VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Política

Francisco Teixeira: Cerco a Gaza é muito pior que o bloqueio de Cuba, Irã ou Coréia do Norte


20/11/2012 - 23h14

Palestina: o tempo coagulado

Israel é uma realidade política (e militar) insuperável. A segurança de sua população, no interior de seu território, é intocável. E a Palestina/Gaza? Sua existência, hoje em risco, é também intocável, com os mesmos direitos. É preciso estabelecer, de imediato, a integridade, soberania plena, e liberdade do povo palestino. Sem isso viveremos sempre num tempo coagulado, em fogo e morte. O artigo é de Francisco Carlos Teixeira.

por Francisco Carlos Teixeira, em Carta Maior

Desde outubro de 2012, e especialmente desde o dia 8/11/2012, as relações entre Israel e as autoridades que controlam a Faixa de Gaza entraram em colapso. As fricções de fronteira – na maioria das vezes entre patrulhas do Tsahal ( Exército israelense) e grupos de resistentes (nego aqui, na esteira da Assembleia Geral da ONU o epíteto de “terroristas”, como não chamaria os judeus que lutaram contra os ingleses de terroristas) trocam, de um lado pedradas, tiros e foguetes contra artilharia blindada e raids de aviões de combate). Nada novo. Nada tristemente fora do comum na região. Também nada de novo no lançamento de foguetes da Faixa de Gaza contra o sul de Israel – numa tentativa de mostrar a fúria dos habitantes de Gaza contra o fechamento das fronteiras, o bloqueio naval e aéreo, além do fechamento comercial da área desde 2005.

Gaza, com seus 1.6 milhões de habitantes, tornara-se desde a desocupação por Israel na maior prisão do mundo – são 362 km². Para 1.6 milhões de pessoas, sem serviços e sem trabalho. Havia, contudo, um certo cuidado de ambas as partes. Um tentativa de evitar a “escalada”. Depois de 8 de novembro tudo isso desmoronou… Por que?

Por que a atual escalada?

De forma sistemática, meticulosa, o Tsahal patrulha a estreita fronteira entre Gaza e Israel em busca de túneis subterrâneos que permitam a entrada em território de Israel. O bloqueio imposto por Israel obriga a construção constante de túneis, por onde chega até 80% dos produtos de consumo de Gaza – e também armas para a resistência. O Egito, de acordo com os tratados assinados com Israel, também construiu uma cerca, com 11 km de extensão e 18 metros de profundidade, completando o isolamento de 1.6 milhões de pessoas. O cerco a Gaza é, de longe, muito pior que o bloqueio de Cuba, do Irã ou da Coréia do Norte, posto que nem navios com cargas humanitárias sob bandeira europeia ou turca podem chegar ao porto de Gaza City.

No dia 8 de novembro de 2012 um grupo de adolescentes, como de praxe (ligados a uma organização de resistência chamada “Comitês de Resistência Popular” ) lançou pedras e paus contra uma patrulha do Tsahal, composta de quatro carros blindados e um bulldozer (para derrubar ou fechar túneis, por onde, segundo Israel passariam “terroristas” para atacar Israel). A patrulha israelense invadiu o território e Gaza e fez fogo sobre o grupo de adolescentes. Um menino de 12 anos foi morto. Organizações palestinas em Gaza, mas não o Hamas, retaliaram lançando foguetes sobre Israel. Primeiro contra as cidades fronteiriças e depois atingindo mesmo a grande Tel Aviv.

Tais armas – foguetes – são armas de fácil fabricação local e algumas contrabandeadas pelo Irã. Não são mísseis (como afirmou esta semana o presidente Obama e o Governo Netanyahu, distorcendo os fatos), não possuem instrumentos de navegação e fazem vítimas indiscriminadas quanto apontadas para grandes centros urbanos. Israel respondeu com ataques aéreos e mísseis, em larga escala, atingindo alvos do Hamas, de outras entidades de resistência e a população civil. O saldo até o momento é brutal: 3 cidadãos de Israel mortos, 102 palestinos mortos e centenas de feridos. Dos mortos palestinos 40% são crianças, mulheres e velhos. Não há, como foi dito, “assimetria” ( isso é outra coisa em Assuntos Militares ). O que houve foi uso desproporcional e brutal de força. Segundo o ministro israelense Eli Yshian, do partido Shas, o objetivo era levar Gaza “de volta para a Idade Média”!

Entre os mortos palestinos destaca-se o Comandante Ahmed al-Jabri, que vinha nas últimas semanas negociando, em segredo, com o negociador israelense Gershon Baskin – o mesmo que negociou com o Hamas a libertação do soldado israelense Gilad Shalit. A morte de Ahmed al-Jabari, em 15 de novembro de 2012, o comandante militar do Hamas e que negociava um acordo com Tel Aviv, escala o conflito e produz, como resposta, uma chuva de foguetes contra Israel.

O próprio negociador israelense, Gershon Baskin, em entrevista publicado em todos os jornais, considerou a operação “cirúrgica” de matar Al-Jabri (na verdade a operação de “assassinatos seletivos” de Israel) um grave erro. E então por que foi feito?

O sangue que corre e o tempo que se coagula

No próximo dia 29 de novembro o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abas, do Al Fatah – organização em conflito aberto com o Hamas, mas com quem se havia feito um acordo provisório, sob mediação a Turquia e Egito – apresentará na ONU o pedido de admissão plena da Palestina . Uma analise prévia da diplomacia israelense e americana constatou que a maioria, mais do que suficiente, da Assembleia Geral da ONU aprovará a entrada, com direitos plenos, da Palestina.

A admissão da Palestina implica que o seu governo poderá, entre outras coisas, colocar demandas jurídicas perante a Corte Internacional de Haia, pedir a formação de uma força de paz e de intermediação nas suas fronteiras e exigir que os impostos e recursos da Palestina e Gaza retornam para o governo (são recolhidos por Israel, e não entregues ao governo em Ramalah ). Além disso, a Palestina poderá levar para a Comissão Internacional de Direitos Humanos pleitos de violação de tais direitos, levando a uma condenação e militares e políticos de israel.

Tal proposição de Abas – considerada “unilateral” pela diplomacia de Israel e dos Estados Unidos e em verdade uma resposta pelo abandono por parte dos EUA, do chamado “Quarteto” e da própria ONU da crise na região – desencadeou um grande temor em Washington: o Presidente Obama, Prêmio Nobel da Paz e um defensor dos direitos humanos, seria obrigado a vetar a decisão de quase 130 nações. Além disso, Israel sofreria uma derrota diplomática histórica.

Em segundo lugar, Benjamin Netanyahu, que durante a campanha eleitoral apoiou Mitt Romney e criticou, de forma despudorada Obama, convocou eleições gerais em Israel para janeiro: precisa de mandato reforçado para enfrentar qualquer pressão de Washington por um tratado de paz e, claro, o voto hostil por parte da ONU. Por outro lado, um acordo com Al-Jabri seria, na prática, o reconhecimento do Hamas como ator legítimo num futuro acordo de paz.

Obama, por sua vez, está paralisado perante o risco do “abismo fiscal” e tem que negociar com o Congresso Americano o orçamento de 2013. Ocorre que a maioria na Câmara dos Deputados é Republicana, fortemente pro-Israel e, mesmo no Senado, onde possui maioria Democrata, os representantes são também Pro-Israel. Obama, neste quadro, renunciou a qualquer apoio ou decisão de resolver a questão que se arrasta depois de décadas. Em sua primeira viagem pós-eleição foi a Tailândia, onde defendeu a liberdade dos oponentes do regime e… criticou os palestinos.

Testando a nova geopolítica

Tanto Israel quanto os Estados Unidos resolveram, em verdade, testar os limites da chamada “Primavera árabe”: os novos governos saídos dos movimentos populares, como no Egito e na Tunísia, deveriam ser colocados em posição de recuo, assumindo, em relação aos palestinos, o mesmo (e triste) papel das ditaduras cleptocratas derrubadas. A militância e protagonismo de Ancara, Cairo, do Qatar ou Túnis devem ser reduzidos ao grau de dependência real que tais países mantém com os EUA: a ajuda militar ao Egito ou as bases americanos no Qatar, ou ainda a pertença da Turquia ao sistema militar da OTAN.

O que talvez o que escape a estes cálculos de “realpolitik” de Washington seja a opinião pública. O slogan, hoje velho e desbotado, de que Israel era a única democracia do Oriente Médio não vale mais como desculpa. Egito, Tunísia, Líbano, Jordânia e Qatar, estes num curso tortuoso, abrem-se para ouvir a opinião pública, que não é mais o eufemismo “a rua árabe”. Sem falar nas instituições consolidadas da Turquia.

Países ditatoriais e demofobos como a Arábia Saudita e o Paquistão merecem maior apoio e prestígio que o Cairo. Sem dúvida a resposta vira da vontade popular. Governos árabes que se calam perante a Questão Palestina serão, doravante, punidos nas urnas.

Por fim, o silêncio das mídias ocidentais – quantos palestinos valem um israelense? – é vergonhoso. Embora os jornais e as associações de imprensa internacionais, começando pela SIP e “Repórteres sem Fronteiras” critiquem países como a Venezuela e a Argentina, há um total silêncio sobre um gravíssimo atentado contra a liberdade de imprensa: os escritórios, e antenas transmissoras, das televisões Al Aqsa (Palestina) e da Sky News e da Al Arabiya ( internacionais) foram destruídas por mísseis de Israel.

Silêncio.

Da mesma forma, a UNICEF protestou, formalmente, contra a morte de 9 crianças, algumas eram bebês, por mísseis de Israel. O mundo, e as pessoas de boa vontade, estão cansadas, já não pode haver mais tolerância para tantas mortes, de um lado e de outro – ressaltando uma contagem de corpos desmesurada e brutal -, por pura má vontade e cálculos eleitorais e políticos.

Israel é uma realidade política (e militar) insuperável. A segurança de sua população, no interior de seu território, é intocável. E a Palestina/Gaza? Sua existência, hoje em risco, é também intocável, com os mesmos direitos. É preciso estabelecer, de imediato, a integridade, soberania plena, e liberdade do povo palestino.

Sem isso viveremos sempre num tempo coagulado, em fogo e morte.

Francisco Carlos Teixeira  é professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro

Leia também:

Mauro Santayana: Israel e a nova guerra mundial

Amira Hass: Medo e ódio em Gaza enquanto a ofensiva continua

Israel aprendeu alguma lição com a Operação Chumbo Fundido, de 2008?

Noam Chomsky e colegas denunciam cobertura da mídia sobre Gaza

Julie Lévesque: A guerra contra o antissemitismo global na era da islamofobia

Pacifista: Israel cometeu um erro que custará muitas vidas de “inocentes de ambos os lados”

Mairead Maguire: A degeneração do Nobel da Paz

Pepe Escobar: Como o Mal se tornou o Bem e agora voltou a ser o Mal

Cuba, sem o bloqueio informativo da mídia

Kenneth Waltz: O homem que defende a bomba nuclear do Irã

Robert Fisk: A Arábia Saudita como fonte da democracia

Gilson Caroni Filho: A linha do tempo da barbárie

Jair de Souza: O artigo de Desmond Tutu

Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


28 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Piracetam

23 de novembro de 2012 às 23h17

Os Territórios Palestinianos compreendem três regiões não contíguas – a Cisjordânia , a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental . Após a extinção do Mandato Britânico da Palestina , esses territórios foram capturados e ocupados pela Jordânia e pelo Egito durante a Guerra árabe-israelense de 1948 . Durante a Guerra dos seis dias ( 1967 ), foram ocupados por Israel .

Responder

Luca K

23 de novembro de 2012 às 15h28

Moderadores,
Existe um limite de caracteres para os posts? Caso afirmativo, qual o tamanho?

Responder

    Conceição Lemes

    23 de novembro de 2012 às 16h16

    Luca, vou consultar o Leandro Guedes, que é quem cuida da parte de web do Viomundo, pra te responder com precisão. Postarei a resposta aqui mesmo. abs

    Luca K

    23 de novembro de 2012 às 17h19

    Obrigado Conceição! Acabei postando um post 2X pq achei q tivesse ocorrido um bug!
    Grato!

Luca K

23 de novembro de 2012 às 15h25

Vamos a outra premissa falsa; Sua visão sobre o Nacional Socialismo, Jair, é uma grotesca caricatura e está muito longe da realidade! Vamos lá: Dizer q o regime NS foi ‘inimigo do povo trabalhador’ é ridículo. Muito ao contrário. Hitler e Roosevelt chegaram ao poder em 1933 e ambos governaram até 1945. Os 2 iniciaram ambiciosos programas econômicos para combater a depressão iniciada em 29. Os programas de ambos tem várias semelhanças mas tb importantes diferenças. Talvez a mais importante tenha sido o fato do regime NS ter dado um pé na bunda do sistema financeiro internacional, baseado em Wall Street e Londres. Devemos lembrar q as condições da Alemanha eram muito piores do q a dos EUA. A Alemanha havia perdido a guerra, estava sobrecarregada com brutais reparações impostas pelos vencedores(terminaram de pagar uns 2 anos atrás) e é um país sem muitos recursos naturais, ao passo q os EUA tinham recursos naturais abundantes, venceram a guerra e eram credores das potencias europeias. Em 32 a taxa de desemprego na Alemanha era de 30,1% e nos EUA, 24,9%. Apesar de um algum sucesso inicial, o New Deal de FDR fracassou. Em 1938 o desemprego nos EUA, q tinha caído pra casa dos 13% em 37, subiu para 19,8% em 38. Já na Alemanha o desemprego despencou ano a ano e em 38 chegou a 2,1%. Hitler conseguiu reduzir fortemente as grandes divisões de classes no país e elevou a condiçao dos trabalhadores alemães ao melhor nível no mundo. Daí a popularidade do regime. O influente historiador britanico A.J.P. Taylor escreveu em ‘Origins of the Second World War’ q ‘“The Nazi secret was NOT armament production; it was freedom from the then orthodox principles of economics.” O renomado economista John Kenneth Galbraith escreveu “The elimination of unemployment in Germany during the Great Depression without inflation – and with initial reliance on essential civilian activities – was a signal accomplishment. It has rarely been praised and not much remarked.” Muito interessante tb o q o financista Henry Liu escreveu para o Asia Times: ”Yet Erhard’s program(programa de recuperaçao economica na Alemanha pós-2 guerra) bore a close resemblance to the early economic strategy of the Third Reich. The main difference was that while the Third Reich’s program was one of ECONOMIC NATIONALISM, the Erhard program was subservient to US geopolitical interests in the context of the Cold War. By relying on US capital and US markets, chancellors Konrad Adenauer and Erhard accepted the delay of German independence from US domination for more than half a century. In contrast, Nazi economic policy aimed at the reconstruction of the German economy without the need for foreign capital, as a program for total and immediate national independence. The Nazis came to power in Germany in 1933, at a time when its economy was in total collapse, with ruinous war-reparation obligations and zero prospects for foreign investment or credit. Yet through an independent monetary policy of sovereign credit and a full-employment public-works program, the Third Reich was able to turn a bankrupt Germany, stripped of overseas colonies it could exploit, into the strongest economy in Europe within four years, even BEFORE armament spending began.” Stephen Zarlenga, do American Monetary Institute, escreveu q a independência econômica da Alemanha NS teria sido uma das principais razões para a guerra. S.Goodson, ex-diretor do Banco Central da África do Sul disse em entrevista ‘That was the whole basis of World War II. It had nothing to do with human rights or protecting Poland or any of the other reasons that they advance in the history books. Germany — could only be admitted to the family of nations if they abided by the rules of the international bankers.” Acrescenta ter sido essa tb a principal razão do ataque da OTAN contra a Libia de Gaddafi.”Muammar Gaddafi’s usury-free banking system was a threat to global capitalism and had to be destroyed, according to Goodson.”
Winston Churchill escreveu para o lorde R.Boothby: “Germany’s unforgivable crime before the Second World War was her attempt to extricate her economic power from the world’s trading system and to create her own exchange mechanism which would deny world finance its opportunity to profit.” As condições dos trabalhadores alemães melhoraram e os salários subiram. O historiador britanico Niall Ferguson escreveu:”Consumer prices rose at an average annual rate of just 1.2 percent between 1933 and 1939,This meant that Germans workers were better off in real as well as nominal terms: between 1933 and 1938, weekly net earnings (after tax) rose by 22 percent, while the cost of living rose by just seven percent.” O historiador John Garraty escreveu q a ideologia nacional socialista “inclined the regime to favor the ordinary German over any elite group. Workers … had an honored place in the system.” E “It is beyond argument that the Nazis encouraged working-class social and economic mobility.” Mesmo Joachim Fest admitiu “The regime insisted that it was not the rule of one social class above all others, and by granting everyone opportunities to rise, it in fact demonstrated class neutrality … These measures did indeed break through the old, petrified social structures. They tangibly improved the material condition of much of the population.” O Historiador Gordon Craig escreveu: “In addition to these undeniable gains [melhor qualidade de vida], German workers received significant supplementary benefits from the state. The party conducted a systematic and impressively successful campaign to improve working conditions in industrial and commercial plants, with periodic drives designed not only to see that health and safety regulations were enforced, but to encourage some alleviation of the monotony of daily labour at the same task by means of amenities like music and growing plants and special awards for achievement.” Ou seja Jair, o q os nacionais socialistas criaram na Alemanha foi um Estado de Bem Estar Social! Se souber alemão, procure o ótimo livro do historiador prof.Max Klüver “Vom Klassenkampf zur Volksgemeinschaft: Sozialpolitik im Dritten Reich”. Vc se surpreenderá!
Ps: NÃO HOUVE centenas de milhares de alemães ‘progressistas’ assassinados pelo regime NS. Isso é lenda.
Abs

Responder

Luca K

23 de novembro de 2012 às 14h29

@Jair de Souza; Vamos a outra premissa falsa; Sua visão sobre o Nacional Socialismo, Jair, é uma grotesca caricatura e está muito longe da realidade! Vamos lá: Dizer q o regime NS foi ‘inimigo do povo trabalhador’ é ridículo. Muito ao contrário. Hitler e Roosevelt chegaram ao poder em 1933 e ambos governaram até 1945. Os 2 iniciaram ambiciosos programas econômicos para combater a depressão iniciada em 29. Os programas de ambos tem várias semelhanças mas tb importantes diferenças. Talvez a mais importante tenha sido o fato do regime NS ter dado um pé na bunda do sistema financeiro internacional, baseado em Wall Street e Londres. Devemos lembrar q as condições da Alemanha eram muito piores do q a dos EUA. A Alemanha havia perdido a guerra, estava sobrecarregada com brutais reparações impostas pelos vencedores(terminaram de pagar uns 2 anos atrás) e é um país sem muitos recursos naturais, ao passo q os EUA tinham recursos naturais abundantes, venceram a guerra e eram credores das potencias europeias. Em 32 a taxa de desemprego na Alemanha era de 30,1% e nos EUA, 24,9%. Apesar de um algum sucesso inicial, o New Deal de FDR fracassou. Em 1938 o desemprego nos EUA, q tinha caído pra casa dos 13% em 37, subiu para 19,8% em 38. Já na Alemanha o desemprego despencou ano a ano e em 38 chegou a 2,1%. Hitler conseguiu reduzir fortemente as grandes divisões de classes no país e elevou a condiçao dos trabalhadores alemães ao melhor nível no mundo. Daí a popularidade do regime. O influente historiador britanico A.J.P. Taylor escreveu em ‘Origins of the Second World War’ q ‘“The Nazi secret was NOT armament production; it was freedom from the then orthodox principles of economics.” O renomado economista John Kenneth Galbraith escreveu “The elimination of unemployment in Germany during the Great Depression without inflation – and with initial reliance on essential civilian activities – was a signal accomplishment. It has rarely been praised and not much remarked.” Muito interessante tb o q o financista Henry Liu escreveu para o Asia Times: ”Yet Erhard’s program(programa de recuperaçao economica na Alemanha pós-2 guerra) bore a close resemblance to the early economic strategy of the Third Reich. The main difference was that while the Third Reich’s program was one of ECONOMIC NATIONALISM, the Erhard program was subservient to US geopolitical interests in the context of the Cold War. By relying on US capital and US markets, chancellors Konrad Adenauer and Erhard accepted the delay of German independence from US domination for more than half a century. In contrast, Nazi economic policy aimed at the reconstruction of the German economy without the need for foreign capital, as a program for total and immediate national independence. The Nazis came to power in Germany in 1933, at a time when its economy was in total collapse, with ruinous war-reparation obligations and zero prospects for foreign investment or credit. Yet through an independent monetary policy of sovereign credit and a full-employment public-works program, the Third Reich was able to turn a bankrupt Germany, stripped of overseas colonies it could exploit, into the strongest economy in Europe within four years, even BEFORE armament spending began.”
Stephen Zarlenga, do American Monetary Institute, escreveu q a independência econômica da Alemanha NS teria sido uma das principais razões para a guerra. S.Goodson, ex-diretor do Banco Central da África do Sul disse em entrevista ‘That was the whole basis of World War II. It had nothing to do with human rights or protecting Poland or any of the other reasons that they advance in the history books. Germany — could only be admitted to the family of nations if they abided by the rules of the international bankers.” Acrescenta ter sido essa tb a principal razão do ataque da OTAN contra a Libia de Gaddafi.”Muammar Gaddafi’s usury-free banking system was a threat to global capitalism and had to be destroyed, according to Goodson.” Winston Churchill escreveu para o lorde R.Boothby: “Germany’s unforgivable crime before the Second World War was her attempt to extricate her economic power from the world’s trading system and to create her own exchange mechanism which would deny world finance its opportunity to profit.” As condições dos trabalhadores alemães melhoraram e os salários subiram. O historiador britanico Niall Ferguson escreveu:”Consumer prices rose at an average annual rate of just 1.2 percent between 1933 and 1939,This meant that Germans workers were better off in real as well as nominal terms: between 1933 and 1938, weekly net earnings (after tax) rose by 22 percent, while the cost of living rose by just seven percent.” O historiador John Garraty escreveu q a ideologia nacional socialista “inclined the regime to favor the ordinary German over any elite group. Workers … had an honored place in the system.” E “It is beyond argument that the Nazis encouraged working-class social and economic mobility.” Mesmo Joachim Fest admitiu “The regime insisted that it was not the rule of one social class above all others, and by granting everyone opportunities to rise, it in fact demonstrated class neutrality … These measures did indeed break through the old, petrified social structures. They tangibly improved the material condition of much of the population.” O Historiador Gordon Craig escreveu: “In addition to these undeniable gains [melhor qualidade de vida], German workers received significant supplementary benefits from the state. The party conducted a systematic and impressively successful campaign to improve working conditions in industrial and commercial plants, with periodic drives designed not only to see that health and safety regulations were enforced, but to encourage some alleviation of the monotony of daily labour at the same task by means of amenities like music and growing plants and special awards for achievement.”
Ou seja Jair, o q os nacionais socialistas criaram na Alemanha foi um Estado de Bem Estar Social! Se souber alemão, procure o ótimo livro do historiador prof.Max Klüver “Vom Klassenkampf zur Volksgemeinschaft: Sozialpolitik im Dritten Reich”. Vc se surpreenderá!
Os: NÃO HOUVE centenas de milhares de alemães ‘progressistas’ assassinados pelo regime NS. Isso é lenda.

Responder

Sala Fério

23 de novembro de 2012 às 13h41

Tentei publicar duas pequenas charges sobre o assunto, mas não consegui. Se alguém quiser ler, clique no meu nick. Valeu!

Responder

Luca K

22 de novembro de 2012 às 13h21

@Jair: Caro Jair, sem querer parecer arrogante, mas mais uma vez sua linha de argumentação está baseada em premissas FALSAS. Antes de mais nada devo dizer q concordo q nem todos judeus podem ser acusados de cumplicidade com o sionismo. Há judeus veementemente contra o sionimo. Há até judeus sionistas q são pessoas claramente decentes, iludidas, mas decentes, como o Betow q posta por aqui. ;-) Entretanto reitero q uma grande massa de judeus nos dias atuais, uma maioria, é sionista ou simpatizante. É a realidade. Agora sobre suas falsas premissas. Vc deseja comparar os judeus aos italianos ou alemães; estás a comparar animais muito diferentes! Explico mais a frente. Vc fala q os italianos comandavam o crime organizado nos EUA. Como vc sabe disso? Hollywood te contou? E Hollywood é uma indústria o que, Jair? Quem são os donos? Sem negar a importância de sicilianos, calabreses e napolitanos(e irlandeses) no crime organizado nos EUA, Hollywood(e a mídia) não nos mostra, em geral, um elemento mais importante e sofisticado: o judeu. Já ouviu falar de Murder Inc., letal organização nos anos 30/40, cuja maioria dos elementos eram judeus? Escutamos muito sobre Al Capone, mas não muito sobre Meyer Lansky, talvez o maior gangster do séc.20, que aplicava seu dinheiro sujo em Israel. Hoje, outro grupo étnico tem sido mostrado com freqüência como central no crime organizado. Os russos. Quando Hollywood faz um filme como ‘Eastern Promises’ sobre a máfia russa(muito bom por sinal), os bandidos são todos cristãos russos. Mas a verdade é diferente. Como o jornalista investigativo judeu-americano, Robert Friedman, deixa claro em seu livro “Red Mafiya”, o comando desta poderosa organização criminosa(muito mais poderosa q a máfia italiana) é composto quase totalmente por judeus! M.R.Johnson, escrevendo sobre o assunto baseado no livro de Friedman escreveu q “Friedman is also not afraid to admit that Jewish organizations throughout the world, led by the Anti-Defamation League, are the beneficiaries of largesse coming from organized crime, and that the organizations in question are aware of it. In other words, Jewish organized crime is considered an acceptable part of Jewish life, and that Jewish organizations have actually lobbied law enforcement to stop investigations into this phenomenon, almost always with success.” E “While the FBI and major media obsess about the Sicilian Mafia (the “Cosa Nostra”) a far more powerful and sinister force is in existence that has controlled most of the globe’s organized crime for at least two decades—the Jewish mafia from Russia (a “Kosher Nostra”). Yet there is not even a desk at the FBI for their crimes, which dwarf those of the Italian gangsters in scope, violence and depth. “ e ainda “The Jewish mafia is nothing like their Irish or Italian predecessors in its American or European operations. They are richer, more international in scope and far more violent and ruthless. They kill children. They kill policemen and their families. They kill whomever they like.” Mas com a industria de entretenimento bem como boa parte da mídia americana nas mãos dos judeus, nunca ouvimos falar dessas coisas… Vc pode ainda se beneficiar Jair, da leitura deste artigo da Forbes, ‘Godfather of the Kremlin’, a respeito do bandido Boris Berezovsky, q é judeu. http://www.forbes.com/forbes/1996/1230/5815090a.html . Procure tb encontrar na Net o cable da embaixada americana em Israel, vazado pela wikileaks, entitulado,‘Israel, promised land for organized crime?’.
Abordarei outras premissas equivocadas em outras postagens, a medida q o tempo permitir.
Abs

Responder

    beto_w

    23 de novembro de 2012 às 17h03

    Poxa, Luca, você pegou um pequeno trecho que o Jair escreveu sobre a máfia para transformar em mais um tratado “Os Judeus São A Raíz De Todo O Mal”…

    Não vou entrar no mérito aqui sobre se existe ou não uma grande e poderosa máfia judaica internacional. Acho que você sabe minha opinião, e eu já sei a sua, e acho que um não vai convencer o outro.

    No entanto, sua crítica ao Jair pode até ser válida, mas a meu ver, o ponto que ele estava tentando provar é que não se deve julgar o todo pela parte.

    Concordo com você que a grande maioria dos judeus atualmente é sionista ou simpatizante, e eles defendem Israel incondicionalmente, como eu já disse em outras ocasiões. Mas devemos tentar não condená-los previamente, pois a maioria dessas pessoas cresceu ouvindo apenas parte dos fatos, e acredita em tudo que Israel fala. Eu sei, eu era assim e mudei. Com calma, paciência e bom-senso, podemos mudar outros.

    Ah, e obrigado pelo “iludido, mas decente” :-)

    Luca K

    24 de novembro de 2012 às 16h48

    Hehehe, Alto lá Betão! Eu não disse NADA sobre ‘Judeus serem as raízes de todo o mal’! Sobre a máfia judaica internacional, ela atende pelo nome de máfia Russa! Vc não duvida da existência da máfia “russa”, duvida? Sobre o q o Jair desejava provar, eu entendi direitinho mas o problema é q ele parte de inúmeras premissas falsas, várias das quais são muito interessantes! Ouvimos falar muito da máfia italiana e pouco sobre a judaica pelo mesmo motivo q ouvimos falar o tempo todo sobre o ‘holocausto’ e NADA sobre o NAKBA. Acho q há esperança pra vc Beto, tome a pílula vermelha e “unplug from the Matrix”! ;-D

Jair de Souza

21 de novembro de 2012 às 17h51

Estimado Luca K, pois é, há uma diferença na nossa visão sobre o combate ao sionismo. Eu não considero que seja um problema inerente ao judeu como ser humano e sim uma decorrência de luta de interesses de grupos de poder que envolvem a grande burguesia judaica.

Antes de te corrigir com relação ao surgimento do sionismo, quero reiterar que considero a grande burguesia judaica dentro do que há de pior na humanidade. Mas, e quero enfatizar isto, estou me referindo a grande burguesia judaica, não ao conjunto dos judeus. Esta tendência de atribuir ao conjunto dos judeus a responsabilidade que marca sua grande burguesia é um equívoco que pode (e já levou em muitas oportunidades da história) ao cometimento de grandes injustiças contra gente que nada tem a ver com as práticas nefastas desta grande burguesia.

Veja só, o crime organizado nos Estados Unidos foi por muito tempo (não sei dizer se ainda é) comandado pela máfia italiana. Quase tudo o que estivesse relacionado com a organização do grande crime (jogos, prostituição, manipulação sindical criminosa, etc.) tinha como comandantes supremos gente de origem italiana, da máfia italiana. E eu faço a seguinte pergunta. Podemos, por isso, considerar que os italianos de modo geral são bandidos, criminosos, tendentes à prática de atos ilícitos? Pode ser que haja gente que tenha este tipo de visão, mas qualquer um dotado de um pouco de bom senso sabe que pensar assim é um grande erro. Nós, que convivemos com os italianos no dia a dia, entendemos muito bem que o italiano comum e corrente não pode ser equiparado ao mafioso.

Faço a mesma associação com a questão do nazismo. Independentemente da discussão que alguns querem travar sobre a veracidade ou inveracidade do holocausto, a verdade é que, para os povos do mundo (em especial para os trabalhadores do mundo, mesmo para os alemães) o nazismo foi o que de pior já existiu. Não foi só em razão do holocausto que o nazismo se caracterizou como um regime famigerado, inimigo do povo trabalhador, instrumento das grandes oligarquias para eliminar os avanços populares. O chamado holocausto só começou a ser praticado quase ao final do regime nazista. Porém, o nazismo já significava uma atrocidade para a humanidade desde o seu começo. Mesmo que o holocausto não tivesse ocorrido, para os povos do mundo o nazismo já merecia ser considerado uma das principais excrescências da história.

Na época de seu apogeu, depois de que centenas de milhares de alemães progressistas tinham sido assassinados pelas hordas hitleristas, o nazismo chegou a ganhar a aprovação da maioria dos alemães. E aí, vamos considerar que os alemães em seu conjunto foram (e continuam sendo) equiparados aos nazistas? Pode ser que haja quem faça isto, mas, para mim, é uma grande incompreensão da realidade.

Agora, sobre os judeus e o sionismo. É bem sabido que o sionismo tinha grandes dificuldades de ganhar a simpatia das massas judaicas da Europa (quanto mais do resto do mundo). Os milhões (não me importa discutir quantos) de judeus assassinados durante o período hitlerista eram em sua esmagadora maioria não-adeptos dos sionismo. Depois das atrocidades nazistas (e com a cumplicidade das demais potências ocidentais) ficou mais fácil para os sionistas ganharem a adesão do conjunto das comunidades judaicas. Mas, assim como os alemães não são inerentemente nazistas, os judeus tampouco são inerentemente sionistas. São as conjunturas históricas que levam a estas confluências ideológicas. Se os que acreditamos ter uma compreensão mais clara destes fenômenos não soubermos entender estas coisas, poderemos estar contribuindo para que mais mortes venham a acontecer por intolerância e preconceito.

Sobre o surgimento do sionismo, é preciso ficar claro que sua origem não foi entre os pensadores judeus. Foram pensadores cristãos que desenvolveram as primeiras teses do sionismo. Mais tarde, ideólogos da grande burguesia judaica se aproveitaram das ideias levantadas por ideólogos oligarcas cristãos e assumiram para si o sionismo. Gostaria de sugerir que você lesse o livro de Stephen Sizer “Sionismo Cristão – Na rota do Armagedóm”, no qual ele desenvolve em detalhes o processo de surgimento do sionismo. Você vai encontrar o livro na internet (eu fiz a tradução ao português) através do link: http://archive.org/details/SionistasCristaosNaRotaDoArmagedom-StephenSizer

Eu quero deixar claro que minha oposição ao sionismo não tem nada a ver com questões raciais, nem religiosas. Sou contra o sionismo por questões de justiça e humanidade.

Responder

Rosamaria L. da Costa

21 de novembro de 2012 às 11h28

JUDEUS E NAZISTAS = A mesma coisa. Se houve Holocaustro na 2a. Guerra, o que está acontecendo com os PALESTINOS É O QUE?

Responder

    Jair de Souza

    21 de novembro de 2012 às 16h58

    Por favor, para de fazer o jogo dos sionistas. O que eles querem é isto mesmo, que a gente caia em suas tramoias e aceite que judaísmo e sionismo são a mesma coisa, que judeu e sionista são equivalentes. Eles precisam dessa “colaboração” de nossa parte para continuar angariando o apoio das comunidades judaicas pelo mundo com a ameaça do antissemitismo. Se você estiver fazendo esta equiparação por falta de informação, peço encarecidamente que se informe melhor, para não dar mais lenha para a fogueira do sionismo. Recomendo desde já que veja o documentário de Marc H. Ellis “Judaísmo não é igual a Israel”. É só digitar isto no Youtube e você vai ter acesso ao vídeo. Aí, você vai saber que o que é muito semelhante a nazismo é o sionismo, não o judaísmo.

Regina Braga

21 de novembro de 2012 às 11h06

Gaza é o Campo de Concentração dos Israelenses.Pura insanidade, de um povo, que foi vítima de atrocidades.Repetem os grandes erros,só que do outro lado do muro.Loucos!

Responder

augusto2

21 de novembro de 2012 às 10h10

ah – retificando o nome eh Hedy Epstein.

Responder

Jose Mario HRP

21 de novembro de 2012 às 09h45

Leia e contribua para que essa pilantragem contra as crianças palestinas termine!

http://esquerdopata.blogspot.com.br/2012/11/boicote-as-empresas-que-apoiam-o.html

Responder

lauro c. l. oliveira

21 de novembro de 2012 às 09h42

Israel com a ajuda dos EUA se tornou uma potência genocida

Responder

Willian

21 de novembro de 2012 às 09h28

Viver sob o jugo de Irã, Coreia do Norte, Cuba e Hamas só é bom para quem está do lado do governo. Tente ser oposição nestes lugares.

Responder

Jair de Souza

21 de novembro de 2012 às 09h19

Israel é a quarta maior potência militar do planeta. Os palestinos são provavelmente o povo mais desarmado do planeta. Ainda assim, não dá para aceitar a opinião de Francisco Carlos Teixeira de que Israel é uma realidade política (e militar) intocável. Isto está totalmente contrário à lógica da realidade. Todo sionista sabe que este Israel que eles construíram, com o apoio e cumplicidade de todas as potências europeias (incluindo a ex-URSS) e os Estados Unidos, não poderá subsistir por muito tempo a partir da introdução da democracia. Sim, é a democracia o verdadeiro fator que vai levar ao fim de Israel como o Estado judeu que os sionistas delinearam.

Segundo o historiador israelense Ilan Pappe, Israel é o único país racista do Oriente Médio. Por ali, o que menos existe são países onde prime a democracia. Os principais aliados dos EUA e da Europa capitalista (Arábia Saudita, Jordânia, Qatar, Emirados,…) são países governados pelas mais ferrenhas oligarquias, por monarquias absolutistas que não estão submetidas a nenhum controle democrático. Mas, nenhum deles se caracteriza por ser racista. O único país claramente racista que existe na região é Israel.

Como todos sabem (ou deveriam saber), a democracia moderna não pode admitir uma sociedade onde haja discriminação de raças, uma sociedade onde os direitos são atribuídos em ordem preferencial segundo à etnia (ou religião) de seus habitantes. Então, este Israel como Estado judeu deixará de existir a partir do momento em que todos seus cidadãos passarem a ter os mesmos direitos e as mesmas obrigações. A partir do momento em que um cidadão israelense de qualquer etnia (por exemplo, um palestino) puder usufruir dos mesmos direitos que goza um cidadão israelense de religião judaica, podendo inclusive postular-se ao governo do país e ser eleito (se a maioria dos votantes assim o decidirem), a partir de então, o Estado judeu como tal deixará de existir.

Todos os sionistas sabem disto. E é exatamente por esta razão que eles (especialmente os autodenominados sionistas de “esquerda”) têm pavor a qualquer alteração que transforme Israel num Estado de todos os seus cidadãos e não o mantenha como um Estado exclusivamente dos judeus. Ou seja, eles sabem que a introdução de uma democracia de verdade, que seja válida para todos seus cidadãos (não a democracia só para os judeus) significará a morte do Estado racista e exclusivista que eles construíram.

Embora eu entenda que o mais lógico seria a existência de um só Estado na região que engloba Palestina e Israel, não vejo como um entrave ao avanço a criação de dois estados. Há muitos lugares do mundo onde dois ou mais estados foram formados para atender às peculiaridades políticas do momento, apesar de que seus habitantes não se constituíam em povos com diferenças significativas. Basta observar o caso do Uruguai. Que diferenças significativas de caráter étnico existem entre os uruguaios e os argentinos? No entanto, como forma de evitar o confronto entre duas outras potências maiores (Brasil e Argentina), o Uruguai foi transformado em um país independente. E continua assim até hoje. Israel e Palestina também podem seguir a mesma trilha.

O fundamental, em meu entender, é defender o direito dos palestinos estabelecerem livremente seu Estado e, ao mesmo tempo, exigir que o Estado de Israel passe a ser um Estado democrático para todos os seus cidadãos. Ou será que a democracia só serve como motivação de campanhas internacionais quando é para derrubar governos enfrentados com as grandes potências capitalistas do ocidente?

Responder

    EDU MOISÉS

    21 de novembro de 2012 às 12h02

    Jair,”todos os sionistas sabem disto”.É por isso que existem esses lobbys de antisemitismo q exploram a indústria do holocausto pra se perpetuarem através do sistema político racista de Israel.Apesar da opinião pública cada vêz mais contrária a sua retórica belicista a situação do palestino não terá solução enquanto Israel tiver o apoio político,financeiro e bélico q sempre teve do USA e Europa.Mas o mais grave disso tudo é a maioria do povo israelense continuar acreditando(ou fingir q acredita)nessa vitimização e retórica belicista como única solução pra paz a “La Israel” na região.

    Luca K

    21 de novembro de 2012 às 13h52

    @Jair: Caro Jair de Souza, admiro seu esforço e dedicação para jogar luz sobre o terrivel crime cometido contra os palestinos. Dito isto, muitas de suas premissas são totalmente equivocadas. Vc acredita q a culpa pela criação de Israel é das potencias européias; crê nesse papo furado de q os judeus sempre foram cruelmente oprimidos pelos malvados e racistas europeus e q devemos fazer grande diferenciação entre os sionistas e os judeus. Nada disso se sustenta. Nos dias atuais pode-se dizer q a maioria dos judeus apóia em maior ou menor nível, o projeto sionista. Isso é verdade em Israel e tb entre muitos na diáspora judaica. Na verdade, a elite judaica no Ocidente, particularmente nos EUA, foi decisiva na criação e manutenção da entidade sionista chamada Israel. Foram os sionistas que selecionaram a Palestina no fim do séc.19 como destino para o tal estado judaico e não os britânicos ou quaisquer outros europeus, após considerarem outras localidades como a Argentina, o Texas, Uganda. Os judeus sionistas, um grupo inicialmente pequeno, mas extremamente influente, rico e absurdamente determinado, gradativamente costurou, APESAR DE FORTE resistência de muitos nos governos britânicos e estadunidenses, a criação de Israel na Palestina. Inicialmente, antes da grande guerra, procuraram seduzir o governo Turco(a Palestina era uma de várias províncias árabes do império Otomano). Não deu certo mas durante a guerra os sionistas propuseram aos britânicos, q estavam em situação muito difícil no conflito, q usariam de sua influencia para pressionar o governo americano para q este entrasse na guerra ao lado da Entente, em troca de apoio para a criaçao de um estado judaico na Palestina. Daí é q nasceu a infame declaração Balfour. Muitos, no governo britânico, NÃO viam com bons olhos o projeto sionista na palestina, como por exemplo, o posterior ministro de exterior George Curzon. Mas aceitaram para tentar forçar entrada americana na guerra. Na verdade, apesar de assinada por Balfour, a carta foi redigida pelo judeu britânico e sionista, Leopold Amery. Ao fim da guerra, a Turquia derrotada perdeu suas províncias árabes e a Palestina passou para o ‘Mandato’ britânico. Continuo a elaborar minhas discordâncias num próximo post.
    Abs

    beto_w

    21 de novembro de 2012 às 14h01

    Jair, excelente colocação. Só um aparte, se me permite. Do outro lado desse cabo de guerra, podemos citar o Irã como outro país relativamente racista no Oriente Médio. Permita-me copiar aqui um trecho de um comentário meu aqui no viomundo mesmo, num artigo de setembro de 2011:

    O Irã é aberta e declaradamente uma teocracia. No entanto, apesar de realmente não haver nenhuma lei que diga explicitamente que você só é cidadão pleno se for muçulmano (ou pelo menos acho que não haja, não encontrei nada a respeito), e apesar de algumas minorias (judeus, católicos, zoroastrianos) terem garantidos seus direitos de exercer suas crenças, eles são sujeiros a tratamento diferenciado. Eles devem pedir permissão para sair do país (e pagar uma taxa extra por essa requisição); uma compensação monetária por falecimento era até bem pouco tempo de valor diferente para muçulmanos e não-muçulmanos; eles não podem converter um muçulmano, senão tanto o conversor quanto o convertido incorrem em crime passível de pena de morte. Se não há explicitamente nenhuma medida estatal que vise impedir que cidadãos de outras religiões possam eventualmente vir a tornar-se maioria no país, há vários mecanismos que impedem que isso ocorra.

    Em primeiro lugar, há o Conselho Guardião, órgão composto de 12 pessoas cuja função é regular os outros órgãos do governo para que estejam de acordo com o Islã (constituição do Irã, art. 91 a 99). O presidente, por exemplo, antes de ser eleito, deve ser aprovado por esse conselho – e você acha que um não-muçulmano seria aprovado? Não muçulmanos das minorias previstas, mais os armênios e os assírios, têm seus próprios candidatos no parlamento iraniano, 5 cadeiras de 290 estão reservadas para eles – e só. Mesmo que uma dessas minorias se torne uma maioria, as cadeiras no parlamento estão determinadas pela constituição (art. 64) – e uma mudança na constituição só é possível através do parlamento, e deve ser aprovada pelo Conselho Guardião, pelo presidente e pelo Líder Supremo. Além disso, um estrangeiro que desejar se tornar cidadão iraniano deve seguir os trâmites legais como em qualquer outro país – e eu não estranharia se um não-muçulmano sofresse mais entraves burocráticos para conseguir tal cidadania.

    Para terminar, no Irã temos os Baha’i, perseguidos pelo governo simplesmente pela sua religião, e privados de plena cidadania, apesar de lá viverem há séculos. Ou seja, no Irã, assim como em Israel, todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que os outros.

claret

21 de novembro de 2012 às 09h18

Mas que bloqueio é este que permite a entrada de armas vindas do Irã? O assassinato de seis supostos “traidores”, e seus corpos arrastados pelas ruas de Gaza, dão a dimensão exata da selvageria dos dirigentes do Hamas. Foram julgados por quem, em qual tribunal, defendidos por quem? É com estes trogloditas que Israel terá que negociar?

Responder

    augusto2

    21 de novembro de 2012 às 09h44

    eu li dados de oficiais do exercito de israel que orientam direta e friamente atiradores de elite de israel, com mira telescopica que miram e matam por ordem direta dos mesmos oficiais, planejadamente, um menino ou homem de qualquer grupo de palestinos que estejam jogando pedras ou iniciando um protesto de. Eles matam selecionadamente aquele
    garoto que pareça o lider dos manifestantes. Isto nao é folklore, é planejamento de dissuasao israelense contra seus ‘poderosos’ inimigos.
    COMO foi mesmo que se falou em trogloditas e em “negociar”?
    Procure na web artigos e historias contadas pela judia Judy Epstein, de oitenta e tantos anos de idade. Faz bem.

    J Fernando

    21 de novembro de 2012 às 11h14

    Ah, os israelenses que matam crianças não são trogloditas, não é mesmo?
    O bloqueio trata principalmente de evitar que mantimentos de primeira necessidade cheguem aos palestinos. Israel faz com Gaza o que os alemães fizeram com eles na II Guerra Mundial.
    Se você concorda, tudo bem, cada um tem sua opinião e é livre para expressá-la.
    Mas, não venha chamar de trogloditas somente os que matam seus traidores e tratar como “grandes soldados” os que lançam mísseis contra a população civil palestina.

augusto2

21 de novembro de 2012 às 09h05

Isto nao foi confirmado – e estas koisas nao se confirmam,de qualquer modo via midia- mas u principe do Qatar teria levado relogios de pulso de presente aos lideres do Hamás em s.visita a Gaza em 23.10.12.
Relogios e canetas como se sabe podem conter sensores de localizaçao e sensores se entendem bem com satélites, segundo a lenda. E ahmed al jaba´ari explodiu,como se viu. Será mesmo? Oh, nao, issonao tem a cara dos recursos inimigos, tem?
Vide de qualquer forma o site …www.globalresearch.ca … link “qatar helped locate palestinian leader’

Responder

Manoel Teixeira

21 de novembro de 2012 às 08h12

E o Egito, por que não abre as fronteiras?
Continua fazendo o jogo de Israel?

Responder

    J Fernando

    21 de novembro de 2012 às 11h15

    Infelizmente, sim…


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!