VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos


13/04/2013 - 19h47

Pela quarta vez consecutiva, Carlos Mosconi é presidente da Comissão de Saúde do Parlamento de Minas Gerais

por Leandro Fortes, em CartaCapital, sugestão de Julio Cesar Macedo Amorim

Enquanto o Congresso Nacional é submetido a um constrangimento diário desde a eleição do deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), pastor evangélico de discurso homofóbico e racista, para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, um caso semelhante na forma, mas muito mais grave no conteúdo, permanece escondido na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Em 1˚ de fevereiro, o tucano Carlos Mosconi assumiu pela quarta vez consecutiva a presidência da Comissão de Saúde do Parlamento mineiro.

Médico de formação, Mosconi é idealizador da MG Sul Transplantes, ONG que servia de central clandestina de receptação e distribuição de órgãos humanos em Poços de Caldas, no sul do estado. Segundo uma investigação da Polícia Federal, Mosconi chegou a encomendar um rim para o amigo de um prefeito da cidade mineira de Campanha.

Em 19 de fevereiro, o juiz Narciso Alvarenga de Castro, da 1a Vara Criminal de Poços de Caldas, condenou quatro médicos envolvidos no esquema de compra e venda de órgãos humanos, a chamada “Máfia dos Transplantes”.

João Alberto Brandão, Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Alexandre Zincone, todos da Irmandade Santa Casa, eram ligados à MG Sul Transplantes. Scafi era sócio de Mosconi em uma clínica da cidade. A ONG era responsável pela organização de uma lista de pacientes particulares que encomendavam e pagavam por órgãos retirados de pacientes ainda vivos. A quadrilha realizava os transplantes na Santa Casa, o que garantia, além do dinheiro tomado dos beneficiários da lista, recursos do SUS para o hospital.

A máfia de médicos de Poços de Caldas foi descoberta em 2002 por causa do chamado “Caso Pavesi”, que chegou a ser investigado na Câmara dos Deputados pela CPI do Tráfico de Órgãos Humanos, em 2004. Em 19 de abril de 2000, Paulo Veronesi Pavesi, 10 anos de idade à época, caiu de um brinquedo no prédio onde morava e foi levado à Santa Casa. O menino foi atendido pelo médico Alvaro Ianhez, coordenador do setor de transplantes do hospital e, soube-se depois, chefe da central clandestina de tráfico de órgãos. Ianhez é amigo particular do deputado Mosconi, responsável por sua nomeação no hospital.

A partir de uma denúncia do analista de sistemas Paulo Pavesi, pai do garoto, a PF abriu um inquérito e descobriu que a equipe de Ianhez havia decretado a morte encefálica de Paulo quando ele estava sob efeito de substâncias depressivas do sistema nervoso central.

Ou seja, teve os rins, o fígado e as córneas retirados quando provavelmente ainda estava vivo. Pavesi pai foi obrigado a pedir asilo na Itália, depois de ser ameaçado de morte por diversas vezes em Minas Gerais. Atualmente, mora em Londres, onde aguarda até hoje o julgamento do caso do filho.

Outros oito casos semelhantes foram descobertos pela PF e pelo Ministério Público Federal durante as investigações.

Um deles, o do trabalhador rural João Domingos de Carvalho, foi o que resultou nas condenações de fevereiro passado. Internado por sete dias na enfermaria da Santa Casa, entre 11 e 17 de abril de 2001, Carvalho foi dado como morto quando estava sentado e teve os rins, as córneas e o fígado retirados pelos médicos Fernandes e Scafi.

“Era pura ganância, vontade de enriquecimento rápido, sem se preocupar com o sofrimento dos demais seres humanos”, escreveu o juiz Nasciso de Castro na sentença que condenou os médicos da Santa Casa a penas de 8 a 11 anos de prisão, em primeira instância. Todos continuarão em liberdade até o julgamento dos recursos.

Pavesi não se amendrontou à toa. Em 24 de abril de 2002, Carlos Henrique Marcondes, administrador da Santa Casa, foi assassinado no dia exato de seu depoimento no Ministério Público sobre a atuação da máfia dos transplantes lotada no hospital. Ele tinha gravado todas as conversas com os médicos envolvidos no tráfico de órgãos e pretendia entregar as fitas às autoridades.

Antes de falar, Marcondes foi encontrado morto no próprio carro com um tiro na boca. Segundo um delegado da Polícia Civil da cidade, o ex-PM Juarez Vinhas, tratou-se de suicídio. O caso foi sumariamente arquivado. O laudo pericial constatou, porém, que três tiros haviam sido disparados contra Marcondes, embora apenas um o tenha atingido.

Mais ainda: a arma usada e colocada na mão da vítima desapareceu no fórum de Poços de Caldas, razão pela qual foi impossível periciá-la. Levado à Santa Casa, o corpo do administrador foi recebido por dois médicos do hospital. Um deles, João Alberto Brandão, foi condenado em fevereiro. O outro, Félix Gamarra, chegou a ser indiciado, mas acabou beneficiado pela lei de prescrição penal, por ter mais de 70 anos de idade.

A dupla raspou e enfaixou a mão direita de Marcondes, supostamente usada para apertar o gatilho, de modo a invibializar o exame de digitais e presença de resíduos de pólvora. E o advogado da Santa Casa, o também ex-PM Sérgio Roberto Lopes, providenciou a lavagem do carro.

O nome de Mosconi apareceu na trama em 2004, durante a CPI do Tráfico de Órgãos. Convocado pela comissão, o delegado Célio Jacinto, responsável pelas investigações da Polícia Federal, revelou a existência de uma carta do parlamentar na qual ele solicita ao amigo Ianhez o fronecimento de um rim para atender ao pedido do prefeito de Campanha, por 8 mil reais. A carta, disse o delegado, foi apreendida entre os documentos de Ianhez, mas desapareceu misteriosamente do inquérito sob custódia do Ministério Público Estadual de Minas Gerais.

Mosconi foi ouvido pelo juiz Narciso de Castro e confirmou conhecer Ianhez desde os anos 1970. O parlamentar disse “não se recordar” da existência de uma lista de receptores de órgãos da Santa Casa, da qual chegou a ser presidente do Conselho Curador por um período.

Sobre a MG Sul Transplantes, que fundou e difundiu, afirmou apenas “ter ouvido falar” de sua existência. Declaração no mínimo estranha. O registro de criação da MG Sul Transplantes, em 1991, está publicado em um artigo no Jornal Brasileiro de Transplantes (volume 1, número 4), do qual os autores são o próprio Mosconi, além de Ianhez, Fernandes, Brandão, e Scafi, todos investigados ou réus de processos sobre a máfia de transplantes de Poços de Caldas.

Procurada por CartaCapital, a assessoria de imprensa de Carlos Mosconi ficou de marcar uma entrevista com o deputado. Até o fechamento desta edição, o parlamentar não atendeu ao pedido da revista.

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34 comentários

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Sobre tráfico de órgãos | Lampertop

16 de outubro de 2014 às 20h38

[…] o escândalo. Aliás, quer saber exatamente do que se trata? Leia esse artigo até o final: https://www.viomundo.com.br/denuncias/leandro-fortes-tucano-carlos-mosconi-um-feliciano-piorado-na-as… Eu me pergunto por que isso não se transformou em um escândalo de proporções estratosféricas […]

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Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano acusado de traficar órgão | EM DEFESA DA SAÚDE

12 de março de 2014 às 12h15

[…] Na edição desta semana de CartaCapital, publiquei uma reportagem sobre o envolvimento do deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB) com a chamada “Máfia dos Transplantes” da Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas. Mosconi, eleito no início do ano, pela quarta vez consecutiva, presidente da Comissão de Saúde (!) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi assessor especial do senador Aécio Neves (PSDB-MG), quando este era governador do estado. Aécio o nomeou, em 2003, presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMG), à qual a MG Sul Transplantes, idealizada por Mosconi e outros quatro médicos ligados á máfia dos transplantes, era subordinada. As poucas notícias que são veiculadas sobre o caso, à exceção da matéria de minha autoria publicada esta semana, jamais citam o nome de Carlos Mosconi. Em Minas Gerais, como se sabe, a imprensa é controlada pela mão de ferro do PSDB. Nada se noticia de ruim sobre os tucanos, nem quando se trata de assassinato a sangue frio de uma criança de 10 anos que teve as córneas arrancadas quando ainda vivia para que fossem vendidas, no mercado negro, por 1,2 mil reais. Nada. Esse silêncio, aliado à leniência da polícia e do judiciário mineiro, é fonte permanente da dor de Paulo Pavesi. Mas Pavesi não se cala. De seu exílio inglês, ele nos lembra, todos os dias, que somos uma sociedade arcaica e perversa ao ponto de proteger assassinos por questões políticas paroquiais. Como sempre, a velha mídia nacional, sem falar na amordaçada mídia mineira, não deu repercussão alguma à CartaCapital, como se isso tivesse alguma importância nesses tempos de blogosfera e redes sociais. Pela internet, o Brasil e o mundo foram apresentados ao juiz Narciso Alvarenga de Castro, da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas. Em de 19 de fevereiro desse ano, ele condenou quatro médicos-monstros envolvidos na máfia: João Alberto Brandão, Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Alexandre Zincone. Eles foram condenados pela morte de um trabalhador rural, João Domingos de Carvalho. Internado por sete dias na enfermaria da Santa Casa, entre 11 e 17 de abril de 2001, Carvalho, assim como Paulinho, foi dado como morto quando estava sedado e teve os rins, as córneas e o fígado retirados por Cláudio Fernandes e Celso Scafi. Outros sete casos semelhantes foram levantados pela Polícia Federal na Santa Casa. Todos os condenados são ligados à MG Sul Transplantes. Scafi, além de tudo, era sócio de Mosconi em uma clínica de Poços de Caldas, base eleitoral do deputado. A quadrilha realizava os transplantes na Santa Casa, o que garantia, além do dinheiro tomado dos beneficiários da lista, recursos do SUS para o hospital. O delegado Célio Jacinto, responsável pelas investigações da PF, revelou a existência de uma carta do parlamentar na qual ele solicita ao amigo Ianhez o fornecimento de um rim para atender ao pedido do prefeito de Campanha (MG). A carta, disse o delegado, foi apreendida entre os documentos de Ianhez, mas desapareceu misteriosamente do inquérito sob custódia do Ministério Público Estadual de Minas Gerais. Ontem, veio o troco. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu as audiências que aconteceriam de hoje, 17 de abril, até sexta-feira, 19 de abril, para se iniciar, finalmente, o julgamento do caso de Paulinho. Neste processo, estão sendo julgados, novamente, Cláudio Fernandes e Celso Scafi, além de outros acusado, Sérgio Poli Gaspar. De acordo com a assessoria do TJMG, o cancelamento se deu por conta de uma medida de “exceção de suspeição” contra o juiz Narciso de Castro impetrada pelo escritório Kalil e Horta Advogados, que defende Fernandes e Scafi. A defesa da dupla, já condenada a penas de 8 a 11 anos de cadeia, argumenta que o juiz teria perdido a “necessária isenção e imparcialidade” para apreciar o Caso Pavesi. Ou seja, querem trocar o juiz, justo agora que o nome do deputado Carlos Mosconi veio à tona. Eu, sinceramente, ainda espero que haja juízes – e jornalistas – em Minas Gerais para denunciar esse acinte à humanidade de Paulo Pavesi que, no fim das contas, é a humanidade de todos nós. Leia também: Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos […]

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Observador

11 de fevereiro de 2014 às 17h20

Assine e compartilhe esta petição! Não deixe que o tráfico de órgãos e a retirada de órgãos de pessoas vivas fique impune (sobre o caso acima)!
https://secure.avaaz.org/po/petition/Forum_de_Pocos_de_Caldas_juiz_Narciso_Alvarenga_Monteiro_de_Castro_Investiguem_a_Associacao_dos_Medicos_por_defender_tra/share/

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Flávio

31 de maio de 2013 às 13h22

e ainda continua no poder…isto é o mais deprimente, lamentável

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Tucano acusado de mandar matar 4 na chacina de Unaí se diz vítima - Viomundo - O que você não vê na mídia

02 de maio de 2013 às 08h28

[…] Leandro Fortes: Deputado do PSDB mineiro acusado de tráfico de órgãos […]

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“Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano” | Blog do Mauro Alves da Silva

18 de abril de 2013 às 00h21

[…] Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos Compartilhe este post:TwitterFacebookDiggStumbleUponRedditEmailImprimirCurtir isso:Curtir Carregando… Esse post foi publicado em Direitos Humanos. Bookmark o link permanente. ← Mexicana violada é detida e vê o violador sair em liberdade […]

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Rômulo Gondim – “Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano acusado de traficar órgão”

17 de abril de 2013 às 20h33

[…] Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos […]

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"Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano acusado ao tráfico de órgãos" - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de abril de 2013 às 13h24

[…] Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos […]

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geraldo maciel da silva

15 de abril de 2013 às 20h30

Em Minas, nem uma linha sobre este e outros assuntos ligados ao psdb

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Isac Leandro grunberg

15 de abril de 2013 às 00h58

Estou horrorizado com uma revista como a carta capital que sempre pensei que fosse seria fazer uma reportagem tão cheia de mentiras e fantasias sem o mínimo de apuração dos fatos ,a impressão que tenho ou melhor a certeza , e que a mesma ouviu somente os devaneios propositais do Pai que claro ,aparece na revista ,ele nao perderia isto por nada ,se aparecer.com certeza ler esta horrível matéria e o mesmo de ler o site do mesmo.o juiz nao acusa o mosconi , a reuniao de Carlos Henrique Marcondes no dia de sua morte era com toda a mesa da irmandade para decidir se o mesmo continuaria no cargo, Devido a divida da santa casa , as fitas que o mesmo costumava gravar e desde sua entrada na santa casa onde permaneceu Por mais de 26 anos e gravava os cargos de confiança dele ,nao tinha nada ver com medicos. 0 pai da criança foi para Itália pois foi processado devidamente por calunia e difamação ,e ja nao Tinha uma vida estável financeiramente e estava saindo com uma jornalista de uma família riquíssima de pocos de Caldas .assim uniu o útil ao agradável ,e a ficou todos estes anos vivendo da desgraça dos médicos ,ganhando dinheiro fazendo palestras e vendendo livros sobre ” trafico de orgaos ” . O que ele fará se tudo terminar ? De onde vira mais dinheiro ? Tudo mentira e ele sabe disto . Nao e a primeira vez que a carta capital escreve sobre este caso mentiroso e cheio de intenções . Deve ser a jornalista da Itália ,bem relacionada hem? NAO EXISTE TRAFICO DE ÓRGÃOS .OS MEDICOS SAO INOCENTES.

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    Paulo Airton Pavesi

    18 de abril de 2013 às 05h37

    Eu sou o pai do Paulinho que teve os orgaos retirados quando ele ainda estava vivo pela mafia criada e comandada por Carlos Mosconi, conforme consta em açoes judiciais. Cabe aqui uma resposta e ai vai.

    1. Isac Leandro Grunberg é um nome falso. Nao tem CPF e nem RG. Sendo assim ele pode falar o que deseja pois sabe que nunca sera encontrado. Minha dica: Quando fizer isto, use um apelido. Usar nomes falsos é crime – Falsidade ideologica. Mas o que é mais um crime para quem mata criancinhas? Leandro Fortes, Azenha, eu e tantas outras pessoas serias, denunciamos com os nomes estampados porque nao temos medo.

    2. Voce esta dizendo que eu estou aproveitando o assassinato do meu filho para ganhar dinheiro. Isto é muito baixo, mas se voce tiver como provar, acho que todos aqui gostariam de ver as provas. Infelizmente, como ja disse nao posso exigir isto na justiça pois voce nao existe com este nome.

    3. Voce sabe bastante sobre o caso Marcondes?? Entao ele foi morto porque iria deixar a Santa Casa? Mas por que o mataram? Ele ameaçou denunciar alguem? Seria interessante que a policia federal investigasse seu IP para obter estas informaçoes que estao sendo escondidas ha anos para beneficiar algumas pessoas. Quem teria interesse na morte do administrador que grampou os telefones dos medicos? Certamente politicamente estas fitas causariam um grande estrago nao é mesmo?

    4. Eu nao recebo nenhum centavo por esta historia desde que tudo começou. Quando Paulinho foi assassinado, eu havia acabado de encontrar um bom emprego. Antes disso, passei sim por problemas financeiros. Isto me desqualifica como ser humano? Quem tem problemas financeiros pode ter um filho assassinado?

    5. Minha renda no Brasil era de R$ 15mil mensais como “Senior Specialist information” na empresa EDS em Sao Bernardo do Campo, fato este que pode ser comprovado. Eu deixei este emprego e vim para a Italia onde passei a ganhar 1200 euros. Nunca obtive qualquer ajuda. Se meu caso tivesse acontecido em um pais serio, provavelmente eu seria tratado com um pouco mais de respeito até mesmo pela populaçao. Mas ha uma cultura no pais de que crimes que envolvem politicos – como o Mosconi – precisam ser abafados. E depois todos reclamam que no Brasil nada funciona.

    6. Eu nao acho que a jornalista da Italia, minha esposa, tenha muita influencia, até porque o tio dela faz parte desta mafia. Ela tem sim muito carater e prova isto quando optou casar-se comigo. Hoje temos uma filha, mas que voces nao conseguirao retirar os orgaos pois estamos longe. A influencia é minha! Voce nao percebeu como eu sou esperto?

    – Enganei a Globo que fez a materia inicial da historia e que Mosconi mandou calar.
    – Enganei a Policia Federal que comprovou tudo o que denunciei. Ha no processo informaçoes de que a policia recorria ao meu site para obter dados. A Policia denunciou os socios de mosconi e ainda confirmou a existencia da carta que ele pedia rins para o medico comparsa.
    – Enganei o Ministerio Publico que denunciou a quadrilha, mas por pressoes de Mosconi, retirou da denuncia os nomes dos socios do deputado. Por sorte, isto ja foi corrigido. Alias, o julgamento deles no caso do meu filho foi justamente o motivo da suspensao.
    – Enganei o Congresso Nacional, que abriu uma CPI para investigar o caso, onde Mosconi foi sim convocado, mas fez acordo politicos para nao comparecer. Tenho os audios das audiencias em que foram aprovados os requetimentos. Se alguem quiser ouvi-los, é so pedir.
    – Enganei a CartaCapital, que voce desqualifica aqui, que ja publicou 3 materias sobre o caso, e nao duas como voce esta citando. As fotos publicadas nesta reportagem foram extraidas da segunda.
    – Enganei o governo italiano duas vezes! 1.pedi asilo humanitario que foi concedido por unanimidade. 2. Diante da gravidade dos fatos, eles me ofereceram a cidadania italiana a mim e toda a minha familia, inclusive a jornalista.
    – Enganei o presidente da camara da Italia, Gianfranco Finni que fez questao de me conhecer e disse estar indignado com o que fizeram ao meu filho.
    – Enganei a ministra italiana de paridade social, Mara Carfagna que tambem fez questao de me encontrar para prestar solidariedade.
    – Enganei tambem a Lupi Films, que realizou um documentario sobre trafico de orgaos em que fui convidado a participar. O documentario ganhou diversos premios na Europa, incluindo o notavel Festival Internacional de Cinema de Roma em 2009.
    – Enganei o juiz que condenou os medicos por retirada de orgaos e homicidio de pacientes em Poços de Caldas.

    Veja so! Tudo isto foi um engano. Deveriamos acreditar no seu texto, cuja autoria sequer pode ser comprovada!

    Atualmente vivo em Londres, estou sem emprego, estudando ingles e vivendo graças a beneficios do governo. Estou rico!!! Me sinto rico por nao ter de respirar o mesmo ar que Mosconi, e isto nao tem preço. Faria tudo de novo.

    Parabens por mais esta tentativa.

    Conceição Lemes

    18 de abril de 2013 às 07h06

    Caro Paulo, gostaria de falar com vc. Poderia me enviar o seu telefone e/ou skype para este email: [email protected] Um abraço

joão

14 de abril de 2013 às 19h18

Isso me lembra um outro caso de testemunha contra poderosos que se matou com cinco tiros na cabeça…

Responder

FrancoAtirador

14 de abril de 2013 às 18h55

.
.
Pior que esse, só o FHC que traficou

todos os Órgãos Estatais do Brasil

no episódio da Privataria Tucana.
.
.

Responder

Urbano

14 de abril de 2013 às 15h16

Quantos artigos faltam mesmo aos tunganos? Pelo menos, uma coisa que não se pode dizer dos tunganos é que não sejam esforçados no intuito de atingir as suas metas…

Responder

J Souza

14 de abril de 2013 às 14h52

Acusados de MUTILAREM e assassinarem seres humanos vivos aguardam julgamento de recursos em LIBERDADE?

Me digam que pelo menos, pelo menos os registros profissionais desses assassinos foram definitivamente cassados!

Acho que nem em “Fim do Mundo” acontece uma atrocidade semelhante.
Perto desses ai, a Dra. Virgínia, cuja culpa ainda está por ser provada, é uma “batedora de carteiras”.

Responder

Fábio Rossano Gugik

14 de abril de 2013 às 14h27

Dantesco! Tenso!

Responder

Ana Cruzzeli

14 de abril de 2013 às 12h45

Deu arrepios quando li essa noticia no passado, agora do mesmo jeito.

Fico imaginando o que o FHC fez ou deixou fazer no MINISTÉRIO DA SAÚDE durante seus 8 anos de desgoverno.

Deus salve os brasileiros que deram um pé-na-bunda dessa turma em 2002.
Tenho PLENA certeza que as maldades de José Serra no MS são ainda mais profundas que o escândalo dos sanguessuga e das ambulâncias, tenho PLENA convicção que o PSDB em SP fez coisas daí para pior no estado.

Ainda tem gente que defende a iniciativa privada. Ainda tem jeito que acha o SUS não foi a salvação da lavoura desde 1988. Com o SUS é essa clandestinidade toda imaginem sem o SUS?

Responder

    Anna Maria Gallo RegoMonteiro

    24 de abril de 2013 às 02h09

    Ana, olha só: Serra nomeou” como coelho tomando conta da horta” secretario do IML de SP seu amigo e chefe de quadrilha de medicos Antonio Aurelio de Carvalho Monteiro medico assassino de Franco da Rocha e Taubaté e que foram condenados a 17 anos de cadeia, mas continuam livres e,pior, continuam clinicando. Também arrancaram olhos, abriam o corpo da vitima sem anestesia e lhe arrancavam os orgaos a sangue frio. Foi noticiado pela Globo, Folha, TV Vanguarda durante os tres dias que durou o julgamento. O caso ficou famoso como “caso Kalume” que foi o Diretor da Santa casa de Taubaté que denunciou o esquema. Dá uma clicada no blog do paulopavesi que é o mais completo sobre estes açougues humanos. E se cuida viu, que este papo de morte cerebral e morte encefálica é invencionice para fins de doaçao de orgaos.

    Anna Maria Gallo Rego Monteiro

    24 de abril de 2013 às 02h22

    Ana, o comentario que lhe enviei nao passou na moderaçao, entao se v. quizer saber mais sobre o Cerra e o que ele aprontou em Sampa, clica no blog do pai do Paulinho que tá lá documentado tudo o que v. queria saber sobre os açougueiros do Vampiro.

Supertramp68

14 de abril de 2013 às 09h21

Parabéns pela propaganda negativa e pela destruição da credibilidade no Sistema de Transplantes que salva vidas nesse país. Que seja você o próximo a necessitar de um orgão e a familia de um potencial doador negar a doação por ter lido seu artigo.

Responder

    marcos

    14 de abril de 2013 às 11h59

    Beleza então, vamos todos ficar quietinhos e deixar rolar? Que raciocínio torto…

    Tem mais é que denunciar, apurar e punir. Aí a gente confia no sistema. :)

    Supertramp68

    19 de abril de 2013 às 12h14

    A questão não é ficar quietos e deixar rolar. Tem que inveestigar, processar e punir se realmente houver culpa. Mas pode ser em segredo de justiça, assim como são as doações do BNDES para Angola.

    Gilson Raslan

    14 de abril de 2013 às 12h55

    Cheirou pó estragado.

    Julio Silveira

    14 de abril de 2013 às 14h20

    As eleições devem estar muito perto, os fantasmas que só aparecem proximo dessas datas estão saindo da tumba.

    J Souza

    14 de abril de 2013 às 14h54

    Se alguém está tentando destruir a credibilidade do sistema de transplantes são as pessoas que tentam misturar e confundir doações legítimas e tecnicamente corretas com essas mutilações e assassinatos!

    O que aconteceu ai foram crimes e não doações de órgãos!

    nana

    14 de abril de 2013 às 18h17

    Deve ser um ser corporativista que ama a degradação do setor de saúde e seus profissionais; isto é lucrar$$$ com esse estado de miséria moral. A saúde está um descalabro e tudo o que sabe fazer é desejar a um jornalista decente que ele necessite de transplante. Se tivesse uma arma na mão as ameaças viriam provavelmente com um dedo de silicone no gatilho.

    Nedi

    17 de abril de 2013 às 15h32

    Tu és assim mesmo ou, tu estás fingindo?

    Paulo Airton Pavesi

    18 de abril de 2013 às 05h44

    Faz sentido o comentario. Denunciar traficantes de orgaos diminui a chance de obter orgaos. Esta pessoa compraria um orgao em detrimento da fila unica do pais, onde estao os menos favorecidos. Alias, a fila é burlada sistematicamente como ja provou auditoria do TCU. Lutar pela impunidade destes medicos alegando que atrapalha a doaçao de orgaos, é no minimo suspeito.

    Nao fosse o trafico de orgaos, o pais seria o mais bem conceituado no mundo pela sua politica publica de transplante. Infelizmente os transplantes no Brasil esta nas maos de um grupo fechado que fatura alto com este negocio.

    O Ministerio da Saude e Ministerio Publico em conjunto teriam plenas condiçoes de mudar este quadro, mas infelizmente paracem estar “atados”. Todo mundo sabe quem é o grupo, mas ninguem tem coragem de acabar com isso.

sousa primo

14 de abril de 2013 às 09h02

nao entendo as vezes o SILENCIO da imprenca de MINAS com ATOS E FATOS que envolve POLITICOS DO PSDB. Em 2008 se nao engano a ALMG recepsionou com UMA MEDALHA DO MERITO LEGISLATIVO o entao suposto mandante da chacina de UNAI. e todos nos sabemos que o agraciado e um CABO ELEITORAL DO AECIO. depois teve o caso da LISTA DE FURNAS QUE TEM COMO INICIANTE O AECIO em seguida a GRANA DISTRIBUIDA A RADIO ARCO IRIS, TEMOS TB O CASO DA FUNDACAO que recebe ou recebeu milhoes de reais dos cofres publicos e ficou por isso mesmo e so sabemos desses atos atraves da internet. Imagine se fosse politicos do PT. E ai eu pergunto (quem esta a servico de quem) A imptrenca trabalha pra o PSDB ou o PSDB trabalha pra imprenca. Esse caso da MAFIA DOS TRANSPLANTE E GRAVE E DA MEDO. a populacao deve ficar atento ao deixar seus entes queridos nos hospitais de MINAS. ELES agem assim porque tem o respaldo do governo e tb da imprenca e nao falando do JUDICIARIO.

Responder

    nana

    14 de abril de 2013 às 18h23

    O silencio da imprensa é o mesmo em Sp, onde o ex-secretario da educação Chalita de Geraldo Alkmim superfaturou compras de materiais, usou laranja para pagar suas contas de preparação física. Enquanto isso, o PSDB diz eleição atrás de eleição que as “estatísticas” da educação do estado melhoram a cada ano (kkk) etc etc enquanto não tem professor nas escolas, que não quer receber salario e vale coxinha do governo, e nem concurso publico. Enquanto isso o personal trainer do Chalita vira “assessor” de educação (kkk) e ganha 10 mil reais mensais. Se fosse assessor do Haddad, isso apareceria nas manchetes do estadão durante quatro anos seguidos.

Julio Silveira

14 de abril de 2013 às 08h22

Tem um personagem num programa antigo do Jô Soares que faz oferta pelos orgãos alheios. Acho que esse tal Mosconi mineiro, que parece não ter nada de Mosconi, pode ter se inspirado nesse personagem. O problema ai parece ter sido de interpretação enquanto o Jô usava o tema para humor, esse Mosconi, sem entender a que se prestava a critica humorada, pode ter tido uma luz para os negócios, mas explorando o terror real como tema e lucrando com isso.

Responder

Mauricio Dias: Fux, Toffoli, Gilmar Mendes, intérpretes perfeitos da omissão de Gurgel - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de abril de 2013 às 00h13

[…] Leandro Fortes: Tucano Carlos Mosconi é acusado de tráfico de órgãos […]

Responder

    Fátima Rocha Perni

    26 de abril de 2013 às 13h13

    É um caso extremamente chocante que deveria estar em toda a imprensa escrita e virtual. A ELUCIDAÇÃO deste caso é a única maneira de não colocar em xeque a doação de órgãos, do contrário, ela deve sim, ser colocada em xeque, dessa forma a pressão popular pode fazer eclodir a quadrilha por trás da polítca. Evidentemente que a seriedade e clareza dos fatos na investigação são elementos de importância vital para aqueles que dependem de doações. Sabemos que o sistema de saúde em MInas nunca foi confiável, apenas aqueles que nunca necessitaram dele, não é meu caso, ainda vivem de ilusão.
    FORÇA e obrigada Paulo, admiro sua luta, ela deve ser muito difícil.


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