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Gilberto Maringoni: Os limites da campanha contra a corrupção


12/09/2011 - 17h28

DEBATE ABERTO

Os limites da campanha contra a corrupção

Ao repelir a política, as manifestações contra a corrupção jogam uma cortina de fumaça no problema real e não incidem sobre as disputas em curso que podem atacar a farra nos cofres públicos. E recebem amplo destaque de uma mídia que não está muito interessada em desvendar as causas da corrupção.

por Gilberto Maringoni*, na Carta Maior, por sugestão da Ale Peixoto

As comemorações de Sete de Setembro foram marcadas, em meia centena de cidades brasileiras, por protestos contra a corrupção. É algo muito positivo. Ninguém tem de se conformar com os constantes roubos e desvios de verba que fragilizam os orçamentos públicos e fazem a festa de dirigentes políticos, altos funcionários e empresários amigos. Corrupção é um tema incendiário. Provoca indignação, raiva e um sentimento de apodrecimento generalizado das instituições políticas.

No entanto, as manifestações foram frustrantes.

Baixa adesão

Convocadas pela internet, em especial pelas redes sociais, os protestos tiveram pouca adesão em relação às expectativas dos ativistas virtuais. Em Brasília, eram esperadas 26 mil pessoas que confirmaram participação via Facebook. Os números divergem. O jornal O Estado de S. Paulo fala na participação de 25 mil, a Folha destaca a adesão de 12 mil e André Barrocal, aqui na Carta Maior, aponta que ,em seu início, o protesto reunia duas mil pessoas. Em São Paulo, das 21 mil aguardadas, apenas 700 apareceram para se manifestar na avenida Paulista.

Não se propõe aqui discutir a convocação de eventos coletivos através de laptops, smartphones, tablets e computadores de mesa.

O problema principal das marchas não é a baixa adesão, mas a diretriz que têm adotado.

Ativistas do PT, do PSDB, do PSOL, do PSTU e do PCdoB que tentaram abrir faixas e bandeiras de suas agremiações foram hostilizados. Alguns dos incentivadores das passeatas alegam que isso macularia seu tom apartidário. Há um viés nesse tipo de movimento, de considerar a corrupção algo inerente ao mundo político. Bingo! Se o caso é esse, neguemos a política!

Aí os problemas se escancaram.

Udenismo

As campanhas pela lisura no trato da coisa pública, como se falava em outros tempos, têm história no Brasil. É uma bandeira social mais do que justa. Mas em várias ocasiões foram desfraldadas pela direita, que sempre tentou dar ao problema uma conotação apenas moralista e não como parte das disputas de interesses na sociedade e da influência que grupos empresariais têm junto ao poder político.

A União Democrática nacional (UDN), por exemplo, partido conservador existente entre 1945 e 1964, notabilizou tanto a prática, que o termo “udenismo” passou a classificar o moralismo estéril contra a corrupção.

Descolados do mundo real, roubos, desvios, favorecimentos e comportamentos assemelhados viram uma questão da honestidade pessoal de cada um, da existência ou não de homens e mulheres de bem, lastreados em sólidos valores morais na gestão do Estado. Há uma simplificação quase infantil nisso e algumas decorrências perversas.

A simplificação está em se dividir o mundo entre pessoas de bem e gente do mal, como nos filmes de aventura. As decorrências estão, em primeiro lugar, em achar que a corrupção é um problema dos indivíduos que estão a cargo dos negócios do Estado, algo de natureza privada. E segundo, a corrupção passa a ser visto como efeito sem causa, uma coisa ligada à metafísica. Existe o político que se vende, mas não existe comprador ou corruptor. O empreiteiro ou banqueiro que azeitou engrenagens da máquina pública com dinheiro farto raramente aparece. Se aparece, não é indiciado. Nessa querela, vence o melhor. O melhor advogado, geralmente o mais caro.

O trato moralizante no combate à corrupção simplifica o problema. Trata desvios como questões de foro íntimo e do caráter de cada um. Para combater a corrupção não seria necessário mudar nada. Apenas trocar as pessoas desonestas por indivíduos honestos e botar os corruptos na cadeia. O mundo como ele é, as desigualdades sociais, as relações de poder e tudo o mais podem seguir adiante.

Público e privado

O corruptor, na maioria dos casos, não faz parte da esfera pública, mas da vida empresarial, logo privada. Como dinheiro privado é da conta de cada um – não se pergunte de onde veio – não há nada a condenar. Daí os raríssimos casos de empresários e banqueiros julgados por terem participado de esquemas suspeitos envolvendo o poder público.

Há uma lógica liberal nisso tudo. A corrupção no aparelho de Estado é condenada, mas sua equivalente no mundo privado, não. É bom lembrar que um dos argumentos para a desbragada venda de estatais nos anos 1990 era o fato de elas serem foco de corrupção, o que, deduzia-se, não ocorreria em empresas privadas, movidas pela eficiência e busca de resultados.

Na dinâmica simplista, a corrupção é algo característico dos “políticos” e própria do Estado. Quanto menos “políticos” e quanto menos Estado, menos corrupção.

Assim, nada mais lógico que partidos – organismos “políticos” próprios para a disputa do poder de Estado – sejam expulsos das marchas. É bom sempre lembrar que uma das ideias disseminadas na época do golpe de 1964 foi a de que colocar as forças armadas no comando do governo evitaria sua contaminação pela política e pelos “políticos”.

Financiamento privado

O principal fator de corrupção na área pública reside no financiamento privado de campanhas. O funcionamento básico é conhecido: empresas (bancos, empreiteiras, agências de publicidade e outras que prestem serviços ou forneçam materiais ao Estado) fazem polpudas doações a candidatos antes das eleições. Estes, eleitos, devolvem o favor na forma de vultosos contratos, que quase sempre demandam aditamentos e complementações orçamentárias. Muitas vezes, um administrador sequer precisa fazer planos de governo ou de investimentos. As empresas já apresentam projetos, que são materializados em obras de infraestrutura de duvidosa necessidade ou inexplicáveis alocações de recursos.

Alguns dos que mais vociferam contra a corrupção – imprensa, empresários e políticos conservadores – são contra o financiamento público de campanha. Seria uma medida saneadora. A alegação é que dinheiro público não pode alimentar gastança de candidatos.

Trata-se de uma cortina de fumaça. O financiamento público, além de representar um gasto menor diante das negociatas viabilizadas pela troca de favores entre empresas e governos, estabeleceria o fim das campanhas milionárias e a disparidade que leva os mais ricos a terem melhores chances nas disputas. Seria também o fim do caixa 2 e dos “recursos não contabilizados”.

Rejeição no Senado

Como se sabe, O PL 268, que estabelecia o financiamento público foi rejeitado no final de agosto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. Os que impediram a tramitação da matéria são os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Pedro Taques (PDT-MT), Francisco Dornelles (PP-RJ), Sérgio Petecão (PMN-AC), Alvaro Dias (PSDB-PR), Demóstenes Torres (DEM-GO), Armando Monteiro (PTB-PE), Ciro Nogueira (PP-PI) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). São alguns dos mais alardeiam casos de corrupção existentes no governo. Continuarão a demonstrar indignação nas telas de TV e páginas de jornais. Mas se opuseram à criação de um mecanismo que teria consequências devastadoras contra a promiscuidade público-privada (PPP) na administração pública. Não resolveria o problema, mas seria um bom começo.

Tal comportamento encaixa-se perfeitamente ao tom despolitizado das marchas do Dia da Pátria. Desmembra-se o efeito da causa, faz-se muita espuma e daí nada.

Ao repelir a política, as manifestações jogam uma cortina de fumaça no problema real e não incidem sobre as disputas em curso que podem atacar a farra nos cofres públicos. E recebem amplo destaque de uma mídia que não está muito interessada em desvendar as causas da corrupção.

*Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Leia também:

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50 comentários

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Amélia

14 de setembro de 2011 às 08h36

ACABAR COM A CORRUPÇÃO?

E a patricinha da Globo disse para Dilma que os governos PTistas não acabaram com a corrupção.

E a Dilma disse: não vamos acabar com a corrupção. E é isso mesmo. A corrupção não vai acabar nunca, nem aqui nem em lugar nenhum do mundo.

Agora, no Brasil, o desempenho do Judiciário estimula a prática da corrupção: na maioria dos casos, o corrupto não é punido, muito menos o corruptor. É como se um existisse sem a existência do outro.

Exceto algumas matérias publicadas nos blogs, a grande imprensa, que se beneficia com a corrupção, discute abobrinhas. Gente cretina.

É como disse aqui um internauta: Tô com Dilma e não abro. Sem a política só nos resta a ditadura. E é nesse ambiente que a corrupção prolifera. Como e quando foi que a Rede Globo e o SBT foram criados? Durante a Ditadura.

A ditadura "acabou" com a corrupção porque quem comentasse a respeito seria considerado subversivo. FHC "acabou" com a corrupçao porque o Geraldo Brindeiro engavetava todas as denúncias de corrupçao.

Para acabar de fato com a corrupção no Brasil, a parte não podre do poder judiciário teria que mandar prender todos os donos de empreiteiras, milhares de prefeitos, vereadores, senadores e deputados, milhões de sonegadores de impostos (e não me refiro só a imposto de renda), e talvez até a minha própria pessoa. Seria uma calamidade pública.

Dilma foi eleita para governar. A apuração dos escândalos de corrução cabe a polícia, e a punição ao poder judiciário.

Responder

Morvan

14 de setembro de 2011 às 00h15

Boa noite.
Pela posição assumida pelo político podemos saber "em qual time ele joga". Por exemplo, se pegarmos depoimentos de 100 (cem) políticos sobre financiamento público de campanha, é possível sabermos com elevado grau de precisão se é um político "com luz própria" ou um pau-mandado das empreiteiras, dos laboratórios, da "bancada da bola", etc.

Vejam só o seguinte papo entre José Serra (sim, o Zé Torquemada) e um leitor, no sítio do próprio "Padim":

Qual a sua posição sobre o Financiamento Público de Campanha e a figura do suplente? (enviada por Paulo Roberto Monteiro)

Resposta José Serra – Sou contra o Financiamento Público de Campanha, pois daria mais poder à burocracia partidária, não evitaria o caixa dois – pelo contrário, aumentaria.
Fonte: http://www.joseserra.com.br/ (texto informativo sobre o tópico colhido no CAf).

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

    multiplus

    14 de setembro de 2011 às 11h11

    na boa… seu argumento é tosco demais!

    quer dizer q se o cidadão pensa como vc, tem "luz própria"…

    se discorda, é "pau-mandado das empreiteiras, dos laboratórios, da "bancada da bola", etc."

    q beleza de "raçocinu"

    cronopio

    16 de setembro de 2011 às 12h03

    É verdade, as empreiteiras são boazinhas!

    multiplus

    16 de setembro de 2011 às 15h33

    falta a vc honestidade!

    vc além de fraco, é mentiroso quando afirma q eu, de alguma forma, defendo as empreiteiras…

    procure em algum dos meus comentários, 1 linha se quer onde eu defendo as empreiteiras!

    não vai achar!

    alias, justamente por saber q o jogo é muito pesado e sujo, q eu acho q financiamento público de campanha não serve pra nada no combate à corrupção…

Pedro

13 de setembro de 2011 às 21h39

Eu sabia que não iria demorar pro Azenha demonizar os protestos contra a corrupção. Vc sao engraçados, quer dizer que protestar é um monopólio das esquerdas?

Responder

    Fabio_Passos

    13 de setembro de 2011 às 23h07

    Quer saber algo que é realmente hilário?
    É leitor de veja fingir que é contra a corrupção…

    O PIG é corrupto até o tutano do osso.

    Pedro

    14 de setembro de 2011 às 17h51

    Responda-me a pergunta: Só as esquerdas devem ter o direito de protestar?

    cronopio

    16 de setembro de 2011 às 11h56

    O último grande protesto direita brasileira culminou em golpe militar, espero que você não esteja sugerindo algo parecido…

    Pedro Brasileiro

    20 de setembro de 2011 às 21h42

    Meu amigo, vc sabe quantas ditaduras de direita existem atualmente no mundo?

    E de esquerdas?

maísa

13 de setembro de 2011 às 19h42

Excelente o artigo; Instrumentaliza a compreender , o como e o porque, da corrupção, sem cair no moralismo de areia movediça…a despolitização, objetivo maior de uma antiga direita udenista.

Responder

maísa

13 de setembro de 2011 às 19h37

Azenha,
Este artigo foi publicado aqui, na Bahia, há dois anos. Se foro caso, publique.
Abraços,
Maísa Paranhos

O Rinoceronte e o sentido da política

Artigo publicado no OPINIÃO do jornal A TARDE
Salvador, BA, em 14 de outubro de 2009
Maísa Paranhos

Na década de 50, o dramaturgo romeno/francês Eugène Ionesco escreveu uma peça de teatro O Rinoceronte, cuja inspiração inicial foi a indiferença da sociedade alemã durante a ascensão nazista.
Assim, no teatro do Absurdo, cada uma das pessoas, após sentir um frenesi quando se deparava com um rinoceronte em cena, tornava-se, ela também, uma besta. Em franca alusão ao que aconteceu na Europa, o dramaturgo faz sua crítica afiada aos que cegavam ou se deixavam impermeáveis a qualquer crítica diante do crescente regime nazista .
A emoção de alguém ao encontrar uma “besta”, ocupa o lugar da consciência e responsabilidade diante da realidade.
Como os textos são tantos quantos forem os seus leitores, relendo hoje a peça de Ionesco, foi-me impossível não trazê-la para o nosso tempo.Temos visto com freqüência uma crítica severa aos homens e mulheres em exercício do poder público. Diante das mazelas, da corrupção, das falcatruas existentes, assistimos freqüentemente, não sem motivos, discursos inconformados com a falta de ética de uns e a impunidade de outros, virando todos “farinha do mesmo saco”, residindo, justo aí, nossa transformação em rinocerontes. Esquerda e direita passam a ser a mesma coisa e tanto faz se um deputado de um ou outro Partido venha a ocupar os cargos que deliberam sobre as nossas vidas. A idéia que reina é a de que “são todos iguais”. Em vez de construirmos uma política que viabilize a vida da coletividade, tornando-a ética, passamos ao lamento e à desilusão política, terreno perigoso e bastante interessante para os que se beneficiam da impunidade da “terra sem lei”.
Se perdemos nosso discernimento e não conseguimos distinguir o verde do vermelho, a água do óleo, a esquerda da direita, adquirimos a rinoceroncite, cujo vírus mutante nos trará novas roupagens sociais, nos retirando, talvez, a tão propalada responsabilidade cidadã.
A política é a esfera onde a sociedade humana toma forma e ganha existência enquanto tal.. Deve estar embebida, pois, dos desejos e necessidades de todos e, sobretudo, norteada pelo sentido maior do bem comum.

Responder

multiplus

13 de setembro de 2011 às 15h30

"O corruptor, na maioria dos casos, não faz parte da esfera pública, mas da vida empresarial, logo privada."

segundo denuncia da PGU, alguem sabe dizer quais empresas foram usadas pra desviar dinheiro pro MENSALÃO?

Petrobras
CEF
Banco do Brasil
Correios

TODAS de conrole estatal…

o artigo é todo baseado em achismos e opiniões q não se sustentam…

é evidente q existe corruptores no setor privado e corruptos no setor público!

achar q a adoção do "financiamento público de campanha" será uma medida saneadora contra a corrupção é de uma ingenuidade só!

prefiro a aplicação das leis e cadeia pros corruptores e corrompidos!

Responder

    ZePovinho

    13 de setembro de 2011 às 19h02

    E a EMBRATEL e outras empresas de Daniel Dantas que,realmente,colocaram dinheiro PRIVADO no chamado "mensalão"??Elas são estatais ????????????????

    multiplus

    13 de setembro de 2011 às 20h20

    a EMBRATEL não é do Daniel Dantas… e graças a Deus, não é mais estatal!

    sobre o envolvimento de DD no MENSALÃO, quer o telefone do PGU?

    e como eu queria mostrar casos de ESTATAIS usadas em corrupção, dei os exemplos q dei… não duvidei em hora nenhuma q existe corrupção entre empresas privadas (interessadas em grandes contratos) e políticos (eleitos ou não)…

    e continuo achando q "financiamento público de campanha" serve pra NADA em relação à corrupção…

    Erenice Guerra, por exemplo, estava em campanha?

    Acho q a impunidade um estimulo muito maior pra corrupção do q financiamento privado!

    prefiro prender o corrupto e o corruptor do q dar dinheiro público na esperança de fazer o ladrão parar de roubar!

    Joao

    13 de setembro de 2011 às 20h55

    Se você explicar-me o que é o "Mensalão" eu te explico quem são as empresas e os responsáveis.
    Talvez a Patricia Poeta possa lhe ajudar…

    multiplus

    13 de setembro de 2011 às 22h04

    o q é o MENSALÃO?

    não sabe brincar, não brinca!

    rsrs

    luiz pinheiro

    13 de setembro de 2011 às 22h08

    Multiplus, opinar é uma atividade humana básica, portanto não pode deixar de ser livre. Mas o que seu comentário reflete não é uma opinião, nem mesmo um simples achismo, é isso sim uma descarada mentira, a qual, para prosperar, conta com o solo fertilizado pela desinformação sistemática disseminada pela mídia – por incompetência ou vilania, tanto faz – nesses últimos anos. Nem os relatórios das CPIs do Congresso Nacional nem a peça de acusação da Procuradoria Geral da República, recém encaminhada ao Supremo, mencionam qualquer indício de que a Petrobras, ou a CEF, ou o Banco do Brasil, ou mesmo os Correios, tenham sido fonte de recursos para o chamado "mensalão". Essa acusação inexiste – a não ser nesse tipo de comentário desinformativo. Se recursos da Petrobras ou do BB tivessem mesmo sido identificados como fonte do mensalão o ex-presidente Lula teria sofrido processo de impeachment, sem qualquer dúvida.
    Quem de verdade quer combater a corrupção instalada nos meios políticos não pode deixar de apoiar o financiamento público exclusivo.

    multiplus

    14 de setembro de 2011 às 10h11

    "Quem de verdade quer combater a corrupção instalada nos meios políticos não pode deixar de apoiar o financiamento público exclusivo. "

    só esqueceu de dizer q isso é na sua opinião…

    em relação ao MENSALÃO, claro, claro, ele não existiu… é mais uma invenção do PIG…

    luiz pinheiro

    14 de setembro de 2011 às 19h40

    É claro que é a minha opinião. Eu estou aqui expondo uma opinião. Não estou disseminando mentiras, como essa cabeluda de que a Petrobras e outras estatais teriam sido fonte de recursos desse caixa dois batuizado de "mensalão".
    Aliás, essa mentira é tão descarada que voce se contreve e sequer insistiu nela.

    multiplus

    15 de setembro de 2011 às 14h21

    claro, claro…

    vc está certissimo!

    quer q eu assine onde?

    rsrsrs

    ps: para leitura…
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/899855-novo-re
    http://www.romildo.com/blog/noticia/2007/03/bb-no
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_empre

    cronopio

    16 de setembro de 2011 às 11h54

    Luiz, você está coberto de razão. O sr. "Multiplus" é pago para provocar e disseminar propaganda golpista, não tem a intenção nem a competência necessárias para aprofundar o debate. Por isso, sempre que a coisa fica séria, ele se manda. Como não tem possibilidade de manter a discussão, fica trabalhando nos "dedinhos". Ele deve perder um bocado de tempo fazendo isso, mas basta ignorá-lo e continuar pensando por conta própria, deixemo-lo a sós com seus dedinhos infantis.

    multiplus

    16 de setembro de 2011 às 12h34

    noooooooossa…

    sou pago pra provocar? nem tenho competencia pra aprofundar? eu me mando? gostou dos meus "dedinhos"?

    quer dizer q "basta ignora-lo"… como vc está fazendo?

    sei não, mas sei lá…

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

multiplus

13 de setembro de 2011 às 11h07

"O financiamento público, além de representar um gasto menor diante das negociatas viabilizadas pela troca de favores entre empresas e governos" blá blá blá… "Seria também o fim do caixa 2 e dos “recursos não contabilizados”."

apenas uma opinião… e das mais ingênuas!

nada, absolutamente nada garante ou mesmo indica q o financiamento publico de campanha irá inibir os pontos de corrupção!

as grandes armações e negociatas são feitas PELOS ELEITOS (e nomeados, como ministros, por exemplo)e não pelos q querem se eleger…

Responder

    cronopio

    16 de setembro de 2011 às 12h02

    Alguém que acredita no espírito caridoso das grandes empreiteiras vem falar em ingenuidade?

    multiplus

    16 de setembro de 2011 às 18h16

    olha o cornópio aqui de novo, geeeeeeeente!

    moço pegou paixão!?

    xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

    tem pai q é cego!

    rsrsrsrsrs

    cronopio

    18 de setembro de 2011 às 12h55

    Não sou eu que fico perdendo tempo clicando deseperadamente nos dedinhos. Apenas exponho as contradições internas de sua argumentação. Mas você não parece muito interessado no raciocínio. Sugiro que se ponha de gatinhas e vá balançar nas árvores.

    multiplus

    18 de setembro de 2011 às 18h23

    seu raciocinio?

    é… não estou mesmo "muito interessado"!

    agora, siga o seu conselho e ignore meus comentários! não se esqueça q, segundo vc, sou pago pra provocar…

    fraquin vc, viu!?

    rsrsrsrsrs

multiplus

13 de setembro de 2011 às 10h48

"O principal fator de corrupção na área pública reside no financiamento privado de campanhas"

tolice!!

quem acha isso, acha q o corrupto rouba pra se eleger…

já eu, acho q o corrupto se elege pra roubar!

Responder

    cronopio

    16 de setembro de 2011 às 12h01

    E de onde eu tiro o dinheiro para me eleger? Da caridade alheia?

mello

13 de setembro de 2011 às 10h33

Sem financiamento público não há como diminuir substancialmente a corrupção . Financiamento particular, como nos "states' dá no que tem dado…Vai que as indústrias famacêutica, de armas, de bebidas, de comunicação, de vendas de vagas no céu, gostam do jogo e passam a financiar ( legalmente..) seus candidatos favoritos..
Mas como "reconhecidamente" ( ?) não há corruptores entree esses…
Só um reparo ao texto: os passeadores foram convocados pelas redes sociais e pela "grande" imprensa, como o globo,p.ex. fez e faz ainda agora diariamente.

Responder

    multiplus

    13 de setembro de 2011 às 11h01

    alguem acha, sinceramente, q o politico corrupto só quer roubar na campanha?

    achar q financiamento público é medida de combate à corrupção é o mesmo q achar q "protetor solar" salvaria Joana D'arc da fogueira…

    o corrupto não rouba pra se eleger… ele se elege pra roubar!

    cronopio

    16 de setembro de 2011 às 11h59

    Colecionando chavões, camarada? A propósito, o que você achou da denúncia de arapongagem em Minas? Nem uma palavra sobre o assunto?

    Fabio_Passos

    13 de setembro de 2011 às 12h35

    Exatamente.

    O político é comprado pelos interesses já durante a campanha.

    E repare só no desespero dos canalhas corruptos do PIG para bombardear as propostas de financiamento exclusivamente público de campanha…

    É o que venho repetindo:
    Leitor de veja = safado defensor de ladrão

GILBERTO MARINGONI: OS LIMITES DA CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO

13 de setembro de 2011 às 08h26

[…] os problemas se escancaram… (Leia mais) Posted in […]

Responder

adrixramos

13 de setembro de 2011 às 08h08

Não há dois lados da corrupção. Quem a pratica, independente da motivação, é corrupto. Campanhas financiadas por interesses privados, eleitos que nomeiam cargos em diversas esferas de governo para atender a esses interesses, não dá para separar. Concordo com a leitura do texto sobre a questão da corrupção. Mas discordo que as marchas negaram a política. Há politica fora dos partidos, e é bom que haja e que seja estimulada, pois a sociedade deve poder participar independente de filiação.

Responder

NELSON NISENBAUM

13 de setembro de 2011 às 06h54

Sintético, preciso, cirúrgico. Excelente texto, espero que seja lido por todo brasileiro.

Responder

snd

12 de setembro de 2011 às 21h42

não seria melhor obrigar todos os partidos políticos declararem os nomes de seus doadores. assim decidiríamos em quem votar baseado no compromisso que este assumiu com o pagador?
de qualquer forma o nosso dinheiro tem que voltar para nós por isso dia 15/19/2011, ato da saúde em São Paulo, contra a privatização da saúde e um governo que prega o estado mínimo,mas gasta o seu dinheiro com aparelhamento estatal (cabidão de empregos ou pulero de políticus fracassadus), tem dinheiro para dar para gestores particulares que não prestam conta para a sociedade, enquanto a nós os públicos, falta recursos, e aí, nós somos ineficazes e vagabundos. então, se vc quer seu dinheiro usado para o que é importante, saúde e educação, compareça: saída às 10h a partir da Dr. Eneas de Carvalho, HC, em frente a secretaria da saúde.. venha conosco lembrar ao governo o que é importante .http://www.sindsaudesp.org.br/

Responder

    luiz pinheiro

    12 de setembro de 2011 às 23h06

    Não, o melhor é o financiamento público. Declarar a doação eleitoral já é obrigatório, mas não há teto legal, as campanhas são carissimas e o que domina mesmo é o caixa dois – quer dizer, a doação não declarada à Justiça Eleitoral. Com o financiamento público os partidos e seus candidatos não seriam mais bancados por interesses privados – que por sua natureza não contemplam o conjunto da população. Passariam a ser financiados pelo poder público, de forma equitativa, democrática, proporcional à representação política, com recursos limitados, suficientes apenas para poder divulgar seus programas politicos e administrativos. (continua)

    luiz pinheiro

    12 de setembro de 2011 às 23h06

    (continuação)
    O abuso de poder economco ficaria evidente, seria desmascarado, o caixa dois perderia importância na disputa eleitoral. Democracia é coisa séria, porque é com mais democracia que poderemos construir instituições politicas verdadeiramente transparentes, honestas, funcionais e voltadas ao interesse popular. Recursos públicos podem e devem sim financiar a democracia. Ela é tão importante quanto a saúde, a educação, o emprego, etc – mesmo porque, sem ela, o resto fica todo em perigo, ao sabor dos interesses… privados.

Fabio_Passos

12 de setembro de 2011 às 21h24

Não me comove o puritanismo destes hipócritas.

Crime e corrupção no Brasil é a "elite" branca e rica que construiu este Apartheid Social.

Responder

Marcio H Silva

12 de setembro de 2011 às 19h46

Como pode se acabar com este ciclo vicioso se quem tem que combater a corrupção estão envolvidos nela? é como colocar o lobo para tomar conta do galinheiro. A CCJ está composta por tres do PSDB e nenhum do PT, Psol ou PcdoB?

Responder

Jorge Couto

12 de setembro de 2011 às 19h34

Parabéns, Gilberto Maringoni . Texto simples, direto e contundente.
Jorge Couto

Responder

Dilma: A promessa e o pito que sumiu na edição | Viomundo - O que você não vê na mídia

12 de setembro de 2011 às 18h24

[…] Gilberto Maringoni e os limites da campanha contra a corrupção […]

Responder

sendero luminoso

12 de setembro de 2011 às 18h23

"O corruptor, na maioria dos casos, não faz parte da esfera pública, mas da vida empresarial". Desculpe, mas chamar de empresários os ladrões do dinheiro público é repetir a mesma denominação que a mídia adota. Tais ladrões deveriam ter a pena dobrada por roubar e roubar dinheiro público, mas o que vemos? Parte dos seus "ganhos" são poupados para comprar as autoridades eventualmente encarregadas de puni-los.

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Zé Fake

12 de setembro de 2011 às 18h06

Acho que em termos de grande público vai ser difícil vender a ideia de financiamento público de campanha.

Mas pegando carona no artigo, o que eu gostaria de ver (e que teria um impacto maior) seria porque a medida (projeto, sei lá) que institui voto secreto na Câmara está parada. O processo legislativo é complicado, consultando o site da Câmara não é possível saber a razão.

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    Maria 1

    12 de setembro de 2011 às 18h23

    E tb está parado no Congresso Nacional (v. matéria do Carta Maior) projeto de lei do Governo Federal, definindo punições para corruptores.

12 de setembro de 2011 às 17h54

Maravilha de texto. Valeu a pena ler.

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Da costa

12 de setembro de 2011 às 17h53

Só uma pergunta: em que país do mundo existe financiamento público de campanha?

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    dukrai

    13 de setembro de 2011 às 10h52

    que tal vc dar uma gugada e responder pra gente?


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A mídia descontrolada

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