Santayana: Por que a ECT se uniu com os italianos?

Tempo de leitura: 2 min

A tradicional benevolência de Paulo Bernardo com as multinacionais de telecomunicações

A ECT, a Itália e a Telebras

por Mauro Santayana, em seu blog

(Hoje em Dia) – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, anunciou, há alguns dias, a assinatura de joint venture com a Poste Italiane, os correios estatais da Itália, para explorar – entre outros serviços correlatos — o mercado brasileiro de telefonia celular virtual.

Conhecendo-se a tradicional benevolência do Ministro Paulo Bernardo com as multinacionais de telecomunicações, em casos como a proteção do mercado de tv a cabo; flexibilização de regras e obrigações; e vultosos empréstimos públicos a juros subsidiados para o financiamento de sua expansão no país, enquanto elas remetem bilhões de dólares em lucro para o exterior, cabe perguntar:

Com que critérios foi feita a escolha da Poste Italiane?

Por que estrangeiros foram escolhidos para ficar com 51% das ações, e foi dado à Poste Italiane, e não à ECT o controle do negócio, se a empresa vai operar no Brasil?

Já que a Poste Italiane pertence ao governo italiano e 100% de suas ações são estatais – se fosse privada seria muito pior – por que fechar essa parceria necessariamente com ela, e não com uma estatal de outro país, como a Deutsche Post, da Alemanha – a maior do mundo, dona da DHL – ou a China Post, por exemplo?

Para a ECT entrar nesse mercado, ela estava necessariamente obrigada a se associar a uma empresa estrangeira?

Ou não poderia simplesmente – caso fosse imprescindível – ter contratado serviços alheios para a montagem de seu sistema, sem necessariamente abrir mais um pedaço de nosso mercado a uma empresa de fora que vai acabar enviando seus lucros para o exterior?

Os correios, com um faturamento de mais de 10 bilhões de reais por ano, não teriam os recursos – cerca de 150 milhões de reais iniciais — para entrar sozinhos no negócio, sem precisar se associar aos italianos?

E, por último, se estamos – finalmente – perdendo o prurido de trabalhar com empresas estatais de outros países, controladas por governos estrangeiros, por que não fazer o mesmo com uma estatal brasileira, que é do ramo, como a Telebras?

Fazendo a joint venture com os italianos, o governo não estaria jogando pela janela — queimando mesmo e esperamos que de forma não proposital — uma oportunidade única para relançar comercialmente a Telebras?

Colocando-a para competir, mesmo que marginalmente, com as multinacionais que estão controlando o mercado nacional de telecomunicações, e que nos brindam com péssimos serviços – das mais baixas velocidades de conexão de internet do planeta – combinados a algumas das mais altas tarifas do mundo?

Alguém duvida do imediato sucesso de qualquer produto associando duas marcas históricas, emblemáticas, do ponto de vista da credibilidade e confiabilidade, como a ECT e a Telebras, em qualquer ponto do território nacional?

Por que não aumentar o capital, incluindo a Telebras?

Leia também:

“Vivo cobra serviço que não contratei, um assalto à mão armada”

Santayana: Falar em Telebras no Brasil virou palavrão

Apoie o jornalismo independente


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Felipe

Eis a diferença do PSDB e do PT.
O PSBD entregou a telesp para os espanhóis.
O PT vai abrir o ECT pro Italianos.
Muuuuito diferente…

Apavorado com a cara-de-pau humana.

O povo perdeu totalmente o controle do país. Um ministro deve ter todo esse cacife comercial? Quem lhe deu?

Edson J

Por que esse Bernardo ainda é ministro?

    Juca

    Porque ele tem uma chefe e ela de e concordar com isso. Não use te a Dilma ela não é uma ingênua ela é até presidente da república.

“Adriano Medeiros Costa”

Mauro Santayana é um dos meus ídolos!

Carla

http://www.corrierecomunicazioni.it/tlc/25766_poste-mobile-prepara-lo-sbarco-in-brasile.htm

Em italiano, mas dá para entender…

Julio Silveira

Ao ler isso não tenho como deixar de pensar que isso nos acontece por que temos oculto em todas as matizes ideológicas elementos “expertos”, sem qualquer pudor para enfraquecer o País.
Resta saber quem ganha com isso alem da Itália e de seus cidadãos Expert’s.
No passado tivemos um no mais alto posto. Hoje temos um clone emocional num posto secundário, mas também de vital importância. Para um país onde a fidelidade e a solidariedade é dada não a cidadania, mas ao companheiro de chapa.

Lukas

Italiani, vanno a casa!

Almerindo

Às vezes fico pensando: essas teles faturam bilhões aqui no Brasil. O quê me garante que elas não fizeram uma pressão terrível em cima da Dilma e sua equipe pra que ela aceitasse esse Bernardo, que já se mostrou bem “afinado” com as vontades delas? Porque enquanto esse cara estiver lá, continuaremos em “mãos de calango”…

Jaco do B

Enquanto era vivo e candidato a presidente eu sempre votei no Brizola. Aquele era nacionalista e inimigo da famiglia Marinho. Nunca ficava em cima do muro nem conhecia o tal controle remoto da Dilma! Infelizmente para os nacionalistas brasileiros a Globo conseguiu tira-lo do 2º turno em 1989. O Collor já disse que dificilmente venceria o Brizola naquela eleição, caso fosse ele o adversário. O Lula teve oito anos para mandar uma Ley de Medios para o Congresso e não mandou. Deixou um projeto que foi devidamente engavetado pelo Bernardo Plim Plim com o consentimento da Dilma, com certeza! Em 2014 não tem tu mas vai tu mesmo Dilma! A quadrilha tucana e afins jamais!

    Juca

    Isso que é terrível ter que escolher entre a corja menos pior. Por enquanto é a corja da Dilma mas estão se igualando tanto à corja tucana que não vai dar pra votar em ninguém.

Ronaldo Curitiba

Enquanto o MST não vira partido eu vou de PCdB, menos pior do que o PT.

Mas para presidente não tem jeito. Vou tampar o nariz e votar na Dilma.

Ela padece dos mesmos pecados do Lula (afinal é cria), só que ampliados.

    lukas

    Saudade do Enver Hoxha!

Isidoro Guedes

Mais um obscuro negócio feito por esse atucanado ministro do governo petista. Esse Paulo Bernardo Plim Plim já não devia mais estar no governo há muito tempo. De petista ele só tem a carteirinha do partido, seu lugar mesmo é no PSDB e entre os entreguistas de lá…
Seguramente esse senhor é um elemento do mercado infiltrado entre nós… Só a presidente Dilma não vê ou não quer enxergar esse obvio.

maria utt

Aí depois o governo fica na mão das teles/PMDB e não sabe o porquê.

Antonio

Esse medíocre não dá um passo sem o aval da Dona Dilma, portanto…

Jayme V. Soares

Não me sinto estimulado a votar em Dilma nem nos seu aliados, porque execro seus ministros entreguistas neoliberais, como Paulo Bernardo e Cardoso. Paulo Bernardo é aquele ministro que vem escondendo, engavetando, a lei de regulamentação da mídia, proposta no governo Lula; O ministro Bernardo vem entregando à imprensa internacional, a serviço dos Estados Unidos, o direito exclusivo de informar, e como se sabe estas informações são eivadas de distorções, mentiras e falsidades.

Jadson

Dilma, desliga o Bernardo.
Dê sinal de ocupado para ele.

cleverson

Nao existe coisa pior do que votar contrariado. Nao por obrigaçao de votar, mas sim porque nao ter alguem verdadeiramente bom em quem se votar.
Neste ano voto novamente no PT, voto em Dilma, mas que o negócio é triste, ah isso é.

Se o Bernardo e o Cardoso sao duvidosos, a culpa é de quem? Quem é que os anunciou como ministros e deixa eles lá fazendo estragos.

A dona Dilma nao é fácil.

Que tristeza!

    Almerindo

    Engraçado… Tenho pensado a mesma coisa a alguns anos…

    Realmente É DURO não termos opções melhores, porque ver esse cara e o Cardoso fazendo o que fazem, desanima qualquer cristão…

    Adriano

    Isso é fato! Nossa oposição é tão patética, que nos resta a opção de votar “no menos pior”. Coitado de nós! Coitado do Brasil!

Paulo Soares

E o Ministério Público Federal não está informado sobre o assunto ? Um dos males do povo brasileiro é que só se empenham para ingressar no emprego público. Depois de estarem lá, a grande maioria, não se dedica e é difícil fazê-los trabalhar.

Urbano

Benevolência… É mais a frente…

Deixe seu comentário

Leia também