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Diário da Resistência


Professor aprova medidas antienchente e faz dois alertas
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Professor aprova medidas antienchente e faz dois alertas


03/01/2013 - 14h08

por Conceição Lemes

Após reunir-se com um grupo de secretários e assessores, o novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou ontem, seu primeiro dia de trabalho, 16 medidas emergenciais para combater as enchentes na capital. O repórter Evandro Spinelli, da Folha de S. Paulo, listou-as: 

1. Coordenar ações de limpeza de ramais, galerias e bocas de lobo. Diminuir a periodicidade das limpezas de bimestral para quinzenal nos 132 pontos de reincidência de alagamento e nas sub-bacias de maior risco.

2. Estabelecer convênio entre a Prefeitura e a Sabesp para o uso de caminhões de hidrojatos no período de chuvas para reforçar a estrutura existente nas Subprefeituras.

3. Solicitar às concessionárias a instalação de contêineres em pontos estratégicos nas regiões do Brás, Bom Retiro, Santa Efigênia, 25 de Março e Pari para o despejo de lixo comercial em larga escala.

4. Dotar as Subprefeituras com estrutura de cavaletes, cones e faixas de sinalização, bem como planos de desvio de rota para atuarem emergencialmente em situações de alagamento até a efetiva operação da CET.

5. As concessionárias deverão providenciar caçambas de até 26 metros cúbicos, em número suficiente, nos Ecopontos, para evitar o depósito de resíduos em locais onde há risco dos detritos escorregarem para a via pública ou encostas de córregos.

6. Intensificar o monitoramento dos pontos de descarte de entulho irregular (pontos viciados). Promover, quando necessário, o recolhimento de entulho.

7. Por decreto, atribuir aos agrônomos das Subprefeituras o poder de emitir o laudo de autorização de poda de árvore.

8. Permitir, no período de enchentes, o deslocamento das equipes entre as regiões das subprefeituras para atender situações de emergência e/ou demanda acumulada.

9. Redimensionar e equilibrar a estrutura disponível para a Defesa Civil nas Subprefeituras e criar um corpo permanente de atendimento às emergências.

10. Reunir prontamente os subprefeitos e secretários envolvidos para repasse das novas orientações sobre a Defesa Civil.

11. Fazer o monitoramento e a limpeza manual e/ou mecânica dos córregos de maior incidência de chuva, evitando os pontos de estrangulamento.

12. Estudar a possibilidade de contratar imediatamente o IPT, por 120 dias, para que geólogos realizem o monitoramento dos locais mais críticos dentro dos setores avaliados como Risco Muito Alto (R4) das 407 áreas de risco mapeadas, reforçando as equipes da Defesa Civil.

13. O Centro de Gerenciamento de Emergências sairá da Secretaria de Infraestrutura Urbana e será subordinada à Defesa Civil, Secretaria de Segurança Urbana.

14. Ampliar o número de núcleos de Defesa Civil (líderes comunitários treinados para o mapeamento e alertas de área de risco).

15. Atualizar decreto que cria o Programa de Defesa Civil e a portaria que regulamenta o referido decreto. Ações preventivas serão institucionalizadas por decreto.

16. Acionar a cláusula contratual das concessionárias do lixo para a elaboração e execução de plano de comunicação para prevenção de enchentes.

“Agora, em plena época de chuvas, a prevenção dos efeitos das enchentes é o que pode ser feito”, aprova o engenheiro Julio Cerqueira Cesar Neto, ex- professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica da USP. “É tentar proteger principalmente as pessoas que moram em áreas de risco.”

Atualmente, basta uma chuvinha para ocorrerem enchentes na cidade.

“A ‘máfia dos piscinões’ vendeu a ideia de que só eles resolvem o problema das enchentes. Em consequência, a Prefeitura e o governo do Estado de São Paulo investiram apenas neles, abandonando as obras de ampliação do sistema de galerias”, afirma o professor. “Como não investiram nada no sistema no sistema de drenagem e os piscinões não funcionaram, a situação é dramática, cada vez pior.”

“Espero que o Haddad mexa para valer na drenagem, como já mencionou de passagem numa entrevista que li”, alerta Julio Cerqueira Cesar. “Se insistir nos ‘piscinões’, vai ser derrotado. Piscinões, não, prefeito! Fique longe deles”

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19 comentários

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A homenagem de Stanley Burburinho a Zeca Pagodinho « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de janeiro de 2013 às 23h14

[…] Professor aprova medidas antienchente e faz dois alertas […]

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Sakamoto: Enchentes? Não adianta “terceirizar” para o plano superior « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de janeiro de 2013 às 23h10

[…] Professor aprova medidas antienchente e faz dois alertas […]

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Boff: O “tsunami” em Xerém, um crime de lesa-humanidade « Viomundo – O que você não vê na mídia

04 de janeiro de 2013 às 23h26

[…] Professor aprova medidas antienchente e faz dois alertas […]

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Helder

04 de janeiro de 2013 às 01h23

Enquanto quem estiver morrendo em enchente ou nas mão do PCC/PM for pobre o tucanato está pouco se lixando…

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    Julio Silveira

    04 de janeiro de 2013 às 12h28

    Tambem acredito nisso.

Eunãosabia

03 de janeiro de 2013 às 22h02

Ele já mostrou sua capacidade no MEC, particularmente no ENEM, sabemos do que Haddad é capaz.

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Fabio Martins

03 de janeiro de 2013 às 19h45

Neste salto inicial do trampolim, Haddad comprova possuir um sentir, um olhar, um agir de fato periférico, realista e condigno do que desesperadamente se espera de um Prefeito decente da Cidade de S.Paulo.

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Laurindo

03 de janeiro de 2013 às 17h45

Uma das mais fortes razões pela qual considero urgente a saída dos governantes do PSDB do governo paulista é chance de se fazer uma reestruturação profunda na viciada e sinistra SABESP. Quem sabe até mesmo acabar com esse buraco negro, o qual atravanca qualquer boa intenção no sentido de melhorar o abastecimento e saneamento no estado. Os tentáculos dessa autarquia, interferem, inclusive, diretamente no drama das enchentes.

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Cibele

03 de janeiro de 2013 às 16h35 Responder

    mateus

    04 de janeiro de 2013 às 00h04

    Haddad começou bem. E tem que colocar pessoal técnico mesmo nas subprefeituras. Afinal quem têm que fazer o papel político e negociador é o prefeito. Os subpreefitos são auxiliares.

    Cibele

    05 de janeiro de 2013 às 01h07

    Sim, foi o que eu quis dizer. Agora temos governo!

Julio Silveira

03 de janeiro de 2013 às 16h26

Vou dar um pitaco de leigo. Acho que os municipios brasileiros deveriam avaliar sobre a possibilidade de substituir, principalmente nas ruas secundárias das cidades, o asfalto pela pavimentação com blocos de concreto. Daqueles que possibilitam uma melhor drenagem das aguas. Não sei se dá muito trabalho a colocação, mas se der tanto melhor, precisamos de trabalho, aliando outros beneficios as comunidades que teriam uma cidade menos impermeavel. Está mais que na hora de se pensar tecnologias alternativas que inicialmente ou aparentemente podem ser um pouco mais onerosas, mas que no custo beneficio trariam muito mais qualidade de vida a cidadania o que as tornam no transcorrer do tempo uma opção economica muito mais inteligente.

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    Narr

    04 de janeiro de 2013 às 00h11

    E os famosos paralelepípedos? Além de reduzirem a velocidade excessiva no transito, podem ser bem duraveis e bonitos.

    Maria Quinet

    04 de janeiro de 2013 às 02h01

    Bateu na tecla que eu bato há mais de 10 anos. Sempre defendi que asfalto deveria ser apenas para rodovias e vias que permitem velocidades de 60 km para mais. Que todo prédio só seria liberado para construção se fosse colhetada a água e tratada para uso da manutenção do condomínio. Que qualquer loteamento novo ou mesmo condomínio fechado, usasse blocos de pavimentação e não asfalto.
    Acho, ou melhor, tenho certeza que acabariam as enchentes e os acidentes diminuiriam consideravelmente.
    QUER VER FUNCIONAR? BASTA UM POLÍTICO DE PESO MONTAR UMA FÁBRICA DE BLOCOS OU QUALQUER COISA SIMILAR. AÍ VIRA LEI.

    francisco niterói

    04 de janeiro de 2013 às 19h11

    Julio
    Alem das opinioes dos outros comentaristas à sua proposta, tenho a acrescentar a facilidade de manutencao. Quando uma concessionaria de aguas, por ex., faz conserto em asfalto, precisamos de maquinas para restaurar, etc. Com oaralelepipedo, o proprio operario pode consertar.
    Alem do mais, esta manutencao émais barata. Acontece que muitos prefeitos nao querem o mais barato.

    Em Paris, por ex, muitas ruas sao em oaralelepipedos. Se nao me engano, em volta do arco do triunfo as ruas sao neste material.

MariaC

03 de janeiro de 2013 às 14h32

Cada político da cidade de S. Paulo antes de iniciar uma campanha deveria pegar o ônibus para Atibaia e sentar-se do lado esquerdo do mesmo e conhecer as favelas e os morros. Meia S. Paulo mora no morro, e não será o PIG a mostrar isso, mas se ocorrer algo errado, aí sim mostrará. Nunca poderá haver saneamento para aquela gente.

Culpe-se a situação também pelo baixo salário mínimo do Brasil. Se acolhemos o imigrante e não lhe damos salário há a consequente favelização e reprodução de favelados, embora cantemos que há pleno emprego.

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MariaC

03 de janeiro de 2013 às 14h27

Que Dr. Haddad enfrente a máfia e institua pesadas multas ao povão, por jogar lixo em todo lugar.As máfias do lixo e o povão do partido dessas mafias já estão a sujar a cidade com sofás e estrados desde muito antes.
Nem só os desses partidos. Se for bonzinho não terá sucesso. E haja câmeras para pegar eles. As cidades da região foram abandonadas pelas máfias de coleta que eram de prefeitos aliados, e já estava lá o editorial prefabricado dizendo que os partidos populares já sujaram a cidade antes mesmo de assumirem. Há que endurecer. Ele não conhece povão.

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    Bonifa

    03 de janeiro de 2013 às 20h34

    Sinto muito, mas sua visão é típica do neoliberalismo tucano. Se houver estudo sério, se chega à raiz do problema. Chegando à raiz do problema, é possível fazer planos para superar. Se houver planejamento, se chega a uma solução. Se houver uma solução, se chega a um projeto viável, sério, ao qual toda a cidade, ou todo o bairro, ou todo o “povão”, vai aderir sem problema algum adicional. Mas o neoliberalismo tucano não gosta de estudos sérios, abomina o planejamento, só tem soluções pontuais e inseridas em esquema político empresarial e só admite projeto se estiver de acordo com estes planos políticos, embora divorciados de qualquer racionalidade. O “povão” vê isso claramente, e responde despejando seus sofás velhos em cima dos tais projetos tucanos.

    Aline C Pavia

    03 de janeiro de 2013 às 23h09

    Falou tudo, estou com o saco cheio desses “entendidos” que culpam os “porcos” da população pelas enchentes ao “jogarem lixo nas ruas”.
    O que se vê nas enchentes são saquinhos de lixo boiando, prova de que a população faz faxina em casa e coloca o sanito para o caminhão recolher. Se há lixo nas ruas é culpa do poder público que tem de fazer a coleta e a limpeza urbana e não o faz.


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