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A morte do embaixador dos EUA na Líbia: Pepe Escobar avisou


12/09/2012 - 23h42

por Luiz Carlos Azenha

A acreditar na cobertura internacional dos jornalões brasileiros e na opinião de “especialistas” em relações internacionais por eles citados, a Líbia sem Khadafi estava se transformando em uma plácida democracia.

Um argumento necessário quando o objetivo é falar mal da diplomacia brasileira: como o Brasil não aprovou a intervenção militar na Líbia, teria perdido uma grande oportunidade. Teria se distanciado da vontade da rua árabe e pagará caro por isso. Não só na Líbia, mas também na Síria.

É, como sabemos, a turma do alinhamento automático aos Estados Unidos, para a qual alguns árabes devem ser bombardeados à democracia. Digo alguns, já que os que clamam por democracia na Líbia e na Síria, se preciso à força, não defendem o bombardeio da Arábia Saudita, nem do Bahrain.

Os sauditas são os maiores fornecedores de petróleo do mundo; o Bahrain, sede da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

É óbvio que nossa mídia nunca fala sobre a lei das consequências indesejadas.

Não costuma lembrar que os hoje considerados terroristas do talibã e da al Qaeda surgiram quando os Estados Unidos financiaram a luta contra a invasão soviética do Afeganistão, nos anos 90; ou que o carniceiro Saddam Hussein, do Iraque, recebeu apoio militar — especialmente informações sobre o movimento de tropas — em sua longa guerra contra os aiatolás do Irã. Fui pessoalmente ver os abrigos subterrâneos construídos sob Bagdá: todo o equipamento tinha sido importado da Alemanha. Ou seja, o Ocidente armou e preparou Saddam para a guerra, até que ele se converteu na ameaça regional que era preciso eliminar.

Escrevo isso por causa da trágica morte do embaixador dos Estados Unidos na Líbia, perseguido por um grupo ainda não identificado, numa cena dramaticamente parecida com a caçada final a Muamar Khadafi — e num 11 de setembro. Foi a demonstração mais óbvia de que a Líbia se converteu em terra de milícias, a exigir um desembarque de fuzileiros navais dos Estados Unidos para dar segurança a seus diplomatas.

Um lembrete aos que pretendem embarcar o Brasil na “modelagem” do novo Oriente Médio, patrocinada por Washington com ou sem as bombas da OTAN.

Pepe Escobar, no Asia Times Online, já escreveu vários artigos advertindo sobre a transformação de justas reivindicações locais por democracia e participação em banhos de sangue patrocinados pelo Ocidente em nome da mudança de regime a qualquer custo, mas só onde interessa.

Fiquem com este:

Síria, a nova Líbia

por Pepe Escobar, em 14.02.2012

Um [fuzil] Kalashnikov no Iraque, até recentemente, era vendido por 100 dólares. Agora custa pelo menos mil e mais provavelmente 1.500 dólares (já se foram os dias em que os sunitas que se juntavam à resistência contra os Estados Unidos podiam comprar uma arma falsa feita na Romênia por 20 dólares).

Destino provável do Kalashnikov de 1.500 dólares em 2012: a Síria. Rede: al-Qaeda na Terra dos Dois Rios, também conhecida como AQI. Receptores: jihadistas infiltrados operando lado-a-lado com o Exército Livre da Síria.

Também viajando entre a Síria e o Iraque estão os carros bomba e os suicida-bomba, como nos recentes ataques nos subúrbios de Damasco e no ataque suicida da última sexta-feira em Aleppo.

Quem teria imaginado que o que a Casa de Saud [governo da Arábia Saudita] quer na Síria — um regime islâmico — é exatamente o que a al-Qaeda quer na Síria?

Ayman “O Cirurgião” al-Zawahiri, o número um da al-Qaeda, num vídeo de oito minutos intitulado “Adiante, leões da Síria”, acaba de pedir apoio dos muçulmanos do Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia para derrubar o “regime canceroso e pernicioso” de Bashar al-Assad. Já tinha havido resposta, antes mesmo que O Cirurgião tivesse surgido em cena. Não apenas estes, mas especialmente os “guerreiros da liberdade” transplantados da Líbia, antes conhecidos como “rebeldes”.

Quem teria imaginado que a OTANCCG (Organização do Tratado do Atlântico Norte-Conselho de Cooperação do Golfo) quer para a Síria exatamente o mesmo que a al-Qaeda quer para a Síria?

[O Conselho de Cooperação do Golfo é formado pelas monarquias do Golfo Pérsico: Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrain, Kuwait e quem realmente manda, a Arábia Saudita].

Quando o regime de Assad, com todas as suas ofensivas militares medonhas que essencialmente vitimizam civis pegos no fogo cruzado diz que está lutando contra “terroristas”, não está exatamente distorcendo a verdade. Mesmo aquela entidade ubíqua e proverbial, a “autoridade dos Estados Unidos que preferiu não se identificar”, está culpando a AQI por recentes atentados. O mesmo diz o subsecretário do Interior do Iraque, Adnan al-Assadi; “temos informações de inteligência de que um número de jihadistas iraquianos foi para a Síria”.

E, assim, se a Síria não pode ser uma nova Líbia no sentido de ter uma autorização das Nações Unidas para bombardeio humanitário da OTAN — vetada pela Rússia e China — a Síria é a nova Líbia no sentido de ligações repugnantes entre “rebeldes” e jihadistas-salafistas de linha dura.

[Nota do Viomundo: Por enquanto, é a eles que se atribui o ataque ao embaixador dos Estados Unidos na Líbia]

E como o Ocidente ama absolutamente uma situação vencer-vencer, não importa quanto tenha sido pré-fabricada, isso também poderia se tornar o perfeito casus belli para o Pentágono intervir — como em “livrar a Síria de uma al-Qaeda” que não estava lá para começar. Lembrem-se que apesar de toda a publicidade sobre o Pentágono/governo Obama trocar [a ênfase de sua política externa] do Oriente Médio para o Leste da Ásia, a guerra global ao terror, rebatizada por Obama como “operações de contingência no estrangeiro” está bem viva.

Libertem-me para que eu mate à vontade

No ano passado o Asia Times Online descreveu extensivamente como a Líbia “liberada” — “liberada” pelos assim chamados rebeldes da OTAN — mergulharia num inferno das milícias. É exatamente o que está acontecendo; pelos menos 250 milícias diferentes operam apenas em Misurata, de acordo com a Human Rights Watch, agindo os milicianos como policiais, juízes e exterminadores, tudo num só pacote. Não existe o assim chamado Ministério da Justiça na Líbia “liberada”. Se você vai para a prisão, acaba morto; se for um africano sub-sahariano [negro], ganha o bônus de extensiva tortura antes de ter o mesmo destino.

Como na Líbia, por uma questão de estratégia, o eixo Casa de Saud/sunitas do Qatar eliminou  na Síria qualquer possibilidade de diálogo real entre a insurreição (armada) e o regime de Assad. Afinal, o objetivo-chave é troca de regime. E assim a propaganda crua — numa mídia árabe controlada largamente por sauditas ou qataris — governa.

[Nota do Viomundo: A rede Al Jazeera, baseada no Qatar, é financiada pela monarquia local]

Exemplo: o muito aplaudido Observatório Sírio dos Direitos Humanos, baseado no Reino Unido, que vomita sem fim estatísticas sem base sobre “massacres” governamentais — e mesmo “genocídio” — recebe financiamento de uma entidade de Dubai apoiada por obscuros doadores do Ocidente e do Conselho de Cooperação do Golfo.

Como bônus, a “oposição” síria guia com alvo-laser a cobertura da mídia corporativa do Ocidente. A CNN atribuiu a bomba em Aleppo na sexta-feira passada a “terroristas” — entre aspas; imaginem a histeria se a Zona Verde dos Estados Unidos no Iraque [onde fica a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá] fosse bombardeada pela resistência sunita na metade dos anos 2000. A BBC realmente acreditou na versão da Irmandade Muçulmana Síria, segundo a qual o governo da Síria se bombardeou; seria o mesmo que o Pentágono jogasse uma bomba na Zona Verde. Quanto à mídia árabe — controlada pelos sauditas e qataris –, ignorou totalmente a conexão com a AQI.

A Liga do Conselho de Cooperação do Golfo — ex-Liga Árabe — depois de detonar seu próprio relatório sobre a Síria por não se encaixar na narrativa pré-fabricada de um regime “diabólico” que ataca unilateralmente seu povo, está agora advogando um plano B supostamente humanitário; uma missão conjunta de paz árabe/Nações Unidas para “supervisionar a execução do cessar-fogo”. Mas ninguém deveria se enganar; a agenda continua sendo a da troca de regime.

O príncipe Saud al-Faisal, ministro de relações Exteriores da Arábia Saudita, faz todos os barulhos certos, descartando uma intervenção humanitária. Ao mesmo tempo, é refrescante ouvir a tão progressista Casa de Saud chorando sobre a “falta de compromisso do governo sírio” e pontificando que “o que a Síria está testemunhando não é uma guerra de guerrilha racista e sectária, mas um expurgo massivo sem considerações humanitárias”.

Imaginem as “considerações humanitárias” da Casa de Saud se um movimento pró-democracia emergisse na província de maioria xiita do leste da Arábia Saudita (aconteceu; foi brutalmente reprimido).

[Nota do Viomundo: Uma das características das monarquias pró-americanas do Golfo Pérsico é a repressão brutal às minorias xiitas]

Melhor ainda; vejam quanto “humanitário” os sauditas foram em sua invasão do Bahrain.

[Nota do Viomundo: A Arábia Saudita mandou tropas ao vizinho Bahrain para reprimir o movimento local pró-democratização]

A agenda da OTANCCG na Síria continua a mesma; torca de regime por quaisquer meios possíveis. Mesmo o Guerreiro-Em-Chefe dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, disse isso. Os lacaios do CCG vão alegremente obedecer. Assim, esperem uma inflação de Kalashnikovs cruzando as fronteiras, mais carros bomba, mais suicídios bomba, mais civis pegos no fogo cruzado e a lenta, imensamente trágica fragmentação da Síria.

*Pepe Escobar is the author of Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007) and Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge. His new book, just out, is Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). He may be reached at [email protected]

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34 comentários

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José X.

15 de setembro de 2012 às 18h18

Uma coisa é certa: a vingança vai ser cruel. Os EUA não admitem serem confrontados. Muitos líbios vão ser mortos pelos americanos em represália ao que aconteceu. Mas que foi um tapa na cara dos americanos, isso foi.

Responder

Rodolfo Machado

14 de setembro de 2012 às 16h16

Participação do senador Ron Paul, republicano e conservador, no debate dos candidatos a presidência dos EUA, em 2007, falando da política externa de seu pais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ron_Paul

Ron participou de todos os três debates de candidatos republicanos transmitidos em rede nacional nos EUA. Seu momento mais proeminente ocorreu no debate do dia 15 de maio(2007) na seguinte discussão com o candidato Rudy Giuliani:
PAUL: Você já leu sobre os motivos pelos quais nos atacaram? Eles nos atacaram porque estivemos lá. Estivemos bombardeando o Iraque por 10 anos. Estivemos no Oriente Médio [durante anos]. Eu acho que [Ronald] Reagan estava certo. Nós não entendemos a irracionalidade da política do Oriente Médio. Agora mesmo, estamos construindo uma embaixada no Iraque que é maior que o Vaticano. Estamos construindo 14 bases permanentes. O que diríamos se a China estivesse fazendo isso em nosso país ou no Golfo do México? Nós estaríamos protestando. Precisamos olhar para o que fazemos sob a perspectiva do que aconteceria se alguém fizesse isso conosco.
MODERADOR: O Sr. está sugerindo que convidamos os ataques de 11 de setembro?
PAUL: Estou sugerindo ouvirmos as pessoas que nos atacaram e as razões que os motivaram, e eles estão felizes por estarmos lá pois Osama bin Laden disse, “Estou contente por vocês estarem em nossa areia porque podemos atingí-los muito mais facilmente.” Eles desde então já mataram 3400 de nossos homens, e eu acho que isso foi desnecessário.
GIULIANI: Essa é uma afirmação extraordinária. Essa é uma afirmação extraordinária, para alguém que sobreviveu ao ataque de 11 de setembro, que nós convidamos o ataque porque atacamos o Iraque. Eu acho que nunca ouvi essa explicação antes e eu já ouvi explicações bem absurdas para o 11 de setembro. E eu pediria ao congressista que retirasse seu comentário e se retratasse.
PAUL: Eu acredito muito sinceramente que a CIA está correta quando ensinam e falam sobre blowback. Quando fomos ao Irã em 1953 e instauramos o Xá, sim, houve blowback. A reação a isso foi a tomada de reféns, e isso persiste. E se nós ignorarmos isso, fazemo-lo sob nosso próprio risco. Se acharmos que podemos fazer o que quisermos pelo mundo sem incitar o ódio, então temos um problema. Eles não vêm aqui nos atacar porque somos ricos e livres, eles vêm e nos atacam porque estivemos lá.
Ron apoia uma política externa não-intervencionista para os EUA e defende o retorno imediato das tropas americanas que se encontram no Iraque. Em julho de 2007, sua campanha recebeu mais doações de empregados das forças armadas do que as de todos os outros candidatos.

Artigo recente do senador Ron Paul, no Blog Rcesar.net sobre o fim do Dólar como moeda mundial:

http://rcesar.net/2012/09/por-quanto-tempo-o-dolar-mantera-o-status-de-moeda-de-reserva/

Por Quanto Tempo o Dólar Manterá o Status de Moeda de Reserva?

Por Quanto Tempo o Dólar Manterá o Status de Moeda de Reserva?
8 de setembro de 2012
By rcesar
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How Long Will the Dollar Remain the World’s Reserve Currency? Escrito por Ron Paul, publicado no SAFEHAVEN:
Nós sempre ouvimos a imprensa se referir ao dólar estadunidense como a “moeda de reserva mundial”, dando a entender que o dólar sempre manterá seu valor numa economia sempre dinâmica. Mas essa é uma suposição errada e perigosa.

Desde 15 de Agosto de 1971, quando Nixon acabou com a paridade ouro/dólar e se recusou a pagar qualquer uma das 280 milhões de onças (31 gramas) de ouro, o dólar estadunidense vem operando totalmente sem lastro. Isso significa que o dólar se tornou um artigo de fé na contínua estabilidade e poder do governo norte americano.

Na realidade, nós declaramos nossa insolvência em 1971. Todos reconheceram que algum outro sistema monetário teria que ser criado para trazer estabilidade aos mercados.

Surpreendentemente, um novo sistema foi criado que permitiu os EUA operarem a impressora da moeda de reserva mundial sem qualquer restrição, nem mesmo uma pretensão de conversibilidade do ouro! Percebendo que o mundo estava embarcando em algo novo e incompreensível, a elite controladora do dinheiro, com um forte suporte das autoridades dos EUA, criaram um acordo com a OPEP na década de 70 para cotar o petróleo exclusivamente em dólares. Isso deu ao dólar um lugar especial entre as moedas mundiais e na essência lastreou o dólar em petróleo.

Em contrapartida, os EUA se comprometeram em proteger os vários reinos ricos em petróleo do golfo pérsico contra a ameaça de uma invasão ou golpe interno. Esse acordo ajudou a disparar movimentos radicais islâmicos entre aqueles que se ressentiam da nossa influência na região. Esse acordo também deu ao dólar uma força artificial com tremendos benefícios financeiros para os EUA. Isso nos permitiu exportar nossa inflação através da compra do petróleo e outros produtos com um grande desconto enquanto o dólar prosperava.

Em 2003, no entanto, o Irã começou a cotar o seu petróleo em Euros para o mercado asiático e europeu. O governo iraniano abriu em 2008 uma “bolsa de petróleo” na ilha de Kish no golfo pérsico com o propósito de comercializar petróleo em euro e em outras moedas. Em 2009 o Irã não tinha mais nenhuma transação com petróleo em dólar. Essas ações do segundo maior produtor de petróleo da OPEP criou uma ameaça direta a continuidade do dólar como moeda internacional de reserva, uma ameaça que parcialmente explica nossa hostilidade para com Teerã.

Enquanto a erosão do nosso acordo “petrodólar” com a OPEP certamente ameaça o status do dólar no oriente médio, uma ameaça maior surge no extremo leste. Nossos maiores benfeitores dos últimos 20 anos – Bancos Centrais asiáticos – perderam seu apetite por dólares. China, Japão e a Ásia em geral eram muito felizes por terem instrumentos da dívida americana, mas eles não vão promover nossos hábitos de consumo para sempre. Bancos Centrais estrangeiros entendem que os líderes americanos não tem a disciplina para manter uma moeda estável.

Se agirmos agora para substituir o sistema sem lastro do dólar por um sistema estável lastreado em metais preciosos ou comodities, o dólar pode reaver seu status de reserva de valor segura perante outras moedas. Se não, o resto do mundo vai abandonar o dólar.

Tanto o congresso como os consumidores americanos vão finalmente experimentar uma maior custo para pegar dinheiro emprestado. Lembre-se, nossa economia de consumo é baseada no desejo de estrangeiros em adquirir dívida dos EUA. Nós teremos uma total reorganização da economia mundial se o governo federal não puder mais imprimir dinheiro, tomar empréstimo e gastar dinheiro num ritmo que satisfaça seu apetite sem fim.

Na realidade os outros países já perceberam que manter o dólar como moeda de referência é o caminho para o colapso, mas infelizmente não há uma outra moeda que possa substituir o dólar hoje. As medidas para abandonar o dólar como moeda de referência já começaram, isso já é um processo sem volta, mas será um processo muito lento.

Na última reunião dos BRICS foi firmado um acordo para a formação de um bloco econômico onde as transações comerciais se fariam com as moedas dos participantes, sem o uso do dólar. China já vem fazendo comércio bi-lateral com Rússia e Japão em suas próprias moedas e a China recentemente criou acordo de swap de moedas com Brasil e Chile. O embargo ao Irã está sendo transposto com o uso de ouro para a compra de petróleo.

Como disse Ron Paul, o dólar é hoje lastreado pelo petróleo. Não que os EUA produzam suficiente petróleo para lastrear sua moeda, muito pelo contrário: os EUA são os maiores consumidores de petróleo do mundo. O lastreamento é baseado na “imposição” dos EUA em que os petróleo continue sendo cotado em dólar e aqueles que tentarem desafiar essa imposição sofrerão embargos ou até invasões militares.

Os EUA hoje importam petróleo praticamente sem custo, precisando apenas imprimir as verdinhas. O fim do dólar como moeda internacional de referência significaria que os EUA teriam que produzir alguma coisa para trocar por petróleo. Além disso, os trilhões de dólares em posse dos Bancos Centrais estrangeiros e grandes investidores voltariam para os EUA fazendo a inflação explodir. Na realidade, o fim do dólar como moeda de referência significaria uma redução brutal no padrão de vida americano.

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Bertold

14 de setembro de 2012 às 11h08

Parece que o tal embaixador era diplomata de fachada pois atuou diretamente com a CIA para derrubar Kaddaf, logo…

Responder

Hélio Pereira

14 de setembro de 2012 às 09h18

O império esta colhendo os frutos daquilo que plantou!
O que preocupa é o Presidente Obama dizer que,”os EUA farão Justiça”.
Todo mundo conheçe a maneira que os Norte-americanos fazem Justiça;assassinam lideres que os incomodam,jogam Bombas em Povoados atingindo Escolas,Creches,Asilos,Fabricas,Hospitais e depois invadem paises cujos Governantes não lhes sejam submissos,depondo Governantes legitimamente eleitos e colocando no Poder seus testas de Ferro.
Para completar a “Justiça” prendem crianças com menos de 14 anos considerando os como “Terroristas Perigosos” e os jogam em Guantánamo,onde ficam presos sem direito a visita de Parentes ou de Advogados,como fizeram com dezenas de Jovens Afegãos que estão Presos até hoje sem nenhum tipo de assistência Juridica e sem Julgamento,alem de sofrerem Torturas por parte dos Soldados americanos.
Agora Obama posa de vitima,mas de vitima ele não tem nada!

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A morte do embaixador dos EUA na Líbia: Pepe Escobar avisou « Ficha Corrida

14 de setembro de 2012 às 09h02

[…] A morte do embaixador dos EUA na Líbia: Pepe Escobar avisou « Viomundo – O que você não vê na… Rate this:Sirva-se:Gostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar disso. Deixe um comentário […]

Responder

FrancoAtirador

14 de setembro de 2012 às 08h49

.

Was Nakoula Basseley Nakoula an FBI Informant and the “Innocence” Film a Honeypot Trap?

by Scott Creighton

http://willyloman.wordpress.com/2012/09/14/was-nakoula-basseley-nakoula-an-fbi-informant-and-the-innocence-film-a-honeypot-trap/

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Francisco

14 de setembro de 2012 às 01h57

Uma das maiores rebeliões do século XIX e a maior que a Inglaterra enfrentou foi na India. Os soldados indianos se recusaram a manejar com a boca, balas lubrificadas com banha de porco. Para eles, porco é impuro.

Um século depois, um desocupado resolve fazer um filme degradante para Maomé e os islamicos e acha que vai ficar por isso mesmo. Imagine um filme com o Papa fazendo pedofilia com um monte de meninos e somente preocupado com seus sapados Prada. Imagine um filme com Billie Graham preocupadissimo com contas na Suiça, traçar a mulher do próximo e tomar grana dos incautos. Haveria reações, sem dúvida – a despeito de muitos poderem dizer que esses roteiros poderiam conter muita (ou pouca…) verdade.

Agora imagine o filme que mostrasse os presidentes dos EEUU como realmente são: genocidas de praticamente todos os povos da terra, sejam democracias ou não, pacificos ou não, financiando regimes torturadores e corruptos, desespero e morte. Haveria alguma reação?

Haveria alguma reação ao roteiro que tentasse estabelecer um paralelo entre o sionismo e o nazismo, ou entre Golda Meir e Hernan Cortez?

No século XXI a humanidade ainda não aprendeu que é preciso gentileza e tato. É preciso respeitar a cultura do outro. A fé do outro. É preciso apostar na politica e na construção do consenso. Cada povo do mundo (nós inclusive) tem seu nervo exposto, seu ponto sensivel. Deixe-mo-lo de lado quando os ataques são intempestivos, tratemos deles com sutileza.

O mais ironico é que o tal filme foi feito para mostrar que os islâmicos são belicosos. Quando um não quer dois não brigam…

PS. E tem uns humoristas brasileiros (stand-up) que acham o maior barato esse humor estadunidense que, resumidamente, consiste em ser racista, preconceituoso e boçal. Vê no que dá?

Responder

Antonio Marcos

14 de setembro de 2012 às 00h20

Os ianques querem mandar no mundo, estão colhendo o preço.

USA imperialistas e usurpadores, uma hora o império americano vai cair, já está em decadência, é questão de tempo para afundar de vez.

Responder

Marat

13 de setembro de 2012 às 23h52

Primavera árabe 2.0: Yankees go home, ou seria “go hell”?

Responder

Marat

13 de setembro de 2012 às 23h50

Mais um sátrapa do império é abatido tal qual um cão. Logo mais outros o visitarão no inferno

Responder

Luca K

13 de setembro de 2012 às 18h48

Hilária Clinton, criminosa de guerra não indiciada, gargalha sobre o assassinato de Gaddafi, imitando a fala do romano César.(Vim, vi e venci)
Hilária, ‘viemos, vimos e ele(gaddafi) morreu’, gargalhada.
http://www.youtube.com/watch?v=J_x04Gn3-2g
Essa ordinária agora finge espanto com o q ocorreu em Benghazi, após os EUA/OTAN darem todo o apoio militar a grupos radicais sunitas na Líbia.
Colhem o q plantaram.

Responder

carlos dias

13 de setembro de 2012 às 14h10

Eu nem sei quem é pior…

Responder

Luca K

13 de setembro de 2012 às 13h47

KKKkk, como se diz nos EUA, ‘what goes around, comes around’! Ora, os EUA estiveram por trás de toda a operação para destruir o governo laico na Libia de Gaddafi. A “rebelião” nasceu na Cirenaica, leste da Líbia, região q concentra o maior número de radicais islâmicos per capita do mundo!! Não é chute mas deriva de arquivos da Al Qaeda capturados pelos americanos no Iraque detalhando local de origem dos combatentes. Em números totais, os sauditas ficam em 1º lugar(libios em 2º) mas a população líbia é muito menor. E o detalhe é q os líbios são oriundos quase q exclusivamente da Cirenaica onde fica Benghazi. Já na década de 90 jihadistas líbios voltando do Afeganistão(onde lutaram contra os soviéticos) fundaram o LIFG(grupo islâmico líbio de combate) q conduziu uma guerra de guerrilha contra Gaddafi objetivando a criação de um estado islamita na Libia. Foram derrotados naquela oportunidade. Mais tarde o grupo se afiliou a Al Qaeda e é designado como terrorista pelo próprio departamento de Estado americano! Qdo apoiaram essa galera, os EUA sabiam de tudo isso. Fazem o mesmo agora na Síria. O estudo de West Point pode ser baixado-ou podia- da net em pdf. Alguns dados do estudo: ‘According to West Point authors Joseph Felter and Brian Fishman, Saudi Arabia took first place as regards absolute numbers of jihadis sent to combat the United States and other coalition members in Iraq during the time frame in question. Libya, a country less than one fourth as populous, took second place. Saudi Arabia sent 41% of the fighters. According to Felter and Fishman, “Libya was the next most common country of origin, with 18.8% (112) of the fighters listing their nationality stating they hailed from Libya.” Other much larger countries were far behind: “Syria, Yemen, and Algeria were the next most common origin countries with 8.2% (49), 8.1% (48), and 7.2% (43), respectively. Moroccans accounted for 6.1% (36) of the records and Jordanians 1.9% (11).”2’ Felter and Fishman point out: “Almost 19 percent of the fighters in the Sinjar Records came from Libya alone. Furthermore, Libya contributed far more fighters per capita than any other nationality in the Sinjar Records, including Saudi Arabia.”

Responder

Hans Bintje

13 de setembro de 2012 às 12h40

Irrelevante. A morte do embaixador é irrelevante: mais um registro para as estatísticas, se tanto.

As questões são: como chegamos a esse ponto? Há saída? Existe a vontade de acalmar os ânimos?

A primeira parte, tanto o Pepe Escobar quanto o Azenha responderam com a tradicional competência. A crítica aos jornalões fica em segundo plano: quem é que vai querer sair do ar condicionado do “aquário”, sujar os sapatos, lidar com gente “fedida” (modo ironia: ligado) que não fala sua língua e não segue seus costumes?

As demais questões são tema para a Mãe Dinah.

Sim, porque quem imaginaria a divulgação de um filme tão ofensivo perto da data fatídica do 11 de setembro?

Será que existem condições e vontade de elaborar e implementar políticas sociais nessas regiões conflagradas? Ou estamos lidando com religiosos neoliberais, adeptos do Estado mínimo ou mesmo do não-Estado?

E que precisam inventar inimigos o tempo todo para justificar sua própria permanência no poder.

Responder

Ricardo Almeida

13 de setembro de 2012 às 12h14

Caro Luis Azenha, ontem eu seu site, publiquei uma mensagem a respeito do descaso da CAPES com os pagamentos de bolsas do Programa Institucional com Bolsas de Iniciação à Docencia.

Por que o senhor nao deu destaque ao mesmo?

Achei que fosse mais democrático.

Responder

    Maria Libia

    13 de setembro de 2012 às 13h00

    Você só pensa em seu umbigo? É para isso que serve a democracia? Privilégios devem ser relegados a uma causa maior. Se não está satisfeito, vá se queixar para o bispo.

    Vlad

    13 de setembro de 2012 às 14h41

    kkkkkkkkkkkkk
    Pelo visto, não está com muita paciência a Líbia.
    Não provoquem!

    Jotace

    13 de setembro de 2012 às 17h14

    Cara Maria Líbia,

    Não pude deixar de rir com a tua afiada resposta. Certo que tens razão, mas quanto ao bispo por que não explicastes melhor? Seria o celebrado Bispo de Guarulhos? Abs, Jotace

    Mário SF Alves

    14 de setembro de 2012 às 15h05

    Êê… desculpa aí, Maria Líbia, mas o trodalho do carilho do Vlad ficou irresistível. E isso dizer da preciosidade irônica do Jota. Valeu.

Willian

13 de setembro de 2012 às 12h12

A morte do embaixador americano é culpa dos EUA; se fosse um embaixador, sei lá, venzuelano, também seria dos EUA. Contudo, se fosse da Guiné Bissau, aí sim, seria dos EUA. Já por outro lado, se fosse um embaixador do Equador, aí não, seria desta vez dos EUA.

P.S. Será que qua a blogosfera progressista concorda que há nela um alinhamento automático anti-americano? É contra os EUA estamos a favor; é a favor estamos e, qualquer notícia, o viés procurado é o anti-americano. Ou, ao contrário da grande mídia, há equilíbrio na análise dos fatos?

Responder

    rodrigo

    13 de setembro de 2012 às 13h00

    Para você se entender a si mesmo faltam duas coisas, aprenda os conceitos de auto-determinação dos povos e compare com o american-way-of-life implícito em seu texto. Aí depois você passa no caixa, recebe o vale troll e esquece de tudo.

    : *

    Altemar

    13 de setembro de 2012 às 14h49

    Rodrigo,
    acho que esse cara não é troll não.
    É bem pior.

    Mário SF Alves

    14 de setembro de 2012 às 15h02

    E tome simplificações!

    Eeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiii, acorda Willian!

Jair de Souza

13 de setembro de 2012 às 11h03

Tanto a parte introdutória do L. C. Azenha como o texto de Pepe Escobar me ajudam a reflexionar sobre algumas questões que considero de grande importância.

Primeiro, fica desmascarada de uma vez por todas a tentativa de fazer da Al Jazeera um exemplo do que seria bom jornalismo de verdade. Eu já li coisas desse tipo até mesmo por aqui. O que a gente está acabando de entender é que aquele projeto de televisão moderna, com excelentes quadros jornalísticos, liberdade de atuação para os mesmos, etc., era tão somente uma estratégia para ganhar legitimidade junto à opinião pública internacional. Na hora do “vamo vê”, o que teria mesmo de prevalecer era a opinião e os objetivos de seu dono, ou seja de seu Emir. Para quem não sabia, o Qatar é um Estado totalmente dominado (e possuído) pela monarquia absoluta da família Al Thani. Logicamente, nem o Emir, nem o restante da família AlThani tem interesse em tornar o Qatar uma democracia, por mais mínima que seja. Só de passagem, aqui no Brasil também há gente extremamente reacionária e autoritária que decidiu ganhar credibilidade para seus meios de comunicação contratando os melhores quadros jornalísticos existentes no país. Tenho pra mim, que na hora de nosso “vamo vê”, o que vai prevalecer também será a opinião e os interesses de nosso “Emir” (que definitivamente não é igual às dos grandes jornalistas que ele emprega atualmente).

Em segundo lugar, mais uma vez está comprovada a simbiose entre os dirigentes da política exterior dos EUA e os dos grupos fundamentalistas que compõem a Al Qaeda. Assim como ocorreu no Afeganistão, onde Al Qaeda, Israel, Estados Unidos e as potências europeias trabalharam unidas, a aliança voltou a se consumar tanto na Líbia como, agora, na Síria. Novamente, são os Estados Unidos e as potências europeias os principais responsáveis pelo fortalecimento e expansão da Al Qaeda e do fundamentalismo islâmico.

Uma terceira conclusão que extraio é quanto à postura de certas “esquerdas” nos momentos decisivos das ações imperialistas. Boa parte da “esquerda” europeia, até mesmo aquela que a gente acreditava que era esquerda de verdade (gente que se expressa através do portal Rebelion.org, por exemplo), acabou por aderir às ações das forças imperialistas e a apoiar a derrubada dos governos não afins aos interesses ocidentais. Essa “esquerda” trata de justificar tudo o que vem sendo feito (e o que já foi feito) contra os governos de Gadaffi, na Líbia, e o de Al Assad, na Síria, como se nada pudesse ser pior do que eles. Nem mesmo a destruição de seus países pelas forças do imperialismo e de seus agentes locais, com a consequente instalação de regimes títeres, seria pior do que a permanência daqueles governos no poder. Em outras palavras, estas “esquerdas” deixaram patente seu caráter eurocêntrico, orientalista (no sentido que Edward Said dá ao termo) e, no fundo, pró-imperialista.

Quanto a isto, é preciso dizer que aqui no Brasil também nós temos este tipo de esquerda. Quem leu os artigos de Flávio Aguiar em Carta Maior sobre a morte de Gadaffi deve saber do que eu estou falando.

Em resumo, o que podemos tirar de conclusão de tudo o dito acima é a famosa frase de nosso grandioso Che Guevara: “No imperialismo não podemos confiar nem um tantinho assim.”

Responder

FrancoAtirador

13 de setembro de 2012 às 09h30

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Google bloqueia vídeo sobre Maomé apenas na Líbia e Egito

Por Gerry Shih e Sue Zeidler, na Reuters

SÃO FRANCISCO/LOS ANGELES, 13 Set – O site de vídeos YouTube, de propriedade do Google, não irá remover o clipe de um filme zombando do profeta muçulmano Maomé, que tem sido acusado de provocar os protestos anti-EUA no Egito e na Líbia, mas bloqueou o acesso a ele nesses países.

O clipe, com base em um filme de longa-duração, retrata o profeta como uma fraude e um mulherengo, e tem sido responsabilizado por provocar violência contra embaixadas dos EUA no Cairo, Iêmen e Líbia. O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três diplomatas norte-americanos foram mortos por homens armados em um ataque contra o consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, na terça-feira.

A resposta do Google à crise acentuou a luta que a companhia enfrenta, assim como outras empresas similares, para conciliar liberdade de expressão com preocupações legais e éticas em tempos em que as mídias sociais têm impacto nos eventos mundiais.

Especialistas dizem ter constatado que um grupo de empresas de Internet geralmente tem uma abordagem de não-responsabilização em relação a discursos políticos controversos, talvez motivado por considerações idealistas e de negócios.

Em uma breve declaração na quarta-feira, os dirigentes do Google rejeitaram a ideia de remover o vídeo, alegando que este não violava as políticas do YouTube, mas restringiram o acesso aos espectadores no Egito e na Líbia devido às circunstâncias especiais nesses países.

“Este vídeo – que está amplamente disponível na Web – está claramente dentro de nossas diretrizes e, portanto, vai permanecer no YouTube”, disse o Google em um comunicado. “No entanto, dada a situação muito difícil na Líbia e no Egito, nós restringimos temporariamente o acesso em ambos os países.”

A empresa acrescentou: “Nossos corações estão com as famílias das pessoas assassinadas no ataque de ontem na Líbia.”

O clipe de 14 minutos é um trailer de um filme chamado “Innocence of Muslim” (A inocência dos muçulmanos), amplamente atribuída a um homem que se descreveu como um judeu israelense chamado Sam Bacile, que vive na Califórnia.
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“O Islã é um câncer”, diz diretor de filme que revoltou islâmicos

Do Opera Mundi

“O Islã é um câncer e ponto final”, afirmou nesta quarta-feira (12/09) o diretor do filme que provocou manifestações de repúdio nas embaixadas dos Estados Unidos na Líbia e no Egito, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. Esta é a ideia que deu base à produção milionária A Inocência dos Muçulmanos que compara os islâmicos a um burro e mostra o profeta Maomé tendo relações sexuais com diferentes mulheres.

Escondido em um lugar não identificado, Sam Bacile continuou a provocar os fiéis do Islã. O norte-americano, que prefere se identificar como um israelense judeu, acredita que o filme vai ajudar o Estado judeu a dominar o território da Palestina por mostrar as falhas do Islã ao mundo.
“É um filme político”, disse ele ao descrever a sátira islamofóbica, que foi financiada por mais de 100 doadores judeus e custou US$ 5 milhões. O filme de duas horas foi filmado ao longo de três meses na Califórnia e utiliza atores amadores.

Apesar do trailer de A Inocência dos Muçulmanos ter sido divulgado em julho por meio do YouTube, o filme só conquistou a atenção do público depois de ganhar legendas em árabe na semana passada. Desde então, milhares de pessoas assistiram à versão, aprovada pelo diretor, e uma emissora egípcia chegou a reproduzi-la.

Em apenas 13 minutos, o trailer mostra, de um jeito cômico, muçulmanos atacando uma cidade e todos aqueles que possuem religião diferente, incluindo uma bela garota com uma cruz no peito. Em outras cenas, o profeta Maomé é chamado de “bastardo”, briga por um pedaço de carne com uma de suas esposas, aparece sem cuecas e faz sexo oral em uma mulher.

O filme provocou a ira de centenas de islâmicos que protestaram nesta terça-feira (11/09) em frente à Embaixada dos EUA no Cairo, capital egípcia, e ao consulado do país em Bengazi, segunda maior cidade da Líbia.

Em decorrência dos protestos, o embaixador norte-americano na Líbia, J. Christopher Stevens, e outros três funcionários morreram, segundo informaram autoridades dos EUA e do país nesta quarta-feira (12/09).

A Inocência dos Muçulmanos, no entanto, conquistou o apoio de Terry Jones, pastor norte-americano, que pretende transmitir o filme na próxima quinta-feira (13/09) em sua igreja, na Flórida. “É uma produção norte-mericana, não foi feita para atacar os muçulmanos, mas mostra sua ideologia destrutiva”, disse ele, que foi responsável por queimar dezenas de cópias do Alcorão, livro sagrado do Islã.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/24266/o+isla+e+um+cancer+diz+diretor+de+filme+que+revoltou+islamicos+.shtml
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” Eu me pergunto como isso pode acontecer
num país que ajudamos a libertar,
numa cidade que ajudamos a salvar da destruição? ”

(Hillary Clinton, Secretária de Estado dos EUA)

Responder

    Ricardo Oliveira

    13 de setembro de 2012 às 12h47

    É muita cara de pau dizer como pode acontecer em um pais que ajudamos a se libertar. Não pode estar falando sério, ou caso esteja ainda é mais grave. O fundamentalismo religioso é constantemente incentivado pelo sistema americano. O que esperar dessa gente que oferece como exemplo relação sexual com charuto.

    FrancoAtirador

    13 de setembro de 2012 às 22h45

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    É, meu caro Ricardo Oliveira.

    Passam os séculos.

    A Ciência avança.

    E a Humanidade estagnada

    Na ignorância e no Preconceito.

    Fundamentalismo Judaico.

    Fundamentalismo Islâmico.

    Fundamentalismo Cristão.

    Destino Manifesto.

    Tea Party.

    Cruzada Medieval.

    Guerra Santa.

    Civilização obscurecida

    Nos próprios dogmas…
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Julio Silveira

13 de setembro de 2012 às 07h47

Começam as consequencias das cirurgicas investidas “democraticas” americanas.

Responder

Ana Cruzzeli

13 de setembro de 2012 às 07h37

Azenha, o que o Brasil poderia fazer depois que a China e Russia liberaram a Zona aérea libia? Afinal o Brasil se alinhou a eles e eram eles que tinham o poder de veto na ONU, já na Siria a coisa foi diferente. A Russia e China aprenderam a lição, mas o Brasil apoiou a ida de um representante da ONU por lá e deu no que deu.

Não estava na cara que o Kofi Annan iria pedir a rendição de Assad, depois isso foi ficando claro aí sim essa foi uma grande decepção. Agora a Siria está se dissolvendo lentamente, mas ainda é uma Siria com identidade melhor isso do que nada, contudo o Irã está a lhe apoiar, que não é pouca coisa. Se a liderança turca não fosse tão obtusa talvez nada disso estaria acontecendo.

De resto, parece que a comunidade muçulmana egpcia está alinhada a comunidade muçulmana libia. A sintonia parece ser fina mesmo, numa semana foi a invasão da embaixada no Egito e na outra em Benghazi.
Os extremistas religiosos não são bons, mas para expulsar os ianques da Libia qualquer ajuda é bem vinda.
Os EUA querem dividir para dominar e tirar Benghazi da Libia é meta. Pelo visto esqueceram de combinar com alguém que está alinhado com o filho de Kaddafi e parece que uma das filhas dele, Kaddaf lá na Tunisia está fazendo um grande papel.
Se em Benghazi tem muito petroleo, comida está no centro-oeste e oeste da Libia, parece que o desabastecimento e carestia provocada pela invasão já começou.

Só de ver a Hillary dando chilique, os extremistas religiosos já tem meu apoio. Matar nunca é bom, mas os 100000 mil mortos libios para 1 morto ianque já é um bom começo. Quando a Hillary matou 100 000 ela não deu ataque, quando ela mandou matar o lider de milhares de libio ela não deu ataque.

Não, os EUA tem que ter um freio e ver a Russia-Irã-China unidas é tudo que a Hillary não queria, mas acabou por provocar. Nunca os muçulmanos tiveram tanta força quanto agora.

O melhor que o Brasil pode fazer aos sirios, libios, libaneses, turcos etc é o que está fazendo aqui e agora, o nosso bloco não é mais quintal dos EUA. Os descendentes desses povo tem que fazer o melhor por aqui, que acabará refletindo por lá.

Portugal fez muito bem ao mundo, o Brasil foi sua melhor obra.

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    Bonifa

    13 de setembro de 2012 às 10h57

    As Unidades locais da Irmandade Muçulmana estão se impondo em todos estes países, Tunísia, Líbia, Egito, Iemen, a Síria está sob ataque e a Irmandade, que age através da Al Qaeda, espera que com a enorme ajuda ocidental venha a derrotar o regime laico do partido socialista Baath por lá. A Irmandade é, no fundo, obediente às lições de seu fundador Sayed Qutb, o gênio que estudou a evolução da sociedade capitalista americana e depois concluiu que esta evolução levaria inevitavelmente a uma degeneração autodestrutiva capaz de arrastar o mundo inteiro. Então, resolveu retornar ao mundo islâmico para pregar a pureza da sociedade islâmica e o expurgo de qualquer nefasta influência ocidental. Qutb foi condenado à morte pelo regime de Nasser e recebeu a sentença com um sorriso, agradecendo a Alá por ter lhe proporcionado tão honroso martírio. Al Zawahiri foi seu pupilo querido e hoje está à frente da Al Qaeda. Bin Laden era um amador secundário, admitido como chefe apenas em razão do apoio financeiro que deu à luta no Afeganistão. A Al Qaeda tem por prioridade hoje, não o ataque direto ao Ocidente. Não o terrorismo em países ocidentais. Hoje, o objetivo da Al Qaeda é dominar administrativamente estes países muçulmanos, e para isso conta com a ajuda do próprio Ocidente, como aconteceu na Líbia. à parte as lutas de separatismo regional e as ações de milícias e grupos mercenários ativos na Líbia, o governo emergente líbio é tão fiel à Irmandade que já sentenciou o obscurantismo em relação às mulheres. Já se fala até no retorno da mutilação sexual das meninas. Esta postura obscurantista que a Al Qaeda prega como pureza, agrada Israel, que sabe que em tal ambiente jamais prosperarão o ensino universitário, o avanço científico e alguma séria ameaça militar à sua hegemonia na região. Quanto ao Ocidente, o que deseja é unicamente o domínio do petróleo da região. E o progresso que deseja que venha ocorrer ali é apenas aquele que se vê através dos brinquedinhos arquitetônicos estúpidos das cidades do Golfo, que parecem espantosos sinais de avanço tecnológico, mas são apenas zero de conhecimento fecundo e zero de progresso social.

Bonifa

13 de setembro de 2012 às 04h24

É complicado entender, mas os objetivos de Israel e da Al Qaeda no Oriente Médio são os mesmos. Os de Israel, por motivos estratégicos. Os da Al Qaeda, por objetivo sagrado. E os objetivos de Israel são os mesmos objetivos dos EUA, que são também os objetivos da OTAN. Israel suportaria tudo, menos países vizinhos árabes se transformando em estados laicos de grande desenvolvimento econômico, científico e de boa inserção cultural no mundo globalizado. Este seria o maior perigo para Israel, perigo maior ainda se tais países conseguissem estabelecer algum tipo de democracia, mesmo embrionária. Não foi por outra razão que o Líbano, ao gozar de breve período de paz interna e assim atrair numerosos investimentos externos e se apresentar com pujante progresso econômico, sofreu impiedoso e arrasador bombardeio israelense na sua infraestrutura. A Al Qaeda tem esse mesmo objetivo. Sua luta é contra o progresso do tipo ocidental, considerado pela legítima Irmandade Muçulmana, da qual a Al Qaeda é um braço armado, como uma aberração da humanidade. Neste contexto, as revoluções árabes jamais levariam a uma democracia de tipo ocidental, isso é um sonho sem amparo algum na realidade. Elas levarão a países eternamente convulsionados por conflitos internos intermináveis, consumindo a sí próprios em pequenas escaramuças entre irmãos cegos e surdos, até que a Al Qaeda assuma o comando de todos eles, o que também é impossível porque os ocidentais estão de olho. E este cenário de eterna convulsão é bom para os interesses de quem não quer progresso algum na região. Regimes como os da Líbia, com feição de tolerância laica, dinheiro aplicado em gigantescos projetos de desenvolvimento e de igualdade e progresso social, ou o da Síria, com paz assegurada entre um leque de diversidade religiosa que inclui grande presença cristã, conseguiam impor o equilíbrio e a convivência entre as tribos, apresentando cidades onde mulheres andavam vestidas à moda ocidental e sendo naturalmente aceitas. Isto é a imagem do reinado do próprio demônio, para a Al Qaeda. E é um progresso perigoso para Israel, que quer continuar a ser o único país desenvolvido da região, uma luz de civilização entre bárbaros estúpidos, o único com ciência avançada e com armas nucleares.

Responder

    francisco.latorre

    13 de setembro de 2012 às 21h07

    isso. mesmo.

    fechou.

    ..

    Mário SF Alves

    14 de setembro de 2012 às 15h52

    Daí, só uma conclusão: ou se vai de pílula vermelha ou se vai de azul. Bravo, Bonifa.

    Em tempo: pelo visto você já está fora da matrix a muito tempo. Mas, o que fazer com tal consciência, com tal realismo, com tal liberdade? E quanto a nós, brasileiros, qual o caminho que se descortina? Qual a saída? Parece que a coisa anda mais pra o “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, não é não? Ou, nada disso, e é justamente de embate entre o mar e o rochedo que surgirá o novo, a superação das trevas que até hoje afligiram e travaram o desenvolvimento da humanidade?

    Mário SF Alves

    14 de setembro de 2012 às 17h30

    Ou seja, a equação está bem montada. E mais, dá até pra entender um pouquinho sobre o papel da Rússia e do Irã nessa história toda; quero dizer, o porquê da atual resistência, coisa que “não aconteceu” quando da desestruturação da Líbia. Pura geopolítica.


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