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Slavoj Zizek: A privatização do conhecimento intelectual

22 de janeiro de 2012 às 22h46

A Revolta da Burguesia Assalariada

Slavoj Žižek, no London Review of Books

Como foi que Bill Gates se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos? A riqueza dele não tem nada a ver com a Microsoft produzir bons programas a preços mais baixos que a competição, ou com ‘explorar’ seus trabalhadores com mais sucesso (a Microsoft paga um salário relativamente alto a seus trabalhadores intelectuais). Milhões de pessoas ainda compram programas da Microsoft porque a Microsoft se impôs quase como um padrão universal, praticamente monopolizando o mercado, como uma personificação do que Marx chamou de “intelecto geral”, com o que ele quis dizer conhecimento coletivo em todas as suas formas, da Ciência ao conhecimento prático. Gates privatizou eficazmente parte do intelecto geral e ficou rico ao se apropriar do aluguel deste intelecto.

A possibilidade de privatização do intelecto geral é algo que Marx nunca previu nos seus escritos a respeito do capitalismo (em grande parte porque ele negligenciou a dimensão social do capitalismo). Ainda assim, isso está no centro da luta atual sobre propriedade intelectual: na medida em que o papel do intelecto geral – baseado no conhecimento coletivo e na cooperação social – aumenta no capitalismo pós-industrial, a riqueza se acumula de forma desproporcional no trabalho gasto na sua produção. O resultado não é, como Marx parecia esperar, a autodissolução do capitalismo, mas a gradual transformação do lucro gerado pela exploração do trabalho em renda apropriada através da privatização do conhecimento.

O mesmo vale para os recursos naturais, cuja exploração é uma das principais fontes de renda do mundo. Existe uma luta permanente sobre quem fica com essa renda: os cidadãos do Terceiro Mundo ou as corporações ocidentais. É irônico que ao explicar a diferença entre trabalho (que produz valor excedente) e outras commodities (que consomem todo seu valor no uso), Marx tenha dado como exemplo o petróleo, uma commodity ‘ordinária’. Hoje, qualquer tentativa de ligar as flutuações do preço do petróleo às oscilações de seu custo de produção ou ao preço da exploração do trabalho não faria o menor sentido: o custo de produção é insignificante como proporção do preço que pagamos pelo petróleo, preço que na realidade é a renda que os donos do recurso podem extrair graças à oferta limitada de petróleo.

A consequência do aumento de produtividade causado pelo crescimento exponencial do conhecimento coletivo é uma mudança no papel do desemprego. É o próprio sucesso do capitalismo (maior eficiência, aumento de produtividade, etc.) que produz desemprego, tornando mais e mais trabalhadores inúteis: o que deveria ser uma bênção – menor necessidade de trabalho pesado – se torna uma maldição.

Ou, para explicar de outra maneira, a oportunidade de ser explorado em um emprego de longo prazo agora é experimentada como um privilégio.

O mercado mundial, como disse Fredric Jameson, é “um espaço onde todo mundo já foi um trabalhador produtivo e no qual o trabalho começou, em toda parte, a se precificar fora do sistema”. No atual processo de globalização capitalista, a categoria dos desempregados não se limita mais ao “exército industrial de reserva” de Marx; ela também inclui, como nota Jameson, “essas massas populacionais do mundo que ‘despencaram da história’, que foram deliberadamente excluídas dos projetos modernizadores do Primeiro Mundo capitalista e descartadas como casos terminais ou sem esperança: os chamados estados falidos (Congo, Somália), vítimas da fome ou de desastres ecológicos, os que caíram na armadilha pseudo-arcaica dos ‘ódios étnicos’, objetos da filantropia ou das ONGs ou alvos da guerra ao terror”.

A categoria dos desempregados foi, assim, expandida para incluir uma vasta esfera de pessoas, dos desempregados temporariamente aos que não podem mais conseguir emprego e estão permanentemente desempregados, aos habitantes de guetos e favelas (quase todos esses descartados por Marx como parte do lumpemproletariado), e finalmente todas as populações e estados excluídos do processo capitalista global, como os espaços vazios de mapas antigos.

Alguns dizem que esta nova forma de capitalismo oferece novas possibilidades de emancipação. Essa é a tese de “Multitude”, de Hardt e Negri, que tenta radicalizar Marx, afirmando que se nós simplesmente cortarmos a cabeça do capitalismo, teremos o socialismo. Marx, eles argumentam, estava limitado historicamente: ele pensou em termos de trabalho industrial centralizado, automatizado e organizado hierarquicamente. Como resultado, entendeu o “intelecto geral” como algo semelhante à agência de planejamento central; somente hoje, com o surgimento do “trabalho não-material”, uma mudança revolucionária se tornou “objetivamente possível”.

Esse trabalho não-material se estende entre dois polos:  do trabalho intelectual (a produção de ideias, textos, programas de computador, etc.) a trabalhos afetivos (desempenhados por médicos, babás e comissários de bordo). Hoje, o trabalho não-material é hegemônico, no sentido com que Marx proclamou, no capitalismo do século 19, que a produção industrial em larga escala era hegemônica: ele se impõe não através da força dos números, mas por desempenhar um papel-chave, emblemático de toda a estrutura.

O que emerge é um vasto novo domínio chamado de “commons”: conhecimento compartilhado e novas formas de comunicação e de cooperação. Os produtos da produção não-material não são objetos, mas novas relações sociais e interpessoais; a produção não-material é biopolítica, é a produção da vida social.

Hardt e Negri descrevem aqui o processo que os atuais ideólogos do capitalismo pós-moderno celebram como a passagem da produção material para a simbólica, da lógica da hierarquia centralizadora para a lógica da auto-organização e da cooperação multicentralizada.

A diferença é que Hardt e Negri são fiéis a Marx: eles tentam provar que ele estava certo, que o surgimento do intelecto geral é, a longo prazo, incompatível com o capitalismo. Os ideólogos do capitalismo pós-moderno afirmam exatamente o oposto: a teoria marxista (e a prática), argumentam, continua limitada pela lógica hierárquica do controle centralizado do estado e por isso não consegue lidar com os efeitos sociais da revolução da informação.

Existem boas razões empíricas sustentando o argumento deles: o que de fato arruinou os regimes comunistas foi sua incapacidade de se acomodar à nova lógica social sustentada pela revolução da informação. Eles tentaram dirigir a revolução, fazer dela mais um projeto em grande escala de um governo centralizado. O paradoxo é que o que Hardt e Negri celebram como uma oportunidade única para derrubar o capitalismo é comemorado pelos ideólogos da revolução da informação como o surgimento de um capitalismo novo, sem ‘fricção’.

A análise de Hardt e Negri tem alguns pontos fracos, o que nos ajuda a entender como o capitalismo tem conseguido sobreviver ao que deveria ser (em termos marxistas clássicos) uma nova organização da produção que o tornaria obsoleto. Os dois subestimaram a extensão do sucesso do capitalismo de hoje (ao menos no curto prazo) na privatização do intelecto geral, além de subestimarem a dimensão de como os trabalhadores, mais do que a própria burguesia, estão se tornando supérfluos (com um número cada vez maior de trabalhadores se tornando não apenas desempregados temporários, mas estruturalmente não-empregáveis).

Se o capitalismo antigo idealmente envolvia o empresário que investia (o seu ou emprestado) dinheiro na produção, que ele organizava e geria, e depois tirava lucro disso, um novo tipo ideal está surgindo hoje: não mais o empresário que é dono de sua companhia, mas um administrador especializado (ou um conselho de administração presidido por um CEO), que governa a empresa de propriedade dos bancos (também geridos por administradores, que não são donos do banco) ou investidores diversos.  Neste novo tipo de capitalismo ideal, a velha burguesia, tornada desfuncional, é reciclada como gerenciadora assalariada: os membros da nova burguesia recebem salários, e mesmo quando são donos de parte da empresa, ganham ações como parte de sua remuneração (“bônus” pelo seu “sucesso”).

Essa nova burguesia ainda se apropria da mais-valia, mas no formato (mistificado) do assim chamado “superávit salarial”: eles recebem bem mais que o “salário mínimo” do proletariado (quase sempre um ponto mítico de referência, cujo único exemplo real na economia global de hoje é o salário dos trabalhadores na indústria têxtil da China ou da Indonésia), e é esta distinção em relação proletário comum que determina o status da nova burguesia.

A burguesia no sentido clássico, assim, tende a desaparecer: capitalistas reaparecem como um subsetor de trabalhadores assalariados, como administradores qualificados para ganhar mais pela virtude de sua competência (por isso a avaliação pseudocientífica é crucial: ela legitima as disparidades).  Longe de se limitar aos administradores, a categoria de trabalhadores que ganha superávits salariais se estende a todo tipo de especialista, administradores, servidores públicos, médicos, advogados, jornalistas, intelectuais e artistas. O superávit assume duas formas: mais dinheiro (para gerentes, etc.), mas também menos trabalho e mais tempo livre (para – alguns – intelectuais, mas também para administradores do estado, etc.).

O processo de avaliação usado para decidir quais trabalhadores devem receber superávit salarial é um mecanismo arbitrário de poder e ideologia, sem conexão séria com a verdadeira competência; o superávit salarial existe não por razões econômicas, mas políticas: para manter uma “classe média” e preservar a estabilidade social.

A arbitrariedade na determinação da hierarquia social não é um erro, mas objetivo do sistema, com papel análogo ao da arbitrariedade no ‘sucesso de mercado’.

A violência não ameaça explodir quando existe muita contingência no espaço social, mas quando se tenta eliminar a contingência. Em “La Marque du sacré”, Jean-Pierre Dupuy trata a hierarquia como um dos quatro procedimentos (“dispositivos simbólicos”) que têm como função tornar não humilhante a relação de superioridade: a própria hierarquia (uma ordem imposta externamente que me permite experimentar meu status social mais baixo de forma independente do meu valor inerente); desmistificação (o procedimento ideológico que demonstra que a sociedade não é uma meritocracia, mas o produto de disputas sociais objetivas, que me permite evitar a conclusão dolorosa de que a superioridade de alguém sobre mim é resultado dos méritos e realizações do outro); contingência (mecanismo parecido, através do qual entendemos que nossa posição na escala social depende de uma loteria natural e social; os sortudos nascem com os genes certos, em famílias ricas); e complexidade (forças incontroláveis têm consequências imprevisíveis; por exemplo, a mão invisível do mercado pode me levar ao fracasso e o meu vizinho ao sucesso, mesmo que eu trabalhe muito mais e seja bem mais inteligente).

Ao contrário do que parece, esses mecanismos não contestam ou ameaçam a hierarquia, mas a tornam mais palatável, já que “o que dispara o tumulto da inveja é a ideia de que o outro não merece a sorte que tem e não a ideia oposta – a única que se pode expressar abertamente”. Dupuy tira desta premissa a conclusão de que é um grande erro pensar que uma sociedade razoavelmente justa, que se enxerga como justa, estará livre de ressentimento: pelo contrário, é nessas sociedades que aqueles que ocupam as posições inferiores encontrarão nas explosões violentas de ressentimento um veículo para seu orgulho ferido.

Isso está conectado ao impasse que a China enfrenta hoje: o ideal das reformas de Deng era introduzir o capitalismo sem uma burguesia (já que ela formaria a nova classe dominante); agora, porém, os líderes da China estão descobrindo dolorosamente que o capitalismo sem uma hierarquia estabelecida, possibilitada pela existência de uma burguesia, gera instabilidade permanente. Então, que caminho a China seguirá?

Os ex-comunistas estão emergindo como os administradores mais eficientes do capitalismo porque sua inimizade histórica com a burguesia como classe casa perfeitamente com a tendência atual do capitalismo de se tornar um capitalismo administrativo, sem burguesia – nos dois casos, como Stalin disse faz tempo, “os quadros decidem tudo”. (Uma diferença interessante entre a China e a Rússia de hoje: na Rússia, os professores universitários têm salários ridiculamente baixos – eles já são, de fato, parte do proletariado – enquanto na China recebem um superávit salarial confortável para garantir sua docilidade).

A noção de superávit salarial também coloca sob nova ótica os constantes protestos “anticapitalistas”.  Em momentos de crise, o candidato óbvio para apertar o cinto são as classes mais baixas da burguesia assalariada: protestos políticos são seus únicos recursos se quiserem evitar se juntar ao proletariado.

Apesar de seus protestos serem, nominalmente, dirigidos contra a lógica brutal do mercado, elas estão protestando, de fato, contra a erosão gradual de sua posição econômica privilegiada (politicamente).

Em “Atlas Shrugged”, Ayn Rand tem a fantasia de fazer greve contra capitalistas “criativos”, uma fantasia que encontra realização pervertida nas greves de hoje, quase todas sustentadas por “burguesias assalariadas” movidas pelo medo de perder o superávit salarial. Esses não são protestos proletários, mas protestos contra a ameaça de ser reduzido a proletariado.

Quem tem coragem de entrar em greve hoje, quando ter um salário fixo é, em si mesmo, um privilégio? Trabalhadores com baixos salários (o que resta deles) da indústria têxtil, etc., não; mas os trabalhadores privilegiados que têm emprego garantido (professores, empregados dos transportes públicos, policiais), sim. Isso também explica a onda de protestos estudantis: sua principal motivação é, sem dúvida, o medo de que a educação superior não garanta um superávit salarial mais tarde, na vida.

Ao mesmo tempo está claro que o grande renascimento de protestos no último ano, da Primavera Árabe à Europa ocidental, do Occupy Wall Street à China, da Espanha à Grécia, não deve ser descartado meramente como uma revolta da burguesia assalariada. Cada caso deve ser analisado de acordo com seus próprios méritos. Os protestos estudantis contra a reforma universitária na Grã-Bretanha são claramente diferentes dos distúrbios de agosto, que foram um carnaval consumista de destruição, uma verdadeira explosão dos excluídos.

Pode-se argumentar que os levantes no Egito começaram, em parte,  como uma revolta da burguesia assalariada (com jovens educados protestando por conta de sua falta de perspectiva), mas este foi apenas um dos aspectos de um protesto mais amplo contra um regime opressivo. Por outro lado, o protesto não mobilizou, realmente, trabalhadores mais pobres e camponeses e a vitória eleitoral dos islâmicos deixa clara a estreita base social do protesto secular original. A Grécia é um caso especial: nas últimas décadas, foi criada uma nova burguesia assalariada (especialmente na inchada administração estatal), graças à ajuda financeira da União Europeia, e os protestos, em boa parte, foram motivados pela ameaça do fim disso.

A proletarização das camadas mais baixas da burguesia casa, no oposto extremo, com a alta remuneração irracional de administradores e banqueiros do topo (irracional como demonstraram as investigações nos EUA, já que ela tende a ser inversamente proporcional ao sucesso da companhia). Ao invés de submeter essas tendências à crítica moralizante, devemos lê-las como sinais de que o sistema capitalista não é mais capaz de uma estabilidade autorregulada – em outras palavras, ele ameaça ficar fora de controle.

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26 Comentários escrever comentário »

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A crença míope nos superpoderes de blogueiros | Serra Nunca Mais

25/07/2012 - 23h22

[…] e do conhecimento intelectual, colocando ambos dentro de parâmetros aceitáveis pelo mercado (sobre isso, escreveu Slavoj Zizek). Ou é tentativa de intimidação, pura e simples. Esse post foi publicado em Blogueiros e […]

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Política e Comunicação: Serra e a Cruzada Contra a Blogosfera « Ficção e Não Ficção

25/07/2012 - 19h33

[…] e do conhecimento intelectual, colocando ambos dentro de parâmetros aceitáveis pelo mercado (sobre isso, escreveu Slavoj Zizek). Ou é tentativa de intimidação, pura e […]

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A crença míope nos superpoderes de blogueiros | Revista Brasis

25/07/2012 - 00h14

[…] e do conhecimento intelectual, colocando ambos dentro de parâmetros aceitáveis pelo mercado (sobre isso, escreveu Slavoj Zizek). Ou é tentativa de intimidação, pura e […]

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A crença míope nos superpoderes de blogueiros « Viomundo – O que você não vê na mídia

24/07/2012 - 18h27

[…] crítica e do conhecimento intelectual, colocando-o dentro de parâmetros aceitáveis pelo mercado (sobre isso, escreveu Slavoj Zizek). Ou é intimidação, pura e […]

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Safatle: É a falta de educação que quebrará o Brasil « Viomundo – O que você não vê na mídia

09/07/2012 - 23h36

[…] Slavoj Zizek: A privatização do conhecimento intelectual […]

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A FGV investe… na precarização do trabalho | Thiago Esperandio

25/06/2012 - 17h49

[…] O filósofo Zizec tem um ótimo texto analisando as revoltas árabes, europeias e americanas sob este ponto de vista. Para ler, clique aqui  […]

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Mike Whitney: Na Grécia, de volta à estaca zero « Viomundo – O que você não vê na mídia

23/06/2012 - 18h42

[…] Slavoj Zizek: A privatização do conhecimento intelectual […]

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Matheus

12/02/2012 - 00h34

Acho que a melhor ideia deste texto do Zizek é a privatização do conhecimento. Creio ser essa a "alma do negócio" de Bill Gates, o capitalista que enriqueceu com uma renda de propriedade monopolística de uma tecnologia, e não produzindo coisas de maneira mais eficiente, como o Henry Ford, fundador da famosa fabricante de carros.

O resto do artigo é um lamentável encadeamento de absurdos que conduz a um monstro conceitual híbrido, mistura de várias teorias equivocadas. Eu aconselharia Zizek a aprofundar-se mais nos estudos de economia política e estratificação social, se quiser ser levado à sério.

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assalariado.

24/01/2012 - 18h40

O Senhor Zizek deixou de ser marxista faz tempo, virou social democrata, que não olha a produção das riquezas, produzidas pelo coletivo social para a sobrevivencia e bem estar dos seres como um todo. Ele parte de uma analise "marxista" (sim, entre aspas) onde, se quer, aborda a questão central da teoria marxista. Que é o fim da exploração do trabalho dos assalariados que se da através da expropriação da MAIS VALIA produzida nas linhas de produção, que é a hora trabalhada mas, não paga pela burguesia capitalista. Seja nos escritórios, nas fabricas, nos latifúndios, no grande comercio, no transporte coletivo, enfim, … E que, isto se dará com o fim da propriedade privada dos meios de produção.

Karl Marx deixa bem claro em seu livro, O CAPITAL que:

" Na sociedade capitalista as classes sociais fundamentais são: burguesia e o proletariado. A burguesia é a classe dos donos das fabricas, das fazendas, das minas, do grande comercio, dos bancos, etc … Enfim, são os proprietários particulares dos meios de produção, isto é, são donos do capital. Por isso se chamam capitalistas. Estes meios de produção constituem um capital, porque são utilizados dentro de uma relação de exploração."

Quanto a burguesia assalariada, isto é delirio do Zizek. Uma idéia de consumo da social democracia que, diz o seguinte … "vamos explorar o povo, mas nem tanto."

Saudações Socialistas.

Responder

assalariado.

23/01/2012 - 21h48

Conceição/ Azenha, cade meu comentário das 19: 26 hs

Abraços Fraternos.

Responder

    Conceição Lemes

    23/01/2012 - 21h54

    Assalariado, nenhum comentário seu foi vetado. abs

glapido

23/01/2012 - 21h12

Há um marxista lusófono que já há alguns anos propôs um ajuste na teoria de Marx com a definição de uma nova classe, a dos gestores, que, junto de uma, participava da luta de classes contra a outra.

Responder

assalariado.

23/01/2012 - 19h25

O Senhor Zizek deixou de ser marxista faz tempo, virou social democrata, que não olha a produção das riquezas, produzidas pelo coletivo social para a sobrevivencia e bem estar dos seres como um todo. Ele parte de uma analise "marxista" (sim, entre aspas) onde, se quer, aborda a questão central da teoria marxista. Que é o fim da exploração do trabalho dos assalariados que se da através da expropriação da MAIS VALIA produzida nas linhas de produção, que é a hora trabalhada mas, não paga pela burguesia capitalista. Seja nos escritórios, nas fabricas, nos latifúndios, no grande comercio, no transporte coletivo, enfim, … E que, isto se dará com o fim da propriedade privada dos meios de produção.

Karl Marx deixa bem claro em seu livro, O CAPITAL que:

" Na sociedade capitalista as classes sociais fundamentais são: burguesia e o proletariado. A burguesia é a classe dos donos das fabricas, das fazendas, das minas, do grande comercio, dos bancos, etc … Enfim, são os proprietários particulares dos meios de produção, isto é, são donos do capital. Por isso se chamam capitalistas. Estes meios de produção constituem um capital, porque são utilizados dentro de uma relação de exploração."

Quanto a burguesia assalariada, isto é delirio do Zizek. Uma idéia de consumo da social democracia que, diz o seguinte … "vamos explorar o povo, mas nem tanto."

Saudações Socialistas.

Responder

Leo V

23/01/2012 - 19h07

Interessante o artigo.

Porém discordo totalmente de que os protestos no Egito não tenha mobilizado trabalhadores mais pobres e camponeses. Do jeito que o autor escreve parece que os protestos foram de certa forma elitizados, quando na verdade a base de todo o levante foi a ascenção das lutas do movimento operário e das greves, que começou já há alguns anos.

Responder

Claudio Vituriano

23/01/2012 - 18h43

Para estes pensadores que vivem afirmando o fim da classe operária (Zizek e Negri, entre eles) fica uma pergunta:
– Quem vai produzir as mercadorias desenvolvidas pelos trabalhadores intelectuais?
A Apple projeta um de seus brinquedinhos de novo rico, mas, para que os seus fãs possam consumi-lo é necessário que ele seja produzido (atualmente sob condições subumanas na China, mas talvez em outros países do antigo terceiro mundo).
Por mais que o setor de serviços ganhe espaço na economia, os produtos precisam continuar a ser produzidos e quem faz isso é a classe operária. Seja um lanche do McDonald's ou um carro da BMW é preciso haver o trabalho físico para a mercadoria se tornar consumível.
É claro, alguém poderia dizer que num futuro próximo e mesmo em alguns setores da economia atual, o trabalho humano pode ser substituído pelas máquinas (robôs, por ex.), mas, me parece que esta tendência não pode ser levada ao paroxismo, afinal, o trabalho humano ainda é necessário para que o sistema funcione.
Ontem o "Estadão" publicou um artigo muito esclarecedor, publicado originalmente na "New Left Review" onde o Mike Davis, autor do indispensável "Planeta Favela" discute a situação atual do Capitalismo.
A meu ver, esta matéria é fundamental e está disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-primavera-....
Um abraço a todos

Antonio Cláudio Vituriano

Responder

    Leo V

    23/01/2012 - 21h37

    Nunca vi Zizek falando de fim de classe trabalhadora.

    Negri tão pouco. Negri diz que a classe trabalhadora tem outra forma, para ser bem resumido.

    Spbre a hegemonia do trabalho imaterial, não significa que o trabalhador de macacão acabou, mas que seu trabalho exige dele muito mais características imateriais e, mais importante, o topo do ciclo de produção de valor está na parte imaterial da produção. Assim como na época de Marx, embora os trabalhadores industriais fossem ainda minoria, era na indústria que se encontrava o topo do ciclo de produção de valor. O trabalho industrial era hegemônico (não era maior quantitativamente), era sua forma que se espalahava à sociedade, inclusive à agricultura.. era ele que indicava as características tendenciais que seguia a economia e o trabalho.

sávio

23/01/2012 - 16h11

fora de controle…

as concepções sociais e ante-liberais são o sistema imunológico do capitalismo. são elas, num paradoxo, que alimentam o capitalismo. a china cresceu em função do sistema que ela sempre combateu.

nos países ocidentais o sistema educacional tratou de produzir em série os indivíduos que Marx chamou de lumpemproletariado e hoje, além desses, temos o lumpemburguesado. mas a luta continua se o sistema continua. até o chapolin sabe disso.

com o perdão da má palavra, mas que cag…(da) que os soviéticos fizeram com nossas teorias!!!

Responder

Pedro

23/01/2012 - 15h37

É bem provável que o capitalismo dure mesmo do que o feudalismo. A questão atual, creio, é como ajudar a sociedade humana a se livrar de uma forma social que já vai se tornando uma monstruosidade. Estamos vivendo o dilema de encontrar outra forma social que torne útil o imenso volume de riquezas e de meios de produção, ou continuar a sistemática destruição de riquezas comandada por forças que querem se perpetuar no poder convertendo o mundo num imenso campo de concentração.

Responder

    Morvan

    23/01/2012 - 15h59

    Boa tarde.

    Bem pontuado, Pedro.
    Todo modo de produção tem, no seu bojo, a sua "bomba-relógio", o seu mecanismo de autodestruição. Com o "capetalismo" não é diferente, mas os capetalistas (sic!) souberam, através das suas crises cíclicas, se transmutar em novos modos de exploração.
    Ou a humanidade afunda o capetalismo ou o contrário. A predação dos recursos naturais, para sustentar a sanha dos inimigos da humanidade, parece dar sinais claros de fadiga.

    A pergunta é se conseguiremos mudar o modus produciendi antes do Armagedon.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

Renato

23/01/2012 - 12h49

Mais um blablabla socialista.
Eu quero é ganhar $$$ com o conhecimento que eu adquiri, sse possível a partir desse conhecimento aparecer uma invenção vou patentea-la.
Vivam em Cuba.

Responder

E S Fernandes

23/01/2012 - 12h46

"burguesia assalariada". Não sei não!!!

Estranho!

Responder

Péricles

23/01/2012 - 11h06

Obrigado, Heloiza.

Responder

Substantivo Plural » Blog Archive » A Revolta da Burguesia Assalariada

23/01/2012 - 10h41

[…] Por Slavoj Zizek VIA VI O MUNDO […]

Responder

Morvan

23/01/2012 - 00h30

Boa noite.

Heloisa Vilella nos brinda com mais textos importantes. Ótimo.

Neste artigo de Slavoj Žižek, o autor decanta o exemplo da Micro$oft (talvez um dos exemplos mais emblemáticos, para o objeto da discussão).
No caso específico da M$, houve um concurso de fatores que a alavancaram (não estou desqualificando a razão elencada pelo autor – pelo contrário. Alguns dados parecem corroborar a tese).
° Primeiro, houve o empreendedorismo de Gates e de [Paul] Allen, somado a isto um visionarismo inconteste: venderam tudo para fundar uma empresa – literalmente – de fundo de quintal – e apostaram no SoftWare, quando todas as eminências (ou quase todas) ousavam dizer que a "mina de ouro" estava no HardWare! Isto definiu parte da história;
° houve a "feliz coincidência" (ninguém ganha na mega-sena, o campeonato e nem uma aposta tecnológica sem o fator sorte!). Na transição de arquitetura de bits, a Digital Research, que teria "compilado" ¹ o CPM, antigo S. O. para 8 bits, fora convidada pela IBM para fazer o S. O. do recém-lançado IBM-PC (Personal Computer). A DR se negou. Bill não deixou o cavalo selado passar…;
° houve a "aceitação tácita" do Governo Federal às trapaças da M$ (não foram poucas); só para ilustrar, por ocasião do lançamento do Windows '95, a M$ precisava sedimentar a vitória do Excel, planilha, ante seus concorrentes; o Quattro-Pro, tanto a versão MS-DOS quanto a versão "nativa" Windows, além de ter muito mais recursos do que o Excel, não padecia do "bug de datas negativas ²", "bug" este "herdado" do Lotus 123. Sim, a M$ "importou" o Lotus 123 e nem depurou, isto é fato.
Pois bem. Por ocasião do lançamento do Windows ´95, o Quattro-Pro simplesmente não instalava. Ponto. Quem quisesse, que a rodasse no MS-DOS ou em uma janela MS-DOS emulada ou modo puro, no Win ´95. Processo? Sim, a Borland (então, uma grande "casa de software") processou a M$. Pergunta: quem paga[va] mais impostos, das duas empresas? Bom, você já sabe quem ganhou a causa…; e;
° uma poderosa e inexorável pirataria (no início, totalmente favorável à M$, afinal, propaganda é a alma do negócio. Dizer que a M$ combate a pirataria é um oximoro, pois ela não chegaria onde chegou sem pirataria). Detentora do S. O., detentora dos programas feitos por programadores que conhecem os meandros (para um pouco de tecnicês, as "chamadas de sistema" do S. O.) e muita propaganda, além claro, da sempre bem-vinda pirataria, este jogo é previsível.

¹ Compilado aqui, no sentido jurídico (juntado, mesclado, consolidado);
² Bug de datas Negativas: abra uma planilha qualquer do MS-Excel e insira uma data anterior a 1900; dois resultados serão observados, reproduzidos: a data vai ser "igualada", "setada" a "1900; 01; 01" e se se aplicar o teste do Bissexto, vai dar positivo. 1900 não é bissexto (não explico, – são quatro regras para o bissexto – envolvem divisões com múltiplos de cem e de quatrocentos, por isso, em um século, só há setenta e cinco bissextos.). O próximo ano realmente bissexto é 1904.

:-)

Morvan, usuário Linux #433640.

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