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Diário da Resistência


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As dúvidas sobre a prisão de dois jovens


19/04/2012 - 11h54

Testemunhas dizem que polícia prendeu inocentes

Câmeras de segurança e depoimentos de vizinhos indicam que suspeitos estavam longe do local do crime

Thaís Nunes, no Diário de São Paulo, sugerido pelas Mães de Maio

A cela 34 do Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, na Grande São Paulo, é a nova casa de Márcio Almeida dos Santos, 24 anos, e Diego Cardoso de Souza, de 19, há 43 dias. A dupla foi presa pelo roubo de um BMW em São Bernardo do Campo, no ABC. Inconformadas, as mães dos jovens obtiveram imagens de câmeras de segurança e depoimentos de 20 pessoas que fragilizam a história contada pela polícia e acatada pela Justiça.

De acordo com o boletim de ocorrência, a PM foi avisada sobre o roubo às 15h08 e imediatamente passou a perseguir os assaltantes na Rodovia Anchieta. Os PMs afirmam que os dois presos estavam no BMW.

Mas as imagens de câmeras de um supermercado mostram que Márcio estava na Estrada das Lágrimas, em Heliópolis, Zona Sul, às 15h20. Ele passeava com um amigo numa motocicleta Hornet.

Isso significa que se Márcio participou do roubo, ele teve apenas 12 minutos para fugir do ABC até Heliópolis, abandonar o BMW em uma viela, livrar-se da arma, guardar o dinheiro e cartões da vítima, deixar Diego, trocar de roupa e encontrar o amigo dono da Hornet.

“É absurdo. Nossos filhos trabalham desde criança, nunca encostaram em armas. Ao contrário do que todos pensam, ser morador da favela não é sinônimo de ser bandido”, diz Ivanice de Souza, mãe de Diego.

O dono da Hornet, que pediu para ter o nome preservado, comemorava o aniversário naquela tarde em um churrasco na casa de Diego. A festa começou às 13h e as testemunhas que deram depoimento estavam no local com os suspeitos. “Como é possível que eles estivessem em dois lugares?”, questiona o aniversariante.

No momento da prisão, às 15h40, Diego e Márcio tinham saído para dar uma volta na Hornet. É costume do dono da motocicleta emprestá-la para os amigos darem breves passeios. Naquela tarde, eles bateram em um ônibus. E foi após o acidente que foram presos. Segundo a PM, a batida aconteceu durante a perseguição. Mas o motorista do ônibus conta que a viatura chegou bem depois. “E a moto não estava em alta velocidade”, garante.

Rodrigo Castello, advogado dos suspeitos, enviou as imagens e os depoimentos para o juiz, apelando para que eles respondam ao processo em liberdade. Mesmo com os indícios de que pode ter havido confusão no flagrante, o juíz Davi Capella informou que não revogaria a prisão porque “os averiguados não comprovaram ter ocupação lícita”. Márcio é funcionário da Controlar. Diego é auxiliar financeiro e universitário. A ficha criminal de ambos é limpa. O juíz Capella informou que não se manifestaria sobre sua decisão. O caso tramita pela 21ª Vara Criminal.

As vítimas reconheceram os suspeitos, mas informaram que os ladrões usavam bonés e roupas diferentes das de Márcio e Diego. O delegado titular do 83ºDP (Parque Bristol), Enjolras Araújo, não soube explicar como os donos da BMW reconheceram os presos em outro roubo, o de um Corolla do qual não foram vítimas. O crime foi em 26 de agosto. O ponto eletrônico comprova que Márcio e Diego estavam trabalhando.

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9 comentários

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Silva Ramos

21 de abril de 2012 às 17h12

Os estão presos porque provaram que o meritíssimo juiz está errado e, como nossos deuses do judiciário que vivem acima da lei, não podem ser contrariádos que reagem como meninos birrentos, que se danem os contribuintes que pagam até o papel higiênico que usam!!

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angelo

19 de abril de 2012 às 15h13

“os averiguados não comprovaram ter ocupação lícita” O que não é verdade. E ainda que fosse? Esta coisa horrenda é o que chamam Estado democrático? O segundo passo é extinguir a PM. O primeiro é tirar a fé pública da palavra de PMs. CNJ

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KNeto

19 de abril de 2012 às 15h09

Avançamos muito na nossa democracia mas ainda não conseguimos por fim ao que o Pedro Aleixo chamava de "prepotência do guarda da esquina". Com um agravante: agora temos também a prepotência do juiz de plantão.

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Marduk

19 de abril de 2012 às 14h00

Enquanto isso, a visita íntima na (a)Fundação Casa foi liberada. Estudar e trabalhar que é bom, ninguém quer…

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José Eduardo

19 de abril de 2012 às 13h43

Mais uma demonstração de "eficiência" da polícia nazi-tucana de SP que é, a bem da verdade, apenas uma e aa pior parcela das polícias nesse estado. Até quando os paulistas suportaremos essa gente no poder estadual?

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gilberto silva

19 de abril de 2012 às 13h05

Mas eles estão presos ainda ?

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renato

19 de abril de 2012 às 12h22

Mas, e daí, vão ficar presos! Porque um juiz acha que tá certo……..
É dificil reuni todo mundo que esta envolvido por todos numa sala, dá uma porrada na mesa e perguntar o que tá acontecendo nesta espelunca……acerta na hora tudo, libera ou prende de uma vez, ponto acabo.
Mas não, primeiro fala com o gari, mais 10 dias fala com o porteiro, mais 20 fala com o advogado, mais 50 fala com o irmão do vizinho do dono do carro, mais 40 dias, ferias florenses, mais 60 dias eleições…….422 dias depois fala o Datena……e os guri se são inocentes, agora já viraram bandidos contratados pelo PCC.
Parabéns.
Imaginem quantos não conseguem chegar a mídia, e escutam dentro da cadeia a famosa frase: Já sei, vai falar que é inocente!

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    angelo

    19 de abril de 2012 às 15h45

    Perfeito. E mais 20 anos o Estado (ainda tendo a cara de pau de recorrer até última instância) é condenado.

    Os 3 patetas, os 3 poderes ♪ (Engenheiros do Hawaii)

Outro Antonio

19 de abril de 2012 às 12h09

Isso acontece direto. Acontece quando a polícia e a suposta justiça têm que dar resposta rápida para alguma autoridade que os pressionam a dar resultados, pois como um rico fica sem seu mercedes ou bmw, enquanto tem tanto vagabundo na rua dando sopa pra ser preso, acusado e condenado, sem espernear, pois geralmente não tem como. É o salve-se quem puder que se transformou os estados e municípios onde o PSDB governa. Eles destruiram as instituições e salve-se quem puder. Até a sacolinha plástica de supermercados eles tiratam para agradar aos supermercadistas, que ganham milhões com a iniciativa. Perguntem ao Orlando Morando, que vai administrar a campanha de José Serra e é diretor da Associação Paulista de Supermercados (APAS) sobre isso.

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