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Juvândia Moreira: Spread na Argentina é de 3,39%


09/04/2012 - 17h55

por Luiz Carlos Azenha

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, presidido por Juvândia Moreira, está engajado em uma campanha para promover, pela primeira vez, uma Conferência Nacional do Sistema Financeiro, nos moldes das que já foram realizadas em outros setores, como na Saúde, Educação e Comunicações.

“Todo o mundo viu o que o sistema financeiro pode fazer com a economia de um país e do mundo”, diz ela, referindo-se à crise econômica aprofundada em 2008 e que ainda hoje causa danos à seguridade social, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

A Conferência seria uma forma de engajar a população no debate sobre questões importantes, como os juros bancários. “A população compra uma TV em doze meses e acaba pagando duas vezes por ela”, mas não participa do debate sobre a questão dos juros.

“Defendemos o controle social dos bancos”, afirma a sindicalista, argumentando que hoje, em vez de servir à sociedade, os bancos se servem dela, contribuindo para a concentração de renda.

Um exemplo está na recente decisão do governo Dilma de usar os bancos estatais — Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, primariamente — para tentar reduzir os spreads bancários, decisão criticada como inócua pelos banqueiros e seus prepostos na mídia corporativa.

Juvândia diz não ter dúvidas de que a medida vai gerar uma enorme pressão para que os bancos privados também reduzam suas taxas, a fim de não perder clientes.

Ela lembra que a taxa de juros do cheque especial no Brasil chega a 176%, enquanto o spread na Argentina é de 3,39% e no Chile, de 4,49%.

“A margem de lucro [dos bancos] está penalizando a sociedade”, diz Juvândia. “Os bancos são uma concessão pública. Eles têm de cumprir um papel social”.

A sindicalista sugere aos clientes que façam pressão sobre os bancos privados, pedindo taxas de juros equivalentes às oferecidas pelo BB e pela CEF na hora de emprestar.

Na entrevista (clique na setinha abaixo para ouvir), também tratamos de outro tema espinhoso: a campanha da CUT para abolir o imposto sindical, que provoca fortes críticas de outras centrais, segundo as quais seria um golpe para enfraquecê-las.

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31 comentários

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Gilson Caroni Filho: A maior vitória contra a ditadura sobrevive « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de maio de 2012 às 00h14

[…] Juvândia Moreira, dos Bancários: Você pode ajudar a derrubar os juros […]

Responder

Luís

10 de abril de 2012 às 11h10

Já favlei que a Argentina é melhor que nós? E melhor em tudo?

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Ze Augusto

10 de abril de 2012 às 11h04

Que tal reestatizar o BANESPA, o BEMGE, BANERJ, BANEB, MERIDIONAL, BANESTADO, BANDEPE, etc? Sem gastar um centavo do dinheiro público, e ninguém precisa pegar em armas nem dar nenhum tiro para fazer a "expropriação". Aqui: http://goo.gl/ZJK76 (é só fazer a portabilidade bancária, transferindo a conta de um banco privado para um banco público).

Responder

Willian

10 de abril de 2012 às 10h41

O spread na Argentina é 3,39% e os bancos grandes são basicamente os mesmos daqui. Porque no Brasil é maior? Assim como a indústria automobilística, que pratica preço mais civilizados em outros países latino-americanos, os bancos decidiram explorar apenas os brasileiros? O que há de diferente entre o Brasil e a Argentina para o spread lá ser mais baixo?

P.S. "Ela lembra que a taxa de juros do cheque especial no Brasil chega a 176%, enquanto o spread na Argentina é de 3,39% e no Chile, de 4,49%." O que esta frase quer dizer? Comparou alhos com bugalhos. Qual a taxa do cheque especial nestes países para compararmos?

P.S 2 Controle social do bancos? Tá. Daqui a pouco vão pedir o controle social das padarias, haja vista o abuso dos padeiros.

Responder

Gerson Carneiro

10 de abril de 2012 às 08h15

O PIG está usando até autor de livro de auto-ajuda para falar mal da baixa dos juros nos Bancos estatais.

Responder

@jrrosado

10 de abril de 2012 às 07h32

Aqui no Brasil os bancos estão tão ma vontade para se locupletarem, que junto com a fatura do cartão, vem uma informação dizendo que a fatura pode ser dividida em n vezes com juros de APENAS 12% ao mês.
Fui ao santander descontar um cheque, retirei a senha de atendimento no caixa, e estava escrito, tempo máximo para atendimento, 4 horas e cincoenta e oito minutos. me senti um completo idiota, o que nós somos na verdade!

Responder

tião medonho

10 de abril de 2012 às 07h23

querem saber o que os argentinos pensam do seus bancos basta ver um dos melhores filmes dos últimos 10 anos, Nueve Reinas…aqui os bancos fazem parte dos financiadores de todo tipo de atividade digamos, artística, filmes, livros, jornais, TV e tudo o mais..aliás…o maior patrocinador de filmes documentários e ficção sobre "o grande sertão" são justamente as maiores desmatadoras do cerrado mineiro, Mannesman, Belgo, Usiminas ETC….Alias, nunca li um linha sobre um dos maiores escandalos do país: bancos patrocinam festas, viagens, pic nics, e convescotes de professores da rede publica pelo país a fora..disso ninguém fala pq supostamente é por uma boa causa…

Responder

beattrice

10 de abril de 2012 às 01h16

A questão não se restringe ao spread, ou à Ley de Medios.
É o conjunto da obra do casal K que lega uma herança democrática e de fato progressista ao país,
do julgamento da ditadura à rehabilitação da cidadania.
A Argentina faz inveja de fato.

Responder

Fabio_Passos

10 de abril de 2012 às 00h46

Que inveja.

Lá há governo.
Aqui ainda estamos desgovernados pelo "mercado".

Responder

    Rafael

    10 de abril de 2012 às 00h53

    Eu acho que aqui há governo sim. A questão que aqui banqueiros, imprensa têm um poder muito maior do que eles têm na Argentina. Acho também que o brasileiro é mais facilemnte manipulado pela imprensa do que o Argentino.

    JOSE DANTAS

    10 de abril de 2012 às 06h43

    Na verdade é que o argentino tem sido mais inteligente que o brasileiro. Ninguém é obrigado a utilizar o cheque especial, que tem caráter emergencial e muita gente usa o tempo todo. Se houver necessidade de crédito, a mesma pessoa que tem um cheque especial disponível, tem também acesso a outras modalidades de crédito com juros bem mais interessantes. Agora, se o sujeito já passou a mão em todos os limites só tem dois caminhos: ou suja o nome ou vira escravo do banco e as duas opções geralmente são fruto da irresponsabilidade.

    Fabio_Passos

    10 de abril de 2012 às 07h39

    Está enganado.
    Lá na Argentina o neoliberalismo e a especulação dominou como em poucos lugares do planeta.
    A Argentina chegou a dolarizar a econômia durante o desgoverno do "fhc deles" (os Argentinos dizem que dá azar mencionar a criatura…) e quebraram feio.

    A diferença é que a Argentina teve governo: Kirchner rompeu com o neoliberalismo (e por tabela com as oligarquias mofadas da mídia).

    Aqui no Brasil, apesar de avanços durante o governo Lula, ainda não fizemos isso.
    O que precisamos discutir é como pode o governo(?) do Brasil tomar tal atitude após 16 anos de passividade diante de tamanha roubalheira explícita.

    Rafael

    10 de abril de 2012 às 12h33

    Tem razão Fábio a Argentina experimentou o extremo do neoliberalismo e rejeitou, aqui ainda há resquícios do neoliberalismo. Não foi totalmente eliminado. O argentino soube muito bem eleger Kirchner e a reelegeu com sobra que aqui nem Lula teve na sua reeleição e Dilma ganhou com dificuldade do serra. Eu vejo os argentinos mais maduros em relação à democracia e o funcionamento da democracia na argentina é muito mais avançado do aqui no Brasil. Não tenho duvidas que a democracia argentina está muito a frente da nossa.

    José Ruiz

    10 de abril de 2012 às 07h51

    a culpa é do povo, claro…

    Neo-tupi

    10 de abril de 2012 às 15h10

    Até o fim dos anos 90 a Argentina tinha 1/3 do PIB brasileiro. Hoje tem um 1/5. E o crescimento dessa diferença foi durante o governo Lula. Será que a escolha de Lula foi errada?
    Outra coisa: Quem salvou a retomada do crescimento da Argentina durante o governo de Nestor Kirchner foi o Brasil, um dos poucos grandes países que absorveram as exportações argentinas, que não tinha crédito nem para financiar a exportação. Se o Brasil tivesse decretado a moratória com Lula, o Mercosul inteiro estaria no buraco até hoje. Nem o Brasil nem a Argentina teriam se recuperado ainda.

Julio Silveira

09 de abril de 2012 às 20h23

Quando na constituição de oitenta e oito se falou em tabelar os Juros bancários anuais em 12%, foi um grita gera. Disseram que não se pode engessar o mercado etc..etc..etc…Mais engraçado ainda é a criminalização da agiotagem praticada por pessoa fisica (meu ver justa), uma hipocrizia, já que permite a agiotagem praticada pela pessoa juridica, como acontece desbragadamente em nosso território. Queria muito saber por que a atuação das forças juridicas, em nosso pai,s atuam de forma tão descriminatória contra a pessoa fisica, ao contrário da pessoa juridica quando tão condescendente ( Pessoa juridica que na verdade é mera ficção, um artificio, já que ela representa algum poderoso cidadão, pessoa fisica, auferindo lucros extraordinários sugando a cidadania em geral) Essa articial figura juridica pode ser legal, mas é marginal. Será que a sociedade é tão tança uma simbiose daninha ou realmente são obrigados devido a um conluio que mantem a sociedade de exploradores e explorados como fato natural e incontestavel, quantos poucos poderão estar se beneficiando dessa exploração? que permitem a exploração dos cidadãos privilegiando uns artificialmente, como numa reserva de mercado imoral mas legal? ainda quero saber, que lógica é essa?.

Responder

RicardãoCarioca

09 de abril de 2012 às 20h19

A pressão que vou colocar no Santander, onde atualmente tenho conta, até sexta-feira é a de comunicá-lo sobre a minha mudança para o BB. Nem vou pedir queda dos júros ao primeiro porque não estou no ramo da perda de tempo.

Responder

    tião medonho

    10 de abril de 2012 às 07h17

    caramba…não faça isso, se tirar todo seu dinheiro de lá como eles vão sobreviver??? e os empregos do pessoal? vc não tem compaixão????

    Willian

    10 de abril de 2012 às 12h54

    Vai mudar seu saldo devedor de banco, hein?

Leo V

09 de abril de 2012 às 19h08

Legal, a Caixa diminuiu batsante os juros. Pretende atrair mais clientes. Só que sem contratar mais funcionários para isso.
Vai aumentar o spread da mais-valia.

Responder

    Gioconda Brasil

    09 de abril de 2012 às 20h06

    Você está sendo injusto, pois se vai prestar mais e melhores serviços emprestando a juros mais baixos automaticamente vai necessitar de mais funcionários, esta é a lógica.
    Agora os Bancos Privados automaticamente serão obrigados a baixar os juros pois do contrário sua clientela vai correr todos para a Caixa ou o BB. É ou não é?
    Ou será que tem alguém que gosta de pagar juros mais alto porque gosta da cara do Banqueiro.?

    beattrice

    10 de abril de 2012 às 01h14

    Sua crítica é mais que pertinente,
    os sindicatos dos bancários vem denunciando sistematicamente que a pratica gerencial
    dos bancos estatais em questões trabalhistas não fica aboslutamente nada a dever á exploração descarada dos bancos privados.
    No capítulo do assédio moral, uma verdadeira peste no setor,
    o BB foi inclusive recentemente alvo de sentença judicial definitiva.
    Felizmente, porque asdenúncias são recorrentes e absurdas.

    Neo-tupi

    10 de abril de 2012 às 14h23

    Menos, né… É óbvio que os sindicatos tem e devem exigir melhores condições também nos estatais, que tem muito dos vícios dos bancos privados. Mas não tem nem comparação as condições de trabalho dos bancos públicos com bancos privados.
    Pergunte a qualquer funcionário do BB se ele quer ir para o Bradesco, Itau ou Santander. E pergunte a qualquer funcionário destes bancos privados se gostariam de ir para o BB. E não é só salários. A segurança no emprego, os benefícios, plano de saúde, o plano de aposentadoria, tudo é melhor.
    Basta constatar que o Itau demitiu em massa em dezembro, mesmo batendo recorde de lucro. Isso sem contar que bancos privados tem a nefasta política de demitirem os funcionários mais antigos para contratar mais novos com salários menores. Quando eu era obrigado a receber pelo Unibanco era difícil ver funcionários na agência com aparência de mais de 30 anos, e o rodízio era grande.

    Valdeci Elias

    10 de abril de 2012 às 11h24

    E se os outros bancos aderirem, e tambem abaixarem os juros. A caixa não vai atrair mais clientes, e vai ter contratado mais funcionarios sem precisar.

    Leo V

    12 de abril de 2012 às 20h43

    Quando os outros bancos baixarem os juros, o spread da mais-valia irá aumentar para todos. Irão querer manter os lucros, mas às custas de maior exploração dos trabalhadores, ao invés de explorarem tanto os clientes.

Rafael

09 de abril de 2012 às 18h53

Argentina está muito a frente do Brasil na questão de democracia e respeito ao povo. Vou dizer o que é óbvio: p que permite que o Brasil tenha esses juros gigantescos é a imprensa, é a mídia que está comprada pelos bancos. Do meu ponto de vista num regime democrático a mídia tem uqe desempenhar o papel de expo tudo que seja lesivo ao povo como corrupção em todos níveis, lucros tipo que os bancos têm no Brasil e explicar por que aqui os bancos têm lucros tão abusivos e cobrar, esclarecer o povo desses absurdos, mas infleizmente aqui a mídia faz parte de um saque do povo, mídia aqui faz o papel de algoz do povo, defende privilégios, faz campanha política para os parceiros e também faz campanha contra inimigos políticos. A mídia aqui é o sustentáculo do poder da elite.Comparem com a Argentina até a questão da transmissão do futebol. Aqui nada é tão obscuro, tão manipulado quantto o poder que a glob tem para controlar o futebol. Semelhante é o lucro dos bancos, é a defesa da taxa selic alta que prejudica o Brasil. O brasil só vai mudar hora que a mídia sair das maão s da elite e cumprir sua função na democracia .

Responder

    Costa

    10 de abril de 2012 às 15h03

    Nunca os banqueiros lucraram tanto como nos governos petistas. Isso é culpa da mídia?

    Rafael

    10 de abril de 2012 às 16h13

    Culpa do Lula mesmo. O Brasil cresceu bastante com Lula média de 4,6% enquanto com FHC o Brasil cresceu na média 2,2%. Pode dizer que Lula é o culpado.

    Ramalho

    10 de abril de 2012 às 20h36

    É culpa da mídia. No início do governo popular, era impossível reduzir os juros, tanto pela fraqueza do governo que começava, quanto pela campanha pelos juros altos, coisa que ainda alguns comentaristas econômicos fazem hoje. É culpa da mídia, sim.

jaime

09 de abril de 2012 às 18h50

Os argentinos já mostraram quem manda quando esfregaram na cara da banca um enorme calote, há muitos anos. E o país não acabou, pelo contrário, suas taxas de crescimento têm sido das maiores da América Latina.

Responder

Ingrid Mariana

09 de abril de 2012 às 18h10

A Argentina como sempre dois passos à frente do Brasil quando se trata de avanços institucionais.
Nossos hermanos são muito mais engajados ao defender os interesses da nação frente a voracidade dos financistas enquanto para nós vale a máxima: "deitado eternamente em berço esplêndido". Acorda Brasil!

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