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Diário da Resistência


Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos
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Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos


07/01/2013 - 11h24

Stedile: “Ultimamente, inventaram até que seria muito caro assentar famílias, que é necessário primeiro resolver os problemas dos que já têm terra, e os sem-terra que esperem. Esperar o quê? O Bolsa Família, o trabalho doméstico, migrar para São Paulo?”

por João Pedro Stedile, da Coordenação Nacional do MST, em CartaCapital

A sociedade brasileira enfrenta no meio rural problemas de natureza distintos que precisam de soluções diferenciadas. Temos problemas graves e emergenciais que precisam de medidas urgentes. Há cerca de 150 mil famílias de trabalhadores sem-terra vivendo debaixo de lonas pretas, acampadas, lutando pelo direito que está na Constituição de ter terra para trabalhar. Para esse problema, o governo precisa fazer um verdadeiro mutirão entre os diversos organismos e assentar as famílias nas terras que existem, em abundância, em todo o País. Lembre-se de que o Brasil utiliza para a agricultura apenas 10% de sua área total.

Há no Nordeste mais de 200 mil hectares sendo preparados em projetos de irrigação, com milhões de recursos públicos, que o governo oferece apenas aos empresários do Sul para produzirem para exportação.

Ora, a presidenta comprometeu-se durante o Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre, em 25 de janeiro de 2012, que daria prioridade ao assentamento dos sem-terra nesses projetos. Só aí seria possível colocar mais de 100 mil famílias em 2 hectares irrigados por família.

Temos mais de 4 milhões de famílias pobres do campo que estão recebendo o Bolsa Família para não passar fome. Isso é necessário, mas é paliativo e deveria ser temporário.

A única forma de tirá-las da pobreza é viabilizar trabalho na agricultura e adjacências, que um amplo programa de reforma agrária poderia resolver. Pois nem as cidades, nem o agronegócio darão emprego a essas pessoas.

Temos milhões de trabalhadores rurais, assalariados, expostos a todo tipo de exploração, desde trabalho semiescravo até exposição inadequada aos venenos que o patrão manda passar, que exige intervenção do governo para criar condições adequadas de trabalho, renda e vida. Garantindo inclusive a liberdade de organização sindical.

Há na sociedade brasileira uma estrutura de propriedade da terra, de produção e de renda no meio rural hegemonizada do modelo do agronegócio que está criando problemas estruturais gravíssimos para o futuro.

Vejamos: 85% de todas as melhores terras do Brasil são utilizadas apenas para soja/milho; pasto, e cana-de-açúcar.

Apenas 10% dos fazendeiros que possuem áreas acima de 200 hectares controlam 85% de todo o valor da produção agropecuária, destinando-a, sem nenhum valor agregado, para a exportação. O agronegócio reprimarizou a economia brasileira.

Somos produtores de matérias-primas, vendidas e apropriadas por apenas 50 empresas transnacionais que controlam os preços, a taxa de lucro e o mercado mundial.

Se os fazendeiros tivessem consciência de classe, se dariam conta de que também são marionetes das empresas transnacionais,

A matriz produtiva imposta pelo modelo do agronegócio é socialmente injusta, pois ela desemprega cada vez mais pessoas a cada ano, substituindo-as pelas máquinas e venenos. Ela é economicamente inviável, pois depende da importação, anotem, todos os anos, de 23 milhões de toneladas de fertilizantes químicos que vêm da China, Uzbequistão, Ucrânia etc. Está totalmente dependente do capital financeiro que precisa todo ano repassar: 120 bilhões de reais para que possa plantar. E subordinada aos grupos estrangeiros que controlam as sementes, os insumos agrícolas, os preços, o mercado e ficam com a maior parte do lucro da produção agrícola.

Essa dependência gera distorções de todo tipo: em 2012 faltou milho no Nordeste e aos avicultores, mas a Cargill, que controla o mercado, exportou 2 milhões de toneladas de milho brasileiro para os Estados Unidos. E o governo deve ter lido nos jornais, como eu…

Por outro lado, importamos feijão-preto da China, para manter nossos hábitos alimentares.

Esse modelo é insustentável para o meio ambiente, pois pratica a monocultura e destrói toda a biodiversidade existente na natureza, usando agrotóxicos de forma exagerada. E isso desequilibra o ecossistema, envenena o solo, as águas, a chuva e os alimentos.

O resultado é que o Brasil responde por apenas 5% da produção agrícola mundial, mas consome 20% de todos os venenos do mundo. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelou que a cada ano surgem 400 mil novos casos de câncer, a maior parte originária de alimentos contaminados pelos agrotóxicos. E 40% deles irão a óbito.

Esse é o pedágio que o agronegócio das multinacionais está cobrando de todos os brasileiros! E atenção: o câncer pode atingir a qualquer pessoa, independentemente de seu cargo e conta bancária.

Uma política de reforma agrária não é apenas a simples distribuição de terras para os pobres. Isso pode ser feito de forma emergencial para resolver problemas sociais localizados. Embora nem por isso o governo se interesse.

No atual estágio do capitalismo, reforma agrária é a construção de um novo modelo de produção na agricultura brasileira. Que comece pela necessária democratização da propriedade da terra e que reorganize a produção agrícola em outros parâmetros.

Em agosto de 2012, reunimos os 33 movimentos sociais que atuam no campo, desde a Contag até o movimento dos pescadores, quilombolas, MST etc., e construímos uma plataforma unitária de propostas de mudanças.

É preciso que a agricultura seja reorganizada para produzir, em primeiro lugar, alimentos sadios para o mercado interno e para toda a população brasileira. E isso é necessário e possível, criando políticas públicas que garantam o estímulo a uma agricultura diversificada em cada bioma, produzindo com técnicas de agroecologia. E o governo precisa garantir a compra dessa produção por meio da Conab.

A Conab precisa ser transformada na grande empresa pública de abastecimento, que garante o mercado aos pequenos agricultores e entregue no mercado interno a preços controlados. Hoje já temos programas embrionários como o PAA (programa de compra antecipada) e a obrigatoriedade de 30% da merenda escolar ser comprada de agricultores locais. Mas isso atinge apenas 300 mil agricultores e está longe dos 4 milhões existentes.

O governo precisa colocar muito mais recursos em pesquisa agropecuária para alimentos e não apenas servir às multinacionais, como a Embrapa está fazendo, em que apenas 10% dos recursos de pesquisa são para alimentos da agricultura familiar. Criar um grande programa de investimento em tecnologias alternativas, de mecanização agrícola para pequenas unidades e de pequenas agroindústrias no Ministério de Ciência e Tecnologia. Criar um grande programa de implantação de pequenas e médias agroindústrias na forma de cooperativas, para que os pequenos agricultores, em todas as comunidades e municípios do Brasil, possam ter suas agroindústrias, agregando valor e criando mercado aos produtos locais.

O BNDES, em vez de seguir financiando as grandes empresas com projetos bilionários e concentradores de renda, deveria criar um grande programa de pequenas e médias agroindústrias para todos os municípios brasileiros.

Já apresentamos também ao governo propostas concretas para um programa efetivo de fomento à agroecologia e um programa nacional de reflorestamento das áreas degradadas, montanhas e beira de rios nas pequenas unidades de produção, sob controle das mulheres camponesas.

Seria um programa barato e ajudaria a resolver os problemas das famílias e da sociedade brasileira para o reequilíbrio do meio ambiente.

Infelizmente, não há motivação no governo para tratar seriamente esses temas.

Por um lado, estão cegos pelo sucesso burro das exportações do agronegócio, que não tem nada a ver com projeto de país, e, por outro lado, há um contingente de técnicos bajuladores que cercam os ministros, sem experiência da vida real, que apenas analisam sob o viés eleitoral ou se é caro ou barato…

Ultimamente, inventaram até que seria muito caro assentar famílias, que é necessário primeiro resolver os problemas dos que já têm terra, e os sem-terra que esperem. Esperar o quê? O Bolsa Família, o trabalho doméstico, migrar para São Paulo?

Presidenta Dilma, como a senhora lê a CartaCapital, espero que leia este artigo, porque dificilmente algum puxa-saco que a cerca o colocaria no clipping do dia.

Leia também:

MST: Aliança do governo Dilma com agronegócio emperra reforma agrária

Stedile: Mídia e judiciário agora reprimem no campo





38 comentários

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Coutinho Júnior: O que o Globo não viu no assentamento Itamarati - Viomundo - O que você não vê na mídia

09 de maio de 2013 às 19h35

[…] Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos […]

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Fernanda Cairós

13 de março de 2013 às 08h13

Stédile está certo: o governo tem que sustentar os sem-terra.

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Repórter Brasil: Donos da EPTV controlam usina que busca despejo « Viomundo – O que você não vê na mídia

24 de janeiro de 2013 às 15h39

[…] Stedile: Dilma está cega e enganada por puxa-sacos […]

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Roberto Locatelli

13 de janeiro de 2013 às 18h00

Aproveito o assunto agrário para tecer algumas considerações.

Grande parte da área agricultável brasileira é, hoje, pastagem. Outra parte é do cultivo da soja, que é usada, principalmente, para ração animal. Outra parte é de milho, também quase toda para ração animal. Além da soja e do milho, há cultivo de outras plantas usadas para “forragem”, ou seja, ração animal.

A pecuária, portanto, utiliza uma gigantesca porção das terras de agricultura. É uma pena pois, como se sabe, onde pasta um boi há terra para alimentar dezenas de famílias. De cada tonelada de proteína vegetal produzida (soja, por exemplo), só 10% se transformam em proteína animal (carne).

Cada quilo de carne que chega ao açougue precisou de 15 mil litros de água para ser produzido. Um quilo de proteína vegetal (feijão, por exemplo) necessita de menos de 10% disso.

Pecuária é, pois, um enorme desperdício de recursos naturais.

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    Jotace

    16 de janeiro de 2013 às 01h35

    Boa aula, Locatelli!

    Pode acrescentar a ela que, segundo os estudos da FAO, 1 Kg de carne bovina brasileira produz 45 Kg de CO2. Os estudos do Imazon (Belém, PA) estimam que se 75% a 80% do desmatamento da Amazônia se devem à formação dos pastos, só a Amazônia responderia por 41 a 48% das emissões de gases estufas.

    Se forem somadas as emissões da atividade da pecuária de corte em si, conclui-se que direta ou indiretamente a carne bovina produz em torno de 60% do total brasileiro. Mais que o triplo da média global que, segundo a FAO seria da ordwm de 18%. Quer dizer, todos nós pagamos pela emissão de gases resultante da atividade dos senhores pecuaristas. Como é feito o pagamento? Por todos os males resultantes do efeito estufa, incluindo os das inundações, por exemplo…Abs, Jotace

Roberto Locatelli

13 de janeiro de 2013 às 17h50

João Pedro Stedile é um líder. Não é um burocrata sentado atrás de alguma mesa num sindicato. É um líder forjado no fogo da luta.

Dilma deveria ouvir o que ele tem a dizer. No mínimo, ouvir.

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O dedo tucano na Operação Porto Seguro « Viomundo – O que você não vê na mídia

13 de janeiro de 2013 às 10h14

[…] Leia também: Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos […]

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Gonzaga Belluzzo e Gomes de Almeida: Muito barulho por nada « Viomundo – O que você não vê na mídia

12 de janeiro de 2013 às 18h17

[…] Leia também: Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos […]

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Luca K

12 de janeiro de 2013 às 16h52

Ótimo artigo do Stedile. Estou divulgando.

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Maria Orlanda Pinassi: (Neo)Desenvolvimentismo ou luta de classes? « Viomundo – O que você não vê na mídia

11 de janeiro de 2013 às 18h32

[…] Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos […]

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Mário SF Alves

10 de janeiro de 2013 às 00h07

Saúdo o líder João Pedro Stedile, e com devido respeito e admiração, gostaria de propor algumas breves considerações:

1- “Lembre-se de que o Brasil utiliza para a agricultura apenas 10% de sua área total.”

2- “85% de todas as melhores terras do Brasil são utilizadas apenas para soja/milho; pasto, e cana-de-açúcar.”

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Dúvida: ou o 1 não está casando com o 2 ou faltou acrescentar que os citados 85% referem-se a terras efetivamente utilizadas para a agricultura. Ou… senão isso, será necessário entender que o conceito de agricultura descolou-se de vez daquilo que hoje se denomina agronegócio. O faz todo sentido. Mesmo porque, o agronegócio/agricultura empresarial capitalista [com “vocação” rentista] há muito deixou de ser propriamente agricultura.
________________________________________________________
3- “Há cerca de 150 mil famílias de trabalhadores sem-terra vivendo debaixo de lonas pretas, acampadas, lutando pelo direito que está na Constituição de ter terra para trabalhar.”

Proposta(sobre o direito constitucional de ter terra para trabalhar):

1- Abrir o leque de ação política (tão política quanto o PiG ao liderar movimento oposicionista, usualmente chamado de mídia oposicionista) e incluir:
1.1- Ação pública de defesa e consolidação da democracia;
1.2- Ação pública em defesa e redirecionamento técnico da Embrapa;
1.3- Ação pública em defesa de um projeto nacional de zoneamento agro-ecológico;
1.4- Ação pública em defesa da agricultura multi-modal, incluindo aí, a agricultura de pousio ou tradicional pré-capitalista.

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Matheus

09 de janeiro de 2013 às 22h17

Não seria mais simples o Stédile constatar o óbvio: que a Dilma se comprometeu com o latifúndio e com o agronegócio, em troca de apoio político, midiático e financeiro para a coalizão governista? O pior cego é que não quer ver, o que se deixa enganar e intimidar por ilusórios “índices de popularidade”. Enquanto isso, quem sai perdendo com o “giro conservador” do governismo e com o peleguismo da direção nacional do MST são as milhões de famílias camponesas que esperam pela reforma agrária, os milhões de habitantes das cidades sufocados pelo caos urbano e pelos alimentos envenenados do agronegócio, das milhões de crianças que nascem todos os anos e são obrigadas a crescer em um dos países mais injustos e desiguais do mundo.

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Idalma

09 de janeiro de 2013 às 18h20

O Brasil é uma empresa. Quem elege os administradores é o povo. O PSD de Kassab,com um amontoado de políticos fisiológicos teve quase QUINHENTOS prefeitos eleitos pelo povo e se torna o QUARTO maior partido no Congresso Nacional. Dilma vai fazer o que???? A Empresa chamada Brasil tem de funcionar, com os funcionários que o povo manda pra lá. Dilma, voce está certa. É preferível ter esses do seu lado do que jogando contra a Empresa Brasil. Quem quiser que vá cobrar do zé povinho, que faça uma seleção mais eclética.

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    Lafaiete de Souza Spínola

    09 de janeiro de 2013 às 22h21

    Não é tudo, mas a prioridade das prioridades é a EDUCAÇÃO, até para que o povo aprenda a votar melhor e muito mais.

    Jotace

    10 de janeiro de 2013 às 00h13

    Mais uma vez, discordo de ti, caro companheiro comentarista Lafaiete. Pois, a esmagadora maioria do povo venezuelano não era tão ‘letrada’, tão ilustrada, educada nos livros. Mas soube escolher por Chávez cujo governo está assombrando o mundo pelas suas realizações. Tão acertado foi o voto daquele povo que repetiu a escolha, votando nele ou em candidatos (as) de idéias e linha política semelhante, já por 14 vezes em eleições das mais limpas. Por seu lado, portadores de canudo nem sempre são bons administradores, muito menos têm a menor sensibilidade pelos problemas dos excluídos que consituem usualmente a grande maioria dos povos latino-americanos como o nosso. Pois, a praxe é a de fazerem seus governos para as oligarquias que se sucedem nos tempos… Cordial abraço, Jotace

    Mário SF Alves

    10 de janeiro de 2013 às 00h23

    Educação política você quis dizer, não, prezado Lafaiete? Educação política para a formação de massa crítica, é disso que você está a dizer, não?

    ________________________________________________
    Lembra o Gonzagão? Pois é. Então, haja agulha pra “furá os zóio de tanto assum-preto”. E isso só com o que nos restou do o “Brasil Um País de Todos”. Imagine se a presidenta Dilma pudesse ter dado plena continuidade a ele? Aí, meu caro, a educação viria de bandeja e o dito IV Poder iria cair por terra (de vez).
    _____________________________________________________
    Haja Margarina Silva + intensificação do boicote governamental e apoio (in)condicional do Pig pra reverter esse que ainda poderá ser o futuro quadro.

    Roberto Locatelli

    13 de janeiro de 2013 às 17h47

    “O Brasil é uma empresa”. Esse é o conceito básico do capitalismo em seu estado de degenerescência. O país é uma empresa e tem que dar lucro. O bem estar do povo não importa.

    Não, Idalma, o Brasil NÃO É uma empresa. O Brasil é um PAÍS. E o país tem que ter distribuição de renda, de terra e justiça social.

Julio Silveira

09 de janeiro de 2013 às 17h54

Cego é quem aceita calar a reforma agraria, fora alguns gritinhos timidos, em nome sei lá de que. Parece de fidelidade partidária.

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    abolicionista

    09 de janeiro de 2013 às 21h06

    É preciso saber separar as críticas, caro Julio. As críticas de Stédile precisam sim ser levadas a sério. Stédile está dizendo a verdade e, se está pressionando o governo, é porque tem certeza de que esse não está cumprindo seu papel. Agora, algo bem diferente são as críticas do colunista da Folha Valadimir Safatle. Qual a última vez que você viu a Folha das espaço para o Stédile? Não dá espaço para ele porque sabe que ele é um homem que luta ao lado do povo e cujas ideias são realmente perigosas para os interesses colonialistas. Não se iluda, Safatle só escreve na Folha porque é considerado inofensivo.

    Julio Silveira

    11 de janeiro de 2013 às 12h44

    Meu caro abolicionista, em governos anteriores ao periodo petista chovia maré vermelha, hoje nem vento verde vejo mais, portanto…

Jotace

09 de janeiro de 2013 às 02h56

PRÓXIMAS ELEIÇÕES, EM QUEM VOTAR

A análise que faz o Stédile do que ocorre nos campos brasileiros e os dados relacionados que apresenta a respeito do uso da terra, da produção agrícola, da penosa situação do campesinato, e muitos outros, demonstram que Dilma, à frente do governo, dá apenas continuidade se não ao esquecimento, mas ao desprezo e à falta de coragem de Lula para lidar com temas tão importantes. Tudo, ademais, agravado pelo despreparo de ambos na arte de bem administrar. Divirjo assim, da generosa incursão de Stédile no campo da oftalmologia e sequer me disponho a ver o caso como o estudioso Severino Isidoro Guedes, de uma opção pelo ”gerencialismo” que programaria a morte lenta dos sonhos de milhões de brasileiros. Penso que, do alto de seus chinelos, a nossa Presidente simplesmente adotou algo mais cômodo para ela: a indiferença do laisser-faire que deixou o Brasil continuar a ser entregue aos abutres carniceiros que pilham todos os recursos pátrios e o tudo mais que afete a soberania brasileira. Se a Presidente vem se portando propositadamente como um avestruz, cabeça enfiada na terra, sem sequer oferecer justificativas para sua leniência, ou conivência em muitos casos, ela ja decidiu que sua política não muda, com o povo ela nem a discute, é caso encerrado. O piór será a enganação do seu padrinho Lula, que virá na próxima campanha, buscando aplausos da platéia que o devia apupar. Para isso a ofensiva midiática dele já foi deslanchada, o incenso dos hipócritas já está no ar. O Brasil que se aguente então, se puder, com mais quatro anos de desprezo pelo povo, pelo campo – que é também dos pequenos agricultores e dos sem-terra- , pelo meio ambiente, pela soberania. De minha parte, depois de haver votado nos candidatos do PT em todas as eleições havidas, não o farei mais. Como também não votarei em nenhum candidato do PIG tampouco. Minha consciência de brasileiro os rejeita a todos. Jotace

Responder

    Mário SF Alves

    10 de janeiro de 2013 às 00h47

    Prezado Jotace,
    Mais uma vez incorro no risco de parecer REACIONÁRIO. Mas, convenhamos, o que você está a dizer é o mesmo que afirmar que o Governo sucumbiu às pressões do capitalismo subdesenvolvimentista “nacional”. Ou será que a estratégia de modernização do capitalismo é assim algo tão nefasto como o referido capitalismo subdesenvolvimentista.
    _________________________________________
    E, francamente, você acredita mesmo que o governo Dilma poderia seguir a mesma estratégia adotada pelo governo Lula? Ou, ainda, que o capital político acumulado no governo Lula seria suficiente para um vôo mais arrojado no campo do desenvolvimento político e subsequente inclusão social? Cara, a gente sequer conseguiu consolidar a democracia no Brasil. Ou será que a democracia que temos é assim tão diferente daquela que queriam os generais? A propósito, o STF, com o julgamento do mensalão (tudo [só] contra o PT) diz que nada mudou e que tudo continua como dantes no quartel de abrantes. Ou não?
    ____________________________________
    Atenciosamente,

    Mário SF Alves

    Jotace

    10 de janeiro de 2013 às 04h57

    Caro Mário,

    Tua citação à minha mais querida canção, Assum Preto, me deixou comovido. Grato, da minha parte, pela lembrança de algo tão bonito e representativo das terras amadas do Nordeste. Sinceramente que gosto de ler teus posts nas incursões que fazes neste blog. Comentarios cheios de sabedoria, de trocadilhos, de ‘traqueíces’, como bem dizem os sertanejos. Triquestroques bem intencionados, que podem às vezes exigir reflexão para desfazer uma (aparente) ambiguidade, o que é muito apreciável. Não, não te vejo como reacionário mas, entre outras coisas, não concordo com a entrega feita ao capital (nacional e internacional) do patrimônio da nação. Faltou a coragem de lutar, “la sangre”, tanto a Lula quanto a Dilma. Sem sequer ouvir o povo, quase sempre às escondidas, vêm entregando todas as riquezas do país e que são do povo. Por isso, apesar da empatia, lamento te dizer, se nos une a honestidade de propósitos quanto ao destino do Brasil, sentimos de forma diferente o que acontece. Pois, se fora eu um assum preto, poderia cantar que não ‘furaro meus óio’ ainda e as‘oiças” que tenho são muito boas. O meu pensamento – e minha decisão de cidadão brasileiro – são aqueles que tenho exposto com sinceridade. Em resumo, sempre acreditei e lutei pelos princípios que o PT postulava nos velhos tempos. Mas concluí que o legado das duas gestões de Lula foi um quase nada e o Brasil pagou extremamente caro pelo entreguismo que ele procedeu nos seus governos. Tal legado, muito ampliado e difundido pela mídia internacional, representante dos interesses de beneficiárias, tem sido habilmente explorado. E que os dois anos de (des)governo de Dilma seguem como naquele cantochão,‘de piór a piór’. O interessante de tudo é que tiveram ambos grande apoio popular e que simplesmente esbanjaram. Como explicar “A Mãe dos Brasileiros” estar deixando 150 mil famílias vivendo em barracas, à beira de estradas, e proceder a uma desapropriação de terras para a reforma agrária tão abastardada, menor do que a de FHC? E o despropósito de recursos concedidos ao agronegócio em detrimento da agricultura familiar desde os tempos de Lula? Será que Stédile e Conceição nunca insistiram por eles? Quem vai acreditar nisso? A descrença do povo em geral, e pelo que sei, é muito grande, caro Mário… Em quem votar em 2014 ? Pergunto de novo, porque no PIG jamais. Um abraço fraternal e libertário, Jotace

    Mário SF Alves

    12 de janeiro de 2013 às 00h55

    É… a crítica expressa em Assum Preto é demolidora. Inesquecível, e imprescindível, de fato.
    _________________________________________
    Grande abraço, amigo Jotace.

    Mário SF Alves

Izaías Almada: A síndrome Safatle/Dutra (I) « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de janeiro de 2013 às 00h09

[…] Stedile: Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos […]

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Isidoro Guedes

07 de janeiro de 2013 às 23h39

Stédile parece acreditar em papai-noel ou abusar da ingenuidade (quando ingênuo é tudo que ele não é).
Acreditar que uma experiente e escolada ex-guerrilheira está sendo enganada por um grupo de mequetrefes puxa-sacos é de um primarismo fora do comum é subestimar a inteligência da presidente e de alguns dos mais argutos observadores da cena política brasileira.
Dilma está fazendo é sua opção pelo “gerencialismo” e investindo num “projeto de governabilidade” que contempla um “governo de resultados”, relegando os fatores ideológicos e programáticos da política a um segundo plano.
Óbvio que isso pode (e deve) fortalecer o conservadorismo no longo prazo. Mas é uma opção, não uma ação orquestrada por meia duzia de puxa-sacos, que nem de longe manobrariam a ex-militante da esquerda armada dos “Anos de Chumbo”

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    tiago carneiro

    08 de janeiro de 2013 às 23h48

    Quem parece acreditar em papel noel é você, que não quer enxergar que nossa amada presidenta mais parece um Fernando Henrique cardoso de saias.

J Tavannes

07 de janeiro de 2013 às 17h23

Quando Dilma se elegeu, convocou todos os brasileiro e todas as legendas, inclusive o PSDB, pra dar continuidade ao Brasil pós Lula. Esse apoio Dilma já constatou que não vai ter. A prova cabal foi a redução da energia,que dos 27 Estados, apenas três (des)governados pelo PSDB(SP,MG e PR), deram uma banana, para ela e pior, para o povo que como sempre não pode contar com esse partido. E a mídia mais uma vez fingiu que o vilão da história não era o PSDB. Portanto, a única certeza que tenho, se ruim com Dilma e com o PT, um milhão de vezes pior, com PSDB e C&A. Se ilude quem acha que Dilma é ingênua. Também não acredito que esteja vendida, mas, antes de chutar o pau do barraco, dizer eu tentei mas não pude contar com voces.

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    Lafaiete de Souza Spínola

    09 de janeiro de 2013 às 22h28

    Tem algo que ela teria mais campo para atuar e mudar esse país a médio/longo prazo: A EDUCAÇÃO.

    Educando o nosso povo, o resto será uma consequência!

Moacir Moreira

07 de janeiro de 2013 às 14h46

É muito comum o raciocínio de alguém ficar embaçado quando chega ao poder ou quando tem a expectativa de chegar ao poder e/ou ganhar muito dinheiro.

O fato é que a Dilma era uma verdadeira desconhecida para o povo brasileiro em geral até ser promovida, por meio da propaganda, com recursos públicos e privados.

Custou caro a eleição da dona Dilma e agora chegou a hora de pagar a fatura.

Ou paga para o povo que a elegeu ou paga para os empresários e políticos que a promoveram.

Responder

    tiago carneiro

    08 de janeiro de 2013 às 23h49

    Eu passei mais de um mÊs militando para o FHC de saias e não recebi NADA em troca. Ah… recebi sim, muito DESGOSTO. Creio que os ricaços estão recebendo os agradecimentos da nossa FHC.

Francisco

07 de janeiro de 2013 às 14h11

Porque é que os alimentos tiveram alta de 10% em 2012?

Respondido.

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Carlos Lima

07 de janeiro de 2013 às 13h46

Se fosse cegueira, era um simples problema oftamológico, o problema é mais sério, Dilma abandonou a base e está fortalecendo a oposição como estratégia de se abandonar o PT, ter assento em cadeiras mais conservadoras. A Dilma é de origem do PDT, o próprio Darci Ribeiro em uma entrevista a revista KALUNGA disse: “O PDT É UM PFL DE SAIA”, o PFL não existe mais, más as saías tem para todos os gostos, curtas, compridas, apertadas, rodadas e etc.. o Brasil atualmente parece ter vestido as saías da MERLYN MONROY, o ar bateu e Brasil está segurando a saía para não mostrar o que não deve.

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Julio Cesar Montenegro

07 de janeiro de 2013 às 13h19

nada como a experiencia vivida em campo no movimento

Responder

Mardones

07 de janeiro de 2013 às 13h18

Então é preciso mobilizar, ir às ruas. Infelizmente, fazer críticas pertinentes ao governo petista parece elogio à direita.

Não é possível ficar preso a essa armadilha. O governo petista não representou avanços em muitas frentes: comunicação, segurança pública, saúda e reforma agrária.

Responder

genital lacerda

07 de janeiro de 2013 às 13h08

Essa crença que o grande lider está “sendo enganado” pelos cortesãos é coisa de conto de fadas..como o camponês na Russia Czarista que chamava o Czar de paízinho e estava certo que tudo que sofria nas mãos do governo era por conta da perfidia e crueldade de ministros e funcionarios que tudo escondiam do Czar. O chefe maximo é sempre o responmsavel máximo…so se desilude quem se ilude.

Responder

Luís

07 de janeiro de 2013 às 12h37

“Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos”

A esse pessoal dá-se o nome de governistas.

Responder

Noir Dias Moreira

07 de janeiro de 2013 às 12h34

O PT esqueceu da Reforma Agrária que era uma das Reformas de Base, propostas na época do Jango Goulart.
O Governo da Tia Dilma, não está trabalhando bem em diversas áreas e os brasileiros vão pagar muito caro por isso.
A Reforma Agrária no Brasil, deveria ser tratada como questão de segurança nacional.
Não podemos esquecer que uma reforma agrária medianamente bem executada, proporciona mais disposição para trabalhar, evita doenças e controla a inflação.

Responder

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