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Centenário de Gonzaga: Evita, Trumann e Dutra na plateia


13/12/2012 - 13h00

Evita, Trumann e Dutra ouviram a sanfona do Rei do Baião
13/12/2012 – 10h16

por Marli Moreira

Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Luiz Gonzaga tocou sanfona para Evita Perón, para o um presidente dos Estados Unidos, Harry Trumann e para o marechal Eurico Gaspar Dutra, quando presidiu o país. Ele também fez campanha política para Carlos Lacerda e Jânio Quadros. Entre as canções preferidas de do sanfoneiro estavam a Triste Partida, do poeta popular Patativa do Assaré e Asa Branca. Ele também teve obras gravadas em japonês, inglês, francês, espanhol, coreano e até rapanui, idioma oficial da Ilha de Páscoa, na Polinésia.

Essas curiosidades constam do novo livro de Assis Ângelo, que será lançado hoje (13) na Livraria da Editora Cortez, em Perdizes, zona oeste da cidade. Na última terça feira (11), a obra foi apresentada no restaurante Andrade, em Pinheiros, também na zona oeste, com um show do sanfoneiro Chambinho do Acordeom, um dos intérpretes de Lua no filme Gonzaga – De Pai para Filho, do diretor Breno Silveira.

A escolha do local teve um motivo especial: inaugurado há 41 anos, foi o primeiro estabelecimento especializado em culinária nordestina. Era lá que Gonzaga gostava de fazer as refeições quando vinha a São Paulo.

“Dez dias antes de sua morte [em 2 de agosto de 1989], ele veio jantar. Tinha ficado meu amigo”, conta o fundador do restaurante, Manoel Leite de Andrade, de 67 anos. Segundo ele, depois de tantos anos sustentando o peso da sanfona e com problemas de saúde, Gonzaga passou a ter dificuldade para caminhar, com dor nas pernas e nas costas.

“Por isso, naquele dia, eu fui até o carro, o peguei no colo e o carreguei até acomodá-lo à mesa”. Andrade conta que, apesar de conversar pouco, ele era gentil com as pessoas que iam cumprimentá-lo. Se fosse uma moça a abordá-lo, ele disparava com irreverência: “Ainda tô fazendo cartaz”.

Sempre pedia carne-seca desfiada com feijão de corda e mandioca cozida e, toda vez que aparecia, ligava antes. Tinha hábito de usar uma calça branca e camisa listrada, diferentemente, da performance no palco. Fazia questão de pegar na sanfona e cantar duas ou três músicas sem nada cobrar por isso. Andrade diz ter orgulho dessa proximidade com alguém que ele vê como “uma lenda”. “Em um dos shows oficiais na cidade, ele me homenageou, citando a minha presença no local”, diz orgulhoso.

Edição: Tereza Barbosa

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