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Cartas de Minas
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Leandro Fortes: A CPI e o fim do jornalismo investigativo de araque

23 de abril de 2012 às 12h06

por Leandro Fortes, no seu blog em CartaCapital

Há oito anos, escrevi um livrete chamado “Jornalismo Investigativo”, como parte do esforço da Editora Contexto em popularizar o conhecimento básico sobre a atividade jornalística no Brasil. Digo “livrete” sem nenhum desmerecimento, muito menos falsa modéstia, mas para reforçar sua aparência miúda e funcional, um livro curto e conceitual onde plantei uma semente de discussão necessária ao tema, apesar das naturais deficiências de linguagem acadêmica de quem jamais foi além do bacharelado. Quis, ainda assim, formular uma conjuntura de ordem prática para, de início, neutralizar a lengalenga de que todo jornalismo é investigativo, um clichê baseado numa meia verdade que serve para esconder uma mentira inteira. Primeiro, é preciso que se diga, nem todo jornalismo é investigativo, embora seja fato que tanto a estrutura da entrevista jornalística como a mais singela das apurações não deixam de ser, no fim das contas, um tipo de investigação. Como é fato que, pelo prisma dessa lógica reducionista, qualquer atividade ligada à produção de conhecimento também é investigativa.

A consideração a que quero chegar é fruto de minha observação profissional, sobretudo ao longo da última década, período em que a imprensa tornou-se, no Brasil, um bloco quase que monolítico de oposição não somente ao governo federal, a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, mas a tudo e a todos vinculados a agendas da esquerda progressista, aí incluídos, principalmente, os movimentos sociais, os grupos de apoio a minorias e os defensores de cotas raciais. Em todos esses casos, a velha mídia nacional age com atuação estrutural de um partido, empenhada em fazer um discurso conservador quase sempre descolado da realidade, escoltado por um discurso moralista disperso em núcleos de noticiários solidificados, aqui e ali, em matérias, reportagens e editoriais de indignação seletiva.

A solidez – e a eficácia – desse modelo se retroalimenta da defesa permanente do grande capital em detrimento das questões sociais, o que tanto tem garantido um alto grau de financiamento desta estrutura midiática, como tem servido para formar gerações de jornalistas francamente alinhados ao que se convencionou chamar de “economia de mercado”, sem que para tal lhes tenha sido apresentado nenhum mecanismo de crítica ou reflexão. Essa circunstância tem ditado, por exemplo, o comportamento da imprensa em relação a marchas, atos públicos e manifestações de rua, tratados, no todo, como questões relacionadas a trânsito e segurança pública. Interditados, portanto, em seu fundamento social básico e fundamental, sobre o qual o jornalismo comercial dos oligopólios de comunicação do Brasil só se debruça para descer o pau.

O resultado mais perverso dessa estrutura midiática rica e reacionária é a perpetuação de uma política potencialmente criminosa de assassinato de reputações e intimidação de agentes públicos e privados contrários às linhas editoriais desses veículos. Ou, talvez pior ainda, a capacidade destes em atrair esses mesmos agentes para seu ventre, sob a velha promessa de conciliação, para depois, novamente, estrangulá-los sob a vista do público.

“Jornalismo Investigativo”, porém, foi escrito anteriormente ao chamado “escândalo do mensalão”, antes, portanto, de a mídia brasileira formar o bloco partidário ora em progresso, tristemente conservador, que se anuncia diuturnamente como guardião das liberdades de expressão e imprensa – conceitos que mistura de forma deliberada para, justamente, esconder sua real indiferença, tanto por um quanto pelo outro. Distante, por um breve instante de tempo, da guerra ideológica deflagrada a partir do mensalão, me foi possível escrever um livro essencialmente simples sobre o verdadeiro conceito de jornalismo investigativo, ao qual reputo a condição de elemento de influência transversal, e não um gênero capaz de ser enclausurado em editorias, como o são os jornalismos político, econômico, esportivo, cultural, etc.

Jornalismo investigativo é a sistematização de técnicas e conceitos de apuração para a produção de reportagens de fôlego, não necessariamente medidas pelo tamanho, mas pela profundidade de seus temas e, principalmente, pela relevância da notícia que ela, obrigatoriamente, terá que encerrar. Este conceito, portanto, baseado na investigação jornalística, existe para se utilizado em todos os gêneros de reportagem, em maior ou menor grau, por qualquer repórter. Daí minha implicância com o termo “jornalista investigativo”, ostentado por muitos repórteres brasileiros como uma espécie de distintivo de xerife, quando na verdade a investigação jornalística é determinada pela pauta, não pela vaidade de quem a toca. O mesmo vale para o título de “repórter especial”, normalmente uma maneira de o jornalista contar ao mundo que ganha mais que seus colegas de redação, ou que ficou velho demais para estar no mesmo posto de focas recém-formados.

Para compor o livro editado pela Contexto, chamei alguns jornalistas para colaborar com artigos de fundo, como se dizia antigamente, os quais foram publicados nas últimas páginas do livro. Fui o mais plural possível, em muitos sentidos, inclusive ideológico, embora essa ainda não fosse uma discussão relevante, ou pelo menos estimulante, dentro da imprensa brasileira, à época. O mais experiente deles, o jornalista Ricardo Noblat, hoje visceralmente identificado ao bloco de oposição conservadora montado na mídia, havia também escrito um livro para a Contexto sobre sua experiência como editor-chefe do Correio Braziliense, principal diário de Brasília que, por um breve período de oito anos (1994-2002), ele transformou de um pasquim provinciano e corrupto em um jornal respeitado em todo o país. Curiosamente, coube a Noblat assinar um artigo intitulado “Todo jornalismo é investigativo” e, assim, reforçar a lengalenga que o livro esforça-se, da primeira à última página, em desmistificar.

Tivesse hoje que escrever o mesmo livro, eu teria aberto o leque desses artigos e buscaria opiniões menos fechadas na grande imprensa. Em 2004, quando o livro foi escrito (embora lançado no primeiro semestre de 2005), o fenômeno da blogosfera progressista era ainda incipiente, nem tampouco estava em voga a sanha reacionária dos blogs corporativos da velha mídia. No mais, minha intenção era a de fazer um livro didático o bastante para servir de guia inicial para estudantes de jornalismo. Nesse sentido, o livro teve relativo sucesso. Ao longo desses anos, são raras as palestras e debates dos quais participo, Brasil afora, em que não me apareça ao menos um estudante para comentar a obra ou para me pedir que autografe um exemplar.

Faz-se necessário, agora, voltar ao tema para trazer o mínimo equilíbrio ao recrudescimento dessa discussão na mídia, agora às voltas com uma CPI, dita do Cachoeira, mas que poderá lhe revolver as vísceras, finalmente. Contra a comissão se levantaram os suspeitos de sempre, agora, mais do que nunca, prontos a sacar da algibeira o argumento surrado e cafajeste dos atentados às liberdades de imprensa e expressão. A alcova de onde brota essa confusão deliberada entre dois conceitos distintos está prestes a tomar a função antes tão cara a certo patriotismo: o de ser o último refúgio dos canalhas.

Veio da revista Veja, semanal da Editora Abril, a reação mais exaltada da velha mídia, a se autodenominar “imprensa livre” sob ataque de fantasmas do autoritarismo, em previsível – e risível – ataque de pânico, às vésperas de um processo no qual terá que explicar as ligações de um quadro orgânico da empresa, o jornalista Policarpo Jr., com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Primeiro, com novos estudos do Santo Sudário, depois, com revelações sobre a superioridade dos seres altos sobre as baixas criaturas, a revista entrou numa espiral escapista pela qual pretende convencer seus leitores de que a CPI que se avizinha é parte de uma vingança do governo cuja consequência maligna será a de embaçar o julgamento do “mensalão”. Pobres leitores da Veja.

Não há, obviamente, nenhum risco à liberdade de imprensa ou de expressão, nem à democracia e ao bem estar social por causa da CPI do Cachoeira. Há, isso sim, um claro constrangimento de setores da mídia com a possibilidade de serem investigados por autoridades às quais dedicou, na última década, tratamento persecutório, preconceituoso e de desqualificação sumária. Sem falar, é claro, nas 200 ligações do diretor da Veja em Brasília para Cachoeira, mentor confesso de todos os furos jornalísticos da revista neste período. Em recente panfletagem editorial, Veja tentou montar uma defesa prévia a partir de uma tese obtusa pela qual jornalistas e promotores de Justiça obedecem à mesma prática ao visitar o submundo do crime. Daí, a CPI da Cachoeira, ao investigar a associação delituosa entre a Veja e o bicheiro goiano, estaria colocando sob suspeita não os repórteres da semanal da Abril, mas o trabalho de todos os chamados “jornalistas investigativos” do país.

A tese é primária, mas há muita gente no topo da pirâmide social brasileira disposta a acreditar em absurdos, de modo a poder continuar a acreditar nas próprias convicções políticas conservadoras. Caso emblemático é o do atentado da bolinha de papel sofrido pelo tucano José Serra, na campanha eleitoral de 2010. Na época, coube ao Jornal Nacional da TV Globo montar um inesquecível teatro com um perito particular, Ricardo Molina, a fim de dar ao eleitor de Serra um motivo para entrar na fila da urna eleitoral sem a certeza de estar cometendo um ato de desonestidade política. Para tal, fartou-se com a fantasia do rolo-fantasma de fita crepe, gravíssimo pedregulho de plástico e cola a entorpecer as idéias do candidato do PSDB.

Todos nós, jornalistas, já nos deparamos, em menor ou maior escala, com fontes do submundo. Esta é a verdade que a Veja usa para tentar se safar da CPI. Há, contudo, uma diferença importante entre buscar informação e fazer uso de um crime (no caso, o esquema de espionagem da quadrilha de Cachoeira) como elemento de pauta – até porque, do ponto de vista da ética jornalística, o crime em si, este sim, é que deve ser a pauta. A confissão do bicheiro, captada por um grampo da PF, de que “todos os furos” recentes da Veja se originaram dos afazeres de uma confraria de criminosos, nos deixa diante da complexidade desse terrível zeitgeist, o espírito de um tempo determinado pelos espetáculos de vale tudo nas redações brasileiras.

Foi Cachoeira que deu à Veja, a Policarpo Jr., a fita na qual um ex-diretor dos Correios recebe propina. O material foi produzido pela quadrilha de Cachoeira e serviu para criar o escândalo do mensalão. Sob o comando de Policarpo, um jovem repórter de apenas 24 anos, Gustavo Ribeiro, foi instado a invadir o apartamento do ex-ministro José Dirceu, em um hotel de Brasília. Flagrado por uma camareira, o jornalista acabou investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal, mas escapou ileso. Não se sabe, até hoje, o que ele pretendia fazer: plantar ou roubar coisas. A matéria de Ribeiro, capa da Veja, era em cima de imagens roubadas do sistema interno de segurança do hotel, onde apareciam políticos e autoridades que freqüentavam o apartamento de Dirceu. A PF desconfia que o roubo (atenção: entre jornalistas de verdade, o roubo seria a pauta) foi levado a cabo pela turma de Cachoeira. A Veja, seria, portanto, receptadora do produto de um crime. Isso se não tiver, ela mesmo, o encomendado.

Por isso, além da podridão política que naturalmente irá vir à tona com a CPI do Cachoeira, o Brasil terá a ótima e rara oportunidade de discutir a ética e os limites do jornalismo a partir de casos concretos. Veremos como irão se comportar, desta feita, os arautos da moralidade da velha mídia, os mesmos que tinham no senador Demóstenes Torres o espelho de suas vontades.

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31 Comentários escrever comentário »

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Roberto

16/12/2013 - 17h36

De novo o mesmo tema? Quantas vezes esse senhor já escrever a mesma ladainha? Qual o objetivo disso? repetir n vezes até que se torne verdade a história de que foi cachoeira que invetou o mensalão, que nunca existiu de fato? Que Zé Dirceu é vítima? Quando esse senhor escrever sobre futebol vai dar um jeito de escrever sobre cachoeira, Veja, e o mensalão inventado. Dá pra progredir? O leitor agradece.

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José X.

24/04/2012 - 21h30

A Dilma tem que aproveitar a ocasião pra dar um nocaute na revistinha golpista (que provavelmente também repercutiria no restante do PIG). A hora é agora, o cavalo tá passando arreado, melhor oportunidade vai ser difícil aparecer. E provavelmente se conseguirem escapar incólumes voltarão com ferocidade redobrada. Tem que aproveitar a hora, a hora é agora.

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Yarus

24/04/2012 - 15h24

"Aécio na cachoeira: Bicheiro Cachoeira dava ordens no governo de Aécio

Cachoeira 'nomeou' prima no governo de Aécio Neves

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), por meio de sua assessoria, confirmou nesta segunda-feira, 23, que indicou Mônica Beatriz Silva Vieira para um cargo no governo de Minas atendendo a um pedido do senador Demóstenes Torres , então líder do DEM no Senado. Como todos sabemos, Demóstenes recebia ordens de seu sócio,Carlinhos Cachoeira

O governo mineiro do PSDB informou que a prima de Carlinhos Cachoeira foi nomeada para um cargo DAD 4, com salário de R$ 2.310,00.

Em um diálogo interceptado pela PF em 26 de maio do ano passado – um dia após a publicação da nomeação no Diário Oficial do Estado – Cachoeira pergunta a Mônica se “o salário lá é bom”. Ela diz não saber. “Eu tentei pesquisar, mas não sai. Esses cargos comissionados não sai o salário.” Cachoeira responde: “Aqui (em Goiás) no mínimo um cargo desses aí é uns 10 mil reais.” A prima conta que trabalhava na diretoria de qualificação profissional da Prefeitura de Uberaba. “Até briguei, falei ‘se for menos eu tô perdida.’”

O secretário Danilo de Castro disse que a nomeação de Mônica foi em “comum acordo” com o deputado federal Marcos Montes (PSD-MG, ex-DEM). “Agora, pedido eu não lembro de quem. Informações do Estado

Leia transcrição dos grampos da PF sobre nomeação de prima de Cachoeira…" http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2

Responder

Luiz Amaral

24/04/2012 - 12h42

A revsita Veja e grande parte da mídia são uma podriqueira mesmo, de ranço burro, submisso, vendido e reacionário. Mas quanto ao MENSALÃO, que era uma "mesada" a parlamentares corruptos para facilitarem a vida do governo nas votações. Será que foi mesmo uma invenção de Cachoeira e sua equipe? Ou eles só registraram o que conheciam bem? Qualquer político no poder, seja de origem de esquerda ou direita, sofre influências nefastas, se não houver a vigilância da sociedade e da mídia livre.

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Caracol

24/04/2012 - 09h02

Acho que vocês, os verdadeiros profissionais do jornalismo (como os que eu conheci antigamente) deviam se mexer mais, pois sua profissão está mais em baixa do que a de prostituta (nada contra prostitutas, pessoalmente), essa profissão de jornalista já foi pro brejo. Pra começar, mudem o nome da atividade desses caras que se dizem seus colegas, parem de chamá-los de “jornalistas”, inventem aí outro termo, vocês são criativos. Chamem-nos de “inventistas” ou “putas da imprensa”, qualquer coisa menos “jornalista”. Ponham a nu os departamentos que depois dos editores, ou quando eles mesmos, os editores, distorcem o trabalho dos repórteres, investigativos ou não, e que moldam as notícias e manchetes com o objetivo de enganar a sociedade e de lambuja vender mais jornal e telejornal. Divulguem os nomes dos bois.
O pior de tudo mesmo é o prejuízo causado à credibilidade das instituições, vejam só a pérola que é a manchete de primeira página do O Globo de hoje mesmo, 24/04/2012:

” “Enriquecimento ilícito de juiz e político deve virar crime”.

Primeira observação do visitante alienígena: o que é “ilícito” não constitui crime? Como assim…”virar crime”? Se é ilícito, é crime, porra!
Segunda observação: “deve virar”? Como assim… “deve virar”?

Isso é manchete de primeira página pra meio Brasil ler! Tá lá, hoje mesmo! Se isso aí é jornalismo, eu sou o papa, porra!

Responder

FrancoAtirador

24/04/2012 - 01h08

.
.
!!! FERRO NA BRUACA !!!

Deputado afirma que revista Veja financiou atividades ilegais de Cachoeira

Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, quer que os dirigentes da editora Abril
sejam chamados para depor na CPMI que vai investigar as ligações do bicheiro

Por Raoni Scandiuzzi, na Rede Brasil Atual

São Paulo – Depois de subir à tribuna da Câmara e dizer que a revista Veja é “o próprio crime organizado fazendo jornalismo”, o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual que o veículo de comunicação "fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento", referindo-se à rede ilegal de atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira.

O deputado defendeu que os responsáveis pela revista prestem esclarecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar a rede ilegal de atuação de Cachoeira e que sejam tratados como réus. Escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostraram conexões entre o grupo do contraventor e o diretor da sucursal de Brasília da publicação semanal, Policarpo Júnior.

Este mês, Veja divulgou reportagem afirmando que a CPMI é uma "cortina de fumaça" criada pelo PT para desviar o foco do julgamento do mensalão, que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia levou Ferro a lamentar que a revista atue desta maneira.

Perguntado se a convocação de representantes do Grupo Abril não afetaria a liberdade de imprensa, Ferro afirmou que as atividades de Veja tem conexão com o crime organizado, e não com o jornalismo.
Para o parlamentar, o dono da Editora Abril, Roberto Civita, deve ser tratado como réu nessa investigação.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o deputado Fernando Ferro, um dos candidatos a integrar a CPMI do Cachoeira.

RBA: Por que levar um órgão de imprensa a uma CPMI?
FF: Caberia ao órgão de imprensa trazer esclarecimentos sobre essa relação, o porquê de tantos telefonemas identificados na investigação da Polícia Federal.

RBA: Você falou em requerer a presença de Roberto Civita…
FF: Independentemente de quem seja, o Civita ou não, os responsáveis pela Veja terão de responder sobre isso.

RBA: Há uma relação da Veja com essas atividades ilegais?
FF: É uma relação estranha, que tem laços de cumplicidade com esse submundo.
Na verdade, isso vem lá de trás, em vários momentos.
Essas denúncias espetaculosas da Veja, todas elas estão sendo lastreadas por esse processo de espionagem e arapongagem.
Em termos de ética jornalística, isso é muito questionável.
A Veja fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento.

RBA: Isso poderia colocar em risco a liberdade de imprensa?
FF: A Veja tenta formar uma ideia de que nós estaríamos querendo restringir a liberdade de imprensa.
Essa é uma medida esperta e calhorda dela de justificar a sua ação criminosa.
Eles querem falar em nome de toda a imprensa, mas não é verdade, essa prática, esse estilo, é próprio da Veja.
Ou seja, ela praticou ações criminosas e agora quer colocar o conjunto da imprensa no Brasil como vítima.
Ela é ré, vai ter que trazer esclarecimentos à CPI.

RBA: Há quem defenda esse tipo de jornalismo a qualquer custo…
FF: Essas ações da Veja têm tudo a ver com crime organizado, não com jornalismo.

RBA: Por que no Brasil há uma tendência de punir exclusivamente os políticos que estão envolvidos em atividades ilegais, sendo que por diversas ela possui muitos lados?
FF: Há uma ação política e ideológica de incriminar um partido político, ou uma orientação, ou uma corrente política. Na verdade, não há uma preocupação com a informação, estão preocupados em incriminar alguém que está governando o país.

RBA: O senhor está falando da Veja, especificamente?
A Veja criou a figura do bandido colaborador, que é alguém que atende aos interesses dela, e o qual ela criou um nível de promiscuidade tão grande que você nem sabe quem é mais bandido. Na verdade, os dois são.

RBA: Em sua opinião, quem mais deve ser chamado para depôr na CPI?
A partir da investigação da Operação Monte Carlo, você tem os vínculos de articulação criminosa, de envolvimento entre os personagens dessa teia criminosa, então todos eles, tanto agentes públicos quanto privados, deverão ser chamados para prestar esclarecimentos.

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/

Responder

Lucas Lima

23/04/2012 - 22h56

Texto exemplar.

Responder

Nilson Brito

23/04/2012 - 22h44

Muito bom seu artigo sobre "jornal investigativo" Agora o que os brasileiros não deviam tolerar é ter que arcar com milhões de impostos e tributos para o governo e eles de "mão beijada" repassam esses milhões a velha mídia e a outros tantos jornais chamados de imprensa, jornal, repórter investigativos etc. Isso tem q acabar .

Responder

Paulo Preto

23/04/2012 - 22h43

Aqui, diferente do blog do poodle da Veja, os contrários, ainda que plenos de estultices, podem manifestar-se. A Veja e sua corriola não se arriscam a publicar ideias opostas com medo de que levemos luz ao seu rebanho imerso na escuridão

Responder

bruno

23/04/2012 - 22h27

Viva a liberdade de expressáo e a imprensa livre…Se náo gostam da VEJA é só náo comprar……

Responder

Fabio_Passos

23/04/2012 - 21h08

Imperdível análise do Nassif sobre como a revista veja, sócia dos criminosos daniel dantas e carlinhos cachoeira, atrasou em anos o combate ao crime organizado no Brasil com seus ataques forjados a Paulo Lacerda da PF.

"Uma CPI para a revista Veja" http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/uma-cpi-

Não podemos deixar impunes estes bandidos que deram um golpe contra a República:
– demóstenes torres
– roberto civita: quadrilha veja
– gilmar dantas
– nelson jobim

Cadeia nestes pilantras!

Responder

Manoel Paixão

23/04/2012 - 19h17

olá,
Esse tipo de texto é propício para uma urgente e inadiável discussão sobre a forma como a “essência ou cerne” da maioria das informações são deturpadas e/ou tendenciosas, devendo se estender a outras categorias da imprensa. Aqui no Estado do Pará, estamos diante de um grande escândalo que é o Caso Rede Celpa (concessionária de energia), que a grande mídia não traz a tona a real situação, por isso grande parte dos paraenses desconhece. Uma ou outra informação a respeito tem-se conhecimento através dos blog’s. Isso sem contar no que acontece aqui em Paragominas, no midiático e/ou ilusório “Município Verde” da Amazônia. Excelente postagem, pois eleva ao pensamento critico! Por isso, publiquei-a no meu blog.

Responder

    Dalton Lacerda

    25/04/2012 - 05h18

    Paixão,
    Você se esqueceu de mencionar o caso CERPSA, que envolve o governador tucano do Pará Simão Jatene, que até hoje ninguém sabe que fim levou, que poderia até levar a cassação do mantato do mesmo. Incluve ninguém diz nada sobre os contratos de valor altissimo do governo estadual com a DELTA, para o aluguel de viaturas da Policia Militar. Emfim, é tanta coisa que como você mesmo diz, a maioria dos nossos conteraneos nem sabem. Até porque, como pode a impressa do estado noticiar alguma coisa dessa natureza, tendo contratos publicitarios com o governo. Aí mano, só nos resta os blog"s, de jornalistas como a Ana Celia Pinheiro, Hiroshi Bogéa, Franssinete Florenzano, Lucio Flavio Pinto, e tantos outros, que tem compromisso com a verdade e a preocupação de melhor informar o povo. É isso aí mano!

    Manoel Paixão

    25/04/2012 - 16h25

    Meu caro Dalton,
    Muitos são os casos de irregularidades e corrupção no setor público do nosso Estado, haja tempo e paciência para listá-los. Só para corroborar, tanto eu como você, nos esquecemos de mencionar os escândalos de corrupção envolvendo deputados e servidores da ALEPA, que graças DEUS o Ministério Público já está no caso. Não te disso que são tantos, que à medida que a gente lembra um sucessivamente vêm à memória outros. Falando no que a grande mídia do nosso Estado nem comenta, quanto a CPI do Cachoeira, postei no meu blog o seguinte comentário.
    “Os parlamentares do Pará que não assinaram a CPI do Cachoeira”
    Dentre os 128 parlamentares que não assinaram o requerimento da CPI do Cachoeira, estão os deputados federais pelo Estado do Pará: Elcione Barbalho, José Priante e Wladimir Costa (PMDB); Lúcio Vale (PR); Zequinha Marinho (PSC); e Josué Bengtson (PTB).
    Agora, cabe a esses nossos deputados, dar uma explicação à sociedade paraense. Não custa nada explicar os motivos!

Marco Galo

23/04/2012 - 18h05

Podem ter certeza que a quadrilha que é a grande imprensa brasileira tentará a todo custo desqualificar todas as provas colhidas nas investigações da CPI. Uma defenderá a outra, pois todas estão envolvidas no submundo nojento e com certeza os alienados que votam no PSDB, José Serra e Cia. tentarão defendê-los a qualquer custo, inclusive utilizando o argumento do cerceamento à liberdade de imprensa.
Veremos e escutaremos muitas, mas muitas barbaridades nos próximos meses.

Responder

maria olimpia

23/04/2012 - 17h41

Excelente. Verdadeira aula de "jornalismo pensante", inexistente na atual mídia escrita e televisiva.

Responder

ricardo

23/04/2012 - 16h48

O articulista, que, sintomaticamente, escreve a palavra mensalão entre aspas, escreve também o seguinte: "O resultado mais perverso dessa estrutura midiática rica e reacionária é a perpetuação de uma política potencialmente criminosa de assassinato de reputações". Ficaria grato se o articulista, ou um de seus seguidores neste bolg, nos dessem alguns exemplos de impolutas reputações criminosamente assassinadas por essa mídia malvada.

Responder

    Fabio_Passos

    23/04/2012 - 21h18

    pfff… leitor de veja.
    Pedante, prolixo… e ignorante.

    Já ouviu falar em Paulo Lacerda?
    Massacrado pela canalha da revista veja para proteger daniel dantas.

    ricardo

    24/04/2012 - 12h16

    Simplório, somos todos leitores de Veja. A diferença entre mim e vocês é que eu não sofreria de crise de abstinência se a dita cuja um dia deixasse de ser editada. Encare os fatos, jeguinho, vocês não falam de outra coisa.

    Anônimo do Prado

    24/04/2012 - 18h33

    Qual é a sua altura, leitor da veja?

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 23h03

    Se os leitores de veja se empilharem montados no lombo do civita e dos "jornalistas" da quadrilha… relam nas chinelas de um brasileiro digno como Paulo Lacerda.

    E sabe qulé o maior barato? Eles sabem disso… rsrs

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 18h34

    hã… leitor de veja com baixo QI e muito rancor.
    E sobre a sua revistinha vagabunda atacando Paulo Lacerda para salvar a pele do mafioso daniel dantas você não fala nada, não é?

    Foge, covarde… com o rabinho entre as pernas. rsrs

    Alexandre Bitencourt

    24/04/2012 - 10h19

    Um dos mais recentes é o "grampo sem áudio"!

    Entra no site da Veja e pede o "suposto" áudio, se os censores não bloquearem seu comentário, talvez o seu pedido apareça.

    ricardo

    24/04/2012 - 12h31

    Que eu saiba, quem condiziu o araponga ao ostracismo foi Lula, não a Veja.

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 18h38

    E de onde tirou a idéia de que você sabe alguma coisa? rsrs
    Você é leitor de veja. Um coitado com baixo QI e idiotizado por uma revista pilantra.

Regina Braga

23/04/2012 - 16h07

Então vamos embora…que chegue aos ouvidos do povo brasileiro,que não é só bandido de toga que existe…mas jornais e jornalistas,ainda mais perigosos.

Responder

Luizão

23/04/2012 - 14h08

Falou tudo Professor!
A "'CPI da VEJA", da Globo, da Folha, do Estadão, do Globo, do Gilmar Mendes, dos Jornalistas Bandidos, do jornal O Estado de Minas Gerais tem tudo pra passar o Brasil a limpo e implantar a regulação da mídia. É também uma ótima oportunidade para implantar o financiamento públicos para as campanhas eleitorais.

Responder

Elton

23/04/2012 - 14h02

Lamentável saber dinheiro publico é usado para manter esse lixo (VEJA).
É graças a liberdade de impressa que os blogs sujos tem trazido a verdade a tona, esse sim merece parabéns pelo verdadeiro jornalismo investigativo.
Falando nisso! Qual o final da história dos moradores do Pinheirinho???

Responder

    Fabio_Passos

    23/04/2012 - 21h18

    <img src=http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/04/charge-bessinha_veja-fede1.jpg>

Zé Eduardo

23/04/2012 - 13h32

Maravilhosa resenha. Costura perfeita. Se formos competentes, como o articulista, esse blog e tantos outros similares, a 'CPI da VEJA' será meio caminho andado para uma 'lay de medios' tupiniquim. Parabéns.

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