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PM na USP: Reitoria afirma que funcionários concordaram, eles negam


31/10/2011 - 17h56

Declaração dos representantes dos trabalhadores da USP no Conselho Gestor do Campus

do Sintusp

Diante da crise aberta com a repressão policial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP na tarde do dia 27 de outubro, a Reitoria da USP tem afirmado – por meio de comunicado oficial e declarações à imprensa – que a regulamentação da atuação da PM na USP foi feita com a anuência dos representantes de funcionários, estudantes e professores no Conselho Gestor do Campus universitário.

Vimos, através desta declaração, denunciar essa farsa montada pela Reitoria com o intuito não só de atribuir uma mentirosa legitimidade à sua decisão de regulamentar a ação da PM na USP, mas também de eximir-se da sua responsabilidade pela brutal repressão deflagrada contra os estudantes no dia 27 de outubro.

Nós, representantes dos funcionários no Conselho Gestor, não só fomos eleitos em base a um programa de repúdio à entrada da PM na USP, como deixamos claramente assentada essa posição frente à política da reitoria de legitimar a repressão policial na USP através do deste Conselho.

Na ata da reunião do Conselho no dia 05 de Agosto de 2011 em que teve como pauta a Aprovação do Protocolo de Coorperação entre a USP e a Secretaria de Segurança Pública pode-se ler: “o Sr. Marcello Ferreira dos Santos – Representante do servidores – manifesta-se contrário ao documento (…) informa que a deliberação da assembléia dos servidores não docentes é contra a presença da Policia Militar no Campus. (…) questiona o porque dos servidores não são ouvidos quando da tomada de decisões na Universidade e nem o número de real de servidores é levado a sério quanto a representatividade. (…) abre votação e a proposta é aprovada com dois votos contrários (dos dois representantes dos funcionários Marcello e Solange e em virtude da ausência justificada do representante Mario, como consta na ata) e uma abstenção ( representada pela vice-diretora da Faculdade de Educação)”.

O repúdio à presença da polícia na USP é resolução tomada reiteradas vezes em inúmeras assembleias, encontros e congressos dos trabalhadores da USP. Essa decisão se apoia na convicção de que a polícia, ao contrário de estar a serviço de garantir a “segurança pública”, cumpre a função política de “controle social” da pobreza estrutural do país, com a repressão sistemática dos pobres, negros e filhos da classe trabalhadora nas favelas, vitimas permanentes da repressão e assassinatos policiais.

As classes dominantes utilizam o discurso de “segurança pública” para esconder sua responsabilidade sobre as raízes da violência urbana, que se encontram no desemprego estrutural, no trabalho precário, na falta de moradia, no sucateamento da educação, etc.

A burocracia acadêmica, como agentes das classes dominantes dentro da universidade, reproduzem esse discurso para defender o caráter elitista e racista da universidade, tratando os moradores da Favela São Remo – vizinha da USP – como marginais, apesar da maioria dos trabalhadores que garantem a limpeza, a alimentação a manutenção e todos serviços básicos da universidade ali morarem. Para nós, o problema da violência urbana só pode ser resolvido com emprego, moradia, saúde, educação, cultura e lazer dignos para toda a população.

O repúdio à presença da polícia na USP, que fere a autonomia universitária, representa a defesa de uma conquista democrática elementar: é impossível, sob a sombra das armas do Estado, produzir de qualquer conhecimento ou reflexão crítica que se coloque contra o caráter opressor e explorador da sociedade de classes e esteja a serviço dos interesses dos trabalhadores e do povo pobre.

Não passa de pura hipocrisia elitista e racista dizer que a polícia deve entrar na USP porque essa não pode ser uma “ilha” isolada do conjunto da sociedade. Para com o isolamento da USP em relação ao conjunto da população que à sustenta, é necessário acabar com o vestibular, estatizar as universidades privadas e garantir verbas públicas suficientes para que todos os filhos da classe trabalhadora possam ter acesso ao ensino superior de qualidade.

Nós, representantes dos funcionários no Conselho Gestor, denunciamos como uma difamação as declarações da Reitoria que pretendem imputar a nós a conivência com a regulamentação da ação policial no Campus. Exigimos que a Reitoria publique – no Jornal da USP e em todos os meios de comunicação que veicularam tal difamação – a ata da reunião do Conselho que desmascara essa mentira, conjuntamente com esta declaração. Exigimos uma retratação pública e as punições legais que correspondem a essa ação difamatória.

Por fim, fazemos nossa a luta dos estudantes pela retirada da PM da USP e apoiamos a ocupação da Administração da FFLCH por seus alunos, chamamos a ADUSP, o DCE e os Centros Acadêmicos a unir forças para que essa demanda seja conquistada.

Marcello Ferreira dos Santos (Pablito)
Solange Conceição Lopes Veloso
José Mario de Freitas Balanco
Representantes dos trabalhadores da USP no Conselho Gestor do Campus

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96 comentários

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Mauro Santayana: Vivo pega 3 bilhões do BNDES mas quer usar seu caixa para recompra de ações | Viomundo - O que você não vê na mídia

10 de novembro de 2011 às 21h34

[…] PM na USP: Reitoria afirma que funcionários concordaram, eles negam […]

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“Rodas administra a USP como se administrasse a sua fazenda” | Viomundo - O que você não vê na mídia

06 de novembro de 2011 às 01h23

[…] PM na USP: Reitoria afirma que funcionários concordaram, eles negam […]

Responder

cronopio

02 de novembro de 2011 às 21h25

"O reitor Rodas e a crise da segurança: a doutrina uspiana do choque" Por Douglas Anfra
Um estudante de filosofia e morador do CRUSP [Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo] alega ter problemas no coração e pede apoio à guarda universitária, que normalmente oferecia ajuda aos estudantes com problemas, mas, nesse caso, se nega. Samuel pega o ônibus circular e vai até o Hospital Universitário. Não conseguiu ser atendido, então retorna do mesmo modo para tentar repousar em casa. Quando este sai do ponto, cambaleia na frente da guarda e cai no chão. Uma aluna disse que ele estava com pulso fraco nessa hora e pede ajuda à guarda. A guarda alega que não mexerá num corpo, ao que a amiga responde que ele não é um corpo e que está vivo. Vinte pessoas o viram com vida, mas ninguém o atende. Nenhum destes pode, pois ninguém tinha carro, só a guarda, e então chamam a ambulância. A ambulância não vem. Ele não tinha carro. O Hospital Universitário se localiza a 3 quilômetros de onde veio a falecer. Ele morre. Seu corpo fica exposto ao sol por 6 horas." (…)
(Fonte: http://passapalavra.info/p=41647&cpage=1)

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    Zé Bolinha de Papel

    03 de novembro de 2011 às 00h32

    Ah, o Douglas Rogério Anfra? Grande personalidade! Ficou ciscando em torno da Cacciola até conseguir uma bolsa de pesquisa! Parabéns! Foi o tráfico de influência que permitiu que ele fosse além! Esse cara é impagável!

    Zé Bolinha de Papel

    03 de novembro de 2011 às 00h42

    Esse Douglas Rogério Anfra… a única violência que pode na USP é aquela em que a gente "cisca" em volta de professor para conseguir bolsa de mestrado, né? Aí, pode… quem te conhece, não esquece…

Carla

01 de novembro de 2011 às 21h02

O poder domina pelo medo, talvez a maconha seja justamente o alibi que se precisava para justificar a presença da PM, mas a intenção é inibir os estudantes de qualquer entusiasmo contra o que não conseguem aceitar deste sistema social que não vê pessoas vê cifrões !!! http://www.anvip2011.blogspot.com/
Um blog inteligente do mais recente orgão de vigilância : AGENCIA NACIONAL DE VIGILANCIA DO PODER

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Cláudia M.

01 de novembro de 2011 às 14h56

Conceição, ontem à noite a Congregação da FFLCH divulgou a posição da unidade a respeito dos lamentáveis acontecimentos. Trata-se de um importante revés no discurso da Reitoria/Rodas pró-PM, já que desmente a versão de unanimidade. Eis o endereço, caso vcs entendam ser matéria de destaque: http://www.usp.br/imprensa/?p=15448. Saudações uspianas!

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    Conceição Lemes

    01 de novembro de 2011 às 16h14

    Obrigadíssima, Cláudia. Vou postar. Como ex-ECAUSP, lamento tudo isso que a universidade está vivendo. bj

    Cláudia M.

    01 de novembro de 2011 às 16h52

    Como pesquisadora da universidade e mãe de aluna da FFLCH, que participou do protesto,também lamento muitíssimo. O que este reitor está fazendo faria corar até os asseclas dos generais pós-1964. É o horror, o horror!!!

FrancoAtirador

01 de novembro de 2011 às 14h34

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LÍDER COMUNITÁRIA CONFIRMA VENDA DE EMENDAS POR DEPUTADOS ESTADUAIS DE SÃO PAULO

A líder comunitária Tereza Barbosa disse, em entrevista à Rede Brasil Atual, que o esquema de vendas de emendas orçamentárias pode ter a participação de quase metade dos parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo. O primeiro denunciante da prática, deputado Roque Barbiere (PTB, partido que integra a base aliada do governo Alckmin), havia mencionado envolvimento de "25% a 30%" dos deputados estaduais.

“O Roque Barbiere falou a verdade, ele não mentiu não. Eu só acho que a porcentagem é maior do que ele falou. Eu colocaria em uns 40% a 45% os deputados que vendem emenda”, a líder comunitária, que afirma ter conversado diretamente com três parlamentares. "O resto foi tudo com assessor", explicou, recusando-se a citar nomes..

A venda envolve repasses a outras organizações. "O deputado ou o assessor fala que quer 40% para outra entidade que não possui documentação, mas que ele gostaria de ajudar. Ele vem assim mesmo, querendo sensibilizar", disse.

Mas na prática, segundo Teresinha, o repasse do recurso é feito diretamente entre parlamentar e empresa contratada para realizar determinada obra ou serviço. "Por isso a gente vê a toda hora essas obras mal feitas. Uma vez fui reclamar para uma construtora da Cidade Ademar e ele (empreiteiro) me falou: 'Senhora, a gente não pode fazer nada com material de primeira, porque a gente tem de devolver o dinheiro que chega para a gente", disse.

A opção por não revelar os nome dos deputados de quem teria recebido pedidos de desvio de verbas é justificada por temor de retaliações. Dona Terezinha qualifica os participantes do esquema como "gente muito perigosa".

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/

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Jason

01 de novembro de 2011 às 11h37

Acho que a PM deveria sair do campus da usp mesmo e a reitoria deveria chamar os traficantes para cuidar da seurança, assim como é no rio de janeiro.

Responder

Luc

01 de novembro de 2011 às 11h28

Diretamente do setor da USP envolvido no caso:
http://www.usp.br/imprensa/?p=15448

"…A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, reunida em sessão extraordinária, no dia 31 de outubro de 2011, na sala 8, do Conjunto de Filosofia e Ciências Sociais, à vista da gravidade dos acontecimentos que resultaram na ocupação do prédio da Administração, vem declarar sua disposição para o encaminhamento de soluções mediante negociação com as partes envolvidas no conflito.

A Congregação reconhece que os termos do convênio firmado entre a USP e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo são vagos, imprecisos e não preenchem as expectativas da comunidade uspiana por segurança adequada. Reconhece igualmente que a intervenção da Polícia Militar extrapolou os propósitos originalmente concebidos com o convênio…".continua na matéria, ler a íntegra do site da USP

Responder

Campineiro

01 de novembro de 2011 às 10h13

A única turma que quer a polícia fora, é a turma que lucra com a venda de drogas, rouba carros e sequestro de inocentes.

Eu, se vendesse drogas, tb gostaria de um mercado altamente consumidor e livre de repressão e concorrência.

É o paraíso para qualquer um que estudou Marketing.

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    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 14h07

    Realmente, devem estar milionários, por isso moram na favela…

Roberto Locatelli

01 de novembro de 2011 às 09h46

A heroica PM é truculenta com estudantes e quando vai "acompanhar" desapropriação de favelas. Mas quando se trata do PCC, há uma espécie de acordo tático entre parte dos policiais e o tráfico: "vocês não mexem com a gente, que a gente não mexe com vocês".

Responder

Julio Silveira

01 de novembro de 2011 às 09h46

Por principio sou contra a policia em local destinado a cultura, onde se pretende a busca pela evolução da civilização, e, por que sabemos que policia (pelo menos a nossa) e a antitese da civilidade. Mas não me estenderei nesse tema abordado já por muitos, com objeções até bastante estridentes. Quero me ater as idas e vindas das "verdades". Acredito que mora aí um dos principais problemas, talvez a fonte de todos os demais, qual seja a canalhice dos mentirosos. Gente que mente para ganhar apoio, para angariar simpatias, covardes que sabem de seus malfeitos. Isso tem sido muito corriqueiro nos dias de hoje no Brasil. Tanto na politica, quanto, pelo que percebemos, nas universidades, Talves até a normalidade com que vimos encarando isso, esse mau caratismo, esteja sendo construida como estratégia educacional. Tão altos indices de mentirosos nos mais variados escalões de poder não pode ser por acaso. Aí, parece que mora nosso perigo, talvez seja a hora de se ter, para assumir postos importantes, o famoso detector de mentiras, senão a pusilanimidade pode tomar conta do País.

Responder

cronopio

01 de novembro de 2011 às 09h28

Não é apenas falta de segurança, a USP está infestada de problemas: falta de moradia, falta de professores, professores mal pagos, falta de salas de aula, terceirização de funcionários, funcionários mal pagos, perseguição política de estudantes, desvios de verba, privatização de cursos por meio de fundações: pelo jeito, o reitor está pensando seriamente em resolver todos esses problemas com a PM…

Responder

cronopio

01 de novembro de 2011 às 08h41

No dia 2/12/2010, Samuel de Souza (42), aluno da graduação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e morador do conjunto residencial da USP, morreu na praça do relógio por omissão de socorro (nem a guarda universitária, nem a PM e nem o HU quiseram socorrê-lo, embora tenham sido acionados), o corpo de Samuel ficou abandonado por mais de doze horas. O fato só foi noticiado porque uma repórter chegou ao local antes de qualquer autoridade, mesmo sem ter sido diretamente acionada. Por que a morte de Samuel não gerou a indignação merecida é algo que merece uma reflexão cuidadosa, mas, de todo modo, parece algo infinitamente mais importante do que deter meia dúzia de estudantes que fumam maconha no canteiro do estacionamento.

Responder

    aluna da usp

    01 de novembro de 2011 às 13h57

    12 horas? Foram 2, eu passei por lá no dia… E como o repórter ficou sabendo antes de prestarem socorro??

    Na verdade houve muita discussão na época… Mas é claro que tudo se aquietou e ficou esquecido………. Ouvi que o HU não tem ambulâncias, e sim que o SAMU deveria ter sido chamado.

    cronopio

    02 de novembro de 2011 às 00h52

    Não é verdade, onde você leu isso? O corpo ficou mais tempo. Até o uol falou em "seis horas" (fontes: http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/05/19/co
    e também: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?….

    "Negligência da guarda universitária e do Hospital Universitário levou à morte de estudante de filosofia

    Na manhã desta quinta-feira, dois de dezembro, Samuel de Souza, 42 anos, aluno de graduação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)da USP, no campus Butantã, desmaiou na praça do relógio solar por volta de 10h da manhã depois de não ser atendido no Hospital Universitário e de não receber nenhuma ajuda da guarda universitária.
    De acordo com relato de amigos de Samuel, ele estaria passando mal e foi até alguns membros da guarda universitária que estavam com uma viatura estacionada próximo à reitoria da universidade para pedir que o levasse até o Hospital Universitário (HU)que fica localizado no mesmo campus.
    Os guardas se negaram a atender ao pedido do estudante que visivelmente passava mal. Sem opção, Samuel então foi de ônibus circular até o HU. Ao chegar no HU também houve negligência por parte do Hospital que se recusou a atender o estudante, como denunciou um amigo do estudante, "Ele pediu ajuda à Guarda Universitária e eles se negaram. Então ele pegou um circular da universidade, mas chegou ao HU (Hospital Universitário). Chegado lá ele não foi atendido e estava voltando para onde mora”.
    O estudante então voltou para a moradia, por volta da 9h30 e depois de descer do ônibus circular, quando se dirigia ao CRUSP, desmaiou na praça do relógio Solar.
    Alguns estudantes que passavam pelo local tentaram ajudá-lo, mas não foi possível reanimá-lo. A Guarda Universitária chegou ao local, mas também não prestou socorro, apenas comunicou o fato a instâncias superiores. Samuel faleceu por volta das 10h30 da manhã. A direção da universidade nega que os guardas universitários tivessem chegado quando o estudante ainda estava vivo, mas testemunhas que estavam no local declaram que quando os guardas chegaram o estudante ainda estava vivo.
    Mais negligência
    O descaso da universidade foi tanto que após morto, o corpo de Samuel ainda ficou exposto na Praça do Relógio Solar por seis horas. A polícia foi chamada logo após a morte e nada foi feito para a remoção do corpo. A guarda universitária também não fez nada e o Hospital Universitário foi chamado para remover o corpo e se negou a enviar uma ambulância, pois não atende no campus, apenas dentro do hospital.
    O corpo de Samuel foi coberto por um lençol e depois por sacos de lixo. Só foi removido às 15h49.
    Uma funcionária, Rosana Bullara, declarou, “Foi discriminação. Ele só ficou aí porque era estudante, pobre e negro” (Folha de S. Paulo, 3/12/2010).
    Esta declaração, embora correta, não expressa toda a verdade. A Guarda Universitária está aí para policiar, vigiar e reprimir a comunidade universitária e não para ajudá-la e este é o sentido da sua atividade, que vem das orientações dos superiores e do fato de que é uma empresa privada, mostrou-se claramente neste episódio e de modo fatal.
    A Guarda Universitária só atua quando é para impedir a realização de piquetes dos funcionários da universidade em greve ou quando é para agredir estudantes como os inúmeros casos de agressão à estudantes do CRUSP, como o recente caso do estudante que foi espancado por não apresentar a carteirinha na portaria da universidade.
    O movimento estudantil deve repudiar a ação da reitoria que demonstra com este caso como trata a maioria da universidade, os estudantes.
    Rodas, reitor-interventor, deve ser responsabilizado pela negligência que resultou na morte do estudante."
    fonte: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?…

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 10h39

    Caro Cronopio, engana-se. Aí é que está: você não estava lá. Leia novamente o que a testemunha ocular "aluna da USP" escreveu: "12 horas? Foram 2, eu passei por lá no dia… E como o repórter ficou sabendo antes de prestarem socorro??"

    O PCO (!) colando matéria do PIG? Ahahahah! E a gente vai entendendo…

    cronopio

    02 de novembro de 2011 às 19h31

    Zé, um pouco mais de respeito, por favor. Tenho amigos que eram íntimos do Samuel e ficaram tristes e revoltados pelo descaso da USP nessa situação. O Samuel morreu porque era pobre e precisou de socorro dentro da universidade e esse socorre lhe foi negado. Espero que você nunca passe pelo que ele passou. Eu não ouvi essa história de quem "passou por lá", mas de quem ficou seis horas ao lado de um cadáver jogado no chão. Agora, ficar fazendo piadinha arrogante com uma tragédia que é muito maior do que os egos de meia dúzia de comentadores fascistinhas é um tremendo, tremendo desrespeito. Aviso que daqui para frente não responderei a mais nenhum de seus comentários. A desumanidade de seu comentário é vergonhosa, faz pensar no tipo de atitude de que algumas pessoas são capazes para defender seus interesses mesquinhos. Fico imensamente desapontado com isso, e fico até me questionando sobre qual o sentido de debater nesse espaço. Olha, espero que a vida lhe ensine alguma coisa, porque eu desejo nunca mais travar uma conversa contigo.

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 20h14

    Sabe, Cronópio, lamento que você tenha que distorcer tudo o que os outros escrevam em proveito próprio. Você coloca as suas próprias palavras nos textos dos outros, mas isto não me importa, pois você está ficando previsível. Observando a mudança dos tons… arrogante, profeta, moralista (o primeiro não te nutriu muitas observações positivas, mas você não se importa)… também não te levo a sério. Eu não fico desapontado com você, pois desde o início você mostrou quem é. Aqui você MANIPULOU uma informação (ou será que era desinformado?). Vale tudo – mostrar sentimento, ser arrogante, dizer que os outros não tem razão. Lamento. Ou seja: pare de usar a memória do seu amigo (será que era?) para dourar a pílula em um vale-tudo escrito. Isto sim, é cruel, muito cruel.

    E antes que eu me esqueça: até agora – pelo que a Congregação da FFLCH fez, por aquilo que os estudantes fizeram na noite de ontem, 1/11 – os fatos tem mostrado que você está enganado. A sua arrogância afiou a sua retórica, mas não a análise dos "fatos" (que você pede para definir, tal qual estudantes de Filosofia, que questionam o "conceito de greve" e só entram nela depois que todo mundo já decidiu por ela, tal como na famosa Greve da FFLCH)…

    cronopio

    02 de novembro de 2011 às 21h28

    Parabéns, Zé, você venceu. Agora, por favor, me deixe em paz. Falei sério quando disse que seu comentário me deixou deprimido. Não quero falar de greve com você, não quero falar de nada. Você venceu. Até.

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 23h24

    Da arrogância à depressão… hum, hum… claro, claro…

Pedro Camargo

01 de novembro de 2011 às 01h12

quem acredita que a pm age para prender usuários de droga deve também acreditar em papai noel!

se assim fosse a pm já teria prendido a cracolândia inteira.

mais do que isso, a mídia vem ignorando o acampamento (ocupa sampa) no vale do anhangabaú há semanas. não noticia uma vírgula. até mesmo juízes negaram pedidos de proteção aos manifestantes por alegar "desconhecer qualquer protesto".

agora, na hora em que PMs vão prender 3 estudantes que bolavam um beck, todos os principais veículos de comunicação aparecem – e rápidamente !

será que ninguém acha isso estranho ?

o golpe é mais embaixo.

Responder

Lazlo Kovacs

01 de novembro de 2011 às 00h29

A presença da PM no campus, olhando sob o ponto de vista dos trabalhadores (não dos estudantes, pois estudante não é, no sentido estrito, classe) é um dos problemas que enfrentam. O outro é o desmonte de áreas administrativas e gestoras do campus para áreas fora da Cidade Universitária. A Reitoria está em processo de desmonte; segundo consta, já existem setores dela em prédios privados na Berrini e na Vila Gomes. Em curto prazo, a tendẽncia é áreas de informática e de TI da USP terem o mesmo destino. As Unidades, as bibliotecas, os restaurantes podem ser paralisados. A Reitoria e a informática, não. É o novo desafio que os trabalhadores da USP terão que enfrentar em suas greves. Ou esse aumento de salário que receberam não deu uma refrescada nos ânimos? Dormir, sim, mas com um olho aberto…

Responder

José Roberto

31 de outubro de 2011 às 23h01

Enquanto as maiores e melhores universidades do mundo discutem como melhorar suas pesquisas, atrair "cérebros" e aumentar seus recursos a "grande" questão discutida na melhor universidade brasileira atualmente é se a polícia deve ou não entrar no Campus e prender maconheiros. Brasil,sil,sil,sil……
Que tristeza

Responder

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 07h45

    Sorbonne permanece em greve contra 'reformas'

    Professores e estudantes universitários da Sorbonne de Paris bloquearam nesta quarta-feira o boulevard Saint-Michel, derramando no pavimento uma tonelada e meia de areia, e fechando as ruas próximas à universidade com caixotes do lixo.

    Professores e estudantes estão em greve há dez semanas contra a reforma das universidades e o estatuto de professores-investigadores. A areia foi uma alusão a um famoso lema do Maio de 68: "Sob a calçada, a praia!"

    "Queremos uma mudança total de toda a política da universidade deste governo", disse ao semanário L'Express a estudante de filosofia Adeline Fontaine, de 19 anos.

    "Se a retomada das aulas ocorrer nos próximos 15 dias, o segundo semestre será salvo. Mas se na volta das férias da Páscoa os cursos continuarem perturbados, o ano universitário ficará ameaçado", advertiu a ministra da Educação, Valérie Pécresse.

    A luta contra a reforma do estatuto dos professores e investigadores tem unido a classe nos últimos meses, contra a precarização do seu trabalho e as novas regras para os concursos de professores que, segundo os sindicatos, não reconhecem as competências adquiridas e vão enfraquecer a qualidade do ensino.

    "A nossa luta é por coisas a longo prazo que são muito mais importantes que um simples semestre", disse a estudante. "Não nos serve de nada ter o semestre se depois os estudantes não puderem estudar devido à alta das propinas e das desigualdades que vão ser criadas pela atual política", completou.

    A Coordenação nacional das universidades, disse em comunicado que "o mundo do ensino e da investigação não é hostil a qualquer reforma. Mas contesta uma lógica de economia orçamental e de forçar a concorrência sistemática das instituições, das equipes e dos indivíduos, que põe em perigo a criação e a transmissão dos saberes."

    Fonte: Esquerda.net

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 17h27

    Enquanto o Chile e a França pegam fogo por problemas claros, de grande amplidão e, portanto, de grande implicância social, o MSP (Movimento dos Sem Proposta) da USP, com grande inserção no mercado acadêmico, fechado à sociedade, que só aparece para dar entrevista (pinguim de geladeira, diretoria do DCE, é com você!) realiza a sua ação por questões particulares, cujo alcance social, é duvidoso. Não é por acaso que quem está "do lado de fora" do Muro de USPerlim, USPville, não se importa muito se privatizarão ou não… os obtusos do ME uspiano só olham para si mesmos e guinam a USP à direita. Parabéns por tamanha tacanhice!

    dukrai

    01 de novembro de 2011 às 11h19

    enquanto isto a UFMG está quieta e lerda, a galera com a cara nos livros e o mundo pegando fogo. bão procê?

    José Roberto

    01 de novembro de 2011 às 11h55

    A galera com a cara nos livros?
    Meu Deus, quem esses estudantes pensam que são? Onde já se viu quererem estudar em vez de "apagar" o fogo no mundo ou resolverem o conflito árabe-israelense?
    Se esse "diretistas" continuarem assim, logo, logo a UFMG vai ultrapassar a USP em excelência. Assim não pode rsrs
    Abraço Dukrai

    dukrai

    01 de novembro de 2011 às 13h08

    é, véi, eu estudei na UnB nos idos rs de 1970 e o reitor era o capitão de mar e guerra José Carlos Azevedo. assembléia de 4 mil alunos, greve geral e o semestre "perdido", daí fiquei assim também rs

    José Roberto

    01 de novembro de 2011 às 22h49

    Pô bicho, tu tá querendo comparar a sua luta contra a ditadura com uma manifestação de rebeldes sem causa cuja maioria, mas acredito que não todos, quer única e exclusivamente território livre para fumar um cigarrinho do capeta sem a polícia no cangote. E pior, invocando vocês, que lutaram contra a ditadura, como álibi?
    Tu só podia ter sido reprovado mesmo rsrs
    Não concordo com você mas de qualquer forma gostei do seu jeito irreverente de discutir rs
    Abraço

    dukrai

    04 de novembro de 2011 às 16h54

    fui só figurante na luta contra a ditadura, no resto estamos de acordo em discordar rs

    Joao

    02 de novembro de 2011 às 18h43

    Pq la fora a PM nao entra, nego. Coisa de 3o mundo, ficar perseguindo maconheiro…

Taques

31 de outubro de 2011 às 22h24

O Sintusp seria a voz do tráfico ???

Responder

    Pedro Camargo

    01 de novembro de 2011 às 01h04

    não é fascinante a capacidade de critica e questionamento que algumas pessoas tem ???

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 07h41

    kkkkk! Paciência, Pedro. O PIG tem uma prole vasta.

    dukrai

    01 de novembro de 2011 às 11h24

    os trolls voltaram com muito humor rs

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 15h23

    Claro, a marijuana está no pastel, no caldo de cana e no tecido da camiseta do sindicato. Fique lindo e bem alimentado você também.

Fabio_Passos

31 de outubro de 2011 às 22h21

A polícia é a única "solução" da "elite" branca e rica para os problemas sociais no Brasil.

Está bem evidente a intenção do governo de SP e da reitoria da usp em utilizar este incidente para demonizar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Responder

Jason_Kay

31 de outubro de 2011 às 20h39

Por Luísa Alcade:

A Polícia Militar fez um levantamento comparando dados de criminalidade de 80 dias antes do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio, com os 80 dias subsequentes, descontando o mês de julho, em razão do recesso escolar. Depois do assassinato de Felipe e com a presença de policiais no campus, os furtos de veículos caíram 90% (apenas dois casos foram registrados, ante os 20 anteriores). Já roubos em geral passaram de 18 para 6, uma redução de 66,7%. Roubos de veículos caíram 92,3%, passando de 13 para 1.

Outros dois crimes que tiveram redução foram lesão corporal, que caiu de nove para dois casos (queda de 77,8%), e seqüestro relâmpago, de 8 para 1 (redução de 87,5%). Os dados estão em boletins de ocorrência registrados nas delegacias do entorno da Cidade Universitária.

Dos 103 boletins de furtos registrados depois da morte ante os 107 do período anterior, apenas 20 ocorreram em via pública, sendo 19 no interior de veículos, dos quais em 12 o objeto visado foi o estepe do carro. O outro furto foi de uma placa de veículo. Os outros 83 casos aconteceram no interior das unidades, onde a PM não entra. Nesses locais, a competência de garantir a segurança é das empresas privadas de vigilância, contratadas pelas próprias unidades, ou da Guarda Universitária da USP.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,crime

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Resumindo: os crimes caíram até 93% depois que a PM passou a atuar dentro da USP.

A perguntinha que fica: que tipo de "gente" quer a PM fora da instituição?

Responder

    Jason_Kay

    31 de outubro de 2011 às 21h19

    "Os outros 83 casos aconteceram no interior das unidades, onde a PM não entra. Nesses locais, a competência de garantir a segurança é das empresas privadas de vigilância, contratadas pelas próprias unidades, ou da Guarda Universitária da USP."

    huuuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

    Jairo_Beraldo

    31 de outubro de 2011 às 21h29

    Acho que sua informação é correta…mas pelo pouco a fazer, estes anacéfalos, em vez de se aquietarem, fazem o que muito bem disse Tsavkko em comentario abaixo – "dado o estilo truculento da PM, dificilmente iriam fazer vista-grossa, pois sentem prazer em criar confusão e aparecer, especialmente se puderem dar porrada ou levar pra delegacia quem eles consideram "vagabundo riquinho" (basicamente qualquer universitário)." São uns revoltados por não poderem sentar nas cadeiras da universidade por, primeiro, serem anacéfalos…segundo, por serem anacéfalos!!!

    will

    01 de novembro de 2011 às 00h48

    eles querem mais! eles querem os maconheeiros. querem impor o que chamam de ordem.

    Pedro Camargo

    01 de novembro de 2011 às 01h01

    É falacioso afirmar que quem quer a Polícia Militar fora, não quer segurança. Certamente você, Jason, consegue pensar em outras possibilidades, ou não?

    Ninguém quer viver amedrontado, seja por criminosos, seja por policiais.

    Thiago_Leal

    01 de novembro de 2011 às 11h46

    Ei, deixando de lado a infalível, ímproba e absolutamente confiável estatística policial, quero saber se nessa conta estão os crimes cometidos pela própria PM. Verifica pra nós, por favor?

    cronopio

    04 de novembro de 2011 às 18h14

    Caro Thiago, já vi esses números antes, eles são ridículos, para dizer o mínimo. Comparam maio e junho a julho, quando a USP está vazia, por conta das férias. Já é a terceira vez que vejo o Jason dar uma informação absurda…

    Abraço

    aluna da usp

    01 de novembro de 2011 às 13h46

    Não sei quem garante a veracidade das estatísticas, mas que seja…

    'A perguntinha que fica: que tipo de "gente" quer a PM fora da instituição?'

    Vou te dizer, meu amigo: gente que quer liberdade de pensamento, política e expressão.
    Não só apenas maconheiros e pessoas promíscuas como dizem por aí; eu mesma como aluna da usp, sequer fumo ou bebo, e sou contra a pm no campus ;*

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 15h20

    Então, sugiro ao ME ser mais propositivo, pois até agora, só a Congregação da FFLCH fez algo de produtivo por causa da incompetência dele.

    cronopio

    04 de novembro de 2011 às 12h36

    Interessante, os números, será que têm alguma relação com o fato de, durante o período em que houve essa redução drástica, os alunos estavam de férias e a USP vazia? É, provavelmente não há relação nenhuma, rs.

Regina Braga

31 de outubro de 2011 às 19h38

Parece que, estamos nos escorando na militarização da sociedade…e não buscando a origem dos problemas…Onde está o combate do crime organizado? Porque estamos refém do PCC? Não adianta esconder a sujeira,nem criar o problemaXsolução…Não é criando um exército que vamos combater o crime organizado,mas fazendo o Estado, entrar com políticas públicas consistentes,um Ministério Público atuante e destemido, e Um judiciário transparente e íntegro…Deixe as instituições funcionarem como devem ser e os resultados vão ser ótimos.

Responder

    Leo

    09 de novembro de 2011 às 14h22

    PCC se combate com justiça e não com policia apenas, e vc acha que a real esquerda tem intenção de combater o PCC, são todos aliados. Esquerda é diferente de idiotas uteis.

Ze Duarte

31 de outubro de 2011 às 19h12

Meu deus, estou chocado com tanta asneira em um texto tão curto! Quer dizer que se tiver PM no campus não é possível produzir conhecimento!!!! Vai ver esse é o nome que os maconheiros dão à maconha, algum tipo de gíria nova, e reflexão crítica deve ser o sinônimo da fumaça…

Evitar assaltos, estupros agora é atitude racista… uau….

Responder

    aluna da usp

    01 de novembro de 2011 às 13h53

    Atitude racista é revistarem algumas pessoas porque 'aparentam ser ameaça', 'apresentaram comportamento ameaçador".
    Você acha que aqui somos todos maconheiros, quero ver passar na FUVEST e ainda terminar algum curso, faça melhor.

    E sim, a polícia reprime todo pensamento crítico e livre, porque é comandada pelo governo.
    Cancele sua assinatura da Veja, não faz bem pro cérebro :)

    Eu é que estou chocada com tanta asneira em um comentário [ainda mais] curto.

Raphael Tsavkko

31 de outubro de 2011 às 19h00

A ação da PM ao prender 3 alunos que fumavam maconha foi, infelizmente, correta. Fumar maconha é crime, por mais que eu, pessoalmente, defenda a legalização das drogas. Obrigação da polícia é fazer cumprir a lei.

Agora, dado o estilo truculento da PM, dificilmente iriam fazer vista-grossa, pois sentem prazer em criar confusão e aparecer, especialmente se puderem dar porrada ou levar pra delegacia quem eles consideram "vagabundo riquinho" (basicamente qualquer universitário).

Mas concordar com a legalidade da ação policial ao prender quem fuma maconha é diferente de concordar com seus métodos. Não faço idéia do tom e da força usada pela PM para prender os rapazes, e isto pode pesar. Aliás, eu acho estúpido prender quem fuma maconha, isto não altera em anda o comportamento de nenhuma das partes, mas apenas faz o PM se sentir poderoso. Da mesma forma que muito maconheiro se acha "bozão" por achar que está contestando o mundo ao fumar.

A questão principal, porém, vai além, e passa pela própria presença ostensiva da PM dentro do campus universitário.
http://www.tsavkko.com.br/2011/10/lugar-de-pm-e-n

Responder

    cronopio

    31 de outubro de 2011 às 21h15

    Caro Raphael, acho que a questão está deslocada. A PM ficou atrás da biblioteca durante o dia todo revistando dezenas de alunos (eles anotavam o número USP e o RG em um caderninho). Um amigo meu foi revistado e perguntou o porquê do procedimento, os policiais responderam: "ordens da reitoria". O problema é que o clima de tensão entre o ME, o Sintusp e até mesmo parte do corpo docente e a PM vem de longe, pelo menos desde 2009, quando a PM invadiu a USP para reprimir uma manifestação, com bombas e balas de borracha, enfim. Outro fator importante é a perseguição política de alguns integrantes do ME. A reitoria havia firmado um acordo durante a desocupação da reitoria dizendo que não faria perseguições desse tipo (ou seja, que apenas processos por danos ao patrimônio, violência seriam realizados), só que a reitoria quebrou a palavra e começou uma verdadeira caça às bruxas, apoiando-se em uma emenda do regimento interno criada na época da ditadura e que era letra morta. Bom, para resumir, acho que o Rodas conseguiu colar o selo de "maconheiro" no ME da USP, desviando a discussão fundamental, a saber: a crise de sua gestão e o abandono de um modelo democrático que caracterizavam diretrizes basilares da USP. De resto, concordo com você. Um abraço.

    Zé Bolinha de Papel

    01 de novembro de 2011 às 01h18

    Em 2009, alunos acuaram um grupo de PMs que estava no campus, separados do resto da tropa. Os policiais reagiram como cachorros acuados. Aí começou a confusão. Essa molecada também é responsável por aquilo que está acontecendo na USP, comprometendo outros estudantes e os trabalhadores, nem adianta acobertar. O que a polícia fez é condenável, mas usar isso para encobrir aquilo que os alunos fizeram é uma deslavada má-fé. Se o Rodas usa uma lei da ditadura e ela ainda vale, não adianta choramingar: cadê o DCE naquele prédio reformado e pichado? Tomando breja na Letras ou na FAU? Poder é dedo no olho; quem não sabe jogar, aprenda. E tem mais: a base da USP não é a democracia, é a formação das elites pensantes do país, desde a sua fundação. Difícil é relacionar uma coisa com a outra. Nem adianta falar do passado, pois ele sempre aparece como paródia (rs,rs). Para terminar, o pior é que os alunos aceitaram a provocação da PM e do Rodas.

    Raphael Tsavkko

    01 de novembro de 2011 às 03h55

    REalmente, um grupo de estudantes DESARMADOS – no máximo "armados" com cadernos – deixou um gurpo de PMs ARMADOS acuados… Senta lá!

    Rodrigo Leme

    01 de novembro de 2011 às 09h36

    Sabe pq deixa? Pq a PM não pode reagir a qualquer tipo de achaque desse povo pq eles vão se fazer de coitadinhos na TV depois. Então a PM tem que levar livrada quieta pros filhinhos de papai não chorarem depois.

    Engraçado que aqui as "elites" são o grande inimigo, salvo qdo se tratam de playboys com delírios de Trotsky da FFLCH.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 10h45

    Se eles são trotskystas delirantes,

    você está soando mais

    como paranoico stalinista.

    Se quer atirar em pessoas desarmadas, pelo menos faça isso você mesmo,

    não terceirize o serviço…

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 15h17

    Coitados daqueles que, em vez de aprenderem a se defender e agir de maneira consistente, ficam chorando num canto o poder do oponente. O Movimento Estudantil, nessa choraminguela, não vai muito longe. Está na hora de mudar a tática, em vez de provocar o confronto e esperar claramente por um revide. Estão ficando, inclusive, muito previsíveis.

    Sem concordar com o Rodrigo, não deixa de me causar curiosidade saber quem é o gramsciano (não trotskista) que ele cita (se é que existe de fato).

    cronopio

    02 de novembro de 2011 às 19h19

    Caro Zé, tudo bem comer bola, mas tentar dar uma de sabichão sem ter lido toda a discussão é de doer… leia os comentários acima do seu amigo Rodrigo e vai encontrar a frase "playboys com delírios de Trotsky da FFLCH." Era a essa frase que eu me referia. Pelo menos poderia ter verificado melhor os posts, pô. Entrar assim de sola numa discussão para mim é trollagem. Depois sou eu o arrogante…

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 20h43

    Caro Cronópio.

    Você é incansável na busca pelo "falso problema, com falso argumento, gerando falsas discussões", chega a ser engraçado. A título de esclarecimento (que na prática, não deveria), o seu amigo de argumentação citou em alguns dos trechos o Gramsci (veja por si mesmo na sequência dos comentários do próprio Rodrigo). Veja que também não levei a ferro e fogo o que o seu amigo escreveu. A questão é que o seu amigo escreve tanto ao "ódio aos playboys" quanto ao "ódio à esquerda". Você não sacou isso. O que ele expõe, se é provocativo (o que admito), não deixa de ser curioso. Definitivamente, Cronópio, sua retórica é afiada, mas vê em preto e branco. Essa sua arrogância…

    Rodrigo Leme

    01 de novembro de 2011 às 12h41

    Gozado que as pessoas são tão indignadas com a truculência da PM nos morros e periferias, mas ai dela se relar nos filhinhos de papai da revolução socialista.

    Não quero atirar em ninguém não. O maior castigo é o cara viver pra chegar aos 40 e morar no CRUSP jubilado, gritando pelos corredores sobre as maravilhas do gramscismo. Essa derrota de vida nem a morte supera.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 12h57

    Pelo menos esse cara não vendeu a alma para o PIG.

    Prostituição não resolve nada…

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 13h02

    Sou professor na periferia e sofro violência policial como professor, você quer realmente começar uma discussão sobre a ação da polícia das favelas? Seu patrão não vai gostar…

    Rodrigo Leme

    01 de novembro de 2011 às 16h24

    Ô se quero falar, pq vc não é o único que conhece a periferia da cidade. Meu argumento é justamente esse: uma puta comoção por conta da PM tentar conter um grupo de pessoas que tentava impedir 3 indivíduos serem presos, sem um estudante sair machucado, e ninguém liga qdo a PM desce o cacete lá no morro.

    Se essa galera que é tão voluntariosa pra falar de Gramsci nos corredores da USP pra quem quer (e quem não quer) ouvir fosse praticar vida real protestando contra a violência policial onde ela REALMENTE existe, muita coisa já teria melhorado.

    Mas enquanto forem sustentado por papai e mamãe pra fazer masturbação ideológica na FFLCH, o melhor que vão conseguir é protestar pra liberar maconha.

    cronopio

    02 de novembro de 2011 às 19h10

    Você tem protestado muito contra a violência policial na favela? porque nunca vi você escrever uma linha aqui sobre isso.Você conhece a periferia? conta outra! Então conhece o trabalho social que o PSDB tem feito por lá, né? Desapropriação no Capão, favela pantanal inundada, Rota na rua matando inocente com tiro na nuca? Sabe o quanto o PSDB é amado nas periferias, né, Rodrigo? O que está acontecendo na USP não tem nada a ver com os três jovens, é um conflito entre PMs e Movimento Estudantil, só tu não percebeu. Prefiriria ser um quarentão gramisciano a vender a alma para o PIG.

    Rodrigo Leme

    03 de novembro de 2011 às 13h03

    Conheço mais do que você supõe. Aliás, você não sabe nada de mim, mas adora criar um personagem na sua cabeça de mim. Sei de tudo que você falou, até onde você mente, mas não é o caso de discutir quem sabe mais de periferia ou não.

    O conflito com movimento estudantil só aconteceu pq meia-dúzia resolveu ser tribunal e impedir a aplicação da lei. É a turma sustentada pelo papai que não vai na USP pra estudar e ainda depreda patrimônio pago por pessoas que -essas sim – estudam e trabalham.

    E como uma última nota: talvez até me conheça, mas é difícil saber, pq vc se esconde atrás de pseudônimo (como muitos dos valentes progressistas aqui). Prefiro ser qqer coisa, menos um covardão que dá opinião sobre os outros sem mostrar a cara. Você é perfeito pra andar encapuzado no seu moletom da GAP lá na FFLCH.

    cronopio

    04 de novembro de 2011 às 09h55

    Caro Rodrigo, continuo cobrando de você uma linha que seja sobre a violência policial na favela. Dou aulas no Capão Redondo e morei, durante 15 anos, no Parque Arariba onde vivi lado a lado com a atuação de justiceiros (na época, chamados "pés-de-pato", por causa daquele chaveirinho da hangloose de silicone), vi gente sendo morta a poucos metros de distância. A imprensa sensacionalista, que você tanto defende, nem aparecia lá. Durante horas, ficavam na calçada os cadáveres de adolescentes e crianças mortos por assaltar os pequenos comerciantes da região. a partir dos anos 90 a imprensa descobriu que violência dava ibope, e lá ia o Gil Gomes dizer boa noite em frente ao morro da lua, esperando o rabecão. Nada disso impediu que meu convívio com a FFLCH tenha sido a experiência mais enriquecedora da minha vida. Porque quando vivi periferia, lado a lado com o problema, faltavam-me recursos para compreender o significado de tudo aquilo. Eu tenho plena certeza não seria a mesma pessoa sem ter passado pela USP, eu seria, infelizmente, muito mais ignorante sem ter passado por lá. Porque, caso você não saiba, a FFLCH é a unidade da USP com maior concentração de pessoas de baixa renda. Não é supreendente que essa mesma FFLCH, antro de radicais que não querem estudar, tenha seis entre os nove cursos com melhor desempenho na USP? Sobre suas acusações 'ad hominem', não direi meu nome. É fácil ser valente quando não se sofre perseguição. Em todo caso, não será difícil descobrir, mas procure você mesmo, valentão. Sou professor do estado e aluno de pós-graduação da FFLCH (minha área de atuação é literatura francesa). Ontem participei de uma reunião com alunos da pós-graduação da FFLCH, sem falsa modéstia, um grupo com excelente desempenho acadêmico. Discutimos a situação com apuro e descobrimos que o convênio entro o reitor e a PM contém problemas graves, tanto no texto (incoerência nas datas) quanto no modo como foi aprovado (ou seja, sem passar pelo Conselho Universitário). Muitos alunos e professores têm medo de levar sua opinião a publico e de sofrer represálias. Essa é a democracia que você defende, não é, Rodrigo? Gostaria muito de que você mostrasse onde eu minto, pois essa é uma acusação grave, espero que não esteja sendo feita de forma leviana. A propósito, acho aquele moleton da GAP pra lá de brega, meu estilo é um pouco diferente, afinal, já tenho mais de trinta anos: paletó da TNG, sapato Timberland, sacou? Só mais uma anedota e te deixo em paz: ontem os ocupantes descobriram que o reitor Rodas adquiriu um tapete no valor de 32 mil reais para o seu escritório. Agora, utilizando uma demagogia que lhe é cara: quantos moletons da GAP a gente consegue comprar com 32 mil reais?Um abraço.

    cronopio

    04 de novembro de 2011 às 12h38

    Rodrigo Leme

    04 de novembro de 2011 às 13h05

    Então se eu nunca falei da violência na perfieria (largamente porque nunca me perguntaram sobre o assunto), eu não me qualifico para conhecer o assunto? Eu já fiz muito trabalho em vários bairros carentes da cidade por intermédio do centro espírita que ajudo, e trabalhos dos mais difícies, que envolviam ouvir as mesmas histórias que você já ouviu, por isso sei do que falo.

    Quanto à questão FFLCH, não duvido que tenha gente séria e estudiosa lá, mas a partir do momento que vejo o patrimônio da universidade sendo depredado em nome de uma pretensa "autonomia", como se a USP fosse uma unidade suprafederativa ou como se a FFLCH fosse a voz de toda a USP, eu não consigo respeitar.

    Ainda mais qdo se vê no meio dos envolvidos aquelas pessoas que deveriam ter concluido curso em 2003 e estão lá até hoje (vc sabe que elas existem, nem tente negar).

    Quanto a sofrer represálias, eu acho até engraçado. Na última invasão da reitoria, alunos que queriam estudar tiveram suas aulas interrompidas aos gritos e baderna por pessoas que queriam que elas aderissem na marra? Isso não é represália, intimidação? Não creio que você como professor dê apoio a isso. Você sabe como são tratadas as pessoas que discordam desse "núcleo duro" da FFLCH.

    E o tapete do Rodas é o último assunto que está sendo tratado aqui. Se você quiser protestar contra ele, tou do seu lado. O que se discute é uma porção de pessoas que discodou do cumprimento de leis pela PM, e pior: discordou quebrando mais leis. Isso nunca vou apoiar, seja de gente que veste GAP, seja de gente que veste TNG.

    Quanto ao lance da "mentira", foi uma expressão no calor do momento, e peço desculpas. Tenho divergências em alguns pontos da sua avaliação, acho que há exageros e um pouco de panfletagem, mas seria desviar demais o tópico.

    Raphael Tsavkko

    01 de novembro de 2011 às 17h43

    Exato, a PM não pode agir contra cidadãos desarmados, contra civis que exercem o livre direito à manifestação. MAs, mesmo assim, age. Com violência desmedida e ódio. são criminosos.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 07h22

    Caro Zé, acho que você está com uma perspectiva um pouco estreita da questão, se me permite antecipar minha avaliação. Em 2009 houve um pedido de reintegração de posse viabilizado por liminar expedida pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 3ª Vara de Execuções. Tem-se então o uso do chamado interdito proibitório, uma ação jurídica relacionada a situações nas quais o direito de posse ou de propriedade está sendo ameaçado, o que está previsto no artigo 1.210 do Código Civil.
    O que possibilitou a resolução foi uma uma resolução elaborada pela Comissão de Legislação e Recursos (CLR), cujo parecer foi proposto por João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direto da USP – e candidato a próximo Reitor -, que foi aprovada na 919º sessão do Conselho Universitário, dia 28/05/08.
    A resolução do parecer da CLR acabou sendo aprovada com 55 votos favoráveis, 21 contrários, na 919º sessão do Conselho Universitário, dia 28/05/08.duas abstenções e quatro votos anulados, em todos os seus itens, sendo: A) reiterar a solicitação de desobstrução forçada dos acessos, caso não haja liberação até a 0h do dia 29 de maio; B) interpor medidas judiciais cabíveis (inclusive reintegração de posse) com pedido de liminar, se a desobstrução, na forma acima, não se concretizar; C) retomar negociações com alunos e servidores, caso necessário, somente após a desobstrução dos acessos; D) identificar os envolvidos nos atos acima descritos, apurando-se, na forma da lei, as responsabilidades administrativas.
    Como foi possível aprovar uma coisa dessas? Simples, por meio de uma reunião secreta, é isso mesmo. Conforme consta na ata da sessão, vários membros disseram não ter sido convocados e, inclusive, só estavam naquela sessão por terem sido avisados de sua realização por terceiros.Só que, segundo a estudante de Geografia Nathalie Drumond, “Como Rd do Co eu também era membro da CLR, e não fui convocada para a reunião que debateu o parecer. Questionei isso publicamente na reunião do Conselho e o argumento dado foi que eles chamaram para a reunião quem foi possível”.Para o professor Pablo Ortellado, também membro do Co, a resolução serve para dar “aval político” e respaldo à reitora, caso ela pense ser necessário pedir a presença da polícia. “Há ainda uma questão que está sendo muito discutida entre estudiosos da área jurídica: nos acontecimentos recentes, a presença policial foi pedida para ‘reintegração de posse’. Só que a Reitoria não tinha sido invadida”.

    Zé Bolinha de Papel

    01 de novembro de 2011 às 11h03

    Compreendo que queira defender a todo custo alguns estudantes, é até nobre; mas saber medir uma situação é uma coisa que se aprende, e tem aluno que repete compulsivamente os mesmos erros. Nas ruas (não na USP), isto é "comprar BO de vacilão". Está admitindo a própria incompetência do ME em se organizar de maneira adequada. Se a turma de estudantes estava desarmada, por qual motivo provocou? Se tem cem pessoas vindo para cima e uma pessoa está armada, o seu raciocínio exclui a força física e leva em conta a arma que está nas mãos do fulano. No caso recente, um PM ficou para trás e foi apedrejado. Dependendo da situação, até uma caneta mata (não se trata de metáfora). Não defendo a PM ou suas ações; trata-se de olhar o que se está fazendo. Parece briga de moleque, que provoca, provoca e, depois que toma uma surra, fica chorando, buscando algum adulto que fale "grandão muito mau" para o agressor. Você não discute o fato de que era uma parte da tropa que estava separada. Polícia de choque é para "dispersão da turba"; é esse o treinamento – alguma novidade? Tem aquele pessoal que faz treinamento para ação pacífica, sentar no chão, fingir-se de morto e a polícia agride violentamente; que a PM é violenta é fato, mas o treinamento é completamente inútil. Está baseando o seu modo de pensar não a partir de como as coisas são, mas como as coisas deveriam ser. No caso recente, o cavalete voou na PM antes de "discutir a situação de conflito". Quanto à Reitoria, baseou-se na lei, manobrou e política é dedo no olho. Na famosa greve da FFLCH, um grupo manobrou o fim da greve e, mais tarde, levou o DCE. Além disso, esse papo de 68 não cola; depois, veio o De Gaulle e 68 só ficou para a História. Claro, exclui-se os movimentos estudantis italianos e alemães de 1969 por causa de uma memória completamente seletiva, em que gente completamente acima de qualquer suspeita, como Theodor Adorno (opa!!!) apontou para um "fascismo no movimento estudantil" que se considerava de esquerda. Em 1979, nem preciso lembrar do ABC da Greve, só tinha trabalhador. É ingenuidade sua ou hipocrisia? Escolha.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 13h32

    Caro Zé, desculpe se o ofendi com os termos "ingenuidade ou hipocrisia", não foi essa a intenção. Sobre o seu comentário, bem o que tentei demonstrar é que o movimento estudantil foi empurrado para esse tipo de atitude extrema, e julgo ter deixado bem claro como a reitoria minou o que restava de democrático na gestão da USP. Que eles foram oportunistas nunca neguei, mas acho que você precisa rever sua posição em relação às forças estudantis. Você age como se apenas os operários tivessem direito à manifestação. A posição de Adorno em relação ao movimento de 68 foi ambígua e é preciso separar sua atuação como membro da universidade de sua atuação como crítico. Quando lhe disseram que os alunos estavam ocupando estações de rádio, Adorno apoiou a iniciativa, o que ele considerava equivocado eram os piquetes que interrompiam as aulas e o uso de violência. De todo modo, Adorno nunca pregou uma acomodação cínica ao status quo (e não estou dizendo que você o esteja fazendo). Não acho que a política seja só "dedo no olho", como você diz, acho que a política existe também para revelar contradições, para produzir direitos, para produzir reflexão. Achar que tudo se resume a esperteza conduz a uma atitude cínica. Você não está nela, mas essa expressão tem sim algo de cínico (por favor, entenda, não estou dizendo que você é cínico, ok?). Bom, é isso. O mais importante é deixar claro que a presença da PM na USP tem um significado político e que não se trata de combate ao tráfico.
    Um abraço.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 15h50

    Quer dizer, a PM pode perder o controle e sair atirando em professor, mas os alunos não…

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 15h52

    Corrigindo: os alunos não podem se revoltar.rs! Aluno sair por aí atirando nos outros, por enquanto, só acontece no ensino médio…

    Zé Bolinha de Papel

    01 de novembro de 2011 às 19h47

    Não estou ofendido; não sei de onde tirou essa ideia.

    Incrível a sua capacidade de distorcer argumentos em proveito de sei lá o que. Você acha que a PM pode perder o controle, mas os alunos, não? Você acha que os alunos não podem se revoltar? Essa é a sua opinião? Ao menos, não é a minha.

    Mas os alunos já estão sem controle, claro, não é questão de pode ou não pode. Se querem dar um tiro no próprio pé, beleza. Cair no espontaneísmo, legal. Então, não me venha com esse papo de discussão democrática, pois, afinal, vai se falar com a "paixão" (ora, ora!), ou fazer um enorme baseado de papel, muito engraçado, mas que não tem lá nada de prático em termos políticos. Brincadeira de criança. E, na boa: não adianta encobrir a ação daquelas almas mortas por causa da PM: aqueles alunos que provocaram não estavam nem aí para os professores que apanharam, naquela greve que nem teve adesão massiva como a de 2009. Em vez de perguntar "por qual motivo a greve estava esvaziada", repete-se hipnoticamente " a polícia bateu, a Suely é uma ditadora (olá, movimento feminista, a Reitora não era sinal de "progresso"? poder é poder, não é?)". É sempre o outro, o outro, o outro.

    Por exemplo: qual a utilidade de provocar alunos da FEA (como o que aconteceu ontem, 31/10) e pichar a fachada do prédio? Ué, a luta não é de todo estudantado? Já ouvi de aluno da FEA que não vai apoiar nenhuma ação estudantil por causa do modo como ele é tratado. Claro, o cara estuda na FEA,, está tachado de alienado (ex.: fala de gente do DCE quando esteve ali: "A gente sabe que vocês não estão nem aí para nada, mas estamos aqui para…"). Já imagino a retórica: "Não, não é bem assim" ou "É você quem está dizendo". Ah, claro: estou dizendo a partir da provocação feita no dia de ontem, uma atitude totalmente contraproducente em termos práticos e políticos.

    É aí que a coisa pega: falta de apoio entre alunos de diversas unidades; diminuição na adesão de pautas importantes por causa da presença de algumas almas mortas que fazem o desserviço e dão tiro no pé; uso de meios legais, mas nem sempre democráticos, por parte da Reitoria; um ME minado pelas próprias deficiências. O cardápio é sinistro.

    Falando do quintal: e daí que a FFLCH, em grande parte, quer o fim da PM no Campus? A Poli (segunda maior Unidade da USP) aceita em peso a presença deles. Essa "estupidez de gente inteligente" (Adorno, o dialético e nada ambíguo, de novo) está acuando os alunos que defendem o fim da PM no Campus. Está na hora de rever as estratégias de ação. E a direita ganha força, e o Rodas ganha força. Na política dedo no olho, "rapá", quem acha que o oponente é menos inteligente do que realmente é, não sobrevive. Não tem esse papo de "acho que deveria ser assim ou assado".

    Como a realidade é mais contraditória do que se imagina, não dou, efetivamente, o meu apoio incondicional aos estudantes pois, do ponto de vista de classe (tão surrada e esquecida, em nome de uma perversa "diversidade") existem direitos e necessidades que NUNCA serão contemplados quando se atua em nome dessa "categoria". Tem mais coisas em jogo do que "apenas" a polícia no campus, a autonomia universitária, o seu jogo de interesses e as suas divisões internas. De maneira sutil, em texto do "Vi o Mundo", de origem na própria USP, os professores estão dando alguns "poréns" para a ação dos próprios alunos: a questão do narcotráfico, a "lógica do capital", ou ainda: "As reações de alunos, embora previsíveis, não teriam tido o desdobramento que tiveram caso houvesse prevalecido o bom entendimento entre as partes envolvidas, sem apelo à violência". Moral da história: os alunos não tem apoio incondicional nem mesmo da Congregação da aguerrida FFLCH.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 07h40

    PARTEII: Como você disse que eu agia com "deslavada má-fé"rs, precisei elaborar uma pequena defesa do meu argumento. Agora, se a PM, munida de metralhadoras, gás lacrimogênio, bombas de efeito moral, espingardas calibre 12, balas de borracha e também de chumbo, deixou-se acuar por um grupo de estudantes enfurecidos e passou a agir como uma matilha (segundo você mesmo disse) isso só mostra que a PM não é uma força competente para agir dentro da universidade. Agir "como um cão acuado" não é exatamente a conduta que se espera de um grupo preparado para lidar com situações de conflito. Sobre a molecada, bom, é claro que eles são partes desse imbróglio, só acho insólito (para não dizer "uma deslavada mã-fé", rs) que a culpa recaia sobre eles, quando eles são justamente a parte mais fraca da peleja. Eles aceitaram a provocação, sim, aceitaram, mas como convencê-los a agir de forma democrática quando a reitoria realiza reuniões secretas, aprova contratos sem licitação, ergue monumentos à "revolução de 64" e principalmente, falta a quatro reuniões seguidas, fechando intencionalmente o canal democrático de comunicação institucional? Acho, por outro lado, que a PM também não é a grande culpada, os policiais seguem as orientações desse convênio escuso que a reitoria assinou com a PM sem consultar qualquer outra instância interna, nem mesmo a do corpo docente. Tampouco acho que formar as elites pensantes do país seja excludente com um modelo democrático de gestão. Em 68, na França, os estudantes também eram chamados de baderneiros, de radicais, etc. O próprio ex-presidente Lula também foi preso na década de 80 por "incitação à violência". Naquela época, aliás, o FHC estava dando seu pulinhos no ABC, junto com grupos de operários e de estudantes. O que eu quero deizer é que um pouco de utopia não faria mal a uma juventude marcada pelo pragmatismo e pelo tecnicismo oportunista, mas isso é pano pra muita manga. Um abraço!

    Raphael Tsavkko

    01 de novembro de 2011 às 03h56

    Concordo plenamente contigo, e ótima explicação! Depois de publciar o texto, várias pessoas vieram comentar comigo sobre o modo como age a PM. Por isso que, no texto que linkei, coloco que a atitude de prender os que fumavam maconha, em si, estava correta, mas nada do que ocorreu antes ou depois pode ser justificado e, claro, a própria presença da PM no campus é uma provocação.

    Carla

    01 de novembro de 2011 às 20h57

    Concordo com a mateia que fala que o poder domina através do medo, é o que sutil..ou claramente estão fazendo. A materia do seguinte blog fala a respeito http://www.anvip2011.blogspot.com/

Jairo_Beraldo

31 de outubro de 2011 às 18h26

Mas que coisa, ninguém gosta destes veste-fardas….mas também, estes inúteis juram contra a própria mãe, quem confiaria nestes vermes? E parece que o socialista Eduardo Campos (PE) tucanou hoje… ele mandou seus anacéfalos soltar a borracha em manifestantes hoje no Recife. É…. a turma da Dilma está mostrando a verdadeira face……

Responder

    Julio_De_Bem

    04 de novembro de 2011 às 18h36

    Sinto mais orgulho de um brasileiro fardado, que serve a pátria com amor (pq o salário é um lixo), dedicação e justiça à algum babaca de terno metido a empresário que pra ganhar dinheiro faz qualquer coisa.

EUNAOSABIA

31 de outubro de 2011 às 18h21

Ainda existe gente que pensa isso mesmo?

Assustador.

Responder

    cronopio

    31 de outubro de 2011 às 19h39

    Sim, é aquela meia dúzia que votou no Lula, um bando de lunáticos, mas são minoria, não se preocupe! rs

    EUNAOSABIA

    31 de outubro de 2011 às 20h24

    Quem votou no Lula foi a peble ignara´de bolsistas e adeístas (este não ignaros, claro) quem não conhece nem o furúnculo que Marx tinha no traseiro.

    Deixa de sandices rapaz.

    Vocês não enganam ninguém.

    cronopio

    31 de outubro de 2011 às 22h23

    O Lula é o calcanhar de Aquiles dele! Ele vira uma fera! rs

    ZePovinho

    31 de outubro de 2011 às 23h26

    Digite o texto aqui![youtube 7cwgVgSnwOk http://www.youtube.com/watch?v=7cwgVgSnwOk youtube]

    ZePovinho

    31 de outubro de 2011 às 23h28

    Marx tinha um furúnculo no saco escrotal,aquele igual ao de FHC que você gosta tanto de lamber seu imbecil!!!

    dukrai

    01 de novembro de 2011 às 11h28

    véi, e eu que achava que vc tinha superado esta síndrome reaço-masóca-evangélica kkkkkkkkkk

Paulo Tavares

31 de outubro de 2011 às 18h09

Absurdo, nossa esquerda exigir a ausência da polícia no Campus.
A polícia não presta porque a sociedade (controlada pelas elites) não presta.
Outra coisa, a classe média universitária, se fizesse um plebiscito, pediria com mais de 80%, a presença da polícia.

Responder

    Mariano

    31 de outubro de 2011 às 23h59

    Nossa esquerda? Nos quem, cara palida? Esse bando pode ate ser teu, meu nao e.

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 07h43

    Você poderia fornecer a fonte desses números? Grato.


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