VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Pedro Serrano: É ilusório que todo crime pode e deve ser punido com encarceramento


08/11/2012 - 16h07

Polícia Militar realiza abordagens em bairros na zona norte de SP durante a Operação Saturação, lançada após onda de violência atingir a cidade. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

por Pedro Estevam Serrano, em CartaCapital

Uma trágica guerra instaurou-se entre o crime organizado e a Polícia Militar de São Paulo. A selvageria e a violência tomaram conta do cotidiano de amplos setores da periferia da cidade. A população, sempre vítima maior deste conflito, vive momentos de intensa insegurança. A mídia comercial é estranhamente comedida nos espaços dedicados ao noticiário do tema.

Os governos federal e estadual travaram acordo de cooperação com vistas à repressão comum do crime organizado por meio da criação de uma agência especializada.

O referido acordo é mais que bem-vindo. Em verdade o tema não pode ser sanado apenas com a ação estrita do estado membro da Federação, por mais que a competência formal para tanto seja sua. A complexidade do problema, os tentáculos de uma rede criminosa com vasta extensão territorial, a necessidade de verbas e, acima de tudo, o interesse público exigem a colaboração de todas as esferas federativas sem influência das cores partidárias.

Não há que se ter ingenuidade: o problema do crime organizado não se resolve sem repressão. Embora, diga-se, esta repressão nos pareça que se deva realizar mais por atos policiais de inteligência e investigação do que por polícia de dissuasão.

Entretanto, é ilusório acreditar que o término ou a mitigação do crime organizado se dará exclusivamente pela repressão. A ilusão punitiva é um dos mitos maiores que nossa população crê e que nossa classe política no mais das vezes malandramente fortalece, mesmo sabendo de sua inconsistência.

O crime nasce de um complexo engendramento de razões sociais, axiológicas, psíquicas e humanas, algumas das quais provavelmente ainda desconhecidas totalmente por nós.

Nas razões da criminalidade organizada de formatação, como a do PCC, certamente contribuem o fosso social existente num país onde parcela significativa da população ainda vive excluída de padrões mínimos de consumo e inclusão social, não tendo nada a perder em termos de aceitação e afeto sócio-ambiental ao assumir a conduta criminosa. Pelo contrário: no ambiente da favela o jovem muitas vezes ganha em admiração e respeito ao se integrar à atividade delituosa. Muitas vezes o crime é a oportunidade de ascensão social, liderança e respeito negados pela sociedade.

A repressão desacompanhada de medidas sociais de inclusão é ilusória, portanto, mas também é necessário repensar o excessivo encarceramento existente no país.

Ao contrário do que pensa o senso comum, há muita gente presa. Muita gente presa que já cumpriu pena e já deveria estar solta. Muita gente presa por crimes de menor perigo à convivência social – e que, portanto, não deveria estar presa. Muita gente presa por crimes não violentos convivendo com gente presa por crimes extremamente violentos. E todos presos em condições sub-humanas que levam os mais fracos e pacíficos a se submeterem ao poder dos mais fortes e mais violentos e, obviamente, a se tornarem violentos para sobreviverem. Evidentemente todos pobres.

É deste cárcere infernal que nasce o crime organizado. É neste cárcere que nasceu o PCC, como todos sabem.

Nasce daí a ilusão punitiva da classe média desinformada. Ao ter notícia do furto no supermercado ou de um porte de uma quantidade um pouco maior de maconha, pleiteia a punição exemplar do ladrão ou do pequeno traficante. Pleiteia, assim, que o Estado prenda logo o ladrão ou o pequeno traficante. Na prática, deseja que este delinquente iniciante ou quase famélico seja posto num cárcere onde ele custará cerca de 2000 reais para o contribuinte para provavelmente se tornar um soldado do PCC.

A realidade é que nossas prisões não têm servido para reeducação de ninguém. Ao contrário, são escolas do crime. E vão continuar sendo enquanto teimarmos em usar o aprisionamento como medida punitiva para todo e qualquer delito, sem entender que prisão é medida fronteiriça que só deve ser usada contra o delinquente a oferecer efetivo risco à convivência social.

Não há orçamento estatal que suporte o encarceramento de delinquentes de menor risco à convivência social e a vítima maior deste excessivo encarceramento é a própria sociedade, pois é quem arca com a violência que advém da promiscuidade carcerária.

Quem comanda e controla as ordens de matança de nossos policiais nesta triste guerra que hoje ocorre na periferia é o crime organizado existente dentro de nossos presídios, cuja população carcerária não é nem será passível de qualquer controle real estável pelo aparelho estatal. Será sempre um barril de pólvora prestes a explodir.

Um dos fatores ocasionadores deste caldo violento, sem dúvida, é a crença ilusória de que todo e qualquer crime pode e deve ser punido pelo estado com encarceramento, independentemente da periculosidade de seu agente.

Um Código Penal enxuto, que puna com encarceramento apenas os crimes realmente graves e uma máquina judiciária atenta à execução penal, que tire da cadeia quem lá não deva estar, será, sem dúvida, um passo tão importante quanto a repressão para pelo menos se mitigar a barbárie do crime organizado.

Leia também:

Bernardo Kucinscki: “Estamos assistindo ao surgimento de um macartismo à brasileira”





58 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Pastoral Carcerária: “Prisões só para conter os criminosos de alto risco” « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de janeiro de 2013 às 23h27

[…] Pedro Serrano: É ilusório que todo crime pode e deve ser punido com encarceramento […]

Responder

Juíza Vera Müller: “No Brasil, pensamos que só a cadeia resolve” « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de janeiro de 2013 às 23h22

[…] Pedro Serrano: É ilusório que todo crime pode e deve ser punido com encarceramento […]

Responder

Deputados querem CPI para investigar onda de violência em SP « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de novembro de 2012 às 10h59

[…] Pedro Serrano: É ilusório que todo crime pode e deve ser punido com encarceramento […]

Responder

Tia de Duda: “Nós estamos no meio de uma guerra, que não é nossa, e a gente está perdendo” « Viomundo – O que você não vê na mídia

14 de novembro de 2012 às 17h58

[…] Pedro Serrano: É ilusório que todo crime pode e deve ser punido com encarceramento […]

Responder

xacal

09 de novembro de 2012 às 21h29

É zezinho, o analfabetismo funcional é soda…leia, filho o período da amostra:

Para os primeiro cinco meses, janeiro a maio 2011:

De acordo com o instituto, entre janeiro e maio de 2011 foram registrados 1.945 homicídios dolosos, com a taxa de 10,9 casos para cada 100 mil habitantes.
Agora o comparativo com o mesmo período de 2012:

“Segundo o ISP, Foram 398 ocorrências em maio (contra 455 em 2011) e 2.048 no acumulado dos cinco primeiros meses de 2012 (contra 2.319 em 2011). A taxa desses primeiros cinco meses foi de 12,5 por 100 mil habitantes.(…)”

Ou seja, no RJ a taxa tem variado entre 10 e 11 a cada cem mil, bem próximo a de SP, quer este ano, por causa do surto deste mês tende a aumentar o índice., e pode ficar em torno de 12 a 13 por cada 100 mil.

Os dois estados foram responsáveis para que o índice nacional caísse na série história de algo próximo a 50 para pouco mais de 21 a cada 100 mil.

Então, fio, antes de vomitar asneiras do tipo, SP tem índices muito menores que o RJ, vá estudar.

O site é www.isp.rj.gov.br

Tá tudo mastigadinho, por região do Estado, que aqui chamamos de AISP(área integrada de segurança pública)subdivididas em RISP(regiões integradas de segurança pública)que geralmente coletam dados de um ou dois batalhões da PM integrados com cada regional de polícia civil.

Lembranças ao luisinho e huguinho(espero que eles estejam na escola, ao invés de perderem tempo com este troço de internet, igual a vossa mercê)

Responder

João Vargas

09 de novembro de 2012 às 13h40

Hoje ouvi estarrecido um comentarista do jornal da record afirmar com todas as letras:” Matar nove, dez bandidos, tudo bem, o problema é quando mata um inocente”. Toda ação gera uma reação. A política implantada na polícia paulista desde a criação da rota de que bandido bom é bandido morto agora está tendo os seus resultados.

Responder

    smilinguido

    09 de novembro de 2012 às 14h14

    impressionante como os bandidos tem representantes aqui….

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 15h32

    Medindo os outros pela sua régua, nenê?

    Do jeito que você aponta nos outros os defeitos que imagina não ter, eu não tenho dúvidas: como dizemos aqui na polícia do RJ, és um perfeito X9…

    Como diria o imortal Bezerra da Silva “(…)eis a diferença, do otário pr’o malandro”.

    Quando for preso com a cara cheia de whisky depois de atropelar alguém com seu possante vai pedir “seguro” na cadeia, e dormir “no canto da cama”…

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 15h49

    Em tempo:

    por hoje chega de alimentar este trollzinho…para colocar o “nenê para naná” minha música de ninar: Morphine, ouça aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=pKtDxX_Gzts&feature=autoplay&list=AL94UKMTqg-9Clvl_ntySy1mcziXMsNksK&playnext=5

    Mas não vai pirar o cabeção e cortar os pulsos, pequeno Jodl…

    Marcelo de Matos

    09 de novembro de 2012 às 14h26

    Com relação à Record eu fiquei estarrecido com outra notícia: “A mudança da Record News, com a dispensa da maioria dos seus funcionários, foi apenas o primeiro passo de uma série de medidas de enxugamento que a direção da Record será forçada a colocar em prática ao longo dos próximos tempos, para equalizar as contas da emissora. O rombo, segundo algumas fontes, passa de R$ 300 milhões – a coluna tentou checar esse número, mas não teve retorno da emissora. A conta da Olimpíada passada, a subutilização do Recnov e os sucessivos erros de planejamento, além de altos salários pagos aos seus diretores e artistas, estão entre as despesas que mais contribuíram para se chegar a um valor tão absurdo. Outras TVs também enfrentam problemas financeiros, por incrível que pareça.

    Zezinho

    09 de novembro de 2012 às 18h18

    Ah sim, o BOPE do Rio tem uma abordagem muito mais holística né?

Mário SF Alves

09 de novembro de 2012 às 12h44

Houve um tempo no qual o uso droga era assunto e privilégio da minoria cultural e financeiramente bem sucedida. Hoje virou esse pandemônio. “Todo mundo usa”. A mais letal, a mais alienante – desnecessário citar o nome – parece que tem alvo certo.
________________

Enquanto isso, a menos letal de todas, o tabagismo, virou doença contagiosa. Seus usuários são virtualmente confinados num gueto, tratados como temerosos propagadores de ar viciado, e considerados mais agressivos e mais danosos que indústria poluidora.
___________________________
A quem interessa esse estado de coisas?
________________________________________

Tempos difíceis estes. Quão proveitosa poderia ser a descoberta de uma equação que definisse a civilização nos dias de hoje. Seja como for, é imprescindível não ignorar a relação: “quanto mais autoritário um Estado, maior a violência que permeia; oculta, dissimulada ou às claras”. Dúvida? Recorde-se o mensalão; recorde-se o linchamento político ocorrido há poucos dias atrás. Mais dúvida? Recorde-se aquela frase de um mandatário de plantão, o mesmo que em início de mandato esteve de corpo presente num incidente na mansão de um empresário em SP: “se não tivessem reagido estariam vivos”.
____________________________________________________
“Moral da história: só a consolidação da democracia seria capaz de civilizar e pacificar o Brasil, e, de brinde, poderia ser o vir-a-ser de boa referência pro mundo”.

Responder

    Marcelo de Matos

    09 de novembro de 2012 às 14h12

    “Enquanto isso, a menos letal de todas, o tabagismo, virou doença contagiosa. Seus usuários são virtualmente confinados num gueto, tratados como temerosos propagadores de ar viciado, e considerados mais agressivos e mais danosos que indústria poluidora”. Compreendo sua revolta, mas, não posso me solidarizar contigo. Nós, não fumantes, também ficamos confinados. Especialmente na praia, no verão, eu gostaria de sentar em uma mesa de calçada para tomar uns gorós. Sou obrigado, porém, a ficar na ala interna, aguentando o calor. Às vezes, na calçada, tem até umas pessoas interessantes, de biquíni, mas, infelizmente, entre brumas de nicotina. Assim mesmo estou contente com a lei antifumo, e até com a lei seca, embora tenha de ir somente a bar que fica próximo, ainda assim a pé. Elas leis não se tornaram letra morta e isso é muito bom.

Daniel

09 de novembro de 2012 às 12h27

O problema na questão é que as nossas punições são desproporcionais aos crimes, de uma forma tal que beira o completo ridículo.

Punimos de forma excessiva quem rouba um pote de margarina (no desespero de aplacar a fome) e ao mesmo tempo passamos a mão na cabeça de genuínos animais que jamais poderiam estar fora de uma jaula.

Como pode existir justiça assim? Não sabemos aplicar penas brandas (muitas pessoas só precisariam passar alguns dias na cadeia para “esfriar a cabeça”) e somos covardes demais para aplicar penas finais (execução) quando necessário.

Responder

smilinguido

09 de novembro de 2012 às 11h46

1-Quem ganha com lei frouxas, cheias de furos que permitem que todos que possam pagar escapem por seus buracos? criminosos e advogados (com perdão da redundância)
2-Quem faz as leis? Uma tal comissão de “juristas” (advogados) que são votadas pelos congressistas (criminosos).
3-Quem são os “operadores do direito” criminal? (defensores, delegados, “juristas”, promotores, juízes, oficiais de justiça = advogados)
4-Resumindo: advogado é uma espécie peçonhenta de gigolô do diabo, proxenetas do demônio..parasitas do mal que aumentam sua fortuna garantindo a liberdade dos piores monstros que uma sociedade monstruosa não para de gerar.

Responder

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 13h12

    Mas é o primeiro que você chamará quando estiver na “tranca”.

    smilinguido

    09 de novembro de 2012 às 14h11

    Nunca estarei na tranca pq não sou de sua laia…

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 14h27

    quem sabe?

    estar na “tranca” não tem nada a ver com “direito” ou “justiça”, nenê…não é igual a esperar papai-noel pelo bom comportamento.

    o buraco é sempre mais embaixo, fio…

    e pela “pilha” que pegou, vai acabar agarrado com algum ladrão boliviano na “comarca”, rsrsr…

    smilinguido

    09 de novembro de 2012 às 15h57

    xacal, bom nome para advogado..nada mais adequado

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 17h35

    smilinguido, com nome para quê?

    noiva de cadeia…

    Mário SF Alves

    09 de novembro de 2012 às 18h16

    Xacal?!! Que desgraceira é essa?!! Cara, você deveria patentear o invento. Nunca foi tão fácil energizar/adrenalizar gente.

    __________________

    Tô de sacanagem. Mas que é hora da gente revisitar o Tesla, ah! se é. O cara teria conseguido transmitir energia sem fio, wireless, de um extremo ao outro do planeta. E isso, lá pelo início do século XX.
    _________________________

    Tesla x Watson; um gênio (genuíno, desapegado de bens materiais) em contraposição a um outro, considerado igualmente gênio (capitalista).

    Advinhe quem morreu rico?
    ____________________________

abolicionista

09 de novembro de 2012 às 11h24

mas, afinal, o governador admitiu que os policiais estão sendo atacados? Acho uma estratégia equivocada, inclusive porque admitir que a força policial está sob ataque não necessariamente implica perda de votos ou prejuízo da imagem política do governador, desde que esse se mostre disposto a colaborar com o fim dessa guerra inútil. O pior é que isso é um sintoma de que muitos podres estão sendo varridos para baixo do tapete e só vêm à tona quando a situação se torna insustentável.

E faço um alerta para um dado vergonhoso, muitas famílias de policiais mortos não estão recebendo “auxílio funeral” e outros benefícios previstos por lei, sob o pretexto de que faleceram fora do horário de serviço (o que é um absurdo, pois é óbvio que foram atacados justamente por serem policiais). O mais triste é que, na maior parte dos casos, esses policiais não eram oficiais e essas famílias, além de perderem seu sustento, ficarão desamparadas. Policiais precisam exigir seus direitos, ninguém deve ser contratado para virar um alvo ambulante.

Responder

Charles

09 de novembro de 2012 às 10h31

Punição gera contra controle.

Responder

Romanelli

09 de novembro de 2012 às 09h43

O que se pretende com uma prisão? Punir ? Castigar ? Reeducar ? Reintegrar e/ou USAR COMO EXEMPLO ?

Acho que destas respostas, cada tipificação deveria ter de diferente tratamento.

PRA MIM, o que não da mais pra tolerar, mesmo dentro desta sociedade SELVAGEM em que vivemos, são os crimes que atentam contra a VIDA ..e estes, notadamente pros PREMEDITADOS, feitos por quadrilhas, crime organizado, terrorismo, sequestro etc, devem sim RECEBER A PENA integral, 30 anos, sem dó algum ..e mais, SEM que se admita qualquer tipo de redução e /ou benefício à pessoa, o ser abjeto que se atreveu a ceifar a vida alheia.

Responder

Marcelo de Matos

09 de novembro de 2012 às 09h42

A política penitenciária interessa a todos nós: é essa a origem do caudal de problemas de segurança, melhor dizendo, insegurança pública que nos afligem. Ufa! Hoje é sexta-feira e nada melhor que um happy hour. Nos chamados bairros nobres, em Sampa (não na Avenida Ipiranga com a São João), ainda é possível relaxar e tomar um chopinho sentado em mesa de calçada. Na periferia nossos conterrâneos, há bom tempo, não têm essa regalia. Como nos filmes de faroeste sempre passa uma dupla, agora de motoqueiros, mandando bala. Quando se consegue apurar quem atirou, não se esclarece, ou prefere-se não esclarecer, porque atirou. O esclarecimento desses crimes pode ter uma conotação política, prejudicando o governo de plantão, ou fornecendo munição para seus opositores. O verbo é brindar ou blindar? Melhor tomar a cervejinha, ou o vinho, em casa e deixar essas questões de segurança pública para os especialistas. Como dizia o poeta Omar Khayyām: Nós ignaros, bebamos o sangue dos vinhedos, deixando aos homens de ciência o regalo das passas.

Responder

Hélio Pereira

09 de novembro de 2012 às 09h40

O Gov Alckmim,colocou a PM em Paraisopolis e com isto “encheu de satisfação” a “Massa Cheirosa” que reside no Morumbi e pode acompanhar das Janelas de seus APs o “Brilhante” desempenho da Policia de Xuxu e seus Legumes! A PM investe de Armas nas mãos contra Moradores humildes,invade Barracos e ameaça Moradores e o Secretário de InSegurança aplaude,dizendo que a Policia de “SAMPA” faz “uma investigação cientifica”. Parece que em Moema,Vila Madalena,Pinheiros,Morumbi e nos Jardins só tem cidadãos decentes,acima de qualquer suspeita,repressão só nos Bairros Pobres de “SAMPA”,isto é PSDB no Poder!

Responder

Marcelo de Matos

09 de novembro de 2012 às 09h06

Precisamos do concurso de todos os entes federativos em uma entidade que trace os rumos de nossa política penitenciária. Segurança pública tem sido um trunfo eleitoral que se usa escondendo os problemas ou mostrando na TV ações espetaculares: Beira Mar, para cá, Nem para lá. Nem se traça um programa sério para resolver os problemas penitenciários, nem se vai a lugar algum. Não se pode deixar ao alvedrio de amadores, ou políticos, problema dessa magnitude. É preciso mudar o disco: bandido bom é bandido morto; onde estão os “direitos humanos” dos policiais? Não somos pró-polícia, nem (novamente!) pró-bandido. Precisamos mudar essa cultura. Preso não é mercadoria que se empilha sobre paletes: são sujeitos de direitos como qualquer cidadão, criança, adolescente e, quiçá, até animal. O preso tem de ser bem tratado porque tiramos dele o bem maior de todo ente vivo, que é a liberdade. Orgulhamo-nos de ter o melhor sistema eleitoral do planeta. Na questão presidiária, porém, temos de jogar para o país, não para o eleitorado.

Responder

Fabio SP

09 de novembro de 2012 às 08h39

Para se pensar…
“SÃO PAULO, SP, 8 de novembro (Folhapress) – A blogueira cubana Yoani Sánchez e o opositor Guillermo Fariñas foram detidos hoje em Havana, denunciaram hoje fontes da dissidência de Cuba e apoiadores de Sánchez pelo Twitter.

A prisão foi confirmada -e ironizada- por Yohandry Fontana, blogueiro próximo do governo cubano, que atua como porta-voz oficioso do regime.

“Confirmam que Yoani Sánchez continua retida por escândalo e indisciplina social em uma unidade da polícia”, escreveu Fontana.

“Já não se pode chamá-la de blogueira, já é quase uma delinquente fazendo escândalos em Havana”, seguiu.

É a segunda detenção de Sánchez em menos de dois meses. Em 4 de outubro, ela ficou detida por 30 horas em Bayamo, no sul de Cuba.

Sánchez e Fariñas foram presos após irem a uma delegacia do bairro popular de 10 de Octubre questionar a respeito da detenção de outros dissidentes nos últimos dias.”

Responder

smilinguido

08 de novembro de 2012 às 23h26

bom…parece que presidiários (além de, com perdão da má palavra, advogados) ao menos não tem nenhum problema de acesso a internet. Sempre participam ativamente das discussões que os interessam…

Responder

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 09h12

    Aceita a provocação…

    Talvez o ilustre comentarista prefira que eles se relacionem com o mundo externo da forma como vêm fazendo.

    Quem sabe? Tem gente que acredita, e até “trabalha” para o quanto pior melhor…

    Eu, a meu lado, como policial tenho a certeza que o rigor da lei tem que ser aplicado SEMPRE, mas:

    1- Contra todos, independente de classe social ou cor da pele;
    2- Na medida e proporção da ofensa ao bem juridicamente tutelado;
    3- E por fim, como uma forma de “consertar” e não piorar os criminosos.

    E creia: não faço isto por pendores “humanistas”(não um humanismo que os brucutus gostam de confundir com “moleza”), mas por um humanismo pragmático:

    Se toda vez que aumentamos a escala de brutalidade a chance de reação é mais brutalidade, e eu estou limitado pela LEI, logo não tenho as mesmas chances nesta selva, por que deveria apostar em um “sistema de violência exponencial” que só me colocará em permanente risco?

    Só para a classe mé(r)dia poder ler a revista “óia” e assistir o jn em paz?

    Na-na-ni-na-não…vocês estão pagando muito mal para isto.

    Bom, por outro lado, você pode acreditar em outras soluções (finais), mas o que nos mostra a realidade(quer seja no democrático mundo estadunidense ou na ditatorial China)é que matar também não dá muito certo, porque as estatísticas insistem em desafiar esta torpe noção de justiça.

    smilinguido

    09 de novembro de 2012 às 11h29

    traduzindo: a sociedade não tem direito de se defender..

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 13h01

    bom, filho, se este atual estado de coisas, que justamente foi aplicado para dar vazão a concepções como a sua, pode ser chamado de defesa social…valha-me deus.

    é preciso te lembrar, embora eu desconfie que você saiba, que o caos na segurança pública MUNDIAL é fruto do aumento da repressão criminal desmedida, violações de direitos de toda ordem, e claro: muuita, mas muita hipocrisia: com bancos lavando dinheiro, fábricas vendendo armas, carros e helicópteros, segregação e morte dos mais pobres, enquanto uma casta ri, cheira e comemora.

xacal

08 de novembro de 2012 às 22h17

Caros colegas comentaristas,

O texto traz o óbvio, e por isto é tão importante, porque temos muita dificuldade em enxergar o que está sob nossos narizes:

Nosso sistema penitenciário é um completo e criminoso fracasso, por onde quer que olhemos.

Claro, isto não é um incidente ou uma “fatalidade” como nos querem fazer crer os magos da ideologia.

É o reflexo brutal de nossa concepção de Estado, processamento e punição.

Outra obviedade: como tudo que só tratou de pobres, é um horror.

Agregue-se a isto o consenso sobre o binômio pobre e crime, pronto, eis a cadeia(ou masmorra).

Nela, não classificamos presos: juntamos todos como se fossem uma coisa só, e a LEP, lei de execuções penais é clara: serão segregados de acordo com a periculosidade.

Há milhares de presos sem sentença condenatória, e outros cujo tempo de prisão já expirou há tempos.

E poderia listar outras inúmeras violações.

Agora um dado para os apregoam a prisão como um castigo eficaz:

Nossa taxa de reincidência é maior que 50%, e esta taxa cresce na mesma proporção dos anos de encarceramento, ou seja, quanto mais cedo o regime progride(de fechado para semi-aberto, e por aí vai…)menos o apenado comete crimes quando sai.

De certo que os “datenas” e outros cretinos citarão algum exemplo onde um preso em condicional ou sob indulto comete algum crime atroz, sem nos dizer que se trata de uma exceção que só confirma a regra.

Mas um pouco de bom senso é bom para que entendamos que o fato de PCC, CV, TCP, e outros “comandos de comandos submundo de comandos”(nas palavras de Fernandinha Abreu em Rio 40º, não é coincidência.

Assim como não podemos continuar, como o texto disse, a gastar recursos públicos em um sistema que só prende para gente para piorá-la.

Responder

    antonio rodrigues

    09 de novembro de 2012 às 08h36

    Não tenho bola de cristal para dizer como o pais vai sair desta.
    Agora, tenho certeza de que se nada for feito, nossa sociedade vai se desintegrar.
    Quando um policial, diante de testemunhas,fica enfiando o dedo na ferida da criança que matou, para extrair a bala e sumir com a prova, o fato mostra que chegamos ao limite extremo do absurdo.
    Diante disso, o discurso de que precisamos “acabar com as cadeias”, “recuperar os criminosos” ficou velho.
    A situação real, atual, é seríssima, brutal.
    So não ve quem não quer.
    Recuperar, nos podemos recuperar ate o Chico Picadinho.
    Mas vai demorar anos e custar muito dinheiro. Quase o preço da manutenção de uma escola pequena do interior. E são milhares de Chicos Picadinhos por ai.
    No momento, não temos dinheiro nem para pagar razoavelmente os professores, que podem impedir uma epidemia de novos Chicos Picadinho.
    No Japão, onde praticamente não ha crimes violentos, alguém que comete um,vai para a cadeia e trabalha para pagar todos os custos do seu encarceramento.
    Talvez seja um bom,barato e direto método para “recuperar”.

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 13h11

    Antonio,

    Suas premissas são equivocadas porque misturam tudo, e pretendem dar soluções simplistas para problemas complexos.

    Não é impossível atuar com táticas e estratégias de prevenção e planejamento, aliado ao controle repressivo. Basta diagnosticar corretamente.

    Caro? Bom, eu acho mais barato investir na segurança pública(aliás, um dos pilares da concepção da criação de Estado)que colocar dinheiro público para cevar empreendimentos privados, por exemplo, na forma de subsídios e incentivos(renúncias)fiscais.

    Ou privilegiar modelos caros (e ineficientes) de combate a criminalidade em detrimento de soluções baratas, como por exemplo: O.0000000000000001% de tributo sobre toda e qualquer movimentação financeira dotaria o Estado de plena capacidade de identificar a lavagem de dinheiro que retroalimenta do crime.
    Bem mais barato que fuzis, ou supercomputadores. Basta lápis, papel ou uma calculadora para fazer um regra de três e achar o montante de recursos movimentados por suspeitos.

    Um detalhe: a figura de imagem usada por você, com a bala na ferida da garotinha é forte, mas não o suficiente:

    Com o número de mortos anuais por letalidade violenta, eu te diria que o policial atirou, mas a munição foi o descaso da sociedade com a vida.

    Temos 34 artigos no CP para crimes patrimoniais, e só 4 ou 5 de crimes contra a vida.

    As cadeias têm muito mais presos por ofensa ao patrimônio que de homicidas, então….

    antonio rodrigues

    09 de novembro de 2012 às 16h32

    Caro Xacal:
    Acho que voce “mistura” mais os problemas do que eu.
    Alem disso, se voce bem leu meu comentário, quem seria eu para ter a solução para uma questão tão grave?
    Apenas citei como o Japão resolveu o problema.
    E não achei tão ruim a solução.
    Talvez com a idade me tornei uma pessoa mais pragmática.
    “Recuperar” um assaltante que tem prazer em estuprar uma vitima na frente de seu marido é uma questão complexa e cara a resolver. O cidadão ja esta muito doente. A cura, ou “recuperação”, não sera fácil, rápida e barata.
    “Recuperar” um jovem assassino que mata e sorri na delegacia, afirmando que assassinou porque a vitima não entregou a bolsa e ate possível, mas exigiria o trabalho de vários profissionais.
    Voce diz “prevenção”.
    Estou de acordo.
    Agora uma das formas de prevenção é manter os atuais criminosos isolados.
    Caso contrario sera um moto continuo, como estamos assistindo.
    Voce mistura o crime organizado, com assassinos e assaltantes e “mulas” do trafico.
    O crime organizado, como voce diz, se resolve com um pedaço de papel e um lápis.
    Estou de acordo.
    O crime organizado é muito pesado para se esconder. Deixa sempre o rastro do dinheiro. Basta segui-lo.
    Acontece que tem sócios por todos os cantos. Ate entre os que deveriam persegui-lo.
    Os “mulas”,que enchem as cadeias, acho,como também voce, que deveriam estar cumprindo penas alternativas.

    PS De todas as maneiras, se voce é mesmo policial, como afirma em comentário acima, ja é uma esperança.
    Mostra-se uma pessoa aberta a discussão e contra a brutalidade como solução.
    Nisto também estou em completo acordo com voce.

Julio Silveira

08 de novembro de 2012 às 20h40

O que país precisa é de justiça. Justiça verdadeira, sem hipocrisia que parece estar virando uma marca da sociedade brasileira. Justiça para os justos. Rigor sim, quando precisar, para evitar que os facinoras, os sicarios se propaguem. Mas com agilidade na reparação de possiveis equivocos. Justiça proporcional, sendo especialmente mais rigorosa com os mais abastados, pois estes tem ou tiveram oportunidades e escolhas. Muitas vezes negadas, outra vezes retiradas, usurpadas, dos mais frágeis socialmente. Vê-se hoje o contrário. Mas de qualquer maneira para ser chamada de justiça, seu corpo juridico deve estar preparado para avaliar com precisão o grau de maleficio que o criminoso impôs a sociedade para aplicar a pena justa.

Responder

Vlad

08 de novembro de 2012 às 20h21

Mas passaram avida dizendo que o crime era problema social.
Mentiram?

Pena alternativa é construção de juízes frouxos (bem municiados de informações apocalípticas pelos juízes das varas de execução)encurralados pela falta de vagas no sistema prisional.

Inaugurar penitenciária a comandanta Dilma não quer, certo?
Muito menos os governadores larápios, certo?

Certo.

Responder

    abolicionista

    09 de novembro de 2012 às 09h18

    Nossa, preferia quando você tentava discutir o preço da gasolina, pelo menos você era inócuo. O argumento de que, para resolver o problema da violência, seria preciso construir mais penitenciárias é simplesmente tacanho, típico do Tea Party brasileiro. Então o Psol sugere encarcerar uma fatia cada vez maior da população, como nos EUA de Bush (em que os índices de violência, vale notar, só aumentavam) , é essa a proposta “socialista” de vocês? Prefiro acreditar que a imensa desigualdade econômica, que medrou em nosso país durante muitas décadas (desde o fim do “desenvolvimentismo”, para ser mais preciso) esteja na raiz do problema da criminalidade, embora existam fatores adicionais (como a diminuição da demanda de mão-de-obra após a terceira Revolução Industrial, etc). Somente agora, aliás, percebo por que você optou por essa via argumentativa protofascista: o contrário o obrigaria a admitir que o PT reduziu a desigualdade do país a níveis que não eram vistos desde os anos 60. Não obstante, o caminho realmente socialista seria criticar o PT justamente por não reduzir mais a desigualdade, e também em ritmo mais acelerado. Então ficamos assim: você pedindo um novo Carandiru (ainda maior, por que não? quanto mais pobres couber, melhor né?) e nós à espera de um partido realmente à esquerda do PT, capaz de realizar mudanças sociais que o PT não pode ou não planeja realizar. Saudações (Socialistas?).

    PS: Novamente você opta pela estratégia do “vale-tudo para atingir o PT”, típica dos militantes do seu partido, e novamente você pende perigosamente para a direita (como alguns dirigentes de seu partido). Sugiro que você reflita a respeito de suas convicções sem o filtro do partidarismo, você se sairia melhor se defendesse idéias nas quais realmente acreditasse, sem esse pragmatismo estratégico de militante do Psol. ;)

    Zezinho

    09 de novembro de 2012 às 12h50

    Quer dizer que prender bandido não resolve?

    Então porque SP tem um dos menores índices de homicídios no país?

    SP é o estado que mais prende bandido…

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 13h19

    zezinho, por favor chama o luisinho e o huguinho, esta foi demais:

    para dar continuidade a seu raciocínio teríamos que afirmar que a maioria dos presos são homicidas, certo?

    pois é, não são…os presos no Brasil, sem exceções, são em sua maioria traficantes e ofensores do patrimônio.

    homicidas vão pouco para a cadeia, primeiro porque a taxa de resolução é pequena, e SP também não é diferente neste quesito.

    o encarceramento não resolveu o crime doloso contra a vida em SP, porque os crimes combatidos com esta multidão de presos dizem respeito a crimes que não diminuíram, ao contrário, tem aumentado, como roubo(artigo 157) e claro, o tráfico, que cresce de forma exponencial.

    por mais cruel que pareça, o declínio das mortes tem a ver com o aumento da repressão aos grupos de extermínio dentro da PM, e como todo movimento de ação traz reação, parece que a parte mais truculenta voltou a ganhar terreno.

antonio rodrigues

08 de novembro de 2012 às 19h28

Que discurso mais antigo.
Desse bla bla bla todo a unica coisa certa é que as cadeias estão cheias de desempregados, que para viver passaram uns “baseados” pelas ruas.
A midia, sempre mancomunada com interesses estranhos, pinta para a classe media desinformada, que os “traficantes” são os responsáveis por todos os males da sociedade. A televisão mostra,depois da policia invadir a favela, o interior de um barraco com uma dessas banheiras piscina de plastico, de mil reais, como o luxuoso “castelo do poderoso chefão da droga”.
E muitos ingênuos acreditam.
Mal sabem que os verdadeiros chefões moram na Vieira Souto.
Mas, voltando ao inicio, o problema atual para as comunidades pobres é que a violência, os estupros, os assassinatos se alastraram como fogo no paiol.
Se a sociedade nada fizer sera consumida por esse total desrespeito a vida, as normas sociais.
E ainda vem alguém, diante de tanta tragedia, dizer aqui que a cadeia “não adianta”.
Mais da metade dos assassinatos são por motivos fúteis: briga de transito, de vizinho, discussão sobre futebol.
Imaginem a solução que encontraram?
Vão lançar uma campanha pedindo as pessoas contarem ate dez antes de assassinarem outras.
Neste pais é melhor rir para não chorar.
Enquanto isso o policial que matou a criança enfia o dedo na ferida da vitima para extrair a bala e sumir com a prova.

Responder

antonio carlos ciccone

08 de novembro de 2012 às 19h23

Penas alternativas pra quem não comete crime contra a vida, nem a mão armada. Prisão domiciliar com tornozeleira, e comparecimento semanal na presença de um Juiz. Penas graves para crimes contra a vida e porte ilegal de armas. Policia civil cominteligencia e uso das mais modernas técnicas de investigação. Isolamento do líderes. UPP nas comunidades mais afetadas. Há muitas saidas, sim.O que não dá é pra ficar negando o problema como faz o go. do Estado. Nem ficar com o código penal de 1940.

Responder

    Romanelli

    09 de novembro de 2012 às 09h47

    há alternativas sim ..como a CASTRAÇÃO química e monitoramento para os doentes que cometem crimes sexuais

    mas olha, quer saber? tal qual o código de regulação ÉTICA e TRANSPARENTE da mídia, quer apostar que nós vamos ficar debatendo, debatendo e debatendo, e NADA vai acontecer ?

    Marcelo de Matos

    09 de novembro de 2012 às 10h09

    Continuamos a acreditar em velhas soluções para novos problemas. Antigamente era fácil: a Inglaterra mandava os bandidos para a Austrália; Portugal os enviava para cá. A distância ainda é vista como solução: mandamos implodir o Carandiru (na minha terra se fala “dismuli”) e mandamos os presos para Presidente Bernardes, longe pra cacete! Com o futuro avanço tecnológico será possível mandar bandidos para Marte? O Carandiru era considerado por alguns experts da área de segurança como “um local triste”. Por que não implodi-lo, ensejando um belo espetáculo televisivo, e criando ali o Parque da Juventude, um jovial cabide de empregos?

Orivaldo Guimarães de Paula Filho

08 de novembro de 2012 às 18h58

Além do trabalho de inteligência policial, esquisita essa frase, de inclusão social e outras citadas no artigo. Acredito que precisamos iniciar uma discussão séria sobre a descriminalização de todo o processo produtivo e de consumo de todas as drogas naturais e sintéticas, com esta medida eliminamos uma das principais motivações para a violência, a corrupção e o abuso. Junto com esta discussão é importante, tb incluir o jogo através de máquinas ou apostas, outra fonte interminável de atos violentos e corrupção. O dificil é convencer os que se beneficiam legalmente dessas mazelas e interditam o debate sério e desapaixonado do tema.

Responder

    Marcelo de Matos

    09 de novembro de 2012 às 08h36

    Você não está só nessa luta pela descriminalização das drogas. Tem o Gabeira, o FHC, o PIG… Essa parece ser uma campanha ecumênica, reunindo esquerda, centro, direita, blogosfera e grande mídia. Sem querer contraditá-lo, direi que não é tão fácil acabar com o jogo. Essa é uma prática do quilate do álcool, do fumo, do crack. Ninguém tem a fórmula para suprimir esses vícios. Liberamos as drogas e banimos o jogo? É possível? Por falar em droga e jogo, domingo estarei torcendo por um milagre em Presidente Prudente, com mais um suspiro do Palmeiras. Quem nos livra dessas pragas? Ontem conversei com um amigo que tem um parente viciado em jogo. Em cavalo de jóquei clube ninguém aposta mais. O garotão joga pôquer na internet. Já ganhou uma fortuna e agora acumula dívidas: está acostumado a um alto padrão de vida e agora não tem como mantê-lo. Jogo é assim: você fecha aqui e tem sempre alguém que escancara uma porta acolá.

Marcelo de Matos

08 de novembro de 2012 às 18h30

(Parte 2) Carla Cepollina foi absolvida, mas, o MP, que se mostra tão diligente em esclarecer o assassinato de prefeito de Santo André, ocorrido há mais de dez anos, não nos diz o que fará para descobrir o verdadeiro autor do homicídio. Será que relutam em reconhecer o assassinato do coronel como obra do PCC para não “encher a bola” desses bandidos? E o recente atentado contra dois filhos de ex-policial da Rota também não teria ligação com o PCC? Não se resolverá o problema do crime organizado escondendo a sujeira debaixo do tapete. O problema só será resolvido se houver um estudo que aponte as raízes do conflito, sua extensão e medidas administrativas de curto, médio e longo prazo – um prognóstico completo. Ações pontuais do governo federal, como parecem ser as ora sugeridas, poderão constituir mero paliativo. A mídia pode colaborar com a segurança pública e com a Justiça, se não agir com facciosismo, ideologizando ou partidarizando o conflito, blindando autoridades, escondendo fatos e deixando de cobrar soluções de quem de direito.

Responder

    João Vargas

    09 de novembro de 2012 às 16h37

    Duas perguntas:
    1- se o MP se mostra tão diligente no caso de Santo André, por que não resolveu ainda?
    2- Por que procurar o verdadeiro assassino do coronel? só se for para dar uma medalha a ele.

Marcelo de Matos

08 de novembro de 2012 às 18h29

(Parte 1) O PCC surgiu em razão de uma série de equívocos da administração penitenciária e nada nos leva a crer que essa visão equivocada tenha mudado. Dizem alguns que o massacre do Carandiru foi um marco; outros alegam que a ideia de criar o PCC surgiu após um jogo de futebol no presídio de Taubaté, um dos mais rígidos à época, com relatos de tortura e maus tratos. Violência gera violência, mas, não acredito que tenha havido mudança radical dessas práticas. Talvez tudo continue como dantes no quartel de Abrantes. Como obter, então, bons resultados? A ajuda federal parece consistir em inteligência policial e isolamento de líderes em presídios federais. Há estudos que comprovem que isso poderá minorar os conflitos? A antropóloga Karina Biondi afirma que o PCC não é um grupo, que não tem nem organização e nem leis. Se não tem líderes, não tem hierarquia, sendo apenas uma ideia, o isolamento de supostos líderes não terá serventia alguma. Não há transparência na forma como a mídia trata os atentados. Estariam blindando autoridades?

Responder

Eunice

08 de novembro de 2012 às 18h20

Sempre me pergunto: quem dá emprego a ex-detento? Quem dá emprego a ex-policial? Parece-me que uma pessoa que vai para a cadeia uma vez, sempre estará perto dela, seja pela falta de emprego, seja pelo preconceito, seja pela sua própria inadaptação à vida normal.Quando uma pessoa comum procura emprego, a primeira coisa que pedem é atestado de antecedentes criminais.Como fica um ex-preso nessa situação? Penso que um policial expulso também deve ter muita dificuldade para encontrar emprego. Acaba indo para o crime.

Responder

    Marcelo de Matos

    09 de novembro de 2012 às 12h23

    Não necessariamente: o preso aprende a fazer artesanato e esse é um meio de vida. O policial pode fazer bico na área de segurança. É difícil encontrar alguém disposto a botar um revólver na cinta e tomar conta de patrimônio. Sempre existe serviço (não emprego) para o ex-presidiário. Ninguém gosta de trabalhar neste país e, quando aparece alguém disposto a botar a mão na massa, nem se pede atestado de antecedentes.

Valdeci Elias

08 de novembro de 2012 às 17h29

No Rio o Estado não só ocupou favelas, más tambem está tentando dar a população saúde, segurança e infra estrutura. Para impedir que o Tráfico fique no lugar do Estado.
O Estado tem que reocupar os presidios, não só militarmente. Más dar boa condição de vida aos presidiarios. Quem tem que dar saúde, segurança aos presidiarios, é o Estado e não o PPC.

Responder

    Romanelli

    09 de novembro de 2012 às 09h53

    o interessante é que existe uma cultura dentro doutra que NINGUÉM resolve combater ..por exemplo:

    Quem nunca viu os presos, na cara das “autoridades”, cometerem de “outras” justiças em nome duma tal ética ? ..então? é estuprador sendo estuprado ..criminosos contra menores sendo torturados ..assassinos e ladrões de pobres, sem direito a defesa e/ou oitiva, sendo humilhados e/ou justiçados “pela comunidade” ..fora da turma refém do PCC

    aqui, é como todos os colegas falam, o problema engloba inúmeras frentes ..porém, do que já vivi,temo que a maioria das nossas “autoridades eleitas” não estejam preparadas pra conduzir-nos às soluções

    Zezinho

    09 de novembro de 2012 às 13h50

    Deve ser por isso que a taxa de homicídios no Rio é bem MAIOR do que em SP…

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 14h23

    zezinho,

    chama o huguinho e luisinho para te ajudar, e quem sabe, a magda patalógica ou a madame min, porque no seu caso, só bruxaria, pois veja:

    “(…)O estado do Rio de Janeiro registrou 1.784 homicídios dolosos (quando há intenção de matar) entre janeiro e maio deste ano. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Segundo o ISP, o índice é considerado o menor em 21 anos. Somente em maio foram registradas 344 vítimas (contra 368 no mesmo período de 2011).

    De acordo com o instituto, entre janeiro e maio de 2011 foram registrados 1.945 homicídios dolosos, com a taxa de 10,9 casos para cada 100 mil habitantes.

    O indicador Letalidade Violenta, que inclui, além de homicídio doloso, os crimes de latrocínio, auto de resistência e lesão corporal seguida de morte, registrou seu menor índice desde 2000. Segundo o ISP, Foram 398 ocorrências em maio (contra 455 em 2011) e 2.048 no acumulado dos cinco primeiros meses de 2012 (contra 2.319 em 2011). A taxa desses primeiros cinco meses foi de 12,5 por 100 mil habitantes.(…)”

    Agora em SP

    “(…)Segundo a diretora do Instituto Sou da Paz, Luciana Guimarães, somente seria possível manter índice menor ou igual ao do ano passado, caso houvesse uma redução gradativa a partir de agora no número de mortes. “A gente vê claramente que há tendência de ser maior. Nos últimos quatro meses, a gente vê variação de aumento mês a mês na taxa de homicídios [na comparação com os mesmos meses do ano passado]”, destacou, ao comentar os dados da sexta edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje (6) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

    O anuário mostra uma redução de 3,7% no número de assassinatos em São Paulo no ano passado em comparação a 2010. Foram 10,1 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Em números absolutos, o total de assassinatos reduziu de 4.321 mil para 4.194 mil. No início da série, em 2006, a taxa era 18,21, tendo caído para 11,7 e 10,8 nos dois anos seguintes. A taxa apresentou leve aumento em 2009, quando passou para 11 mortes a cada 100 mil habitantes, mas voltou a reduzir no ano seguinte (2010), quando ficou em 10,5.(…)”

    Ou seja, a diferença é pouca.

    No entanto, meu filho, resta ainda o perigo de compararmos fenômenos distintos, com processos históricos diferentes, embora alguns pontos e parâmetros sejam parecidos.

    De toda forma, sem querer reduzir o tema, é preciso dizer: tanto o RJ quanto SP começaram enfrentar sua atávica vocação para registrar execuções como autos de resistência.

    A “poliçada” entendeu e recuou.

    É claro que os homicídios não são resultado só da ação homicida da polícia, sempre legitimada por editorais, “datenas”(SP, ou wagner montes(RJ), mas pela percepção de TODA sociedade de que a vida vale pouco, e a do outro vale ainda menos, principalmente se “o outro” for pobre e preto.

    Zezinho

    09 de novembro de 2012 às 18h42

    O Xacal,

    vc vem com todo esse palavreado para confundir, mas seus próprios dados comprovam que o índice de homicídios no Rio é bem maior: 1784 homicidios em 5 meses dá 4280 em um ano, ou seja, em números absolutos é exatamente a mesma de SP. Detalhe, a populacao do Rio é 1/3 da de SP, ou seja que a taxa de homicídios é 3 vezes maior.

    Mas a gente dá uma colher de chá né, afinal o ensino no Brasil é um lixo e esperar que todos tenham aprendido matemática é realmente querer demais.

    xacal

    09 de novembro de 2012 às 21h46

    Zezinho, chama o luisinho e o huguinho, quem sabe eles tenham chegado da escola e não sejam analfabetos funcionais. Este negócio de internet reduz a capacidade cognitiva mesmo.

    Vou tentar falar menos complicado para você, embora o tema requeira certo polimento intelectual.

    Minha matemática é ruim, mas sua capacidade de ler e entender é pior, vamos lá:

    A série de amostragem do RJ é relativa aos cinco primeiros meses anualizados, ou seja, janeiro a maio de 2011 e 2012, respectivamente, veja:

    “(…)O estado do Rio de Janeiro registrou 1.784 homicídios dolosos (quando há intenção de matar) entre janeiro e maio deste ano. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Segundo o ISP, o índice é considerado o menor em 21 anos. Somente em maio foram registradas 344 vítimas (contra 368 no mesmo período de 2011).”
    (…)De acordo com o instituto, entre janeiro e maio de 2011 foram registrados 1.945 homicídios dolosos, com a taxa de 10,9 casos para cada 100 mil habitantes.
    (…)
    Segundo o ISP, Foram 398 ocorrências em maio (contra 455 em 2011) e 2.048 no acumulado dos cinco primeiros meses de 2012 (contra 2.319 em 2011). A taxa desses primeiros cinco meses foi de 12,5 por 100 mil habitantes.(…)”

    Logo, meu fio, sua conta aritmética não serve para projetar o período do mês 01 ao mês 12.

    Se você tiver o cuidado de checar os dados no www.isp.rj.gov.br, poderá notar que o RJ, pela série histórica, deve fechar o índice entre 10 e 13 a cada 100 mil.

    Bem próximo ao que SP apresenta como taxa anual. E foram estes dois estados os maiores responsáveis pela redução da média anual de cerca de 50 para pouco mais de 20 a cada 100 mil em dez anos.

    Então, fio…pare, respire e pense antes de sentenciar suas opiniões como certeza.

    Fato: RJ e SP têm taxas bem próximas a cada 100 mil hab/ano.

    Para você não dizer que titio xacal é ranzinza, te dou um argumento de bandeja para você usar com seus coleguinhas: Considerando o tamanho do estado e a população e as características do adensamento populacional de uma cidade como a grande SP(onde estão os maiores índices), talvez o trabalho de SP tenha sido maior que o do RJ.

    É mais ou menos como os idiotas que tentam comparar a Holanda com o Brasil em serviços públicos, como educação, segurança e saúde.

    Embora todos os dados levem em conta a proporção entre os países, é claro que adotar medidas em um país menor que Minas Gerais é totalmente diferente do Brasil e seu tamanho e contrastes.

    Em suma, 12 ou 13 a cada 100 mil em SP é muito melhor que 10 ou 12 a cada 100 mil no RJ. Por aí, se você prometer citar a fonte, você faz bonito.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding