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Historiadores repudiam tratamento de Veja a Hobsbawm


09/10/2012 - 20h16

Resposta da Associação Nacional de História à Veja, via Facebook

Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX

via Filipe Monteiro, no Facebook

Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais. Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista. Mas Hobsbawm não foi apenas um “acadêmico”, no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental.

Fiel à tradição do “intelectual” como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Eis que, no entanto, a revista Veja reduz o historiador à condição de “idiota moral” (cf. o texto “A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm”, publicado emwww.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo.

A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto “historiador esquerdista”, dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a “análise” acerca do falecido historiador. Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos.

Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

São Paulo, 05 de outubro de 2012

Diretoria da Associação Nacional de História
ANPUH-Brasil
Gestão 2011-2013

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66 comentários

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Mas nem o Hobsbawm acredita na imprensa | camilla's big score

24 de março de 2019 às 16h41

[…] Sociedade no Século XX (Companhia das Letras, 358 páginas) é o livro póstumo do respeitado, ou nem tanto, historiador  Eric Hobsbawm, morto no fim do ano passado. A publicação reúne diversos […]

Responder

Carlos Franco

17 de outubro de 2012 às 10h09

Vindo da Veja, qualquer crítica é elogio! Quando o Maluf morrer eles vão dizer que foi um grande estadista. Parabéns à Veja, sempre ajudando a produzir fontes de grande valor (para os anunciantes).

Responder

Sobre Hobsbawm : Núcleo de Direitos Humanos – Unisinos

16 de outubro de 2012 às 12h00

[…] Fontes: Policymic [http://www.policymic.com/articles/15675/marxist-and-communist-british-historian-eric-hobsbawm-dies-at-95]; BBC Brasil [http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121001_eric_hobsbawn_morte_lgb.shtml]; Carta Maior [http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21002] e [http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5797]; Portal Terra [http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6193285-EI8142,00-Eric+Hobsbawm+grande+intelectual+marxista+e+amante+do+jazz.html]; Portal “Vi o Mundo” [https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/historiadores-repudiam-tratamento-de-veja-a-hobsbawm.html]. […]

Responder

lulipe

11 de outubro de 2012 às 12h00

Não foi esse cidadão que alegou que o assassinato de milhões orquestrado por Stalin na União Soviética teria valido a pena se dele tivesse resultado uma “genuína sociedade comunista”???A Veja foi até muito condescendente com ele….

Responder

    Mário SF Alves

    11 de outubro de 2012 às 14h50

    Na pior das hipóteses ele estaria se referindo à possibilidade de ver eclodir daí a verdadeira história do homem. A superação definitiva da pré-história da humanidade.
    Porém, de fato, você tem toda a razão. Os fins não justificam os meios. Em hipótese nenhuma. No entanto, surpreende(?!!), cadê a birra da (in)Veja com os Bushs, com o futuro exterminador do futuro Mitt Romney, com Sarkozi, com o Obama e outros sem número de “heróis” impero-capitalistas que fazem e farão bem pior e ainda assim passam por ela como angelicais inocentes.
    Agora conta a do papagaio…

    Carlos

    12 de outubro de 2012 às 16h17

    Gostaria de lembrar o seguinte: o falecido Hobsbawm nasceu em 1917 e portanto formou sua visão de mundo entre 1937 e 1947 – ou seja, num momento em que a escolha REAL a ser feita sobre o futuro da humanidade exigia uma escolha entre Hitler e Stalin. Que ele tenha escolhido o segundo, dentro das circunstâncias reais do seu tempo, é algo que foi feito por Churchill (“se Hitler invadisse o Inferno, eu apoiaria o Diabo”) , Roosevelt – e até Trotsky, que meses antes de ter a cabeça espatifada por um agente stalinista, dizia que atacar Stalin por ter invadido uma metade da Polônia equivalia na prática a querer dar a Hitler 100% da Polônia. É só, e quem ataca o falecido pela sua escolha mostra na prática, sua chateação pelo fato de que foi Stalin quem ganhou, e não o “Outro”.

    Mário SF Alves

    12 de outubro de 2012 às 19h20

    Obrigado, Carlos. E de grão em grão a consciência crítica vai tomando vulto. É por isso que penso que “doido é só aquele que não sabe onde quer chegar.”

    francisco.latorre

    12 de outubro de 2012 às 21h25

    anta.

    ..

abolicionista

11 de outubro de 2012 às 10h56

Será que a Veja vai reeditar o Boi-mate?

Responder

Narr

10 de outubro de 2012 às 23h40

Desculpem, mas acabo de ler um comunicado conjunto de Cambridge e Oxford que anunciam que, diante dos argumentos apresentados pela ilustríssima Revista Veja, pólo intelectual de renome mundial, houveram por bem banir todas as obras do idiota moral. Oxford e Cambridge acrescentam que doravante criarão a cadeira de Estudos de Pensamento Brasil Universal que terá como base a originalíssima e profunda obra de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e de Leandro Narloch. Em tempo: a London School of Economics e a universidade de Sussex também anunciam que, após a leitura atenta da importantíssima Veja, acordaram do sono dogmático e vão se livrar das obras daquele judeu infame educado em Viena, Berlim e Londres , onde adquiriu péssimos hábitos políticos e intelectuais.

Responder

    Mário SF Alves

    11 de outubro de 2012 às 14h35

    Kkkkkkkkkkkkkkk………

Maxwell

10 de outubro de 2012 às 19h10

Hobsbawm é uma das personalidades mais importantes do século XX/XXI, independente da Veja gostar ou não.

Responder

Miguel Freitas

10 de outubro de 2012 às 18h52

Nenhuma novidade sobre este lixo de revista, há uns tempos ela se referiu ao intelectual Tariq Ali como o verdadeiro idiota paquistanês, na mesma época se referiu a Maradona como o verdadeiro idiota latino-americano, simplesmente por Maradona ser amigo de Chavez e Fidel e participar do Fórum Mundial, interessante que na mesma época o grupo Abril ganhava milhões com a venda pela revista Placar de um DVD de Maradona.

Responder

geniberto campos

10 de outubro de 2012 às 18h51

Correta, em seu conteúdo, a resposta da Associação dos Historiadores à revista Veja.
Questionável, no entanto, se é justo responder a uma revista tão desqualificada. Quando ataca de forma vil e covarde, com é do seu hábito, um intelectual do porte do Hobsbawn, não deveria merecer resposta. A vileza da acusação é tão evidente que se entingue na insignificância da publicação.
A Veja é a revista, por excelência, do juiz Joaquim Barbosa, o que condena sem prova. Os dois se merecem. E, cuidemos de coisas sérias.

Responder

Marco

10 de outubro de 2012 às 17h40

O que me preocupa é esta revista ser comprada a rodo pelos governos municipal e estadual, como material “educacional”, não é a toa que o IDEB de SP ficou abaixo da média nacional. É preciso investigar os interesses econômicos entre estado/prefeitura e a Abril e as matérias veiculadas em suas revistas, talvez esteja aí um dos maiores prejuízos para a nossa população!!!

Responder

Mário SF Alves

10 de outubro de 2012 às 16h14

Hobsbawm idiota moral???
Resta saber de quem afirma uma sandice dessas.
1- Que história tem?
2- Que projeção intelectual possui?
3- Quais e quantos livros já publicou?
4- Em que circunstâncias manifesta sua opinião?
5- O que fez de reconhecidamente útil ao mundo?
Veja é o lixo ideológico mais tóxico do mundo. Aproveita-se do subdesenvolvimento do Brasil para impor sua cruel irresponsabilidade; sua inconfessa covardia oculta sob o manto da liberdade de opinião. Sua retórica é a retórica da fanatização.
Se o Brasil não conseguir superar o subdesenvolvimento que há séculos o atormenta e humilha e entrar em convulsão social muito disso será debitado na conta da irresponsabilidade política da Veja. É nisso que dá corporações se meterem a corromper, suprimir ou substituir a política.
Hobsbawm idiota moral??? E ele era inglês. Imagine se fosse um latino-americano.

Responder

Dinha

10 de outubro de 2012 às 15h44

Ui³
Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

Como tenho vergonha de ser brasileira nessas horas.

Responder

    PauloH

    11 de outubro de 2012 às 06h27

    Não tem por que sentir vergonha. A Veja não é brasileira. Ela casualmente é publicada no Brasil, só isso. Mas é a revista de um país onde só há brancos, todos dirigem carros importados, vivem em condominios fechados, viajam todo ano a Miami e têm medo. Muito medo. Definitivamente, esse país não é o Brasil.

Carlos

10 de outubro de 2012 às 12h28

O pior dessa estória toda é aquilo que Pierre Bourdieu chamava de “indignação retrospectiva”. Explico: mesmo que Hobsbawn tivesse sido o mais ardente dos admiradores de Stalin e seus chefes de polícia Yezhov e Beria, o fato é que HOJE, em 2012, Stalin está bem morto há quase 60 anos e seu regime é história. Atacar Hobsbawn por sua apreciação de Stalin, qualquer que esta tenha sido, é querer passar a ideia de que o mundo de hoje não tem problemas PRESENTES a atacar, que a ordem burguesa e neoliberal onde vivemos é ótima e só é ameaçada pelo espectro de gente morta faz décadas. O verdadeiro motivo do ódio deste panfletinho é o fato de que o falecido tinha muito a dizer sobre o mundo atual, e nada que agradasse a este tipo de reacionários….

Responder

Ricardo JC

10 de outubro de 2012 às 12h16

Bem, ser considerado “idiota” pela Veja é mais do que um elogio…é um título honorífico para ser adicionado ao currículo. Sinal do excelente trabalho realizado por este historiador ao longo de sua profícua carreira. Pena que tenha sido post-mortem.

Responder

Maria Thereza

10 de outubro de 2012 às 11h25

Ainda tem que leia essa revista, se dê ao trabalho de responder?

Responder

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    10 de outubro de 2012 às 12h10

    Precisamente porque ainda tem muita gente que lê essa revista é que se deve ter permanentemente o trabalho de respondê-la. A luta ideológica converteu-se , há muito tempo, no principal vetor da luta de classes. O capitalismo só se sustenta por causa da hegemonia que a burguesia exerce nessa frente de batalha,muito mais do que por conta de sua força política, econômica ou militar ( sem o respaldo ideológico todo esse poderio não-ideológico de nada valeria). A hegemonia ideológica se retroalimenta da tradição e de preconceitos profundamente arraigados. A tática de pejorativizar o socialismo e seus ideólogos, lançando anátemas contra ambos em formato de frases curtas e repetitivas,e inspirados nos processos de estigmatização dos adversários, apoiados no desconhecimento da maioria das pessoas sobre o significado das ideias defendidas pelos difamados, é recurso permanente desses detratores e desonestos intelectuais. No caso de Hobsbawn e a Veja, há ainda o fato de que ambos representam as duas faces do povo judeu. O primeiro, a elevada cultura, o valorização desde o berço dada pelos que se esforçam em alcançar o conhecimento para, em seguida ampliá-lo, como testemunha as inestimáveis contribuições dadas à humanidade por gênios como Einsten,Freud, Marx, e tantos outros incontáveis outros , como o próprio Hobsbawm, traço cultural digno de ser imitado pelos povos que como nós brasileiros sonham em conquistar a sua efetiva independência; a segunda, a barbárie, o chauvinismo, o racismo e o proto-fascismo sionistas que comandam o Estado de Israel, desonrando a memória histórica do povo judeu que deveria, ao contrário, em função das perseguições seculares que se lhe perpetraram , estar à frente da luta em defesa da igualdade e dignidade de todos os seres humanos que vivem sob regimes de opressão e exploração.

Francisco

10 de outubro de 2012 às 11h24

Ou simplesmente a Veja seja só um panfleto direitista.

Um mundo sem tons de cinza é um mundo pequeno.

Até com Hobsbawn a Veja cria problema…

A meta da revista agora deve ser um dossiê de quem sentou à esquerda de Cristo na Santa Ceia….

Responder

    Dinha

    10 de outubro de 2012 às 15h52

    A meta da revista agora deve ser um dossiê de quem sentou à esquerda de Cristo na Santa Ceia….

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Muito boa

Beto São Pedro

10 de outubro de 2012 às 10h02

Bom mesmo é o Policarpo Júnior, o sócio do Carlinhos Cachoeira, que é amigo do Demóstenes, que “emprestou” dinheiro ao Nercesian (hic! não sei se é assim que se escreve), que por não ter “ato de ofício” e nem “domínio do fato” foi inocentado pelo prevaricador geral na nação, que……

Responder

Nelson

10 de outubro de 2012 às 09h48

A pergunta é simples. Poderíamos esperar algo diferente em se tratando da Veja?

Responder

Pedro

10 de outubro de 2012 às 09h47

A Veja é a imprensa que corresponde atualmente à ideologia da classe dominante. A “Veja” que correspondeu à época da escravidão diria de Joaquim Nabuco, por exemplo, coisas muito parecidas às que a Veja diz de Hobsbawm.

Responder

FrancoAtirador

10 de outubro de 2012 às 09h09

.
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No mundo das ilusões da velha mídia

Por Emir Sader, no Blog do Emir – Carta Maior

Imaginemos alguém que só lesse, escutasse ou visse a velha mídia. Que visão teria do Brasil e do mundo?

Em primeiro lugar, não poderia entender por que um governo – corrupto, incompetente, com a economia à deriva, nomeando ministros como troca-troca eleitoral, que cobra muitos impostos, que está atrasado na entrega de todos as obras, do PAC, do Mundial e das Olimpíadas, que tem politica exterior aventureira, etc., etc. – tem 75% de apoio do povo.

Não entenderia como um líder como o Lula – que tem 80% de referências negativas na mídia – consegue que 69,8% dos brasileiros queiram que ele volte a ser o presidente do Brasil em 2014.

Não poderiam entender como o PT – partido corrupto, protagonista do maior escândalo da historia do Brasil – sai fortalecido das eleições municipais, eleja mais prefeitos e mais vereadores e ameace tirar dos tucanos a prefeitura mais importante do Brasil, a de São Paulo – tão bem administrada pela competência dos tucanos.

Não saberiam por que a economia brasileira não naufraga, se leem todos os dias que tudo vai mal, que o governo faz tudo errado, que a economia não cresce. Por que o governo continua a estender as políticas sociais, sem os recursos que a economia deveria lhe dar.

Não entende por que o FHC dá seu apoio e participa da campanha do candidato tucano no Rio – junto com o Aécio e o Álvaro Dias -, mas o candidato tem apenas 2,47% dos votos. Como os tucanos e o DEM perderam 332 prefeituras, sendo os mais preparados para governar.

Leem numa revista semanal que a Argentina é “governada por autoridades cada vez mais repressoras”, que “bloqueiam as liberdades individuais, como o acesso à livre informação, a bens de consumo e ao capital”. Que o governo “já tem o controle autoritário de 80% (sic) dos canais de radio e tv do país”. Que “na ilha de Cristina, os cidadãos só leem o que ela quer”.
Que as grifes “Escada, Armani e Yves Saint-Laurent fecharam suas lojas no país”, assim como a Vuitton e a Cartier. Que a “Avenida Alvear está com ares de fim de feira”. Que “na ilha de Cristina os investidores são tratados como piratas”.

E, no entanto, a Cristina é reeleita no primeira turno. Como entender isso, vendo a velha mídia?

Como entender que a Venezuela está se desfazendo, entre a ineficiência da sua economia, a corrupção e a violência, mas o Hugo Chavez é reeleito para um quarto mandato?

Que a América Latina vai bem enquanto os EUA e a Europa vão mal?

Tudo parece de cabeça pra baixo, o mundo parece absurdo, incompreensível, para quem depende da velha mídia, dos seus jornais, das suas revistas, dos rádios e da suas TVs.

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=1111

Responder

    Mário SF Alves

    10 de outubro de 2012 às 17h19

    Uai?!! Cadê os trolls (olavocarvalhianos) que fazem bico por aqui? Escafederam-se? Viraram ectoplasma ante o insofismável argumento do honorável Emir?

Mardones Ferreira

10 de outubro de 2012 às 09h01

A Veja gosta de sociólogos que pregam a dependência. k k k

Responder

Fabio Ha. Amaral

10 de outubro de 2012 às 08h52

Eu li o artigo da revista e, uma coisa me chamou muita atenção: não tem assinatura. Acho incrível uma expressão de opinião sem origem, sem assumir o que se fala, fica algo como uma expressão de pensamento divino, proveniente de uma sabedoria superior eque, por isso, deve ser aceita.

Responder

    Elias

    10 de outubro de 2012 às 10h52

    Caro, Fábio, quando não há assinatura é a opinião do editor e do dono da revista.

Hélio

10 de outubro de 2012 às 08h38

A revista veja (propositadamente escrita com inicial minúscula), em princípio, não vale o esforço de ser lida. É o que faço: não a leio nem em sala de de espera de consultório médico, enquanto aguardo minha vez!
Mas, caso alguém queira ler algum de seus textos, sugiro que tenha em mente um entendimento típico de um espelho que reflita o contrário da ideia que o texto transmite, para fins de comparação com o texto original. Daí passe a filtrar as ideias para não incorrer em erros de julgamento.

Responder

OSNY

10 de outubro de 2012 às 08h10

Isto é que dá um veículo de comunicação, ideológico (de direita) … Veja sim é que é – profundamente “idiota moral”, em suas análises retrógradas, anacrônicas – na contramão da história. Sinto pena dos seus repórteres, que tenho certeza, são obrigados, muitas vezes, a escrever incoerências, contra a própria vontade.
Ainda bem que aboli a VEJA das minhas leituras há muito tempo.

Responder

Bonifa

10 de outubro de 2012 às 03h15

A furibunda revistinha parece que está com o rei na barriga depois da vitória do século que obteve no STF ao condenar sem provas, e agora parte para tentar colocar o Reinaldo no lugar de Hobsbawm. Assim pretende iniciar sua reforma do Mundo.

Responder

    Mário SF Alves

    10 de outubro de 2012 às 19h54

    “A furibunda revistinha parece que está com o rei na barriga depois da vitória do século que obteve no STF ao condenar sem provas, e agora parte para tentar colocar o Reinaldo no lugar de Hobsbawm. Assim pretende iniciar sua reforma do Mundo.”

    Tentar colocar o Reinaldo e sua retórica fanatizante, aliás, a única dele, no lugar de Hobsbawm seria o mesmo tentar colocar Goobles no lugar de Chaplin; Bin Laden no lugar de Jonh Lennon ou um perna-de-pau no lugar de Pelé.

Elias

10 de outubro de 2012 às 01h41

Quantas universidades com seus docentes e discentes, no Brasil e no mundo, leram, leem e irão ler Eric Hobsbawm? Milhões. Quantos (as) inteletuais, pensadores (as), historiadores (as) de todos os matizes, no Brasil e no mundo, respeitam e admiram Eric Hobsbawm? Milhões. Hobsbawn morreu. Sua obra seguirá viva para ilustrar corações e mentes de hoje e de amanhã. Referindo-me agora ao semanário que me recuso a citar o nome, digo uma coisa só, sem ofensa: sinto pena de seus leitores.

Responder

    Jorge Moraes

    10 de outubro de 2012 às 17h14

    Trocando a palavra “pena” (dos leitores) pela palavra “nojo” (ao mesmos referida), encampo as demais observações.

José BSB

10 de outubro de 2012 às 01h28

Para uma revista que se associou ao crime organizado e ao apartheid, qualquer ofensa deve ser recebida como elogio.
Em respeito à memória do Hobsbawm, vale mencionar que as referências intelectuais da veja estão no instituto milenium.

Responder

João-PR

10 de outubro de 2012 às 00h03

Quem é a Veja para falar de Hobsbawn??
Um folhetim que pertence a um grupo que era pró-apartheid na África do Sul!
Não perderei meu tempo com a Veja. Apenas digo e repito para todos os meus alunos: querem se informar?? Não leiam a Veja!!

Responder

H. Back™

09 de outubro de 2012 às 23h40

A Veja não entende nem de povo, muito menos de Hobsbawm.

Responder

Márcio Gaspar

09 de outubro de 2012 às 23h37

Responder a Veja sobre intelectuais de renome dentro do ambiente acadêmico que ela critica,oops, critica não, isso é para quem sabe escrever. O que a Veja faz é um ranço a tudo e a todos que faz uma crítica ao capitalismo. Eu disse crítica, que vai muito além de meia dúzias de linhas que se lê na Veja. Assim, eu acredito que é gastar tinta respondendo a Veja.

Responder

Rose PE

09 de outubro de 2012 às 23h37

Qual a credibilidade que essa revistinha tem para se dar tanta atenção a opinião que ela propaga? Eu não perco meu precioso tempo lendo tal poluição comunicativa, acho que as pessoas de bem e críticas deveriam fazer o mesmo. Deixa a tal escrever as baboseiras à vontade, afinal os integrantes da CPI do Cachoeira não deram esse aval a ela, pois vai passar impune. O que nos resta é não nos deixarmos contaminar por essa inutilidade.

Responder

Dario Lenza

09 de outubro de 2012 às 22h36

Incrível como se perde tempo criticando e polemizando a respeito deste esgoto de revista. Cada vez que um assunto destes repercute, aqueles boçais comemoram.

Responder

Rogério Perdigão

09 de outubro de 2012 às 22h20

Eu não leio a veja, não assisto ao jn, nada disso me interessa…
E ainda me sobra tempo pra dar umas risadas dos otários que leem e assistem…

Responder

JOSE CARLOS DE CAMARGO

09 de outubro de 2012 às 22h02

LCAzenha: desculpe minha discordância, mas êsse historiador marxista era
não sòmente vêsgo como também tendencioso e parcial em suas Análises His-
tóricas. Além da Revista VEJA, de péssima qualidade e credibilidade,creio
ter lido outras criticas SÉRIAS, de Gente SÉRIA em relação às suas obras.
Segundo essas críticas, êle pode até ter se posicionado como Anti-Stalin,
más nunca fêz críticas veemente ao Ditador Soviético, AutoHerdeiro de LE-
NIN e responsável com êle pela morte de mais de 12 milhões de civís!Todos
nós sabemos que a maioria dos Atuais Historiadores tem uma Visão Marxista
e distorcida da História-o que não é necessàriamente um MAL más nunca um BEM e assim se arvoram em (pseudos) Donos da Verdade! Qual o problema de
se criticar um Historiador? Marx até hoje é idolatrado por uns e execrado
por outros tantos! O mesmo com outros grandes homens da História,inclusi-
se o MAIOR DE TODOS, JESUAS CRISTO, que aliás, dividiu a História em An-
tes e Depois DÊLE!Eric Hobsbawm foi apenas mais um homem que passou por /
aqui! Já se foi e pronto! Que seja elogiado e criticado! Sim, qual é o
problema?!

Responder

    shirl

    09 de outubro de 2012 às 22h34

    E qual o problema dele não ter feito críticas a Stalin???Se v acha que Stalin era uma droga e ele não, qual o problema???Assim se vive…

    Fabio SP

    11 de outubro de 2012 às 09h34

    E qual o problema dela ter feito críticas a Hobsbawn???Se v acha que Hobsbawn não era uma droga e ela sim, qual o problema???Assim se vive…

    Luís Carlos

    10 de outubro de 2012 às 10h58

    O problema não está na crítica pura e simplesmente. Pelo contrário. Está sim na forma e conteúdo desqualificado e pretensamente não ideologica feito por Veja e outros de sua mesma espécie. Veja, de forma covarde, omite sua posição absolutamente ideológica na tentativa de se apresentar como neutra. Sabemos que neutro serve apenas para sabão em pó, nunca para a ciência, política ou mesmo para o jornalismo. A covardia é tamanha que sequer assinam o texto. Hobsbawm jamais admitiria não haver crítica a sua posição, mesmo porque a dialética assim o exige.
    Além disso, me permita discordar sobre Jesus Cristo ser o maior de todos. Talvez seja para você e para outras pessoas, mas certamente não é para outros tantos, pelo menos para mim que sou ateu. Certamente para aqueles que o condenaram também não. Jesus seria mais valorizado pelo que foi e não pelo que o transformaram, para ser o que não era, branco, loiro de olhos azuis, em terra de pessoas majoritariamente de pele escura, cabelos e olhos escuros.

    Mário SF Alves

    11 de outubro de 2012 às 15h34

    E por falar nisso o Ebay põe a leilão a carta de Einstein. Aquela onde ele discorre sobre deus e a bíblia.
    Tá no link: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=593778&tm=4&layout=121&visual=49
    Nela afirma o pai da teoria da relatividade, segundo citação publicada no Der Spiegel: “Para mim, a palavra Deus não é mais do que a expressão e o produto e fraquezas humanas, a Bíblia [não é mais do que] uma coletânea de lendas dignas, mas muito primitivas”.
    A carta redigida em alemão e agora leiloada a partir daquele preço astronómico, é curta e grossa: contém apenas 435 palavras, pelo que cada uma delas custaria quase 7.000 dólares
    Einstein também não poupa a religião dos seus pais, o judaísmo: “Para mim a religião judaica não falseada é, como todas as outras religiões, uma encarnação da superstição primitiva”.
    E acrescenta: “O povo judeu, ao qual tenho gosto em pertencer, e com cuja mentalidade me identifico profundamente, não tem para mim nenhuma originalidade essencial em relação a todos os outros. Até onde chega a minha experiência, [o povo judeu] também não é melhor do que outros grupos humanos, mesmo que esteja protegido contra as piores degenerescências através da ausência de poder. Por isso não consigo ver nele nada de [povo] ‘eleito'”.
    O destinatário da carta, o filósofo Erich Gutkind, é aí mesmo visado por uma dura crítica de Einstein, que considera “doloroso” vê-lo alimentar pretensões, como ser humano e como judeu, a uma posição privilegiada.
    .
    .
    Enquanto isso Malafaia parte com tudo na vã tentativa de elevação político-tutu-espiritual do (en)Cerra.

Jorge Moraes

09 de outubro de 2012 às 21h55

Veja percebeu que sua sobrevivência está ligada à sobrevivência (e, portanto, à reprodução) de uma classe social radicalizada em sua mesquinhez, ávida a justificar sua falta de lugar na história: a classe média brasileira, particularmente a do centro-sul. Intelectualmente débil, mesquinha e violenta, e vivendo de mitos esclerosados, boa parte de seus membros cumprem, com louvor afetado, o triste script de bajular os ricos e humilhar os pobres.

Responder

    Adriano

    10 de outubro de 2012 às 00h38

    Perfeita a sua análise! Como morador de São Paulo-SP e testemunha diária dessa classe truculenta e ignorante, assino embaixo…

Fabio Passos

09 de outubro de 2012 às 21h41

“medíocre, pequena e mal intencionada”
Não há como contestar esta descrição da revista veja pela Associação Nacional de História. rsrs

A revista veja é escrita por e para indigentes intelectuais.
Se na redação da veja inteira um subir no cangote do outro… não alcança as canelas de figuras como Hobsbawm.
Dá até pena.

Responder

Willian

09 de outubro de 2012 às 21h30

Opinião agora só com autorização… Quantas vias precisa do requerimento? Tem que reconhecer firma em cartório?

Responder

    rodrigo

    09 de outubro de 2012 às 22h50

    Dotô Willian com “N”; uma coisa é opinião, outra bem clara é o discurso anticomunista hidrófobo da filial brasileira do NASPERS…

    Mário SF Alves

    11 de outubro de 2012 às 16h14

    Então é isso? Na hora de vender o peixe corporativo, a (in)Veja se desmancha em elogios à performance do Governo Federal?

    “CONJUNTURA ECONÔMICA
    Em 2006, a economia brasileira registrou significativos avanços, com alguns dos principais
    indicadores econômicos atingindo níveis recordes:
    • O risco-país chegou a 192 pontos-base, o menor valor de toda a sua história;
    • A taxa Selic foi reduzida a 13,25% – a menor dos últimos 26 anos;
    • A TJLP foi de 6,9%, a menor dos últimos 12 anos.
    Esse ambiente de estabilidade foi também influenciado pela alta liquidez dos mercados
    internacionais, contribuindo para o aumento do fluxo financeiro de investimentos estrangeiros para
    o Brasil, o que resultou em indicadores bastante positivos no mercado financeiro. O Índice Ibovespa
    subiu 32,9% no ano.”
    .
    .
    E por aí vai muito mais…. Interessante… só que virou as costas o Lula vira “Lula Minha Anta” na maior cara dura.
    .
    E não satisfeitos tocam a fazer pastel de vento:
    .
    “Baseados justamente neste exemplo de espírito pioneiro, empreendedor e ético, nós continuaremos na avançar, escrevendo os futuros capítulos da história da Abril e trabalhando para um Brasil melhor,
    mais moderno, mais justo.”

    A (in)Veja preconizando um Brasil mais moderno, mais justo?!!

    Tá. Agora soltem a do papagaio, a da tia Mariquinha, a da locomotiva desenfreada…

    Ricardo JC

    10 de outubro de 2012 às 12h24

    Você realmente acha que escrever um artigo sobre a morte de um historiador reconhecido mundialmente por seu trabalho (concordando-se ou não com suas teses) e taxá-lo de “idiota moral” é emitir uma opinião? Para mim não passa de uma agressão barata e um desrespeito com alguém que, através de seu trabalho, contribuiu para a compreensão do mundo como ele é hoje. Lamentável!!!

Paulo Oliveira

09 de outubro de 2012 às 21h27

Veja? Esqueça esse lixo! Fique só no veja multi-uso (não to fazendo propaganda) Hobsbawm é eterno!

Responder

Marcos

09 de outubro de 2012 às 21h05

Faria um bem dano se os historiadores simplesmente ignorassem a Veja.
Simples assim.
Eu não leio a Veja, a Folha e o Globo, mas sempre estou me deparando com textos da trinca acima em sites como esse.
Eu não estou interessado como que “pensa” a Veja.

Responder

Pitagoras

09 de outubro de 2012 às 20h55

Veja não tem estatura moral para julgar quem quer que seja. Uma caricatura mal emjambrada de panfletóide, uma excrescência e uma vergonha para a imprensa deste país.

Responder

Rodrigo Leme

09 de outubro de 2012 às 20h35

Lá vem a turma do abaixo-assinado patrulhar a opinião alheia…

Responder

    Abel

    09 de outubro de 2012 às 21h29

    Lá vem os mastins do Graeff patrulhar a Internet…

    CarmenLya

    10 de outubro de 2012 às 11h02

    Abel…que resposta…dei uma boa gargalhada…valeu o dia, hehehe!!!!!

    Ricardo JC

    10 de outubro de 2012 às 12h27

    Opinião? Para mim parece mais uma agressão barata…
    Aliás, já achou a pesquisa do Vox Populi (em SP) que você alardeou em outro post para tentar desqualificar o Azenha, que criticava o comportamento do Datafolha?

    Narr

    10 de outubro de 2012 às 23h43

    Falar mal de Hobsbawn é opinião alheia, falar mal da Veja é patrulhamento?


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