VIOMUNDO
O VIOMUNDO só é possível também através de anunciantes, e detectamos que você utiliza um AdBlock, bloqueador de anúncios.
Por favor considere ajudar o VIOMUNDO desativando o bloqueador para este site.
Cartas de Minas
Cartas de Minas

Mário Scheffer: “ANS foi capturada pelos planos de saúde”

20 de maio de 2014 às 11h58

Para Mário Scheffer (à esquerda),  o que está em jogo na indicação do novo diretor da ANS, José Carlos de Souza Abrahão (à direita),  é o mercado de mais de R$ 100 bilhões por ano

por Conceição Lemes

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem como missão a defesa do interesse dos usuários de planos privados de saúde e a regulação das relações entre operadoras e consumidores.

Em julho de 2013, o advogado Elano Rodrigues Figueiredo foi indicado para ser seu diretor. Só que ele omitiu no currículo enviado à presidenta Dilma Rousseff e na sabatina no Senado uma informação crucial: era ex-funcionário de planos de saúde.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apoiado pelo Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), levou o caso à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

O relator foi o advogado Mauro de Azevedo Menezes. Em seu voto, seguido pelos demais membros da Comissão, recomendou à Dilma a destituição de Elano devido “à existência de graves e reiteradas violações éticas.”

Há uma nova polêmica nessa mesma área.

Em março, a Presidência da República indicou para o cargo de diretor  da ANS o médico José Carlos de Souza Abrahão.

De 2003 a abril de 2014, ele presidiu a Confederação Nacional de Saúde Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS), entidade sindical que representa estabelecimentos de serviços de saúde no País, entre os quais as operadoras de planos de saúde.

Ele já se manifestou publicamente contra o ressarcimento do SUS pelas operadoras de planos de saúde, inclusive em artigo publicado na Folha de S. Paulo. Mas, curiosamente, se “esqueceu” de incluí-lo na lista de publicações informadas ao Senado em seu currículo.

Idec, Cebes, Abrasco e Abres (Associação Brasileira de Economia da Saúde) já denunciaram a indicação (aqui, aqui e aqui), repudiada também pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) na semana passada.

Mesmo assim, o nome de Abrahão está mantido. Na segunda-feira 12, ele tomou posse no Rio de Janeiro como diretor da ANS.

Entidades de defesa do consumidor e de saúde pública vão recorrer à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Abrahão é contra o ressarcimento do SUS pelos serviços prestados aos usuários de planos privados de saúde.

“Desde a criação da ANS, no início de 2000, até hoje, o SUS recebeu apenas R$ 447 milhões de ressarcimento dos planos privados”, denuncia o professor Mario Scheffer. “Calcula-se, por baixo, que por ano os planos deveriam pagar ao SUS, no mínimo, R$ 1 bilhão por serviços prestados aos seus clientes.”

“Abrahão simboliza decisões políticas recentes definidoras dos rumos do sistema de saúde brasileiro. O que está em jogo é o poder de um mercado bilionário. Só em 2013 os planos privados de saúde faturaram R$ 100 bilhões”, afirma Scheffer. “ A ANS foi capturada pelos planos privados de saúde e o SUS é que sai perdendo.”

Mário Scheffer é  professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e estudioso do sistema de saúde brasileiro. Foi uma das lideranças, pela sociedade civil, do processo de mobilização que chegou à regulamentação dos planos de saúde, em 1998. É autor, juntamente com Ligia Bahia (UFRJ), do livro Planos e Seguros de Saúde no Brasil: o que todos devem saber sobre a assistência médica suplementar (Editora Unesp).

Segue a nossa entrevista, na íntegra.

Viomundo – Em uma palavra, o que acha da indicação de Abrahão para diretor da ANS?

Mário Scheffer – Lamentável.

Viomundo – Por quê?

Mário Scheffer — Não é pela suposta falta de qualidades do novo diretor, mas por simbolizar decisões políticas recentes definidoras dos rumos do sistema de saúde brasileiro.  Há muito tempo nós denunciamos a porta giratória da ANS — ocupação de cargos por pessoas a serviço do mercado. Mesmo assim, o governo a mantém.

Viomundo – Mas no ano passado caiu na Comissão de Ética da Presidência da República a nomeação do Elano Figueiredo para diretor da ANS.

Mário Scheffer – Foi a primeira vez na história que isso aconteceu. Mas só depois de ampla mobilização. Elano omitiu em seu currículo encaminhado à sabatina no Senado que tinha sido diretor jurídico de um plano de saúde.

É muito semelhante à polêmica atual com esse novo diretor, o médico José Carlos de Souza Abrahão. Só mudou o conflito, os interesses são os mesmos.

O que está em jogo é o poder de um mercado bilionário. Os planos de saúde crescem muito a cada ano. Já são mais de 50 milhões de brasileiros conveniados. Faturaram mais de R$100 bilhões em 2013.

Viomundo – Em que o caso do Abrahão difere do de Elano?

Mário Scheffer — O fato de esse novo indicado ter sido empresário e dono de plano de saúde. E, desde 2003, ser presidente de uma entidade do setor privado, a CNS, que representa também os planos de saúde, o que, a meu ver, já configura grave conflito de interesse.

Mas há um ingrediente a mais. É sua posição pública contrária ao ressarcimento ao SUS, assim como uma ação de inconstitucionalidade movida pela CNS, que ele presidiu, contra o ressarcimento.

Viomundo – Explique melhor.

Mário Scheffer –Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 2010, Abrahão posicionou-se publicamente contra o ressarcimento. E isso – atenção! — sete anos depois de o STF ter afirmado que o ressarcimento é constitucional.

Ou seja, ele é mesmo contra, nem se importou com a posição do STF. Curiosamente, ele omitiu esse artigo no currículo enviado à presidente Dilma e ao Senado.

A entidade de Abrahão, a CNS, conseguiu uma vitória a favor dos planos de saúde.

Na mesma ADIN contra o ressarcimento, a CNS pediu – e levou! – a suspensão do reajuste anual das mensalidades para planos antigos, assinados antes da lei 9656 de 1998.

Os planos foram autorizados a aumentar a mensalidade de acordo com o custo assistencial. Em consequência, mais de 1,5 milhão de usuários de planos antigos – boa parte idosos — foram prejudicados com reajustes muito acima do fixado anualmente pela ANS. Muitos idosos foram obrigados a abandonar planos que pagaram anos a fio. Foi uma exclusão pecuniária.

Viomundo – Gostaria que aprofundasse a questão do ressarcimento do SUS.

Mário Scheffer – Frequentemente clientes de planos privados da saúde utilizam o SUS para se tratar e , por lei , os planos têm obrigação de  ressarcir o SUS pelo atendimento.

Cabe à Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, viabilizar o ressarcimento do SUS. E o novo diretor, assim como a entidade que ele presidiu por 10 anos,  assumiram publicamente e no Judiciário a defesa dos planos contra o ressarcimento ao SUS.

Viomundo – O que diz a lei?

Mário Scheffer  — A lei é clara. A ANS tem a obrigação de identificar os pacientes com planos de saúde atendidos nos hospitais públicos, verificando a compatibilidade da cobertura com os contratos dos planos. As operadoras devem ser notificadas sobre quanto devem pagar ao SUS.

Desde 2009, o Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que a ANS deu prejuízo aos cofres públicos, pois deixou de identificar o que merecia ser ressarcido, deixou de realizar as cobranças, deixou processos prescreverem.

Além disso, sem explicação, a ANS nunca cobrou os procedimentos ambulatoriais. Ela só processa – e mal! — as internações.

Jornalistas assessores da ANS gostam de divulgar que o ressarcimento bateu recorde. É balela. Até hoje, desde a criação da ANS, o SUS só recebeu R$ 447 milhões de ressarcimento.

Anualmente, o SUS realiza cerca de 12 milhões de internações. Calcula-se, por baixo, que por ano os planos deveriam pagar ao SUS, no mínimo, R$ 1 bilhão por serviços prestados aos seus clientes.

Basta abrir as atas da diretoria colegiada da ANS. Em toda reunião são analisadas dezenas de recursos de planos contra o ressarcimento. Será que o novo diretor vai abster-se em todas essas votações?

Viomundo — Diria então que a ANS foi capturada pelos planos privados?

Mário Scheffer  — Sim, desde que foi criada em 2000, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E o SUS é que sai perdendo.

Vou explicar por quê.

A regulação de um mercado tão imperfeito quanto o de planos de saúde pode atingir vários níveis de racionalidade

A desejável é a do interesse público. O Estado impõe correção nos abusos do mercado, o que de certo modo estava presente na proposta inicial de regulamentação dos planos de saúde.

Outra forma de ver a regulação é assumi-la como um produto da mediação entre o órgão público regulador e grupos de interesses, no caso os planos de saúde, os prestadores, médicos e usuários. Estes, os consumidores, são parte mais fraca da relação. A ANS chegou a seguir essa linha, tendo arbitrado equilíbrios temporários em alguns momentos.

E a terceira racionalidade, que predomina hoje na ANS, resulta da rendição aos interesses privados, que é conhecida na literatura como a “teoria da captura”. Ou seja, os reguladores são dominados pelo setor que regulam, buscando maximizar benefícios políticos, seja financiamento de campanhas, votos, cargos ou acumulação de poder.

Nessa toada, no caso dos planos de saúde, podemos chegar ao pior dos mundos apontado por teorias críticas da regulação econômica. A regulação em favor de interesses particulares torna-se tão perversa socialmente, que teríamos resultados melhores mesmo na ausência da intervenção pública.

Viomundo — Na prática, o que essa captura da ANS traz de ruim?

Mário Scheffer — Ela impulsiona um mercado livre artificial, que vende mais planos do que a capacidade à custa da regulação frouxa, leniente, da ANS.

Houve uma avalanche de planos de preço baixo e coberturas pífias. Permitiu a venda de produtos sem rede compatível de médicos, hospitais e laboratórios, o que gera lotação e demora nos atendimentos. Permitiu o fim da oferta de planos individuais e a venda de planos que fogem da regulacao mais rigorosa, sob o rotulo de coletivos.

Essas listas periódicas de planos que não cumprem prazos de atendimento são a cena do cachorro correndo atrás do próprio rabo. A ANS, que autorizou a venda desses planos, agora finge punir.

Viomundo — Pouco antes do caso Abrahão o Congresso aprovou uma Medida Provisória (MP) que diminui as multas dos planos de saúde.

Mário Scheffer – Esse absurdo foi enfiado na Medida Provisória 627, que nada tinha a ver com planos de saúde.  Estabeleceu um teto, uma espécie de anistia prévia na aplicação de multas aos planos de saúde.

Ainda bem que a Dilma vetou, mas falta esclarecer quem foi o autor desse descalabro.

O comportamento dos parlamentares simboliza bem de que lado eles estão. Veja o caso do senador e ex-ministro Humberto Costa, líder do governo. Atuou pela não destinação dos 10% da receita da União para o SUS e, agora, foi um relator veemente na defesa da indicação para a ANS de um nome contra o ressarcimento ao SUS. Durante a sabatina, o senador chegou a defender que os planos não precisariam atender alta complexidade, como os transplantes, que deviam ser assumidos integralmente pelo SUSUm papelão, um desserviço.

Viomundo — Os planos de saúde têm muita influência na Câmara dos Deputados, no Senado, no governo?

Mário Scheffer – Nadam de braçada. No fim de 2013, de contrabando em outra MP, a 619, o Congresso livrou os planos de saúde de uma cobrança bilionária do PIS/Cofins, ao reduzir em 80% a base de cálculo sobre a qual incidia esses impostos. Com isso vão aumentando os subsídios diretos e indiretos a planos.

Tem ainda outro problema.  Como o mercado de planos cresce, aumentam os gastos tributários, renúncia fiscal e desconto dos gastos com planos de saúde no cálculo de imposto de renda de pessoa física e jurídica. Nessa renúncia fiscal, há um incentivo econômico, que favorece o mercado de planos de saúde que beneficia só uma parcela da população.

Outra benesse que a sociedade desconhece: a utilização do BNDES, na concessão de créditos aos planos, para ampliação de rede própria. E muitos hospitais privados estão fazendo puxadinho, aumentando as instalações para atender os planos, com empréstimos generosos do BNDES.

Há um ano foi levada ao governo pelas empresas de planos de saúde a proposta de venda de planos populares, de até 100 reais a mensalidade, em troca de isenções e subsídios. Abafaram o caso depois que o movimento contrário de entidades da saúde denunciou a mamata.

E tem, como dissemos, o não ressarcimento ao SUS.

Os  gastos do SUS com tudo que não é coberto pelos planos; tem a compra de plano privado para o funcionalismo público, so o governo federal gasta com isso mais de 1,5 bilhão por ano.

Enfim, a população nunca foi convidada a opinar sobre isso.

Viomundo – Você é contra os planos de saúde?

Mário Scheffer — Não se trata de ser contra ou a favor. A população parece que está acordando para a realidade. Já está vendo que não faz sentido o clichê de que na saúde o SUS nunca presta e é dirigido aos pobres; e os planos são sempre eficientes e destinados a quem pode pagar. Porque há inversões eloquentes.

Veja estes dois exemplos. O da distribuição de medicamentos de aids no SUS e o  tratamento de câncer no Icesp ( Instituto do Câncer de São Paulo). São 100% público, todos na mesma fila, recebem a mesma assistência, independente de ter ou não plano, ter ou não dinheiro.  É o que podemos chamar de universalidade inclusiva.

E veja o caso dos planos de saúde populares, segmento crescente, com serviços de péssima qualidade, filas absurdas nos prontos socorros, barreiras de atendimento, exclusões de cobertura. É o que podemos chamar de fragmentação excludente.

Ao final resta ao SUS o papel de resseguro, de suplementar do privado, ao arcar com as exclusões desses planos principalmente os atendimentos mais caros e complexos.

E, aqui, volto à nomeação do Abrahão. É um homem do mercado de planos privados de saúde.

[A produção de conteúdo exclusivo do Viomundo é  bancada por nossos assinantes. Torne-se um deles!]

Leia também:

Conselho Nacional de Saúde repudia indicação de diretor para ANS

Apoie o VIOMUNDO

Crowdfunding

Veja como nos apoiar »

O lado sujo do futebol

A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Entre os mais vendidos da VEJA, O Globo, Época e PublishNews. O Lado Sujo do Futebol é o retrato definitivo do que acontece além das quatro linhas. Um dos livros mais corajosos da história da literatura esportiva, revela informações contundentes sobre as negociatas que empestearam o futebol nos últimos anos. Mostra como João Havelange e Ricardo Teixeira desenvolveram um esquema mafioso de fraudes e conchavos, beneficiando a si e seus amigos. Fifa e CBF se tornaram um grande balcão de negócios, no qual são firmados acordos bilionários, que envolvem direitos de transmissão e materiais esportivos. Um grande jogo de bolas marcadas, cujo palco principal são as Copas do Mundo.

por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet.

Compre agora online e receba em sua casa!

 

22 Comentários escrever comentário »

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Edson

22/05/2014 - 13h09

Discordo…
O ambiente brasileiro melhorou com as privatizações sim, o SUDS, depois SUS, e as Teles, eram péssimos.

Depois que foi aberto esse mercado, hoje até cachorro tem celular, e é possível contratar um plano de saúde…

No caso da saúde, é um caso a parte, pois a classe médica é uma casta a parte, formada por pessoas vindas de famílias nobres ( em sua maioria ) e que determinam os caminhos políticos que desejam trilhar, por terem força para isso, a fim de defender seu interesse, e manter sua qualidade de vida.

Responder

Desmascarando as caras de pau.

21/05/2014 - 15h42

´Lembram que?

-vamos privatizar hotéis pois isso não é função de estado
-vamos privatizar a VASP pois aviação não é coisa de estado
-vamos privatizar a Varig idem
-vamos privatizar a energia pois isso não é função de estado
-vamos privatizar a Petroquisa pois isso não é função de estado
-vamos privatizar a telefonia pois isso não é função de estado

Pois cuidem do pouco que ficou ou desocupem a cadeira, pois o povo votante e pagante de impostos não quer mais mentiras.
Prem! Basta!

Responder

Mardones

21/05/2014 - 14h59

Infelizmente, qual é a agência reguladora que não é gerida de acordo com os interesses daqueles que ela deveria controlar?

Não há uma sequer.

A qualidade ruim e o preço alto dos serviços de comunicação fixa e móvel é o resultado da atuação da Anatel a favor das teles. Além da Agência, nesse caso, o ministério também é totalmente a favor dos interesses das empresas que deveriam fiscalizar.

Citei apenas um exemplo. No entanto, o que o governo FHC criou foi o rótulo (Agência Fiscalizadora e blá, blá, blá) para dar um tom de seriedade a um processo de liberalização da economia que veio todo definido para favorecer o setor privado.

Pergunte quantos fiscais existem para fiscalizar os postos de gasolina? Você vai ficar assustado quando souber que o número é ínfimo se comparado com a quantidade de postos que precisariam fiscalizar.

E assim por diante.

Por fim, é muito bom saber que existem órgão exigindo o mínimo de respeito do governo com serviços, como a saúde. É fato que senadores e deputados federais – em sua maioria absoluta – defendem as empresas privadas por causa dos patrocínios para as campanhas (o famoso: vc patrocina minha campanha e, se eu venceu, defenderei seu negócio.).

Responder

Julio Silveira

21/05/2014 - 13h36

Um tempo atrás eu disse aqui num outro post, sobre um assunto relacionado as agencias reguladoras, que estas Agencias foram uma das piores coisas criadas por um governo, para a cidadania. Posso até estar errado sobre o que vou dizer, mas acho que os tucanos quando as trouxeram o fizeram dentro da ótica neoliberal copiando dos States de forma míope, trazendo para nós algo que não se coadunava com a nossa realidade. Naquela visão já comprovadamente errada de que “mercado regula mercado”. Deram, a pessoas ligadas aos grupos econômicos, assentos privilegiados nessas instituições. Esqueceram que neste país, ultimo em todas as iniciativas humanistas, até o código de defesa do consumidor demorou a se consolidar. E, mesmo hoje, ainda surgem muitos problemas na relação consumidor-empresas em que soluções são postergadas, tendo em vista o enorme arcabouço legal a mão produzidos para beneficio, principalmente, dos detentores do poder econômico. Arcabouço que foi sendo construído através dos tempos, para esquivos e adiamentos de solução pró consumidor e pró cidadania. No fim, e quase como sempre acontece com governos omissos, as vezes coniventes para pensar benefícios a cidadania, acabaram por fazer o jogo do predador. Entregaram as galinhas aos cuidados das raposas.
E vamos ser francos, tudo isso quase sempre acontecia neste país (apesar da mídia propagandista glamorizar feitos e atestar competências, de forma artificial como faz ainda hoje). Quando o afã dos despreparados para as questões do estado é vagabundear das suas atribuições de administradores não tem jeito. Quando delegam responsabilidades publicas, com um arremedo de controle publico, para facilitar suas vidas, causada pelos comprometimentos inconfessáveis, não tem jeito, e depois Inês é morta. Só restando a cidadania absorver.

Responder

Millena Borges

20/05/2014 - 22h39

Não é surpreendente que o estado privilegie o mercado, é essa a prioridade do nosso governo, alem dos interesses economicos dos envolvidos nesse jogo ANS – SUS.

Responder

Júlio De Bem

20/05/2014 - 22h07

Faço um dasafio aqui. Ligue agora para a ANS e tente fazer uma reclamação. Estao sem sistema a meses. Estou 3 meses esperando o ressarcimento de uma cirurgia que fiz onde a anestesia custou 2000 e o plano me reembolsou 691,00. Nao obtive resposta nem da ANS nem do plano. A 4 anos tive o mesmo problema e foi resolvido em 5 dias

Responder

J Souza

20/05/2014 - 21h09

Só pode ter sido pressão do PMDB. O PT não erra…

Responder

nigro

20/05/2014 - 19h51

Legal gente. Levanta a mão quem não tem plano da saúde. Eu tenho. sou do ramo e posso garantir que o atendmento privado é mais rápido, mas eficiente e mais humano, na maior parte das vezes. MAS para alguns planos, é melhor o SUS.

O SUS sai perdendo? Bom, se todo mundo que tem plano de saúde fosse bater no SUS, o que seria? Precisariam importar mais cubanos e outros médicos sem validação de diploma para dar conta do serviço, obviamente, sem a menor qualidade, planejamento, sem coleta de dados estatísticos, sem- NADA. Entrem no site do NIH para ver o que é coletar dados de Saúde. Melhor ainda, chequem a Dinamarca.

Responder

Urbano

20/05/2014 - 16h23

Agenciar por meio travesso não interessa ao Brasil…

Responder

Anesio

20/05/2014 - 15h51

Teria sido bom se isso não tivesse acontecido. VOLTA LULA!!!

Responder

    Nelson

    21/05/2014 - 17h02

    Adiantaria a volta do Lula?

    As agências reguladoras – verdadeiras raposas a cuidarem do galinheiro -, impostas aos brasileiros por FHC, a serviço do duo FMI/Banco Mundial, passaram incólumes pelos dois mandatos de Lula.

    A solução passaria pela dissolução dessas coisas indecorosas chamadas agências reguladoras e o retorno do controle ao Estado. Porém, parece que, se Lula já não queria peitar o FMI/Banco Mundial, acabando com essas agências, Dilma tem disposição ainda menor de fazê-lo.

El Cid

20/05/2014 - 15h23

fora de pauta:

Este vídeo ensina como identificar empresas que financiam
campanhas políticas (independente de qualquer partido) e depois são contratadas
para “servirem” ao político sendo pagas com o nosso dinheiro (e
infelizmente é de certa forma legal, mas muito imoral):

Eleições 2010 – http://divulgacand2010.tse.jus.br/div

Eleições 2012 – http://divulgacand2012.tse.jus.br/div

o autor do vídeo usou como exemplo, a visualização, os meses anteriores das
locações de veículos efetuadas pelo deputado Ronaldo Caiado à Govesa (repito:
isto serve para qualquer político), bastando alterar o ano e o mês indicado abaixo:

http://www.camara.gov.br/cota-parlame

https://www.youtube.com/watch?v=JeWBFkHu_o0

Responder

mineiro

20/05/2014 - 14h46

so uma pergunta , mesmo sendo denunciado esse mercenario da saude ele foi mantido ? alguem poderia me responder quem manteu esse salafrario tucano nesse cargo? porque se for essa pres. ai sim ela merece ser chamada de tucanona russef, mais nada.

Responder

Julio Silveira

20/05/2014 - 13h39

A Dilma mais uma vez ignora a massa que a elegeu e ainda vai acabar dando munição a seus adversários políticos. Outra prova que no PT aloprados tem muita força para conduzir e produzir problemas, inclusive na consciência do partido.

Responder

    Mano

    20/05/2014 - 18h37

    Você tá no site errado, o blog do reinaldo de azevedo é lá do lado da veja. Como você obviamente não leu a entrevista, foi a Dilma, de todas as pessoas, que vetou, negou, impediu, que os planos de saúde ficassem isentos, livres, de multas bilionárias que devem pagar ao governo.

    Julio Silveira

    21/05/2014 - 01h31

    Tô não meu caro, to criticando no lugar certo. Esse Blog é para quem tem lucidez. A proposta dele, no inicio, dizia ser para pessoas inteligentes. Isso para mim significa não abrir mão de convicções. E, ainda, para mim, afinidades não significam cumplicidades. Não significa ter que acoitar situações que prejudicam a cidadania, venham elas de onde vier. Se todos agissem assim tenho certeza que o próprio partido não estaria hoje tendo tantas dificuldades para mostrar ser o daquela diferença que o presidente Lula afirmou ter sido o mote para sua criação. Ademais meu caro sua posição apenas reforça sua semelhança com esse tal Reinaldo Azevedo, fechados e mesquinhos, apenas o que os diferenciam é o viés politico invertido.

    Desmascarando as caras de pau.

    21/05/2014 - 15h43

    Fato. Dilma tem sido muito mole com os malfeitos.

    Regina Braga

    21/05/2014 - 17h42

    Vou repetir, os erros do PT vão destruir o PT.A saúde mesmo com investimento pesado ,continua refém…da pp Agência.O SUS nada recebe…e as administrações públicas contratam OSs…passam a saúde para mãos de terceiros.Padilha,mostrar os números do SUS ,não resolve o problema dos SUS…o dinheiro fica igual aos canos da Cantareira…vazam constantemente!Por favor…vamos mudar a ANS! Discurso ideológico não resolve nada!

Luís Carlos

20/05/2014 - 13h07

Sobre o ressarcimento, de fato tem sido crescente, apesar de ainda muito pequeno, cabe perguntar para qual finalidade é usado esse recurso? Pergunto isso, pois, quem realiza os serviços de saúde no país são os municípios, com exceções de estados que mantém serviços e alguns hospitais do MS no RJ e RS. Apesar disso, os municípios não recebem nenhuma parte desse recurso ressarcido ao Goerno Federal, que repito, ainda é muito pequeno e deveria ser muito maior.
É sabido que recursos ressarcidos por prestadores de serviço ou municípios/estados à União, em casos de auditorias, por exemplo, não vão para orçamento do MS, mas passam a integrar caixa único da União, ou seja, não vão para o SUS necessariamente, e sim para outras finalidades.
Diante disso, repito a pergunta: para onde vai esse recurso ressarcido de planos de saúde? Vai mesmo para o SUS ou integra caixa único da União?

Responder

Luís Carlos

20/05/2014 - 13h00

Quem indicou esse novo diretor da ANS?

Responder

Luís Carlos

20/05/2014 - 12h58

O entrevistado faz pertinente alusão a situação atual de planos de saúde, após terem se espalhado desorganizada e desreguladamente em todo país. Quando ele cita a enorme venda de planos sem capacidade instalada ofertada, dá exemplo claro das motivações que levaram o Governo Estadual de SP, anos atrás a apresnetar projeto de lei na ALESP para “venda de serviços do SUS” a planos privados, ou seja, o Governo Estadual de SP iria oferecer a capacidade instalada do SUS para os planos que aumentaram suas carteiras de clientes sem expandir a rede de serviços, e para isso, teriam a “mão amiga” do Governo tucano em SP para não rpecisar investir um centavo sequer, e usar estrutura do SUS para continuar lucrando. Felizmente, naquele caso, o MP/SP fez a parte dele com Dr. Arthur Pinto e o descalabro foi evitado.

Responder

Fernando

20/05/2014 - 12h29

Os maiores erros políticos do Brasil em sua história recente foram sem qualquer sombra de dúvida a PRIVATIZAÇÃO e a ANISTIA POLÍTICA. Pelo menos no caso da anistia existe a comissão da verdade para pelo menos debater os erros desta anistia esdrúxula. E no caso das privatizações. O cenário criado por FHC com sua gloriosa privatização dos serviços de telefonia, saúde e bancos só piora a situação da população a cada dia. Além de ter de aturar a roubalheira constante das operadoras de telefonia (sempre com o apoio da Anatel) e canalhice tradicional desses bancos criminosos agora a saúde da população vai cada vez mais para o buraco. E a solução justa e inteligente de um SUS universal e eficiente , atendendo toda a população brasileira, foi jogada no buraco por FHC e pelo PSDB num privatização que já no primeiro momento se revelou sinistra e repleta de corrupção e agora passados quase 20 anos se revela um simples caso de criminosos estelionatários que são este planos de saúde. Esta talvez seja a maior vergonha do governo PT, não ter tido a coragem de reverter este sistema perverso criado pelas privatizações. E hoje que a mídia se esforça em denunciar corrupções continua se calando frente as grandes empresas do país e estrangeiras que o tempo todo corrompem, roubam do cidadão e veiculam publicidade falsa para se dizerem honestos e dedicados a seus clientes. Se você quer encontrar um bandido de verdade não procure nas favelas e sim na diretoria destas grandes corporações como Globo, Bradesco, Unimed, etc. Os maiores bandidos do Brasil de hoje vestem ternos finos e passam férias nos EUA !!!

Responder

Deixe uma resposta