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Diário da Resistência


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Júlio Cerqueira César: “Piscinões não resolvem o problema de enchentes do Tamanduateí”


24/02/2011 - 13h33

por Conceição Lemes

O Tamanduateí é um dos “cartões postais” da cidade de São Paulo. Nos meses de estiagem, o rio fede, devido ao esgoto que a Sabesp despeja nele e em seus afluentes.  No período das chuvas, ele transborda frequentemente, como já aconteceu várias vezes desde novembro.

“O Tamanduateí está totalmente superado em termos de capacidade de transporte de águas”, avisa o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. “Há mais ou menos 15 anos a ‘máfia dos piscinões’ vendeu à Prefeitura e ao governo do Estado de São Paulo a ideia de que só os piscinões resolvem o problema das enchentes. Como eles não têm apresentado os resultados  esperados,   e a  Prefeitura e o Estado não investiram no sistema de drenagem, a situação é dramática.”

O Tamanduateí nasce em Mauá, passa por Santo André e São Caetano do Sul — todos municípios do Grande ABC. Na capital paulista, percorre a Avenida do Estado inteira, atravessa o centro, no Parque D. Pedro II, desaguando no rio Tietê, em frente ao Palácio das Convenções do Anhembi.

O engenheiro Júlio Cerqueira César Neto foi durante trinta anos professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica da USP. Nesta entrevista exclusiva ao Viomundo, ele faz o diagnóstico do rio que tem 35 quilômetros de extensão, da nascente à foz.

Viomundo – Na última segunda-feira, o Tamanduateí mais uma vez transbordou neste verão, inundando as áreas próximas às suas margens. O  que está acontecendo?

Júlio Cerqueira César – O rio Tamanduateí não tem capacidade para as vazões que ocorrem no período chuvoso, que vai de novembro a março ou abril. Essa é a época de chuvas intensas. Elas ocorrem sempre, mais ou menos vezes. E embora essas chuvas intensas sejam normais nesta época do ano, o rio não tem capacidade para transportar as suas vazões.  Ele está totalmente superado.

Para se ter uma ideia, a capacidade dele na foz [quando encontra o Tietê] é de 480 metros cúbicos por segundo, e essas chuvas intensas podem provocar vazões mais que 800 metros cúbicos por segundo. O Tamanduateí tem então de transportar quase o dobro da sua capacidade. Resultado: verte água. A situação é dramática.

Aliás, todos os seus afluentes – por exemplo, o córrego do Ipiranga, dos Meninos, do Oratório, da Moóca, o rio dos Couros — também enchem. Toda a bacia do Tamanduateí está sem condições de transporte das águas na estação das chuvas.

Viomundo – Por quê?

Júlio Cerqueira César —  Até inventarem os piscinões na área urbana, toda vez que havia problema de alagamento se resolvia com ampliação da capacidade dos canais, das galerias, etc. Ou seja, ampliação dos sistemas de drenagem da capital.

Porém, há cerca de 15 anos se decidiu na Prefeitura e no governo do Estado de São Paulo não aumentar mais os canais, apenas fazer piscinões. E como eles não resolvem o problema de enchentes e não se investiu nos sistemas de drenagem da cidade, ficamos sem nada.

Viomundo – Os piscinões não funcionam contra as enchentes!?

Júlio Cerqueira César – Não resolvem. Primeiro, eles têm de estar limpos para se ter o efeito desejado.  Levantamento feito em 2010 pelo Estadão mostrou que dos 19 existentes no município de São Paulo, oito estavam em condições razoáveis, os outros 11, entupidos ou abandonados. Segundo, quando se tem uma chuva atrás da outra, não dá tempo de eles serem esvaziados totalmente, mesmo que estejam limpos. Logo, não adianta também.

A área do Paço Municipal de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, está protegida por  sete piscinões. Na semana passada,  ficou debaixo d’água mais de uma vez.

Quer outra prova de que eles não funcionam como o esperado? Já existem 15 ou 16 na bacia hidrográfica do Tamanduateí, no ABC. As regiões  continuam enchendo.

Viomundo — O Tietê tem alguma repercussão sobre o Tamanduateí?

Júlio Cerqueira César — Muito pouco.  Se influi alguma coisa é na área do Parque Dom Pedro II, não lá para cima [bairros do Ipiranga, Vila Prudente, por exemplo], onde tem inundado.  O Tietê já encheu duas vezes este ano.

São Pedro também não é o responsável. Os culpados são a Prefeitura e o governo do Estado que não fizeram as obras necessárias, deixando a situação ir muito longe.

Viomundo – Ampliar o Tamanduateí seria uma saída?

Júlio Cerqueira César – O Tamanduateí está totalmente inserido na Avenida no Estado. Não há espaço para ampliá-lo, a menos que se acabe com a Avenida do Estado.

Viomundo – E qual seria a solução?

Júlio Cerqueira César – Como deixaram chegar a um ponto muito sério, a  solução é extremamente cara e  complexa.   Nós temos de fazer o desvio de parte das águas do  bacia do Tamanduateí para a represa Billings, por meio de grandes túneis.

Viomundo – Nesse caso, as águas dos afluentes do Tamanduateí no ABC iriam para a Billings em vez de virem para São Paulo?

Júlio Cerqueira César — É. Isso se chama reversão de bacias. Eu mesmo há 15 anos  fiz um projeto para o DAEE [ Departamento de Águas e Energia Elétrica], revertendo parte das águas do Tamanduateí para a Billings.

Viomundo – O que aconteceu com esse projeto?

Júlio Cerqueira César — Está na prateleira até hoje. Nós estamos diante de uma situação extremamente dramática. A solução exige obras de grande porte, complexas, difíceis, e se não fizermos, o Tamanduateí vai enchendo, como tem acontecido até agora.

Viomundo – O que a Prefeitura e o governo do Estado estão fazendo para resolver o problema do Tamanduateí?

Júlio Cerqueira César –  Assistindo a banda passar.

Viomundo – E os piscinões?

Júlio Cerqueira César – Também não estão fazendo, porque já sabem que não funcionam. Além disso, não há espaço para fazê-los.

Viomundo — Quer dizer que  o Tamanduateí vai continuar  enchendo?

Júlio Cerqueira César — Com certeza. E no ano que vem, de novo.  Até que decidam fazer alguma coisa.

Viomundo — O senhor disse que há cerca de15 anos se decidiu pelos piscinões e pela não ampliação do sistema de drenagem. O que levou a isso?

Júlio Cerqueira Neto —  É o que eu chamo de ‘máfia dos piscinões’. Existe um grupo de técnicos que vendeu à Prefeitura e ao governo estadual a ideia de que só o piscinão resolve.  Prefeitura e governo estadual aceitaram isso. Então só fazem piscinões.

Para a cidade foi lamentável. Provocou atraso muito grande no sistema de drenagem. Não podemos ficar 15 anos sem investir nessa área.

Viomundo – O que deveria ter sido feito ao longo desses 15 anos?

Júlio Cerqueira César – O que se fazia antigamente. A cada  ano a Prefeitura canalizava dois, três, quatro córregos. Essa ampliação de córregos e galerias dava resultados, funciona. Mas eles passaram a investir só em piscinões que não funcionam…

Agora, vamos aguardar e ver se algum luminar assume esse tipo de problema. É preciso muito coragem, porque realmente o problema é muito grande.

Lá atrás a gente a imaginava  túneis para jogar o excesso de água no mar. Mas via isso como utopia. Hoje não é utopia. Talvez tenha de se fazer isso mesmo.

Viomundo — Levar essa água para o mar!?

Júlio Cerqueira César — É. O excesso de água não tem para onde ir, então seriam feitos  túneis para transportá-la até o mar. É uma longa viagem. Mas não temos como resolver esse problema de forma indolor.

Viomundo – Professor, a situação atual decorre de incompetência, má fé ou o quê?

Júlio Cerqueira César – Incompetência do estado e da prefeitura que ficaram tantos anos sem investir adequadamente no sistema de drenagem, confiando só nos piscinões. Repito: há 15 anos o sistema de drenagem da cidade está nas mãos dos piscinões, e os piscinões estão dando os resultados que todos estamos vendo, ou seja, não resolvem o problema das enchentes.

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41 comentários

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maria izete

18 de setembro de 2017 às 13h47

Verdade se não fazer reservatorios nos quatro quantos da cidade para escoar a agua que os 22 piscinoes enchem no tempo das chuvas , os piscinoes tem que ter bombas para fazer a as aguas pluviais ate esté reservatorios ,esta agua tratada pode voltar as tormeneiras da cidade

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Ricardo

21 de fevereiro de 2013 às 23h00

Olá pessoal!

Alguém tem alguma notícia sobre algum projeto que venha a resolver ou minimizar o problema de alagamento do Córrego do Ipiranga?

Obrigado!

Abraços

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Professor aprova medidas antienchente de Haddad e faz dois alertas « Viomundo – O que você não vê na mídia

03 de janeiro de 2013 às 14h18

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Júlio Cerqueira César Neto: Sabesp privilegia acionistas em detrimento de usuários « Viomundo – O que você não vê na mídia

23 de maio de 2012 às 19h54

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Gersier

28 de fevereiro de 2011 às 19h03

E a piada sem graça é que o PIG sempre que acontece qualquer problema menor,desanda a falar que o Pais não está preparado para sediar as olimpíadas e a copa do mundo.Quando qualquer chuvinha inunda São Paulo,eles nem lembram que tucanóides e demoníacos. estão doidos para sediar a abertura da copa .Hipócritas e cínicos,culpam sempre São Pedro e os pobres e acreditam que o Governo Federal é tão incompentente quanto os emplumados que desgovernam São Paulo ha mais de uma década e meia.Pergunto,em apenas tres anos conseguirão os bicudos fazer o que não fizeram nesses anos todos, hem PIG?

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El Cid

27 de fevereiro de 2011 às 20h07

"Zeitgeist, o espírito de nossa época" para download:
http://www.megaupload.com/?d=G1SJ1YB0

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yacov

27 de fevereiro de 2011 às 18h28

Enquanto São Paulo bóia, ou afunda…, o nosso secretario do 1/2 ambiente, sr. Fabio Feldman, vai viajar com toda a pompa e circunstância para LONDRES, a soldo da Prefeitura, para acompanhar as preparações para olimpíadas de 2012. A pergunta é: Porque, se a sede das olimpíadas no Brasil será o RIO??? Não seria mais producente ele viajar para cidades que resolveram os seus problemas com enchentes e limparam seus rios, como Seattle e Seul???? Que espécie de planejamento e gestão é esse???

"O BRASIL PARA TODOS não passa na GlObo – O que passa na globo é um braZil para TOLOS"

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André Jefferson

25 de fevereiro de 2011 às 14h25

Coisa de Deus, diria o Padim Pade Cerra que hoje vive trocando receita de veneno no Twitter!!!!

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ANA

25 de fevereiro de 2011 às 13h38

Seria muito rídiculo acrescentar à paisagem urbana também bolsões verdes?

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Gerson Carneiro

25 de fevereiro de 2011 às 12h55

Padim Pade Cerra vive atualmente de fofoca no twitter:

Cobra, do Jardim do èden, era amiga do PT e do Lula.
@joseserra_

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Caracol

25 de fevereiro de 2011 às 08h38

A questão é escatológica:
Podem os engenheiros (eu também sou) defecar todas as idéias engenharísticas que quiserem ou que puderem, mas no fim não vai dar outra:
Primeiro, as águas vão rolar quer eles queiram quer não. Segundo, elas vão continuar rolando pra baixo, pois a Lei da Gravidade é uma das poucas que ainda não conseguiram subverter no Brazíu, se bem que eu já não duvide de coisa alguma. Finalmente, as pessoas que se submeterem a vegetar nas grandes cidades vão todas apodrecer prematuramente cada vez mais cedo e seus governantes também, só que estes vão se encher de dinheiro antes, mesmo não tendo o tempo necessário para fazer alguma coisa com ele, pois vão apodrecer logo também.
Roubaram as margens dos rios para construir favelas de pobres e de ricos, impermeabilizaram tudo com concreto, cimento e asfalto. Agora que bebam a bosta que acumularam. S.Paulo vai na frente, pois S.Paulo não pode parar.

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betinho2

25 de fevereiro de 2011 às 01h16

Marcos
Pesquisando na net encontrei o projeto. É de 1997. Ha 14 anos, imagina se tivessem aprovado e dado início naquela época?

PROJETO PADIN " O FIM DAS ENCHENTES "

CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
PROJETO DE LEI Nº 01 – PL
01 – 0320 / 1997

Torna obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500 m².

Íntegra aqui: http://elair-padin.sites.uol.com.br/

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Robson Moreno

25 de fevereiro de 2011 às 00h07

Azenha, tem um artigo muito interessante, mas numa linha oposta ao Prof. Cerqueira César, no sentido em que, para se efetivar o combate as enchentes está em fazer mais obras de ampliação de canal e até levar as cheias as represas ou o mar. Porém ambos chegam num consenso: a inutilidade dos piscinões. No entanto, a urbanista e ex-diretora do SEMASA de Santo André-SP (autarquia de saneamento ambiental), adota outra postura, mais a ousada em relação ao ex-professor da USP ao propor a desapropriação das áreas onde eram as várzeas dos rios e a criação dos parques lineares que, nessa época do ano, não seriam utilizáveis. (Ou seriam menos utilizados). Na mesma linha segue o atual Secretário de Meio Ambiente de Campinas em sua tese de doutorado sobre parques lineares e lagoas de detenção para combate as enchentes na bacia do Ribeirão das Pedras em Campinas-SP.
O artigo de Soraia Dias vc pode ver aqui: http://www.abcdmaior.com.br/blog.php?p=1982&
A tese de Paulo Sérgio de Oliveira, aqui: http://cutter.unicamp.br/document/?code=vtls00037
É um debate interessante: qual o menor custo socioambiental e econômico para o enfrentamento desse problema vividos por, praticamente, todas as grandes cidades brasileiras. Outra sujestão e ver as soluções adotadas por Seatle (EUA) com a “infraestrutura verde”.

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Rodrigo Santos

24 de fevereiro de 2011 às 23h34

O que precisa sim é devolver ao rio a sua função natural, de gerar e sustentar a vida. Coisas neste caminho estão pipocando aqui entre os comentários, mas posso listar adicionando mais algumas: uma reforma urbana para dar condições basicas de vida fora da área inundável à população, devolver áreas inundáveis hoje urbanizadas e construidas e com dono ao sistema natural do rio, reter para reuso a agua de chuva nos reservatórios domesticos e empresariais que deviam ser obrigatórios em todas as areas construidas, aumentar a permeabilidade e a absorsão plantando mais arvores e etc. O problema é que a economia das cidades se sustentam na ideia básica e "imexivel" de valor de mercado para a terra. Temos que vencer a resistencia a tirar totalmente o acesso do mercado a algumas terras e ainda pegar das terras boas restantes (aquelas que não inundam) uma bela porção para desapropriar para as pessoas poderem morar e trabalhar com dignidade. Tá facil!

Responder

Rodrigo Santos

24 de fevereiro de 2011 às 23h29

Comentário parte 2
A solução não é canalizar nem piscinar, matando o que o rio é. Essas obras, não digo nem do absurdo do ralo que sai no mar, são mais do mesmo. Precisarão de investimentos ad Infinitum. É facil calcular quanto o cano precisa ter para passar tanto de água, mas e o sedimento, e a agua difusa que está fora do cano, e o entupimento, e a manutenção. A conta vai ficando dificil até ficar inviável, ou seja, mesmo fazendo tudo certinho, na hora que chover 100 mm por hora igual teresópolis vão apelar para São Pedro. É uma industria milionária, e na hora do teste real a culpa é da Mudança Climática… Peraí seu Julio…

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Rodrigo Santos

24 de fevereiro de 2011 às 23h19

Muito boa entrevista e tema, mas não concordo com as soluções propostas. A essencia está dita: falta vontade política para fazer investimentos quanto a questão das enchentes. Mas falando em máfia dos piscinões, pareceu uma reclamação da Máfia das Canalizações, enfim, solução engenheirada para manter em curso o essencial, A Industria da Enchente.

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Alvaro Tadeu Silva

24 de fevereiro de 2011 às 22h43

Lendo a entrevista, fiquei com algumas dúvidas. Os números estão corretos, 480 metros cúbicos por segundo, em situação normal (sem chuvas)? O ex-Rio Tamanduateí, hoje um miserável e fedorento esgoto a céu aberto, tem a largura máxima de uns 20m. Com certeza, sua profundidade média é inferior a 3m. Isso daria uma vazão de 60 metros cúbicos por segundo quando sua velocidade fosse de 3,6km/h. Para 480 metros cúbicos por segundo, a velocidade das águas deveria ser 14,4m/s, muito alta. Os números não seriam 48 metros cúbicos por segundo e 80 metros cúbicos por segundo? Quanto ao resto, estou de inteiro acordo com o engenheiro Cerqueira César. Se não investirmos os quinze bilhões de reais hoje, as coisas ficarão muito piores no futuro.

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    Conceição Lemes

    25 de fevereiro de 2011 às 02h02

    Alvaro, chequei com o professor. São 480 e 800. obrigada. abs

    Bonifa

    25 de fevereiro de 2011 às 09h29

    Não adianta apenas melhorar as condições de passagem da água por dentro da cidade. Estas calhas urbanas deveriam recolher quase que apenas a água pluvial que se abate no perímetro da cidade. A opção certa é não levar para dentro do perímetro as águas que os rios recolhem fora da cidade. Como os rios correm em declive rumo ao Rio Paraná, a solução seria fazer uma transposição destes rios para além da cidade, através de uma bem planejada rede de canais. Por dentro da cidade, os rios estariam domados e restritos a uma vazão e a uma profundidade mais ou menos permanentes, dependendo do monitoramento das comportas. Nosso cálculo é de que isso consumiria cerca de 15 bilhões, uma bagatela.

    Bonifa

    27 de fevereiro de 2011 às 18h33

    Melhorando a redação: A solução é desviar a água dos rios para que só uma parte controlada dela atravesse o perímetro da cidade. Desviar através de canais que, depois do perímetro da cidade, voltariam a jogar a água nos rios.

Bonifa

24 de fevereiro de 2011 às 20h45

Não resolvem o problema das enchentes em São Paulo simplesmente porque não querem. Talvez estejam sempre ocupados demais para pensarem no assunto. Era só fazerem um estudo detalhado da região e construirem diversos canais, desviando o excesso de água das zonas urbanas. Gastariam aí uns 15 bilhões, o que seria uma bagatela.

Responder

betinho2

24 de fevereiro de 2011 às 19h35

Já existe um projeto antigo de um vereador, que não lembro o nome nem o partido, que propos isso. Ou seja, ao invés de piscinões, piscininhas, às milhares. Como seria agua de chuva captada dos telhados, seria "limpa" apesar de não potável. Pode ser usada para outras finalidades, como lavar carro, calçadas, etc.
Não conheço a íntegra do projeto, mas penso que deveria ser uma lei obrigatória para locais em que é possível implantar, com financiamento a fundo perdido e redução de icms nas contas de energia, pois certamente haveria acrescimo de uma bomba elétrica para movimentar para uso a água aculumada nos reservatórios.
Mas coloco, para analise, uma situação totalmente inversa, se o problema de São Paulo fosse seca, com certeza essa captação já estaria sendo feita. Enchente é problema para os pobres, falta de água é problema para todos. Essa a visão dos "governantes".
Onde estão os ecologistas do PV para brigar nessa questão? Àh, desculpe, estão unha e carne com os Tucanos, lá eles não podem meter o bedelho.

Responder

    Rodrigo Santos

    24 de fevereiro de 2011 às 22h49

    O autor da proposta se não me engano foi o Adriano DIogo do PT. Aliás, um cara muito competente.
    Sua proposta virou lei na gestão Marta Suplicy, e iniciava sua implementação quando o Kassab virou prefeito e aí desandou. Inclui que todas as areas construidas acima de 500 m2 tinham que ter reservatório proporcional e um minimo de 10% da área permeavel. Os estacionamentos tem que ter 1 arvore a cada tres carros. Junto com essa lei foi aprovado uma serie de coisas no plano diretor feito na época, ampliação dos corredores de onibus acompanhado de áreas verdes em linhas em todas as avenidas maiores. Ficou muito bacana no papel, mas aí você já sabe, o Prefeito virou o …
    Agora, acho que ecologistas não combina muito com o PV, penso que são os Eco capitalistas, isso sim. O verde é outro…

    betinho2

    25 de fevereiro de 2011 às 03h15

    Rodrigo
    Obrigado pela informação. Encontrei uma matéria que confirma a autoria do vereador Adriano Diogo.

Adriana De Simone

24 de fevereiro de 2011 às 18h47

Os comentaristas têm mais boas idéias do que um especialista? Gosto deste BLOG porque aprendo com os comentários, muitas vezes mais do que com a matéria em si… Realmente, não entendi a idéia de verter água suja para a Billings, do alto da minha ignorância no assunto.

Responder

Glecio_Tavares

24 de fevereiro de 2011 às 18h12

Eu moro no Ipiranga, vou imprimir este texto e grudar em todos os bares da area conhecida como ilha do sapo. Quem sabe assim o pessoal aprende a votar.

Parabens Conceição pela importante entrevista.

Responder

O_Brasileiro

24 de fevereiro de 2011 às 17h55

Eu gostaria de saber o que é mais caro: construir os sistemas de drenagem ou arcar com os custos materiais e humanos das inundações?
Outra coisa que eu gostaria de saber: só afeta os pobres ou os ricos também?

Responder

Fernando

24 de fevereiro de 2011 às 16h52

Poxa, essa foto é maior jabá da Batavo e do BMG…

Responder

Marcelo de Matos

24 de fevereiro de 2011 às 15h46

Levar o excesso de água para o mar… Acontece que cidades como Santos e São Vicente já estão sofrendo inundações. E se editássemos lei que obrigasse as futuras construções a terem uma área permeável de 25%, como ocorre nos loteamentos fechados? O problema é que o município, muitas vezes, não consegue fazer cumprir suas leis. As questões ambientais, como prevenção de enchentes e ocupação do solo deveriam ter acompanhamento conjunto da Prefeitura, do Estado e do Governo Federal. No futuro vão querer mandar o excesso de água para Marte.

Responder

Polengo

24 de fevereiro de 2011 às 15h34

Concordo com quase tudo que o Sr. Julio Cerqueira César disse. Só uma questão me deixa intrigado:

Reverter a água do Tamanduateí para a Billings não traria problemas de contaminação? Afinal, a Billings não é um reservatório que distribui água para a populacão?

Responder

Paulo

24 de fevereiro de 2011 às 15h30

Uma sugestão demorada, cara dimais da conta, mas que seria aproveitada por todas as proximas gerações, seria, desapropriar toda a extenção das marginais tietê em pelo menos 500 metros de cada lado desde aqui da zona leste até a Marginal Pinheiros. Isso daria para o rio extravasar nas cheias, e ao longo dessa margem, poderia implantar parques, estações de tratamento de esgoto, reflorestar toda essa área, para ficar como um espigão verde dentro da cidade, creio que la nã frente há uns 50/60 anos, irão lembrar que pensaram neles no passado. Com certeza isso custaria uns zinzilhões de reais, mas valeria a pena.

Responder

    Roberto Locatelli

    24 de fevereiro de 2011 às 17h06

    Bem melhor do que cimentar as marginais como Serra fez, ao custo de R$ 4 bilhões, obra inútil que não melhorou em nada o trânsito e piorou as enchentes.

    betinho2

    24 de fevereiro de 2011 às 19h40

    Roberto
    Pouco posso opinar sobre as enchentes de São Paulo, pouco conheço a topografia.
    Mas conheço bem outras cidades em que além de canalizarem córregos, suas margens (barrancos) foram aumentadas em altura, com concreto e ou muros de pedra. Penso, palpitando, que é o que devia ser feito em São Paulo, se é que ainda é possível.

Marcos C. Campos

24 de fevereiro de 2011 às 15h26

Acho mais pratico fazer captação intensiva de agua da chuva nas casas, condominios e predios e estacionamentos para uso ao longo do ano para lavagem de carros calçadas e etc.
A área de captação da bacia do Tamanduatei é grande (320 km2 http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Tamanduate%C3%AD… assim a capacidade de captação é também grande.
Ex somente o telhado do Shopping metropole em SBC tem uma area de 100 x 217 metros (dá para medir isto pelo Google earth , acabei de faze-lo) Entao se o Tamanduatei tem uma area de 320 km2 e corresponde a uma vazao de 800 m3/s um shopping tem 0,02 km2 então proporcionará (no pico) 0,0543 m3/s ou 54 lit/s.
Ou seja, acho que captar agua na epoca da chuva e armazenar para uso ao longo do ano proporcionará economia para aqueles que o fizerem. Dependendo do preço da agua atualmente a captação de agua da chuva pode ter um retorno rapido.

Responder

    Roberto Locatelli

    24 de fevereiro de 2011 às 17h08

    Muito boa a ideia! Além de reduzir as enchentes, reduz o consumo de água tratada. É um absurdo darmos a descarga no banheiro com água fluoretada. Não faz sentido.

    betinho2

    24 de fevereiro de 2011 às 20h45

    Marcos
    Endossei teu comentário, mas por descuido postei fora da "Resposta". Foi para o alto da página.
    è sobre um projeto antigo que vai na linha da sua sugestão.

    Marcos C. Campos

    24 de fevereiro de 2011 às 21h26

    Dah ateh para estimular a economia de pequenas construcoes, como por exemplo de pequenos reservatorios e etc etc. O problema na ideia eh que se trataria de muitas e pequenas iniciativas de muitos agentes (populacao, comercio industria), e o estimulo do poder publico de maneira pulverizada e local, o que eh muito dificil de se obter em uma estrutura politica acostumada a tratar com poucas empreiteras.
    De quem era o projeto de lei (ou coisa parecida) citado ? 'E provavel que o Prof. Julio C. Cesar conheca o vereador.

    betinho2

    24 de fevereiro de 2011 às 22h37

    Marcos
    Verdade, mas imagina as outras soluções, como a canalização para o mar?
    As pequenas piscinas, na verdade tanques dágua abaixo do piso, vedades, começam a solucionar ou auxiliar logo no início, se somando gradativamente.
    Da maneira que está, daqui a 10 ou 15 será a mesma cantilena:" porque não foi feita a captação a "tantos" anos atrás"
    Sinceramente, não lembro quem foi o vereador, só sei que foi de primeira legislatura, a mídia noticiou sem destaque e deixou morrer o assunto.
    Mas esse projeto deve estar lá, engavetado.

    Marcos C. Campos

    25 de fevereiro de 2011 às 08h42

    Pelo jeito Sampa terá que esperar 2012 e na eleição se falar no projeto (escreveram ai em cima que este ideia é projeto do vereador Adriano Diogo, com mais outros aspectos interessantes). O tunel proposto seria de pelo menos uns 15 km (para ligar o Tamanduatei a Billings) e pelo que conheço de hidráulica seria uma obra bastante complexa e cara. Moro em Curitiba mas tenho parentes em São Paulo, e para ir a Minas (terra da familia) tenho que passar em Sampa e evito os horários do final da tarde na época das chuvas.

    O outro assunto associado está relacionado às construções. Muita gente vive de construção, compra e venda de imóveis assim é "normal" se ocupar todo o espaço urbano, inclusive o espaço dos rios com casas, prédios, estacionamentos. Dá no que estamos vendo. A economia de São Paulo tem que diversificar para evitar esta saturação. Diminuir o crescimento fisico e crescer em quaildade de vida.

    sergiopamplona

    24 de fevereiro de 2011 às 22h57

    E digo mais: a água de chuva pode ser potável sim, em locais onde não há grande poluição do ar. Não é o caso de Sampa, com certeza, mas é o de Brasília, onde moro e consumo água de chuva (apenas filtrada) durante alguns meses do ano. Adoro. Acho a água ótima.
    Mas mesmo se for só para usos não potáveis vale a pena, tanto individualmente (com a conta menor) como coletivamente, com a redução do uso de água tratada e a diminuição do lançamento de água nos picos de chuvas e consequentemente dos transbordamentos. Só quem não gosta é a companhia de águas, que passa a ter São Pedro como concorrente ao seu negócio.
    Agora, o cidadão da entrevista só consegue pensar em soluções "engenheirísticas". Tudo bem, é a (de)formação profissional dele, e todos temos as nossas. Só que algumas dessas soluções são para lá de megalô, e com efeitos colaterais ambientais que certamente se apresentarão mais na frente. O próprio conceito de drenagem que canaliza rios e córregos é altamente questionado hoje em dia. Simplesmente porque, além de caro, mata os rios (que em geral e não por acaso são sinuosos e precisam de vida em suas margens) e gera uma serie de problemas como esse, de um rio receber mais que a sua vazão natural: ele é destruído. Aqui no DF está cheio de córregos assim.
    Essa ideia então de jogar a água láaaa no mar é uma loucura. Claro que engenharisticamente é factível. Só que seria caríssima e onerosa em recursos financeiros e naturais. Imagina a destruição que seria essa torrente de m* despencando da Serra do Mar. Isso sim seria um belo "cartão postal" para o estado de SP: a turistada fotografando (com o nariz tapado, claro) aquela cachoeira de porcaria e lixo que apareceria todo fim de ano. De repente passa um sofá boiando, um fogão velho rolando…As praias ali por perto iriam ficar deliciosas de se tomar banho, já pensou?
    Se é para gastar alguns zinzilhões, muito mais sensata é repensar as cidades e torná-las mais verdes, com áreas de recarga dos lençois freáticos. Vai por aí a ideia do comentarista Paulo, que é a de devolver ao rio (e eu acho que deveria ser aoS rioS, todos) a sua área de várzea natural em ambas as margens, criando lindos parques alagáveis. Seul fez isso no seu rio Han (acho que é assim que se escreve), que era um esgotão e virou um local vivo na cidade, com as margens pulsando de vida humana e não humana, com moradores passeando e atividades de lazer. Quando ele sobe, o povo não vai lá, que aquilo pertence ao rio, está só emprestado. Sumpaulo e os seus cursos d'água agradeceriam. Os netinhos dos paulistanos mais ainda.


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