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Fernando Brito: Com novas tecnologias, jornada de trabalho aumentou


09/08/2012 - 11h23

O ministro Brizola Neto em recente entrevista a blogueiros

Conversa de Villa

Simplório julgar o ministro por incompletos dados de agenda. A citação a Lafargue vale, porém: a internet realmente cria hoje padrões horários de escravidão

por Fernando Brito*, na Folha

O historiador Marco Antonio Villa escreveu, aqui nesta Folha, um artigo que revela, novamente, a sua vocação para a historiografia baseada em agendas. Em “O trabalho do ministro do Trabalho” (30/7), proclama que Brizola Neto, titular do cargo, é “adepto radical de Lafargue”, autor de “O Direito à Preguiça”.

Retoma o método (?) de pesquisa simplório de verificar o comportamento de um administrador público por uma análise burocrática de simples e incompletos registros da agenda oficial de gabinete.

Já havia feito o mesmo com ninguém menos que o presidente Lula, em 2006, no mesmo espaço, afirmando ser “altamente questionável a eficácia” de Lula, com períodos onde “teve 0,6 compromisso por dia”.

Ao tentar fazer o mesmo com um simples ministro, Villa baixa o nível de sua “historiografia” banal e fútil.

Não analisa os atos praticados pelo ministro (como a mudança nos programas de qualificação profissional, o saneamento da concessão de registros sindicais, a retomada do diálogo com as entidades patronais e laborais, entre outros) e o seu papel de representação do nosso país, seja na reunião dos ministros do trabalho do G20, seja como chefe da delegação brasileira no Congresso da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra – descrito como um simples “estava na Suíça, que ninguém é de ferro”.

Certamente, Villa não diria o mesmo se, em lugar de um congresso que consagrou a proteção social, o ministro estivesse na mesma Suíça, mas em Davos, no Fórum Econômico Mundial, onde governantes e a elite do mundo financeiro discutem os graves problemas do capital.

E, claro, escapa à sua exaustiva pesquisa “agendográfica” o tempo necessário para reorganizar um ministério que, ele próprio reconhece, funcionava à base da interinidade.

Mas uma contribuição, faça-se justiça, a conversa de Villa traz.

Ao citar Paul Lafargue, um pensador socialista do século 19 (e genro de Karl Marx), ele relembra a questão do direito, não do ministro, mas dos trabalhadores, a uma jornada de trabalho que reserve tempo para o direito humano ao lazer, à família, à cultura… As jornadas de então, 12 horas diárias nos países centrais, ainda são realidade para muitos brasileiros. É uma discussão atual e necessária que, embora amortecida pela crise da economia mundial, precisa ser travada pelo Brasil.

A luta do movimento sindical pela jornada de 40 horas, que sempre teve o apoio militante de Brizola Neto quando deputado, segue um compromisso trabalhista que todos nós, seus colaboradores, sustentamos.

(Mas, lamento informar ao historiador, não cumprimos tal jornada em nossas próprias funções, que por vezes nos absorvem até por 14 horas e nunca menos de dez horas diárias.)

Ao relevante, pois.

Em março, o Ipea revelou que quase metade dos trabalhadores pesquisados não se desliga totalmente do trabalho ao fim da jornada formal.

Novas tecnologias, em vez de gerarem tempo livre, reduzem-no. Um quarto dos trabalhadores são obrigados pelos superiores a ficar de prontidão, 8% precisam desenvolver atividade extra por celular ou internet, 40% dizem que a qualidade de vida é afetada pela jornada exaustiva e 10% revelaram que até relações familiares se degradam por isso.

A tecnologia não raro vem se convertendo em instrumento para retornar a jornada e a disponibilidade do trabalhador -e notadamente do de classe média- aos padrões horários do escravismo.

O artigo do senhor Villa foi publicado no mesmo dia em que, em vários pontos do país, transportadores autônomos se insurgem contra uma lei “absurda”, que obriga motoristas de carretas de 30 ou 40 toneladas e de ônibus cheios de passageiros a não dirigirem ininterruptamente por mais de quatro horas e não mais que dez horas por dia.

Que perda de “produtividade”, não? Os milhares de vidas humanas e os milhões em danos materiais provocados por esta que é a maior fonte de acidentes rodoviários não ocuparam nem o espaço de uma boa reportagem na maioria dos jornais.

Mas é natural que o historiador de agendas esteja ocupado demais com querelas e fuxicos para dar atenção à história.

*FERNANDO BRITO, 53, jornalista, é chefe do gabinete do ministro do Trabalho

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28 comentários

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Elias

10 de agosto de 2012 às 12h29

Com todo o respeito aos confeiteiros, Marco Antonio Villa é um confeteiro perdido nas encomendas do PIG, um confeiteiro sem direito à preguiça, que não se aguenta em pé de tanto trabalhar para os golpistas midiáticos. Então ele confunde receitas e acaba por tirar do forno os bolos mais insípidos e doces melequentos que só os pigboys conseguem comer.

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Julio Silveira

10 de agosto de 2012 às 09h59

Instado a pensar mais um pouco sobre esse assunto. Digo que infelizmente torço pela absolvição de todos os reus. Não por crer, como alguns manifestam, na inocencia deles. Mas por crer que o modus operandi irá continuar, e que o que difere o reus dos demais politicos é que esses foram citados, expostos, mas e os outros? Infelizmente essa é uma cultura que faz parte da podre politica brasileira. Está cada vez mais claro isso. E aí está minha triteza, por que todo esse processo está sendo alimentado pelos pior dos motivos, a vingança. Alimentado por grandes interesses contrariados dentro dos grupos midiaticos que representam grupos economicos dentro da sociedade. Não será um processo de cura, mas uma mistificação, uma demonstração de força e coação. Não existem inocentes politicos nesta história, mas vitimas certemente tem e são a sociedade brasileira. Obrigada a engolir esse farizaismo e a turma de enganadores que fazem escola, dos dois lados.

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    Julio Silveira

    10 de agosto de 2012 às 10h52

    Desculpem, minha opinião não era para estar neste contexto.

Mardones Ferreira

10 de agosto de 2012 às 08h41

Esse proto-historiador Vila poderia fazer algo mais produtivo. Ou será mais um inútil piguento? k k k

Em vez de ficar citando outros poderia ir para academia tentar produzir uma tese, mas receio que ele não tenha capacidade para tanto.

Logo, justifica-se a inutilidade de sua contribuição à Folha. Bem, mas o que esperar da Folha?

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Paciente

10 de agosto de 2012 às 03h51

O nome do programa de computador que todos temos em casa é “Office” (escritório). Dito isso nada mais precisaria ser dito…

Apenas espero que o mané citado no artigo tenha escrito a matéria dele em casa num domingo ensolarado recebendo, entre um choramingo do filho e um clamor ardente da esposa solitária, um e-mail do editor – pedindo pressa na entrega da matéria!

Que cada um edifique seu próprio inferno…

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Marat

10 de agosto de 2012 às 00h00

Algo que jamais eu poderia sonhar: Um Jornalista ensinando um historiador que história é ciência e tem método… os valores neste caso, inverteram-se.
Um Jornalista, de verdade mostrou que um historiador de quinta categoria não pode basear suas teorias na primeira fonte que encontra. Um Historiador precisa compreender o todo, o contraditório. Neste caso, Villa comportou-se como um “jornalista” da veja, e Britto comportou-se como um sério Historiador. Da-lhe Britto… Quanto ao Villa, é melhor ele palestrar no nefando Instituto Millenium, ou prestar seus “serviços” na CBN…

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    Fabio Passos

    10 de agosto de 2012 às 07h22

    E o PIG usa o sujeito com este fim até perder completamente a credibilidade. Quando o idiota já não convence mais ninguém… o PIG aposenta o cão velho e contrata um cão novo para mostrar os dentes, rosnar e latir contra a esquerda.
    Não demora muito e o PIG chama a carrocinha… e este marco vila vai virar sabão. rsrs

FrancoAtirador

09 de agosto de 2012 às 23h47

.
.
Esse M.A.V. é um dos “especialistas” neoliberais do Millenium.

Foi meticulosamente escolhido para defender os interesses

dos representantes do atraso nos canais máfio-midiáticos.

É um intelectualóide de uma simploriedade incomparável.

O que vai ser da direita braZileira, quando o FHC morrer ?!?

http://www.imil.org.br/categoria/articulistas-e-especialistas/

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Ze Duarte

09 de agosto de 2012 às 21h11

Assessor do ministro… lógico que tem que puxar o saco né? Tá aí mamando nas tetas do Estado…

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Geysa Guimarães

09 de agosto de 2012 às 19h26

Que tijolaço no bico!
No melhor estilo Fernando Brito (bateu saudade).
Uma pergunta sobre o “inspetor de agenda”:
“Alguma vez esse Villa criticou o notório hábito de Serra de começar o trabalho depois das 11h?”

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Apavorado por Vírus e Bactérias

09 de agosto de 2012 às 18h10

Esse sujeito me parece mais fofoqueiro que historiador. Ou ele é historiador de agenda de ministro?

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    Fabio Passos

    09 de agosto de 2012 às 20h19

    “historiador”… o sujeito é apenas mais um “fifi” da fsp. rsrs
    O PIG só engana mané.

Rodrigo Leme

09 de agosto de 2012 às 16h37

Peraí, ele escreveu na Folha?!?!?! Aquele veículo golpista que constantemente violenta o governo popular petista?

“Ah, mas é uma coluninha no tendências e debates”. Aí, a gente se pergunta quanto espaço quem critica a Folha dá para um “adversário político”…

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Marcelo de Matos

09 de agosto de 2012 às 16h21

O professor Villa, conhecido como “historiador tucano”, é habitué do Jornal da Cultura, onde divide a mesa de comentaristas com outros reaças de plantão. A propósito de trabalho, porém, gostaria de lembrar que alguns comentaristas aqui no blog dizem que o sucesso da indústria chinesa se deve ao trabalho escravo. Esse tipo de trabalho também temos, em larga escala. O que nos falta é capital, tecnologia e produtividade. O programa “Profissão Repórter”, da Globo, mostrou terça-feira uma ótima matéria sobre o trabalho escravo no interior de São Paulo. A maioria das confecções do Bom Retiro, em Sampa, são de coreanos, mas, o trabalho é de bolivianos. O trabalho escravo, porém, não se restringe ao ramo textil. O carvão vegetal, usado em muitas industrias nacionais, é produzido, muitas vezes, por trabalho escravo.

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Caetano

09 de agosto de 2012 às 15h13

O Prof. Villa é assíduo frequentador da TV Globo, Globo News, TV Cultura, Folha etc. Sempre que for preciso falar contra o governo, ele estará disponível, dando um ar “acadêmico” e “científico” aos argumentos. Nessa grave acusação que ele apresenta, cabe ao ministro responder profudamente

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Ramalho

09 de agosto de 2012 às 14h20

Peter Drucker, há muito tempo (1954, em The Practice of Management), ensinou que avaliações nas e das organizações têm de ser feitas tomando como foco principal os resultados, ou eficácia da operação. Na ocasião, inaugurou o que chamou de “administração por objetivos”.

Também em programação matemática (técnica de otimização), os modelos privilegiam a chamada função objetivo (por meio da qual o valor da variável de eficácia é determinado como função dos valores das variáveis de eficiênca), pois visam a otimização da variável eficácia.

Assim, o que conta na administração moderna são as variáveis de eficácia, sendo as variáveis de eficiência meras restrições.

No caso de avaliação de pessoas, nos primórdios jurássicos, usavam-se variáveis como pontualidade, aparência, frequência, bom mocismo e outras baboseiras, como fatores únicos na determinação do nível de desempenho. Se o avaliado fosse bem nesses quesitos, mesmo que pouco contribuísse para os propósitos organizacionais, era promovido, ganhava aumento. A premissa do pensamento de Villa é dessa época, pois critica um ministro pela agenda.

Mas trata-se de premissa absurda: o que preferir? Um engenheiro impontual, que não se barbeia e falta à festa de amigo oculto, mas que é competente e produz tempestivamente o que a organização precisa; ou o engenheiro bom moço, de agenda cheia, mas incompetente? Segundo Drucker, o primeiro, aliás, escolha de bom senso. Villa, pelo que escreve, não pensa como Drucker.

A avaliação que Villa, um historiador, faz do ministro, assentada em análise de agenda (!), é de primarismo lamentável. O que tem a ver agenda com alcance dos objetivos do ministério? Quem disse que ter agenda cheia significa alcançar resultados? Villa teria de provar a correlação entre agenda e eficácia, muito bem provada, para criticar o desempenho do ministro a partir da agenda dele.

A avaliação do ministro sob perspectiva organizacional requer um mínimo de conhecimento de teoria da administração que evidentemente Villa não possui. A boçalidade manifestada pelo historiador, na contramão da história da ciência da administração, é lamentável, pois desinforma, deseduca, além de ser tecnicamente estúpida.

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Luiz G. de Castro

09 de agosto de 2012 às 13h50

Saudades do tijolaço.
Boa Brito!
Esse historiador(?)tem que ser desmascarado, junto com seus artigos encomendados.
Te cuida ministro.
Começaram a mirar em sua direção.

Responder

mfs

09 de agosto de 2012 às 12h55

Desculpe, Villa é grande. Tão grande que é chamado até de Villão. O Villão da história…
Mas esse Villão deve ser o único historiador do Brasil. Pelo menos é o único que eu conheci nas centenas de programas de que participou na Globonews e zilhares de artigos para a nossa maravilhosa e imparcial grande imprensa.

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PEDRO HOLANDA

09 de agosto de 2012 às 12h07

O desavisado, se perde. Vai brincar de crítico logo com quem… Brito, de tantos tijolaços. Fica queito.

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Fabio Passos

09 de agosto de 2012 às 12h03

Difícil acreditar que este marco antonio vila é um historiador.
O comportamento, fiscalizando agenda e fazendo cálculos tolos sem consultar diretamente o Ministro Brizola, é de um mero bedel… e não de alguém com boa formação.

O PIG está transbordando de lixo pseudo-intelectual produzido para consumo de uma parcela da classe média muito mal instruída.

Este “historiador” da fsp faria um bem enorme para o Brasil se parar de “trabalhar” e for curtir sua preguiça intelectual indefinidamente… nos poupando de discutir suas limitações.
Afinal… se o marco vila não produzir nada será bem melhor do que continuar produzindo apenas lixo. rsrs

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    Roberto Locatelli

    09 de agosto de 2012 às 17h30

    Verdade, Fabio.

    O Fernando Brito dormindo tem mais conteúdo do que todos esses “analistas” do PIG acordados.

    Fabio Passos

    09 de agosto de 2012 às 20h22

    Imagine se é trabalho de gente séria fazer conta de produtividade de ministro baseado em agenda oficial… isso é coisa de moleque. rsrs

    O PIG considera seus leitores imbecis.

Roberto Locatelli

09 de agosto de 2012 às 11h39

Lamentável que Brizola Neto tenha extinguido o seu blog – tijolaco.com – como que dizendo que ministério é coisa séria e que blog não combina com coisa séria.

Justamente agora que ele precisa se comunicar com a população, não tem blog. Em vez disso, temos o “historiador” fazendo futrica contra ele.

Brizola Neto tem que se lembrar que Dilma não cuida dos seus. Quando Cachoeira, através da Veja, resolve derrubar algum ministro, ela olha para o outro lado.

Então, Brizola Neto que se cuide.

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    Lourenço

    09 de agosto de 2012 às 13h50

    Concordo Roberto. Tocou na ferida.Este é um erro mais grave desse governo e temos que reconhecer. Dilma tem medo da Mídia. Colocou num posto chave, no Ministério das Comunicações, o pior perfil entre todos, o fraco Paulo Bernardo. Já vamos pra 2 anos de governo e nada de regulação das comunicações no Brasil. Pior: Dilma nomeou a esposa dele para a Casa Civil e assim ele ficou mais forte ainda. É relamente uma pena.

    Roberto Locatelli

    09 de agosto de 2012 às 14h27

    Bem lembrado, Lourenço. Ao invés de fazer o Bernardo se mexer, Dilma o fortaleceu.

    Geysa Guimarães

    09 de agosto de 2012 às 19h29

    Nossa, que sábia síntese!
    Não gostaria, mas fui obrigada a concordar com ela.

    Roberto Locatelli

    10 de agosto de 2012 às 10h39

    Pois é, Geysa… Eu também gostaria que não fosse verdade.

    Detelhe: partidos como PSTU, PSOL, PCO, estão ganhando muitas eleições sindicais. O PT já não se interessa mais pela luta sindical e, como não há vácuo na Natureza, o que o PT larga outros pegam.

    Então Brizola Neto estará às voltas com sindicatos hostis.

    Aracy

    10 de agosto de 2012 às 11h22

    Infelizmente isso é verdade. Brizola Neto vai ter de dar muito tijolaço em “analistas” do PIG para sobreviver aos abutres e urubólogas.


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