VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

CPI do Murdoch joga luz nas relações com o poder


27/04/2012 - 10h48

Internacional| 26/04/2012 | Copyleft

Murdoch expõe relações entre mídia e poder na Inglaterra

Testemunhos do magnata australiano Ruppert Murdoch e de seu filho James Murdoch perante a Comissão Leveson estão fazendo novos estragos no governo de David Cameron e ameaçam derrubar ministro da Cultura, Jeremy Hunt, por suspeita de tráfico de influência no negócio envolvendo a compra da BSkyB pela News Corporation, do grupo Murdoch. Robert Jay, da Comissão, insina possibilidade de um pacto fáustico dos conservadores com o grupo em troca do apoio de Murdoch nas eleições de 2010.

Marcelo Justo – De Londres, na Carta Maior

Londres – Os dias de comparecimento do magnata multimidiático australiano Ruppert Murdoch e de seu filho James diante da Comissão Leveson estão começando a deixar um rastro de vítimas. O testemunho de James na terça-feira e a publicação dos email’s que trocou com seu lobista Frederic Micel pela aquisição do pacote acionário da BSkyB, provocaram a saída, quarta-feira ao meio-dia, de Adam Smith, assessor especial do ministro da Cultura Jeremy Hunt, que por sua vez foi jogado contra as cordas.

No parlamento, o líder da oposição Ed Miliband exigiu a renúncia do ministro Hunt por sua proximidade com os Murdoch quando devia ser um “juiz imparcial do interesse público” sobre o tema da ameaça que podia representar para a liberdade de imprensa a compra de todo pacote acionário da BSkyB pela News Corp.

Hunt negou que tenha feito algo “inapropriado” e assegurou que não manteve nenhum contato direto com os Murdoch: sua permanência no cargo está por um fio.

Em suas mensagens a James Murdoch, o lobista cita Hunt diretamente ao falar do informe da agência reguladora de comunicação, Ofcom, sobre o tema.

“Hunt pediu-me novamente que encontrássemos todos os erros legais que pudéssemos detectar no informe da Ofcom e que propuséssemos algumas soluções fortes e de impacto. Está disposto a se reunir na próxima terça ou quarta para discutir nossa apresentação”, escreve Frederic ao filho de Murdoch.

De modo mais claro ainda, no dia prévio ao anúncio que Hunt faria informando a decisão do governo sobre o negócio, Frederic assegura que o ministro da Cultura havia passado a ele informação direta sobre seus planos. “Consegui informação sobre os planos para amanhã (o que é absolutamente ilegal!). Muitos problemas legais, Hunt está tratando de obter uma versão favorável a nós”, disse Frederic.

A lupa da comissão não se deteve no ministro. Em seu testemunho, James Murdoch reconheceu que o primeiro ministro David Cameron havia discutido o tema da aquisição da BSkyB com ele durante um almoço natalino em 2010, na casa de Rebekah Brooks, ex-diretora da News International, o braço britânico da corporação midiática de Murdoch. O primeiro ministro havia admitido seu almoço com Murdoch, mas, em mais de uma oportunidade, negou-se a informar o teor da conversa. Em suas perguntas, o responsável pela Comissão Leveson, Robert Jay, insinuou a possibilidade de um pacto fáustico dos conservadores com o grupo em troca do apoio de Murdoch nas eleições de 2010: a acusação é potencialmente devastadora.

O apoio do “The Sun” aos conservadores foi tornado público e anunciado na primeira página do tabloide, mas James Murdoch negou que tivesse adotado essa posição em troca de favores do governo em temas como o da BSkyB ou do corte orçamentário na BBC, a “besta negra” do grupo Murdoch. Ruppert Murdoch fez o mesmo em seu testemunho nesta quarta-feira. O magnata australiano reconheceu seus frequentes encontros com os governos de Margaret Thatcher (1979-90), Tony Blair (1997-2007), Gordon Brown (2007-2010) e a atual coalizão conservadora-liberal democrata. Mas negou que, em algum caso, tenha trocado informação por apoio político.

Neste sentido, o mais explícito que disse foi que o ex-primeiro ministro trabalhista Gordon Brown declarou guerra a News International logo depois que o tabloide “The Sun” retirou o apoio ao trabalhismo e começou a respaldar o então líder da oposição David Cameron. Em uma declaração posterior, Brown negou que este diálogo tenha ocorrido e exigiu uma retificação de Murdoch que, nesta quinta-feira, prossegue com seu testemunho.

Tradução: Katarina Peixoto

Leia também:

Fernando Ferro: “O crime organizado fazendo jornalismo”





14 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Nelson Marcondes: Sobre a queda dos juros « Viomundo – O que você não vê na mídia

03 de maio de 2012 às 11h00

[…] CPI do Murdoch joga luz nas relações com o poder […]

Responder

paulo roberto

27 de abril de 2012 às 18h45

Quero ver se por aqui nossos parlamentares vão ter coragem de convocar os jornalistas(?) para depor.

Responder

a. barbosa filho

27 de abril de 2012 às 17h19

Se a moda pega abaixo do Equador, vai faltar cadeia prá "barão da mídia" e para governantes cúmplices. Tem gente pelos lados do Esgoto arrumando as malas; nisso o mainardinho foi mais esperto…

Responder

    Cláudio

    30 de abril de 2012 às 17h34

    E bota esperto nisso ! O cara, por alguma razão até o momento desconhecida (pelo menos por mim), se viu na iminência de ser pego com a boca na botija e, para prevenir, escafedeu-se muito antes de se sonhar com o que está acontecendo agora. Mas eu espero que o dele esteja guardado pra ser cobrado devidamente, ao seu tempo, com juros e correção monetária.

Marat

27 de abril de 2012 às 15h20

Vamos ver se o "nosso" Murdoque será pego…

Responder

erivaldosilva

27 de abril de 2012 às 13h46

Tivesse eu no lugar do bicheiro, faria um acordo com a Justiça e caguetaria todo mundo! Denunciaria o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB),revelaria o esquema de pagamento a parlamentares e a funcionário público E por último dedurava a mídia (A Veja se associou ao crime organizado para fazer jornalismo) em especial a revista Veja Enfim, jornalões E Folha de Paulo Estadão e O Globo.

Responder

RicardaoCarioca

27 de abril de 2012 às 12h56

Richa não quer PMs com estudo porque eles "se insubordinariam"
http://www.gazetadopovo.com.br/blog/caixazero/?id…

Esses tucanos…

Responder

RicardaoCarioca

27 de abril de 2012 às 12h42

1o ato: Demotucanos e PiG se reuniram e definiram uma estratégia para Marconi Perigo: Peça investigação do PGR, mostre que você não tem medo, blá-blá-blá que o PiG irá lhe favorecer nas reportagens.

2o ato: Dedotucanos na CPMI pedem investigação de Agnelo e Perigo, como parte da encenação de 'lisura' oposicionista.

3o ato: Perigo chama o PiG (viram o JN ontem?), o Bonner, quase que pedindo desculpas pela reportagem, a anuncia e o repórter do PiG dá o microfone para o Perigo se defender.

Ato final: Após se lançar de peito aberto na CPMI e na mídia, Perigo é jogado no mar pelo PiG:
http://oglobo.globo.com/pais/em-gravacao-carlinho…

Afinal, quantos Maconis Perigos valem um Cerra?

Responder

Filippini

27 de abril de 2012 às 12h20

Dentro do assunto e contexto.

Barões da Mídia fecham acordo contra a CPI

Link : http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/ba…

Responder

Marcelo de Matos

27 de abril de 2012 às 12h06

Seria preciso criar uma CPI para investigar o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e suas ligações com a mídia e os tribunais. Seu pedido de suspensão da Lei de Imprensa andou a toque de caixa naquela Corte. Outro pedido seu ao TSE foi atendido com a mesma celeridade: em 2002 consulta sua levou o tribunal à adoção do sistema de verticalização das alianças nacionais e estaduais. É o toma lá, da cá, que envolve mídia, tribunais e políticos. O site 247 publicou: “Principais grupos de comunicação fecham pacto de não agressão e transmitem ao Planalto a mensagem de que pretendem retaliar o governo se houver qualquer convocação de jornalistas ou de empresários do setor; porta-voz do grupo na comissão é o deputado Miro Teixeira; na Inglaterra, um país livre, o magnata Rupert Murdoch depôs ontem”. O site diz que Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril e ex-presidente da Febraban, foi a Brasília para impedir a convocação de Civita: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/56341/G…

Responder

    RicardaoCarioca

    27 de abril de 2012 às 13h06

    A CPI da Veja já virou pizza. O texto da reportagem nesse link é revoltante. PT é frouxo mesmo. E o Miro Teixeira está lá na CPI (por que não o Brizola Neto) para garantir a blindagem do PiG. Vamos ver se a CPI do Cachoeira vai dar em alguma coisa.

    RicardaoCarioca

    27 de abril de 2012 às 13h23

    Miro Teixiera do PDT entrou na CPI através de vaga cedida pelo PSDB para… adivinhem? Blindar o PiG. Que vergonha para o PDT.

Bonifa

27 de abril de 2012 às 11h28

O pacto fáustico (vender a alma ao diabo) dos conservadores com a mídia ameaça derrubar os dois na Inglaterra. Brasil e Inglaterra sintonizados completamente neste caso e neste momento. É impressionante.

Responder

Marat

27 de abril de 2012 às 11h18

Na mosca, ou melhor, nas moscas!

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding