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Wagner Gomes: “Fim do imposto sindical é viés neoliberal”


28/03/2012 - 11h38

Wagner Gomes: “Fim do imposto sindical é proposta de viés neoliberal”

por Wagner Gomes, do portal da CTB

É difícil imaginar iniciativa mais inoportuna para o movimento sindical que a campanha contra a contribuição sindical lançada pela CUT na segunda-feira (26), em Campinas (SP). A proposta, dotada de inegável viés liberal, é polêmica e exclusivista.

As outras centrais com maior representatividade entre os trabalhadores e reconhecidas pelo Ministério do Trabalho (Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central e CGTB) defendem a contribuição, que corresponde ao desconto anual de um dia de trabalho dos assalariados, e repudiam a atitude cutista.

Não pretendo neste espaço entrar no mérito da concepção da CUT sobre o tema. Comungo, com ampla maioria dos sindicalistas brasileiros, a convicção de que o fim da contribuição compulsória vai enfraquecer os sindicatos e, por consequência, o movimento social. O problema maior é a (in)oportunidade política da campanha, que evidentemente divide as centrais e, com isto, reduz a força e o protagonismo da classe trabalhadora na vida nacional.

O Brasil e a crise mundial

Vivemos um momento singular da história humana, no mundo e no Brasil, marcado pela maior crise do sistema capitalista desde a Grande Depressão em 1929 e a franca decomposição da ordem imperialista fundada após a 2ª Grande Guerra sob a hegemonia dos Estados Unidos. O Brasil não está à margem da crise, que contribui para a desaceleração da nossa economia, comprometendo o emprego e os salários dos que trabalham, e impulsiona a desindustrialização.

A nação se defronta com o desafio e quem sabe a oportunidade de promover transformações sociais mais profundas para sanar males estruturais da nossa sociedade e contornar as ameaças decorrentes da crise mundial do capitalismo. Ganha força a necessidade de realizar mudanças na política macroeconômica, ainda hoje ancorada no tripé conservador da austeridade fiscal, juros altos e câmbio flutuante, uma herança da controvertida Carta aos Brasileiros de junho de 2002.

Grito de Alerta

A mobilização popular que as centrais realizam através do Grito de Alerta contra a desindustrialização, em aliança pontual com empresários do setor produtivo, vai nesta direção e merece todo nosso apoio. Através dela também podemos e devemos abrir caminho para objetivos maiores, resgatando a agenda da 2ª Conclat por um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento com Valorização de Trabalho e Soberania.

É nosso dever realçar as bandeiras imediatas e históricas da classe trabalhadora no bojo do novo projeto nacional, associando-as ao fortalecimento do mercado interno e à melhor distribuição da renda nacional. É o caso, entre outras, da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, reforma agrária e fortalecimento da agricultura familiar, coibição da demissão sem justa causa, fim do fator previdenciário, reforma tributária progressiva e integração solidária dos povos e nações latino-americanos.

Desenvolvimento com valorização do trabalho

Transparece na crise a necessidade de aprofundar o processo de mudanças e transitar para um novo projeto de nação. A história nos ensina que não é possível alcançar tal objetivo sem grandes mobilizações e lutas. Por isto, é indispensável elevar a consciência e o protagonismo da classe trabalhadora na vida política nacional. Porém é muito difícil senão impossível conseguir isto sem uma sólida unidade do movimento sindical.

Na atual conjuntura, a campanha da CUT é um grave erro histórico, pois desvia a atenção dos trabalhadores das questões principais da pauta nacional e elege como prioritário um tema que, além de secundário, divide e enfraquece os sindicatos. Objetivamente, independentemente das vontades individuais e dos discursos, isto faz o jogo das forças conservadoras e de direita.

Nossa expectativa é que os dirigentes cutistas façam uma reflexão crítica e autocrítica sobre o assunto e tenham a sensatez de compreender os prejuízos políticos que a ênfase na ação diversionista causa ao sindicalismo nacional e à classe trabalhadora, pois queremos a CUT ao lado das outras centrais na árdua batalha para concretizar a agenda da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).

Wagner Gomes é presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

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28 comentários

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souza

31 de março de 2012 às 22h59

em vez de imposto sindical, taxa sindical, obriga o sindicato a prestar serviço.

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Gerson

29 de março de 2012 às 11h32

Eu sou obrigado a pagar para um sindicato pelego ??

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bene bugrao

29 de março de 2012 às 11h26

O fim do famigerado imposto sindical já era bandeira da CUT, quando estava na oposição, demorou muito para ser retomada.
Como escreveram vários comentaristas, sobre esse mesmo texto, esse imposto foi criado se não me engado pela ditadura para menter e criar sindicatos pelegos e demosntrar um falso equilibrio dos pelegos com os sindicatos verdadeiros, e assim enganar os trabalhadores. Essa porcaria de imposto, já vai tarde, alias eu acho até que deveriam nos devolver tudo o que foi pago, pois só prestou pra manter sidicatos de gaveta, cujos dirigentes não conhecem os sindicalizados, mas estão todo mes enchem as burras de dinheiro suado do trabalhador, portanto eu acho que quem deve repensar sua atitude, são as outras centrais, que a meu ver estão levantando uma bandeira, que a pricípio não é de sindicatos reais, mas sim de sindicatos que só servem pra engordar e achatar a bunda na cadeira, daqueles que nunca vão a campo, aliás se precisarem ir, vão ter que contratar uma terceirizada para fazer as funções, pois eles são fazem a menor idéia de como fazer. Grande abraço.

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Antonio

29 de março de 2012 às 10h29

Não concordo que a retirada do imposto é viés neoliberal e que prejudica os sindicatos.
Sem este imposto, quantas pessoas vão querer ser membros de sindicato?
Sem este imposto, o sindicato vai ter que fazer um trabalho efetivo pela categoria que representa ao invés de patrocinar um churrasco de vez em quando .
Será a única forma de arregimentar filiados, trabalhar pela categoria ao invés de mamar na migalha do imposto sindical, este sim um viés neoliberal que serve para os empresários adoçarem a boca dos pelegos.

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Milton Quadros

28 de março de 2012 às 16h46

Este imposto só beneficia pelegos e cria milhares de "sindicatos de faz de conta" e confederações safadas. Tem que acabar.

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Milton Quadros

28 de março de 2012 às 16h43

Esse imposto tem que acabar. Assim como as malditas confederações, de tudo, de trabalhadores, patrões e principalmente as esportivas, e que têm "dono", os seus "dirigentes", que se perpetuam no poder.

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    Miguel

    28 de março de 2012 às 21h50

    isso, acabem logo de umam vez com toda forma de organizacao coletiva e partamos pro salve-se quem puder individualista…

assalariado.

28 de março de 2012 às 16h39

ÊPA!!, … Ôpa!!, …

UNICIDADE SINDICAL X UNIDADE SINDICAL, …

Apenas um detalhe bobo. A fabrica que trabalho está atualmente com 107 colaboradores, nunca apareceu nenhum jornal sindical sobre este assunto. É, realmente, só falta avisar os interessados diretos nestes assuntos: os assalariados. Ou seja, a disputa pelo poder sindical, vem primeiro, e a discussão politica das idéias, com os trabalhadores, depois. É, realmente, esta cheirando mais a manipulação do que orientação por parte dos 'lideres'. Como sempre, as dicussões são feitas por cima e enfiadas goela abaixo, dos operários, engravatados ou não. É sinal de manipulação, que no final resulta em divisão.

Sobre o imposto, não o vejo como prioridade para discussão. Vejo sim, devido a crise do capital mundial, emergencia na questão de criar empregos. Se fossem sinceros com os assalariados estes 'lideres', com certeza, fariam uma campanha massiva pelas 40 horas semanais. Esta bem mais claro, este assunto, nas cabeças dos oprerarios e aglutinaria mais politicamente, os desejos reais de nós dentro das empresas.

Saudações Socialistas.

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Julio Silveira

28 de março de 2012 às 16h09

Sou a favor do fim do imposto sindical. Por que tem profissões por aí que sequer devia ter representação sindical. Representação sindical que só existe por força legal e não por real necessidade profissional. Sindicatos não trazem nenhum beneficio a não ser aos que nele trabalham.

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    pperez

    28 de março de 2012 às 20h27

    Tambem concordo que qualquer contribuição compulsória não é bem vista por ninguem ainda mais em se tratando de dinheiro para sindicatos muitos deles de gaveta.
    Agora, a extinção será pior porque seria jogar agua da bacia fora com o nenem dentro!
    A ação da CUT é inoportuna porque saiu sozinha dividindo varias categorias num momento em que precisariam estar unidas por conta do inicio das campanhas salariais!

Glauco Lima

28 de março de 2012 às 16h07

Só existem sindicatos de gaveta por conta dessa excrecência chama imposto sindical que toma do trabalhador para sustentar um sistema sindical que nada faz para o trabalhador. As federações, confederações e centrais nada mais são que sangue-sugas do dinheiro do trabalhador, pois, quem faz realmente alguma coisa são os Sindicatos (escrito com maiúscula) que tem a luta como fundamento.
A taxa associativa mantêm o sindicato, o imposto sindical mantem uma estrutura inútil.

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Edfg.

28 de março de 2012 às 15h51

A CUT está certa, esse imposto em grande parte só serve para criar feudos para malandros em sindicatos que não representam ninguém. Querem dinheiro, conquistem filiados. Quer moleza? Vai tomar sopa de minhoca.

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Richard

28 de março de 2012 às 15h50

A CUT me surpreendeu positivamente com esse plebiscito. Ela retoma uma de suas bandeiras originais. Se esse medida for à frente certamente do interior da própria CUT muitos pelegos deixarão a vida sindical. Esse é o balanço que o sindicalismo brasileiro anda a necessitar para assumir ações políticas mais combativas.A pelegada de barriga grande vai fazer barulho, com certeza.

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tereza

28 de março de 2012 às 15h25

Pelo fim do sindicalismo de cabresto. Sindicalismo que depende de uma arrecadação compulsória é peleguismo. Vamos voltar pro "chão da fábrica", pessoal, como se dizia não tão antigamente.

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    assalariado.

    28 de março de 2012 às 17h03

    tereza, UAU!!

    Estas 'esquerdas' que estão atualmente nas direções sindicais, estão com as idéias sindicais do capitalismo de Estado, que morreram no séculos 19 e 20. Esqueceram que estamos no século 21. Vamos passar por cima. Vão levar um susto!

Kleber Carvalho

28 de março de 2012 às 15h04

Eu pago esta m***** justamente pq sou obrigado, mesmo sendo filiado ao sindicato. Creio que seja uma vergonha e esta cobrança é imoral, inconstitucional e ilegal.

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    Glauco Lima

    28 de março de 2012 às 16h08

    Não Kleber. Pode ser qualquer coisa, menos inconstitucional e ilegal.

    Andrade

    29 de março de 2012 às 12h05

    É só fazerem como as elites, mudar a lei ao seu favor.
    Então fica constitucional, legal e moral, dependendo do ponto de vista.

Fernando

28 de março de 2012 às 14h18

Eu odeio pessoas que odeiam imposto.

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    Miguel

    28 de março de 2012 às 21h52

    apesar da quantidade de negativos apressados que voce ganhou, estou contigo.

    leandro

    29 de março de 2012 às 09h44

    Então paga IPTU, IPVA, IR, INSS e paga por fora plano de saúde, colégio, pedágio….paga duas vezes pelos mesmos serviços sem reclamar.

Ramalho

28 de março de 2012 às 14h06

A imposição de contribuição sindical aos trabalhadores, ela sim, tem viés neoliberal por tirar dinheiro de trabalhador. Tal imposto, aliás, não implica necessariamente qualquer compromisso do sindicato com o trabalhador espoliado, a menos que o trabalhador seja sindicalizado. Mesmo nesta hipótese, circunstância da qual os sindicatos se aproveitam para dar mais uma mordida no bolso do trabalhador, os serviços prestados ao sindicalizado são mínimos.

A tese de que sindicalista sabe o que é bom para o trabalhador e que, por isto, tem o direito de surrupiar deste um dia de salário por ano sem qualquer contrapartida tem um nome: ROUBO.

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    Miguel

    28 de março de 2012 às 21h55

    vies neoliberal nao e' roubar trabalhadores, e sim a ojeriza ao que se relaciona a Estado.

    e parece que voce nao conhece mito bem a dinamica sindical… quem organiza a categoria? quem negocia aumento, direitos, beneficio? quem articula pressao sobre politicos pra defender interesses de trabalhadores? Acha que os poucos direitos que ainda sobraram foram dados de presente? e acha que eles ainda vao durar alguma coisa se nao existirem sindicatos para defende-los???

Bertold

28 de março de 2012 às 12h59

Cara, deixa de malabarismo para justificar o peleguismo e a tina facil de dinheiro que sustenta um sindicalismo inutil e ineficaz que nem luta ideológica faz mais. Que tal os pcdobes e pedetes da vida que fazem o sindicalismo pelego sairem do discurso e partirem para um sindicalismo independente a la Lênin, vão a ação com argumentos para conquistar a sindicalização do trabalhador. Do que é só acabam ficando ricos no sindicato.

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Fabio SP

28 de março de 2012 às 12h36

No mínimo querem substituir por algum repasse governamental obrigatório… já tô até vendo!

Responder

    Andrade

    29 de março de 2012 às 12h08

    Pode ser. Temos que analisar a fundo as propostas da CUT para não ter nenhum subterfúgio para precisar de "subsídio" (mamar nas tetas) do (nosso) dinheiro estatal.

Pedro Soto

28 de março de 2012 às 12h34

Acabar com o imposto sindical é coisa do neoliberalismo. Abram o olho.

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    Andrade

    29 de março de 2012 às 12h11

    Nivelar SINDICATOS COMPROMETIDOS com o TRABALHADOR com sindicatos pelegos comprometido com o dinheiro (e pelo capital) é que é coisa de neoliberal. Libera tudo, confunde tudo e segrega tudo.
    Abram o olho com isso sim!


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