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Boff: O “tsunami” em Xerém, um crime de lesa-humanidade


04/01/2013 - 22h56

A irresponsabilidade socioambiental do poder público

por Leonardo Boff

Em meados de janeiro de 2011 publiquei um artigo sobre a necessidade da responsabilidade socioambiental por parte do poder público como já existe  a responsabilidade fiscal, que funciona relativamente bem. Era em função do “tsunami” que se abateu sobre as cidades serranas de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis com cerca de 900 mortos e mais de 25 mil desabrigados: gente que perdeu familiares, as casas e pertences.

Passados dois anos, somente agora começou-se a construir algumas casas. Com indignação o digo: houve irresponsabilidade e desumanidade do poder público em vários níveis. Como se trata de gente do povo, a maioria pobre, socialmente não contam. Seu sofrimento não é sentido e respeitado. Ouvi de políticos a justificativa: “os pobres sabem se defender como sempre, eles se viram, é só esperar.”

Contra esse crime de lesa-humanidade e de total falta de sentido de solidariedade,precisamos nos indignar e protestar. E dá vontade de realizar o que um dia o bispo de 84 anos, muito doente, pastor, profeta e poeta, ameaçado de morte, em São Felix do Araguaia MT sugeriu: deveríamos  reunir crianças, poetas e loucos (pois esses Deus ouve) para amaldiçoar os responsáveis pela perpetuação da desgraça das vítimas.

Nestes inícios de janeiro do corrente ano assistimos outro “tsunami” em Xerém, no município de Caxias, logo no início da estrada que sobre para Petrópolis. A cabeça dagua ocorrida no topo do morro, inundou o pequeno rio, criou uma onda de água, pedra, troncos e lama que arrasou casas, ceifou vidas e deixou centenas de desabrigados. Algo semelhante ocorreu em Angra dos Reis, e em menor escala em Petrópolis.

Mais que o poder político foi um cantor popular e artista Zeca Pagodinho que mantem casa e escola em Xerém que mais mobilizou a solidariedade das pessoas. Sabemos que o poder público só funciona como panela de pressão: só colocado sob pressão permanente, insistindo,  cobrando, chateando, incomodando, como a viúva da Bíblia, que ele abandona sua inércia  e deixa de usar os álibis da burocracia e começa a fazer alguma coisa. Assim deverá ser feito agora, caso contrário, assistiremos o mesmo drama pelo qual estão passando as cidades serranas.

O acúmulo de desastres socioambientais ocorridos nos últimos tempos, com desabamentos de encostas, enchentes avassaladoras e centenas de vítimas fatais junto com a destruição de inteiras paisagens, nos obrigam a pensar na instauração  de uma lei nacional de responsabilidade socioambiental, como existe a lei de responsabilidade social, com pesadas penas para os que não a respeitarem.

Já se deu um passo com a consciência da responsabilidade social das empresas. Elas não podem pensar somente em si mesmas e nos lucros de seus acionistas. Devem assumir uma clara responsabilidade social.

Mas fique claro: responsabilidade social não é a mesma coisa que obrigação social prevista em lei quanto ao pagamento dos impostos, dos encargos e dos salários; nem pode ser confundida com a resposta social que é a capacidade das empresas  de criativamente se adequarem às mudanças no campo social, econômico e técnico. A responsabilidade social é a obrigação que as  empresas assumem de buscar metas que, a meio e longo prazo, sejam boas para elas e também  para o conjunto da sociedade na qual estão inseridas.

Não se trata de fazer para a sociedade o que seria filantropia, mas com a sociedade, se envolvendo nos projetos elaborados em comum  com os municípios, ONGs e outras entidades.

Mas sejamos realistas: num regime neoliberal como o nosso,  sempre que os negócios não são tão rentáveis, diminui ou até desaparece a responsabilidade social. O maior inimigo da responsabilidade social é o capital especulativo. Seu objetivo é maximizar os lucros das carteiras que controlam. Não vêem outra responsabilidade, senão a de garantir ganhos.

Mas a responsabilidade social é insuficiente, pois ela não inclui o ambiental. São poucos os que perceberam a relação do social com o ambiental. Ela é intrínseca. Todas empresas e cada um de nós vivemos no chão, não nas nuvens: respiramos, comemos, bebemos, pisamos os solos, estamos expostos à mudanças dos climas,mergulhados na natureza com sua biodiversidade, somos habitados por bilhões de bactérias e outros microorganismos. Quer dizer, estamos dentro da natureza e somos parte dela. Ela pode viver sem nós como o fez por bilhões de anos. Nós não podemos viver sem ela. Portanto, o social sem o ambiental é irreal. Ambos vêm  sempre juntos. Esta foi a grande tônica na Cúpula dos Povos no Rio em julho de 2012.

Isso que parece óbvio, não o é para a grande parte das pessoas. Por que tratamos a natureza como externalidade, quer dizer, aquilo não entra no cômputo dos negócios? A razão reside no fato de que somos todos antropocêntricos, isto é: pensamos apenas em nós próprios. A natureza é exterior como se não fôssemosparte dela. Por isso a super-exploramos.

Somos irresponsáveis face à natureza quando desmatamos, jogamos bilhões e litros de agrotóxicos no solo, lançamos na atmosfera, anualmente, cerca de 30 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, contaminamos as águas, destruímos a mata ciliar, não respeitamos o declive das montanhas que podem desmoronar e matar pessoas nem observamos o curso dos rios com as margens que eles precisam, que nas enchentes podem levar tudo de roldão.

Não interiorizamos o fato de que cada ser possui valor intrínseco e por isso tem direitos. Nossa democracia não pode incluir apenas os seres humanos. Sem osoutros membros da comunidade de vida, os animais, as plantas, os rios, os micro-organismos do solo, não somos nada. Eles valem como novos cidadãos que devem ser incorporados na nossa compreensão de democracia que então será uma democracia socioambiental. A natureza e as coisas dão-nos sinais. Elas nos chamam atenção para os eventuais riscos que podemos evitar.

Não basta a responsabilidade social, ela deve ser socioambiental. É urgente que o Parlamento cresça em consciência ecológica, desperte para a nova visão da relação homem-natureza-Terra e vote uma lei de responsabilidade socioambiental, imposta a todos os gestores da coisa pública. Só assim evitaremos tragédias e mortes como as ocorridas agora em Xerém, em Petrópolis e Angra dos Reis.

Leonardo Boff é ecoteólogo e um dos redatores da Carta da Terra.

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20 comentários

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henrique de oliveira

07 de janeiro de 2013 às 08h50

Pelo amor de Deus , o maior culpado dessas tragédias são os proprios moradores , é só ver imagens de tv , as casas estão quase dentro dos rios , casas penduradas em encostas debaixo de pedras.
Tenha santa paciência né , ate que a naturesa demorou para fazer isso.

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    Julio Silveira

    07 de janeiro de 2013 às 10h48

    Tudo por que o poder publico foi negligente, omisso, e incapaz, tanto na questão de não fiscalizar a construção irregular, quanto por não prover a cidadania com moradias a hora e a tempo. O papel de um bom gestor é buscar atender a todos os cidadãos, buscando o equilibrio na qualidade de vida de todos, fazer o equilibrio social, não estão lá para atender apenas aos de maior poder aquisitivo, aqueles que podem comprar a segurança de morar bem, senão é melzinho na chupeta, é falsa democracia. Na hora de pedir voto vão buscar nas vilas, no barro, nos morros. Na hora de servir, apenas o asfalto, os do ar condicionado. Meu caro, você é dos que merecem os golpes, não os que pagam preços altissimos, as vezes com a vida, para ter uma sociedade menos desigual, e recebem só hipocrisias e desrespeito.

Mirna SP

06 de janeiro de 2013 às 15h15

Interessantíssimo ver as notícias relativas as tragédias cariocas da enchente e da SAÚDE. Porque há de se perguntar: AONDE estão os ROYALTIES do PETRÓLEO fluminense ???? Deve ser nas contas OFF-SHORE das realezas cariocas. Com a grana que sai do tesouro NEGRO, o estado do Rio de J já podia ter virado uma Tokio high-tech.

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Roberto

06 de janeiro de 2013 às 11h42

Pessoal, acho que o foco está errado, pois não é possível aumentar o nº de pessoas na Rio de Janeiro! A única solução viável será a retirada da população da região e levá-las para outros municípios e oferecer-lhes trabalho honesto e moradias melhores!
Não se pode morar no morro, pois sempre haverá deslisamento!

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Emanuel Cancella

06 de janeiro de 2013 às 07h33

A irresponsabilidade governando o Rio

A resposta do governador é imediata ao flagelo das chuvas na serra e na baixada do Rio: Reunião com o ministro da Integração, e vão sobrevoar as regiões afetadas pelas chuvas, ele já tem a fórmula pronta. Aliás, pode marcar a mesma reunião para o próximo ano, porque é lógico que ano que vem tem mais chuva e flagelo. Mas ninguém pergunta o que foi feito no ano passado, quando o Rio foi vítima das chuvas no mesmo período. Ninguém cobra do governador e dos prefeitos das áreas afetadas aquilo que deveria ter sido feito. Inclusive muitos receberam dinheiro público para fazer e não fez. Tem prefeito da baixada que ficou meses sem recolher o lixo e contribuiu e muito para o desastre. Vão cobrar responsabilidade desses prefeitos? O governo federal tem que informar se mandou dinheiro público para governadores e prefeitos e o que foi feito. Afinal, o dinheiro é público! Esse é o Brasil, tem indústria da seca e da chuva também!

RIO DE JANEIRO, 04 de janeiro de 2013

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Sakamoto: Enchentes? Não adianta “terceirizar” para o plano superior « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de janeiro de 2013 às 23h09

[…] Boff: O “tsunami” em Xerém, um crime de lesa-humanidade […]

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emerson cristiano

05 de janeiro de 2013 às 20h24

E mesmo um descaso com toda a populacao. Acho que alguns politicos ate gostam quando acontece isso para vir mais verbas federais para poderem colocar as maos. Moro em Montes Claros MG e aqui ta ocorrendo tremores de terra com muita frequencia, casas mal feitas estao condenadas pela defensoria publica, mas nunca falaram em retirar as familias destas e construirem casas mais bem feitas. So que o ponto a que quero chegar e o seguinte: Ninguem explica realmente qual e o tamanho do problema, so dizem que estamos em cima de falhas geologicas. E que sera normal este tipo de evento. Talvez estamos em cima de um abismo imenso e estao calados.

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Isidoro Guedes

05 de janeiro de 2013 às 14h35

Toda política pública que se volta para os mais pobres sofre objeções, senões e pressões contrárias. Às vezes de forma velada e dissimulada (como no caso do Bolsa-Família) às vezes de forma mais virulenta e radical (como no caso das “cotas raciais”). Como costumava dizer o grande antropólogo e educador Darcy Ribeiro: “é muito duro e difícil ser pobre e preto no país… essa gente no geral é tratada como se fosse carvão, que se usa e depois joga-se na fogueira para virar cinza…”

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A homenagem de Stanley Burburinho a Zeca Pagodinho « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de janeiro de 2013 às 14h10

[…] Boff: O “tsunami” em Xerém, um crime de lesa-humanidade […]

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Pimon

05 de janeiro de 2013 às 13h35

Um engano comum….. “a Dilma não fez nada!”
E nem pode fazer, ela não MANDA nada em NENHUM Estado da Federação!
Ela fornece a pecúnia, grana, rachuncho, capilé…. que some!
E daí, diria o louco Maia?
Some mesmo!
E o povo vota mal….. vota em troca de cimento, de tijolo, de bailes! BAILES!
E é egoísta…
Fui candidato em Miguel Pereira…. declinei antes da eleição.
É tudo SUJO demais!
Povo e políticos.

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Urbano

05 de janeiro de 2013 às 12h40

E poder público esse que continua a desmilingüir-se e se tornando cada vez mais podre. Chegamos a um estágio em que se dá muito mais importância a liberdade de expressão dos bandidos do pig do que à liberdade de todo um povo.

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Fernando

05 de janeiro de 2013 às 11h05

Por onde anda o dinheiro que o governo federal todo ano manda pro Sergio Cabral fazer obras contra esses tsunamis?

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Alonso Alves da Silva

05 de janeiro de 2013 às 10h21

Artigo de suma importância. Todas as pessoas conscientes e que se sintam responsáveis pela saúde do planeta devem tomar conhecimento dele

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LEANDRO

05 de janeiro de 2013 às 08h31

Já liguei para quem eu conheço em Caxias e avisei “não esperem nada do governo, não se iludam e tentem se virar sozinhos”. Moro em Nova Friburgo e em 2011 a cidade foi destruída e até hoje nada foi feito. Na época a dilma veio aqui de botinha para lama e tudo e junto com o cabral prometeu tudo e mais. Hoje a realidade é: NADA FOI FEITO. Mas os impostos, esses não falham. Tem gente que perdeu a casa e mora em abrigo e o carne de IPTU chegou ano passado. Quem o governo mandou para limpar a cidade? Adivinhem? A DELTA. Por isso nada de convocar o cabral e nem a delta na CPMI. Como disse o Zeca Pagodinho “DÁ NOJO DESSES POLÌTICOS”. Mas para fazer um estádio de futebol e gastar mais de 1.000.000.000,00 não tem estresse, o dinheiro aparece. Esse país é uma piada de mau gosto.

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    leia

    05 de janeiro de 2013 às 11h54

    Leandro, todos tem culpa, tem culpa o povo, tem culpa os políticos.
    O povo näo respeita o meio ambiente, invadem e constroi onde näo devem, jogam lixo por todo lado, e aí aí, vem um temporal e desaba tudo. Aculpa de toda essa situacäo, é de muitos anos, näo queira jogar a culpa na Dilma, pois pelo que sei, esta regiäo está ja há muito tempo vem se deteriorando. Um amigo que morou em Nova Friburgo, nos anos 70, diz como comecou o desenvolvimento industrial destas cidades. Em Nova Friburgo com o apoio do Prefeito da época (anos 70) e do governo Estadual e Federal entrou a empresa de roupas intimas, e com isso comecaram a chegar as famílias em busca de emprego, anos 70 governo militar, governadores indicado pelos militares e os prefeitos eram apadrinhados por estes. Entäo comecou a decadencia da regiäo, onde quem podia mais chorava menos. Hoje tudo sobrecai nas costas do Cabral e Dilma as mazelas dos anos passados. Näo estou dizendo que o poder público está bom, näo tem que agir o mais rápido possível, mas näo concordo com as acusacöes jogando a tragédia nas costas de quem chegou agora. A coisa é de 30 anos atrás. Vamos ser honestos conosco mesmo.

    Julio Silveira

    05 de janeiro de 2013 às 22h28

    Tendo que escolher entre as duas posições a sua Leia, e a do Leandro, me desculpe mas a dele é incontestavel. A sua carece de profundidade e costuma ser o argumento perfeito para todos aqueles politicos e correligionários, ou beneficiários mais diretos, quando procuram encobrir a propria falta de capacidade. Podendo mesmo ser culposa ou dolosa, de qualquer modo há má intenção por trás do que se costumou chamar de gestão? publica. Culpar o cidadão pela propria desgraça? quando sabemos que até nas familias a responsabilidade pela cultura pela educação é de quem tem mais meios, mais ferramentas para isso. Faça-me um favor, nas familias a direção dos pais sobre os filhos não é por acaso, ela se deve a maior experiencia, a capacidade financeira e mesmo ao poder inerente a maior idade e vivência, isso é cultura é cultural. Elegemos a politica para organizar a sociedade, para estabelecer essa ordem cultural, são eles, os politicos que determinarão, por procuração outorgada por nossos votos, aonde deverão ser empregados os recursos que recolhemos ao estado, as prioridades de investimento. A eles cabem pensar e agir, como um chefe de familia. Como encaminhar até mesmo a forma de resolver esse problema cultural que voce imputa, como culpa, aos cidadãos. Se existe hoje alguma culpa na cidadania é por ela ainda não ter atingido um nivel de amadurecimento politico suficiente para identificar aonde mora a canalhice. Muitas vezes caindo no conto dos treinados parceiros, prontos para ajudar no preparo das armnadilhas, e são tantas que é dificil não cair em esparrelas. Muitas vezes por causa de gente que se diz bem intencionada mas atende bem ao chamado dos espiritos de porco. Esses que costumam dizer numa tragédia previsivel, até para leigos, e perfeitamente evitavel por quem de direito, os gestores dos recursos e dono das decisões, que os culpados são as vitimas.

    Leandro

    06 de janeiro de 2013 às 07h37

    Ok. E o que foi feito depois da tragédia….. Nada, mas deve ser culpa dos governos passados também.

Romanelli

05 de janeiro de 2013 às 07h48

..não só cobrar o agente público, mas também exigir do particular, que por desesperança acabou desistindo e optando por aceitar cada vez morar mais, de forma precária e agressiva ao ambiente.

é preciso reinventarmos uma nova forma de REIVINDICAR .hoje, com tanta esmola, parece que desaprendemos sobre o que seriam os DEVERES e DIREITOS dum cidadão frente a sua sociedade e meio

e quem diria, já fez DOIS anos que Dilma assumiu e que tivemos a MAIOR TRAGÉDIA natural, com quase mil mortos, na serra fluminense ..e nada, nada ainda ..só corrupção e desvio da grana, pra variar

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Jotace

05 de janeiro de 2013 às 04h11

POBRE TEM MESMO QUE COMER AGROTÓXICO?

É desses crimes de lesa-humanidade, provocados pelo desamor quanto aos pobres, numa plena irresponsabilidade social, mais particularmente socioambiental, de autoridades brasileiras, que fala o filósofo e teólogo Leonardo Boff. O que nos faz lembrar a conduta da Sra. Kátia Abreu que, do alto dos seus chinelos e na defesa dos sórdidos interesses capitalistas do agronegócio, de implicações socioambientais as mais sérias, proclamou que “Pobre tem que comer agrotóxico”… Jotace

Responder

    Mário SF Alves

    05 de janeiro de 2013 às 22h53

    Pois é, prezado Jotace, enquanto os fins “justificarem” os meios e enquanto não houver limites para a concentração de poder, conviveremos com tragédias. Tragédias humanas em consequência de desequilíbrios ambientais; tragédias humanas causadas por sistemas socioeconômicos incompatíveis com a NATUREZA.
    ________________________________________________

    Enquanto os fins justificarem os meios… ainda que montados em falácias, preconceitos e mitos… prosperará o mito da superpopulação da Terra. Enquanto isso, a maioria de nós faz ouvidos de mouco e ignorando o fato de que toda a população da Terra [ainda que fôssemos 10 bilhões de almas] caberia numa área de 50 mil Km², uma área do tamanho do Estado do Espírito Santo, um dos menores estados da Federação. E, detalhe, sobraria 5 m² para cada um, e sem a necessidade de edifícios.
    ____________________________________
    Enquanto isso monstros mais antigos, detentores de todo o poder, ensinam a novos monstrinhos os segredos da dissimulação, da trapaça e da manipulação. Propagam mitos, falácias e preconceitos a aliviarem suas consciências e a justificarem seus meios.
    ____________________________________________________
    Enquanto isso, a maioria de nós se sentindo culpada pelo uso de sacolinhas de supermercado e – “solenimente” – ignorando as consequências desastrosas do neoliberalismo e as demais raízes autoritárias da biopoluição.
    ______________________________________________________________
    Vá entender.


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