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Diário da Resistência


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Greve dos caminhoneiros é locaute


27/07/2012 - 23h44

Greve dos caminhoneiros não é dos trabalhadores; é dos empresários, é locaute

por Fernando César Oliveira, repórter da Agência Brasil

Curitiba – Dirigentes de duas confederações nacionais de trabalhadores da área de transporte afirmaram hoje à Agência Brasil que as manifestações de caminhoneiros em rodovias brasileiras, iniciadas na última quarta-feira (25), têm a participação direta de empresários, o que indicaria a ocorrência de locaute (greve patronal).

“Essa greve não é dos trabalhadores. É dos empresários, é locaute”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo João Estausia. “Donos de empresas e sindicatos patronais de todo o país estão mobilizados apoiando esta paralisação.”

O Artigo 17 da Lei Federal 7.783, em vigor desde 1989, proíbe a paralisação de atividades por iniciativa do empregador. “Já identificamos, em algumas regiões, empresas que estão forçando seus motoristas a parar os caminhões nas rodovias”, diz Epitácio Antônio dos Santos, dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Terrestre (CNTTT). “Os motoristas que são funcionários devem denunciar eventuais pressões aos seus sindicatos e não dar um tiro no próprio pé entrando na onda dos empregadores.”

Santos diz que a entidade pretende denunciar essas empresas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Justiça. “Elas estão iludindo os trabalhadores, querem manter o status de antes, com os motoristas rodando de 15 a 20 horas por dia, morrendo e se drogando para se manter ao volante. Locaute é crime.”

Site patronal

Em uma postagem publicada no dia 20 de julho, o site do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul, por exemplo, demonstra apoio à “greve geral” dos caminhoneiros. “A entidade que representa as empresas de transporte e logística entende que o movimento é justo”, diz mensagem do sindicato patronal.

Para o presidente da CNTT, os empresários do setor estão usando os trabalhadores para manter seus custos reduzidos e não abrir novos postos de trabalho. “As empresas estão impondo essa paralisação, dizendo que os funcionários estão descontentes, o que é mentira. Elas [as empresas] é que não querem contratar mais motoristas para trabalhar em dupla, não querem cumprir a lei”, disse Estausia. “A falta de estrutura nas rodovias não é razão para os trabalhadores atacarem uma lei que trouxe benefícios históricos à categoria.”

Reivindicações dos protestos

Entre as reivindicações do Movimento União Brasil Caminhoneiro, que lidera os protestos, está o adiamento por um ano da vigência da Lei Federal 12.619. O movimento alega que as exigências impostas pela lei são “inviáveis por falta de infraestrutura nas estradas”.

Sancionada em abril deste ano, a lei tornou obrigatório, desde o final de junho, o controle de jornada de todos os motoristas que trabalham no transporte rodoviário de cargas e passageiros.

Conforme a nova legislação, os motoristas devem fazer uma jornada de trabalho de oito horas diárias, com no máximo duas horas extras, além de uma pausa de trinta minutos a cada quatro horas trabalhadas. A lei alterou artigos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e do Código de Trânsito Brasileiro. Os profissionais que não cumprirem as regras poderão ser multados pela Polícia Rodoviária Federal.

Edição: Fábio Massalli

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13 comentários

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Ferreira

13 de agosto de 2012 às 13h14

A elite (empresários) deste país é a mais podre do mundo.
Estão preocupados apenas com seus interesses financeiros, a integridade física de seu funcionário não tem importância, afinal de contas os caminhoneiros são apenas números.

A Zelite representa a direita golpista que sempre manteve esse país no atraso.

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marco

31 de julho de 2012 às 19h23

acho coerente fazer protestos e exigir melhores condições de trabalho, mas vejo o outro lado da moeda onde temos a falencia de paises antes tidos como economicamente fortes não seria arriscado parar a economia de um pais onde as coisa ainda estão boas precisando sim de melhorias na saude,transporte,educação etc … fico na torcida e no desejo que o governo atente´para resolver o mais rapido possivel esse apelo dos camioneiros em geral para que essa classe guerreira leve e traga nossa riqueza que movimenta nossa economia. boa sorte a todos nessa luta

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Brizola Neto nega falta de ousadia do governo, se vê como mediador de greve e descarta reforma da CLT « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de julho de 2012 às 16h25

[…] do Viomundo: É óbvio que perguntamos ao ministro sobre a greve dos camioneiros, descrita como locaute pela CUT. Brizola Neto não se referiu ao movimento nos mesmos termos, mas disse estranhar que motoristas de […]

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jeferson

30 de julho de 2012 às 20h18

Boa noite, a imprenssa só fala de carga horaria e quanto ao DIESEL , PEDÁGIO FRETE o CARTAO que inventaram e são muito poucos que possuem ou mesmo as TRANSPORTADORAS NÃO TEM DINHEIRO para nos pagar a VISTA e porque ser pago por REPOM RODOCRED e PANCARY temos que pagar taxas do que é nosso.A ANTT não obriga as empresas a carregarem os autônomos e vamos fazer o que lavar e deixar apodrecer..Que fique no transporte só quem dependa dele este pessoal que tem pra BONITO LAVAR DINHEIRO e ATRAPALHAR quem realmente dependa do transporte que desocupe..

E os motoristas se valorizem e peçam um salário digno para seu patrão ai eles irão se obrigar a pedir mais pelo frete e deixar de andar fazendo favor para o ciclano….abraços a todos

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Julio

29 de julho de 2012 às 22h57

Faço aqui uma denuncia que comprova o que diz a matéria: a rádio CBN de Curitiba, do mega-empresário J Malucelli, sócio do Veras da Guautama, está fazendo reportagens de incitamento à greve. Na sexta feira, colocaram o presidente de um sindicato de caminhoneiros fazendo discurso no rádio durante quase cinco minutos, chamando “os irmãos caminhoneiros a aderirem à greve”. Foi assim no Chile em 1973. Foi assim na Argentina no ano passado. Essa direita velha e asqueros sabe que nao pode ganhar eleição mais, pois o povo já a conhece.Então querem criar confusão para depois chamarem o exército dos Estados Unidos a CIa e a OTAN para financiar “os rebeldes” como na Síria, na Líbia, etc. O governo federal tem que investigar o locaute das empresas de transporte e se for o caso, cassar a licença de transporte desses bandidos.

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jp

29 de julho de 2012 às 16h53

Como tem empresário safado!!!

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ZePovinho

29 de julho de 2012 às 16h15

http://www.blogdoonipresente.blogspot.com.br/2012/07/tucano-ao-volante.html

sábado, 28 de julho de 2012
Tucano ao volante

Agora ficou claro o motivo dessa greve fora de hora. Com proximidade das eleições, interesses eleitorais dão a senha para o caos, com prejuízos para a população e governo, no final. Não poderia ser mais oportuno que a direção do PSDB estivesse por tras disso tudo. O laranja, Nélio Botelho, comanda pele INTERNET, com apoio do PSDB, 1,8 milhão de caminhoneiros, gosta de greves e votou duas vezes em FHC

Na rodovia Fernão Dias, nos dois sentidos, em alguns momentos do dia a soma
dos engarrafamentos passou de 40 quilômetros. Cargas foram perdidas

A greve dos caminhoneiros, que completou ontem o seu terceiro dia, divide os agentes do setor de transportes de carga no país. De um lado, está o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), liderado por Nélio Botelho, que comanda a operação via internet e articula paralisações em vários estados. De outro, entidades ligadas a confederações e associações de transportadores autônomos e a empresas transportadoras são contra a paralisação por verem nela interesses individuais.

Todos defendem, no entanto, que é preciso aparar arestas na legislação que, depois de 40 anos de espera, começa a regulamentar o segmento. Ontem, o protesto causou transtornos em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e no Sul do país. Foram 27 pontos de bloqueio no país. O abastecimento ainda não ficou comprometido, mas os atrasos já causam prejuízos para muitos brasileiros que passam ou não pelas rodovias escolhidas como palcos das paralisações.

Quem é Nélio Botelho

Botelho foi eleitor de Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998 e no PSDB nas últimas eleições, partido do qual, o líder sindical se diz simpático.

Leandro Pimentel

Durante a infância, em Araxá (MG), Nélio Botelho fabricava seus próprios caminhões de brinquedo com latas de sardinha. Aos 34 anos, com dinheiro emprestado, comprou um de verdade. Na boléia do Mercedes 1113, o modelo mais barato da montadora, transportou cimento. Hoje é o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que tem 1,8 milhão de filiados e coloca o governo em polvorosa a cada greve da categoria que ele comanda. “A greve só acontece porque o governo não faz nada por nós. Se pudesse ficava no mato, sou da roça”, diz o sindicalista.

Em 1985, o líder dos caminhoneiros encabeçou a primeira greve nacional da categoria, que culminou com a criação dos primeiros sindicatos. Até então, os caminhoneiros eram vinculados aos sindicatos de taxistas. Botelho assumiu a presidência do primeiro sindicato de caminhoneiros, com base no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

Mas a estréia como líder aconteceria um ano mais tarde, durante a greve do transporte de combustível da refinaria da Petrobrás em Duque de Caxias (RJ). O sindicalista estava na linha de frente. “Vi o Botelho evitar que a polícia nos dispersasse”, conta Hércules Pereira, 44 anos, também fundador do MUBC. “O comandante da PM atendeu a um pedido dele.”

Mesmo depois da greve de 1985, os caminhoneiros continuaram dispersos. Para mudar esse quadro, começou a idealizar o MUBC.

Mas Botelho também enfrenta problemas internos. Um deles aconteceu na negociação de uma greve da categoria. Contrário à proposta do governo, ele não compareceu à reunião marcada em Brasília. O presidente da Federação Interestadual de Caminhoneiros Autônomos, José Fonseca Lopes, foi ao encontro e assinou o acordo. “A greve não acabou com o acordo, mas com a violência da polícia”, diz Botelho.

Botelho parou de estudar no primeiro ano ginasial e teve de sair de casa aos 17 anos porque o pai, ferroviário, passava por dificuldades financeiras.
Postado por Oni Presente às 10:04:00

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Amaro

29 de julho de 2012 às 09h05

Quer dizer que são os patrões que estão inconformados com a redução da carga horária diária dos caminhoneiros? Tava na cara.

Mas a pergunta é a seguinte: Quantos acidentes nas estradas brasileiras tiveram como causa o cansaço dos motoristas de empresas de transporte de cargas? Quantas vidas foram ceifadas por causa da ganância dos proprietários dessas empresas? E o peso excessivo das cargas, que é responsável pela degradação do asfalto das grandes rodovias brasileiras, é também culpa de satanás?

Mas o que tudo isto significa diante do mensalão, o “maior escândalo do século”?

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Marina olímpica faz ouro em Londres, de olho em 2014 « Viomundo – O que você não vê na mídia

28 de julho de 2012 às 17h40

[…] Greve dos caminhoneiros é locaute […]

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[email protected]_2

28 de julho de 2012 às 17h19

depois deste artigo ficou TUDO claro para mim.
eu não estava compreendendo os porques desta “greve” CONTRA uma Lei que é benéfica à categoria dos caminhoneiros.
Até comentei isto com um taxista – que também disse não entender a postura dos caminhoneiros.

Agora, tá tudo esclarecido.

(com esta ‘democracia’, quem precisa de ditadura?)

:(

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edson

28 de julho de 2012 às 09h54

Deve ser por isso que os policiais, nas entrevistas, e a mídia pegaram “leve” chegando a dizer que respeitam as reivindicações dos caminhoneiros (sic). Se fosse dos trabalhadores… bem, o “chicote ia comer”…

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