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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Michael Levine: “CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas”

05 de agosto de 2013 às 11h56

Arma mortal

A CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas do mundo.

A imprensa norte-americana, prostituída por acesso ao poder, promove a guerra contra as drogas — que gasta bilhões de dólares sem resultados.

A solução para o problema do tráfico é dar poder às comunidades afetadas pelo comércio e consumo das drogas.

Estas são algumas conclusões de Michael Levine depois de 25 anos de experiência como agente secreto da Agência de Combate às Drogas (DEA) dos Estados Unidos. Norte-americano do Bronx, ele escreveu três livros nos quais conta, em detalhes, todas as operações que poderiam destruir grandes cartéis, mas que foram sabotadas pela CIA, a Central de Inteligência.

Quando não aguentava mais a frustração, Michael Levine escreveu uma longa carta sobre a participação da CIA no chamado “golpe da coca”, na Bolívia, em 1980, que colocou o general Luis García Meza no poder. Michael enviou a carta a dois jornalistas da revista Newsweek. Um deles, Larry Rohter — que mais tarde se tornaria correspondente do New York Times no Brasil e ficou famoso por publicar reportagem difamando o ex-presidente Lula, sugerindo ser um bêbado.

A carta, registrada, foi entregue. Ele guarda até hoje o recibo. Michael passou duas semanas ao lado do telefone, esperando que os jornalistas o procurassem em busca de mais informações. Nada. Na terceira semana, finalmente, o telefone tocou. Era o Departamento de Segurança Interna da DEA, avisando que ele estava sendo investigado.

Daí em diante, Michael se calou, completou os anos de trabalho que faltavam cumprindo tarefas burocráticas e preparando os livros que desnudam a hipocrisia da retórica moralista do governo norte-americano em torno do combate às drogas.

Nos anos em que trabalhou como agente da DEA, Michael Levine gravou conversas, registrou eventos e garante que não escreveu nada de memória. “Não precisei inventar nenhum diálogo”. Nesta entrevista ao Viomundo, ele relembra alguns dos casos que acompanhou de perto. Elogia Mao Tse-Tung e se diz entusiasmado com o nascimento de uma nova imprensa, na internet.

Viomundo – Depois de 25 anos de trabalho na DEA, por que decidiu escrever livros sobre a organização e sobre o trabalho da CIA?

Levine — Quando alguém está jantando às suas custas, você tem que ao menos tomar o café da manhã dele. Ou seja, quando alguém te fere, te prejudica você tem de ferí-lo a qualquer custo. Eu tinha que revidar contra a CIA e contra os burocratas dos EUA para os quais a guerra contra as drogas era apenas uma ferramenta, um instrumento. Eu estava basicamente furioso.

Viomundo — Eles atrapalharam sua vida pessoal um bocado, sem falar o que estavam causando ao país…

Levine — Eles mentem para o mundo. Agentes e policiais com os quais trabalhei deram a vida acreditando no que esses burocratas e políticos nos disseram — e era uma mentira. A guerra contra as drogas nunca foi travada honestamente. Sempre foi um instrumento para outras coisas. Por isso o Evo Morales usou uma cópia do “The Big White Lie”, levantou o livro há coisa de um ano e disse: “É por isso que estou expulsando a DEA do meu país”.

Evo Morales com a tradução do livro de Michael Levine

Viomundo — O que aconteceu com você depois que publicou o livro? Sofreu retaliações?

Levine — Fui ameaçado. Eu escrevi dois livros, “Deep Cover” e “The Big White Lie”, sobre casos de infiltração, quando você vai para outros países, assume outra identidade e corre riscos reais. Pode acreditar, eu tinha medo o tempo todo. Mas gravei tudo. Todos os diálogos que você vai encontrar nos dois livros vêm de gravações. Não tive que inventar. Eu estava equipado o tempo todo. O “Deep Cover” foi publicado primeiro e se tornou um best-seller na lista do New York Times. Eu fui a um importante programa de TV em NY, o Donahue Show, e quando estava no bastidor, na chamada Sala Verde, esperando para ir ao ar, recebi um telefonema do quartel general da DEA.

Não sabia nem como eles tinham descoberto que eu ia aparecer no programa porque tudo foi mantido em segredo até o último minuto. Mas eles sabem… E um dos chefões me disse: “Enquanto estou conversando com você Mike, dez advogados estão debruçados sobre o seu livro, analisando página por página, para ver se podemos indiciar você por algum crime”. Eu disse: se você está tentando me assustar, já conseguiu. Muito mais do que imagina. Mas agora não vou voltar atrás. Foi então que ele disse as palavras “lembre-se do sanduíche de pasta de amendoim com geleia”.

Ele estava falando do Sante Bario, um agente que trabalhou comigo. Ele estava no México quando eu era o encarregado da Argentina, sediado em Buenos Aires. De uma hora para outra, Sante Bario foi preso pelo departamento de assuntos internos da DEA for tráfico de drogas com base no depoimento de um informante. Ele ficou preso em uma pequena cadeia do México, na fronteira dos EUA. Ele estava preso há duas ou três semanas dizendo que tinha sido vítima de uma armadilha, que a acusação era uma mentira, quando deram a ele um sanduíche de pasta de amendoim com geleia. Ele comeu e caiu no chão com convulsões. Entrou em coma. O primeiro exame de sangue indicou a presença de estricnina. Ele morreu um mês depois.

A autópsia concluiu que ele morreu porque engasgou com o sanduíche. Isso é fato. Você encontra essa reportagem na revista Time com o título “O estranho caso de Sante Bario”. Sante Bario se tornou uma ameaça para todos os agentes do DEA. Se você sair da linha pode terminar com um sanduíche de pasta de amendoim com geleia. E ali estava eu, logo após publicar o livro “Deep Cover”, com um dos chefões do DEA me lembrando do sanduíche. Então a longa resposta à sua pergunta é: sim, eles me ameaçaram…

Viomundo — Ao mesmo tempo em que foi ameaçado, você teve apoio de pessoas com as quais trabalhou na DEA?

Levine — Algum apoio… Gradualmente, com o tempo, vários vieram me dizer que eu tinha razão, que estava certo. Recebi e-mails deles, esse tipo de coisa. Pouco depois de escrever “Deep Cover”, meu filho era policial em NY e foi morto em uma troca de tiros na rua.

A direção da DEA em NY disse a todos os agentes que não fossem ao enterro do meu filho. Para você ver como estavam furiosos comigo. Mas alguns desobedeceram a ordem e foram ao enterro. Mas sempre tive apoio. Mais tarde, botei isso no You Tube. O chefão da DEA olhou bem para a câmera do programa 60 Minutos, o mesmo programa no qual eu apareci, e disse: “Não existe outra forma de dizer isso. A CIA funciona como um bando de traficantes”.

Não tem prova melhor do que essa. Mas foram necessários vários anos para ele vir a público dizer o que eu já havia dito nos meus dois livros. Acho que você pode dizer que os cabeças da DEA eventualmente concordaram com tudo que eu disse em meus dois livros.

Garcia Meza, “produto” da CIA na Bolívia

Viomundo — Você disse que a guerra contra as drogas era na verdade uma ferramenta para outros objetivos nas mãos dos políticos. Que objetivos?

Levine — Eu volto no tempo até a Guerra do Vietnã. Sou velho assim…

Fui para o Sudeste Asiático com outra identidade e consegui atingir, ou seduzir, o maior traficante de heroína da região. Isso foi no começo dos anos 70 e eles me convidaram para o Golden Triangle, área onde eles tinham uma fábrica. Provavelmente a maior fábrica de produção de heroína do mundo.

Antes da visita, o serviço de inteligência veio me dizer que eu não ia. Anos depois eu fiquei sabendo o motivo. Essas pessoas no sudeste asiático eram nossos aliados no Vietnã e a única maneira de dar apoio a eles era vendendo heroína para o resto do mundo. A CIA tinha que protegê-los para que pudessem ser nossos aliados no Vietnã. É uma escolha política. O contribuinte americano não queria mais pagar por aquela guerra.

Muitos anos depois, quando eu estava em Buenos Aires, me infiltrei na organização do Roberto Suarez [na Bolívia] e cheguei a um ponto em que poderia, literalmente, acabar com a organização. A máfia de Santa Cruz. Eles eram responsáveis pela maior parte da cocaína do mundo. Novamente, como escrevi no livro “Big White Lie” e vou continuar a escrever sobre isso.

A CIA veio e ajudou Klaus Barbie [o nazista que recrutou mercenários na Bolívia para ajudar a colocar no poder o general Luis Garcia Mesa, quando a esquerda venceu as eleições com Siles Zuazo] e os direitistas a derrubarem o governo da Bolívia que ajudou a DEA nessa operação. Então, basicamente, a CIA traiu o povo da Bolívia e não a DEA, como o Evo Morales disse. A CIA decidiu ajudar os traficantes de cocaína porque não eram de esquerda, não eram comunistas. Eles não queriam o risco de ver a Bolívia se tornar esquerdista.

Então, pegaram os traficantes e deram a eles o controle – foi o infame golpe da coca, a primeira vez na história que traficantes de droga tomaram conta de um país. E nessa época eles tinham um programa chamado Operação Condor. Fiz muitos trabalhos no Brasil também nessa época e a Operação Condor era um acordo entre os países do Cone Sul. Minha investigação bateu bem nessa operação. Eles estavam matando as pessoas que eu estava investigando por causa da alegação de que tinham tendências esquerdistas. Era um jogo muito, muito sujo.

Aí você chega a uma operação que eu descrevi no “Deep Cover”. Eu fazia parte de uma equipe infiltrada na operação chamada Trisecta, em três países. Eu fechei um negócio com uma organização chamada La Corporacion, da Bolívia, que no fim dos anos 80 controlava toda a cocaína. Arrumei o envio de 15 toneladas de cocaína através do México. Fiz um negócio, gravado em vídeo, com o exército mexicano, para proteger a droga e deixá-la entrar nos EUA.

Esse acordo está em vídeo, no You Tube, você pode ver. Foi feito com a aprovação do presidente do México que ía ser empossado, Carlos Salinas de Gortari. Gravado em vídeo! Imagine isso. Estamos falando do envio de 15 toneladas de cocaína! Em uma casa luxuosa, de frente para o Pacífico. Temos mapas espalhados sobre a mesa. Estou conversando com o Coronel Jaime Carranza, neto do homem que escreveu a Constituição mexicana, e ele aponta para o mapa, mostra o local onde vamos pousar o avião com a primeira tonelada de cocaína e diz: é aqui que estamos treinando os Contras para a CIA. Esse vídeo foi enviado, naquela mesma noite, para o secretário da Justiça dos Estados Unidos, em Washington e ele, imediatamente, revelou nossa identidade porque telefonou para o ministro da Justiça do México para contar toda a nossa operação. Botei tudo isso no livro.

Viomundo — O milagre é você ainda estar vivo para contar essa história…

Levine — Muitas vezes eu acordo e apenas toco na minha mulher, que amo muito, e digo: Deus, que milagre ainda estar aqui! Quase tenho vontade de chorar. Simplesmente contrariei todas as probabilidades muitas vezes. Mas estou aqui, falando com você.

Viomundo — Você também escreveu sobre a conexão entre a CIA e a epidemia de crack nos EUA.

Levine — Mais uma vez… está tudo no You Tube. Eu era um agente infiltrado e estava trabalhando com a Sonia Atala. Eu era bem jovem, e me puseram com a mulher que o Pablo Escobar chamou de Rainha da Coroa de Neve. A rainha da cocaína.

Mas me puseram com ela porque ela se tornou informante da DEA. E eu tinha que me passar por amante dela. Estávamos viajando juntos e ela começou a me contar sobre algo que havia Bolívia. Uma cocaína que se podia fumar e que era violentamente viciante. Isso foi em 1983. Meu primeiro pensamento foi: isso vai direto pros EUA. E com certeza, um ano depois era o crack nos EUA.

Mas a história que não foi contada é que quem protegeu essa organização, esse envio da droga, e impediu que essa organização fosse desmantelada foi a CIA. Novamente. Esse era o papel deles. Não estavam nem aí se era crack, heroína, cocaína, o que fosse. É o imposto Junky [um dos nomes que se dá a viciados em drogas nos Estados Unidos]. O Congresso não vai pagar pela operação, então a CIA os ajuda a vender drogas para os EUA e para o mundo. Dá apoio à operação. É uma escolha muito simples. Eu fiquei furioso. Perdi um dos meus filhos. Ele foi assassinado por um viciado em crack em uma troca de tiros quando ele tentou impedir um assalto. E aqui temos uma agencia do governo americano, financiada pelos impostos que eu estou pagando, e todo mundo está pagando, e eles estão dando apoio a traficantes de drogas responsáveis pela morte de milhares, se não de milhões de pessoas.

Viomundo – Como explica o que está acontecendo agora no México com essa guerra contra as drogas que já matou mais de 50 mil pessoas? Guerra que está se espalhando para toda a América Central?

Levine — Enquanto os norte-americanos continuarem comprando drogas, enquanto houver um mercado gigantesco para as drogas, o dinheiro continua chegando ao México e é esse dinheiro que provoca essa guerra. A equação é muito simples. Eu escrevi um livro chamado “Fight back” que o Presidente Clinton recomendou que fosse lido por quem trabalha com comunidades com problemas de drogas. Recomendou e deixou em cima da mesa. Não fez nada.

Ele fala como comunidades e bairros podem se livrar das drogas sem esperar pelo governo federal, pela polícia, sem usar balas e armas. É questão de atacar o mercado. Esqueça isso de ir atrás dos traficantes. Isso não funciona. Acho que foi o prefeito de Medellín, na Colômbia, disse, há uns 20 anos, se você matar cada líder de cartel, existem outros cem na fila esperando para pegar o lugar de cada um deles.

Ainda estamos gastando milhões para ir atrás da estrela individual do momento. E hoje em dia eles têm esses nomes: Dr. Morte, Evil. A imprensa tem essa competição para ver quem consegue revelar o pior barão das drogas. É um jogo de tolos. Não é assim que se ganha o jogo. Você pega uma comunidade que quer se livrar das drogas. Eles vão atrás dos usuários da comunidade. Não precisa nem de prendê-los. Basta seguí-los com câmeras. Colocar alguém na esquina com um alto-falante. Isso funciona. São técnicas que funcionam. E o resultado é que os traficantes perdem o mercado.

Viomundo — Então você acredita que é possível acabar com o problema da droga?

Levine — Sim! Leia o “Fight back”. Funcionou para a China, funcionou para o Japão em uma determinada época. A China usou um método semelhante. Quando Mao Tse-Tung tomou o país, havia 70 milhões de viciados em heroína e ópio. Em três anos não havia mais nenhum. As pessoas dizem que ele executou todo mundo. Isso não é verdade. Houve 27 execuções nesse período. Se você comparar isso com os 60 mil mortos no México…

O que realmente funciona é transferir responsabilidade para a comunidade. A comunidade é que é responsável por seus viciados e cria reabilitação e tratamento obrigatórios. É muito humano! Salva a vida dos usuários e salva a comunidade. No livro “Fight Back” eu detalho o que poderiam fazer se quisessem.

Escritórios da DEA no mundo 

Viomundo – Você está trabalhando, escrevendo mais um livro?

Levine — Eu e minha mulher estamos trabalhando em um próximo livro. Já temos o primeiro rascunho pronto. Mas quero escrever um livro sobre o Roberto Suarez. Ele talvez tenha sido o maior e menos conhecido traficante de drogas da história. Era da Bolívia.

Viomundo — Você também mencionou o papel da mídia. Contou o que aconteceu quando mandou a carta para Rother e Strasser da Newsweek. Esse Rother é o Larry Rother que depois se tornou correspondente do New York Times no Brasil e chamou o presidente Lula de bêbado?

Levine — Esse mesmo. A única coisa que posso dizer com certeza é que ele recebeu a carta porque mandei certificada. Recebi o comprovante de volta. A carta foi entregue na revista. Ele pode dizer que não leu. Mas recebeu. Foi a história da Bolívia. Mandei a carta de Buenos Aires, onde era attaché. Mandei em papel timbrado da embaixada. Me arrisquei um bocado ao fazer isso. O resto é história…

Viomundo — Em sua opinião, o que acontece com a imprensa norte-americana, eles só checam as informações com representantes do governo? São obedientes?

Levine — Sabe, já participei de vários programas sobre isso. Eles são, basicamente, putas. Se vendem por acesso. Se prostituem por acesso. Querem acesso ao porta-voz da CIA e para conseguir isso não podem escrever nada mais crítico sobre a CIA.

Caso contrário, o acesso é negado. Quer acesso à DEA? Quer saber o que estão fazendo? Quer escrever sua materinha incrementada sobre tráfico de drogas? Melhor não escrever nada muito crítico. Eu escrevi um artigo sobre a mídia. Ganhou todo tipo de prêmio. Meu artigo se chama “Mainstream media, the drug war shills”. Ele faz parte do livro “Into the Buzzsaw”, de Kristina Borjesson. O livro foi muito elogiado pelas pessoas que estudam a mídia. Acho que mostra muito bem como a mídia continua vendendo uma guerra contra as drogas que mata milhões de pessoas, é totalmente sem propósito e não resolve nada.

Viomundo — Como o Plano Colômbia que investiu milhões de dólares no país e no fim, a produção de cocaína dobrou…

Levine — O Plano Colômbia, a Operação Snow Cap… Meu Deus! O Plano Colômbia foi um desdobramento da Operação Snow Cap.

Ação contra as drogas tem objetivos políticos, diz autor

Viomundo — O que foi a Snow Cap?

Levine — Eram as operações paramilitares na Bolívia e no Peru. Militares e agentes do DEA indo atrás dos traficantes na Bolívia e no Peru. O Plano Colômbia foi apenas um desdobramento. Eu conheci basicamente as pessoas mais graduadas do tráfico de cocaína do mundo nos anos 80. Eles achavam que eu era um mafioso meio siciliano, meio portorriquenho, e estavam me vendendo 50 toneladas de cocaína. Eu disse a eles que tinha muito medo de ir para a Bolívia por causa da Operação Snow Cap.

Com todas as tropas, com os militares ali, como vou fazer um negócio desses na Bolívia com todos os militares norte-americanos lá? Meu interlocutor riu! Riu e disse: eles não fazem nada. Andam pra cima e pra baixo. Sabemos o que vão fazer antes deles fazerem. Te garanto que você estará perfeitamente seguro Luis. Esse era meu nome. Ele me chamava de Luis. Repeti essa conversa para os responsáveis pela operação Snow Cap no QG da DEA e eles disseram o seguinte: “Nós sabemos que não funciona, mas já vendemos ao longo do Potomac” [rio Potomac, nas margens do qual fica o poder em Washington], o que significa dizer que a ideia já foi vendida para o Congresso, então é o futuro da DEA que está na corda bamba. Esquece a guerra contra as drogas. O Plano Colômbia é a mesma coisa. É política.

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Viomundo — Eles vendem os planos, pegam o dinheiro e precisam fazer de conta que estão fazendo algo…

Levine — Exato. É sempre a mesma coisa. Tem que mostrar estatísticas para provar que os bilhões que você está gastando estão sendo bem gastos.

Viomundo — Você acredita que todos os presidentes que passaram pela Casa Branca nas últimas décadas sabem de tudo isso?

Levine — Eles sabem exatamente. Sabem que o que eu estou te dizendo é fato. Eles também sabem que se virarem e disserem isso ao público durante uma campanha presidencial serão derrubados da Casa Branca. Por que? A grande mídia — os cachorrinhos da grande burocracia formada pela CIA, DEA, etc. – vai perseguir este político.

Viomundo — Como explica então que seus livros tenham sido tão bem recebidos e que você tenha sido convidado para tantos programas de televisão?

Levine — Porque na mídia existem grandes indivíduos que se destacam. Mas a percentagem de jornalistas de verdade é cada vez menor, desde Woodward e Bernstein [os jornalistas do Washington Post que revelaram o escândalo Watergate]. Não se pode comparar a mídia de hoje com a daquela época. Mas você pode dizer que o motivo pelo qual ainda estou fazendo isso tudo é porque continuo procurando pelos Woodwards e Bernsteins.

Viomundo — Você  consegue conversar melhor com os jornalistas que migraram para a internet?

Levine — A internet está crescendo rapidamente e faz com que eu me sinta realmente muito bem porque está se tornando um grande desafio para essa “mídia de tribunal” que se proclama jornalismo. Basicamente, são estenógrafos. É maravilhoso, para mim, ver esse crescimento da internet.

Viomundo — Você acha que o seu trabalho, seus livros e artigos, tiveram algum impacto, produziram alguma mudança?

Levine — Acho que talvez faça alguma diferença. Provavelmente depois que eu tiver morrido. Eu não sei. A gente nunca sabe. E por isso é que continua fazendo. Alguém como eu… eu cresci tendo que lutar por tudo que conquistei. Sou inclinado a isso, a brigar, não importa a consequência. E morrer brigando. É o que pretendo fazer.

Viomundo — Então nos conte um pouco dessa infância…

Levine — Cresci no South Bronx (em Nova York), em um bairro péssimo. Meu irmão se viciou em heroína aos 15 anos. Nosso pai nos abandonou quando nós éramos muito, muito pequenos. Praticamente, cresci nas ruas do Bronx. Me alistei no exército para acertar a minha vida. E realmente funcionou. Me tornei lutador de boxe, peso pesado, fiz artes marciais, o que foi outra influência importante, que ajudou a manter o equilíbrio na minha vida.

Aos 19 anos, no exército, eu me meti em uma briga com outro militar por causa de um chapéu de 3 dólares. Ele explodiu, sacou a arma, encostou na minha barriga e puxou o gatilho. A arma falhou. Talvez tenha sido a melhor coisa que já me aconteceu porque aprendi a sabedoria de um antigo ditado árabe que diz que qualquer momento é o momento certo para morrer.

Levei isso comigo para sempre. Agora, não perco mais tempo. Vivo cada momento até o limite, curto e saboreio. Logo depois disso decidi usufruir de tudo que a vida poderia me oferecer antes que eu morresse o que poderia acontecer a qualquer momento. E não havia melhor maneira para um menino pobre do Bronx viver toda essa adrenalina e excitação do que como um agente secreto infiltrado. Foi o que me propus a fazer e fiz. De resto…

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63 Comentários escrever comentário »

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Geysa Guimarães

09/08/2013 - 20h14

Sempre imaginei que fosse assim.
Sem o dedinho do Império, o negócio das drogas em repúblicas mequetrefes não teria como se expandir de maneira incontrolável.
Grande matéria dessa enorme jornalista que é Heloísa Villela.

Responder

Marcelo

08/08/2013 - 12h45

Muito boa a entrevista ! Isso precisa ser mais divulgado, o que ele falou acontece da mesma forma com as armas, há o mercado direto entre estados e os “por fora” que abastecem as milícias e grupos paramilitares do mundo todo. Enquanto as pessoas desconhecem esse tipo de prática e não ligam muito a respeito sobre isso, esse sistema continua a funcionar movimentando bilhões em um efeito dominó de ilegalidades. A raiz do problema sempre estará no governo, pois esse já não governa para a população em geral e sim para grupos que realmente mandam nos países.

ABRAÇOS

Responder

Jorge

06/08/2013 - 20h51

Azenha.

Parabéns pela excelente entrevista.

A geopolítica norte americana e, tudo indica, capitalisticamente falando, do mundo do dinheiro, não tem limites imagináveis ao mais astuto dos inocentes. Incrível.

Azenha, acredite, ainda ouço de pessoas íntimas “não me venha com essas teorias conspiratórias?” Ou seja, a ficção pregada e reiterada pelos meios de comunicação de massa servem À IMBEÇILIZAÇÃO AMPLA, GERAL E IRRESTRITA.

Vou assinar seu site. A roda não pode parar, inexoravelmente.

Estamos todos no mesmo trem e, bate, bate, coração? Aquela força.

Um abraço

Responder

    Conceição Lemes

    06/08/2013 - 21h08

    Jorge, a brilhante entrevista é da excelente repórter Heloísa Villela, minha queridíssima amiga. abs

Mameladov

06/08/2013 - 15h23

“Quando Mao Tse-Tung tomou o país, havia 70 milhões de viciados em heroína e ópio. Em três anos não havia mais nenhum.”

Cumpanhêru Levine, isso que você fumou é coisa do diabo.

Responder

    João Vargas

    06/08/2013 - 18h18

    Ou tomou muito café com o Locatelli, KKKKK.

Urbano

06/08/2013 - 15h00

Droga & cia…

Responder

Adilson

06/08/2013 - 14h35

Parabéns ao VIOMUNDO. Matéria sensacional!

Responder

Fernandes

06/08/2013 - 12h38

A mídia atual é igual a Igreja na Idade Média!
Buscam manipular todo o pensamento; cerceá-lo; enquadrá-lo.
Tudo para esconder o lixo que é a nobreza de outrora e a burguesia de agora.

Responder

Paulo Cesar

06/08/2013 - 12h32

Prezado Azenha,
Se este livro, The Big White Lie, estivesse no seu blog como e-book para venda, eu compraria agora.

Responder

Mardones

06/08/2013 - 09h10

Heloisa e Vi o Mundo,

Meus Parabéns!

Sensacional!!!

Uau!

Responder

Heloisa Villela

06/08/2013 - 08h14

A editora Best Seller publicou,no Brasil, “A Grande Mentira Branca”, do Michael Levine.

Responder

Marat

05/08/2013 - 23h56

Entrevista que deve ser lida, relida, guardada e repassada aos lambe-botas dos EEUU, especialmente dos que moram nos Jardins e Morumbi-SP.

Responder

Luís Carlos

05/08/2013 - 23h31

Heloísa Villela sempre com ótimas entrevistas e matérias. Fazendo a diferença no jornalismo. Parabéns ao Viomundo, novamente.

Responder

carlos marcos

05/08/2013 - 23h08

obama para quem?

Responder

Liz Almeida

05/08/2013 - 23h03

Acredito que a sugestão para que a comunidade se responsabilize pelos seus usuários nunca daria certo no Brasil.

As pessoas de bem que vivem em bairros dominados pelo tráfico vivem apavoradas, têm muito medo. Pra realidade brasileira, acho que é uma opção inviável.

Responder

    Edgar Rocha

    06/08/2013 - 00h43

    Faço minhas as tuas palavras. É isto mesmo. Fico imaginando algo semelhante ao proposto pelo entrevistado, com gente de bem rendida pelo tráfico e pela PM (mesma coisa). Mas, há uma chance: se o tema do tráfico de drogas e o contexto político real em que está inserido estivesse na pauta do que se chama de “restauração da participação popular”, se os movimentos sociais de fato centrassem fogo e definissem estratégias, mesmo que a médio prazo, com muitas baixas (menos do que as atuais em função da conjuntura), fosse possível estender a luta pra outros setores importantes da sociedade (religiões, empresas, enfim, formar verdadeiramente uma rede de proteção social contra o crime organizado e sua ligação direta com os interesses americanos, de forma organizada e consciente). Mas, seria como combater a antiga ditadura: anos de luta, truculência institucional, frustrações, derrotas… Chegamos ao ponto de aceitarmos o caráter sistemático e institucionalizado do crime e do poder criminoso do Estado que o sustenta. Atualmente, se há algo de paralelo ao sistema, isto vem justamente da parte dos que denunciam ou amargam o ônus por não participarem do sistema, ou não compartilharem a ideologia que por ele se difunde. Marginais são os que trabalham, os que têm princípios, os que de alguma forma se opõem à máquina de moer carne muito mais sofisticada que a ditadura escancarada do passado. Não há mais paralelismo entre o crime e as instituições. Se a sociedade reconhecer isto, assim como lentamente apercebeu-se governada por uma ditadura e não por um “governo revolucionaram” como tentavam nos ensinar nas escolas, se todos se derem conta do quanto são subjugados, privados de sua verdadeira liberdade (a de pensamento e a de ir e vir, sobretudo), talvez haja uma chance. Mas, é preciso romper as barreiras da censura! É preciso entender que o que deve ser falado, de fato, é ferrenhamente proibido e castigado pelos que defendem este emaranhado de interesses escusos. Não é possível que, num governo que se diz democrático, aceite-se a manutenção de empresas de comunicação que trabalhem justamente como suporte ideológico deste sistema e dos interesses externos que ferem a soberania nacional e até mesmo a individual! Como romper este cerco? Como levar ao público esta discussão seríssima? A internet é um excelente veículo, mas, seria pedir demais que as concessões públicas trabalhassem TAMBÉM a favor da verdade? Elas são um patrimônio do povo ou algo tão mais sagrado que mereça receber um dízimo do Governo pra financiar as mentiras que apregoam contra ele próprio? Porque não se compra esta briga? Com este instrumento, tenho certeza de que seria muito maior a chance de que a solução dada por este ex-agente desse certo. Sem esta arma, que ainda pode ser resgatada, vai ficar muito mais difícil de se defender até a democracia. No mais, meu parabéns e agradecimentos à Heloísa Vilela e ao Viomundo por nos apresentar esta realidade. Tenho certeza de que estão fazendo muito mais do que se pode esperar. É muita coragem! Meus respeitos!

    Edgar Rocha

    06/08/2013 - 00h47

    Desculpem: “governo revolucionário”. Errei na digitação e o corretor completou o feito.

Roberto Locatelli

05/08/2013 - 22h31

Sou contra o uso de drogas.
Sou a favor da descriminalização das drogas.

Os EUA querem manter certas drogas proibidas, justamente para fazer esse jogo canalha descrito no artigo. O império é contra a descriminalização das drogas. Os traficantes também são contra. Ao terminar com a proibição, os “negócios” dos traficantes seriam extintos, pois as drogas seriam produzidas tanto por grandes laboratórios como por pequenos produtores.

A hipocrisia é a seguinte:
– Maconha é proibida, mas álcool (droga pesadíssima) é liberado;
– Cocaína é proibida, mas cigarro (cancerígeno) é liberado;
– LSD é proibido mas cafezinho (cafeina é um alcaloide assim como o LSD) é liberado.
– ecstasy é proibido mas chocolate (teobromina altera funções cerebrais) é liberado.

Um adendo: se as drogas fossem descriminalizadas, o tráfico de armas – que se sustenta com dinheiro de drogas – também sofreria um baque.

Então, há muitos interesse$$ que preferem manter as drogas na ilegalidade.

Responder

    João Vargas

    06/08/2013 - 18h10

    Agora tu forçou a barra Locatelli: comparar cafézinho com LSD? pelas barbas do profeta!

Teo Ponciano

05/08/2013 - 22h28

Esta matéria é de tirar o fôlego.
Parabéns Heloisa Villela!

Responder

Fernandes

05/08/2013 - 22h07

Excelente reportagem

Parabéns Azenha!

Veja o filme “Panteras Negras”

A guerra contra a droga é pura fachada. É um instrumento do imperialismo.

É também a cereja do bolo do Capital: não cria riqueza mas a concentra ferozmente; nesses termos, o grande traficante é igual a banqueiro.

Traficante e ditadura de direita também têm muito a ver uma com a outra. São anticomunistas; antiesquerdistas; trabalham contra o povo. São alinhados ao povo.

É muito legal observar alguém que viveu (e vive) e demonstra isso no nível do detalhamento empírico.

Eu já desconfiava disso tudo desde quando assisti o filme “Panteras Negras”. Foi a droga (não o Estado norte-americano) permitida pelas instituições dos EUA que fez aquele lindo movimento social acabar.

Azenha, sabe o meu grande medo de outros governos do psdb depois de uma década de ódio represado. Mais que neoliberalismo voraz é colombizar ou mexicanizar o Brasil. Seria uma maravilha dupla aos EUA.

Estupenda; magnífica reportagem.

Responder

    Fernandes

    05/08/2013 - 22h08

    Quiz dizer São alinhados ao império.

Walter

05/08/2013 - 21h38

Parabéns pela matéria.Excelente!

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rodrigo

05/08/2013 - 21h36

Pegando gancho num dos comentários, seria interessante traçar um paralelo com a dominação britânica na Índia e China, através da disseminação do ópio vendido (e posteriormente contrabandeado) pela companhia britânica das índias orientais, primeiro governo “privado” na história.

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Fabio Passos

05/08/2013 - 21h21

Impressionante.
A ditadura ianque está completamente podre.
E a participação da mídia nesta farsa da “guerra as drogas” é asquerosa.

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angelo

05/08/2013 - 20h42

Péssima, a meu ver, opinião sobre tratamento obrigatório, perseguição por vizinhos com câmeras, auto-falantes…delírio total.

Não é preciso nem guerra e nem outra forma de violência pra tratamento. Na maioria dos casos, considerando população total de usuários, sequer é preciso tratamento.

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Julio Silveira

05/08/2013 - 20h37

Fico surpreso por esse cidadão não ter sido acusado de traição. As revelações que faz estão no mesmo nível das feitas por Bradley Manning e Edward Snowden.
Provavelmente ainda não foi “acidentalizado” por conta de ter ainda amigos dentro do DEA.

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    carlos marcos

    05/08/2013 - 23h03

    voce acredita em edward snowden?

    Julio Silveira

    06/08/2013 - 10h09

    Não acredito nos States, principalmente como líder de boas iniciativas nessa nova ordem mundial que querem ser protagonistas.

bento

05/08/2013 - 20h26

Sigilo completo…

A cia foi incrementada pelos serviços de inteligência nazistas…no inicio da guerra fria e fim da segunda guerra mundial…

P.S. vale tudo na dominação…

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Isidoro Guedes

05/08/2013 - 19h25

Essa entrevista de Michael Levine é fundamental para se ter uma noção da hipocrisia do governo e dos serviços de inteligência norte-americanos, que funcionam como verdadeiras “máfias legais” à sombra do Estado (de uma Nação imperialista e sem escrúpulos políticos e diplomáticos).

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Heloisa Villela

05/08/2013 - 19h22

O livro “The Big White Lie” tem versão em espanhol (La Guerra Falsa) e perguntei ao autor, por e-mail, se existe algum projeto de tradução dos livros dele para o português. Também perguntei o que ele acha sobre a legalização das drogas. Assim que ele responder, eu aviso.

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Francisco

05/08/2013 - 18h54

Brilhante.

Responder

Regina Braga

05/08/2013 - 18h30

Nossa!Ninguém desconfiava…o país que mais consome drogas é tbém o seu maior patrocinador.E depois jogam a culpa nos outros…Americano é tão bonzinho!

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ccbregamim

05/08/2013 - 17h41

grande heloísa villela
arrasou.

orecisamos de acesso aos livros
urgente!

bjcc.

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Véio Zuza

05/08/2013 - 17h24

Boa entrevista, mas o grigo não tá com essa bola toda. Ele não sabe, mas aqui seria pior. O filho dele seria difamado como exterminador de meninos de rua e o assassino seria promovido a herói dos excluídos; onde se viu atirar num viciado, o que eles precisam é de apoio – sem obrigação de se tratar, é um direito humano continuar a fumar crack…
Outra coisa: aqui a “comunidade” é que não vai acabar como tráfico mesmo; quem paga salário melhor? quem banca as festas, o funk, etc???
Trágico…

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Lukas

05/08/2013 - 17h00

Acho que deveriam liberar todas as drogas. Deixem os idiotas fazerem o que quiserem com suas vidas. Só não venham depois se encostar no Estado para viver, por favor.

Responder

Hans Bintje

05/08/2013 - 16h44

Sejamos muito otimistas. Vamos supor que 99,9% dos agentes secretos dos EUA sejam pessoas honestas.

Numeros de 2010 ( fonte: http://projects.washingtonpost.com/top-secret-america/articles/a-hidden-world-growing-beyond-control/ ):

São 854.000 pessoas. 0,1% desse total seriam são 854 agentes renegados, capazes de detonar qualquer operação.

Imagine tentar localizar esses malfeitores em “1.271 organizações governamentais e 1.931 empresas privadas que trabalham em programas relacionados ao contraterrorismo, segurança interna e inteligência em cerca de 10.000 locais em todos os Estados Unidos.”

Mais ainda: “muitas agências de segurança e de inteligência fazem o mesmo trabalho, criando redundância e desperdício”.

Ou seja, para um mesmo assunto, existem várias abordagens, diversos escrúpulos (ou falta de).

É uma estrutura que fugiu do controle.

Responder

[email protected]

05/08/2013 - 16h32

sem comentario.

Responder

Sergio Santos

05/08/2013 - 16h14

Relevante e assustadora matéria. Deve ser levada ao conhecimento do maior número de pessoas possível. Talvez assim essa geração consiga acreditar que o hemisfério norte é um perigo para o sul e que tudo o que eles fazem (os Estados Unidos têm na Europa aliados fiéis, como Inglaterra e demais lacaios encastelados na OTAN). Por isso o Viomundo é um veículo essencial para o povo brasileiro. Que tenha, sempre, o nosso apoio.

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Thiago

05/08/2013 - 16h14

Fantástico!!! Alguém poderia informar se existe traduzido para o Português os mencionados livros?

Responder

Antonio

05/08/2013 - 15h54

Esse autor já tem livros traduzidos p português?? Fiquei muito curioso, principalmente acerca do “Fight Back”.

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marcos paulo

05/08/2013 - 15h53

Por favar! Traduzam o link:
“Mainstream media, the drug war shills”
Grato!

Responder

    Rogério

    05/08/2013 - 16h35

    A rede da mídia, os mascarados da guerra as drogas. Shill é aquele contratado por uma empresa ou organização para ajudar a mesma sem que ninguém saiba que ele é um contratado. Neste caso repórteres que participam da rede. Seria como os repórteres da GLOBO, Veja e Estadão quando falam do PSDB.

Arnaldo

05/08/2013 - 15h22

E ainda tem muito brasileiro que acredita que os Estados Unidos são governados por homens de bem e que a CIA defendo o que é bom para o povo americano.

Vocês acham que cocaína, crack e morfinas são coisas boas para os jovens americanos? Mas o incrível é que a CIA ajuda os traficantes a colocarem as drogas nos Estados Unidos, via fronteira com o México, graças ao silêncio obsequioso da mídia e com o conhecimento da Casa Branca e do Congresso Americano. E o Pentágono, não está informado?

E é o contribuinte americano quem paga parte do dinheiro gasto nas operações de “combate” às drogas em vários países do mundo, uma verdadeira farsa.

O Diabo no inferno deve estar satisfeitíssimo e ao mesmo tempo perplexo: a coisa está indo muito além da maneira que ele gostaria que fosse. Vil mundo!

Vou repassar esta entrevista para alguns amigos. Só não sei se eles vão acreditar no entrevistado.

Responder

    Acássia

    05/08/2013 - 16h45

    Pois é!

    E tenho pensado muito no futuro do mundo – ou de algumas nações –
    ou de meus parentes novinhos.

    Eu me pergunto, o que há com a mente dos americanos votantes? O que o protestantismo tão propalado por aqui tem feito com a mente americana?

    Eles vivem num vale-tudo. Ninguém é crítico de mais nada. Só há vozes solitárias e corajosas, entre a maioria boçal, perigosa, e conivente.

    Fernandes

    05/08/2013 - 22h12

    Tenho medo do fundamentalismo protestante que vejo por aí.

Djijo

05/08/2013 - 15h15

Cia e tráfico tudo a ver, sei desde 2006. Agora, que até presidentes dos EUA estão cientes disso, isso é que é Pais doido. Parece que o atual presidente do Paraguai não é flor que se cheire. Aqui estão tentando emplacar o aecinho do pó. Se descuidar, conseguem.

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Alex

05/08/2013 - 15h03

Uma das melhores e mais importantes matérias já publicadas aqui. Devia ter um repique disso para um publico maior, na Record, Azenha.

Responder

Gilberto Marotta

05/08/2013 - 14h25

Muito bom. Senti falta apenas de perguntas sobre um tema da hora, a liberalização, inclusive pelas leis revolucionárias que Mujica acaba de propor no Uruguai. Pode até ser que algo assim seja contemplado no livro citado pelo entrevistado, mas ficamos sem saber porque ele não dá mais detalhes…

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    Gilberto Marotta

    05/08/2013 - 14h27

    E quando ele fala da heroína no Vietnã e do ópio na China, eu perguntaria sobre a atualíssima questão da heroína no Afeganistão e que relação ele faria entre a “guerra ao terrorismo” naquele país e o crescimento do mercado de ópio…

Roberto Locatelli

05/08/2013 - 14h12

Essa matéria está com uma qualidade superlativa.

É o tipo de informação que a carcomídia (*) sonega. É por isso que a carcomídia está murchando – inclusive a Globo – e a internet está crescendo aceleradamente.

______________________
* carcomídia – veículos em papel e emissoras de rádio e tv.

Responder

Roger Walters

05/08/2013 - 13h38

Existe essa entevista em inglês na internet?

Responder

ZePovinho

05/08/2013 - 13h08

Grande Azenha!!!!!Ainda não li a entrevista,mas faço questão de recolocar a história de Gary Webb,jornalista americano que provou que a CIA está envolvida no tráfico de drogas:
http://www.voltairenet.org/article123470.html

El mundo de los reporteros de investigación de los Estados Unidos está de luto
Libertad de prensa estilo USA: ¿Quién mató a Gary Webb?
por Jean Guy Allard
Libertad de prensa estilo USA: ¿Quién mató a Gary Webb? La Habana (Cuba) | 11 de enero de 2005
Desenmascaró, como ningún periodista lo hizo antes, las oscuras maquinaciones de la CIA en el mundo de la droga y reveló a los norteamericanos cómo barrios negros del país fueron inundados de crack, con un increíble cinismo, en medio de un tráfico destinado a abastecer de dinero y armas la Contra nicaragüense. Denunció al narcoterrorista Luis Posada Carriles y a sus cómplices cubanoamericanos involucrados en este criminal negocio. Y acaba de ser encontrado en su domicilio con dos balas en la cabeza. Un suicidio, dicen las autoridades judiciales.

Engraçado que,depois que os EUA controlaram o Afeganistão,o tráfico de heroína aumentou:
http://www.voltairenet.org/article162682.html

A falsa guerra da América no Afeganistão
por F. William Engdahl

Um dos mais notáveis aspectos na agenda presidencial de Obama é quão pouco foi questionado nos media o motivo porque o Pentágono dos EUA está comprometido na ocupação militar do Afeganistão. Há dois motivos básicos, nenhum dos quais pode ser admitido abertamente em público.

“….Os militares dos EUA estão no Afeganistão por duas razões. Primeiro para restaurar e controlar o maior abastecedor de ópio do mundo para os mercados da heroína e para utilizar as drogas como uma arma geopolítica contra oponentes, especialmente a Rússia. Aquele controle do mercado da droga afegão é essencial para a liquidez máfia financeira da Wall Street, corrupta e em bancarrota’….

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Douglas da Mata

05/08/2013 - 12h57

Os EEUU, suas agências, atentados e outras teses conspiratórias.

O principal problema das teses conspiratórias é que boa parte delas se comprova. É o que nos ensina a História.

O mais incrédulo ou desconfiado dos cidadãos não imaginaria o que os EEUU estariam praticando em relação a privacidade de seus nacionais, e pior, em relação a estrangeiros, violando direitos humanos e soberanias.

Uns ainda creem, piamente, que Pearl Harbor, o ataque japonês a ilha havaiana, onde se encontrava quase toda a força naval estadunidense, se deu por “descuido” do governo Roosevelt, para poder assim justificar a entrada dos EEUU na II Guerra Mundial, possibilidade até então rejeitada pela maioria da opinião pública.

Outros dizem que o mesmo se deu em 11/09/2001, onde aviões foram atirados, à moda kamikaze. sobre alvos dos EEUU, com destaque para os mais de 3 mil mortos nas torres gêmeas no World Trade Center, em NY.

O fato mais assustador é que nenhuma destas “teses” parece mais tão absurda.

Talvez o que as mantenha sob a condição duvidosa seja o quê de comoção que sua revelação causaria, com enorme estrago nas instituições daquele país, dentre estas, a mais admirada e respeitada, a presidência.

Esta mesma condição, ou seja, o segredo não alcança todos os eventos com o mesmo peso, é claro!

No caso da espionagem do fluxo de informações, o que seria um grande incômodo domiciliar, encontrou uma sociedade narcotizada pelo medo, que está disposta a enfrentar a total ausência de privacidade por uma sensação de segurança que quase sempre se mostra ilusória.

A revelação de Edward Snowden causou mais danos a imagem externa dos EEUU que problemas políticos a administração Obama em seu país.

Então, atentos a este efeito, os EEUU fecham embaixadas e alertam sobre a real chance de acontecer atentados terroristas.

Nada mais conveniente a política externa estadunidense que um atentado de larga escala acontecesse em solo estrangeiro, de preferência, em algum país aliado, justamente os mais agastados com a espionagem do Tio Sam.

Não seria impensável que as agências estadunidenses estivessem “provocando” ou até preparando, elas mesmas, a tragédia sob encomenda.

Uma pequena historinha para os incrédulos:

No atentado da maratona de Boston, diversos sites e blogs levantaram o debate sobre a atuação de grupos do FBI e outras agências, que infiltrariam agentes junto a grupos potencialmente perigosos, ou que julguem propensos a ataques.

O problema é que estes agentes podem estar incentivando ataques além dos limites, apenas para que possam frustrar tais atentados em tempo de tornar as ações policiais atos de heroísmo, somando pontos na disputa pela hegemonia dentro das agências de segurança!

Os blogs e sites alegam que por este motivo, e não por outro, os irmãos foram mortos em circunstâncias duvidosas e improváveis, quando já estavam sob custódia, onde o certo seria preservar-lhes a vida para interrogatórios e angariar informações.

Um escândalo parecido já balançou o governo de bush jr, só que neste caso, o alvo dos questionamentos era a DEA (agência anti-drogas) e sua política de informantes e agentes infiltrados. durante o combate aos carteis mexicanos, que acabaram por cometer crimes tão ou mais graves dos que deviam combater ou evitar.

Podemos estar bem próximo de mais um ato terrorista grave, mas é bom começar a investigar pelo lado dos mocinhos…

Responder

Maxwell

05/08/2013 - 12h50

Que matéria fantástica! … e assustadora também.

Responder

Rasec

05/08/2013 - 12h10

Brilhante entrevista! Faltou citar se há algum livro do entrevistado traduzido para o português!

Responder

Acássia

05/08/2013 - 11h59

Larry Rother????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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