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Paulo Nogueira Batista: Brasil tem munição contra a crise


21/08/2011 - 13h25

por Paulo Nogueira Batista Jr., no Tijolaço

“Um dos fatores que agravam a turbulência financeira é a percepção generalizada de que os governos dos países desenvolvidos já gastaram boa parte da sua munição com a crise de 2008. Estados Unidos e Europa, que estavam – e continuam – no epicentro da crise, lançaram mão dos mais variados instrumentos: políticas fiscais anticíclicas, redução das taxas básicas de juro para quase zero, injeções maciças de liquidez pelos bancos centrais e operações custosas de socorro a instituições financeiras privadas.

A crise foi contida, mas nunca chegou a ser superada. As economias dos EUA, da Europa e do Japão crescem pouco ou nada; as taxas de desemprego e subemprego permanecem elevadas, especialmente entre os jovens; as finanças públicas estão fragilizadas; uma parte do sistema bancário continua vulnerável, particularmente na Europa.

No momento, o grande risco é o de um novo mergulho recessivo, desencadeado por choques oriundos do sistema bancário ou de riscos soberanos. Se isso acontecer, os governos não poderão responder como antes.

Como as dívidas públicas aumentaram rapidamente e os balanços dos bancos centrais estão sobrecarregados, fica mais difícil promover uma nova rodada de estímulos fiscais e monetários. Pior: alguns países, notadamente na zona do euro, estão sendo forçados a adotar políticas fiscais pró-cíclicas em face das pressões dos mercados.

A munição política também é menor. Hoje, existe mais resistência à ampliação dos gastos públicos do que há três anos. E novas operações de salvamento de instituições financeiras privadas seriam recebidas com uma onda de indignação da opinião pública.

Os EUA e a zona do euro são os principais focos de preocupação, mas há problemas em outras áreas da economia mundial.

É o caso da China, por exemplo. Em 2008-2009, o governo chinês pôde adotar um vigoroso programa de estímulo à demanda interna que compensou, em parte, o choque recessivo provocado pelos desmandos financeiros nos EUA e na Europa. Em 2011, contudo, a China enfrenta inflação significativa dos preços de bens e serviços, que se adiciona ao problema mais antigo de uma onda especulativa com ativos imobiliários. A menos que a inflação ceda rapidamente, a China dificilmente poderá responder a uma segunda recessão nas economias desenvolvidas com políticas de expansão da demanda. Ou seja, o maior dos emergentes pouco poderá fazer para sustentar a demanda na economia mundial.

Como fica o Brasil? Como se sabe, a economia brasileira não escapará ilesa de um novo mergulho recessivo dos países desenvolvidos. Mas a nossa margem de manobra é maior do que a deles. Temos munição para gastar, em caso de um agravamento da situação mundial.

As reservas internacionais do país aumentaram consideravelmente desde 2009 e podem ser usadas em caso de redução de linhas internacionais de crédito e pressões sobre as contas externas. Há espaço, além disso, para permitir que o câmbio se deprecie. Uma desvalorização do real, desde que não seja abrupta, será até bem-vinda, uma vez que a moeda nacional se valorizou excessivamente nos anos recentes. O Banco Central pode também reduzir os elevados compulsórios sobre passivos bancários e injetar liquidez na economia.

Por último, mas não menos importante, também há espaço para diminuir as taxas de juro básicas. Caso a crise internacional se agrave, afetando o nível de atividade da economia, o Banco Central poderá baixar os juros sem comprometer o controle da inflação. Isso ajudará a reduzir o custo da dívida pública, favorecendo o equilíbrio das contas do governo. Além disso, desestimulará entradas de capital, ajudando a corrigir a sobrevalorização cambial.

Nas circunstâncias atuais, melhor seria responder a um choque recessivo externo com estímulos monetários, mantendo uma política fiscal mais rigorosa. A coordenação entre as políticas fiscal e monetária é hoje melhor do que em 2008. Naquela época, Fazenda e Banco Central atuavam de forma divergente, com frequentes conflitos. Hoje, a equipe econômica está mais coesa, uma vantagem considerável em época de incertezas e turbulência.

Paulo Nogueira Batista Jr. é representante do Brasil na direção do FMI

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24 comentários

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luiz pinheiro

21 de agosto de 2011 às 23h11

Azenha, eu não acho ruim este fascista EUNAOSABIA participar do blog. Sou a favor da particuipação de todos. Mas protesto contra ele mandar sucessivos comentarios, ocupando espaço dos demais. Não é democrático e está tornando este blog intragável.

Responder

SILOÉ-RJ

21 de agosto de 2011 às 22h19

Respondendo ao URBANO:
Não sei porque, fiz várias tentativas e não consegui respondê-lo no seu espaço.
Esse é o "pulo do gato" dos blogs. Idiotices ou não, é essa inteiração, é esse o diferencial que incomoda a metidinhos a intelectuais como você, e principalmente ao PIG.( VIDE MANIFESTO DA GLOBO).
Pena que eles só abram para os assinantes, senão… eles iriam ver o quê que é bom para tosse!!!
Lamento informar que: Esse seu golpe XINFRIM não vai colar aqui e nem em nenhum outro blog.
Não seria melhor tentar ser mais solidário e menos arrogante!!!

Responder

Hildermes Medeiros

21 de agosto de 2011 às 21h29

Dá para entrar numa discussão desta? Paulo Nogueira Batista, que se encontra no centro mais importante das fiananças internacionais, no FMI, que lá está por sua competência e poquer o Brasil se encontrar em melhores condições, sendo bem avaliado e respeitado, que são fatos recentes, apenas refere-se a tendências, possibilidades, porque ninguém ainda vê os caminhos que efetivamente que a crise conduzirão, seja os EUA, a Europa, e também o Brasil. Seria desejo, manobra política em favor do governo o nosso representante no FMI dizer, registrar que o Brasil, econômica e financeiramente, está melhor, inclusive para enfrentar a presente crise, que pode nos prejudicar, mas a depender do que aconteça, poderá até nos favorecer, exatamente por não estarmos endividados e termos diluído nosso comécio com o exterior, reduzindo nossa dependência externa, além de internamente termos retomado os investimento, reduzido o desmprego e controlado a inflaçõa? É preciso realmente fazer muitas contorções verbais, quase dar nó na consciência para apontar vulnerabilidades, que existem, claro. Difícil de aturar ataques tão virulentos disparados por quem dispõe de informações da mídia, como se dizia informação de jornal, que é o caso de todos. Ser oposição é um direito, desejar que tudo desande e nada dê certo, também pode. Melhor ficar esperando calado, no seu cantinho, para não cair no ridículo. O que não pode é, mesmo sendo oposição. brigar com os números, nem com a realidade que se observa.

Responder

francisco.latorre

21 de agosto de 2011 às 20h36

paulo nogueira batista.

sabe o que fala.

..

Responder

urbano

21 de agosto de 2011 às 19h38

O Blog publica em geral boas materias mas os comentaristas são de chorar. Seria melhor abolir essa parte de comentarios que só serve para alguns recalcados se exibirem em suas idiotices. Uma pena !

Responder

EUNAOSABIA

21 de agosto de 2011 às 18h50

Ainda dentro desse tema, leio por aqui de alguns comentaristas que crêem que o chamado “mercado interno” pode fazer tudo, o que me causa espécie e lamento é o grau de desinformação e desconhecimento dessas pessoas, eu não diria que essa falta de informação chega a ser dantesca, beira isso, mas efetivamente não é esse o termo, mas usando um solecismo, posso afirmar que seu ufanismo é de um amadorismo atroz, ora, ignora-se que vivemos em uma economia globalizada, e que o mercado interno, como sempre foi no Brasil, é altamente vulnerável a fatores externos, certamente que quem acha que o mercado interno pode tudo ou pode muito, nunca ouviu falar no chamado “efeito repercussão” ..

Precisam ler um pouco mais…. amadores.

Responder

    EUNAOSABIA

    21 de agosto de 2011 às 20h22

    É isso se…

    jam como eu: um

    gênio!!! (profiçional e sientista, ain… " " " da por cima" " "!

SILOÉ-RJ

21 de agosto de 2011 às 18h50

O BRASIL não tem nada a temer, pelo contrário. Com o controle do capital especulativo nas mãos, o incentivo ao consumo local, as parcerias do Mercosul, as transações bi-laterais com vários paises da África e da Ásia, a suficiência do Petróleo, o acréscimo extrárordinário de aporte financeiro em investimentos de grande porte, o lucro fantástico das commodities, os investimentos em melhorias de infra-estrutura para um melhor escoamento das produções, e o crescimento da CREDIBILIDADE do nosso PÁIS mundo afora. Faz com que eu tenha a certeza, apesar das opiniões dos urubólogos do PIG, que não será uma marolinha, será sim: uma onda gigante que nos colocará no topo do mundo, onde já deveriámos estar há muito tempo não fosse a incompetência de alguns governantes e a erva daninha da corrupção enrraizada em todos os setores do BRASIL.

Responder

EUNAOSABIA

21 de agosto de 2011 às 18h42

Vamos ao que interessa…

Paulo Nogueira faz uma análise partindo do princípio que as variáveis econômicas são estanques, ou seja, sua análise é de um modelo parcial, um modelo em que a mudança de uma variável não provoca alterações em outra, ou seja, ele parte do princípio de que tudo é "coeteris paribus"… isso funciona muito bem no quadro negro e em modelos teóricos, mas na vida real tem muito pouca ou nenhuma chance de acontecer, digo neste caso específico, em que as variáveis são altamente sensíveis, imprevisíveis e com elevado grau de interdependência.

Taxa de juros, câmbio e inflação, só para ficar nessas três, se comportam de maneira bastante interligada, qualquer alteração na taxa de juros, afeta o câmbio que por sua vez influencia na taxa de inflação, Nogueira, ao afirmar que o Brasil tem o câmbio e os juros como ""munição"" sabe que essas variáveis não são estanques e que mudanças em suas magnitudes afetam a economia como um todo, não a toa que taxa de juro e câmbio são objeto de estudo da macro economia…

Outra coisa que me soa bastante elementar, é apostar tudo em ""nossas" reservas, ora, esses recursos em moeda estrangeira que estão no Banco Central do Brasil são poupança externa, estão no Brasil pelo fato de que aqui, num governo ""progressista"" e de pasmem…. ""de esquerda" se paga simplesmente a maior taxa de juros do planeta, graças ao grande Padim que foi eleito bradando mudar tudo isso que está aí – tem gente que acredita que ele mudou mesmo – ou seja, a depender da percepção do risco interno e externo, tudo pode fluir para outros mercados em questão de dias ou semanas.

Nogueira é respeitável e deveria ser mais explorado neste espaço.

Saludos.

Responder

El Cid

21 de agosto de 2011 às 18h20

A crise continua por razões óbvias: Todos que causaram esta situação,ninguém foi punido até agora e o sistema financeiro continua em mãos de quem fez isto.

Responder

Operante Livre

21 de agosto de 2011 às 16h19

Não há Estado forte com concentração de bens nas mãos de poucos.
Os grandes donos do capital e dos meios de produção só sabem pedir redução de impostos, como se fosse possível manter Estados soberanos sem impostos. A grande mídia faz esta propaganda o tempo todo. O Governo Federal precisa mostrar mais claramente na mídia para onde vão os impostos, mostrar que os pontos de corrupção não justificam redução de impostos e sim maior fiscalização. Os impostos talvez sejam umas das ferramentas mais importantes para regular o fluxo de capital, a distribuição de renda, o nível de industrialização, a demanda e a SOBERANIA. Não sou empresário. Acho que este é um momento para regular os impostos de modo a reduzir demandas excessivas, e garantir emprego investindo os impostos, cada vez mais em infraestrutura, sem que o Estado tenha que se endividar e perder a soberania.

Responder

EUNAOSABIA

21 de agosto de 2011 às 16h11

Qual é ra… paz?

Quem é este mané? Não é um … " " "cientista" " " como

eu! Um empreguin… nho no FMI não …

…dá a este velho o dir… eito de escre…

ver umas barbari… dades destas!!!

Vá se infor…

mar, rapaz!!!

Responder

    Vinicius

    21 de agosto de 2011 às 16h59

    Muito cômico o seu comentário, mr. Troll.

    Você não sabia e parece que continua não sabendo de nada.

    EUNAOSABIA

    21 de agosto de 2011 às 17h59

    Azenha, esse meu clone está indo as raias da loucura…. primeiro se passa por boiola… agora dá uma de entender de economia.. sei lá… é um cômico… pobre rapaz….

    El Cid

    21 de agosto de 2011 às 19h01

    são as "belas sementes" que você semeou por aqui, Piu-Piu !!

    Fabricio

    21 de agosto de 2011 às 20h12

    Clone?? voce é boiola, era tu mesmo.

    EUNAOSABIA

    21 de agosto de 2011 às 20h21

    É por que… eu… tam…bém…sou gêni… o economista… E magnífico…

    escritor da lín… gua portuguesa…

    te falei que sou gên… io e todos os comen… " " "taristas" " " são uns ig …

    norantes?

    El Cid

    21 de agosto de 2011 às 18h19

    … a dor de cotovelo de forma mais explícita que já vi !!

    Polengo

    21 de agosto de 2011 às 18h34

    Ele é um mané, claro.
    Você é que é muito bom.

    Tanto, que ele está muito preocupado com isso que você escreveu.

Operante Livre

21 de agosto de 2011 às 16h08

"Os EUA e a zona do euro são os principais focos de preocupação, mas há problemas em outras áreas da economia mundial."

Talvez uma das armas mais importantes do Brasil seja precisamente um vasto terreno para desenvolver a economia interna. Entenda-se desenvolvimento econômico com distribuição de renda. O maior inimigo das economias (Estados) agonizantes é a falta de controle eficiente. O Brasil tem grandes bancos estatais (BNDES, BB, CEF, por ex) que são muitas vezes criticados pelos banqueiros privados, ávidos por nos subjugar. USA e CEE estão nas mãos dos banqueiros. Já não têm, boa parte desses países, soberania alguma. Nós teremos enquanto tivermos um Estado forte em instituições que não defendam interesses privatistas e sim do Estado, de todos.

Responder

Pedro Luiz Paredes

21 de agosto de 2011 às 15h10

Não há mais crise. Isso é o que se estabelece a partir de agora.

Responder

@sergiobio

21 de agosto de 2011 às 14h19

Não entendo nada de economia. Mas a impressão que tenho é que a cada crise o Brasil sai mais forte.

Responder

    EUNAOSABIA

    21 de agosto de 2011 às 18h02

    Você tem toda razão, você não entende nada mesmo de economia.

    EUNAOSABIA

    21 de agosto de 2011 às 20h23

    É ver… dade! Eu, por meu turno. Sou um sientista e um jênio!


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