VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Você escreve

Noam Chosmky: Os Estados Unidos em decadência


09/08/2011 - 13h41

A supremacia do poder corporativo sobre a política e a sociedade nos EUA chegou ao grau de que as formações políticas, que nesta etapa apenas se parecem com os partidos tradicionais, estão muito mais à direita da população nos principais temas em debate. Para o povo, a principal preocupação interna é o desemprego. Mas, para as instituições financeiras, a principal preocupação é o déficit. Ao triturar os restos da democracia política, as instituições financeiras estão lançando as bases para fazer avançar ainda mais este processo letal, enquanto suas vítimas parecem dispostas a sofrer em silêncio. O artigo é de Noam Chomsky.

por Noam Chosmky, em La Jornada, via Carta Maior

É um tema comum que os Estados Unidos, que há apenas alguns anos era visto como um colosso que percorreria o mundo com um poder sem paralelo e um atrativo sem igual (…) estão em decadência, enfrentando atualmente a perspectiva de uma deterioração definitiva, assinala Giacomo Chiozza, no número atual de Political Science Quarterly.

A crença neste tema, efetivamente, está muito difundida. Em com certa razão, se bem que seja o caso de fazer algumas precisões. Para começar, a decadência tem sido constante desde o ponto culminante do poderio dos EUA, logo após a Segunda Guerra Mundial, e o notável triunfalismo dos anos 90, depois da Guerra do Golfo, foi basicamente um autoengano.

Outro tema comum, ao menos entre aqueles que não ficaram cegos deliberadamente, é que a decadência dos EUA, em grande medida, é auto-inflingida. A ópera bufa que vimos este verão em Washington, que desgostou o país e deixou o mundo perplexo, pode não ter comparação nos anais da democracia parlamentar. O espetáculo inclusive está chegando a assustar aos patrocinadores desta paródia. Agora, preocupa ao poder corporativo que os extremistas que ajudou a por no Congresso de fato derrubem o edifício do qual depende sua própria riqueza e seus privilégios, o poderoso estado-babá que atende a seus interesses.

A supremacia do poder corporativo sobre a política e a sociedade – basicamente financeira – chegou ao grau de que as formações políticas, que nesta etapa apenas se parecem com os partidos tradicionais, estão muito mais à direita da população nos principais temas em debate.

Para o povo, a principal preocupação interna é o desemprego. Nas circunstâncias atuais, esta crise pode ser superada só mediante um significativo estímulo do governo, muito mais além do que foi o mais recente, que apenas fez coincidir a deterioração no gasto estatal e local, ainda que essa iniciativa tão limitada provavelmente tenha salvado milhões de empregos.

Mas, para as instituições financeiras, a principal preocupação é o déficit. Assim, só o déficit está em discussão. Uma grande maioria da população está a favor de abordar o problema do déficit taxando os muito ricos (72%, com 27% contra), segundo uma pesquisa do The Washington Post e da ABC News. Fazer cortes nos programas de atenção médica conta com a oposição de uma esmagadora maioria (69% no caso do Medicaid, 78% no caso do Medicare). O resultado provável, porém, é o oposto.

O Programa sobre Atitudes de Política Internacional (PIPA) investigou como a população eliminaria o déficit. Steven Kull, diretor do PIPA, afirma: É evidente que, tanto o governo como a Câmara (de Representantes) dirigida pelos republicanos, estão fora de sintonia com os valores e as prioridades da população no que diz respeito ao orçamento”.

A pesquisa ilustra a profunda divisão: a maior diferença no gasto é que o povo apoia cortes profundos no gasto militar, enquanto que o governo e a Câmara de Representantes propõem aumentos modestos. O povo também defende aumentar o gasto na capacitação para o trabalho, na educação e no combate à poluição em maior medida que o governo ou a Câmara.

O acordo final – ou, mais precisamente, a capitulação ante à extrema direita – é o oposto em todos os sentidos, e quase com toda certeza provocará um crescimento mais lento e danos de longo prazo para todos, menos para os ricos e as corporações, que gozam de benefícios sem precedentes.

Nem sequer se discutiu que o déficit poderia ser eliminado se, como demonstrou o economista Dean Baker, se substituísse o sistema disfuncional de atenção médica privada dos EUA por um semelhante ao de outras sociedades industrializadas, que tem a metade do custo per capita e obtém resultados médicos equivalentes ou melhores.

As instituições financeiras e as grandes companhias farmacêuticas são demasiado poderosas para que sequer se analisem tais opções, ainda que a ideia dificilmente pareça utópica. Fora da agenda por razões similares também se encontram outras opções economicamente sensatas, como a do imposto às pequenas transações financeiras.

Entretanto, Wall Street recebe regularmente generosos presentes. O Comitê de Atribuições da Câmara de Representantes cortou o orçamento da Comissão de Títulos e Bolsa, a principal barreira contra a fraude financeira. E é pouco provável que sobreviva intacta a Agência de Proteção ao Consumidor.

O Congresso brande outras armas em sua batalha contra as gerações futuras. Apoiada pela oposição republicana à proteção ambiental, a importante companhia de eletricidade American Eletric Power arquivou o principal esforço do país para captar o dióxido de carbono de uma planta atualmente impulsionada por carvão, o que significou um forte golpe às campanhas para reduzir as emissões causadoras do aquecimento global, informou o The New York Times.

Esses golpes auto-aplicados, ainda que sejam cada vez mais potentes, não são uma inovação recente. Datam dos anos 70, quando a política econômica nacional sofreu importantes transformações, que puseram fim ao que se costuma chamar de “época de ouro” do capitalismo de Estado.

Dois importantes elementos desse processo foram a financeirização (o deslocamento das preferências de investimento, da produção industrial para as finanças, os seguros e os bens imobiliários) e a externalização da produção. O triunfo ideológico das doutrinas de livre mercado, muito seletivo como sempre, desferiu mais alguns golpes, que se traduziram em desregulação, regras de administração corporativa que condicionavam as enormes recompensas aos diretores gerais com os benefícios de curto prazo e outras decisões políticas similares.

A concentração resultante da riqueza produz maior poder político, acelerando um círculo vicioso que aportou uma riqueza extraordinária para 1% da população, basicamente diretores gerais de grandes corporações, gerentes de fundos de garantia e similares, enquanto que a maioria das receitas reais praticamente estancou.

Ao mesmo tempo, o custo das eleições disparou para as nuvens, fazendo com que os dois partidos tivessem que escavar mais fundo os bolsos das corporações. O que restava de democracia política foi solapado ainda mais quando ambos partidos recorreram ao leilão de postos diretivos no Congresso, como apontou o economista Thomas Ferguson, no The Financial Times.

Os principais partidos políticos adotaram uma prática das grandes empresas varejistas, como Walmart, Best Buy e Target, escreve Ferguson. Caso único nas legislaturas do mundo desenvolvido, os partidos estadunidenses no Congresso colocam preço em postos chave no processo legislativo. Os legisladores que conseguem mais fundos ao partido são os que indicam os nomes para esses postos.

O resultado, segundo Ferguson, é que os debates se baseiam fortemente na repetição interminável de um punhado de consignas, aprovadas pelos blocos de investidores e grupos de interesse nacionais, dos quais depende a obtenção de recursos. E o país que se dane.

Antes do crack de 2007, do qual foram responsáveis em grande medida, as instituições financeiras posteriores à época de ouro tinham obtido um surpreendente poder econômico, multiplicando por mais de três sua participação nos lucros corporativos. Depois do crack, numerosos economistas começaram a investigar sua função em termos puramente econômicos. Robert Solow, prêmio Nobel de Economia, concluiu que seu efeito poderia ser negativo. Seu êxito aporta muito pouco ou nada à eficiência da economia real, enquanto seus desastres transferem a riqueza dos contribuintes ricos para o setor financeiro.

Ao triturar os restos da democracia política, as instituições financeiras estão lançando as bases para fazer avançar ainda mais este processo letal…enquanto suas vítimas parecem dispostas a sofrer em silêncio.

(*) Professor emérito de lingüística e filosofía do Instituto Tecnológico de Massachusetts. Seu livro mais recente é 9-11: Tenth Anniversary.

Tradução: Katarina Peixoto

O fascismo nos Estados Unidos: o futuro do Tea Party

New York Times: Clima de ódio no discurso político encorajou indivíduos violentos. A ascensão do fascismo na Europa





31 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Assaltantes de lojinhas do mundo, uni-vos! | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de agosto de 2011 às 19h34

[…] Noam Chomsky: Os Estados Unidos em decadência   […]

Responder

Rafael

10 de agosto de 2011 às 18h37

Somente torço arduamente para que a nossa democracia não siga esse caminho.

Responder

beattrice

10 de agosto de 2011 às 16h49

A decadência americana e seus nervos expostos no documentário
"Let's make money" em que John Perkins,
um americano que se auto-intitula como "ex-assassino econômico",
explica como se destrói um país… em nome do dinheiro.
http://www.youtube.com/watch?v=dFtijO8qM6A&fe

Responder

sironn

10 de agosto de 2011 às 12h24

Excelente texto do Chomsky. Vejo que falta, na maioria das análises que leio, o fator humano. Como ficam os trabalhadores diante desta crise. Além disso, a esquerda precisa resolver qual vai ser seu papel diante da conjuntura que se apresenta. Zizek tem se esforçado para ajudar o caminho.

Escrevi sobre isso em meu blog: http://blogsiron.wordpress.com/

O título é London Calling

Responder

FrancoAtirador

10 de agosto de 2011 às 11h10

.
.
30 anos de neoliberalismo foram suficientes

para destruir a economia planetária.

Esperemos que, destas cinzas de brutalidade

induzida por esse sistema destruidor de vidas,

brote algo mais humano e solidário.
.
.

Responder

Bene

10 de agosto de 2011 às 01h12

Hollywood deseducou o povo e contaminou a politica….Vivem uma mentira, como nos filmes…

Responder

M.S. Romares

10 de agosto de 2011 às 01h03

Não vai aparecer nenhum trollzinho por aqui pra dizer "esse tal" de Chomsky não está com nada, não acerta uma, faz análise parcial da situação, é pouco confiavel?

Responder

    beattrice

    10 de agosto de 2011 às 16h53

    Quando o cerco fecha, sobretudo para as bandas da matriz, eles saem correndo.

Roger

09 de agosto de 2011 às 22h44

ZEITGEIST já demonstrava o maior vilão dessa história:

Alguns anos atrás, o banco central dos EUA, a Reserva Federal, criou um documento chamado “Mecânica monetária moderna”. Este documento detalha a prática institucionalizada de criação de dinheiro como é utilizada pela Reserva Federal e a rede global de bancos comerciais que ele sustenta.

Na página de abertura, o documento afirma seus objetivos: “ O propósito deste livreto é descrever o processo básico de criação de dinheiro em um sistema bancário de reservas fracionadas”. Ele então descreve esse processo de reservas fracionadas, através de terminologia bancária diversa, cuja tradução seria algo como isto:

O governo dos EUA decide que precisa de dinheiro. Então ele fala com a Reserva Federal e pede, digamos, 10 bilhões de dólares. O RF responde: “Claro, vamos comprar 10 bilhões em títulos públicos de vocês”. Aí o governo pega alguns papéis, coloca símbolos neles que os fazem parecer oficiais, e os chama de títulos do Tesouro. Ele atribui a esses papéis o valor de 10 bilhões de dólares e os envia para a RF. Em troca, o pessoal de RF imprime uma quantia de papéis deles próprios. Só que desta vez, com o nome de notas da Reserva Federal. Também atribuindo o valor de 10 bilhões de dólares a esses papéis, a RF pega essas notas e as troca pelos títulos.

Assim que a transição é concluída, o governo pega os 10 bilhões em notas da RF e deposita em uma conta bancária. E com esse depósito as notas de papel passam oficialmente a ter valor de moeda, adicionando 10 bilhões ao suprimento monetário dos EUA. E aí está! Foram criados 10 bilhões de dólares em dinheiro.

Claro, este exemplo é uma generalização, pois na realidade essa transação ocorre eletronicamente, sem
nenhum uso de papel. Na verdade só 3% do suprimento monetário dos EUA existem em moeda física. Os
outros 97% existem somente nos computadores.

Então, títulos públicos são, por definição, instrumentos de endividamento, e quando a RF compra esses títulos com dinheiro criado basicamente do nada, o governo está na verdade prometendo devolver esse dinheiro à RF.

Em outras palavras, o dinheiro foi criado a partir de uma dívida.

Responder

Maria Fulô

09 de agosto de 2011 às 19h58

"O que será que será? Que nem todos os avisos irão evitar…"

Chico e Milton que já cantavam o refrão acima para o que se deduzia ser um Brasil agonizante, hoje vale, quem diria, para os Estados Unidos da América…

Responder

    Werner_Piana

    13 de agosto de 2011 às 15h29

    pena que milton (em minúscula por "merecimento" político) hoje canta Aócio e Anestesia. Assim como todos os outros das artes mineiras. Todos cooptados, ideologia dos neoliberais, seguidores do choque de gestão e da censura férrea disfarçada em linda e colorida democracia das montanhas.
    Triste fim de artistas.

    Com dinheiro – mas sem nenhuma ideologia…

Bonifa

09 de agosto de 2011 às 19h29

Obama vai ter que assumir o movimento anti-fascista e se devotar de corpo e alma a ele. Não há outro caminho político para Obama. Ele terá que recuperar e renovar tradições democráticas antigas para com elas combater a renovação de tradições de fundo fascista.

Responder

    Werner_Piana

    13 de agosto de 2011 às 15h26

    Duvi-de-o-dó!
    Obama tá no bolso da camarilha financeira internacional / wall street – desde o primeiro anuncio do secretariado após as eleições, pelo menos.
    Obama não ganha as eleições próximas. Nem deveria se candidatar, acho.

    A não ser que faça mea-culpa e seja o Obama que esperávamos quando dos discursos (eleitoreiros?) mundo afora. Com AÇÕES, basta de palavras vazias ao vento.

    Acho que os Democratas deveriam deixar de ser de direita, deixar a praxis dos Republicanos e partir para uma candidatura nova, renovadora, de centro-esquerda/esquerda (nunca a Tea Party Hilária Sem-Graça Clinton – NEVER!

    Mas pra isso o POVO estadunidense teria que tomar tenência. Acordar da mentira em que vive. Compreender e execrar os mecanismos imperialistas que desgraçam nosso mundo e sua população.
    Quem sabe em breve – milagrosamente – a ficha caia para o idiota médio americano e eles resolvam derrubar a canalha financista do poder… massa indignada nas ruas, cobrando seu direito minimo. Dignidade.

    … de preferência sem eclodir a WW III. Será possível?

    (acho que tem solução não)

    :/

Armando do Prado

09 de agosto de 2011 às 16h24

E outra coisa, como diz Zizek sobre Oama: " É o Bush com rosto humano".

Responder

Paulo Villas

09 de agosto de 2011 às 16h19

Se êsse artigo fôsse lido por leitores do século xx , êle , provàvelmente , seria classificado e , posteriormente desprezado , como teoria conspiratória. Tôda e qualquer teoria que relacione o predomínio do financeirismo na sociedade , não pode ser desprezada a priori.

Responder

ZePovinho

09 de agosto de 2011 às 16h04

Olha o golpe dos sionistas em cima dos judeus:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos

Israel está oficialmente abrindo mão da democracia?

Parlamento israelense analisa projeto que propõe “tornar as regras democráticas subservientes à definição do estado como o ‘lar nacional do povo judeu’”. Projeto quer fornecer respaldo legal às cortes judiciais do país que apoiam “o estado como estado da nação judaica, subsumindo o seu caráter democrático, caso o estatuto de estado judaico colida com esse caráter”. Se passar, lei representará a mais importante mudança na história de Israel.

Responder

    Beto_W

    10 de agosto de 2011 às 09h13

    Pois é, isso é lamentável. Se o povo israelense não fizer algo a respeito, essa corja do parlamento irá aprovar essa lei absurda, como já aprovou outras. Enquanto isso, a chapa esquenta para Netanyahu, pois os protestos pedindo sua saída continuam. E no front internacional, os palestinos estão trabalhando para conseguir apoio na ONU para a criação de seu estado.

    Não sei o que vai acontecer nos próximos meses, mas espero que os ventos da mudança arranquem essa quadrilha de parasitas que habita o governo israelense.

    ZePovinho

    10 de agosto de 2011 às 10h33

    É a extrema direita,Beto.Lá e aqui,no Brasil,eles são inimigos da humanidade.
    Hoje eu penso que judeus e árabes já teriam feito a paz,há muito tempo,se grupos poderosos não estivessem no comando dos dois grupos e lucrando horrores com a guerra.
    Sempre é bom lembrar que os sionistas são apoiados pela oligarquia árabe(a família Saud,dona da Arábia Saudita é,apenas,o clã mais rico).
    Judeus e aárabes precisam pensar fora da caixa.Quem sabe,agora,vejam quem são os reais inimigos dos dois povos de origem semita:judeus e árabes.

    Bonifa

    10 de agosto de 2011 às 12h03

    Se esta lei passar Israel poderá ser considerado oficialmente um país fascista. Israel quer pressa para ser o primeiro ocidental moderno a adotar o fascismo, antes mesmo que os Estados Unidos o adotem, com a ascenção do Tea Party. Sara Robinson esclarece em seu artigo (neste blog) como nascem os Estados Fascistas:
    Paxton (Anatomia do Fascismo, de Robert Paxton) descreveu os cinco ciclos básicos de bem sucedidos movimentos fascistas. No primeiro estágio, um estado industrial maduro diante de ALGUM TIPO de crise forja um movimento novo, rural, que é baseado em renovação nacionalista. Este movimento invariavelmente rejeita a lógica e glorifica a emoção pura, promete restaurar o orgulho nacional perdido, adota os mitos nacionais tradicionais para seus próprios objetivos e insiste que o país seja expurgado da influência tóxica de estrangeiros e de intelectuais, que são “culpados” pela miséria atual.

    beattrice

    10 de agosto de 2011 às 16h55

    Roteiro básico do nazifascismo dos anos 30.

José Ruiz

09 de agosto de 2011 às 15h45

Uma notícia curiosa semana passada deu conta de que as instituições financeiras no Brasil estão começando a apostar no refinanciamento de dívidas imobiliárias, em um processo muito semelhante ao que aconteceu nos EUA: o refinanciamento de hipotecas. Depois de sugar e destruir os EUA, podemos esperar que o capital internacional comece a buscar novas opções de "investimento" e o Brasil certamente será um alvo. Nos últimos 10 anos o valor dos imóveis foi multiplicado por 10 justamente por conta deste "crédito fácil", que nada mais é do que uma forma de manter pessoas a vida inteira trabalhando para pagar bancos… infelizmente o governo faz vista grossa para essa realidade e a casa própria há muito deixou de ser um direito universal para se tornar uma armadilha para explorar o cidadão…

Responder

    beattrice

    10 de agosto de 2011 às 16h50

    Já houve vários comentários de diferentes cidades do país neste espaço indicando a gravidade da especulação imobiliária que anda correndo solta.

Fabio

09 de agosto de 2011 às 15h17

Pelo que eu entendi o americano esta fazendo superavit de que? Pois se a produção industrial saiu do pais , os imóveis e o sistema financeiro quebraram e o governo empresta dinheiro a juros baixissimos e mesmo assim a economia não decolá , vão cortar os gastos sociais e a situação vai piorar. Mesmo sendo uma crise politica , que modelo economico irão continuar seguindo , o mais do mesmo então esta crise não vai ter fim.

Responder

    cronopio

    10 de agosto de 2011 às 02h41

    Concordo com as críticas de Chomsky, mas é preciso ponderar que os títulos da dívida pública americana são comprados por outros países e que, se não houver uma mudança radical nos rumos do capitalismo atual, eles ainda são considerados os papéis mais seguros do planeta. Os maiores compradores dos títulos americanos são os chineses. Se a gente pensa nisso um pouco, vê como as duas economias estão conjugadas. O problema é que a necessidade irrefreável de acumulação constante que está ligada à internacionalização da mão de obra, ao avanço das telecomunicações, etc, passa por cima dos direitos dos cidadãos nacionais. A democracia, nos moldes clássicos, realmente não resolverá esse problema, e precisa ser reinventada.

    Marcos C.Campos

    10 de agosto de 2011 às 17h43

    Este é o problema da economia chinesa voltada para poupança … estão poupando em titulos americanos. Se ele passarem um bom tanto para consumo de seu povo (chinês tem que engordar …) talvez os EUA não terão mais como financiar seu deficit.

ZePovinho

09 de agosto de 2011 às 15h10

Aqui estão os grupos que mandam nesse processo,na França e nos Estados Unidos:
http://www.voltairenet.org/Emmanuel-Ratier-Le-Sie

Elites que aspiran a ser los amos del mundo
Emmanuel Ratier: «Le Siècle» es la matriz del pensamiento único

por Thierry Meyssan

El trabajo de Emmanuel Ratier es la única fuente al alcance del público en general para saber qué es Le Siècle, el club elitista que agrupa a las personalidades más poderosas de Francia. Los testimonios que hemos podido recoger y los anuarios internos que hemos consultado confirman todo lo que Ratier publica en su trabajo. Se trata, sin embargo, de un autor muy maltratado por la prensa y si bien todos los politólogos utilizan sus trabajos, ninguno se atreve a citarlos. Para saber más al respecto nada mejor que entrevistar al hombre que más ha estudiado el tema.
http://www.voltairenet.org/La-Comision-Trilateral

Una oligarquía tiene el poder político en los EEUU
La Comisión Trilateral domina el gobierno de Obama

por Patrick Wood

La oligarquía estadounidense para defender sus intereses de casta y controlar el poder político a nivel nacional se ha apoyado en estructuras sociales cerradas o secretas como los Skull & Bones o el Council on Foreign Relations (CFR). A nivel internacional han creado también organismos ultra-confidenciales que ellos dirigen y auspician, como el Grupo Bilderberg, incorporando las elites y oligarquías de diferentes países en busca de un gobierno mundial. Nuestro colega Patrick Wood nos explica cómo funciona la Comisión Trilateral, una pieza más de este complejo engranaje.

Responder

Jorge Leite Pinto

09 de agosto de 2011 às 14h52

Onde posso obter o último livro do Chomsky em português?
Já foi traduzido?

Responder

ZePovinho

09 de agosto de 2011 às 14h34

Recoloca aquele texto sobre os EUA esatarem ficando fascistas,Azenha.Quando o poder corporativo captura a democracia,temos isso mesmo:fascismo.
Existem dois símbolos enormes do FASCIO,o símbolo do fascismo,dentro da Câmara dos Deputados dos EUA.Eles ficam,cada um,entre duas duas colunas maçonicas.Basta observar,para os lados,quando a TV mostrar.

Responder

    Lucas

    09 de agosto de 2011 às 18h48

    O congresso dos EUA foi construído antes do fascismo como nós o conhecemos. O fascio é usado como símbolo porque os "pais fundadores" da república estadunidense eram neoclassicistas, obcecados pelas antigas instituições romanas. Como todos sabemos, o fascio era usado nestas como símbolo do poder derivado da união, e eles usaram esses símbolos antigos para criar os símbolos do estado que eles criaram (Mussolini também afanou esse símbolo antigo quando criou a ideologia moderna do fascismo, baseada em um mito nacional em que a Itália era descendente direta do Império Romano). Pela mesma razão, também adotaram as folhas de oliveira, a águia, etc.

    Não que eu esteja dizendo que os EUA não são um governo fascista. Eles são, mas não por causa do fascio em seu congresso.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding