2012 às 14h04

A greve de funcionários públicos é decorrente, na maior parte das vezes, da própria distorção criada ao longo do tempo. Primeiro que não se pode deixar uma classe trabalhadora, seja ela qual for, sem reajuste de salários por seis, sete anos. Segundo devido a aumentos estratosféricos para algumas classes já demasiadamente abastadas. Afora isso, hoje com a criação da transparência (que está virando disfarce) de seus vencimentos, a coisa ficará bem mais complicada. Um bom exemplo da distorção existente, isso de longas datas, é quando nos se apresenta a informação de que um juiz ou um coronel de polícia (e o pior é quando se vê o quilate profissional e ético da maioria desses) está abiscoitando pra mais de duzentos mil reais. Aí então o que vai pensar um professor PhD que ensina numa USP ou numa Unicamp, ou em qualquer das Universidades Federais? Além do mais, o que existe mais são ferramentas capazes de fazer justiça para ambos os lados, tanto dos funcionários quanto dos governos, mas, no entanto, são ignorados. Ainda mais que a Ministra do Planejamento não possui um milésimo da capacidade de mediar de um Lula, de um Jango; o que não é demérito nenhum, pois a coisa em si é inata.

Responder

Julio Silveira

12 de agosto de 2012 às 13h39

Sobre essa greve, repito o mesmo que já disse sobre outras em outros momentos e governos, inclusive estaduais onde via de regra esses servidores são tratados como palhaços da sociedade. Vitimas de negociações fajutas com governos que falseam perante a opinião publica, para jogá-los contra a sociedade que se torna vitima em segunda instância, e quase sempre algoz dos professores na terceira.
Os professores não sabem a força politica que tem, seu papel de multiplicadores de informação cultural poderia ser também utilizado como multiplicador de esclarecimento politico. Mas alguns vendem-se por um cargo de comissão qualquer, para isso traem toda a categoria. Historicamente são vitimas do desinteresse politico genetico voltado para manutenção da ignorancia da cidadania. Por isso ousem virar cabos eleitorais daqueles que de fato atenderem aos clamores de toda a categoria, vocês tem peso social, usem-no. Se meia duzia de cabos eleitorais conseguem eleger um presidente imagina a força de milhores de professores apoiando um candidato. Pensem nisso e organizem-se para esse fim.

Responder

jose marcos

12 de agosto de 2012 às 10h54

Os 2 protagonistas desta greve, deveriam repensar suas falhas, não só um lado. Não vou me aprofundar pois percebo que esta havendo um patrulhamento ideologico, se voce concorda em genero numero e grau com a greve otimo, se voce faz alguma espécie de critica, mesmo que construtiva, voce é , agressivamente, tachado de tucano, privativista, etc. Eu sei que no final desta briga em que todos os lados cometem erros, acaba sobrando para o estudante sério que quer estudar, porque os malandros estão curtindo a praia….

Responder

    Pimon

    12 de agosto de 2012 às 12h12

    O professor Muniz é tacanho em Economia.

joão

12 de agosto de 2012 às 09h39

sábado, 11 de agosto de 2012
A resistência ao trabalho decente
Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

A 1ª Conferência de Emprego e Trabalho Decente terminou na tarde de hoje (11) evidenciando as tensões que ainda existem nas relações de trabalho. Se a abertura, na quarta-feira (8), já havia mostrado as diferenças de posições e concepções sobre o tema, o encerramento deixou a divergência mais explícita. As votações foram feitas apenas com as bancadas do governo e dos trabalhadores, sem a participação da representação dos empregadores, que decidiram “suspender” sua participação no evento, discordando da condução dos trabalhos e falando em desrespeito ao regimento. Uma comissão foi ao plenário comunicar sua decisão, mas foi vaiada pelos trabalhadores.

Ao contrário do programado, o ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto, não participou do final do encontro. A ausência foi atribuída ao desentendimento que resultou na ausência dos empregadores na plenária final. Ainda ontem (10), ele tentou uma proposta de acordo entre as bancadas, para que a conferência terminasse com a participação de todos. Reuniões se estenderam durante a madrugada (das 23h às 4h) e prosseguiram ao longo do dia.
Assim, a maioria das propostas foi votada e aprovada, e podem fazer parte das políticas públicas do governo. Mas a discussão de temas considerados polêmicos – como a redução da jornada de trabalho – passou a ser questionada pela bancada patronal, que não participou da última fase do evento. “Conseguimos fazer um diagnóstico bastante amplo do mundo do trabalho”, avaliou o coordenador da conferência, Mario Barbosa, assessor internacional do Ministério do Trabalho e Emprego. “O desafio foi grande e a dificuldade, um pouco calculada também. É um grande exercício de democracia.”

A diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Lais Abramo, lembrou que o tripartismo (princípio que compreende discussões e decisões conjuntas entre governo, trabalhadores e empresários) pressupõe a busca do consenso, e não o consenso em si. “Existem posições que ganham e que perdem. Eles (empresários) não se retiraram. Suspenderam sua participação e continuam abertos ao diálogo. Houve problemas, claro, mas as portas não estão fechadas”, afirmou.

“Houve divergências nas questões de fundo, mas que são minoritárias. Algumas já estão sendo discutidas no Congresso. A discussão continua”, comentou o secretário de Políticas Públicas de Emprego, Marcelo Aguiar dos Santos Sá. Segundo o MTE, as propostas divergente serão encaminhadas aos fóruns tripartites já existentes para análise mais aprofundada. Barbosa adiantou que em 2013 a expectativa é de que sejam realizados encontros regionais para avaliação da conferência.

Responder

Anônimo

12 de agosto de 2012 às 09h25

Sugestão construtiva: por que o governo Dilma não cria uma pauta de reajustes vinculada aos resultados do PIB, condicionais, com regras claras de medição do crescimento da economia. Assim, blinda o Estado contra a crise gerada inicialmente pelos banqueiros dos EUA e ao mesmo tempo atende os reclamos dos servidores, no entanto tudo de acordo com os limites da economia real. Assim, envolve todos, uns e outros, num projeto comum. Já foi feito na Alemanha. Simples assim.

Responder

    laura

    12 de agosto de 2012 às 11h43

    è isso mesmo anônimo, simples assim! O problema é que o Governo, mesmo do PT está amarrado a conceitos de “responsabilidade fiscal” de origem neoliberal onde é PROIBIDA uma hipótese de gatilho salarial no estado. Só para a empresa privada isto ainda é permitido. Ainda porque a noção de salário esvai-se no ambiente real de trabalho.

    Marcelo

    12 de agosto de 2012 às 13h56

    Lamentável a postura da presidenta. Trata a todos indiscriminadamente como marajás. O custo de vida no RJ disparou. A própria presidenta sabe disso pq no período da Rio+20 ela dobrou as diárias das pessoas de Brasília, pq a diária do governo federal não cobria a despesa nem com alimentação. O governo permitiu que o custo de vida disparasse, não fez nada em relação a isso (valores de aluguel no RJ praticamente triplicaram em poucos anos) e agora quer fazer caixa com a inflação devida aos salários. Se houvesse uma política continuada de garantia do poder aquisitivo, as coisas não teriam chegado a isso. O governo Lula recuperou em parte o salario dos servidores. Ninguém pede nada mais do que manter os salários com o mesmo poder aquisitivo. Só que para remunerar o sistema financeiro, o governo avança sobre os salários, praticando arrocho e redução de rendimentos na prática, na medida em que não dá as perdas inflacionárias.

laura

12 de agosto de 2012 às 08h43

Infelizmente, o Governo Dilma pratica hoje um neoliberalismo brando.
Pensando bem, eu avisei:
https://www.viomundo.com.br/denuncias/laurita-salles-sobre-o-grafico-que-e-preciso-disseminar.html

Responder

    Francisco Antonio da Silva

    12 de agosto de 2012 às 12h04

    Eu não sei se você sabe, em Minas Gerais, terra do ex-gov. Aécio e o atual,Anastasia, tucanos, os professores ficaram em greve durante tempos muitos maiores do que o atual. Sempre tiveram o ponto cortado mesmo que fosse por um dia apenas de greve. A grande imprensa nacional, como soe acontecer, sempre escondeu isso. Só para efeito de informação, Laura!

    laura

    12 de agosto de 2012 às 13h15

    Oi francisco, acompanhei sim! Também a greve dos professores do estado de São Paulo, tratata como caso de polícia no Governo Alkcmin.
    Teve ainda a da Bahia, RN….
    Professor hoje é tratado como os operários no século XIX eram tratados, no chicote.Tem a ver, pois são o “operariado” da Sociedade do conhecimento.
    “Beleza da Educação” só no papo.

Fernando Garcia

12 de agosto de 2012 às 07h28

Cada vez que venho ao site para ler a reflexao de um intelectual brasileiro sobre a greve, reforco meu sentimento contra a greve. Me decepciona muito ver Muniz Sodre escrever que o Brasileiro eh povo de pouca participacao politica. Em 20 anos derrubamos uma ditadura, criamos um partido dos trabalhadores e colocamos um operario no poder. Que povo no mundo fez algo parecido? Participacao politica eh ler livros na biblioteca? Enfim…

No mais, ontem contei aos meus colegas fisicos/matematicos Russos quanto ganha um professor universitario em nosso pais. Todos estao interessadissimos em ir para o Brasil e fazer carreira. O mesmo vale para Chineses e Indianos. Acho que basta apenas assinarmos os tratados internacionais que reconhecem diplomas de outros paises para darmos um salto de qualidade em nossas universidades, contando com a ajuda de nossas colegas dos Brics.

Eh claro que este tipo de medida, para facilitar entrada de estrangeiros, seria prontamente denunciada por intelectuais como uma medida neoliberal. Tenho certeza que eles consegueriam encontrar uma relacao entre uma coisa e outra… eles sempre conseguem fazer isso, especialmente quando lhes eh conveniente.

Interessante tambem eh a associacao entre salarios e qualidade do trabalho academico argumentada pelo movimento grevista. O que isso quer dizer exatamente? Significa que aumentando os salarios das universidades nossa pesquisa vai melhorar? Serah mesmo? Alguem realmente acredita nisso? Aliais, neste modelo (salario = qualidade da pesquisa) porque os Chineses nos dao um baile em ciencia se ganham muito menos que a gente?

Outras coisas que nao entendo no contexto da greve:

***o que eh “produtivismo”? Se acredito que pesquisas cientificas devem ter resultados eu sou “produtivista”?

**o que eh “corporativizacao da universidade”? Por exemplo: o movimento diz que existem pessoas com qualificacao equivalente aos professores universitarios que ganham salarios maiores, logo, eles revindicam ganhos reais para o salario. Isso eh “corporativizar” a universidade? Acho que nao.
Se eh legitimo fazer revindicacoes baseadas em regras de mercado, nao eh legitimo ser cobrado de acordo a regras de mercado? Ou professores universitarios podem ser beneficiados por argumentos baseados em regras de mercados, mas devem ser isentos deste tipo de competicao?
Considero hipocrita o empresario que com uma mao esbraveja pelo livre mercado e com a outra pega uma grana no BNDES… mas devo pensar que eh Ok se um professor procura fazer a mesma coisa?

Enfim… triste universidade brasileira cheia de Lordes da Ciencia, como ja falou nosso grande Nicolelis.

Responder

    jose marcos

    13 de agosto de 2012 às 10h08

    Concordo com voce caro Fernando e acrescento o seguinte:
    Li um dia desses um comentario ridiculo de um professor dizendo que na iniciativa privada um profissional com doutorado ganha muito mais que um professor com doutorado. Levanto então as seguintes questões:

    1- A iniciativa privada consegue absorver com altos salarios todos os doutores das universidades???
    2- Estes doutores estão dispostos à aceitar tambem o ônus da iniciativa privada, tais como:perda da estabilidade, carga horaria massacrante, férias (quando conseguem tirar) no maximo de 30 dias por ano, demissão em caso de greve ou desconto dos dias parados, tirar férias para fazer especializações obrigatórias, etc??????????
    Se a resposta para estas 2 questões for afirmativa então se mudem para a iniciativa privada, porque 3 meses de greve sem poder descontar salario e não ser demitido é ferias e não desconta nem para contar o período de aposentadoria.

    Para finalizar que raciocinio primario em relação à economia este articulista tem!!!!!

Nivaldo

12 de agosto de 2012 às 01h19

O professor Muniz vai na essência da vida de um professor. Mas eu coloco na balança também a questão da contrapartida da atividade exercida por um cidadão brasileiro denominado professor que exerce esta atividade por decisão pessoal. No pragmatismo da arguentação da concepção de existência da atividade profissional também está a necessidade de se colocar na mesa de discussão a dedicação profissional desta atividade. Depois de quase 30 anos como professor univesrsitário tenho a convicção de que a Universidade Pública tem que ser passada a limpo pois tem que se moderinizar nos conceitos e na sua importância social no desenvolvimento socio, cultural e econômico do país. Há sim encessidade de se olhar as Universidades Públicas sob a ótica de seu papel mas também sobre a ótica da contrapartida social. Com isto digo que o coorporativismo não só destroi a concepção da Universidade Pública como também alimenta o discurso da direita conservadora do país. Vejo com apreensão que o que ensinamos aos nossos alunos não estamos sabendo conduzir no conflito governo e unievrsidade, que é a busca de um consenso adiministrável. O povo brasileiro não merece isto.

Responder

O_Brasileiro

11 de agosto de 2012 às 23h27

Os sindicatos têm de ter humildade e aprender a mudar a conduta no momento oportuno.
Se a greve já dura 3 meses e não atingiu os objetivos, é porque a estratégia não está correta.
Senta com o governo, garante o aumento, desde que com o plano de carreira antigo, pois o proposto pelo governo não é bom, pede o pagamento dos dias parados, e volta a trabalhar. Mas vai avisando que quer um novo plano de carreira até o ano que vem, discutido com a categoria. Dá o prazo, mas trabalhando, senão só vai conseguir colocar a opinião pública contra os professores.
É preciso que haja bom senso de ambos, governo e sindicatos.

Responder

    Julio

    12 de agosto de 2012 às 01h17

    Isto tudo já fo feito no ano passado…

    Paciente

    12 de agosto de 2012 às 06h10

    Isso aí. Rápido e caceteiro, como se diz na Bahia. Tem que construir junto à sociedade a maioria e a força politica ao longo de um trabalho. O mundo não vai acabar (a não ser que a crise atravesse o atlântico…), em outra oportunidade avança mais.

    Já deu!

Hildermes José Medeiros

11 de agosto de 2012 às 23h07

Lava a alma de um simples leitor quando um intelectual de peso, como é o caso Muniz Sodré, mostra sem dúvidas, que no cerne (Gilberto Carvalho vem desde Lula) do Governo não deixou de ser de condutores de uma economia neoliberal, que foi o caso do governo Lula e continua com Dilma. Foi melhor e está melhor, mas não houve rompimento com a economia neoliberal e suas ligações internacionais. Os pressupostos são os mesmos. Os bancos continuam a política de juros e tarifas escandalosos, a educação continua privatizada no que tem de qualidade no ensino médio e fundamental (que saudades dos grupos escolares e de uma dos poucos colégios estaduais que nunca se expandiram). O PROUNI mesmo sendo um avanço, garante com alunos mais pobres mercado para faculdades particulares, que na avaliação do próprio governo são de qualidade bem inferior. A saúde entregue aos famigerados planos (?) de saúde, vale dizer entregue a sanha do mercado, que há muito, mesmo com, e apesar dos altos preços que cobram, já pratica uma prestação de serviço que, até pouco tempo, só o INSS realizava, com filas (o INSS aboliu), recusa de atendimentos, e marcação de consultas e exames com espera de dias e até meses. Saúde e educação sob a ótica neoliberal vigente não se constituem na realidade prioridades, não são vistos como direito de todos e dever do Estado. Ao mercado cabe a parte do leão. A previdência complementar está, seja nas empresas estatais, seja para os servidores públicos, excetuados os de carreiras de Estado (uma fajuta e curiosa divisão, porque difícil de entender porque apenas só uns poucos possam ser servidores públicos de fato) sendo direcionada ao mercado, ficando a complementação de suas aposentadorias dependentes de uma caderneta de poupança piorada, sem garantia governamental. Na área de petróleo já se pode perceber mudanças no sentido de o pré-sal ser direcionado para atender as necessidades de energia dos EUA. Nossos governantes dão uma no cravo outra na ferradura, vão a Porto Alegre e Davos, mas seguem, na essência, o consenso de Washington. Aquela história do violino: segura, faz discursos pela esquerda (defesa do trabalhismo, melhorias para o povo, migalhas na realidade), mas toca pela direita (tudo para os capitalistas e seus interesses). Na realidade têm os mesmos interesses da mídia, inclusive em manter o povo alienado e fora da política, só disponível para votar.

Responder

    Rodrigues

    12 de agosto de 2012 às 01h30

    Excelente! Vc disse tudo!

    S

    12 de agosto de 2012 às 10h43

    Estranho você defender essa posição, mesmo considerando a nossa formação cultural e o que vem acontecendo nos últimos 10 anos.
    Não nos iludamos querendo uma mudança abrupta em um modelo que está arraigado nas entranhas da nossa formação. Querer que tenhamos um país socialmente justo num espaço temporal assim não é razoável.

    assalariado.

    12 de agosto de 2012 às 12h43

    Caro Hildermes, sua explanação é excelente!

    Voce consegue enxergar o conjunto das engrenagens economicas, que levam o Estado do capital, e seu braço ideologico PIG, a manipular e explorar a classe trabalhadora, nos jogando uns contra os outros. Não adianta só dizer que este governo da vez fez, e faz, no objetivo de ‘salvar’ os excluidos pelo sistema economico comandado pelas elites e seu Estado de direitA. A maioria dos comentários, fazem suas análises pegando apenas( e tão somente ), meia duzia de engrenagens de um sistema que, para funcionar e nos manipular, de acordo aos interesses da classe burguesa contam digamos, com 12 engrenagens. Sim, caros internautas, para ser entendido e avaliado numa critica politica, o modo de produção capitalista enquanto sociedade constituida, precisa ser desvendada, na sua totalidade e não de forma fragmentada, fracionada.

    A grande questão a ser resolvida sobre as greves dos assalariados seja, publico ou privado é que a maioria não enxerga que, as raizes dos nossos problemas sociais, politicos, economicos e salariais, tem a mesma origem. Ou seja, nós explorados pelo capital seja estatal, seja privado, temos o mesmo inimigo comum porém, com roupagens diferentes. Sim, o Estado é o capital organizado para além das fonteiras empresariais do capital. Vivemos numa economia ditada pelo deus mercado mas, quem é esse mercado(?) que tempo integral o Estado através do seu governo da vez, tenta ajudar a sair de suas crises ciclicas, provocada por eles mesmos.

    Ora, o Estado de direito é burgues, tem como filhos pródigos, os seus criadores que são os donos dos meios de produção que são, 5% da sociedade e não os seus filhos bastardos que são 95%, que estão na condição de explorados pelos donos do capital. Afinal, e não por acaso, que Marx nomeou, e deu nome cientifico para esta ditadura do capital: Estado capitalista, burguês. Esse nome sugere alguma coisa?

    Vamos rumo a construção de uma sociedade Socialista, sem explorados nem exploradores.

    Abraços Socialistas.

    Wagner

    12 de agosto de 2012 às 19h48

    Esse texto mereceria um tópico a parte.

    Parabéns ao autor. Textos como esse (que só encontro aqui no Viomundo) eu guardo para releituras posteriores.

Bruce Guimarães

11 de agosto de 2012 às 21h26

“Greve deve ser contra a mais valia, não contra a cidadania.”

Responder

    Julio Cesar

    12 de agosto de 2012 às 01h29

    Discurso vazio! Nem todos os trabalhadores hoje em dia sofrem extração de mais-valia.

    Julio Cesar

    12 de agosto de 2012 às 01h29

    Aliás, o direito e o exercício da greve é prova de cidadania!

    assalariado.

    12 de agosto de 2012 às 11h19

    Bruce, pelo jeito voce resolveu abraçar as idéias neoliberais do internauta Romanelli que, por sua vez, é um dos porta vozes do PIG, dentro dos blogs considerados progressistas. Esse papo de cidadania é papo de pequeno burgues da classe media consumida pelo pensamento neoliberal que, no minimo, no minimo, deve estar levando vantagen$$$, segundo os conceitos do capital, nesta sociedade divida entre exploradores x explorados.

    Abraços Fraternos.

Arthur Schieck

11 de agosto de 2012 às 20h53

Toda minha vida academica foi marcada por seguidas greves que nao renderam absolutamente nada (4 so na UFF). Lembro de uma inclusive que foi no embalo do mensalao, quando nao havia uma alma no pig pra defender o governo: puro oportunismo politico de uns partidecos de extrema esquerda. Eram greves onde nao havia maioria apoiando mas mesmo assim os sindicatos as decretavam. Resultado: alguns professores paravam,, outros “andavam”. Cheguei a ficar 3 anos sem ferias por conta disso ja que a reposicao acontecia no verao. Eh dificil cobrar apoio discente quando os professores tratam seus alunos (que nao sao seus patroes) dessa maneira.

Responder

geniberto paiva campos

11 de agosto de 2012 às 20h26

O Sr. Muniz Sodré, em seu belo texto, mostra a sua capacidade retórica de professor emérito da UFRJ. Mesmo sem muito esforço intelectual dos seus humildes leitores, percebe-se o quanto o professor Muniz tenta justificar – talvez num esforço inútil – uma greve de professores que dura 3 (três) longos meses. Com graves prejuízos docentes, imobilizando a vida acadêmica, punindo severamente o alunado. Em última instância, colocando as autoridades educacionais contra a parede e, por tabela, encurralando um governo que luta numa frente externa dificílima, complexa, de crise econômica séria, cujo desfecho se apresenta cada dia mais imprevisível.Diante disso, caberiam , talvez, perguntas/advertências ao professor Sodré: – a a economia política, não conta, professor? ou a liderança política do movimento grevista estaria com a cabeça na Lua? Ou teria outras motivações, além, muito além do salário?Greve que dura 3 meses teria de ser justificada. para se retroalimrentar, no enfrentamento de duríssimas e injustas condições salariais .É o presente caso? Este é o ponto essencial da questão. A população precisa – e merece – ser esclarecida.

Responder

    Marcos GUERRA

    11 de agosto de 2012 às 22h27

    E´ por ai, sim, Geniberto.
    Com todo o respeito aos professores, sua dedicacao e competencia, considero que O SECULO XXI EXIGE NOVAS FORMAS DE LUTA.
    O “Estado” nao perde dinheiro com uma greve, como o patrão. Muito ao contrario.
    Quem perde ? E os que perdem, perdem o que ?
    Na prática, temos um abuso efetivo quando greves interferem violentamente na aprendizagem, nos planos de vida e de profissao de tantas pessoas.
    Planejamento e sonhos adiados, alguns de forma irreversivel.
    E este tema nao aparece nas discussoes, nos dialogos, nos debates.
    Nao tem como deixar de lembrar-me das “greves” de Maio 68 em Paris, nas Universidades. NUNCA SE TRABALHOU TANTO. NOS AUDITORIOS, NAS SALAS DE AULA, NAS BIBLIOTECAS. Era professor universitario lá, e tinhamos jornadas de mais de 16 horas, “reinventando” exatamente novas formas.

    Julio Cesar

    12 de agosto de 2012 às 01h35

    talvez vc queria dizer “política-econômica”, ao invés de “economia política”; pois desta última, o professor Sodré foi bastante claro ao invocar o termo “neoliberalismo”.
    Gente querendo desmontar argumento alheio sem ter fundamentos básicos e disfarçanco ideologia com camada técnica (e ainda fazendo errado) é o ó!

Francisco

11 de agosto de 2012 às 19h18

Blá, blá, blá…

O que eu mais encontro é professor universitário que afirma, blasê, ter “nojo”, “horror” de politica. Não faz politica, fica isolado – bem feito. Com uma desculpa ou outra, direta ou indireta, dão sempre um jeito de evitar tratar com o “povo”: criam empecilhos para as cotas sociais, criam empecilhos para cotas raciais, criam empecilhos para a entrada do povão nas UFs… emfim, um primor de relações públicas com quem paga o vosso salário…

Pois bem, quem paga o vosso salário (o povo), tirando-o do seu mirado salário-mínimo, esta lhe comunicando pelo representante eleito por ele (numa democracia) que vosmecê tem que trabalhar (o salário É ESSE) ou pedir as contas. Simples assim. Se não gostar (e pode, pois como já dito, estamos numa democracia) pode tentar a sorte aqui no planeta terra, onde mora o povo. Apenas, vale lembrar que aqui no planeta terra, não tem seminariozinho, congressinho, viagenzinha e se ficar de cara amarrada (que dirá fazer greve) tá no olho da rua. Vá por mim que já experimentei os dois: o patrão povo é bem mais legal que o patrão privado (ou tucano, dá na mesma).

O povo irá torcer, apoiar, fazer passeatas “mis” pelas universidades, tudo isso e muito mais (pois o patrão povo é generoso), tão logo as universidades torçam pelo povo, apoiem o povo e façam passeatas pelo povo. O mundo funciona assim. Nos termos em que a coisa está (e sempre esteve nas UFs…) a universidade pública é um playground de pequeno-burgueses eventualmente de esquerda, eventualmente de direita (o que facilitar mais a paquera…) e assombrosamente elitista. Coisa de dar calafrios no príncipe Charles… Passa na seleção do mestrado quem for mais blasê, mais pernóstico e mais metido a titica. E puxa-saco.

Sim eu sei que vosmecê ama o povo… mas é que todo esse imenso amor fica contido pelos muros das UFs e, bem dizia minha mãe, o que os olhos não vêm o coração não sente. Se o povo (seu patrão) sentir que você é útil ao povo, fique tranquilo: as UF terão oitenta e tantos por cento de popularidade. Mais que o governo. Se forem úteis e não souberem fazer o povo saber dessa utilidade, amigo, sinto lhe dizer: tu tens um baita problemão…

Agora, se o ainda por cima forem os esnobes que eu sei que são…

Responder

    Leonardo Meireles Câmara

    11 de agosto de 2012 às 20h30

    Duvido muito que você tenha tido contato algum dia da tua vida com professor universitário federal. Caso tivesse, saberia que é uma classe que luta todo dia pela emancipação da população através da educação.

    Aliás, foi uma que ao longo de décadas ajudou a criar a credibilidade que o PT teve até aqui. TEVE!

    Ponha aí seu nome todo e diga quem são os que você conhece que falam essas baboseiras.

    Conversa fiada!

    Paciente

    12 de agosto de 2012 às 06h02

    Quatro anos em UFs (Universidades Federais), oito anos em Universidade Estadual (pública) e mais doze de sofrimento indescritível nas universidades privadas (presenciais, a distância, graduação e pós-graduação). Sim, meus caros, tudo isso e mais duas décadas de todo tipo de ensino médio e fundamental que você possa imaginar (público e privado). Acredita que até em seminário eu já dei aula? Pois é. A irmã me demitiu porque eu informei aos alunos dela que houve uma coisa, uma vez, chamada “inquisição”.

    Se os professores de UFs se importam com o povo brasileiro? Muitos! Eu até arriscaria dizer que quase um quarto de todos, realmente enxergam o ensino superior como uma oportunidade dada pela vida para fazer aquela revolução que tanto sonhamos (eu pelo menos sonhava e sonho ainda, feito uma besta…). A maioria dos professores de UFs, no entanto, se pudesse, pegava só 20h (para ter um “certo”) e o resto do tempo “trabalhava pra valer” em outro lugar.

    Mas deixemos essa turma para lá, nem vale a pena perder tempo com ela: é estável (efetiva), não tem jeito, vai ficar 35 anos sugando a nossa seiva e reproduzindo lugares comuns depreciativos do nosso povo: “se é do Brasil não presta…”, “o alemão é a língua natural do pensamento filosófico!”, “pra que separar uma unidade de ensino para tratar só de Paulo Freire? O método dele não é só juntar as letrinhas?”, “Newton da Costa? Nunca ouvi falar!”, “Milton Santos… não é aquele ator da Globo?”… É tanta coisa…

    Mas deixa esses para lá! Vou tratar dos que se importam. Os que se importam (coisa de um quarto ou um terço) desenvolvem projetos, lutam pela implementação deles… Show de bola! Mas não conseguem dar (nem se preocupam em dar…) visibilidade nenhuma ao que fazem. A universidade esta a três meses em greve e pode ficar mais três meses ou três anos. Todo mundo recebe o salário, a industria brasileira (existe industria brasileira?) não sente a menor falta (claro! como poderia ser diferente?) e o governo da vez fica levemente ruborizado, afinal os ingleses podem achar tal situação um escândalo (até porque, é).

    Nesse ponto há uma bifurcação. Direita e esquerda (elas existem, apesar do que os “pós-modernos” da academia pregam e martelam com força na cabeça dos seus alunos, seus sucessores de cátedra…). Direita: “-Se não fosse essa esquerda ruidosa, acabava logo essa estabilidade e reduzia esse quadro de professores ao(Estado) mínimo e loteava com a galera. Afinal para que universidade? Dá menos dor de cabeça e empata menos grana comprar inteligência pronta dos gringo!”.

    Esquerda: “-Putz, tô empatando uma grana retada com bolsa, expansão de unidade e os caramba e esses caras ficam dando faniquito na frente das visitas? Pô, o meu projeto politico de poder é de trezentos anos e para o projeto rodar eu preciso de inteligência. Mais esses caras querem tudo hoje! Tem que “parcela”, caramba!!”.

    A gasolina do politico é voto. Não tem mocinho, não tem bandido. A agenda do professor é uma, da universidade é outra, do estudante (profissional) é outra, do governante (no caso, hoje, a esquerda) é outra e a sociedade civil: empresários, estudantes (amadores) e suas famílias (o povo) não fazem a menor ideia da importância ou não deste ou daquele projeto. E da relação OBJETIVA deles consigo.

    Ninguém informa a eles. Eles são deixados à margem e são quem mantêm as contas da coisa toda em dia. “Educação é uma coisa tão bonita…”, intuem vagamente… e pagam os impostos.

    Oitenta por cento dos empresários brasileiros são umas baratas tontas do capitalismo que só conseguem enxergar “o menor custo” e o “lucro mais rápido”. Não, também não são nacionalistas. Não tão nem aí. São doutrinariamente oportunistas, se for nacional e for bom, bem: facilita a logística… Esqueça eles. Só vão aparecer quando as soluções estiverem prontas (patentes, inovações, etc.).

    Resta o povo (povão), o governo de plantão (hoje, trabalhista) e a universidade. A universidade é aquele lugar cheio de doutores em ciência politica, marketing e propaganda, comunicação, gestão e outros saberes aparentemente inúteis, visto que não ajudam a universidade em nada… inclusive a tornar conhecido pela população o seu trabalho!

    Quando o salário míngua os doutos se reúnem e chegam à conclusão de que é preciso “radicalizar”. Assim como a burguesia chama o BOPE, a academia brada: “Chama os trotskistas”! Entre um episódio desses e outro correm algo como dois a três anos. Durante esses dois, três anos, os doutores que constatam estupefactos a falta de consciência politica do povo ignaro (que não dá valor à educação “superior”) não se reúnem, não pensam o pais, não pensam o poder. Não projetam, não conspiram, não ocupam espaços públicos. Não pensam nem em como impressionar o patrão, o povo.

    Não o fazem porque têm 20horas, 40 horas ou porque “dedicação exclusiva não é para isso”. “Think tank” é coisa que só universidade gringa faz, ainda mais se o objetivo do tal “tank” for empoderar a própria universidade.

    Nesse contexto, eleger bancada universitária no Congresso é incogitável. PSTU, PCO, PSOL, PC do B, PT. Não esqueçamos os anarquistas, de grande utilidade prática… Há dois anos fiz uma pós em Gestão Educacional e me dei conta de uma coisa estarrecedora: a educação é a única atividade comunicacional humana em que emissor e receptor passam duas, quatro, cinco horas diárias juntos. Vários dias na semana. Meses a fio. durante quatro anos. Ou mais…

    Como é que Serra ou Dilma reagiriam a uma passeata monstro de pais de alunos de universidades? Serra eu sei.

    Como Dilma reagiria..? “Companheira Dilma, diria Lula com o feeling que tanta falta faz a Serra, conversa com o pessoal, minha filha, a universidade esta entupida de pernóstico que nunca vai votar na gente, nem gostar do que a gente tenta fazer, mas esses ai (o povo) é diferente… sem eles, a gente não fica aqui nem dez minutos! pergunta para o Bóris (Casoy)!”.

    Poderia resumir tudo em uma frase: “Quem não se comunica (com o povo) se trumbica!”. A universidade pode ser ou não importante, só quem (talvez) saiba é ela mesma. Ou não tem sido assim tão importante e não quer revelar?

    PS. Como vê, não há mocinhos nem bandidos. Há a politica, espaço de contraditórios e negociações, perdas e ganhos, ônus e bônus – sem frescura. A universidade precisa fazer politica ESTRATÉGICA.

    Mário SF Alves

    11 de agosto de 2012 às 20h32

    Infelizmente, Francisco, tenho de admitir que concordo com você. E mais, qual a razão desta greve não ter ocorrido lá atrás, durante algum dos dois “governos” FHC, durante a radicalização da estratégia neoliberal que intentava a redução do Estado ao mínimo? Ou, ainda… nada! Nada mesmo, você praticamente já disse tudo.

    Leonardo Meireles Câmara

    11 de agosto de 2012 às 21h12

    Não teve greve docente durante o governo FHC? Em que mundo você vive, Mário? Pelo amor de Deus…

    Julio Cesar

    12 de agosto de 2012 às 01h43

    Vc sofre de algum problema de memória ou é apenas mal intencionado? Houve 3 (três) greves de professores federias durante o governo FHC! Nem estou contando aqui as greves dos servidores como um todo!
    Tem gente aqui que eu tenho certeza que já foi fiscal do Sarney, eleitor do Collor, a favor da reeleição do FHC e agora virou Dilmista por conveniencia. Mas certamente NUNCA forma petistas! Porque se tivessem sido, teriam vergonha das alianças e e polítca econÔmica neoliberal deste governo!

    Sr. Indignado

    11 de agosto de 2012 às 22h29

    Universidadefobia.
    Como não convive, imagina, como imagina, cria monstros no oceano, a terra é quadrada e o sol gira em torno Francisco.
    Sinto que vc pense assim, mas convido-o a visitar uma universidade e conversar com os professores. Se ele não entender de política, você é muito azarado, pois a grande maioria é.

    Julio Cesar

    12 de agosto de 2012 às 01h39

    Francisco: quanta demagogia e palavreado vazio! Vc sabe realmente como funciona um República democrático-liberal representativa?
    Ah, me poupe! Um cara que aprendeu meia dúzia de palavras se acha mais esperto e inteligente que os demais e vem aqui com discusinho moralista e populista de patrão-povo! Faça-me o favor!

    Paciente

    13 de agosto de 2012 às 04h39

    Desculpe amigo! Pensei que nas democracias quem mandava era o povo!

    Esta, aliás, parece ser precisamente a nossa divergência: eu ando com Rousseau e tu com Voltaire.

    Rousseau dá o poder à maioria e Voltaire ao déspota esclarecido.

    Chique, não?

    Julio Cesar

    12 de agosto de 2012 às 01h40

    “O salário é esse e se não gostou está na rua?” Quer coisa mais tucana? Vc é um privatista! Mas o é não por convicção ideológica e sim por racalque da sua incompetência!

    Paciente

    13 de agosto de 2012 às 05h02

    Incompetência? Em quê? Que me conste eu esgrimi argumentos, vosmecê esgrimiu… xingamentos? Para um acadêmico tu estás bom de… receber um aumento.

    Note: eu sou um contribuinte, como o resto da sociedade civil (povo). O que vosmecê fez até o momento para me colocar partidário à greve?

    Percebe? É essa incompetência dialógica que afasta a sociedade civil da luta da universidade. Tem que ganhar a sociedade. Pare de confirmar meus argumentos e medite sobre o seguinte:

    Eu já participei (ativamente) de uma greve e uma ocupação de Reitoria em UF, quando estudante. Corri do batalhão de choque, foi uma delicia! Participei (ativamente) de três greves em universidade estadual. Numa delas cheguei a parar o trânsito de uma estrada intermunicipal deitando no asfalto… e de uma greve em UF (também ativamente).

    Cadê o plano de cargos e salários reivindicado na primeira grave de que participei a 21 anos atrás? Tu ainda esta brigando por ele e acha que essa estratégia vai dar certo? Sozinhos somos fracos e de natureza, inconstantes. Sem o povo, meu caro, não vai rolar!

    A tendencia ao individualismo da maioria dos docentes só piora as coisas. Mesmo com o apoio da sociedade, ainda seria necessário uma saliva medonha para convencer nossos “doutos” colegas de que plano de carreira é uma coisa e salário (que é o que a imensa maioria quer…) é outra. A primeira tem a ver com projeto de país (que é isso?) e a segunda com o compromisso pequeno-burguês generalizado nas UFs.

    Por fim o seguinte: até para chamar de incompetente é preciso competência e elegância (você percebeu, né?). No mais, Sun-Tzu, Maquiavel e Glória Khalil. Vão lhe ajudar muito.

Jair Orichio Junior

11 de agosto de 2012 às 19h07

Quando as pessoas fazem afirmações aqui sobre FMI, reservas do tesouro e até empréstimo ao FMI, chega a ser hilário.
Quando um país, “empresta” alguma grana ao FMI, ou o FMI empresta essa grana do Pís a alguém, através do FMI, essa grana, não necessariamente, sai do páis… normalmente, é algum saldo, reservado numa “rubrica”, de onde, contabilmente, mostra-se que se tem aquela grana. Falar para analfabeto do JN ou VEJA que o país empresta grana para o FMI, e não dá pra servidor público é me chamar de acéfalo… o realmente não sou.
O governo temuma coisa chamada Responsabilidade Fiscal, que se quebar essa estrutura criada na era do Império de FHC I, e que toda a mídia elevou à oitava maravilha do mundo, e que se o governo não respeitar, o presidente, o governador, o prefeito ou qualquer outro gestor público, vai preso. Só!

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