VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Leonardo Boff: Justiça ou preconceito jurídico?


04/10/2012 - 21h22

A espetacularização e a ideologização do Judiciário

Para não me aborrecer com e-mails rancorosos vou logo dizendo que não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada, objeto da Ação Penal 470 sob julgamento no STF

04/10/2012

Leonardo Boff, no Brasil de Fato

Para não me aborrecer com e-mails rancorosos vou logo dizendo que não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada, objeto da Ação Penal 470 sob julgamento no STF. Se malfeitos forem comprovados, eles merecem as penas cominadas pelo Código Penal. O rigor da lei se aplica a todos.

Outra coisa, entretanto, é a espetacularização do julgamento transmitido pela TV. Aí é ineludível a feira das vaidades, o vezo ideológico que perpassa sobre a maioria dos discursos.

Desde A Ideologia Alemã de Marx/Engels (1846) até Conhecimento e Interesse de J. Habermas (1968 e 1973) sabemos que por detrás de todo conhecimento e de toda prática humana age uma ideologia latente. Resumidamente podemos dizer que aideologia é o discurso do interesse. E todo conhecimento, mesmo o pretende ser o mais objetivo possível, vem impregnado de interesses. Pois assim é a condição humana. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. E todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Isso é inescapável. Cabe analisar politica e eticamente o tipo de interesse, a quem beneficia e a que grupos serve e que projeto de Brasil tem em mente. Como entra o povo nisso tudo? Ele continua invisível e até desprezível?

A ideologia pertence ao mundo do escondido e do implícito. Mas há vários métodos que foram desenvolvidos, coisa que exercitei anos a fio com meus alunos de epistemologia em Petrópolis, para desmascarar a ideologia. O mais simples e direto é observar a adjetivação ou a qualificação que se aplica aos conceitos básicos do discurso, especialmente, das condenações.

Em alguns discursos como os do Ministro Celso de Mello o ideológico é gritante, até no tom da voz utilizada. Cito apenas algumas qualificações ouvidas no plenário: o “mensalão” seria “um projeto ideológico-partidário de inspiração patrimonialista”, um “assalto criminoso à administração pública”, “uma quadrilha de ladrões de beira de estrada” e um “bando criminoso”. Tem-se a impressão que as lideranças do PT e até Ministros não faziam outra coisa que arquitetar roubos e aliciamento de deputados, em vez de se ocupar com os problemas de um país tão complexo como o Brasil.

Qual o interesse, escondido por detrás de doutas argumentações jurídicas? Como já foi apontado por analistas renomados do calibre de Wanderley Guilherme dos Santos, revela-se aí certo preconceito contra políticos vindos do campo popular. Mais ainda: visa-se aniquilar toda a possível credibilidade do PT, como partido que vem de fora da tradição elitista de nossa política; procura-se indiretamente atingir seu líder carismático maior, Lula, sobrevivente da grande tribulação do povo brasileiro e o primeiro presidente operário, com uma inteligência assombrosa e habilidade política inegável.

A ideologia que perpassa os principais pronunciamentos dos ministros do STF parece eco da voz dos outros, da grande imprensa empresarial que nunca aceitou que Lula chegasse ao Planalto. Seu destino e condenação é a Planície. No Planalto poderia penetrar como  faxineiro e limpador dos banheiros, como aliás parece ter sido o primeiro trabalho do Ministro Joaquim Barbosa no STE.  Mas nunca como Presidente.

Ouve-se no plenário ecos vindos da Casa Grande que gostaria de manter a Senzala sempre  submissa e silenciosa. Dificilmente se tolera que através do PT os lascados e invisíveis começaram a discutir política e sonhar com  a reinvenção de um Brasil diferente. Tolera-se um pobre ignorante e mantido politicamente na ignorância. Tem-se verdadeiro pavor de um pobre que pensa e que fala. Pois Lula e outros líderes populares  ou convertidos à causa popular como João Pedro Stedile, começaram a falar e a implementar políticas sociais que permitiram uma Argentina inteira ser inserida na sociedade dos cidadãos.

Essa causa não pode estar sob juízo. Ela representa o sonho maior dos que foram sempre destituídos. A Justiça precisa tomar a sério esse anseio a preço de se desmoralizar, consagrando um status quo que nos faz passar internacionalmente vergonha. Justiça é sempre a justa medida, o equilíbrio entre o mais e o menos, a virtude que perpassa todas as virtudes (“a luminossísima estrela matutina” de Aristóteles). Estimo que o STF não conseguiu manter a justa medida. Ele deve honrar essa justiça-mor que encerra todas as virtudes da polis, da sociedade organizada. Então sim se fará justiça nesta país.

Leonardo Boff é professor aposentado de Ética da UERJ

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



52 comentários

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Lewandowski: Genoino será condenado apenas por ter sido presidente do PT « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de outubro de 2012 às 17h25

[…] Leonardo Boff: Justiça ou preconceito jurídico? […]

Responder

nina rita de cássia

08 de outubro de 2012 às 23h00

Mais uma vez, obrigada querido Leonardo Boff, suas observações são sempre bem informadas e sábias. O senhor é uma das maiores reservas morais deste país. Quanto ao dito “mensalão”, a maior verdade que ronda as sessões do STF foi enunciada pelo ministro Lewandowsky: não há provas de _ compra de votos. Que verdade incomoda para os outros ministros ! Como teria o relator se atrevido a enunciar isso ? E todas as robustas provas ? Pensaram eles, perplexos, ante o indesejável fato. Uma criança disse ” O rei está nú ! ” e explicou, a única manifestação sobre a ocorrência do pseudo fato é o depoimento de Roberto Jefferson, contrariado por todos os outros, com os quais não foi sequer acareado. Parabéns a dona Marisa Lula, melhor indicadora de ministros que há.

Responder

Roberto

06 de outubro de 2012 às 23h03

Com a lei da ficha limpa o voto e as escolhas do povo não valem nada.
Quem manda agora é o STF e a mídia golpista para transformar em inelegível quem eles quiserem. Essa é nova modalidade de golpe de estado , é o golpe preventivo e antecipado.
Lei da ficha limpa ? Fomos enganados !!!
O poder de escolha do povo através do voto , não vale mais nada com essa lei .
Lei da ficha limpa + mídia golpista + STF E MPF, e essa nova jurisprudência do STF de condenar sem provas, sem ato de ofício , bastando ter só o tal ” dominio de fato ” é a nova modalidade de golpe Paraguaio aqui no Brasil!
E tenho dito !

Responder

Regina Braga

06 de outubro de 2012 às 21h42

Nem justiça e nem preconceito jurídico…O julgamento é apenas político!Aos amigos tudo…aos inimigos a lei,até com ajustes necessários.

Responder

anac

06 de outubro de 2012 às 20h42

Golpe da Casa Grande e de seus tentáculos midiatico, juridicos etc.
Getulio foi golpeado quando pensou o Brasil desenvolvido: Petrobras, leis trabalhistas e Siderurgicas.
Juscelino atacado pela direita por ter desenvovido a industria e construido Brasilia: 50 anos em 5 anos.
Jango pela tentativa de reforma agraria e ideais socialistas.
Lula por retirar mais de 20 milhões de brasileiros da miseria extrema com seu bolsa familia que eles apropriadamente chamavam miseria. A direita brasileira se insurgiu contra miseravel quantia tirada do orçamento para não deixar que miseraveis morressem de fome. É ou não perversão?
Dilma seá atacada até 014 porque enfrentou os Bancos reduzindo juros e e prometeru etinquir a miseria. e rentistas
A elite tem um unico lema: Se há Brasil ela é contra.

Responder

anac

06 de outubro de 2012 às 20h29

Golpe!!!

Responder

José Carlos Araújo

06 de outubro de 2012 às 19h30

Está chegando a Hora!…
Vamos dar uma resposta a essa Mídia Golpista. aos Ministros do STF, ao MPF e a esses Partidos da Direita reacionária…
Vamos Votar nos candidatos do PT e nos candidatos de esquerda…
Vamos derrotar mais uma vez esses traidores do povo Brasileiro.

É Lulala, É Dilma.

Responder

Otto

06 de outubro de 2012 às 18h55

Que coisa feia seu Boff! Justificando o injustificável, apoiando os mensaleiros. Será que vossa senhoria vai ganhar uma graninha por desempenhar este papelão?

Responder

Sergio

06 de outubro de 2012 às 17h22

É seu Boff, usando suas próprias palavras o seu artigo é uma visão de galinha!
A águia lá de cima observa o pt manipulando o povo e roubando o nosso dinheiro para se perpetuar no poder.
Aqueles que estão gritando contra a teoria do domínio do fato são os mesmos que acham que prova contra corrupto deve ser um recibo com firma reconhecida da trambicagem feita.
É patético!

Responder

    Sérgio

    06 de outubro de 2012 às 21h15

    Caro Homônimo.
    Leve seus comentários para os sites de direita (Folha, Estadão) Lá, sim, é lugar de otários como vc.

    Molina

    07 de outubro de 2012 às 09h24

    Otário é o senhor, que acredita que em política vale tudo e a ética é artigo de perfumaria. Depois reclama sobre a situação do país. Também pudera, com essa mentalidade de analfabeto político

Mário SF Alves

06 de outubro de 2012 às 15h10

Só quero saber quando é que o Ministério do Meio Ambiente vai tomar providências e incumbir o IBAMA de responsabilizar o PiG por causar tanta poluição mental; a maior e mais grave das poluições, traduzida por centenas de megabytes de lixo tóxico diuturnamente despejado na cabeça do povo. Além do que, como é sabido, além de diretamente proporcional a ela, poluição ambiental é fichinha quando comparada àquela.

Responder

Julio Silveira

06 de outubro de 2012 às 14h04

Gostaria de saber, se os Ministros do Supremo estivessem inocentando esses réus estariam sendo considerados o supra suma da jurisprudencia? Sobre o Barbosa, e seu papel, acho engraçado a ira dos cumplices, invertem a moral, atribuindo aos juizes a culpa pela punição aos delituosos. Só posso crer fruto da lavagem cerebral interna que costuma acometer miitantes instrumento. Devem ter mergulhado de cabeça na historia da inocencia do réus as taís convicções ideologicas implantadas irreais de que o mundo melhor passa pelo que eles querem que seja. O mundo tem provado que não funciona assim. Quanto mais cedo assimilarem a realidade mais rapido se recomporão. Alias devem se acautelar, nem todos são se propoem a serem soldados de cabeça de papel e marcharem para sacrificios por generais que tem cabeças de fosforos.

Responder

J Souza

06 de outubro de 2012 às 12h54

As bilionárias familias Marinho-Globo-12,8 bilhões e Civita-Veja-5,4 bilhões encontraram o caminho do elitista sistema judiciário brasileiro para vencer o PT.
E como Lula e Dilma escolheram ministros fracos, sem personalidade para o STF, a justiça brasileira virou pó!

Responder

    pperez

    06 de outubro de 2012 às 18h03

    Alem disso, Dilma não mexeu um palito para que a conta corrente do PIG tivesse qualquer abalo.
    O governo trata o PIG como uma amante adorada.
    Gosta de apanhar dela e ainda fica bravo com quem critica. Pode?

E. S. Fernandes

06 de outubro de 2012 às 12h15

O Pt sofre.
Foi e é alvejado diariamente.
Sangra. Suas víceras estão a mostra.
Contudo, é corresponsável por tudo isso.
Não fez o necessário trabalho de por fim ao monopólio midiático.
Não parou de finaciá-lo com o nosso imposto.
Não criou uma Tv pública.
Está tudo parado.
O espaço eletromagnético é propriedade privada, no Brasil.
Mas nem tudo está perdido.
Ainda há tempo.
Basta coragem.
Aquela mesma usada contra os banqueiros.

Responder

    Carlos Cruz

    06 de outubro de 2012 às 13h57

    Vc tocou nocentro da questão: coragem! Coragem que não falta na Argentina. Na Bolívia. Na Venezuela Chaves fechou a Tv que representava os interesses da destruição, da submissão. Aqui nada é feito e o Estado financia na mídia do ódio com dinheiro público. O PT passa o que construiu. Não precisava de caixa 2, e imitou o PSDB mineiro. Esqueceu que para a grande mídia ele veio da cozinha e nunca deveria ter saído de lá. “Fede” a povo, não é massa cheirosa. Em 2012 o governo provocou a maior greve pública desde a tal “democratização(?)”, destruindo apoio gratuito e verdadeiro. Agora aguente o tranco. Ainda há tempo de mudar para 2014. Mas o PT terá que se reinventar, reconquistar seus aliados que nele já não acreditam. Haverá competencia para tanto?

    Noé

    06 de outubro de 2012 às 21h01

    É por essas razões que vc citou, Fernandes, que também me desiludi com o PT. A direita agora vive zoando com a esquerda por conta das trapalhadas e omissões do governo Lula. Querendo ser bonzinho o PT levou o inimigo pra dormir em casa. Acho que está sim tudo perdido. Uma outra chance como essa que teve o povo de resgatar o poder não acontecerá tão cedo. Lamentável.

Marcelo de Matos

06 de outubro de 2012 às 12h15

No Brasil o Judiciário é lento, salvo para julgar processos de mensalão. A produção de leis, também, é muito vagarosa. Mais vagarosa que o Judiciário e o Legislativo, porém, é a evolução histórico-social. Comparando a velha e a nova república não conseguimos detectar uma ruptura, ou sinais de evolução. Nos tempos da ditadura ouvimos Lacerda e outros líderes repetirem a frase – O preço da liberdade é a eterna vigilância. Esse lema encaixava-se perfeitamente ao ideário de então, mas, não soaria estranho hoje diante do que vemos no Judiciário. O espírito de 1964 continua vivo e atuante, máxime na nossa suprema corte. Qualquer partido pode movimentar caixa dois eleitoral e sua origem não é investigada, salvo se esse partido não seguir a doutrina da classe hegemônica. O UOL anuncia hoje que teremos o Mensalão 2. Quando? Tudo indica que às vésperas da eleição presidencial de 2014. Será uma investigação sobre as relações de Daniel Dantas, Marcos Valério e o PT. Daniel Dantas não é aquele lobista que nadava de costas nos grandes negócios financeiros da era FHC?

Responder

Teodoro G. Silva

06 de outubro de 2012 às 11h51

Nos meios acadêmicos, existe uma afirmativa, de que a ê. é neutra, qdo. na verdade sabe-se que não é assim. O êtista., como todo ser humana, não consegue se colocar tatalmente distante de suas convicções e ideologia. A justiça então, essa se enrola toda nos seus julgtos. Está se presenciando isso, no julgato. do “mensalão”. Cada juiz, condenando e “absolvendo” os réus de acordo com sua postura ideológica.

Responder

lulipe

05 de outubro de 2012 às 18h27

“Para não me aborrecer com e-mails rancorosos vou logo dizendo que não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada, objeto da Ação Penal 470 sob julgamento no STF. Se malfeitos forem comprovados, eles merecem as penas cominadas pelo Código Penal. O rigor da lei se aplica a todos(…)”

Sei….

Responder

    Julio Silveira

    06 de outubro de 2012 às 13h47

    O que voce sabe?

Hélio Pereira

05 de outubro de 2012 às 14h53

Eu como todos os cidadãos do Brasil,gostaria que este mesmo “RIGOR” fosse aplicado a casos semelhantes,que envolvem Politicos da oposição.
Infelizmente este é um Juri de exceção,que tem como único objetivo atingir José dirceu e por tabela o ex Presidente lula que o colocou de chefe da Casa Civil.
Não importa se as Provas não existem,basta que o ministro Relator diga que acha isto ou aquilo e pronto,Dirceu é condenado as vésperas de uma eleição e nossa “imprensa isenta” transforma Joaquim Barbosa em “héroi”.
Processos semelhantes a esta “Ação 470” jamais voltarão a ocorrer,com certesa os “Mensaleiros de MG” comandados por Aécio Neves,Eduardo Azeredo e Marcos Valério podem ficar tranquilos,pois após a condenação de José Dirceu os Juizes do Supremo voltarão a condenar apenas baseado em Provas e estas com certesa nunca serão consideradas como válidas se no Banco dos Réus estiver alguém de Bico Comprido e Língua grande!
Carlinhos Cachoeira não precisa ficar preocupado,afinal agiu em conjunto com a Revista Veja mais o Governador Marconi Perillo e o Dep Federal Carlos Alberto Léreia do PSDB.
O caso Alsthom jamais chegara ao Supremo,pois tem entre os envolvidos a cupula do PSDB de SP e casos como Superfaturamento do RODOANEL,Pinheirinho,Operação Castelinho,etc também não devem causar preocupação a nossa ética oposição.
FHC com suas Privatizações seu entreguismo e sua compra de Votos pra emenda da reeleição também jamais sera incomodado!
“Parabéns” ao STF por seu “Rigor” e neutralidade,por este Julgamento isento de preconceito,afinal onde já se viu quem veio da senzala por os pés na Casa grande?

Responder

    Hélio Pereira

    05 de outubro de 2012 às 14h57

    Eu queria acreditar na “Justiça” de nossa “Justiça”,mas isto é impossivel!

Romanelli

05 de outubro de 2012 às 08h44

desculpe ..hoje só esta valendo comentário PRÓ ?

Responder

    Romanelli

    05 de outubro de 2012 às 08h55

    então tentarei novamente ..perceba que nos escritos abaixo eu NÃO ofendi ninguém, apenas expressei o que penso e vejo ..agradeceria, caso seja o caso de meus comentários merecerem nova “censura”, que ao menos me deixassem claro do pq da tesoura ?

    e eu dizia:

    “..é com imensa dor no coração que condeno José Dirceu..” (ministra Rosa Weber)

    pois é ..e é aqui que pega ministra, não é no direito não.

    Pega na dor que DILACERA nossos corações ..dor pelos sonhos desfeitos, pela descrença que brota, pela certeza da traição dum amigo ..a dor por termos que condenar o ERRO dum irmão, ou o de um de nossos filhos ..a dor de reconhecer que a estrada estreita em fim próximo, e que a chama da esperança um dia por nós festejada, hoje já não conta mais com tanto brilho.

    Com tanto direito, regras e benefícios especiais, com tantos FOROS protelatórios e filigranas que condensam um universo de chicanas jurídicas que insistem em nos tomar por NÉSCIOS, convenhamos, desde quando podemos dizer que o “nosso” direito um dia foi digno ?

    Verdade, reconheço, eu me apoio faz tempo em “outras vertentes do Direito Internacional” ou, no popular, em outros valores morais.

    Já não era sem tempo, HÁ que endurecermos, porém sem perder a ternura ou nos tornarmos cruéis com os que caíram em tentação.

    ..aqui REITERO o que sempre digo, nosso maior problema é de ordem MORAL, estamos doentes

    ..TEMOS SIM QUE endurecer, mas COM TODOS srs ministros supremos, COM TODOS !!! ..caso contrário, aquilo que hoje é exaltado como JUSTIÇA, se não levado a cabo isonômico, talvez contra vocês poderá se voltar em FÚRIA.

    ..que a JUSTIÇA se faça para com todos os nossos homens públicos recheados de interesses privados ..com todos que em nome de seus interesses mesquinhos insistem em fazer na vida pública o que sempre fazem em suas privadas

    Romanelli

    05 de outubro de 2012 às 08h57

    e no meu comentário acima eu findava com a recomendação por um vídeo espírita que nos remete a reflexões sobre “a TRAIÇÃO”

    http://www.youtube.com/watch?v=rTH7wenKS2s

    senhor senhor pequei, de acordo com o AZENHA, só não sei aonde, pq ou por quem ?!

    Julio Silveira

    06 de outubro de 2012 às 17h25

    Concordo com essas tuas palavras.

    Ze Duarte

    05 de outubro de 2012 às 09h17

    Neste site só existem comentários pro, você já devia saber disto

    Julio Silveira

    06 de outubro de 2012 às 17h23

    Você é injusto, ou então visita pouco este Blog.
    Este é um dos poucos blogs, esquerda, direita ou centro, que como uma rua não tem contramão.

    Julio Silveira

    06 de outubro de 2012 às 17h28

    complementando: uma rua de mão dupla.

    Rodrigo Leme

    05 de outubro de 2012 às 10h28

    Pelo jeito só está valendo mesmo. Tentei duas vezes denunciar atos racistas de petistas (alguns até comentaristas daqui) contra Joaquim Barbosa e fui vetado.

    Tem toda cara de atitude da Conceição, que só não tolera censura contra ela.

    Hélio Pereira

    05 de outubro de 2012 às 18h46

    Pois é Rodrigo.
    Eu não vi nenhum comentário RACISTA contra Joaquim Barbosa.
    O fato dele ser Negro não o isenta de erros e o fato de seus erros serem apontados não significa que isto seja RACISMO!
    Joaquim Barbosa errou,mudou o entendimento que sempre prevaleceu no Supremo e mais ele tinha em sua Gaveta este “Mensalão do PT”,mas tinha também guardado o “Mensalão de MG”.
    Rodrigo se o de MG foi anterior a este,porque ele resolveu julgar em Primeiro Lugar o mais recente,seria para proteger seus conterrâneos Aécio Neves,Eduardo Azeredo e Marcos Valério(?),ou seria para dar tempo de prescrever o “Mensalão mineiro”?
    Porque Joaquim Barbosa “Fatiou” este Julgamento,porque pulou certas partes e porque fêz coincidir o “Julgamento” de José Dirceu com a véspera da eleição de 2012?
    Rodrigo o Ministro relator Joaquim Barbosa não esta sendo criticado pela sua cor,mas sim pelos seus erros!

    Mário SF Alves

    06 de outubro de 2012 às 15h33

    O guarda-chuva aqui de casa de agora em diante vai se chamar JB. Assim, e tendo em vista sua preocupação, pergunto: o que pode haver de racismo nisso se é mera alusão à proteção ilegal e/ou convenientemente dispensada por ele visando favorever aos eternos inimigos do povo e, por extensão, do PT?

    Sergio

    08 de outubro de 2012 às 17h22

    Não adianta tentar explicar para um esquerdista que o mensalão mineiro (que deve ser investigado e punido se tiver havido crime) foi uma coisa circunscrita a um Estado; o mensalão petista foi muito maior e visava desviar dinheiro público e privado para um projeto de perpetuação no poder, em suma, transformar o Brasil numa Venezuela.
    Como eles só sabem gritar palavras de ordem, nunca vão entender!

    Marcelo de Matos

    06 de outubro de 2012 às 12h28

    Concordo que você está sendo injustiçado aqui e no blog Cidadania. As pessoas devem ter dificuldade de entender suas análises, bem como as do Rodrigo Leme. Vocês dois, porém, seriam recebidos de braços abertos pelos mediadores do blog do Noblat, ou do Josias de Souza. Eu fazia comentários nesses blogs e sempre era barrado. Certa vez o fui, também, no blog do Nassif, que deixei de frequentar. Tudo é uma questão de adaptação. A gente escolhe o blog que aceita melhor nossas opiniões, porque não existe blog sem dono. A menos que queiramos ficar dando murro em ponta de faca.

    Marcelo de Matos

    06 de outubro de 2012 às 12h30

    Ops. Essa resposta era para o Romanelli, mas, tudo bem.

Mailson

05 de outubro de 2012 às 08h39

AINDA DE RESSACA, DEPOIS DO JULGAMENTO

A maioria das comentaristas de vários blogs que defendem a condenação do Dirceu, usam os mesmos argumentos do Roberto Jefferson: “eu não tenho como provar, mas que Dirceu fez, ah, isso ele fez”. E o que Dirceu teria feito fica no campo das especulações individuais.

Esses comentaristas também não discutem sobre a “mera coincidência” da primeira fase do julgamento ter terminado ontem, véspera de uma eleição.

Com certeza essas pessoas (os comentaristas) ficariam muito satisfeitas se vivessem na Alemanha nazista no começo dos anos 30 e condenariam, sem titubiar, o comunista doidinho que teria ateado fogo ao Richstag (o doidinho foi condenado à forca). E muitos dessas pessoas seriam empregadas como guardas de segurança nos campos de concentração que começavam a aparecer. E desempenhariam suas funções com muito prazer e alegria pois Hitler havia dito que os Judeus constituiam uma raça inferior e eram os reponsáveis por todas as desgraças do mundo e pelo que estava acontecendo naquele momento na Alemanha.

Mas como uma raça inferior poderia ter praticado tantas desgraças? Ah, às favas com às contradições de uma liderança “inconteste”. O supremo líder (no nosso caso o PIG) já havia escrito, em Mein Kampf, quem deveria ser perseguido. Mas os nazista precisavam de unanimidade para cometer suas atrocidades ou pelo menos desinformar a nação alemã com relação ao que estava acontecendo. E azeitaram uma máquina de comunicação (na realidade uma máquina de desinformação) sob o comando da rede Goebbels pra mortal nenhum botar defeito. E o resultado do que aconteceu na Alemanha todos nós já sabemos. E o que vem acontecendo nas duas primeiras décadas do século XXI aqui no Brasil, também.

Se tivessem vivido durante a inquisição, essas pessoas seriam beneficiadas com as propriedades das bruxas que fossem delatadas (de delação) por elas e queimadas na fogueira.

Seguindo a mesma linha de raciocínio desse povo (que defende condenções sem provas materias), eu poderia dizer que Roberto Jefferson, o delator, está com câncer porque está sendo punido por Deus. Por que não seguir esta linha de “raciocínio”? Afinal, este é o raciocínio dos evangélicos entorpecidos por mensagens vindas do além, não é verdade?

Mas o pior problema desse julgamento é o legado de insegurança jurídica que vai se estabelecer sobre a nação como um todo. Depois de tantos casuísmos, como eu deverei me comportar na qualidade de um simples cidadão dessa república, mas com pretenção de trilhar pelos caminhos da política? E se eu não rezar pela cartilha da revista Veja, em que inferno a minha vida poderá se trasformar?

Tenho um amigo que diz que o mundo é habitado predominantemente por quatro tipos de pessoas: por imbecis, por profetas, por pessoas de ma fé e por imbecis que de ma fé tentam nos convencer de suas sandices. Dentre os comentaristas de todos os blogs eu tenho reconhecido alguns desse último grupo.

Para teminar, eu gostaria de citar uma frase de um internauta que infelizmente eu não me lembro do nome. Ele dizia: “no Brasil, certo é aquilo que dá certo, errado é aquilo que dá errado”. Pois essa será a orientação jurídica a ser trilhada por mim depois do julgamento político do “mensalão”. E o corolário desta orientação é ” no Brasil, nunca peite as elites representadas pelos donos dos meios de comunicação”. Isso é coisa para blogueiro sujo, ouviu Azenha?

Responder

SOL(RIO DE JANEIRO

05 de outubro de 2012 às 08h05

VERGONHA,VERGONHA,VERGONHA BRASILLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

    lulipe

    05 de outubro de 2012 às 18h29

    Também acho, Sol, esses petistas passaram dos limites na ânsia pelo poder!!!!

Antonio Marcos

05 de outubro de 2012 às 03h09

Sou contra a corrupção, porém, este julgamento que estão fazendo em véspera de eleição, tá na cara q é um julgamento político articulado contra o governo PTista…
Lamento muitíssimo que o ministro JB, primeiro negro na história desse país a chegar ao STF( indicado pelo Lula-q deve ter se arrependido) cumpra a agenda da elite que sempre fez de tudo para que pessoas como ele não saíssem da cozinha.. é uma pena, uma lástima.. e ainda se mostre uma pessoa desequilibrada..

Responder

Fabio SP

05 de outubro de 2012 às 00h19

“…procura-se indiretamente atingir seu líder carismático maior, Lula, sobrevivente da grande tribulação do povo brasileiro e o primeiro presidente operário, com uma inteligência assombrosa e habilidade política inegável.”
Operário sou eu que trabalho há 43 anos… O Lula trabalhou mesmo quanto? Uns 10? E já está aposentado… Eu continuo porque com a merreca que ganho de aposentadoria estaria morto…

Responder

Gerson Carneiro

04 de outubro de 2012 às 23h14

A venda nos olhos da Justiça só se justifica pela vergonha dos atos praticados pelos seus operadores (em especial do STF).

Responder

    José Roberto

    06 de outubro de 2012 às 20h10

    “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo;
    algumas por algum tempo;
    mas não consegue enganar a todas por todo o tempo;” Abraham Lincoln

    Traduzindo, meu caros, a casa finalmente caiu para os mensaleiros.
    O resto é blá, blá, blá.

    Sds,

Marcelo de Matos

04 de outubro de 2012 às 22h29

Brilhante, como sói acontecer, o texto de Leonardo Boff: “Aí é ineludível a feira das vaidades, o vezo ideológico que perpassa sobre a maioria dos discursos”. Esperem lá: por enquanto relator e revisor têm aparecido mais. Fux e Marco Aurélio não vão deixar barato: exibirão aos holofotes suas costumeiras performances.

Responder

Eneas

04 de outubro de 2012 às 22h21

Compartilho esta vergonha.

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Fábio

04 de outubro de 2012 às 22h16

Brilhante texto. Agora eu pergunto, estamos nós ( a população ) de mãos atadas diante de tamanha injustiça? O STF é realmente quem decide o destino da nação de acordo com seus interesses (nem sempre salutares)e nada podemos fazer? É justo condenar sem provas? Ou vamos ter que esperar a renovação do STF para poder voltar a acreditar na justiça? Epero que Dilma não cometa o erro de colocar no STF nenhum bandido de toga.

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Fabio Passos

04 de outubro de 2012 às 21h59

“Ouve-se no plenário ecos vindos da Casa Grande que gostaria de manter a Senzala sempre submissa e silenciosa.”

E quem reproduziu as mentiras dos racistas da veja e da globo foi joaquim barbosa… que assumiu com orgulho o papel(ão) de preto de alma branca.

lamentável.
fantoches do PiG!

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Francisco

04 de outubro de 2012 às 21h49

Excesso de cristo e falta de Maquiavel. O problema foi essa compulssão por ser pregado na cruz… Agora toma.

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    Bonifa

    06 de outubro de 2012 às 17h10

    Isto é complicado. A Compaixão, banida do Nazismo e de seu irmão gêmeo, o Ultra Capitalismo Liberal, é básica no verdadeiro cristianismo e também é o substrato invisível de todo o marxismo. Repartir a paixão é aspirar pela igauldade, uma categoria que não é natural entre os homens, por

    Bonifa

    06 de outubro de 2012 às 17h28

    Isto é complicado. A Compaixão, banida do Nazismo e de seu irmão gêmeo, o Ultra Capitalismo Liberal, é básica no verdadeiro Cristianismo e também é o substrato invisível de todo o Marxismo. Repartir a paixão é aspirar pela igualdade, é entender que o sentimento de liberdade individual é indissociável da busca pela igualdade, esta categoria que não é natural entre os homens, porque natural e animal é a categoria da desigualdade. A aspiração pela igualdade é uma compulsão humana fruto da evolução da inteligência e que, captada pelo Iluminismo, culminou com sua objetivação política nas máximas da Revolução Francesa. A exclusão da Compaixão não serve à Ciência e não tem base científica, é apenas um oportunismo temporal que se apropria pela força da ciência para alimentar impulsos animalescos de individualismo, um ato suicida na trajetória da Humanidade.

    FrancoAtirador

    06 de outubro de 2012 às 22h48

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    A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

    Por GUY DEBORD (1931-1994)

    CAPÍTULO IX
    A IDEOLOGIA MATERIALIZADA

    A auto-consciência existe em si e para si, quando e porque ela existe em si e para si para uma outra auto-consciência; ou seja, ela não existe enquanto não for reconhecida.
    (Hegel — Fenomenologia do Espírito)

    A ideologia é a base do pensamento duma sociedade de classes, no curso conflitual da história. Os fatos ideológicos não foram nunca simples quimeras, mas a consciência deformada das realidades, e, enquanto tais, fatores reais exercendo, por sua vez, uma real ação deformada; na medida em que a materialização da ideologia na forma do espetáculo, que arrasta consigo o êxito concreto da produção econômica autonomizada, se confunde com a realidade social, essa ideologia que pode talhar todo o real segundo o seu modelo.

    Quando a ideologia, que é a vontade abstrata do universal, e a sua ilusão, se legitima pela abstração universal e pela ditadura efetiva da ilusão na sociedade moderna, ela já não é a luta voluntarista do parcelar, mas o seu triunfo.
    Daí a pretensão ideológica adquire uma espécie de fastidiosa exatidão positivista: ela já não é uma escolha histórica, mas uma evidência.
    Numa tal afirmação, os nomes particulares das ideologias desvanecem-se.
    Mesmo a parte operante propriamente ideológica ao serviço do sistema já não se concebe senão enquanto uma «base epistemológica» que se pretende além de qualquer fenômeno ideológico.
    A própria ideologia materializada não tem nome, da mesma forma que não tem qualquer programa histórico enunciável. Ou seja, a história das ideologias inexiste.

    A ideologia, que toda a sua lógica interna conduzia à «ideologia total», no sentido de Mannheim, o despotismo do fragmento que se impõe como pseudo-saber dum todo petrificado, a visão totalitária, é agora realizada no espetáculo imobilizado da não-história.
    A sua realização é também a sua dissolução no conjunto da sociedade.
    Com a dissolução prática desta sociedade deve desaparecer a ideologia, o último contra-senso que bloqueia o acesso à vida histórica.

    O espetáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta na sua plenitude a essência de qualquer sistema ideológico: o empobrecimento, a submissão e a negação da vida real.
    O espetáculo é, materialmente, «a expressão da separação e do afastamento entre o homem e o homem».
    O «novo poderio do embuste» que se concentrou aí tem a sua base na produção onde surge «com a massa crescente de objetos… um novo domínio de seres estranhos aos quais o homem se submete». É grau supremo duma expansão que necessariamente se coloca contra a vida. «A necessidade de dinheiro é portanto a verdadeira necessidade produzida pela economia política, e a única necessidade que ela produz» (Manuscritos econômico-filosóficos). O espetáculo estende por toda a vida social o princípio que Hegel, na Realphilosophie de Iena, concebe quanto ao dinheiro; é «a vida do que está morto movendo-se em si própria» .

    Ao contrário do projeto resumido nas Teses sobre Feuerbach (a realização da filosofia na práxis que supera a oposição entre o idealismo e o materialismo), o espetáculo conserva ao mesmo tempo, e impõe no pseudoconcreto do seu universo, os caracteres ideológicos do materialismo e do idealismo.
    O aspecto contemplativo do velho materialismo, que concebe o mundo como representação e não como atividade, e que finalmente idealiza a matéria, está realizado no espetáculo, onde as coisas concretas são automaticamente senhoras da vida social.
    Reciprocamente, a atividade sonhada do idealismo realiza-se igualmente no espetáculo pela mediação técnica de signos e de sinais, que finalmente materializam um ideal abstrato.

    O paralelismo entre a ideologia e a esquizofrenia estabelecido por Gabel (A Falsa Consciência) deve ser inserido neste processo econômico de materialização da ideologia. O que a ideologia era, a sociedade acabou sendo. A desinserção da práxis e a falsa consciência antidialética que a acompanha, eis o que é imposto a cada hora da vida quotidiana submetida ao espetáculo; que deve ser compreendido como a organização sistemática do «desfalecimento da faculdade de encontro» que é substituido por um fato alucinatório social: a falsa consciência do encontro, a «ilusão do encontro».
    Numa sociedade em que ninguém pode mais ser reconhecido pelos outros, cada indivíduo torna-se incapaz de reconhecer sua própria realidade.
    A ideologia está em casa; a separação construiu o seu mundo.

    «Nos quadros clínicos da esquizofrenia», diz Gabel, «a decadência da dialética da totalidade (tendo como forma extrema a dissociação) e a decadência da dialética do devir (tendo como forma extrema a catatonia) parecem bem solidárias». A consciência espectadora, prisioneira dum universo estreito, limitada pelo écran do espetáculo, para onde sua vida foi deportada, não conhece mais do que interlocutores fictícios que lhe falam unilateralmente da sua mercadoria e da política da sua mercadoria. O espetáculo, em toda a sua extensão, é seu «sinal do espelho». Aqui se põe em cena a falsa saída num autismo generalizado.

    O espetáculo que é a extinção dos limites do moi e do mundo pelo esmagamento do “moi” que a presença-ausência do mundo assedia, é igualmente a supressão dos limites do verdadeiro e do falso pelo recalcamento de toda a verdade vivida sob a presença real da falsidade que a organização da aparência assegura. Aquele que sofre passivamente a sua sorte quotidianamente estranha é, pois, levado a uma loucura que reage ilusoriamente a essa sorte, ao recorrer a técnicas mágicas. O reconhecimento e o consumo das mercadorias estão no centro desta pseudo-resposta a uma comunicação sem resposta. A necessidade de imitação que o consumidor sente é precisamente uma necessidade infantil, condicionada por todos os aspectos da sua despossessão fundamental. Segundo os termos que Gabel aplica a este nível patológico completamente diferente, a necessidade anormal de representação compensa o sentimento torturante de estar à margem da existência.

    Se a lógica da falsa consciência não pode reconhecer-se veridicamente a si mesma, a procura da verdade crítica sobre o espetáculo deve ser também uma crítica verdadeira. É-lhe necessário lutar entre os inimigos irreconciliáveis do espetáculo e admitir estar ausente lá onde eles estão ausentes.
    São as leis do pensamento dominante, do ponto de vista exclusivo da atualidade, que reconhecem a vontade abstrata da eficácia imediata, quando ela se lança nos compromissos do reformismo ou da ação comum dos resquícios pseudo-revolucionários.
    Aí, o delírio reconstitui-se na própria posição que pretende combatê-lo.
    A crítica que vai além do espetáculo deve saber esperar.

    Emancipar-se das bases materiais da verdade invertida, eis no que consiste a auto-emancipacão da nossa época.

    A «missão histórica de instaurar a verdade no mundo», nem o indivíduo isolado, nem a multidão atomizada, submetida às manipulações, a pode realizar, mas a classe que é capaz de ser a dissolução de todas as classes, ao reduzir todo o poder à forma desalienante da democracia realizada, o Coletivo, é a instância onde a teoria prática se controla a si própria e vê sua ação.
    É lá, somente, onde os indivíduos estão «diretamente ligados à história universal».
    É lá, somente, onde o diálogo se estabelece para fazer vencer as suas próprias condições.

    http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/socespetaculo.html


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