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Altamiro Borges: O terrorismo contra a greve de Jirau


19/03/2012 - 16h21

por Altamiro Borges, no seu blog

Os operários da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, que entraram em greve na semana passada por melhores salários e condições de trabalho, estão sendo vítimas de brutal e implacável perseguição. A mídia os trata como “bandidos” e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decretou a ilegalidade do movimento. Apesar do cerco, em assembleia realizada na sexta-feira (16), os peões decidiram manter a greve.

O TRT ordenou o retorno imediato ao trabalho e fixou multa diária de R$ 200 mil para o Sindicato dos Empregados da Construção Civil do Estado de Rondônia no caso do descumprimento da sentença. As reivindicações dos operários – entre elas, aumento de 30% nos salários, cinco dias de folga a cada 70 dias trabalhados e plano de saúde – sequer foram consideradas pela “Justiça”.

Arrogância da Camargo Corrêa

Além do Judiciário, o governo estadual também faz terrorismo contra os grevistas. A Secretaria de Segurança de Rondônia pediu, inclusive, à presidenta Dilma o envio de soldados da Força Nacional para “evitar distúrbios”. O clima no canteiro de obras da usina de Jirau é de forte tensão e pode resultar em violentos confrontos – a exemplo do que ocorreu em março do ano passado.

Amparada pelo Judiciário, pelo governo estadual e pela mídia patronal, a bilionária Camargo Corrêa, responsável pela construção, ainda provoca os grevistas. Em comunicado, ela afirmou que a greve é culpa “de um pequeno grupo de agitadores”, disse que as condições de trabalho são excelentes e ainda pediu a imediata ilegalidade do movimento. Pura arrogância patronal!

Os 15 mil peões da Camargo Corrêa que cruzaram os braços criticam exatamente as péssimas condições de trabalho e os míseros salários. A greve teve início numa das empresas terceirizadas, Enesa, e ganhou a adesão dos operários da poderosa empreiteira. Segundo a direção estadual da CUT, as condições de trabalho na obras da hidrelétrica de Jirau são desumanas, degradantes e inseguras.

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9 comentários

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Fabio_Passos

20 de março de 2012 às 23h34

Não dá prá aceitar que estas empreiteiras, faturando uma fábula de dinheiro público, tratem os trabalhadores desta forma.
Os trabalhadores tem todo direito de protestar e cruzar os braços por boas condições de trabalho e salário digno, afinal, estamos em um governo do Partido dos Trabalhadores… ou não?

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A. Ferreira

20 de março de 2012 às 16h14

Essas empreteiras usam tecnologia de última geração para construir e métodos ultrapassados de administração de pessoal. Querem arrancar o máximo do peão com custos baixíssimos, a exemplo do que ocorreu na usina do Lajeado no Tocantins. Pagava-se salários miseráveis com uma carga horária excessiva e apenas uma refeição de má qualidade. Uma verdadeira escravidão. Tudo isso sob a conivência do Sindicato da Construção Civil do TO, o que não deve estar ocorrendo no caso de Jirau.

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João-PR

20 de março de 2012 às 03h31

Na era digital, alguém poderia ir lá, filmar e fotografar (dá para fazer até com um celular).
Como diz o ditado: contra fatos não há argumentos.
Alguém aí em Rondônia poderia fazer este favor ao Brasil??

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Julio Silveira

19 de março de 2012 às 19h24

Os tribunais brasileiros não estão ai para julgar a justiça das condições de trabalho, eles são especialistas na letra fria da lei; a ser o campo para os especialistas bem remunerados decifradores do mau carater legal.
Aqueles que, como sempre, poderão menos, perderão quase sempre, não sempre por que se precisa dar alguma consistência e esse mingau ralo que de justiça na receita tem pouco ingrediente.

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pperez

19 de março de 2012 às 18h58

17 anos atras era Clima de terror: FHC prendeu,bateu,demitiu e puniu com multas milionarias os sindicatos ligados aos petroleiros por conta da greve de 32 dias na data base da Petrobras e em outras empresas estatais!
De FHC e sua tropa de entreguistas, não se poderia esperar outra coisa mesmo e no final,deu no que deu!
Agora com Dilma?
Tem algo errado nesta história ou devemos nos preocupar?

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    Marcio H Silva

    20 de março de 2012 às 09h31

    Devemos nos preocupar. O negócio está ficando esquisito…..

edson

19 de março de 2012 às 18h40

Más de 120.000 personas toman la Bastilla y llaman a la insurrección en Europa

fonte: http://elzoco.blog.com/2012/03/19/mas-de-120-000-

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Bonifa

19 de março de 2012 às 16h56

Essa história precisa ser melhor investigada, desculpe-me o Miro. Toda essa história está, desde seu início, com forte cheiro de babado oculto.

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Luiz Rogerio

19 de março de 2012 às 16h34

E a Dilma????

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