VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Sílvio Tendler se solidariza com Latuff: “Você tem razão”


30/12/2012 - 18h15

 

O Centro Simon Wiesenthal divulgou na quinta-feira 27 uma lista das dez organizações ou pessoas consideradas mais antissemitas do mundo Nela incluiu o cartunista brasileiro Carlos Latuff, colocando-o em terceiro lugar, com a seguinte justificativa:

Durante os conflitos recentes instigados pelo Hamas contra o Estado judaico, o brasileiro criticou Israel e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por fazer o que qualquer outro líder mundial teria feito para proteger civis inocentes.

O cineasta Sílvio Tendler se solidarizou com Latuff, enviando-lhe a seguinte mensagem:

Prezado Latuff:

Dia 19 de dezembro, fui depor na quinta delegacia a respeito de uma acusação mentirosa de constrangimento iiegal por parte de um grupo de militares sediciosos. No dia seguinte, você veio à minha casa hipotecar solidariedade, me entrevistou e colocou no youtube.

Conversamos muito, inclusive sobre sionismo, semitismo, etc. Te desafiei a irmos juntos a Israel e Palestina. Você me disse que não conseguiria entrar e, se entrasse, não te deixariam sair. Duvidei. Você, infelizmente, tem razão.

Um centro criado para caçar criminosos nazistas, que perseguiram, mataram, deportaram, torturaram judeus durante a segunda guerra, agora é utilizado, de forma equivocada, para embaralhar sionismo com semitismo. Te consideraram como o terceiro maior antissemita da atualidade. Depois de você vem um clube inglês que, num bairro judeu de Londres, louva Hitler e as câmeras de gás; partidos efetivamente antissemitas na Grécia e na Ucrânia vem depois do nome de um cartunista que usa sua arte para defender suas ideias.

Antissionista, sim; antissemitas, não. Até porque, de descendência árabe, você também é semita e afinal somos todos igualmente circuncisos. Tuas charges não são mais antissemitas que um artigo de Ury Avnery, Amira Haas ou de Gideon Levy, todos judeus, israelenses.

O moldavo Lieberman(até há pouco Ministro das relações exteriores do governo direitista de Israel), sim, é antissemita com o comportamento racista que destila ódio entre árabes e judeus, habitantes ancestrais de uma terra onde ele vive há pouco mais de dez anos.

Tua charge com Bibi espremendo uma árabe para tirar votos dos eleitores isrelenses reflete uma triste realidade.

Esse rabino que te colocou nessa lista não sabe do que está falando.

Caminhemos junto rumo a um mundo laico e fraterno que congregue árabes e judeus num espaço de paz, progresso, respeito mútuo e fraternidade.

Solidariamente,

Silvio Tendler
Dezembro de 2012

Leia também:

Kasrils:”O que Israel faz com os palestinos é pior que o apartheid”

Julie Lévesque: A guerra contra o antissemitismo global na era da islamofobia

Ilan Pappé: As perspectivas de solução para o conflito Israel-Palestina

Jonathan Cook: Não há idealismo algum na solução uninacional

Michael Neumann: Israel-Palestina, resoluções e “soluções”





22 comentários

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Volnei Meller

04 de janeiro de 2013 às 09h02

Sinal da completa desagregação de valores motivada pela falta de argumentos que justifiquem a política de terrorismo do estado israelense.

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Jakobskind: Centro Simon Wiesenthal passou dos limites « Viomundo – O que você não vê na mídia

03 de janeiro de 2013 às 17h09

[…] Mário Augusto Jakobskind, no Observatório da Imprensa, sugestão de Urariano Mota […]

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Mauro Santayana: 2013, um ano perigoso « novobloglimpinhoecheiroso

02 de janeiro de 2013 às 17h06

[…] cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são […]

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Mauro Santayana: 2013, um ano perigoso « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de janeiro de 2013 às 21h39

[…] cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são […]

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Luca K

01 de janeiro de 2013 às 12h58

Ué Viomundo, cadê meu post?? Uma coisa q admiro em vcs é o fato de realmente praticarem a liberdade de expressão, ao contrário da maioria dos outros blogues tanto de esquerda quanto de direita, q usam da censura para eliminar opiniões q lhes desagradam. Imaginando q tenha sido apenas um erro ou problema técnico, posto novamente:
O Centro Simon Wiesenthal não passa de um bastião do sionismo e um instrumento de propaganda do holocau$to, uma engrenagem do q Finkelstein chama de ‘Industria do holocausto’. Esse centro é virulentamente pró-israel.
E o q dizer do já falecido caçador FAJUTO de nazis, o Simon Wiesenthal?
Uma fraude total. Recentemente até a mídia mainstream de M já começa a
reconhecer tal realidade. Vejam, por ex, o artigo ‘Why I believe the king of the Nazi hunters, Simon Wiesenthal, was a fraud”(Pq acredito q o rei dos caçadores de nazis, S.W, foi uma fraude).
http://www.dailymail.co.uk/news/worldnews/article-1310725/Why-I-believe-king-Nazi-hunters-Simon-Wiesenthal-fraud.html
No artigo o autor escreve q “Simon Wiesenthal era um mentiroso e uma fraude.” e acrescenta “Na verdade, eu iria tão longe a ponto de dizer que ele foi um dos maiores vigaristas do século 20”. Ui! O chanceler austríaco de origem judaica, Bruno Kreisky, deixou claro q Wiesenthal teria trabalhado para a Gestapo durante a guerra. Disse ainda: “O engenheiro Wiesenthal,[…] me odeia, porque ele sabe que eu desprezo sua atividade. O grupo Wiesenthal é uma máfia quase política que trabalha contra a Áustria com métodos infames. Wiesenthal é conhecido como alguém que não é muito cuidadoso sobre a verdade, que não é muito seletiva sobre seus métodos e que usa truques. Ele finge ser o “caçador de Eichmann,” mesmo todo mundo sabendo que este foi o trabalho de um serviço secreto e que Wiesenthal só leva crédito por isso.”
Aliás, o sujeito q comandou a operação, Isser Harel, ex chefe do Mossad
e do Shin Bet, declarou q Wiesenthal não teve Nenhum papel na captura
de Eichmann.

Mais uma coisa, com relação ao q o Silvio Tendler diz: Não havia quase
judeus na Palestina antes do projeto sionista ao final do séc 19.
A população da região era formada basicamente por palestinos(maioria muçulmana mas tb uma minoria cristã numerosa) numa proporção de + de 95%.
A maioria esmagadora dos judeus em Israel, portanto, é formada por estrangeiros e seus descendentes q aportaram na região e, num processo gigante de limpeza étnica, se apoderou das terras dos nativos ao longo dos últimos 70 anos.

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Narr

01 de janeiro de 2013 às 10h22

Eu suponho que todas as organizações humanitárias de Israel e todos os eleitores que não votam no Netanyahu também deveriam estar na lista dos maiores anti-semitas. E o Chomsky? E o saudoso Hobsbawn?

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J Souza

31 de dezembro de 2012 às 17h58

Os Estados terroristas são um problema igual ou maior do que as organizações terroristas não-estatais…

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placido figueira

31 de dezembro de 2012 às 13h51

O meu sobrenome Figueira vem de origem judaica.
Fico triste em ver o perseguido passar a ser perseguidor
em métodos iguais ou piores do que o que sofreu.

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Emerson Sousa

31 de dezembro de 2012 às 13h08

São sionistas, fazer o quê?

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abolicionista

31 de dezembro de 2012 às 11h52

Não entendi por que não colocaram o Chomsky na lista…

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Julio Silveira

31 de dezembro de 2012 às 11h36

Não é de hoje os sionistas usam o Holocausto contra os judeus como instrumento de chantagem internacional. Tiram proveito da consciência culposa das nações pelas barbaridades perpetradas pelos nazistas, como se todos merecessem o purgatório pelas suas privações. Acho que já passa da hora de se restabelecer o devido juizo de valor sobre os atos dessa gente, por que os juros que estão cobrando já estão se tornando insuportaveis fisicamente para os palestinos e moralmente para o resto do mundo.

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Cláudio

31 de dezembro de 2012 às 08h03

“Os governos de Israel sofismam no sentido de que, só porque sofreram (há 70 anos!) genocídio pelos alemães, têm carta branca para assassinar palestinos e qualquer outro povo…”…

Nossa solidariedade também ao companheiro Latuff.

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laura

31 de dezembro de 2012 às 07h58

Sou solidária a ambos.
Anti-semitismo, não.
A Palestina como terra de judeus e árabes .
E, no Brasil, a ditadura já acabou.

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    laura

    31 de dezembro de 2012 às 07h59

    Ah, a charge do Latuff é ótima!

Francisco

31 de dezembro de 2012 às 06h51

Ele só desenhou o que todo mundo sabe.

Se ele tivesse feito o mesmo desenho colocando um republicano torcendo um afegão, também estaria correto.

A pergunta que os sionistas têm que se fazer é se seria crivel que uma charge oposta (com um palestino torcendo um israelense) seria crivel.

Seria.

O que deveria fazer as pessoas sábias daquela parte do mundo a se perguntar se não seria o caso de colocar estadistas (israelenses e palestinos) para tratar desse assunto e não carreiristas baratos.

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Euler

31 de dezembro de 2012 às 01h32

Minha solidariedade ao Latuff. Durante a greve dos educadores em Minas, em 2011, Latuff colocou a sua arte a serviço dos professores. Da mesma forma como defende as lutas dos sem-terra, dos sem-teto, dos oprimidos, enfim, do Brasil e do mundo. Querer colocá-lo numa lista antissemita, junto com figuras da direita, é a desmoralização desse centro. E o Latuf bem que poderia processar essa entidade por danos morais, calúnia e agressão ao direito universal à opinião e à crítica. Criticar os atos terroristas do estado de Israel contra os palestinos não se configura de maneira alguma uma prática antissemita. E não se confunde com uma crítica ao povo judeu, ou aos povos árabes, que se originam da mesma linhagem semítica. Portanto, a nossa solidariedade ao Latuff.

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Dr. Rosinha

30 de dezembro de 2012 às 21h37

Latuff, sou solidário a você e faço das palavras de Sílvio Tendler minhas palavras.
Deputado Dr. Rosinha

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Marat

30 de dezembro de 2012 às 20h14

Hoje o que vale para o grande capital internacional (leia-se EEUU, Inglaterra, Israel e França) é o sofisma, ou a verdade deles… Ninguém pode pensar diferente, sob o risco de ser boicotado ou mesmo eliminado. George Orwell e Aldous Huxley já previram isso, só erraram de país…Os governos de Israel sofismam no sentido de que, só porque sofreram (há 70 anos!) genocídio pelos alemães, têm carta branca para assassinar palestinos e qualquer outro povo…

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cassiov

30 de dezembro de 2012 às 19h58

Tendler e Latuff, o sangue semita corre nas veias de ambos.
Mas os semitas de quipá que fizeram de Israel um estado terrorista abominam os de taqiyah e querem liquidar com eles.
Acham-se tão superiores a tudo e a todos quanto os nazi consideravam os arianos uma raça(?) superior.
Antissemitismo, nunca! Antissionismo é outro papo.
Solidário a Tendler e Latuff
cassiov

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wilson

30 de dezembro de 2012 às 18h34

Silvio e Latuff,
Minha solidariedade aos dois (acho que a qualquer outra que o tal centro de M. acusar de anti-semitismo). Estou com vocês. Que nos acusem também, a todos os que não aceitam a opressão facista desse estado de merda.

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    Patrick

    30 de dezembro de 2012 às 20h58

    Wilson, as outras instituições denunciadas são realmente deploráveis, como o partido da extrema direita grega. O que é motivo de mais vergonha ainda, misturar Latuff com esses canalhas.


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