VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Francisco Bicudo: A política como show da vida


16/09/2011 - 10h26

terça-feira, 13 de setembro de 2011

NO FANTÁSTICO, DILMA REFORÇA POLÍTICA COMO SHOW DA VIDA

por Chico Bicudo, em seu blog, via @ChicoBicudo

Sem tergiversar (tenho certeza que a presidenta Dilma Rousseff prefere que seja dessa maneira): fiquei incomodado e lamentei profundamente que a entrevista exclusiva de vinte minutos em horário nobre tenha sido dada a um programa de entretenimento, o “show da vida”.

No domingão, final de noite, depois do almoço em família e da rodada do futebol, na maioria das vezes quem senta na frente da telinha e procura narrativas como as oferecidas pelo “Fantástico” está justamente disposto a manter a cabeça desligada, prolongando ao limite do impossível mais um final de semana que insiste teimosamente em escorregar pelos dedos, anunciando a agonia de mais uma segunda-feira de trabalho, transtornos, tarefas, reuniões e tensões. Estamos quase a dizer – ‘não quero pensar, sem preocupações, só amanhã, mais um pouco, por favor’. É legítimo. Mas é preciso que se trate dessa maneira – como entretenimento.

A presidenta – e a assessoria dela – sabem disso. Não escolheram o Fantástico ao acaso. Não foi aleatório. Não foram obrigados. Foi feita uma opção. Antes de mais nada, depois de alguns dias em que se falou sobre propostas de regulação da mídia, seria bom mostrar afinidades, sintonias e encantamentos com a principal e mais poderosa emissora de TV do país, como a dizer “calma, nada muda, estamos no mesmo barco”. A proposta da conversa também não era de forma alguma fazer pensar, mas tocar pelas sensações e emoções.

Provavelmente a escolha foi mais uma peça de uma estratégia de popularização da imagem da presidenta, algo como “uma mulher como qualquer outra, informal, leve, risonha e brincalhona”. As expectativas estavam explicitamente voltadas para a construção da marca de “alguém que também é comum, que tem desejos, vaidades, manias e vontades, como quaisquer outras brasileiras” – uma presidenta que cria empatias e identidades, capaz de cair no gosto popular.

Não é difícil perceber que os marqueteiros (figuras cruciais da política como entretenimento) do Planalto não desgrudam os olhos dos tais índices de popularidade. Muitas das ações e das falas presidenciais têm sido guiadas por esses números mágicos de aprovação – ou trágicos de reprovação.

Desde os recordes atingidos pelo ex-presidente Lula, a impressão que tenho é que se tornou uma obsessão conhecer como a opinião pública avalia ações de governo – o que obviamente tem lá sua importância, mas, ao mesmo tempo, quando elevada à enésima potência, faz dos administradores públicos reféns de institutos de pesquisas. Pensam em cada lance. Jogam para a plateia. Aguardam os aplausos. Ficam frustrados quando não os ouvem. E repensam suas ações e agendas. Egos precisam ser acariciados – sobretudo.

Mais uma vez, o Fantástico cai como uma luva para dar conta dessa demanda – depois de um período difícil, com turbulências, crises e demissões de ministros, eis agora a presidenta doce e meiga, que se reencontra com seu povo, arruma tempo para brincar com o neto, não gosta de ar condicionado (sabiam?), escolhe sem ajuda as roupas e está sempre muito bem alinhada (tem até usado mais saias, vejam só), faz a própria maquiagem (que bom!) e quer muito perder alguns quilinhos extras.

A pauta da entrevista, que tragédia, poderia ter sido feita por uma criança de cinco anos, quem sabe até o neto da presidenta pensasse em questões mais relevantes, como chegou a ser comentado nas redes sociais. Mas e quem estava mesmo interessado no debate político?

Pois esse é justamente o ponto fundamental da discussão, o que mais me incomoda e para o qual desejo chamar a atenção – ao escolher o Fantástico e favorecer mais uma vez a lógica e a estética do entretenimento, sempre grandiosas e arrebatadoras, a presidenta faz submergir o complexo exercício de racionalidade que marca o debate político.

Diante dos olhares desejosos de distração da opinião pública, em horário nobre, a política aparece banalizada, surge como frivolidade, algo secundário, curioso, superficial, simplificado, leve, quase sem conflitos, professoral – vá lá, um tema até interessante, mas não exatamente importante.

Esse movimento, aliás (o que é mais preocupante e acachapante), parece ser a tendência dominante do atual governo – e também do anterior. Quais são afinal de contas as iniciativas políticas que estão sendo sustentadas e bancadas pela administração Dilma Rousseff? Para além do gerenciar a herança lulista, quais as transformações de fato que estão acontecendo na área social, por exemplo? Quais suas bandeiras e prioridades? Pois não nos disseram que o tal presidencialismo de coalizão era fundamental exatamente para garantir maiorias, a governabilidade e a implementação das ações de governo? Ah, entendi… as alianças não foram ideológicas, mas fisiológicas; não foram programáticas, mas pragmáticas.

O que acontece é que a Política (com “P” maiúsculo mesmo)… não acontece. O Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados não era o que Dilma queria – mas o governo também não fez força alguma no Parlamento para aprovar proposta alternativa. Temeu melindrar aliados ruralistas. Foi só a ala amiga-religiosa-reacionária gritar um pouco mais alto que o kit anti-homofobia que seria distribuído nas escolas públicas com intuito de combater o preconceito foi suspenso, sob a alegação que não é “consenso no governo”. Dilma não quer a aprovação da emenda 29, diz ser contra a volta da CPMF, mas reconhece que a saúde de fato precisa de mais recursos. De onde virão, afinal?

O governo não quer se comprometer. Abre mão de contrariar interesses – ou seja, de fazer política. Lava as mãos. Não quer se desgastar com a classe média (imagem é tudo, lembram-se?). Líderes de trabalhadores rurais são mortos. A presidenta não vem a público para condenar com veemência os assassinatos – e explicitar ao lado de quem está nessa disputa.

Democratizar e regulamentar a mídia, quebrar monopólios da informação, cobrar impostos de grandes fortunas? Nem pensar. Podem achar que ela é muito radical, não? Sobre a abertura dos arquivos secretos, puxa vida, as mudanças de discursos já foram tantas que já nem sabemos mais o que Dilma pensa. E até mesmo a Comissão da Verdade, que era questão de honra, precisa das bênçãos do DEM (que patrocinou a ditadura militar) para ser aprovada, para “não causar traumas”. Durma-se com um barulho desses.

Fica difícil. Respeitados os fundamentos e princípios da democracia, política significa tensão. Divergência. Debate. Disputa. Enfrentamento. Exige escolhas. E não aceita omissão. Nem medo. Como bem lembra o poeta, escritor e dramaturgo alemão Berthold Brecht, não adianta estufar o peito e nele bater dizendo “não gosto disso”.

Quando nos recusamos a fazer política, há certamente alguém disposto a fazê-lo por nós. Espaço vazio é espaço ocupado. Que o diga o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em nome da conciliação, de afagos em republicanos e por imaginar que seus competentes discursos e belos olhos seriam suficientemente sedutores para governar o país, enfrenta atualmente a fúria fanática de um movimento chamado Tea Party.

Não tenho dúvidas: lá, como cá, a desmobilização do debate que deveria marcar a esfera pública e ser a tônica da vida cotidiana, patrocinada por aqueles que tratam a política como mero produto do entretenimento, em grande medida é diretamente responsável pelo avanço do discurso e das práticas conservadoras.

Leia também:

Rodrigo Vianna: Estadão crava espada nas costas de Dilma

Dario Pignotti: FHC e o Pensamento Jornalístico Único

Emiliano José: A luta envolvendo a internet é política

Nouriel Roubini: Danou-se, então, o capitalismo?

Naomi Klein: Preparem os canhões de água e as balas de borracha

Doutor Doom guarda dinheiro no colchão

Slavoj Zizek: Batedores de carteira, uni-vos!





29 comentários

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O_Brasileiro

18 de setembro de 2011 às 15h07

Como ainda tem gente que assiste e continua se incomodando com a Globo…
Não partilho do pensamento de que se deve "saber o que pensam os adversários".
A Globo tem uma programação péssima e só quem não tem o que fazer, ou que precisa fazer por força do ofício ainda a assiste.
Eu não tenho tempo pra isso.
Na Globo eu só assisto a fórmula 1, e depois que melhorou um pouquinho com o Hamilton e o Massa.
Talvez seja a hora de muita gente "incomodada" começar a trocar o canal e passar a usar melhor seu tempo!

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Substantivo Plural » Blog Archive » A política como show da vida

17 de setembro de 2011 às 11h47

[…] aqui […]

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Bernardino

17 de setembro de 2011 às 10h50

ESSE BLOG tem se destacado pela liberdade de opiniao de seus internautas.Estranhei o fato de nao terem publicado meu comentario acerca da s consideraçoes do Francisco Bicudo sobre a entrevista da Dilma no fantastico.Por quê? Falei verdades pelas concessoes de radio aos evangelicos e picaretas citando nomes.
Se esse blog defende a lei dos medios,nao tem que proteger A OU B,mesmo havendo vinculo empregaticio
por parte de qualquer dos membros com outras emissoras citadas.Se agir asssim os Blogs deixarao de ser independentes e serao auxiliares das midias imprssas e televisivas!!!

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Cesar Constantino

17 de setembro de 2011 às 02h25

Real politk é negociação e estabelecimento de acorods. Dilma e Lula demonstram saber isto melhor do que o (supostamente) weberiano F Gagá C.

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    Fabio_Passos

    17 de setembro de 2011 às 08h45

    F gagá C foi o rei dos acordos.

    daniel dantas roubava, acm passava a mão na bunda dele, o Brasil quebrou 3 vezes, a globo extorquia sabe-se lá o que enquanto escondia o filho do sujeito na europa e o Brasil ficou até sem luz.

    O melhor de Lula foi o enfrentamento da mídia-corrupta e da "elite" branca com o bolsa família e em 2008 com as políticas anti-cíclicas.

    O que será o melhor de Dilma? Entrevistas no PIG ou realizações para o povo brasileiro?

    @lucasvazcosta

    17 de setembro de 2011 às 12h07

    Não sei até que ponto esses acordos podem ser tomados como mérito. Há certos tipos de acordo político que fariam corar Ali Babá e os 40 ladrões…

Edemerson Aquino

16 de setembro de 2011 às 22h14

Parabéns, Chico bocudo, por esse texto que bate com o que pensei logo depois de assistir à entrevista. "Show de frivolidades". Senti um vazio político imenso; ouvi até mesmo a estridulação de um grilo na rua da minha casa. Fui dormir mal, não pela Segunda-feira que chegava, mas pela falta de vontade e objetividade de ambas. Tinha alguma coisa casada ali. Mas esperar coisa boa da Rede Globo é querer muito pro meu coração, mas da Dilma… esperava mais!
Parabéns também ao L.C.Azenha.

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dukrai

16 de setembro de 2011 às 22h09

Azenha, pegando uma carona no texto do Bicudo. A Dilma cancelou a presença dela na inauguração do relógio dos 1.000 dias hoje a noite aqui em BH. O Anestesia cercou a praça da Liberdade desde a manhã e o show que teve no Palácio não pode ser visto por ninguém. Os professores em greve que estavam protestando foram separados em grupos pela polícia e o grupo do meio, o maior, foi cercado pela cavalaria, levaram bombas de gás lacrimogênio e ouvi falar de tiros de bala de borracha. Nem nos tempos de Boca Mole os funcionários públicos, federais, foram reprimidos com violência, esse modelo anestesia/aébrio é tucano e de inspiração çerrista. Minha mulher, filha e eu ficamos num grupo menor, mas a fumaça das bombas de gás nos atingiram e fomos obrigados a ir embora. Falei com um policial numa viatura e disse que tinha sido convidado para um evento e expulso. Ele argumentou que a ação não era da polícia, era do Estado e as ordens do Anastasia. Acreditem se quiserem, mas o PM falou isto. Pra completar a trapalhada, os fogos de artifício atingiram uma mega-palmeira imperial centenária atrás do palácio, que incendiou e o fogo foi apagado pelo corpo de bombeiros. Não sei se a palmeira vai resistir, é uma pena ver uma árvore imponente como aquela ser destruida por uns fogueteiros incompetentes.
Não teria problema algum o evento ocorrer e os grevistas se manifestarem, mas o Anestesia é um fascista e tem a imprensa na mão. Tenho algumas fotos de celular, se interessar e a qualidade do material permitir a publicação, estão a sua disposição.

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beattrice

16 de setembro de 2011 às 22h08

Excelente texto:
"A presidenta não vem a público para condenar com veemência os assassinatos – e explicitar ao lado de quem está nessa disputa."
A PRESIDENTE [que deixou de ser presidentA no festim diabólico do Tavinho por absoluta decisão própria e autônoma] não explicita ao lado de quem está em NENHUMA disputa atualmente,
da Ley de Medios ao PNBL, da emenda 29 à homofobia como crime,
dos direitos da mulher à defesa da AL,
o governo Dilma assemelha-se a uma gelatina, e isso definitivamente não é um elogio.
Gelatina, de sabor FANTÁSTICO.

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FrancoAtirador

16 de setembro de 2011 às 21h59

.
.
Depois não sabem por que meia dúzia de canalhas conseguem mobilizar tanta gente imbecil.
.
.

Responder

Chico Bicudo

16 de setembro de 2011 às 21h47

Bacana, o debate continua. Vamos lá. Concordo, política não é só utopia – mas, sem a utopia, sem o sonho, fica muito chata. Penso até que perde o sentido, a razão de ser. Pode ser que eu seja anacrônico ou purista, mas um governo de esquerda (mesmo de centro-esquerda) não deve se contentar em gerenciar ou acomodar, apenas. Precisa tensionar e transformar, muitas vezes sendo vanguarda desse processo. Sim, conheço as linhas gerais da política de comunicação do Planalto – e, sim, ela passa por flertes sedutores com a velha mídia, além de encontros perigosos com o entretenimento. Ana Maria Braga e Patricia Poeta não foram contempladas ao acaso. Abraços a todos!

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Chico Bicudo

16 de setembro de 2011 às 20h59

Obrigado a todos os que leram e comentaram o texto. É sempre bom poder debater e compartilhar idéias. De fato, a referência ao conceito idealizado por Guy Debord deveria ter sido mais explícita (aparece de forma evidente em outros textos do meu Blog, mas fica faltando aqui). Assumo a falha. Não me parece que a análise afirme que a oposição está cumprindo seu papel – ao contrário. E, certamente, política não precisa ser sinônimo de expressões carrancudas, mas não pode mesmo, penso, abrir mão do enfrentamento, não pode trocar o importante/relevante pelo interessante, não pode só ser "leve" ou recheada de frivolidades, sob pena de incentivar a banalização e a naturalização dos conflitos sociais – e a manutenção do estado das coisas. A figura humanizada da presidenta não deve representar o abandono do fazer política. Sim, o PT há tempos se transformou no partido da ordem. Nesse sentido, o tom do texto não é de surpresa, mas de indignação, como anunciado logo na abertura do post. Abraços a todos.

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Fabio_Passos

16 de setembro de 2011 às 20h14

Este negócio de marqueteiro mandar na agenda de político é o fim.

Líder político tem a obrigação de levantar os debates fundamentais para a sociedade e muitas vezes defender publicamente bandeiras avançadas que ainda não contam com aprovação da maior parte da população.

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francisco p. neto

16 de setembro de 2011 às 20h01

Todo mundo pode opinar, porem não necessariamente concordar.
Conhecem aquela história do burro, do velho e do menino?
Em qualquer situação em que se configurava os três personagens, eram alvos de críticas por onde passavam.
Então, não tem jeito.
Cada um enxerga com o seus olhos, e não esperem que os outros vejam da mesma forma.
Não concordo com o xarábicudo.
Embora, como ele interpreta, uma entrevista de futilidades, nem por isso a senhora Globo deixou de fazer perguntas políticas e idiotas.
A Poeta ficou com a rima desalinhada, quando perguntou o "toma lá dá cá", e recebeu a resposta merecida da presidenta.
Só isso, por apenas só isso valeu a pena a presidenta, ou melhor, os marqueteiros do Planalto, terem escolhido o Fantástico.
O golpe foi tão certeiro no fígado que no dia seguinte no "Bom (?) Dia Brasil a Globo editou essa parte.
Outra coisa.
O xarábicudo, por acaso sabe da estratégia do Planalto para a condução do governo?
Já li análises muito mais interessantes e inteligentes do que essa.

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Rafael

16 de setembro de 2011 às 19h28

Política não é essa utopia que o Bicudo diz. Política é negociação. Ninguém consegue impor, por melhor que seja para o povo, uma medida ou uma lei. Não temos um congresso totalmente favorável ao povo. Dilma fez a parte dela, ganha publicidade entra em contato com o povo.

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    beattrice

    16 de setembro de 2011 às 22h13

    Há um concurso ao Clio Awards no Planalto?

Gustavo Pamplona

16 de setembro de 2011 às 18h33

Hahhahahahahah Eu rio demais dos PTistas deste blog!!! hahahahhahahah

Eu venho falando que todos vocês tem problemas… quando o PORCO "bate" a presidenta… vocês reclamam… quando "afaga" a presidenta… vocês também reclamam….

Agora me perguntem o porquê não estou comentando mais com aquela frequência de antigamente, eu venho notando já faz tempo que vocês não estão batendo muito bem mesmo.

Um dia quem sabe eu explico para vocês como funciona a mídia e as relações dela com o poder.

—-
Gustavo Eduardo Paim Pamplona – Belo Horizonte – MG
Desde Jun/2007 notando que vocês não estão batendo bem no "Vi o Mundo"! ;-)
Fundador do PORCO – Partido de Oligarcas Representantes de Capitalistas Opressores (PIG)

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    Rafael

    16 de setembro de 2011 às 19h24

    Tu é o cara. Ninguém chega nem perto de você. É praticamente um mestre.

cronopio

16 de setembro de 2011 às 17h54

O texto contém um bom diagnóstico mas, na humilde opinião deste leitor, desliza ao não perceber que a "espetacularização" é uma tendência geral de longa data e não diz respeito a esse ou aquele partido, esse ou aquele político. Não era outro o fenômeno que Guy Debord detectou em "La société du spetacle". Vale lembrar que, em 1967 (data da publicação do livro), o espetáculo contava com um aparato tecnológico incipiente, embora o embrião já estivesse lá. A massa dos ouvintes se amontoava diante dos aparelhos de rádio. Mas o espetáculo tampouco é um fenômeno novo. Segundo Debord, o poder no Egito antigo também era regido pela lógica do espetáculo. Seria preciso que o autor pelo menos citasse Guy Debord, até porque o conceito de espetáculo aparece no texto, ou a discussão vai descambar para a retórica de lavadeira dos escandalizados…

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Fabiano

16 de setembro de 2011 às 15h23

O PT deixou de ser um partido que contraria interesses em meados dos anos 90. O Chico bicudo dormiu na outra década e acordou agora? Porque a surpresa??

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Bruno Moreno

16 de setembro de 2011 às 14h10

Achei fraco o texto. De fato está faltando politizar os debates no governo com a sociedade, mas não é real que a oposição esteja cumprindo tal papel, passa longe disso. Fora isso, na minha opinião não tem nada de errado querer passar uma imagem mais comum, humanizada, simpática, como colocado. Não é isso que impede a politização, está não tem de estar travestida de uma forma carrancuda. Agora, de fato, o governo precisa politizar sua pauta sem ter medo do que vai se dizer.

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pperez

16 de setembro de 2011 às 13h37

Eu não tenho duvida alguma que esses salamaleques da Dilma com a Globo é para ir dourando a carne até processo de regulamentação da mídia chegar no ponto.
O problema é que o cozinheiro dela esqueceu (ou não quer)! tirar o prato do congelador!

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    leandro

    16 de setembro de 2011 às 16h16

    Ontem, na convenção do pmdb, foi aprovada a carta compromisso de apoio total a liberdade de imprensa, como são eles que mandam, adeus a tal de "ley dos medios"..e a presidente bradou "viva o pmdb".

    beattrice

    16 de setembro de 2011 às 22h10

    Quando vamos nos conscientizar de que os cozinheiros obedecem às ordens da CHEF?

Francisco Couto

16 de setembro de 2011 às 13h11

Texto brilhante. Mais claro,impossível. Pergunto aos que assistiram a nossa presidenta no programa da Ana Maria Braga: será que,ao fazer a omelete,ela quebrou os ovos?

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    beattrice

    16 de setembro de 2011 às 22h09

    Não sobrou nenhum?

Julio Silveira

16 de setembro de 2011 às 11h57

Olhando sob esse prisma, e tendo a clareza de que as criticas procedem, estamos diante de um governo que se move não pela necessidade de acrescentar na construção da nação, mas da necessidade de chegar ao fim do mandato agradando gregos e troianos para, com toda superficialidade, aparecer bonito na foto.

Responder

Klaus

16 de setembro de 2011 às 11h47

No post em que as feministas reclamam desta entrevista, fiz as perguntas abaixo em meu comentário. O texto, brilhantemente, responde a todas.

"Que objetivos Dilma queria alcançar ao dar uma entrevista ao Fantástico? Estes objetivos foram alcançados? Quem é o público do Fantástico? Após a entrevista, a imagem de Dilma ficou mais próxima e humanizada perante este público? As perguntas sobre aparência, hábitos pessoais e amenidades foram combinadas antes ou foram uma surpresa para a presidenta? Vocês não acham que quando nós estamos indo com o fubá a assessoria dela já está voltando com o angu?"

Responder

    beattrice

    16 de setembro de 2011 às 22h09

    Angu desandado.


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