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Estagiária é “forçada” a alisar cabelo para manter “boa aparência”


07/12/2011 - 16h06

Jorge Américo, da Radioagência NP, via site Geledés – Instituto da Mulher Negra, sugestão de Julio Ribeiro Xavier

A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a “boa aparência”. A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria prometido comprar camisas mais compridas para que a funcionária escondesse os quadris.

Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.

“Ela disse: ‘como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso’. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola.”

Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiária estava em prantos no banheiro.

“Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: ‘cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho 20 anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar’.”

Colégio se defende

Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a ‘boa aparência’, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso”.

A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão “boa aparência” é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.

“Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”

Métodos conhecidos

De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.

“O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo ‘não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra’.”

Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.

“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”

Sequelas e legislação

Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.

“Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor.”

O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.

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59 comentários

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O protesto que abalou o shopping | Viomundo - O que você não vê na mídia

11 de fevereiro de 2012 às 19h07

[…] início de dezembro, todos souberam do caso de Ester Elisa da Silva Cesário, negra, de 19 anos, que trabalhava como estagiária no colégio Internacional Anhembi Morumbi até […]

Responder

Natan

16 de dezembro de 2011 às 23h49

Padre Antônio Vieira (1608 – 1697)

Em mais de um sermão o grande pregador expõe o seu modo de pensar:
"Saibam os pretos, e não duvidem, que a mesma Mãe de Deus é Mãe sua…, porque num mesmo Espírito fomos batizados todos nós para sermos um mesmo corpo, ou sejamos judeus ou gentios, ou servos ou livres" (A IGREJA CATÓLICA E A ESCRAVIDÃO NO BRASIL)
http://www.padrefelix.com.br/hist_igreja18.htm

Responder

Natan

16 de dezembro de 2011 às 23h12

Errata: "os infratores estarão sujeitos a multas e a instituição deverá assinar o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC"

O comentário anterior encaminhado e não publicado ampliaria o debate! É preciso coragem para não exercer autocensura, por medo de gerar polêmica. (ofereci críticas construtivas sobre o limite da aceitação)

Responder

Natan

16 de dezembro de 2011 às 01h46

"Peiora multo cogitat mutus dolor" [Publílio Siro]. A dor silenciosa concebe coisas muito piores…

A questão será julgada pelos tribunais de acordo às leis vigentes. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e a intituição deverá assinar o Termo de Ajustamento de Conduta – "TAC"
Embora possa ser uma oportunidade para ganhar um dinheirinho extra. eg.: pecunia doloris ou pretium doloris. Leiam: (O DANO MORAL E SUA LIQUIDAÇÃO, por RICARDO GARIBA SILVA)
Aqui a postagem sem o link eletrônico.

Responder

Natan

16 de dezembro de 2011 às 01h40

"Peiora multo cogitat mutus dolor" [Publílio Siro]. A dor silenciosa concebe coisas muito piores…
A questão será julgada pelos tribunais de acordo às leis vigentes. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e a intituição deverá assinar o Termo de Ajustamento de Conduta – "TAC"
Embora possa ser uma oportunidade para ganhar um dinheirinho extra. eg.: pecunia doloris ou pretium doloris. Leiam: (O DANO MORAL E SUA LIQUIDAÇÃO, por RICARDO GARIBA SILVA) http://www.forp.usp.br/restauradora/etica/dm.html

Responder

antonio

16 de dezembro de 2011 às 01h14

Me desculpem, mas essa moça está querendo ganhar dinheiro às custas do colégio. Já trabalhei em locais que realmente é necessário manter boa aparência sim! Asseio, cabelo preso, roupa de acordo com o local de trabalho! Noções de etiqueta. Porque não? Pode ser, branca, amarela ou negra. Agora, qualquer coisinha, tem que entrar na justiça? Ah! Convenhamos, o pobre passa as maiores humilhações todos os dias da tua vida. O gordo, idem. E assim, por diante. Igual porcentagem de vagas nas faculdades para negros. Acho isso um absurdo! "Eles" deveriam ter vergonha e não aceitar. Mas é mais fácil, não? Isso sim, já é racismo e "eles" aceitam numa boa! Isso tem que ser para POBRES!!! branco, amarelo, negro!!! Essa moça por si só, já é racista, contra ela mesma! Vá trabalhar e ganhar seu dinheiro honestamente! AH! SOU NEGRO!!!

Responder

Luci

12 de dezembro de 2011 às 16h18

Ester Elisa Cesário, parabéns por sua coragem de tornar público um fato que demonstra que a covardia e a dinâmica de práticas racistas não tem limites.

Responder

A Globo, na cama com a ditadura militar « LIBERDADE AQUI!

08 de dezembro de 2011 às 23h02

[…] Estagiária é “forçada” a alisar cabelo para manter “boa aparência” […]

Responder

Gustavo Pamplona

08 de dezembro de 2011 às 16h04

E daí? Até "brancos" com cabelos crespos também são ridicularizados.

Assistam o CQC e vejam o que falam do Felipe Andreoli e do Marco Luque, os dois crespos. hahahahahhaa

Responder

Alexandre Felix

08 de dezembro de 2011 às 14h32

Cabelo ruim é o meu…que tá caindo! Abs.

Responder

Gerson Carneiro

08 de dezembro de 2011 às 13h21

Até o PIG está "revoltado" com isso. Saiu no JN. O vídeo está no youtube mas eu não vou postar aqui não porque eu odeio aquele cabelo do William Homer. Com aquela mechona branca fica parecendo um gambá.

Responder

pap

08 de dezembro de 2011 às 12h57

Quanto ao caso eu gostaria de perguntar:

E o departamento de recursos humanos desse traste desse colégio não vai se manifestar? Não vai vir ao público dar
explicações? Ou o que tem a dizer é aquilo que agrada à morfética escola, ao pelego universo dos recursos humanos
e ao canalha mundo corporativo? Ou então, quem cala consente…

Responder

ZePovinho

08 de dezembro de 2011 às 12h05

Peraí,Azenha!!!!!!A sugestão dos post foi do esquerdista EUNAOSABIA!

Responder

GERALDINHO SANTOS

08 de dezembro de 2011 às 11h10

Essa prática de racismo aqui no Brasil é mais corriqueira do que a gente imagina. Na Torrelândia mesmo, bairro tradicional em João Pessoa/PB tem um Salão de Beleza cujo anúncio em letras garrafais alarde: "CABELOS CRESPOS TEM SOLUÇÃO" e algumas pessoas mais atentas que passam em frente acham a frase engraçadíssima… normal né???? Normal nada pow, puro racismo camuflado.

Responder

Manoela

08 de dezembro de 2011 às 09h51

"Não somos racistas", não! Basta ver o gingle de final de ano da Globo e parar o vídeo no momento em que a câmera abre a imagem e mostra o coral formado por todos os atores cantando. É a exata representação da composição de raças da população brasileira, segundo a Globo. Chega a ser aviltante! Se alguém conseguisse gravar aquele momento e colocar aqui, exemplificaria bem o "Não somos racistas" da Globo.

Responder

rafael

08 de dezembro de 2011 às 09h29

Ao que parece foi um ato isolado de uma funcionária e não a postura oficial do colégio, caso contrário, a menina nem teria sido aceita em seus quadros.

Responder

Antonio Carlos

08 de dezembro de 2011 às 08h58

Interessante que quando o pessoal que "discrimina" é pego praticando o referido ato diz simplesmente que não há preconceito mas sim um mal-entendido, gostaria que a diretora da referida escola dissesse o que seria o bem-entendido….

No país do eufemismo não há preconceito, só mal-entendido.

Responder

oalfinete

08 de dezembro de 2011 às 08h49

Mais um exemplo que nos ajuda a entender o livro do Ali Kamel.

Simples assim.

Responder

Robson Porto

08 de dezembro de 2011 às 08h29

Sinceramente, não acho que o problema seja de racismo. Uma mulher branca, ou amarela, ou vermelha, mas que fosse gorda e que não fosse, digamos, condicionada por sua aparência física seria igualmente mal tratada. Questão complexa e que envolve este estilo de vida maluco em que vivemos, onde as aparências contam mais do que o conteúdo.

Responder

    Morvan

    08 de dezembro de 2011 às 11h16

    Bom dia.

    Mas, amigo Robson Porto, onde as aparências contam mais do que o conteúdo, mesmo que você não possa qualificar como preconceito (e de fato, o é, em qualquer vertente), já é uma disfunção da natureza do trabalho e das relações humanas. A mim parece que nós não temos que simplesmente aceitar estes disparates da vida. Temos que lutar contra eles. Não é o caso de aceitar as coisas como o são o como se nos parecem.
    É uma questão de dignidade humana.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

Pedro Lomba

08 de dezembro de 2011 às 08h19

Essa matéria não foi sugestão e publicação do "eunaosabia", desde ontem?

Responder

zepgalo

08 de dezembro de 2011 às 07h24

Esses colégios de classe média alta de São Paulo são fogo. É um show de preconceito, dos alunos às diretorias.

Responder

Gerson Carneiro

08 de dezembro de 2011 às 04h57

Há três meses não corto meu cabelo. Há momentos em que ele fica parecendo uma farofa. Eu curto pra caramba. E estou aproveitando para testar a tolerância das pessoas em meu trabalho. Não quero aparecer em um post no Viomundo pelas razões da estagiária Ester Elisa da Silva Cesário. Até agora só ouvi que meu cabelo está "moderno".

Responder

flipeicl

08 de dezembro de 2011 às 02h16

É muito fácil e belo postar-se indignado e até deitar e rolar com peças de ironia quando noticiam-se ou presencia-se fatos assim, difícil mesmo é não ensinar aos pequenos tais ações, eu de fato não culpo as pessoas que usam desses preconceitos, a sociedade os ensina desde tenra idade a ser assim, quando se fica 40 anos ouvindo "cabelo de preto é ruim", "preto tem beição", "nariz de preto é achatado", "cabelo de preto só fica bom quando raspado na máquina zero, pois tesoura é só para cabelo de branco" e muitas outras peças da mesma categoria, difícil mesmo será agir ao contrário, hipocrisia é o que sustenta isso, querer mudar ou discutir isso é tolice e perda de tempo, se a criança aprende que cabelo de preto é ruim e de branco é bom (só como exemplo pelo caso referido), já se foi mais uma mente para o lado obscuro do preconceito idiota.

Responder

    Gerson Carneiro

    08 de dezembro de 2011 às 04h40

    “…eu de fato não culpo as pessoas que usam desses preconceitos, a sociedade os ensina desde tenra idade a ser assim”.

    Pois eu culpo. Cada um é responsável pelo que diz, pelo que faz. Especialmente se for adulto.
    Assim como também cada um é responsável por melhorar ou piorar o meio em sua volta.

    Não apoio essa atitude de se acomodar e continuar repetindo os preconceitos que “a sociedade ensina” apenas porque “a sociedade é assim”. Cada um de nós temos a obrigação de se conscientizar e eliminar atitudes de preconceito.

    Eu já contei “piadas” racistas em rodas de amigos. Mudei minha atitude, não vejo graça nesse tipo de “diversão”, e repreendo no ato quem exerce essa prática.

    É o que também venho me policiando em relação aos homossexuais. Sim, porque quando estou em locais comuns, um boteco por exemlo, aonde estão presentes apenas heterossexuais quase sempre surge alguém que começa "imitando" para rapidamente descambar para "piadinhas e brincadeiras". Não me permito envolvimento nesse clima.

    É o que temos que fazer: tomar consciência das nossas atitudes e mudar para melhor no sentido de erradicar preconceitos.

    flipeicl

    08 de dezembro de 2011 às 17h11

    "Pois eu culpo. Cada um é responsável pelo que diz, pelo que faz. Especialmente se for adulto.
    Assim como também cada um é responsável por melhorar ou piorar o meio em sua volta.

    Não apoio essa atitude de se acomodar e continuar repetindo os preconceitos que “a sociedade ensina” apenas porque “a sociedade é assim”. Cada um de nós temos a obrigação de se conscientizar e eliminar atitudes de preconceito. "

    Eu não disse sobre responsabilidades e nem sobre complacências, porém a política social é a "hipnopedia", mas não só cento e vinte vezes, três vezes por semana durante 30 meses, é durante a vida toda, o preconceito se torna instinto, parte do ser humano, o resto é mera interferência legal para camuflar a preguiça da sociedade em fazer o difícil que é educar, fazemos o fácil, elaboramos e aprovamos leis.

    cronopio

    08 de dezembro de 2011 às 17h53

    Assino embaixo Gerson. É como se no Brasil nunca tivesse existido algo chamado escravidão. Como se as mulheres e os homossexuais nunca tivessem sofrido preconceito. Só a ignorância mais tacanha permite que se ignore o quanto esses grupos foram historicamente vilipendiados. E ainda o são, diga-se de passagem!
    Um abraço.

    Romanelli

    08 de dezembro de 2011 às 08h09

    a moça da notícia é MUITO BONITA ..seus traços étnicos são delicados

    ..e indo direto ao ponto ..a maioria das suas constatações eu já vi partir de negro pra negro ..e não que não seja verdade, ao contrário, são traços étnicos mesmo, e daí ? ..daí que na realidade NUNCA devem influenciar por sobre qq julgamento ou cidadania, muito menos ser usado (ou tomado) como ofensa

    orgulho de se ser o que se é, eis a questão ..o resto é coisa de conceitos socialmente mal resolvido impostos pela moda e mídia (transitórios, diga-se) ..tipo quando falamos que japonesa não tem ginga nas cadeiras, ou que pele de branca é ruim de bronzeado e esteticamente condenável

    em resumo, penso que não devemos tentar cobrar do mundo algo impossível ..diferenças, semelhanças, comparações, ESTEREÓTIPOS sempre fizeram parte do nosso aprendizado e assimilação, inclusive sociabilização ..é coisa intrínseca da nossa natureza ..o que NÃO se pode é se tolher direitos ou se abrandar deveres por conta destes detalhes que em nada definem essencialmente o caráter dum cidadão

    abrá

    Morvan

    08 de dezembro de 2011 às 11h33

    Bom dia.

    "… a moça da notícia é MUITO BONITA ..seus traços étnicos são delicados…".

    E se não fora, Romanelli, justificaria o modo como a moça fora constrangida?
    A raiz do constrangimento da moça está na sua etnia, por tudo que foi enunciado, e não na sua estética. O "boa aparência" remete ao fato de a mesma não atender aos padrões Brasil / países nórdicos (direitos autorais do meu amigo FrancoAtirador), e ela deve, segundo os naz., digo, diretores da instituição, pelo menos, tentar amenizar este "pequeno problema", como fizera a própria diretora, que também padecia, do mesmo "cabelo armado" segundo suas próprias palavras, e teve que "ajeitá-los", para se enquadrar no padrão [esteto-racial] da escola. Não, não somos racistas. Somos apenas "aparencistas", é isso?

    Veja como nós somos racistas. A ponto de ficarmos justificando.
    Ali Kamel, C'est domage! Desolé. Nós somos racistas, sim!
    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

    André

    08 de dezembro de 2011 às 19h52

    Pois é Romanelli…
    Há séculos o que voce chamou de "estereótipos passageiros" não passa… Se mantêm… E este estereótipo passageiro tem feito vítimas todos os dias.
    Há a necessidade de mais ações afirmativas para que a sociedade seja forçada a mudar!

Marcio H Silva

08 de dezembro de 2011 às 00h01

Tem coisas que, dá a impressão, só acontece em Sampa. Tudo bem que o administrador do blog é paulista, nascido em Itu, torcedor ferrenho do curintians, mas isto acontece em muitos lugares deste país, infelizmente.

Responder

@lucasvazcosta

07 de dezembro de 2011 às 23h38

"Não, não somos racistas".

Responder

    Romanelli

    08 de dezembro de 2011 às 08h16

    NÃO, não somos não ..caso contrário vc e eu estaríamos aqui aplaudindo, e não tentando entender ou achar a quem culpar

    o BRASIL não é racista de há muito tempo ..ele foi e é lição e exemplo pro mundo todo ..pena que nossa complexo de inferioridade às vezes tenta apagar as nossas qualidade ..muito pior ainda é quando grupos que não tem a resposta ficam jogando pra torcida na esperança de que lhes lancem nem que uma FALSA bandeira pra terem por que lutar (tipo esta, a de que somos racistas)

    me aponte UM NEGRO que tenha sido impedindo legalmente de frequentar, de estar, de prestar um concurso ou estudar ?

    nosso problema é sócio-histórico-econômico ..é outro, nosso problema é o POBRE

    e claro, não somos perfeitos ..isso tb não quer dizer que não tenhamos entre nós , em TODAS as etnias, indivíduos racistas, estes que quando podem e pensam que ninguém esta percebendo, tratando de deixar de lado que não lhes é parecido (tipo os grupos afro do Pelourinho, ou nipônicos pelo brasil)

    abrá

ana rosa

07 de dezembro de 2011 às 22h56

Tudo depende de como foi dito,infelizmente têm pessoas que vão trabalhar sem tomar banho,vestidas de qualquer jeito,têm outras que vão desnudas ,têm pessoas que não sabem se comportar em público,têm de tudo ,talvez a pessoa em questão quiz chamar a atenção da moça para melhorar a aparência e ela tenha interpretado mal,talvez ela queira processar a Escola para tirar algum dinheiro e viu ai uma oportunidade.Também pode ter acontecido da pessoa em questão ser uma racista nojenta,pode ser também ai sim ,vá procurar seus direitos ,tudo poderia acontecer ,tudo depende das intenções das pessoas há pessoas corretas e dignas brancas e pretas e há pessoas espertas e cafajestes brancas e pretas ,vá saber o que houve…

Responder

    Paulo Roberto

    09 de dezembro de 2011 às 15h02

    Em se tratndo de direito, TUDO depende. O que me parece claro é que ela própria já traz consigo um grande preconceito contra si mesma; se assim não fosse, não ficaria deprimida (supostamente) por causa da opinião idiota de uma imbecil.

Rios

07 de dezembro de 2011 às 21h42

Sobre a questão aparência e zelo, na empresa que trabalho a coisa anda tão séria que a direção, por medo de sofrerem represálias, não tem como impedir que jovens, na maiorias garotas brancas, de irem trabalhar de shortinho, minisaia, blusa costas nuas, etc… mesmo tendo orientações mínimas de vestimenta, "chamar para uma conversa" é um risco de um processo é considerável… (não poderia ser considerado assédio moral?)

Antes que alguns bobões machistas comentem, NÃO, os homens NÃO ACHAM adequado esse tipo de comportamento, principalmente por se tratar de uma instituição pública e receberem frequentemente visitantes, clientes e outras autoridades no prédio. e isso não cai nada bem.

vivemos num mundo hipócrita e injusto. Que os maus e a maldade não nos ceguem…

Responder

FrancoAtirador

07 de dezembro de 2011 às 21h41

.
.
Como é difícil para os brasileiros e as brasileiras

se adequarem aos padrões noruegueses do BraZil.

O FASCISMO DA MASSA AMORFA VEM AÍ.
.
.

Responder

    Marcio H Silva

    07 de dezembro de 2011 às 23h58

    Gostei muito desta frase. "padrões noruegueses do Brasil" foi na canela…..

    Jairo_Beraldo

    08 de dezembro de 2011 às 10h45

    Se tivesse sido na canela estava de bom tamanho…foi no saco mesmo!

Gui Milani (SP)

07 de dezembro de 2011 às 21h20

Isso é SP… Dá pra entender o motivo pelo qual tucanos e demos têm vida longa por aqui…

Responder

    Romanelli

    08 de dezembro de 2011 às 08h18

    SP ? ..tá bom ..e depois os OUTROS é que são racistas ..sei sei

    Leider_Lincoln

    08 de dezembro de 2011 às 09h03

    E dá para entender por que o EUNAOSABIA et caterva são poderiam ser baianos, por exemplo…

Dinha

07 de dezembro de 2011 às 20h54

Essa fulana é leitora do Ali Kamel

Responder

Deusdédit R Morais

07 de dezembro de 2011 às 20h48

Isto talvez comece a mudar quando o governo petista, dito de esquerda, tiver coragem para impor cotas, afinal negros e afro-descendentes (pardos e mulatos) são mais de 50% da população brasileira, no mercado de trabalho. Aí sim veremos uma revolução economica e social efetiva, sem o tal "assistencialismo" das tais "bolsas".

No mais, é triste ver tal comportamento ocorrendo no estado mais afro-descendente do país.

Responder

    Renato

    08 de dezembro de 2011 às 07h40

    Obrigado, nesse dia eu fico desempregado. Sou contra as cotas. Pois eliminam aquela idéia que o melhor vence.

    Romanelli

    08 de dezembro de 2011 às 07h59

    ridículo !! parece até a Alemanha dos anos 30 o que estou lendo de você

    Isso vai acabar o dia em que RE-aprendermos a usar métodos e conceitos isonômicos, HUMANISTAS, sociais e NÃO NAZISTAS, estes que nos fazem reparar nas aparências e pseudo diferenças ..estes que nos dividem como quem separa TORCIDAS (aliás, coisa que normalmente parte de quem gosta muito de futebol, vai saber?!)

    Cidadania, é disto que precisamos ..RAÇA é pra cachorro, côr pra BOLA ..que venha a CIDADANIA indistinta

    ..que cota RACISTA o que ??!! …

    e quanto a notícia em si ..penso que o bate boca dado a portas fechadas não tenha se dado a este nível ..mesmo pq a moça é BONITA pra caramba, fato em si que já coloca em duvida esta afirmativa feita pela dotôra Devogada

    "Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”

    No caso, pelo que vi na reportagem, a BOA aparência se referia ao uso de UNIFORME entre todos os funcionários ..justamente pra que a "vaidade e ego" não exacerbassem ..fato que sabemos, neste mundo ANIMAL em que vivemos, é pra lá de normal

josé fernandes

07 de dezembro de 2011 às 20h48

a reportagem do jornal nacional não disse em que bairro era….só disse que era da zona sul em São Paulo.

Responder

foo

07 de dezembro de 2011 às 20h35

Lamentável. Tenho nojo de ser brasileiro.

Responder

    Gerson Carneiro

    08 de dezembro de 2011 às 04h46

    A professora Dea de Oliveira deixa CLARO que também tem.

    Romanelli

    08 de dezembro de 2011 às 08h00

    brasileiro ??!! que tal se ser xul africano, americano ou australiano ..que BOBAGEM

    Jairo_Beraldo

    08 de dezembro de 2011 às 10h27

    Peraí…não diga que por ser brasileiro, há a produção destes fatos…vamos buscar a origem destes ditos "senhores" do Colégio Internacional Anhembi Morumbi … veja bem – INTERNACIONAL!!!!! Somos uma raça em "formação", mas como toda raça, temos os infiltrados…portanto, menos foo, menos!!!

    Marcio H Silva

    08 de dezembro de 2011 às 10h42

    Nojo de ser Brasileiro? porque? eu tenho muito orgulho de ser Brasileiro. Um povo que sempre sofreu muitas discriminações na pele, destituído de bom atendimento na saúde, destituído de boas escolas, segurança sofrível, ainda consegue chegar a sexta economia do mundo, é de se tirar o chapéu. Eu tenho nojo é de alguns políticos e da elite segregadora deste país.

    Bertold

    08 de dezembro de 2011 às 11h10

    Não tente disfarçar, mas esta expressão sua expõe traços elitistas e preconceituosos. Acho que faz muito esforço para frequentar um blog progressista e parecer moderninho!

Micuim

07 de dezembro de 2011 às 20h10

Levanta a cabeça, menina. Encara a monstra babaca. Mostra o orgulho de descender daqueles que vieram para cá forçados e nos legaram algumas das melhores qualidades que difenciam o povo brasileiro: a alegria, o ritmo, a sensualidade, a originalidade criativa. Feio é branquela sem sal, reprimida, burra.

Responder

    Pedro Lomba

    08 de dezembro de 2011 às 09h28

    "Feio é branquela sem sal, reprimida, burra. "

    Não, não somos racistas.

    qua qua qua qua qua….. és um poço de contradição ..

    João Grillo

    08 de dezembro de 2011 às 10h16

    NO BRUKLIN DE SUMPALO?!!! Pensei que fosse em NOVIORKI.
    Vira latas e racistas.

Morvan

07 de dezembro de 2011 às 19h55

Boa noite.

Mais um episódio para a enorme coleção "Não, Não Somos Racistas".
Não percam a conta, heim?

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

    Romanelli

    08 de dezembro de 2011 às 08h20

    bobagem ..talvez vc queira dizer que é mais um episódio a ser explorado por plantonistas que na falta de RESULTADOS e do que mostrar, tentam sempre arrumar um tema pra nos distrair

    vai ver é isso

    abrá,

Alessandro

07 de dezembro de 2011 às 17h01

Esse pessoal tinha que fazer um alisamento no caráter.Pô, até quando essa mesma história?

Responder

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