VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Antonio Lassance: PSDB tenta tirar o foco do mensalão tucano


15/12/2012 - 12h09

Política| 14/12/2012 | Copyleft

O PT errou o alvo

Para defender Lula, o PT concentrou seu ataque, primeiro, na índole do acusador, que todos já sabem qual é. Em seguida, partiu para cima de FHC. Ressuscitou a ideia de CPI da Privataria e aprovou, no Congresso, um convite para que o ex-presidente vá falar sobre outros escândalos. Ao fazê-lo, o PT acabou contribuindo para desviar o foco. Parece uma briga entre Lula e FHC, enquanto a oposição e sua mídia fazem um jogo estratégico para preservar seu candidato às eleições e, mais uma vez, desgastar o PT e sua presidenta. O artigo é de Antonio Lassance.

por Antonio Lassance, na Carta Maior

O PT não entendeu qual é o jogo das acusações contra Lula. O jogo que está em disputa é sobre quem será a bola da vez num futuro mensalão 2: o PSDB ou, mais uma vez, o PT. A rigor, dada a conclusão da Ação Penal 470, deveria ser a vez do julgamento do mensalão dito “mineiro”. Deveria, mas as acusações se tornaram uma pedra no meio do caminho.

Os ataques seletivos contra Lula têm várias intenções, mas uma é especial: virar a mesa do que está na fila do julgamento do mensalão e inventar algo supostamente mais relevante a ser julgado, deixando o escândalo que envolveu os tucanos para depois, bem depois. Vários articulistas cometeram o ato falho de dizer, em seus comentários ao longo desta semana, que as denúncias feitas por Valério à Procuradoria tinham tudo para se tornar um “mensalão 2” – como se já não houvesse um “mensalão 2” à espera de julgamento: o chamado mensalão mineiro.

A expressão “mensalão mineiro” foi, em 2005, um eufemismo criado com o propósito de mitigar a associação da sigla PSDB com o escândalo que tinha como pivô a figura do mesmo Marcos Valério. Na estratégia, ficava exposta a cabeça do ex-governador de Minas e então senador (hoje deputado) Eduardo Azeredo (PSDB-MG), alvo de eventual sacrifício, preservando o partido. Se estava a um ano das eleições de 2006. A denúncia contribuiu para enfraquecer a ala mineira do partido, que tinha em Aécio Neves sua principal expressão. O problema reforçou a hegemonia mantida pela ala paulista, que se debatia entre Alckmin e Serra como opções preferenciais. Na pior das hipóteses, essa parte do mensalão seria um problema apenas para os mineiros.

Pois bem, passado o vendaval, o jogo mudou. Aécio é o candidato de consenso do PSDB. A AP 470 está nos finalmentes. O próximo caso a ser julgado, pela lógica, é exatamente o da gênese desse esquema tão duramente condenado pelo Supremo. Mas quem disse que questões dessa natureza são resolvidas pela lógica cartesiana, e não pela lógica da política?

Para defender Lula, o PT concentrou seu ataque, primeiro, na índole do acusador, que todos já sabem qual é. Em seguida, partiu para cima de FHC. Ressuscitou a ideia de CPI da Privataria e aprovou, no Congresso, um convite para que o ex-presidente vá falar sobre outros escândalos, em particular, sobre a “lista de Furnas”.

Ao fazê-lo, o PT acabou contribuindo para desviar o foco. Parece uma briga entre Lula e FHC, enquanto a oposição e sua mídia fazem um jogo estratégico para preservar seu candidato às eleições presidenciais e, mais uma vez, desgastar o PT e sua presidenta.

Aliás, até agora, parece que o PT não leu a peça produzida pelo Procurador-Geral a esse respeito. O inquérito da Procuradoria (INQ 2280), que sustenta a denúncia contra Azeredo, foi apresentado, pelo mesmo Procurador e ao mesmo Supremo que julgou a AP 470, como demonstração que “retrata a mesma estrutura operacional de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e simulação de empréstimos bancários objeto da denúncia que deu causa a ação penal 470, recebida por essa Corte Suprema, e envolve basicamente as mesmas empresas do grupo de Marcos Valério e o mesmo grupo financeiro (Banco Rural)”.

É a mesma coisa, com o mesmo peso. No entanto, diante da manipulação (o nome é este mesmo) que se fez contra Lula, corre-se o risco do mensalão mineiro ter outro desfecho. Pode ser guardado na gaveta. Corre o risco de ser medido com uma outra régua.

O STF começou o ano de 2012 prometendo julgar todo o processo do mensalão até setembro. Cumpriu só metade da promessa. A outra metade é a parte desmembrada, o mensalão tucano.

Pois bem, se há algo que o PT deveria fazer, bem mais importante do que convites a FHC, é pedir ao Supremo que simplesmente cumpra o que prometeu. Se não foi possível fazer tudo até setembro, que pelo menos julgue, no ano que vem, o que ainda resta de mensalão para ser julgado. De preferência, assim como fez na AP 470, com um calendário prévio a ser rigorosamente cumprido.

A melhor postura do PT, a mais clara, lúcida e eficaz, é pura e simplesmente a de exigir que as regras do jogo sejam respeitadas. Se não, é virada de mesa da pior espécie.

(*) Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

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19 comentários

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Carta Capital: O jornalismo de esgoto corre por outras bandas « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de janeiro de 2013 às 22h53

[…] Antonio Lassance: PSDB tenta tirar o foco do mensalão tucano […]

Responder

Rogério Correia: “Valério operou ao mesmo tempo para o Aécio em Minas e o PT em Brasília” « Viomundo – O que você não vê na mídia

21 de dezembro de 2012 às 11h37

[…] Antonio Lassance: PSDB tenta tirar o foco do mensalão tucano […]

Responder

Tomudjin

17 de dezembro de 2012 às 14h14

O PSDB nem precisa se esforçar tanto. A velha mídia já faz isso por ele.

Responder

Paulo Figueira

16 de dezembro de 2012 às 13h18

Mineiro é queijo, doce de leite, bolão de milho o mensalão é tucano mesmo.

Responder

Policarpo Pai

16 de dezembro de 2012 às 08h46

UM DOS GORDINHOS SINISTROS

No Brasil atual existem vários gordinhos sinistros. O Collor de Mello vive metendo o pau em um deles.

O outro é o proprietário do sistema Bandeirantes de televisão, rádio e o diabo a quatro. Não tenho inveja do que ele possui, mas sou puto com a maneira que ele usa uma concessão pública para fazer perseguição política a maior liderança popular que esse país já teve em todos os tempos, e que o povo trata simplesmente pelo nome de Lula

Ontem, assistindo ao Band-News, observei que os locutores davam uma “informação” troncha de que, segundo denúncia feita por uma revista, a Rosemary (a da operação Porto Seguro) teria tentado interferir no julgamento do “mensalão”.

E eu fiquei imaginando como a Rose, muito charmosa, admito, teria se aproximado do Joaquim Barbosa ou do Gilmar Mendes, e exclamei: “essa nossa Mata Hari é perigosa! Tomara que ela apareça lá em casa!”

Eles sabem tanto que existe uma quadrilha com mais de 40 mil membros sacaneando diariamente com os telespectadore, leitores, ouvintes e com o Lula que o gordinho sinistro 2 resolveu proibir os locutores de pronunciarem a palavra VEJA.

Por que será que eles estão omitindo o nome do leproso hebdomadário? Só o bigodudo sabe. Portanto, os curiosos em saber devem enviar cartas para a redação do “Band-News, a desgraça em primeiríssimo lugar”.

É como diz o Macaco Simão: a gente sofre mas nós goza.

Responder

Francisco

16 de dezembro de 2012 às 00h04

O camarada Marx chamava a atenção que o problema central da classe operária é a posse dos meios de produção.

Quantos canais de TV tem o PSDB/DEMO?

ou se preferir…

Quantos deputados e senadores tem a mídia facista?

E o campo socialista, tem o quê?

O “dominio do fato” provou: as leis burguesas são uma “quimera”…

Responder

abolicionista

15 de dezembro de 2012 às 16h13

O articulista parece tomar como pressuposto a neutralidade da mídia. Discordo frontalmente, não importa quantos mensalões tucanos, privatarias, compra de votos, lista de Furnas o PSDB cometer, a mídia sempre irá acobertar. O PT tem um inimigo poderoso, ele se chama PIG. O resto é conversa para boi dormir…

Responder

    FrancoAtirador

    16 de dezembro de 2012 às 21h30

    .
    .
    Concordo integralmente.

    Sem a socialização e, portanto, sem a diversificação

    dos Meios de Comunicação, principalmente Rádio e TV,

    o Governo Dilma continuará como cachorro louco:

    correndo atrás da cola, sem avançar um palmo…
    .
    .

Darcy Brasil Rodrigues da Silva

15 de dezembro de 2012 às 15h57

Eis o comentário que fiz lá no “Carta Maior” a esse artigo.

“O jogo que está em disputa” não é “sobre quem será a bola da vez num futuro mensalão 2”, mas, sim, se a oposição midiática demutucana logrará ou não desgastar a imagem de Lula, principal liderança política do PT , cuja representatividade supera à do próprio PT ( concordando plenamente com a hipótese de André Singer que considera ser a força do “lulismo” muito superior à força do “petismo”). O objetivo prioritário da oposição não é produzir um improvável mensalão 2, tendo como réus políticos do PT (embora ela possa até sonhar com isso secundariamente). Seu propósito imediato, sua preocupação política central,é desconstruir a popularidade de Lula,atualmente cogitado como candidato ao governo de São Paulo,já em 2014, e igualmente provável candidato à sucessão de Dilma em 2018, mas, de qualquer forma, político com grande capacidade de eleger outros que para a oposição seriam simples “postes” .Portanto, os ataques seletivos contra Lula têm uma única razão: eliminar a liderança política que atraiu para si a confiança do povo, o político que simboliza no imaginário desse mesmo povo o homem capaz de conduzir as mudanças que todos aspiramos, materializando, entre nós,um fenômeno político descrito por Max Weber, como “liderança carismática”. Se Lassance não se importa com esse aspecto e que explicaria teoricamente o fenômeno do “lulismo”, abordado por André Singer , em sua tese de doutorado, há no PSDB quem se importa e leva em conta esse dado, pois é um weberiano histórico, tido como autoridade no assunto, chamado FHC, que certamente explora essa hipótese, confiante de que liquidar a imagem de Lula é , por si só, destruir o próprio PT.O PT, Lassance, dificilmente sobreviveria a um eventual desgaste político de Lula, propiciada pela desconstrução de seu carisma.A força do “lulismo”, Lassance, é muito maior que a do PT, como afirmou com grande qualidade analítica, o sociólogo André Singer. É por isso que o embate se converte ( quer você ou eu gostemos disso ou não), ao nível do atual estágio de politização de nosso povo e na forma como o cidadão comum tende a reduzir as contendas políticas (ou seja,desconsiderando os partidos para fixar sua atenção na liderança política pessoal), em um confronto entre indivíduos símbolos,nesse caso, Lula ( ou a Dilma, no futuro), o ex-presidente do PT , cujo carisma e popularidade a oposição golpista busca destruir, e FHC ( ou Serra, no futuro), ex-presidente do PSDB, cuja imagem de “homem íntegro”, “político honesto”, nós temos a obrigação de desmascarar.Isto porque FHC também já foi um dia depositário de um tipo equivalente de liderança a que Lula possui,cuja popularidade superava em muitos pontos à de seu próprio partido . Atacá-lo, assim como a Serra, é mais do que correto e produtivo politicamente. Lamentavelmente existem quadros que gravitam em torno do PT que tendem a desconsiderar os crimes de lesa-pátria cometidos pelos governos de FHC, agindo como seus protetores dentro ou no entorno do PT e do governo,desencorajando as ações que visariam defenestrar o seu governo, tentando justificar seus atos como simples equívocos pessoais de quem estivera bem-intencionado.A apuração dos escândalos do PSDB foi injustificadamente, muito antes do próprio MP e STF, protelada pela direção nacional do PT, desde 2002, nos frustrando a todos nós que alimentávamos a esperança de que a hoje chamada “privataria tucana” fosse objeto de profunda investigação por parte do governo do PT, perseguindo , sobretudo, a reversão de privatizações de empresas estratégicas, como a Vale do Rio Doce. Entretanto, o PT fugiu à sua responsabilidade política e inaugurou a sequência de capitulações políticas que a muitos de nós revolta.

Responder

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    15 de dezembro de 2012 às 16h02

    Esta apuração, essa investigação da era FHC, que visa identificar os interesses atendidos, na prática , pelos seus dois governos, é uma tarefa política premente e sempre atual, enquanto estiver pendente , tendo sido, como disse, até o presente momento, injustificada e sistematicamente negligenciada pelos parlamentares petistas, os mesmos que atualmente sentam em cima da CPI da Privataria Tucana. Debater essa era, independe do prestígio político eleitoral de FHC. Representa criticar o seu governo para além da concepção prevalecente no senso comum que o teria apenas como um governante incompetente. FHC , entretanto, foi profundamente competente, se levarmos em conta os interesses para os quais governava. O cidadão comum desconhece esses interesses. Não compreende as relações entre o capital financeiro, a mídia corporativa , os demutucanos, o imperialismo estadunidense e as ações e decisões tomadas durante o governo de FHC. Os crimes de lesa-pátria praticados durante os 8 anos em que FHC governou o país são imprescritíveis. Discuti-los e debatê-los com o povo, é colaborar para a elevação da consciência do povo do nível economicista em que se encontra ( que diferencia a era FHC das eras Lula/Dilma com base na sensação de melhoria em seu poder aquisitivo) para o nível do programa que defendemos, que busca ampliar cada vez mais os direitos sociais, resgatar a soberania alienada, aprofundar a democracia participativa ( voltada para a inclusão do povo nos processos políticos sofisticados); fazendo-o compreender a importância de se lutar por uma integração na America Latina fundada na solidariedade,que certamente não passa por sua cabeça como algo que tenha de fato importância, embora a diferença entre a integração subordinada à ALCA intentada pelo governo FHC tenha sido talvez a expressão mais elevada da subserviência desse governante à agenda geopolítica e geoeconômica do imperialismo estadunidense. Atacar FHC significa ,portanto, partir da “fulanização” da política predominante no senso comum para , através dela, no nosso caso, ascender aos interesses que se escondem por trás dos “fulanos”. O indivíduo FHC não nos interessa como tal. O queremos como símbolo vivo de um governo de fato exercido e de uma concepção de mundo que buscamos combater. E queremos esse indivíduo simplesmente porque o povo não tem a compreensão sofisticada que Alexandre Tambelli possui. O povo desconhece esses interesses , embora , talvez, desconfie de sua existência. Conhecer esses interesses demanda estudos, pesquisas, acompanhamento de remessas de lucros, interpretação de cada decisão política adotada, de tomadas de decisões que penalizam determinados setores da economia e beneficiam a outros, etc,etc. Esse conhecimento só pode ser alcançado de forma científica e divulgado através de instrumentos como esse blog, em que o comparecimento da maioria do povo é residual. O povo não julga esses interesses, quando pensa na política e nos políticos. Sequer leva muito em conta o partido, a não ser por associá-lo ao indivíduo. Convocar FHC para depor, é puxar o fio da meada que levaria à desalienação dos interesses escusos que ele, FHC, representa. Trata-se ,portanto, apenas de uma questão de método, concordando com Lassance. Porém, para mim, a convocação de FHC, se levada à sério, assim como a aprovação da CPI da “Privataria Tucana” seriam muito mais oportunas do que o tal “mensalão tucano”.

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    15 de dezembro de 2012 às 16h12

    SOBRE O “MENSALÃO TUCANO”

    “Para defender Lula, o PT concentrou seu ataque. ..na índole do acusador, que todos sabem qual é” (LASSANCE). Se você se refere a Marcos Valério, então , tanto o PT quanto você estariam equivocados: o acusador que importa combater, “focar”, não é Marcos Valério; mas,sim, um complexo oposicionista nucleado pela mídia e com fortes braços dentro do STF e no Poder Judiciário, como um todo . É esse complexo que precisa ser tomado em conta e considerado em sua força real, e não, subestimado como vem ocorrendo. “A briga entre Lula e FHC” expressa, em linguagem política usada pelo povo para julgar a política, precisamente como essa “luta de classes” se reflete na consciência de nosso povo, sempre desconsiderado nas análises políticas corriqueiras ( sendo esta uma das causas de o mesmo povo tender a fulanizar as suas aspirações políticas, vendo em Lula um símbolo de mudança muito mais efetivo que o próprio PT). Portanto, se quisermos fazer o nosso povo compreender as verdadeiras forças sociais que se escondem por trás dessa “fulanização da luta de classes”, precisamos partir desse seu nível de compreensão, aproximando o “lulismo” do “petismo” e “fhcismo”do “psdebismo”.
    A mim muito me surpreende a sua ingenuidade, tanto em relação ao procurador-geral, como ao próprio STF. Do jeito que o “mensalão mineiro” resultou desmembrado, seu rito será tão sumário que a sua repercussão enquanto contraponto dos “escândalos” atribuídos ao PT será praticamente nula. Um único réu, ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros,sem nenhuma importância enquanto dirigente de seu partido, que sequer tem cacife para se eleger senador em MG, sendo julgado solitariamente,em , talvez, no máximo, 3 dias,e independentemente daqueles réus que coincidem nos dois inquéritos, como Marcos Valério, que serão julgados em primeira instância.E tudo isso em um julgamento fora de período eleitoral e sem a cobertura sensacionalista da mídia golpista,que, muito ao contrário, tudo fará para escondê-lo debaixo do tapete do seu noticiário;A soma de todos esses fatores converterá uma eventual condenação de Azeredo muito mais em um argumento para os juízes do STF afirmarem uma neutralidade que não possuem. O “mensalão mineiro”, essa é que é a grande verdade, pouco nos interessa a essa altura.O que nos importaria ver apurado são os crimes relatados pelo livro “Privataria Tucana”, estes , sim, capazes de se converterem “no maior escândalo de corrupção da nossa história”, desmontando o projeto da direita golpista de colar a pecha da corrupção em Lula e no PT. Enfim,o “mensalão tucano”, ao qual você se refere com um entusiasmo desproporcional à sua real importância, dada a forma em que tramitará o seu julgamento, está muito mais para servir para limpar a reputação de um STF que perdeu completamente a credibilidade em relação a um dos campos políticos em que se divide a nossa sociedade, campo político que a maioria dos juízes desse STF buscou destruir, de forma seguramente evidente.
    Não sei em que país você esteve vivendo nos últimos meses para se referir a uma suposta “virada de mesa da pior espécie”. A mesa já está virada desde que condenou-se réus sem provas, com base em uma esdrúxula teoria do “domínio do fato”; foi virada quando desmembrou-se o julgamento dos mensaleiros tucanos, convertendo-o em “julgamento de um único deputado mineiro’,que ocorrerá sem grandes repercussões políticas, e sem exploração política-eleitoral por parte da mídia golpista; e, principalmente, foi irremediavelmente virada quando o STF deliberou condenar sem provas objetivas, com base na subjetividade de alguns juízes e no oportunismo político de outros, quadros históricos do Partido dos Trabalhadores. A única coisa que eu espero desse STF é que ele seja desconstituído por uma reforma do judiciário que repense o formato do órgão de controle de nossa constitucionalidade, visando conferir a esse órgão representatividade em nossa sociedade, afastando suspeitas tais como a de serem boa parte dos juízes eleitos por instituições anacrônicas e conservadoras como a maçonaria.

José Ricardo Romero

15 de dezembro de 2012 às 14h48

Este artigo é um exemplo clássico de sofreguidão, de bom-mocismo, do detestável comportamento republicano. É isso mesmo o que o PT tem que fazer: partir para o pau com a oposição, sem deixar de cobrar que o judiciário julgue o mensalão tucano. A questão é se o PT não vai abrir as pernas como tem feito até hoje com essa mentalidade perfeitamente exemplificada por esse artigo. Podem ter certeza: o comportamento de direita é igual ao das baratas que infestam a noite uma cozinha: se acender a luz, saem todas correndo para os cantos escuros. Pode bater o pé no chão que eles afinam, até mesmo o judiciário.

Responder

    Carlos Ribeiro

    16 de dezembro de 2012 às 13h34

    Na mosca!

Marat

15 de dezembro de 2012 às 14h40

Depois de ouvir a impren$$$a, o STF vai verificar se deve (ou não) julgar o mensalão tucano. Mesmo que eles obtenham em consenso de que algo deverá ser dito, creio que será um julgamentinho simples, onde muitos dos acusados serão absolvidos. Talvez o Azeredo pegue uns três meses de reclusão em regime semi-aberto, ou tenha que doar meia dúzia de cestas básicas a uma associação filantrópica… O Aécio??? dele nem cheiro. O PIG só mostrará (ou criará) coisas boas do playboy mineiro, bonequinho dos ventrílocos da especulação!

Responder

sandro

15 de dezembro de 2012 às 14h38

O PT esta fazendo o jogo certo.
Mesmo porque certos tucanos conhecidos não se bicam, e quando
se trata de poder não pensam duas vezes em se depenarem.Cabe ao
PT ir “escorando” e ficar sempre alerta.O inimigo chama-se Gurgel,
esse é o cara.

Responder

Pedro

15 de dezembro de 2012 às 14h12

Os 2 mandatos de FHC foram a demonstração mais clara de que a corrupção é inerente ao sistema capitalista. A república do FHC foi a prova de que, para ele, Malan, Serra e toda a turma, escândalo não se discute. A tal ponto foi isto que prevaleceu nos seus 8 anos de governo, que o seu segundo mandato esteve sob a batuta do ACM, ou seja, aquele que esteve à frente das ações mais corruptas da ditadura implantada em 64.

Responder

Alexandre Tambelli

15 de dezembro de 2012 às 13h39

Eu penso que mais do que qualquer coisa é preciso enxergar que o inimigo maior é outro e muito mais poderoso que meia dúzia de “políticos marionetes” da oposição, estes são cooptados pelo Sistema que inclui Capitalismo central, velha mídia e mercado financeiro.

Este é o tripé a ser batido: Capitalismo central, mercado financeiro e velha mídia (que formam um só grupo), e com um poder de destruição imenso.

FHC, AÉCIO, SERRA, etc. são apenas personagens colocados no jogo, porque ainda existe no Brasil um elemento importante: Eleição direta. Enquanto houver eleição direta, pensando comigo, isto se o Judiciário não conseguir tirar esta palavra do nosso cotidiano, o alvo no Brasil a ser atacado é a velha mídia.

Os seus porta-vozes, que são parte dos políticos da oposição, políticos que se sujeitam aos holofotes da velha mídia para atacar governos democráticos e bem-avaliados, são secundários. Vejam o Demóstenes Torres, era um “político marionete” colocado em posição chave para desestruturar, por dentro, o Governo Petista, para desestabilizá-lo, até se possível, colaborar na sua queda, e inserir a pauta da ética e do combate da corrupção no discurso dos derrotados pelo voto. Apareceu a sujeirada toda em que se envolvia e o que fizeram: esqueceram o sujeito e foram buscar “outro”, hoje, a força está com o Álvaro Dias, Aloísio Nunes Ferreira, etc.

O Lema do Sistema, através da velha mídia no Brasil, é o seguinte: pode roubar, pode fazer o quiser, só não deixa que eu perca minhas forças. Eu te protejo até o último instante, depois deixo de lhe mencionar e ajudo, com o silêncio, para que não haja nenhum tipo de condenação mais grave para você e você fica belo e belo curtindo a vida a partir do enriquecimento ilícito que teve. (Os políticos dessa oposição midiática não têm nenhum compromisso com a população e não têm sequer um programa de Governo a ser apresentado, porque não o podem cumprir e porque não seria do agrado da população).

Quanto a FHC.

FHC é um pouco do Demóstenes, ainda com direito à voz. Não é mais do que um Ex-Presidente que serve para falar mal do Governo atual. Centrar forças nele, apenas o tira, um pouco mais, dos holofotes da velha mídia, mas não impede da velha mídia de falar mal do LULA, da DILMA, do PT, seus políticos e seu Governo e das esquerdas, de inventar denúncias e mais denúncias contra o Governo e os políticos do PT, de dar voz a criminosos para referendar as denúncias, para assassinar reputações de políticos da esquerda, para corroborar na condenação de pessoas inocentes com um intuito maior: a manutenção do Sistema e a desestabilização e até, se possível, derrubada do Governo democraticamente eleito, etc.

A nossa luta deve ser em direção de uma Reforma Política, que possa eleger políticos (Prefeitos, Governadores, Presidente, Vereadores, Deputados e Senadores comprometidos com o País), para, então, realizarmos uma verdadeira Lei dos Meios de Comunicação e garantir uma estabilidade política no Brasil, criando uma oposição propositiva e uma Imprensa imparcial e diversificada nos pensamentos, Imprensa que colabore para o desenvolvimento continuado do Brasil, deixando de ser esta trincheira de desestabilização do Governo e porta-voz de qualquer golpismo que vise à manutenção das forças Capitalistas hegemônicas na dominação do Mundo!

FHC é passado! Se for para centrar fogo tem de ser em quem a velha mídia colocar como possível candidato para 2014.

Passar a limpo a corrupção, claro que é justo (seria correto que quem fizesse este papel fosse a Justiça), todavia não significará que o inimigo perca. Ele pode colocar outra “marionete política”, com uma nova roupagem, sujeito desconhecido e com imagem de politico honesto e moderno, um HADDAD conservador, enquanto a gente perde nosso tempo batendo no FHC e no SERRA, que já não apitam mais na hora no voto da população. E esta “marionete política” pode correr por fora e ganhar a eleição para Presidente em 2014.

O PT tem que centrar forças é no embate com a velha mídia (a verdadeira oposição no Brasil). Abrir trincheiras de combate para enfraquecê-la. A oposição já está enfraquecida faz um bocado de tempo. A briga FHC X LULA, PSDB X PT não interessa a população. É bem lúcido dizer que O PT cobrar o imediato Julgamento do Mensalão do PSDB seja mais valioso, porque não teria a velha mídia como escapar de noticiá-lo e o PT poderia se contrapor a velha mídia, mostrando como ela trata seus aliados políticos de hoje por falta de opção melhor, então, a tese do julgamento político ficaria mais explicitada para a população.

Deixo uma pergunta: será mesmo o Aécio o candidato das oposições, digo da velha mídia? Coloca o nome Aécio no Google e veja a primeira coisa que aparece.

Responder

Hélio Pereira

15 de dezembro de 2012 às 13h00

Eu acho que o STF não tem como fugir do Julgamento do “Mensalão Mineiro”,ou “Mensalão Tucano”,hája o que houver,se o supremo não cumprir sua função e não julgar a “cria do PSDB” vai cair no descredito,suas posições e decisões terão o mesmo valor de uma nota de Três Reais.
Sobre FHC/Serra eles tem de ser intimados a depor na CPI da Privataria e não convidados como foram FHC e Gurgel,dando a impressão que é uma revanche pelas acusações feitas a Lula!
Que se instale imediatamente a CPI da Privataria,que se apure tudo,que seja levado ao MP Federal tudo que se apurou na CPI do cachoeira,que o PT use toda sua Força Politica e leve os “Puros” do PSDB ao Banco dos Réus!

Responder

    Sávio Sobreira

    15 de dezembro de 2012 às 15h45

    Temos que fazer pressão junto ao Supremo, se não a coisa será engavetada!!!


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