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Caio Toledo: O marxismo continuará vivo enquanto perdurar o capitalismo
Entrevistas Falatório

Caio Toledo: O marxismo continuará vivo enquanto perdurar o capitalismo


15/09/2013 - 09h43

por Conceição Lemes

O meu primeiro contato com Caio N. de Toledo, professor aposentado do Departamento de Ciência Política, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, foi no comecinho de outubro de 2011.

O Viomundo havia denunciado: USP homenageia vítimas da “Revolução de 1964”? 

Alunos, professores e funcionários administrativos da USP estavam sem entender. Como num verdadeiro abracadabra, um “Monumento em Homenagem a Mortos e Cassados na Revolução de 1964” começou a ser feito na Cidade Universitária. Mais precisamente na Praça do Relógio, em frente ao anfiteatro, ao lado do bloco A do CRUSP.

Ninguém sabia de onde havia partido a ordem para fazê-lo. Ninguém havia debatido nem opinado sobre a sua construção. Nem mesmo professores que trabalham com direitos humanos tinham ciência do que realmente se tratava.

Nós fizemos então várias reportagens sobre o monumento, que vou listá-las no final para quem quiser conhecer toda a história.

O estudante Luiz Rabello mandou-me um texto que estava circulando numa lista  alunos e professores da Unicamp. 1964: NOTA SOBRE UMA VITÓRIA SIMBÓLICA, assinado por Caio N. de Toledo.

A Nota fazia um relato lisonjeiro das nossas reportagens e criticava a iniciativa do monumento, inclusive a expressão “Revolução de 1964”.

Como ela circulava na lista restrita, fui atrás do professor Caio N. Toledo, para pedir autorização para a publicação. Com a ajuda de Luiz Rabello consegui localizá-lo e publicamos o artigo.

Nascia aí a nossa bela parceria, prestes a comemorar dois anos. Parêntese: o N é de Navarro, que o professor costuma abreviar. Já nós passamos a chamá-lo apenas de professor Caio Toledo.

Um bom tempo depois ele me mandou e um e-mail, contando, muito feliz, que, junto com vários colegas pesquisadores e professores, estava construindo o blog marxismo21. Trocamos a ideias a respeito.

Pois o marxismo21 acaba de completar um ano no ar. Para comemorá-lo,  fizemos esta entrevista com o professor Caio, que integra o comitê do blog. Aproveitamos para resgatar a sua história.

Viomundo — Há um ano nascia o blog marxismo21. O que levou os senhores a criarem-no? 

 Caio Toledo —  O marxismo21 foi criado por um grupo de pesquisadores e docentes de diferentes universidades do país com o propósito de ser um banco de dados do conjunto da produção intelectual, difundida na web, que se reivindica marxista; igualmente, trabalhos qualificados que têm como objeto a obra de Marx ou suas diversas correntes teóricas – não identificados com os pressupostos do materialismo histórico e filosófico – integram este conjunto de materiais.

O blog está organizado por seções: textos (artigos de revistas de esquerda e acadêmicas), trabalhos universitários (dissertações e teses de doutorado), materiais audiovisuais (filmes de ficção, documentários, palestras, simpósios etc.), notícias (eventos, lançamentos de livros e revistas), pesquisas em curso etc.

Reconhecendo que existe um extenso e acirrado debate no campo do marxismo em todo o mundo – que se expressa por correntes que se orientam pelas obras de Lenin, Rosa de Luxemburg, Trotsky, Gramsci, Lukács, Althusser, escola de Frankfurt e outras –, marxismo21 tem o caráter inédito de divulgar, sem restrições e interditos, todas estas tradições teórico-ideológicas no terreno do marxismo.

Com toda certeza, é o único blog no Brasil (e provavelmente no interior da cultura política de esquerda em todo o mundo) – que não limita à difusão de uma única corrente teórica dentro do marxismo. Prova disso é a divulgação de matérias (ensaios, artigos, vídeos etc.), informações sobre lançamentos de revistas e livros, eventos etc. que estão vinculados aos distintos marxismos realmente existentes no país.

Acreditamos que o fato de marxismo21 ser, hoje, uma referência na cultura política marxista brasileira – fato assegurado pelo significativo acesso diário ao blog e pelo elevado número de seus leitores cadastrados – se deve ao caráter democrático e pluralista de seu trabalho editorial.

Viomundo — O fato de o marxismo ser “esquecido” na mídia contribuiu para a  criação do blog?

Caio Toledo –– Não diria que a motivação original e central que explicaria a criação de blog se deva ao inegável fato do marxismo ser “esquecido” e sonegado pela grande mídia.

Criamos marxismo21, posto que fomos interpelados por uma necessidade real do debate no interior da esquerda socialista no Brasil: a saber, a de existir um instrumento que informe os pesquisadores e os movimentos sociais e políticos acerca da diversidade da obra de Marx, dos marxismos existentes no país e suas respectivas produções intelectuais (publicações, eventos, debates etc.)

Viomundo — A quem se destina o marxismo21?

Caio Toledo — Produzido por pesquisadores vinculados aos meios acadêmicos brasileiros, reconhecemos que a maioria dos nossos seguidores é constituída de professores, pesquisadores e estudantes universitários.

Mas também temos conhecimento – pela correspondência recebida e pelo cadastramento feito junto ao blog – que entre nossos leitores estão muitos professores do ensino médio e militantes de movimentos sociais e partidos de esquerda. Eles acessam marxismo21 a fim de se informar sobre os eventos, lançamentos de livros, revistas etc. e, notadamente, para baixar gratuitamente textos de revistas, teses acadêmicas e simpósios organizados por entidades de esquerda e marxista. Mais de 230 downloads de textos do blog são feitos por dia.

Problematizando a produção teórica marxista que não ultrapassa os muros da universidade, marxismo21 busca – na tradição dos clássicos do marxismo (Marx. Engels, Lênin, Rosa de Luxemburgo, Trotsky, Gramsci) – ser um recurso intelectual útil no debate sobre os impasses e problemas do capitalismo contemporâneo. Estamos convencidos de que o trabalho editorial do blog apenas será bem sucedido na medida em que reflita as necessidades dos movimentos e partidos que se empenham na luta anticapitalista e construção do socialismo.

Por último, como afirmamos em nossa proposta editorial, o marxismo21 não é propriedade intelectual de seus atuais criadores, mas um compromisso de todos os marxistas que se dispuserem a participar de sua construção, produção e funcionamento.

Viomundo — Nesse um ano de existência o que mudou no blog?

Caio Toledo — Concebido como um banco de dados da produção marxista no Brasil, marxismo21 passa a se configurar como um blog na medida em que, com frequência, divulga dossiês sobre a obra teórica e política de clássicos do pensamento marxista brasileiro (entre eles, Astrojildo Pereira, Caio Prado Jr., Florestan Fernandes, Werneck Sodré, Jacob Gorender) e dossiês temáticos sobre questões conjunturais relevantes no debate político e ideológico atual.

Em fins de junho, por exemplo, o blog divulgou um amplo e extenso dossiê sobre as “jornadas de junho” com mais de 80 textos de autores e entidades vinculados a todos os espectros político-ideológicos da esquerda brasileira. Vários textos divulgados pelo Viomundo e outros blogs democráticos ali foram postados.

Dias atrás, foi editada uma página que examina os 40 anos do golpe militar que derrubou o governo democrático e popular de Salvador Allende, ocorrido em 11 de setembro de 1973 no Chile.

Em suma, marxismo21 busca, de forma criativa e inovadora, combinar as características de um blog  com as de um banco de dados da produção intelectual vinculada ao marxismo.

Viomundo — Especialmente depois da queda do Muro de Berlim  e do colapso da ex-URSS e países do leste europeu tem se decretado  a “morte de Marx”. Há espaço para o marxismo hoje em dia? 

Caio Toledo — Não apenas depois da queda do muro de Berlim e do colapso do chamado “socialismo real” (da ex-URSS e países do leste europeu) tem se afirmado (e comemorado!) a “morte de Marx”. O fato é que o fantasma da obra intelectual de Marx continua rondando o pensamento e a sociedade contemporâneos.

A este respeito, destaquemos alguns fatos e episódios: recentemente, em pesquisa feita pela insuspeita BBC, Marx foi eleito “o mais importante pensador de todos os tempos”. (Nada foi comprovado sobre a mobilização de entidades socialistas no sentido de influírem ou manipulares a pesquisa telefônica feita pela BBC…).

De outro lado, sabe-se que a recente crise econômica do capitalismo tem levado renomadas editoras europeias a reeditarem O Capital e os Grundrisse (primeira versão da obra magna de Marx).

Em março deste ano, ao ser indagado “Por que ler Marx hoje?”, Delfim Neto, o ex-czar da economia brasileira, durante a ditadura militar, não teve dúvida em responder: “Porque Marx não é moda. É eterno”. (É de se convir, pois, que direita e esquerda no Brasil contemporâneo concordam num ponto: Delfim Netto é um intelectual cultivado e inteligente.).

Apenas dogmáticos, sectários e “sicofantas do capital” deixam de reconhecer que o pensamento de Marx está vivo e continuará sempre interpelando todos aqueles que buscam conhecer em profundidade e de forma rigorosa o capitalismo contemporâneo.

Prova da vitalidade da obra de Marx e do marxismo, no Brasil contemporâneo, também pode ser evidenciada por outros dados:

a) existem dezenas de centros de estudos marxistas em funcionamento, fora e dentro das universidades brasileiras. Com frequência, eles promovem eventos (alguns com a presença de pesquisadores internacionais) e editam publicações (livros, anais, cadernos etc.);

b) dezenas de revistas de esquerda, vinculadas ou não a estas entidades, são publicadas (marxismo21 informa a existência de mais de uma dezena destas publicações);

c) editoras como Boitempo, Expressão Popular, Revan, Xamã e outras publicam livros de esquerda e de orientação marxista. Algumas dessas editoras realizam regularmente seminários e debates com autores socialistas brasileiros e do exterior;

d) dezenas de blog de orientação de esquerda participam da luta teórico-ideológica sob a orientação do pensamento socialista e marxista.

Tendo em vista o caráter crítico desses eventos e publicações, eles não são divulgados pela grande mídia que, invariavelmente, se apresenta como democrática, isenta e apartidária.

Bem se sabe que o grande público – hoje alcançado basicamente pela TV – desconhece tais manifestações críticas e nem de longe é apresentado às ideias críticas de Marx e das tradições teóricas vinculadas a esse grande pensador.

Não obstante esta realidade, o marxismo não está inerte nem é inexpressivo na cultura política brasileira. Mas como os marxistas devem sempre exercer a autocrítica, eles sabem que o caráter crítico-revolucionário do pensamento de Marx, no Brasil contemporâneo, longe está de ser incorporado pelos agentes históricos e sociais que podem ter um papel decisivo na radical transformação da ordem capitalista.

Viomundo — Considerando que muitos dos nossos leitores são jovens, daria para o senhor explicar em “linhas gerais” o que é marxismo?

 Caio Toledo —  Em “linhas gerais” e, portanto, de forma bastante sumária, a teoria de Marx – sobre a qual se fundam os distintos marxismos – pode ser sintetizada pela crítica da economia política e pelo materialismo histórico.

Enquanto a primeira visa o conhecimento da lógica da acumulação e reprodução do capital, de sua dinâmica contraditória, de suas crises estruturais e transformações, o materialismo histórico busca desvendar as leis do desenvolvimento histórico e social, a dinâmica da luta de classes, as transformações da superestrutura (política, ideológica, cultural e filosófica) das sociedades classistas.

As diferentes correntes que se reivindicam marxistas nem sempre desenvolvem estas dimensões fundamentais da obra teórica de Marx. Todas elas, contudo, se identificam na afirmação do caráter crítico e dialético do pensamento de Marx.

O marxismo continua vivo e atual, posto que nenhuma outra teoria social no mundo contemporâneo se rivaliza com a produção de Marx. Em termos conceituais e metodológicos, a teoria de Marx é a que melhor permite o conhecimento objetivo da dinâmica e contradições do capitalismo contemporâneo.

De outro lado, nenhuma outra teoria a ela se compara em matéria de crítica fundamentada e radical – não abstrata, moral ou idealizada – das iniquidades e discriminações sociais e econômicas da economia capitalista e da sociedade burguesa. A teoria de Marx é simultaneamente conhecimento e crítica do modo de produção capitalista.

Em Marx, pois, teoria e política estão intrinsecamente articuladas e indissociadas. Dai se afirmar que, ao contrário de outras perspectivas teóricas, a obra de Marx é teoria científica e práxis revolucionária. Sabendo que toda teoria está historicamente enraizada, afirmamos que a obra de Marx terá plena e legítima validade enquanto perdurarem as irreconciliáveis contradições sociais e econômicas da ordem capitalista.

Por último, levando em conta seus pressupostos crítico-dialéticos, a teoria de Marx jamais deve ser encarada como um receituário de fórmulas prontas, acabadas e dogmáticas.

A famosa provocação de Marx, “eu não sou marxista”, impõe que os pesquisadores que se orientam por sua obra estejam dispostos a enfrentar as novas interpelações teóricas e políticas postas pelo capitalismo contemporâneo. Obviamente, lacunas e problemas teóricos não deixariam de existir na obra de Marx.

É nesta direção que nossa proposta editorial adverte:

O marxismo apenas conseguirá responder aos desafios do século 21 caso se se mantiver aberto à confrontação permanente com os novos fenômenos da atualidade, seja na economia, seja na política, na cultura, etc., testando sempre a validade de suas hipóteses.

PS do Viomundo: Vários leitores criticaram o uso da expressão “capitalismo iníquo” no título. E realmente o capitalismo é contraditório e sempre será iníquo. A expressão  “capitalismo iníquo” , de fato, suporia que seria possível um “bom capitalismo”, o que contraria a visão de Marx. Assim,  para evitar malentendidos e imprecisões, nós e o professor Caio Toledo nos rendemos às observações de vocês e achamos melhor mudar, retirando o termo “iníquo” do título. Obrigada a todos pela colaboração.

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25 comentários

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Bacellar

24 de setembro de 2013 às 16h32

Boa tarde gente, fiz um comentario aqui nesse post ontem mas nao apareceu “aguarde enquanto esta sendo moderado” estava meio grande…sera que caiu no spam? abcs

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    24 de setembro de 2013 às 16h45

    Pode ser, Bacellar, estamos entupidos de spam nas últimas semanas. Se não apareceu, por favor repita. Desculpe nossa falha. abs

    Bacellar

    24 de setembro de 2013 às 17h59

    Nada a desculpar mestre! Também modero fórum e sei o quanto é piça! Abção

FrancoAtirador

18 de setembro de 2013 às 03h09

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Lunes, septiembre 16, 2013

Familia de Víctor Jara denuncia que su asesino vive asilado en EEUU

La familia del cantautor chileno Víctor Jara, asesinado tras el golpe militar de 1973, denunció a Pedro Barrientos Núñez, exoficial del ejército chileno y residente en Deltona, Estados Unidos, como ejecutor de ese crimen, según informaron sus representantes legales.

LibreRed

El Centro de Justicia y Responsabilidad (CJA) y el despacho de abogados Chadbourne y Parke LLP indicaron que la demanda alega que Barrientos ejecutó al cantautor tras haber sido detenido y torturado en el Estadio Chile.

La demanda contra Barrientos, que se descubrió que residía en Estados Unidos en el 2012, incluye además cargos por delitos de tortura, asesinato extrajudicial y crímenes de lesa humanidad, señalaron los representantes de la familia Jara en un comunicado.

Según la acción judicial, que se presentó ante el Juzgado de Distrito Federal para el Distrito Central del estado de Florida, en Jacksonville, Jara fue torturado por soldados bajo las órdenes de Barrientos y fue este quien le disparó en la cabeza.

Posteriormente, según la demanda, el antiguo oficial del ejército chileno ordenó a sus subordinados que dispararan repetidamente sobre el cadáver.

El cantautor murió el 16 de septiembre de 1973 de 44 balazos después de ser torturado durante varios días en el Estadio Chile de Santiago, que actualmente lleva el nombre del artista.

Pedro Barrientos Núñez fue procesado en Chile en diciembre del 2012 junto a otros siete exoficiales por distintos grados de responsabilidad en el homicidio de Jara, por lo que se abrió una solicitud de extradición y se dictó una orden de captura internacional.

(http://www.librered.net/?p=29329)

Responder

Marxista Convicto

16 de setembro de 2013 às 10h05

Prezado Caio Toledo. É em pé ou sentado que você quer que os colaboradores esperem que suas contribuições sejam incorporadas?

Um professor me contou que mandou a você materiais do marxista Ignácio Rangel. A resposta que recebeu é que a editoria iria analisar. Até hoje, nada. Bem, parece que a construção do blog não é tão coletiva assim como está sendo sugerido.

Responder

    Ricardo Figueiredo de Castro

    16 de setembro de 2013 às 11h10

    Caro Marxista Convicto, a Editoria do blog procura, na medida do possível, acolher todas as sugestões enviadas. Elaboramos um cronograma de lançamento de dossiês que estamos seguindo. Se a sugestão ao qual você se refere AINDA não foi incorporada, isso não significa necessariamente que o blog esteja impermeável às sugestões. Saudações cordiais !

Urbano

15 de setembro de 2013 às 21h14

O capitalismo foi montado em cima das maiores ignomínias fazendo vez de pilastras, como assassinato, roubo, latrocínio e escravismo.

Responder

assalariado.

15 de setembro de 2013 às 20h54

Como o próprio post coloca, há várias visões e interpretações de como construir a chamada sociedade socialistas. Porém, uma coisa é certa, na sociedade preconizada e idealizada por Lenin, Marx, Gramsci entre outros nos diz; não haverá socialismo se o proletariado não for conduzido, e idealizado como dirigente dessa sociedade/ Estado, a sociedade Socialista.

O socialismo em três tempos:

1)Social Democracia Neoliberal, governar para os ricos e exploradores do suor alheio. Ou seja,desenvolve o capitalismo distribuindo miséria, não socializa o fruto do trabalho coletivo, este fruto vai para os bolsos das elites internacionais com o nome de lucro.

2)Social Democracia: PT e genéricos, é o mesmo que(capitalismo de Estado + privado), governar para os ricos nacionalistas que também vivem do suor e da exploração dos assalariados, adotam a teoria do “vamos explorar o povo/nação assalariada mas, nem tanto”, vai assim, governando e distribuindo pobreza.

3)Socialismo Revolucionário: é o mesmo que todo fruto do trabalho coletivo(produção) será revertido em beneficio da sociedade e suas necessidades básicas de sobrevivência. (NÃO) vive nem sobrevivem em função dos donos do capital, e dos lucros. Ou seja, as fabricas, as terras, os bancos, as minas, o grande comercio, … serão socializados, porque é dai que sai toda a riqueza produzida pelos assalariados e trabalhadores em geral. Porém, não ira para os bolsos dos patrões capitalistas, para acumularem riquezas e viverem como parasitas do suor alheio.

Saudações Socialistas.

Responder

Fabio Passos

15 de setembro de 2013 às 19h04

A ditadura do capital está destruindo o planeta e a humanidade.
É preciso destruir definitivamente este regime podre… e varrer do mapa a diminuta minoria que hoje detém o poder econômico.

Responder

Brasileiro, o outro

15 de setembro de 2013 às 18h56

“Capitalismo iníquo” parece-me uma redundância…

Responder

    Ricardo Figueiredo de Castro

    15 de setembro de 2013 às 20h35

    Caro “Brasileiro, o outro”, óbvio que o capitalismo é iníquo. Essa é uma afirmativa que visa enfatizar sua iniquidade, não que haja a possibilidade de um capitalismo sem iniquidade. Afinal isso é uma entrevista, não um texto acadêmico …

    Gustavo

    16 de setembro de 2013 às 08h30

    Concordo com você, o título é ambíguo e tanto pode ser lido como uma redundância (portanto, para reforçar que o capitalismo só pode ser iníquo) ou como uma sugestão de que existe um capitalismo “não-iníquo”.
    Ricardo, justamente por o texto ser jornalístico é que estes pequenos detalhes são fundamentais.

    Ricardo Figueiredo de Castro

    16 de setembro de 2013 às 10h56

    Gustavo, a afirmação ao você qual se refere foi feita apenas no título da entrevista que não é de responsabilidade do entrevistado. Em nenhum momento o entrevistado afirma que exista capitalismo sem iniquidade; muito pelo contrário. Sugiro a leitura atenta da mesma, bem como do conteúdo do blog. Saudações fraternas !

Jair de Souza

15 de setembro de 2013 às 17h52

Sem a pretensão de querer me passar por teórico do marxismo, gostaria de discrepar do título (ou subtítulo) dado à matéria: O marxismo permanecerá vivo enquanto perdurarem as inequidades do capitalismo. Esta afirmação pode nos levar a crer que existe a possibilidade de que venha a existir um capitalismo sem inequidades. Por isso, o que deveria ser dito é que o marxismo permanecerá vivo enquanto existir o capitalismo.

Por outro lado, acredito que o marxismo, por tratar-se de uma teoria elaborada por seres humanos concretos, também está influenciado pelos conceitos e preconceitos destes. Em meu entender, o marxismo dos povos periféricos (refiro-me à periferia em relação com os países dominantes) não pode manter em sua totalidade as características do marxismo eurocêntrico. Sim, eurocêntrico, porque até Marx, independentemente de seus propósitos claramente humanistas, também via os povos periféricos como culturalmente inferiores aos povos dos países capitalistas mais avançados. E isto permitiu inúmeras aberrações entre os partidos, movimentos e estados europeus que se proclamavam marxistas.

Como exemplo dessas aberrações, posso citar o fat de que vários partidos comunistas europeus (por exemplo, o francês) chegaram a justificar as políticas colonialistas de seus estados burgueses. A ocupação colonial da Argélia e a guerra travada contra os combatentes independentistas argelinos contaram com o beneplácito dos comunistas franceses. Não é que estes fossem maus e perversos. É que, imbuídos do sentimento eurocêntrico, julgavam que seria melhor para os povos colonizados que o domínio dos países capitalistas avançados se consolidasse totalmente. Com isto, o capitalismo tenderia a se expandir e a substituir as formas pré-capitalistas predominantes. E, portanto, as forças do proletariado que daí surgiriam acabariam por tornar mais fácil a revolução. Hoje, temos clareza da barbaridade deste pensamento.

Este mesmo pensamento eurocêntrico no marxismo está vivíssimo na atualidade quando vemos a inúmeras agrupações que se dizem marxistas (especialmente os trotskistas e os sociais-democratas, mas não só eles) apoiarem as ações e intenções do imperialismo de invadir e bombardear outros países e povos periféricos com base no imperialismo “humanitário”. Foi assim no massacre contra o povo líbio e o que se aventa contra a Síria.

As versões eurocêntricas do marxismo (social-democracia, trotskismo, estalinismo, eurocomunismo, etc.) sempre nos conduziram a fragorosas derrotas. Há coisas do marxismo que devem ser replanteadas à luz das mudanças ocorridas, inclusive nas próprias características da classe operária atual. Quem poderia imaginar que a classe operária polonesa seria a ponta de lança de reintrodução do capitalismo na Polônia (numa versão das mais furibundas) sob a condução de sua central sindical (Solidariedade), a qual tinha sido formada e era dirigida pela própria CIA e outras das forças mais retrógradas do mundo? É claro os marxistas adeptos do trotskismo apoiaram com ardor este movimento de reintrodrução do capitalismo.

O que eu creio que deve ficar claro para os que defendemos a construção de sociedades mais justas para nossos povos é que não podemos nunca mais ficar a reboque das correntes políticas orientadas pelo eurocentrismo. O marxismo continua tendo peso fundamental para levar-nos a essas sociedades mais justas, mas precisamos considerar nossas realidades e nossas riquezas culturais e, com estas, revigorá-lo e tirá-lo do marasmo em que foi lançado pelos eurocentristas. Os movimentos populares que chegaram ao governo em vários países latinoamericanos estão dando importantíssimas contribuições nesse sentido. Há ainda muito a fazer, mas os primeiros passos foram dados ao liberar-nos da nefasta tutela europeia.

Responder

    Liz Almeida

    15 de setembro de 2013 às 19h33

    “…gostaria de discrepar do título (ou subtítulo) dado à matéria: O marxismo permanecerá vivo enquanto perdurarem as inequidades do capitalismo. Esta afirmação pode nos levar a crer que existe a possibilidade de que venha a existir um capitalismo sem inequidades.”

    Concordo com o Jair de Souza, um sistema sem inequidades pode ser chamado de qualquer coisa, menos de capitalismo.

    Ricardo Figueiredo de Castro

    16 de setembro de 2013 às 08h58

    Liz,
    o título da entrevista é responsabilidade do entrevistador. A entrevista não afirma em nenhum momento que exista marxismo sem iniquidade.

    Ricardo Figueiredo de Castro

    16 de setembro de 2013 às 11h04

    Caro Jair, o blog MARXISMO21 tem se dedicado a tratar de temas que dizem respeito à realidade brasileira de hoje e do passado, bem como temas relacionados à própria história mundial. Quanto à natureza europocêntrica do marxismo diria que ela estaria ligado às suas origens europeias e ao fato de o próprio capitalismo, um dos seus principais objetos, ter surgido exatamente na Europa. Entretanto, essa característica foi se diluindo ao longo do século XX com a expansão tanto do capitalismo para o restante do planeta como do próprio marxismo para outros continentes. Autores como Mariátegui e Mao Zedong, por exemplo, propuseram-se a aclimatá-lo às suas realidades particulares.

Marxista Convicto

15 de setembro de 2013 às 14h26

Fala-se do “caráter democrático e pluralista de seu trabalho editorial”; que a proposta editorial “não é propriedade intelectual de seus atuais criadores, mas um compromisso de todos os marxistas que se dispuserem a participar de sua construção, produção e funcionamento”; fala-se também da atenção dada à “diversidade … dos marxismos existentes no país e suas respectivas produções intelectuais (publicações, eventos, debates etc.)”.

Me engana que eu gosto, Caio Toledo.

Responder

    Ricardo Figueiredo de Castro

    15 de setembro de 2013 às 19h56

    Caro Marxista Crítico, sugiro que você visite o blog MARXISMO21 e constate a diversidade teórica e política daqueles que o constróem e dos dossiês e materiais diversos que integram o blog. Obviamente, como é uma obra em construção alguns autores e temas das diversas orientações marxistas ainda não foram objeto do blog. Se você tiver alguma sugestão de dossiê etc. sugiro que envie para o blog. Um abraço fraterno !

    caio toledo

    16 de setembro de 2013 às 09h19

    Salve, Ricardo,

    endossando seus dois comentários, diria:
    a) a leitura atenta e criteriosa da entrevista evidencia que afirmei o seguinte: o sistema capitalista é uma ordem econômica estruturalmente desigual cujas relações sociais são necessariamente iníquas. Seria, pois, um contrasenso pensar a possibilidade de um “capitalismo bom e humano”…;
    b) marxismo21 se beneficiará de críticas e sugestões vindas de seus leitores. Seremos, particularmente, gratos quando os reparos forem justificados e demonstrados. Somente assim poderemos superar suas lacunas e limitações.
    caio toledo

    caio toledo

    16 de setembro de 2013 às 14h09

    Caro Marxista Crítico,
    completando o que foi dito por Ricardo, do comitê editorial, informo que além de Ignácio Rangel estão previstos dossiês sobre as obras de Octavio Brandão, Alberto Passos Guimarães, Ciro Flamarion Cardoso, Rui Facó, Luiz Pereira e outros. É imprecisa e apressada, pois, sua categórica afirmação segundo a qual descartamos a proposta feita por seu professor.
    Mesmo mantendo o anonimato – por que marxistas deveriam, hoje, fazê-lo? -, escreva-nos para fazer sugestões e críticas. Afinal, vc. tem acompanhado regularmente nosso blog?
    Email de marxismo21: [email protected]
    saudações,
    caio toledo

Zanchetta

15 de setembro de 2013 às 11h13

Depois de 70 anos dominando um conjunto de países europeus, hoje ela nem é comentada mais por lá… subsiste em pequenas ditaduras como Cuba e Coréia do Norte…

Responder

    Marxista Convicto

    15 de setembro de 2013 às 14h36

    Você está mentindo. E a massa da população do Leste nunca foi a favor do fim do socialismo. A “debacle” foi uma manobra por cima.

jorge Luiz

15 de setembro de 2013 às 10h37

E as iniquidades do marxismo ou qualquer doutrina de esquerda, que estão querendo impor ao ao mundo, principalmente no Brasil, de novo!

Responder

    assalariado.

    15 de setembro de 2013 às 11h24

    Jorge Luiz, cite três situações teóricas (dentro das escritas de Marx), que você considera iniquidades?

    Abraços.


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