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Diário da Resistência


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Caixa tira do ar anúncio que retrata Machado de Assis como branco


20/09/2011 - 23h55

por William Maia, do Última Instância, dica de Luana Tolentino

A Caixa Econômica Federal suspendeu a veiculação de uma campanha publicitária sobre os 150 anos do banco que retrata o escritor Machado de Assis como um homem branco. A decisão veio após protestos na Internet e um pedido formal da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), órgão do governo federal com status de ministério.

O comercial criado pela agência Borghierh/Lowe viaja no tempo para mostrar que até os “imortais” foram correntistas do banco público. O problema é que o ator que representa o fundador da Academia Brasileira de Letras e autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é branco, sendo que o escritor era mulato.

Na nota oficial em que anuncia a interrupção da propaganda, a Caixa “pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial”.

Nesta segunda-feira, também em comunicado oficial, a Seppir classificou como “uma solução publicitária de todo inadequada” a escolha de um ator branco para interpretar Machado, por “por contribuir para a invisibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas relevantes para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, de sua obra e seu contexto histórico”.

Além de pedir a suspensão do anúncio, a Seppir encaminhou pedidos de providencias ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o Ministério Público Federal.

Leia abaixo a íntegra do comunicado da Caixa:

A Caixa Econômica F ederal informa que suspendeu a veiculação de sua última peça publicitária, a qual teve como personagem o escritor Machado de Assis. O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial.

A CAIXA reafirma que, nos seus 150 anos de existência, sempre buscou retratar, em suas peças publicitárias, toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país. Esta política pode ser reconhecida em muitas das ações de comunicação, algumas realizadas em parceria e com o apoio dos movimentos sociais e da Secretaria de Política e Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal.

A CAIXA nasceu coma missão de ser o banco de todos, e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, idosos ou qualquer outra diferença social ou racial.

PS do Viomundo: Seguem três comentários no Facebook a respeito do assunto:

Jussara Pimenta: O “Branco do Cosme Velho” seria mais apropriado para esse absurdo. Será que cometeriam o “engano” de retratar um “imortal” branco sendo representado por um ator negro? Claro que não.O “branqueamento” do imortal do Cosme Velho não foi um descuido como a princípio se quer fazer acreditar.
José Roberto Bonifácio: Realmente havia algo estranho naquela peça publicitária e é notório que um Machado mulato ofende as suscetibilidades da classe média carioca e brasileira ainda não habituada à mudança e à mobilidade sociais.
Francisco Dourado: faz tempo q querem branquiar o Machado

Leia também:

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



60 comentários

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Fabricante de camisinha tira anúncio polêmico do ar « Viomundo – O que você não vê na mídia

30 de julho de 2012 às 18h25

[…] Caixa tira do ar anúncio que retrata Machado de Assis como branco […]

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Lira Alli: Camisinha Prudence faz apologia ao estupro « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de julho de 2012 às 15h56

[…] Caixa tira do ar anúncio que retrata Machado de Assis como branco […]

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Caixa fará novo anúncio com Machado de Assis | Viomundo - O que você não vê na mídia

26 de setembro de 2011 às 14h03

[…] Caixa tira do ar anúncio que retrata Machado de Assis como branco […]

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marcosomag

25 de setembro de 2011 às 21h49

Notei de cara todo mundo branco na agência da Caixa do século 19. Ainda pensei: "acho que agora vão mostrar a Torre Eiffel…" Agências de publicidade sabem muito bem quais são os públicos-alvos de seus anúncios. No caso de um banco, elas sabem que são correntistas da camada média da sociedade cujas opiniões são moldadas pela mídia conservadora. Os únicos negros que tais clientes toleram em agências bancárias são os vigilantes, a "tia" do cafézinho e funcionários da limpeza. O branqueamento do anúncio não teve nada de casual.

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Ronaldo Irion

23 de setembro de 2011 às 19h07

Para se redimir da propaganda enganosa, sugiro que a Caixa refilme a cena com um Machado de Assis negro, como de fato era, para ser fiel à história. E se não quiser se indispor com a elite tupiniquim maldisfarçadamente racista e complexada, quem sabe tentem utilizar como protagonista o Pelé! (que é o único negro "assimilado" pela sociedade brasileira). Haja hipocrisia!

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Letícia D'Andrea

23 de setembro de 2011 às 11h49

Quando era criança, ouvi, muits vezes, pessoas falando que o negro ou o mulato tinha que se casar com branco para "melhorar a raça". Hoje, felizmente, isso já acabou,
Quanto ao reclame da Caixa Econômica, assisti muitas vezes na CNT e, sinceramente, não reparei. Acho que alguém já escreveu que só quem é racista prestou atenção nesse detalhe,
Penso que o Brasil tem tantos problemas de maus governos, corrupção, vandalismo para serem resolvidos , que seria de somenos importância um detalhe tão pequeno.
O MACHADO DE ASSIS, negro ou branco, foi um dos melhores escritores do Brasil. Louvemo-lo e basta!!!!!
Letícia

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Alexandre Felix

22 de setembro de 2011 às 10h28

Saiu hoje, na Bolha de São Pedro, um texto de um famoso professor de português sobre o VT da Caixa. Resumindo, ele coloca panos quentes e justifica a presepada toda como "pura e simplesmente desinformação". Lamento que alguém com um espaço tão grande na mídia ignore um preconceito tão tolo. Foi racismo sim! Que se explique a falta intenção, o que não justifica o erro. Me pergunto: qual a dificuldade em entender o racismo neste VT? Felizmente, para cada professor "estrelão" existem centenas de outros batalhadores. Um grande abraço aos batalhadores!

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Ivan Jotta

22 de setembro de 2011 às 00h31

Viva a Ana Maria Gonçalves q escreveu um artigo espetacular chamando a atenção para o grave erro da Caixa!!!

E parabéns ao Azenha q publicou o artigo da Ana aqui em seu blog!

Muito bom!

Vc presta um grande serviço à nação diferente de setores da grande mídia q fazem questão de desprezar a questão racial brasileira.

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Ronaldo Irion

21 de setembro de 2011 às 23h53

Mais um pouco e vão filmar um Machado de Assis nazista e de olhos azuis! Haja complexo de inferioridade e racismo mal-disfarçado (e, para piorar, oficial!)…

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Elza

21 de setembro de 2011 às 23h08

Eu não entendi pq meu comentário ñ foi publicado. Dar pra vc dizer Azenha?
Abs.

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Polly

21 de setembro de 2011 às 16h51

O que todos esqueceram é que Machado não era apenas mulato, além disso ele era gago, epilético e de origem pobre, filho de uma lavadeira. Eles retrataram um senhor branco com ar de fidalgo, isso é um verdadeiro desrespeito a história desse grande homem e a memória do nosso país.

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Colombo

21 de setembro de 2011 às 16h44

Quando o assunto é racismo é sempre bom indicar o manjado documentário "Olhos Azuis – Jane Elliott"
É uma experiência esclarecedora.

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Luci

21 de setembro de 2011 às 16h30

Consciência de que nossa história foi integrada ao que não existe. Pela implantação da Lei 10639/03.Onde é que foi parar o dinheiro dos escravos depositados em poupança, como pergunta Ana Maria Gonçalves em seu excelente artigo na Revista Fórum????????
Pela verdade sobre a história do povo negro no Brasil, chega de farsismos e mentiras, de políticas embranquecimento e de privilégios bancados com o sacrifício das minorias.

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Joe

21 de setembro de 2011 às 16h29

Só que não tirou não!!! Acabo de ver a tal propagando com o Seu Machado Branquinho na Globbels News!!
PS: Essas agências de propaganda……

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Valdete Lima

21 de setembro de 2011 às 15h18

Caríssimo Azenha
Como militante do Movimento Negro, sinto-me gratíssima que você tenha postado este assunto. A questão é: se colocassem um negro para fazer o papel de uma pessoa sabidamente branca, que diria a sociedade… Antônio Pompeu ou Zózimo Bubul no papel de Tiradentes.. Também não culpo a agência por não saber que Machado não era branco. Culpo a Caixa, ''pero no mucho''. Porque há muitíssimo pouco tempo, o brasileiro não sabia que o fundador da ABL era negro! Minha geração leu Machado mas, nunca passou pela cabeça que ele era um mulato epiléptico! A necessidade de embranquecer a sociedade brasileira fez com que t o d o s os brasileiros pensassem – dada a genialidade dele que, supostamente, era coisa só de brancos – que ele era filho de lavadeira e era negro! Ou seja, ocultou-se o que ele queria que fosse ocultado! Nunca se sentiu negro, o velho e bom Machado. Mas, a Caixa e todo o departamento de pesquisa, teria que saber. Enfim, estamos no tempo que todos os males serão reparados. Haja vista a Comissão da Verdade que vem aí…

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Duarte

21 de setembro de 2011 às 14h50

Senti o drama, se for um mulato não tem o perfil que a caixa quer, pois branco vende mais, não é. Pior um dia quando forem fazer uma propaganda com Pelé o ator for branco de novo.

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Jota Ricardo

21 de setembro de 2011 às 14h39

O certo seria refazer o comercial.Observando melhor, nem nas ruas próximas ao banco, aparece um mulato,um mestiço. Quando o ''Alexandre Garcia'' chega ao balcão, aparece de relance o único não – sueco do filme(tirando a Glória Pires, é claro). O pior de todo o episódio é a naturalização da Dinamarquização na mídia, afinal nas novelas, com a desculpa da alta definição, enchem de ''pó-de arroz'' os atores.Conversa fiada. É a ideologia do branqueamento mesmo!

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SôniaG.

21 de setembro de 2011 às 13h10

Sempre que houver 'equivocos' desse tipo e a sociedade reagir como o fez nesse caso, o país vai, devagar pondo os pingos nos ís.Boa providência da Caixa.

Responder

Fátima

21 de setembro de 2011 às 12h50

O mais triste disso tudo é que o próprio Machado não se sentia à vontade com sua origem.

Responder

    Luana

    21 de setembro de 2011 às 16h46

    Quem disse isso? Quem escreveu isso? Não compactue com as idéias racistas, Fátima! A tentativa de "branqueamento" não foi do próprio Machado, e sim da elite que não aceitava (e ainda não aceita) o fato do maior escritor deste país ser negro. Machado, através de seus escritos denunciou os males da escravidão e maneira pervesa que esta incidia na vida dos negros, ainda que libertos. A diferença que não usou o tom panfletário de outros autores.

    Vinícius

    22 de setembro de 2011 às 09h08

    O artigo do viomundo anterior a este deixa claro isto.

    E outra, não é porque ele denunciou (um pouco) a escravidão que ele não era, a seu modo, racista (no caso, um auto-depreciativo). Racismo e compaixão conviviam e aliás, convivem até hoje. Entre comigo numa máquina do tempo. Vamos pousar nos anos 1930. Quantos brasileiros aprovariam a escravidão? Hah, mas nenhum mesmo. Mas a quantas andava o racismo naquela época? Bem forte né?

    Tal qual muita gente que comemorou nas ruas a Lei Áurea De 1888 (é isso…?) não deixaria a filha casar com um mulatinho. Mesmo que a filha fosse mulatinha!

Vavá

21 de setembro de 2011 às 12h13

Fosse outro o governo, estariam atacando Presidente, Ministros, etc, chamando-os de racistas, fascistas, etc.

Responder

Bruna

21 de setembro de 2011 às 12h10

No site dos 150 anos da Caixa o vídeo continua.

Responder

Alexandre Felix

21 de setembro de 2011 às 11h51

Sinceramente…não vejo nada de grandioso nas desculpas da Caixa. Se a coisa não tomasse a dimensão que tomou, difilcilmente o VT sairia do ar. Na real, eles estão preocupados com a repercussão negativa da coisa…não com o fato de incentivarem uma atitude claramente racista.

Responder

Raquel C.

21 de setembro de 2011 às 11h45

Ao meu ver um comunicado publicado pela internet não é o suficiente para reparar o dano que causou. Milhares de pessoas que assistiram a este comercial e não sabiam que Machado era mulato, continuarão achando que é branco.
A CEF deveria publicar uma nota no mesmo meio em que veiculou o comercial: ou seja, na televisão, no mesmo canal e horários em que passou a peça anterior.

Responder

Marcelo de Matos

21 de setembro de 2011 às 11h44

Será que O Evangelho Segundo Matheus, de Pier Paolo Passolini, seria censurado no Brasil de hoje? Pergunto porque o catalão Enrique Irazoqui tinha a cútis alvíssima, fora dos possívels padrões estéticos de um personagem que deambulava pelos desertos da Galiléia, presumivelmente de tez morena e áspera.

Responder

Daniel Pires

21 de setembro de 2011 às 11h31

Toda publicidade tem que antes passar pela aprovação de um corpo de diretores da empresa contratante.
Será que esse pessoal que trabalha na caixa não tem o menor nível de cultura? Foi crime de intolerancia racial mesmo? ou são imbecis a serviço do estado? Acredito na primeira possibilidade.

Responder

EUNAOSABIA

21 de setembro de 2011 às 11h13

Aqueles panfleteiros que gostam de copiar e colar textos madorrentos, inúteis, enormes e dos outros (ninguém lê claro, não passam de poluidores do Blog), mas pois bem, estes sumiram do espaço.

ai ai ai, se essa propaganda fosse num governo do PSDB.

Toda essa rede a serviço do partido já estaria mobilizada, e no modo "Full Power""…

CPI, greve de fome de alguns deles, denúncia de racismo na OEA, pedido de investigação na comissão de direitos humanos na ONU, seriam algumas medidas adotadas, só para começar.

É claro que a CEF, muito menos o PT ou o governo nem de longe são racistas, seria demais fazer uma acusação dessas, não são mesmo, mas que foi uma lambança monstra foi.

Mas é aquilo que eu digo, ai ai ai se fosse num governo tucano…

Pelo menos serviu de lição!

Responder

Marcelo de Matos

21 de setembro de 2011 às 11h07

Antes de causar prejuízo injustificável a uma autarquia que tem cumprido de forma satisfatória as atividades para as quais foi criada, os movimentos ligados às causas raciais deveriam raciocinar um pouco mais. Espantoso que essa iniciativa tenha sido encampada por uma secretaria de governo com status de ministério. O que são políticas de promoção da igualdade racial? Impedir que um ator branco represente papel de personalidade afro-descendente? Escrava Isaura foi a primeira telenovela brasileira exportada para a Europa. Na China, Lucélia Santos é até hoje reverenciada. Outro dia ela disse no programa do Amauri Júnior: chega de China! Já fui muitas vezes para lá. Agora quero ir mais para a Índia. O diretor de filmes, novelas e comerciais deve ter liberdade para escolher seus atores. Não pode ser manietado por movimentos sociais ou secretarias de governo. Não só Lucélia Santos, mas, também Bianca Rinaldi, representou a Escrava Isaura. Os nossos movimentos sociais precisam cuidar de questões mais sérias.

Responder

    Cláudia M.

    21 de setembro de 2011 às 11h44

    Marcelo, trata-se de uma ironia, né não?!

    Vinícius

    21 de setembro de 2011 às 13h58

    Marcelo, o mundo não vai acabar por causa da propaganda. Mas que o Machado era mulato, ele era. Lembra daquele jogador, não sei de que time, que passava pó de arroz pra entrar em campo? Era por causa do racismo. Foi exatemente o que aconteceu com o Machado dessa vez, passaram pó de arroz no homem!

    Aleks

    21 de setembro de 2011 às 14h15

    Marcelo, numa peça publicitária que mostra um ícone de nossa literatura, que era NEGRO, você acha correto que seja interpretado por uma ator que na peça é mostrado um Machado de Assis como branco? Você deve estar de brincadeira? Não é mesmo?
    Aleks

Raul Ravanelli Neto

21 de setembro de 2011 às 10h41

Muito Bonito a Caixa reconhecer o absurdo cometido.. Parabéns a ela e a todos se se preocuparam com a questão…

Responder

Julio Silveira

21 de setembro de 2011 às 10h06

Tá explicado, com esse nome, Borghierh/Lowe, a agência só podia mesmo desconhecer a história da cultura nacional e consequentemente da história do Brasil.
A Caixa precisa estar mais atenta a quem lhe presta serviços.

Responder

JORGE

21 de setembro de 2011 às 09h54

Azenha

Parabéns à Caixa Econômica Federal, pela humildade e reconhecimento do erro.

Agora entendo que pode repetir a publicidade com um novo ator. Machado de Assis merece.

Responder

Gerson Carneiro

21 de setembro de 2011 às 09h07

A pergunta "Quando é que o negro vai parar de se sentir inferior ao branco?" feita pelo comentarista Gustavo Pamplona me faz transcrever um trecho de um material que estou estudando:

"Na verdade, o legado da escravidão para o branco é um assunto que o país não quer discutir, pois os brancos saíram da escravidão com uma herança simbólica e concreta extremamente positiva, fruto da apropriação do trabalho de quatro séculos de outro grupo. Há benefícios concretos e simbólicos em se evitar
caracterizar o lugar ocupado pelo branco na história do Brasil. Este silêncio e cegueira permitem não prestar contas, não compensar, não indenizar os negros: no final das contas, são interesses econômicos em jogo. Por essa razão, políticas compensatórias ou de ação afirmativa são taxadas de protecionistas, cuja meta é
premiar a incompetência negra etc., etc. Como nos mostra Denise Jodelet (1989), políticas públicas direcionadas àqueles que foram excluídos de nossos mercados materiais ou simbólicos não são direitos, mas sim favores das elites dominantes."

BRANQUEAMENTO E BRANQUITUDE NO BRASIL In: Psicologia social do racismo – estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil / Iray Carone, Maria Aparecida Silva Bento ( Organizadoras) Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p. (25-58)

Responder

Caracol

21 de setembro de 2011 às 07h21

Caraca! Que roubada! Que fria, que vergonha! Acontece que eu, nas raras vezes que assisto televisão, corto o som (fica ótimo, a babaquice só visual é mais tolerável) e por essa razão, vendo o tal comercial com aquele branco azedo, eu nunca imaginei que ele estivesse personificando o Machado. Caraca, como é que a coisa baixa a esse nível! Instituições com essa grana toda, desde o cliente à agência (Borghierh/Lowe, que chique!), tanto babaca endinheirado de colarinho branco envolvido e não tem ninguém que alerta pra essa fria?! Gente, é claro que existe racismo, mas o escândalo maior não está nem nisso, está sim no baixo nível desses babacas todos! Tesconjuro, será que essa coisa pega? Vou desligar a TV toda a partir de agora – som E imagem – esse negócio é um perigo!
Na condição de branco estou morrendo de vergonha, olhaí turma, desculpem, tá? o maior escritor brasileiro é negro sim, com muita honra.
(Caraca, que rabuda… que babacas…)

Responder

    leo

    21 de setembro de 2011 às 09h13

    "Branco azedo"?
    "Gente, é claro que existe racismo, mas o escândalo maior não está nem nisso, está sim no baixo nível desses babacas todos! Tesconjuro, será que essa coisa pega?"

    jose miguel

    21 de setembro de 2011 às 09h37

    Me sinto orgulho de ter postado essa propaganda racista em meu facebook! Os caras dessa agência e o povo do Markting da Caixa "é tudo uns bando de ignorante", assim mesmo, com o erro de concordância, porque só assim pode ser que eles entendam. Será que elas já ouviram falar de Dom Casmurro? kkkkkkk

JOSE DANTAS

21 de setembro de 2011 às 07h07

Quanto custa ao País de brancos e negros um ministério dedicado a resolver questões dessa dimensão, já que as mais graves em torno do racismo simplesmente deveriam ser punidas pela Lei e sob o comando do ministério da justiça?

Na verdade racista é quem presta atenção nesse tipo de detalhe.

Responder

    Reinaldo C. Zanardi

    21 de setembro de 2011 às 08h30

    José,
    Os negros são invisíveis e a sociedade em geral não quer dar visibilidade ao negro.
    Um branco interpretanto um imortal negro não é detalhe. É racismo.

    Alexandre Felix

    21 de setembro de 2011 às 11h48

    Certamente tu não és negro…cara pálida.

    JOSE DANTAS

    22 de setembro de 2011 às 06h59

    Nem sou branco nem preto, como a maioria dos brasileiros e assim não vejo nada de errado com os negros e cara pálidas. Pensar diferente não seria racismo? Ou o racismo só vale quando é praticado contra os negros?

    vinteculturaesociedade

    21 de setembro de 2011 às 12h43

    José, sinceramente… Se você não consegue ver como ato racista um ato racista, deveria abster-se de comentar o que não consegue entender.

Gustavo Pamplona

21 de setembro de 2011 às 01h57

É por estas e outras que o "racismo" nunca vai acabar… Já fiz esta pergunta aqui uma vez e faço de novo….

Quando é que o negro vai parar de se sentir inferior ao branco?

Responder

    Reinaldo C. Zanardi

    21 de setembro de 2011 às 08h32

    Gustavo,
    É o negro que se sente inferior ao branco ou o branco que insiste em inferiorizar o negro?

    Gustavo Pamplona

    21 de setembro de 2011 às 12h52

    Eu te pergunto:

    Existe algum "Dia Nacional da Consciência Branca" como o "Dia Nacional da Consciência Negra"

    Eu por ser branco, posso ser acusado de "racista" mas se um negro me discriminar eu posso acusá-lo de ser "racista"?

    Raquel C.

    21 de setembro de 2011 às 15h07

    Por que razão você acha que é necessário um "dia nacional da consciência branca"?

    Márcio Gaspar

    21 de setembro de 2011 às 15h14

    Porque será que existe este dia? Será que é por capricho dos negros que ao longo dos séculos sempre foram bem tratados pelos brancos aqui neste Brasil? Acho que os idealizadores da campanha com um Machado de Assis branco, pensaram que isso iria passar em branco.

    Ana Giulia Zortea

    21 de setembro de 2011 às 20h06

    Gustavo minha tia é advogada e ela sempre me fala que a lei que proíbe discriminação é bem clara.
    Discriminação de raça defende todas as raças, isto quer dizer que se um negro cometer um ato de discriminação contra um branco ele também estará cometendo um crime sim, o mesmo serve para japonês, indio, etc.
    Mas a verdade é que nunca ouvi falar que um branco foi discriminado por um negro, porque será???
    Seria porque os brancos são tão bonzinhos que não querem usar esta lei para se defenderem??? Ou seria porque este tipo de atitude é típico de algumas pessoas da raça branca que se sentem superior??? Não estou aqui dizendo que todos os brancos são racistas, e nem que todos os negros são vitimas. Mas que existe racismo existe sim, este é um fato que não da pra negar. Basta ligar a TV pra chegar a essa conclusão. Mas se mesmo assim não te convenceres e achares que os negros se acham inferiores, te digo nada melhor do que sentir na pele, faça o seguinte: se pinte uma semana de negro mude seu cabelo e saia por ai pedindo um emprego podes usar até seu diploma( se o tens) quanto mais qualificado melhor e procure disputar vagas sempre com pessoas que sabes que não tem os mesmos diplomas que você, mas que são brancos e espere pelo resultado, depois vá pegar taxi,alguns( uma minoria, mas existe) não param para pessoas negras, passe por esta experiência só assim poderás dizer com toda firmeza que falas aqui que racismo não existe e que os negros que se sentem inferiores, caso contrário, por favor pense duas vezes antes de falar o que nunca sentisses na pele.

    Gerson Carneiro

    21 de setembro de 2011 às 08h44

    Smurf Ogênio,

    Não entrarei em longa discussão contigo. Só no Brasil são cinco séculos que o negro vem sendo submetido a se sentir inferior. Como exemplo, dê uma olhada no último comercial do partido dos Democratas e observe qual a posição em que ali o negro foi colocado.

    WitchDoctress/SP

    21 de setembro de 2011 às 14h44

    Gerson,

    Entretanto, a transcendência é possível. Eu sou negra, nunca me senti inferior a brancos e, como eu, existem muitos! Quanto mais nos expressarmos e lutarmos por nossos direitos, menos comentários desnecessários surgirão em blogs progressistas (!) e outros, sobre a nossa condição (não estou falando de você!). Não é "o que a História fez conosco". É "o que faremos de nós mesmos, daqui pra frente"! É uma pena que alguns daqui e d'além não conheçam negros dignos. É uma experiência bacanérrima pra "expandir os horizontes"!;p

    Gerson Carneiro

    21 de setembro de 2011 às 18h26

    WitchDoctress/SP,

    Entendo perfeitamente sobre a possibilidade da transcendência e sobre a necessidade de luta e expressão. O que digo é que os que não se livraram do estigma não podem ser simplesmente culpabilizados.

    Ze Duarte

    21 de setembro de 2011 às 10h52

    Por isso que me sinto aliviado porque enxergo pessoas e não raças… é como cor do cabelo ou dos olhos

    Luci

    21 de setembro de 2011 às 16h24

    Estamos falando de fatos verídicos da história que o senhor não aprendeu na escola.
    Quando é que o senhor vai deixar de ser intolerante e insensível. Ouça mais, dialogue mais e o senhor compreenderá melhor que este espaço é público e democrático construído por Azenha em parceria com a Conceição, num belo exemplo de estímulo ao debate de idéias plurais e à cidadania participativa.

Elza

21 de setembro de 2011 às 01h40

Que gafe ou vergonha mesmo essa da CEF, nem sei de quem é a maior responsabilidade se da agência, ou da própria Caixa, os dois, pois acredito que os comerciais passam pela aprovação do cliente.
Como está ainda impregnado no Brasil essa questão do branqueamento….. affff. Essa é a vantagem da Internet

Resta saber quem vai pagar a conta. A agência vai refazer o comercial, colocando um ator afro-brasileiro? Ou simplesmente pague-se…..

"A CAIXA nasceu coma missão de ser o banco de todos, e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, idosos ou qualquer outra diferença social ou racial." Sei ñao este comercial foi um tremendo "ato falho".

Responder

Esdras

21 de setembro de 2011 às 01h17

Como eu desgosto da palavra "afro-brasileiro" para designar os brasileiros negros…

Para mim, afro-brasileiro é alguém que nasceu na África e tá vivendo no Brasil (ou vice-versa).

Se o negro nasceu no Brasil, ele é brasileiro. Ou agora vamos ter que falar em euro-brasileiro, ásio-brasileiro, …
Parece coisa de americano, "ele é afro-americano, é daqui, mas a origem dele não é daqui, o lugar dele não é aqui".

Meu pai é italiano, eu nasci no Brasil e já sou brasileiro (simplesmente), aí um negro tem 10 gerações ascendentes nascidas no Brasil, sua família está aqui há 300 anos, mas não deve ser tratado como brasileiro, mas sim afro-brasileiro, para deixar claro de onde sua família é (ou na real tá querendo dizer, de onde ele deveria ser? Já que a família dele é mais daqui do que a minha, mas nem por isso eu recebo 'classificadores').

Responder

    Luis da Matta

    21 de setembro de 2011 às 22h04

    Concordo plenamente com vc Esdras. Quando ouço essa expressão politicamente correta , me causa náuseas. A expressão foi criada, não para se referir à nacionalidade , mas sim à sua origem, à sua etnia.
    Ora, se voce precisa criar uma expressão que funde a origem étnica com a nacionalidade, é por que que o diz é declaradamente um racista. Diga NEGRO e ponto final. Dizer afro brasileiro ou afro descendentes, prá mim soa como dizer "escurinho" ou "moreninho".
    Eu digo negro, digo mulato, digo brasileiro.

Marton Olympio

21 de setembro de 2011 às 01h06

O detalhe mais marcante é que não só Machado é branco como TODO MUNDO É BRANCO no comercial da Caixa. Mais de 40 figurantes em cena e ninguém nem ao menos pardo.
Como o Rio de Janeiro escureceu.

Responder

Luana

21 de setembro de 2011 às 00h44

A melhor notícia do dia!

A luta continua!

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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.