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Diário da Resistência


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Emiliano José: “O espírito maligno da PM da Bahia se volta contra o povo”


05/02/2012 - 21h50

Espírito autoritário da Polícia Militar baiana vem desde a ditadura militar

por Emiliano José

O governo da Bahia precisa correr contra o tempo, para desarmar a bomba que é a Polícia Militar da Bahia. Não se pode dizer que não se sabia. Uma tese acadêmica do professor Georgeocohama mostrou o espírito autoritário da Polícia, ao analisar a greve da PM em 1981. Não por acaso, o jornalista, professor e hoje deputado federal Emiliano José assinou o prefácio do livro de Ocohama.  Desde o golpe militar de 1964, a PM baiana se constituiu no braço armado voltado para reprimir manifestações populares.

E a violência, pode-se dizer, vem sendo o método de trabalho da PM baiana, entranhada na corporação pela ideologia do carlismo. Chega a ser ridículo, os discursos oportunistas de políticos como o deputado ACM Neto (DEM) e do deputado derrotado José Carlos Aleluia. O guru deles, ACM, incutiu na PM a ideologia da violência. Agora, este espírito maligno se volta contra o povo da Bahia.

Leia na íntegra a análise de Emiliano no livro de Georgeocohama:

Quando a greve da Polícia Militar baiana de 1981 ocorreu, eu trabalhava na sucursal do jornal O Estado de S. Paulo, em Salvador, como repórter. Para os jornalistas de então, um fato inusitado. Estávamos acostumados a cobrir a ação da PM no decorrer de movimentações de operários e estudantes, e tal ação revestia-se sempre de um cunho repressivo. A PM, nos anos posteriores a 1964, especialmente até o fim da ditadura em 1985, se constituiu no braço armado mais prontamente à disposição das classes dominantes para reprimir quaisquer movimentos populares.

Era a PM que tornava dramaticamente real o lado coercitivo do Estado brasileiro. Em todo o País, simultaneamente ao controle a que foram submetidas pelo Exército, as PMs foram modernizadas em sua aparelhagem repressiva, modernização que se expressava no maquinário de guerra de combate às manifestações de rua. Assim perplexos, cobríamos aquela greve.

A análise do professor Georgeocohama sobre as causas daquele movimento revela muita ousadia. Enfrentou tema pouco visitado pela Academia. O livro que agora ganha as ruas foi escrito há mais de 20 anos. Tem, quem sabe, os defeitos de uma análise feita a quente, mas também as qualidades desse tipo de incursão.

Só os bons historiadores, os menos acomodados, são capazes de produzir obras assim: poderíamos chamá-las de análise de conjuntura, numa visão bastante ampliada dessa noção; ou, para ousar avançar por terreno conceitual desconhecido, denominá-la de história mergulhada no acontecimento.

Ao fazê-lo, o autor contribuiu para abrir a vereda que tem possibilitado uma discussão ampliada sobre o papel das PMs numa sociedade democrática. Inegavelmente há um vezo preconceituoso entre as esquerdas, ontem mais do que hoje, em analisar o papel dos militares na vida política brasileira, salvo sob o ângulo da repressão, da violência, do arbítrio, características marcantes da ação militar num País acentuadamente marcado pelo autoritarismo.

A discussão sobre a PM baiana e o movimento grevista de 1981 implica análise aligeirada sobre o Estado brasileiro, especialmente o moderno Estado construído desde os anos 30 do século passado. Esse Estado constituiu-se à base de estruturas mais ou menos autoritárias, que passaram pela ditadura getulista do Estado Novo, pelo populismo nacionalista da primeira metade dos anos 50, pelo desenvolvimentismo de Juscelino, pelo reformismo de Goulart e pela modernização conservadora da ditadura pós-64.

O crescimento da sociedade civil, de modo geral, sempre enfrentou obstáculos, sejam aqueles menos coercitivos, como os levantados pelo populismo, sejam os repressivos, como os do Estado Novo.

O crescimento do movimento operário-popular em 1964 provocou a reação das classes dominantes e redundou em ditadura. A marca autoritária em nossa história não é pequena. Os militares, não por acaso, acreditaram-se demiurgos de um projeto nacional, baseado na Doutrina da Segurança Nacional, cuja inspiração, também não por acaso, veio dos EUA, fundada em pressupostos da Guerra Fria, marcada então por um anticomunismo visceral.

Tal doutrina desenvolvia a tese do inimigo interno, que justificava todas as violências praticadas contra aqueles que tinham uma visão diversa. Desde o final dos anos 40, esse tipo de visão esteve presente em nossa história, e corporificou-se com absoluta transparência em 1964 e naqueles anos seguintes de terror e de sombras.

A presença militar era tão forte que, para selar o fim da ditadura, fez-se uma espécie de pacto com as Forças Armadas, baseado numa anistia que perdoava os torturadores e assassinos dos porões repressivos. É possível que não houvesse outro caminho dado à correlação de forças do momento, mas o fato é que isso ocorreu. A sociedade civil e a sociedade política não conseguiram desenvolver até muito recentemente mecanismos institucionais que colocassem as Forças Armadas sob controle, na dependência de regras democráticas sólidas.

Só após o fim da ditadura, em 1985, iniciou-se um processo, relativamente lento, onde, paulatinamente, as Forças Armadas passaram a se submeter de forma mais clara aos ditames da lei. Isso foi possível devido à dinâmica interna – a democratização da sociedade brasileira –, e externa –, o fim da Guerra Fria, com o desmoronamento de toda a experiência socialista na URSS e nos países do Leste Europeu.

Recente episódio – o da revelação pela imprensa de fotos de prisioneiros nus nos porões da ditadura – mostrou a autoridade do presidente Lula sobre os militares, evidenciando que os tempos são outros, mais democráticos. Vamos caminhando de modo mais rápido e seguro para uma sociedade amparada na lei.

Para dizer de forma simplificada, se tentarmos situar o episódio analisado por Georgeocohama, podemos dizer que as PMs de então eram um subproduto do quadro nitidamente autoritário que predominou até 1985. Enquadradas rigorosamente após 64, elas foram submetidas aos interesses e conceitos globais do Exército, a instituição que dá as cartas nas Forças Armadas. Passam, então, a ser “tropa de choque” do Estado brasileiro para “sedições internas”, especialmente as movimentações urbanas, das greves operárias às manifestações estudantis.

A greve de 1981, com as conseqüências trágicas dela decorrentes, talvez seja um daqueles momentos em que a PM da Bahia toma consciência de si mesma, recusa-se a ser simples massa de manobra, embora, como é evidente, limite-se a seus interesses meramente corporativos, temendo até a solidariedade de outros setores sociais, o que decididamente reduziu o alcance do movimento.

As paixões do momento não foram sistematizadas numa orientação política conseqüente, como foi diagnosticado pelo professor Georgeocohama corretamente. Não custa lembrar movimento recente, de 2001, quando outra greve, e esta com impressionante participação da soldadesca, colocou Salvador em estado de choque e o governo paralisado. Essa movimentação, à espera de análises mais cuidadosas, produziu alguns líderes, um dos quais, sargento Isidório, tornou-se deputado estadual pelo PT com expressiva votação.

A história registra movimentos de soldados como momentos heróicos, evidência de um alto grau de politização. Não custa lembrar a Revolta da Chibata, do marinheiro João Cândido, contra os castigos absurdos de que era vítima a marujada. Ou a luta dos sargentos por seus direitos no pré-64, objeto até hoje de muitas discussões.

Ou, mais distante de nós, a extraordinária participação de soldados na Revolução Russa. A politização dos soldados, no Brasil pós-64, no entanto, foi reprimida de todas as maneiras. Greves em corporações como a PM não são boas companhias da democracia. São perigosas para todos se se tornam incontroláveis. Estamos falando de homens – e agora mulheres – armados.

A greve de 2001 foi um exemplo disso. Quando se prolongou por vários dias, criou uma situação de caos social em Salvador. No primeiro momento, recebeu o apoio da população, que sabia dos baixos salários e péssimas condições de trabalho dos soldados, sargentos e mesmo oficiais.

Num segundo momento, o povo fechava-se em casa com medo e queria o fim rápido do movimento. A PM, nesse caso, saiu relativamente fortalecida. Houve, por caminhos tortuosos, o reconhecimento do quanto ela é necessária, embora não se possa desconhecer o quanto ela precisa mudar para se tornar uma polícia cidadã, que tenha como missão principal proteger o cidadão e cidadã comuns.

As diferenças entre os dois movimentos não são pequenas, e posso lembrar alguns deles, arriscando-me a palpitar. O primeiro é que o de 1981 não teve o alcance de massa que teve o de 2001. Aquele foi uma ação  concentrada na ousadia de alguns oficiais. O segundo aspecto é que o de 1981 foi barrado de modo sangrento – a lembrar que o governador biônico era Antônio Carlos Magalhães, prócer querido da ditadura – enquanto que o de 2001 acabou sendo resolvido pela negociação, em decorrência especialmente da ação de parlamentares da oposição, que praticamente socorreram um governador inerte, quase perplexo diante da greve.

Os tempos eram outros. Já não era mais possível mandar matar, como em 1981. O terceiro é que a movimentação de 2001 durou um bom número de dias, teve um impressionante impacto político-social e obrigou o governo a ter mais atenção com a PM, enquanto que a de 1981, estancada na ponta do fuzil, acabou rapidamente e suas conseqüências nem de longe se aproximaram das de 2001.

Mas tudo isso é palpite. O que importa aqui é a análise feita por Georgeocohama a respeito da movimentação de 1981. É essa ousadia dele que nos convida a uma reflexão sobre a PM na sociedade que vivemos hoje, muito mais democrática.

Nos tempos mais recentes, desincumbida parcialmente da tarefa anterior de reprimir movimentos populares, devido à situação democrática, a PM, educada para a violência, continuou como “tropa de choque” contra os pobres e negros, especialmente nas grandes cidades. A questão posta para todos nós, que temos compromisso com a continuidade da democratização da sociedade brasileira, é a definição do papel dos militares na vida política nacional, e aí inclui-se também as polícias militares.

Aqui, pode ocorrer a um leitor mais atento lembrar, acompanhando Norberto Bobbio, ser o Estado sempre um instrumento de repressão, o que ninguém contestaria. Mas isso não quer dizer, e isso também é Bobbio, que todos os Estados sejam igualmente repressivos. Nós, aqui e agora, queremos um Estado democrático, com os militares submetidos aos ditames da lei, incluindo-se aí a PM enquanto ela existir, para que se garanta um estado de paz civil.

É necessário que se estimulem ouvidorias autônomas das PMs de modo a facilitar ao cidadão e à cidadã recorrerem dos arbítrios, das violências, contribuindo para uma vigilância efetiva da sociedade civil sobre a instituição. É fundamental que seja incrementada a educação dos efetivos da PM no campo dos direitos humanos. Não podemos, em nome de uma teoria abstrata do Estado como instrumento da repressão, descuidar da importância de uma espécie de revolução cultural entre os policiais militares.

É possível forjar um novo espírito, que fortaleça mais o aspecto preventivo do que o repressivo. Um espírito que faça os policiais militares enxergarem cidadãos no negro pobre, no sujeito sem posses. Um espírito que pretenda sempre, em primeiro lugar, proteger o povo. Sem isso, continuaremos a assistir a essa impressionante guerra civil que assola o País principalmente nas grandes cidades.

Ninguém ignora a necessidade da repressão contra a criminalidade de qualquer natureza, especialmente contra o crime organizado, e no quadro institucional ainda vigente, a PM cumpre um papel importante. Mas é preciso um novo espírito para que a população pobre e trabalhadora não continue a ser a principal vítima.

Emiliano José é jornalista, escritor e deputado federal (PT-BA)

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Adriano Diogo: “Depois de balear David pelas costas, a GCM atirou nele, de novo”





50 comentários

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Lima de Oliveira

06 de agosto de 2015 às 10h07

Eu vivenciei de perto a greve da polícia militar de 1981, como militar na Base Naval de Aratu. O episódio sangrento em que a Marinha fuzilou os oficiais da PM matando um e deixando outro paraplégico, foi um recado do governo para dar exemplo; a tentativa de retomar a viatura da PM usada pela Marinha com armas em punho pelo oficiais deu o motivo.

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francisco.latorre

10 de fevereiro de 2012 às 10h47

depois do caos aéreo..

caos urbano.

..

alô-ô. jornalistas. se liguem.

não existe movimento de soldado sem apoio [escamoteado] da oficialidade.

por aí. a história.

..

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damastor dagobé

10 de fevereiro de 2012 às 08h03

a "esquerda" e seu fetiche e fixação quase sexual na marginalidade como linha auxiliar da causa revolucionaria…dá pra ver direitinho porque nao chegam a lugar nenhum

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Bom exemplo do MPF: Profissionais de saúde respondem na Justiça por discriminação racial e omissão de socorro « LIBERDADE AQUI!

08 de fevereiro de 2012 às 19h05

[…] Emiliano José: “O espírito maligno da PM da Bahia se volta contra o povo” […]

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Yarus

07 de fevereiro de 2012 às 03h09

Eita! Que essa polícia está cheia de Malvadezas!

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damastor dagobé

06 de fevereiro de 2012 às 18h33

fico pensando o que tem na cabeça esses que condenam quem arrisca a vida a todo momento, pra proteger suas vidinhas imprestáveis, por míseros 1000 real por mês..
o que tem na cabeça até imagino mas não pode ser dito nesse horario com crianças na sala..mas quem eles são pode-se dizer sem medo de errar: são obviamente patrões escravocratas que morrem de medo de se o estado pagar mais que a miseria que pagam fiquem sem ninguem pra explorar….qq concurso arrasta multidões.

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douglas da mata

06 de fevereiro de 2012 às 16h02

O problema na negociação com governos autoritários(sejam de esquerda ou de direita) é que se trata de uma tentativa de fazer "sacrifícios" para fazer bacon com ovos.

O governo é a galinha e nós servidores somos os porcos. É um "sacrifício" mal distribuído, não acham? pois é.

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Fernando

06 de fevereiro de 2012 às 12h13

A instituição Polícia Militar é uma bosta, mas ela é composta de pessoas de carne e osso que saem dos mesmos lugares que qualquer outra pessoa.

O policial militar normalmente é um cara que veio das classes populares, sofreu preconceitos diversos e agora tem uma arma na mão e um contra-cheque baixo.

A PM é a maior empregadora de negros do Brasil.

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Bernardino

06 de fevereiro de 2012 às 12h12

DOUGLAS,parabens pelo inteligente comentario e analise.Quero citar queo males por que passamos tem orige,m na covardia e corrupta escoria portuguesa. A Ditadura durou 20 anos e o povo fraco nao se rebelou cobtra ela , O COLLOR tomou a grana de todo mundo e nao houve sublevaçao(pior que tomar as mulheres)
Nao adianta so pagar bem,tem que mudar mentalidades arraigadas e atrasadas plantadas pela ditadura
em 1919 o pres EPitacio Pessoa,paraibano de formaçao francesa assumiu o cargo e nomeou um civil para a pasta da guerra Pandia Calogeras, a milicada nao gostou e sublevou-se Epitacio ,gueereiro ,mandou abri r foga em copacabana matou meia duzia e prendeu pai e filho HERmes da Fonseca e o filho Major
Nossos politcos sao canalhas Ofice-Boy de empresarios,estao pouce se lixando para a saude e seguranças de seu povo,vivem dando dinheira para imprensa corrupta para acobertar sua mazela
PROfessores e Policiais sao tratados como elementos da senzala.A casa grande so olha para empreiteiros

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douglas da mata

06 de fevereiro de 2012 às 11h34

(….) continuação

Foi assim que inconstitucionalmente criou a força frankenstein nacional, uma triste reedição histórica da guarda nacional que nos legou a memória política a patente de "coroné".

Não há previsão legal, nem definição de uso dessa "força", e pelo que vemos na Bahia, trata-se de uma força pretoriana auxiliar.

É certo que nós, a esquerda, tenhamos muitos problemas para lidar com a questão policial, mas tal incômodo não pode refletir, ou ao menos não deveria, uma visão tão ou mais conservadora que os nossos adversários ideológicos, o que no fim das contas, acaba por aproximar o conjunto desses servidores ao que há de pior na política brasileira e das soluções "de força".

Sim, porque se é para sermos tratados como lixo, é melhor um governo de direita e seus arbítrios e exceções, pois ao menos encontramos alguma "relevância" funcionando como agentes "do terror de Estado", ou seja, impondo o "respeito" pelo medo, como acontecia na época da Ditadura.

Na direita não há a esquizofrenia de um Estado violento, pedindo na TV e nos blogs de esquerda uma polícia cidadã. É pau puro.

Já com o chamado "Estado-Cidadão", as coisas continuam intactas, as estruturas de exclusão e autoritarismo idem, mas a culpa é do "puliça" lá na ponta. O bom e velho bode expiado em editoriais e no horário nobre.

Todos nós queremos uma polícia cidadã, inteligente, pró-ativa, cordial(mas firme), correta, que distribua a aplicação da Lei de forma isonômica e equilibrada.

Mas eu pergunto: É assim que o Estado brasileiro trata a todos? É assim que a Justiça julga? Então por que só há pobre e pretos presos?

E quando há reivindicação justa, como os governantes de "esquerda" tratam seus servidores? Chama a PF e a "guarda nacional", os "gorilas" e o escambal.

"Ah, isso deve ser coisa da oposição para "faturar" em cima do desgaste do governo".

Essa não é uma fala de um deputado ou governante da "direita", mas de um deputado "de esquerda", ex-delegado, que se diz principal interlocutor da área de segurança no Estado do RJ, frase esta publicada em um debate no seu blog.

Outro blog de esquerda(o blog do Miro) "denuncia" que o líder dos PM na Bahia é d PSDB e vai ser candidato a vereador.

Pois bem, e quando nós estávamos na oposição e apoiávamos os reclames das tropas? Nossas intenções eram "puras e neutras"? Não elegemos parlamentares e governantes que tiveram como plataforma dos movimentos sociais? Nosso Lula não é a expressão máxima da luta do ABC?

Boa parte das contradições graves que temos, na esquerda, se expressa de forma simbólica, quando repetimos os mesmos erros daqueles que criticávamos.

Soldadinhos cabeça-de-fósforo da força frankenstein nacional ou caveiras com faca cravadas são sinalizações que pouco ou nada mudou no imaginário dos novos detentores do poder, e que talvez os anos e anos de repressão brutal tenham surtido o efeito desejado pelos "gorilas":

Os perseguidos passaram a se comportar como seus algozes quando tiveram chance.

Mais ou menos como o povo judeu, que repete com sadismo profissional o seu martírio com os palestinos.

Douglas da Mata
Inspetor de Polícia RJ

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    Antonio Nunes

    06 de fevereiro de 2012 às 15h03

    parabens pelo comentário!

douglas da mata

06 de fevereiro de 2012 às 11h34

Aos 41 anos não me dou mais o benefício da esperança ou ingenuidade. É com profundo desgosto, mas com a sensação de alívio por me isentar de qualquer culpa pelo meu pessimismo "orgânico" que observo e escrevo este desabafo:

Infelizmente, os últimos episódios que precipitaram um unificação nacional das reivindicações dos trabalhadores da área de segurança pública nos revelam, pelo pior lado, que Segurança Pública é um tema de Estado.

Logo, sendo o Estado brasileiro o que é(excludente, desigual, violento e juridicamente verticalizado), o problema das políticas públicas de segurança e do trato com as forças de combate à criminalidade(polícias e agentes penitenciários) e ainda os de defesa civil(bombeiros)acaba por se perpetuar, a despeito da cor ideológica do governante de plantão.

Nesse quesito, não há que se falar em grandes avanços estruturais do período Lula-Dilma, e tal frustração se espalha pelos estados brasileiros.

A direita brasileira pelo menos não tem recalques em relação ao problema: Sabe e defende, às vezes com sinceridade sanguinária(como é o caso do clã bolsonaro, e outros da mesma estirpe), às vezes com cinismo hipócrita do alckmin, o uso e o emprego das forças públicas de combate ao crime:

A guarda pretoriana protege o rei, e pronto. F..d..-se o resto.

Governadores e presidentes "de direita" manipulam índices dos chamados "auto-de-resistência", direcionam os melhores esforços para os "melhores clientes", perpetuam práticas violentas quando dão ao uso da força, que deveria ser exceção, o contorno de regra violenta, premiando e gratificando ideológica e pecuniariamente as "tropas de elite".

Promovem "fórmulas mágicas", espetáculos "circenses", compras milionárias de equipamentos e armas, nomes e slogans, promovendo a imagem como forma de obscurecer a visão sobre os verdadeiros pontos a serem enfrentados.

Mas o que dizer quando essa estratégia transfere-se ao nosso campos político de atuação? O nosso espectro ideológico?

Exército na rua é triste lembrança, mas e no Alemão? Cadê o decreto presidencial e o rito constitucional de transferência da responsabilidade e comando a "tropa de ocupação"? E se fosse a direita?

Foi assim que o governo Lula cedeu a chantagem, e sabe-se lá porquê, fritou e devorou Protógenes e Paulo Lacerda, e os serviu de bandeja a daniel dantas & Cia.

(….) continua

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Porco Rosso

06 de fevereiro de 2012 às 11h25

Não sei vocês, mas eu acho estranho o governador, um ex-sindicalista, do Partido dos Trabalhadores, estar reprimindo e criminalizando greves de trabalhadores. Lembrem-se também das recentes greves de professores baianos.

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uirapuru

06 de fevereiro de 2012 às 11h00

uirapuru.

Tai uma oportunidade de desmilitarizar as PM. Os governadores progressistas e democraticos tiveram nove anos de governantes que sofreram na pele os efeitos dos braços militarizados e hierarquizados das PMs, porem, parece que não tiveram coragem para faze-lo. O respeito a hierarquia levou alguns a respeitarem e contribuirem nos anos de chumbo, aqueles que torturavam , respeitavam a hierarquia e cumpriam ordens, foram punido?

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Gerson Carneiro

06 de fevereiro de 2012 às 10h58

O micro deputado ACM Neto é o Líder Cinical da Bahia.

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leandro

06 de fevereiro de 2012 às 10h30

"Não foi o PT que na Constituinte de 1988 defendeu o direito de greve dos funcionários públicos, inclusive aqueles de serviços essenciais? Estão experimentando o próprio veneno. Dou a minha sugestão ao governador da Bahia tentar viver com o salário de um policial, e quero ver se esse cidadão chama os agentes da lei de bandidos."

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    Edfg.

    06 de fevereiro de 2012 às 12h38

    Sem contar que o Jacques Wagner emulou e apoiou esse tipo de movimento em 2001, para tirar proveitos eleitorais. Agora vai ter que lidar com o monstro que ajudou a criar.

    "Cría cuervos y te sacarán los ojos."

Filipe Rodrigues

06 de fevereiro de 2012 às 09h21

Segundo informações de Stanley Burburinho : (http://www.salariospm.xpg.com.br/Tabela%20de%20vencimentos%20PM%20CBM%20…)

Salário pago pela PM de São Paulo para a patente SD 1ª CL: R$ 1.798,72;

Salário pago pela PM da Bahia, para a mesma patente: R$ 2.015,40;

Em SP o custo de vida é muito mais alto.

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zezinho

06 de fevereiro de 2012 às 08h56

Como não poderia deixar de ser a culpa da barbárie, do estado de guerra em que se encontram as ruas de Salvador é dos demotucanos. Não importa há quanto tempo eles governaram, a culpa sempre será deles. O artigo chega ao cúmulo de culpar até mesmo o aparelhamento e modernização da polícia, como se isso fosse indesejável.

E tem mais, aqui não se questiona porque houve uma escalada de violência depois que o PT assumiu o poder. Quanta competência!

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Gerson Carneiro

06 de fevereiro de 2012 às 08h42

"Chega a ser ridículo, os discursos oportunistas de políticos como o deputado ACM Neto (DEM) e do deputado derrotado José Carlos Aleluia. O guru deles, ACM, incutiu na PM a ideologia da violência. Agora, este espírito maligno se volta contra o povo da Bahia.'

Pois bem, na sexta-feira à noite, no twitter, o deputado Jean Wyllys do PSOL-RJ convocava a deputada Manuela Dávila do PCdoB-RS para intervir nas negociações que segundo ele estaria para ocorrer um banho de sangue na ALEBA pois Jacques Wagner havia autorizado o Exército e a Força de Segurança Nacional a invadir a ALEBA aonde, segundo Jean Wyllys, se encontravam cerca de 2000 pessoas, incluindo crianças e esposas dos PMs.

Lá pras tantas Jean Wyllys revela que estava em contato com o irmão dele que é capitão da PM na Bahia.

Não me contive e postei: Deputada Manuela, corra e vá salvar o irmão do Jean Wyllys que está correndo perigo na greve da PM na Bahia.

Pronto, foi o bastante para Jean Wyllys sair em fúria atacando os militantes do PT, acusando-os de incoerência, cegueira, fanatismo, "militante obtuso e fanático"… e etc.

Na minha opinião Jean Wyllys deveria se declarar suspeito em relação à greve da PM na Bahia por ter um irmão capitão da PM na Bahia.

Óbvio que Jean Wyllys tome partido dos PMs, é compreensível . Mas honesto seria se declarar suspeito antes de sair atacando militante do PT.

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CardealNordeste

06 de fevereiro de 2012 às 08h29

Não é preciso comentar as razões. Este blog perdeu parte da confiança e crença que nele depositva.

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O Virtual

06 de fevereiro de 2012 às 07h44

Ora, ora Fábio, você faz cada colocação! O governador só é responsável pela PM quando ela faz coisa boa, principalmente se for petista. Procure nos arquivos os comentários dos petistas sobre a greve ocorrida na mesma Bahia em 2001, a começar pelo então candidato à presidência Lula da Silva e pelo então deputado federal Jacques Wagner. Aí a sua estupefação fará mais sentido ainda.

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leco

06 de fevereiro de 2012 às 01h53

Quem diria Emiliano José falar isso… A PM se voltou contra o povo ou o governador que sabendo que poderia haver greve foi para o Caribe e só voltou no 3° dia da greve depois de muita cobrança? Outra, quem barbariza é quem aceitar o embrutecimento e emburrecimento de um povo ou quem se cansou de desmandos? O líder do movimento foi petista e hoje, parece, ser tucano, mas o que importa? será que os que estão com eles são movidos por interesses ideológicos ou famélicos?

Outra questão: pq o governador mandou demitir jornalistas que mostravam os dois lados, criando um clima de silêncio na imprensa? (vejam antes que tirem http://dilma13.blogspot.com/2012/02/ai-5-na-bahia

pq pegaram uma foto da PM erguendo as armas onde estão acampados, num ato para se defender de outros pms que davam voos rasantes de helicópteros e falaram que foi no meio da avenida mais movimentada da cidade?

E quem garante que não são polícias infiltrados que fizeram baderna (pq registrada foi apenas uma. a tomada dos ônibus na paralela) são no minimo 500 acampados e milhares de grevistas, mas apenas 5 apareceram nas fotos parando o ônibus. 5 é quantidade expressiva para o deputado chamar de espirito maligno?

O QUE VEJO SÃO DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS!! TRISTE ISSO PARA O PT

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Marcio H Silva

06 de fevereiro de 2012 às 01h24

Copiei do facebook, pagina: Perfil de MANIFESTAÇÃO E ASSEMBLÉIA DOS POLICIAIS E BOMBEIROS DO RJ
Marcio H Silva
Um aviso ao movimento: não cometam os erros que o pessoal da Bahia está cometendo. O Governo não vai negociar e a greve será inevitável, mas tenham um plano de contingência para não haver vandalismo no estado e não ter a opinião pública ( com auxilio da imprensa comprada ) contra o movimento reinvidicatório. Usem a inteligência e logística tão própria dos militares para com policiais a paisana inibir atos de vandalismo na cidade, mantendo uma sensação de segurança para a população. Se forças de segurança externas forem acionadas deixem o tempo passar, pois estes movimentos geram custos enormes. Ganhem a aprovação da opinião pública com atitudes pacíficas, como foi feito pelo movimento dos bombeiros ano passado. No mais, boa sorte a todos. pai de um dos 439.
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Patricia Couto Concordo com vc. A população não deve ficar exposta aos marginais, somos responsaveis por eles, devemos cuidar deles, mesmo que para isso tenhamos que fazer uma greve parcial. Vamos fazer um movimento com responsabilidade!
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Gil Bombeiro Não foram policiais de verdade que cometeram aqueles crimes na Bahia, todos eles são contratados pelo Governo, provavelmente da banda podre ou ex-policiais, já recebi informações, que haverá policiais a paisana nas ruas, que irão deter esses marginais que receberam ordens para desacreditar o nosso movimento reivindicatório.

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Marcio H Silva

06 de fevereiro de 2012 às 00h30

Não existe espírito maligno neste movimento atual. O que eles querem é dignidade com melhores salários. Como em outros estados onde a greve foi deflagrada, nenhum governante quer diálogar e nem os recebe para ouvir suas reinvidicações. Todos ficaram arrogantes. Não conversam com professores, saúde e nem segurança pública. Os profissionais ficam desesperados. A Bahia se tornou mais importante que Rondonia ( Greve em abril de 2011 ), Acre ( Greve de advertencia em abril de 2011 ), paraíba ( Greve em março de 2011 ), Pará ( greve branca em janeiro de 2011 ), Ceará ( Greve em janeiro de 2012 ), Maranhão ( greve em dezembro de 2012 ), Piauí ( Greve em agosto de 2011 ), em nenhum destes estados o digníssimo ministro da justiça esteve presente. Mas com certeza virá ao RJ porque o Rio de janeiro entrará em greve em 10 fev de 2012. E garanto que não tem nenhum partido político por trás desta greve, cujo movimento se iniciou com os bombeiros guarda vidas em abril de 2011. O Bombeiros conseguiram, finalmente a adesão dos PMs e Policia civil. O Governador e seus secretários estão pagando pra ver. e dane-se a população. E não sai nada em nenhuma mídia.

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Ze Duarte

05 de fevereiro de 2012 às 23h56

Em 2001 a greve foi apoiada pelos petistas… inclusive Lula

Responder

SILOÉ-RJ

05 de fevereiro de 2012 às 23h53

O governador que é o reponsável pela PM, está agindo com diplomacia, resolvendo esse motim.
Ao contrário do outro que fez questão de incentivar aquele vergonhoso massacre.
Por sinal, muito revelador com relação aos métodos: bem semelhantes e com ações quase simultâneas.
Sei não!!! Mas acho que foi mais uma tentativa de golpe que deu chabú.
Né Caê !!! Com saudades de painho, heim!!!!
Que falta ele lhe faz no bolso. Ô DÓ!!!

Responder

Marcio H Silva

05 de fevereiro de 2012 às 23h42

Sinceramente, não entendi o texto. O autor rebuscou a história passada recentemente da PM da Bahia, não se aprofundou nas análises, não conclui nada e quase no fim do texto comenta:
"É necessário que se estimulem ouvidorias autônomas das PMs de modo a facilitar ao cidadão e à cidadã recorrerem dos arbítrios, das violências, contribuindo para uma vigilância efetiva da sociedade civil sobre a instituição. É fundamental que seja incrementada a educação dos efetivos da PM no campo dos direitos humanos. Não podemos, em nome de uma teoria abstrata do Estado como instrumento da repressão, descuidar da importância de uma espécie de revolução cultural entre os policiais militares."
Sim é necessário termos ouvidoria autônoma para qualquer força de segurança, não só para a PM, mas também para a Policia civil, bombeiros, policia federal e rodoviária federal também. Não comenta que as ordens vem de cima e é dada pelo governante do estado.É necessário ainda que se crie tribunais distritais mais eficientes e principalmente RÁPIDOS nas suas sentenças, ao julgar as arbitrariedades cometidas.
O texto só fala da PM da Bahia, e nos outros estados, como são? são bonzinhos?
Me desculpe mas creio que o autor não tinha nada a falar, porque em 2001, onde ele cita sucesso na manifestação, a mesma foi totalmente apoiada pela oposição, mas não cita que a oposição era o PT, partido que hoje é situação, e se negou terminantemente a dialogar com os PMs.
Uma pergunta que não quer calar: porque o Ministro da Justiça foi a Bahia e não foi a são Paulo ( pinheirinho)?

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wille

05 de fevereiro de 2012 às 23h35

Não achei conexão desse texto com a greve da PM que está acontecendo atualmente…

Carta aberta dos Oficiais da PM BA > http://2.bp.blogspot.com/-16hVKA0Pwrw/Ty53-Tc41CI

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mara suzana

05 de fevereiro de 2012 às 23h31

Não adianta isso, esses policiais federais, terão que partir o mais cedo ou mais tarde, e a barra pesada para enfrentar brasileiros e forasteiros criminosos, ficarão com os sofridos policiais bahianos, dentro de suas respectivas circunscrições territoriais.Esses posudos federais, estão só de passagens.,Terão mesmo que partir.Realidade somente se enfrenta com a própria realidade, eis que isso tudo é só demonstração demagógica.O jugo continuará no estado da Bahia com os bahianos mesmo.O crime ultimamente pesou demais para o estado da Bahia e tapar sol com peneira é apenas demonstrar fraquesa.A migração de meliantes continuará porque as favelas cariocas estão sendo pacificadas e com um salário ruim ninguém se atreve a arriscar a vida. Melhor aumentar os salários do que permitir que consigam dinheiro através de subornos de chefões do sbmundo.Melhor receber um salário digno do governo do que entrar na folha de pagamento de " gangster ".Greve é um sinal de policia honesta.Melhro fazer greve do que acerto!

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mara suzana

05 de fevereiro de 2012 às 23h24

Um profissional bem pago dificilmente perde as estribeiras, estamos cansados de alto salários para governantes, com distribuição de renda é bem mais dificil de isto acontecer

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Leider_Lincoln

05 de fevereiro de 2012 às 22h18

Fabio Troll, então você quer comparar um governador que instiga essa monstruosidade fardada contra 6 mil pessoas com um braço criminoso que toca o terror? Não é de admirar que você defenda os tucanos: cada vez mais pesquisas demonstram que os conservadores não são mesmo muito inteligentes…

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    Marcio H Silva

    06 de fevereiro de 2012 às 00h34

    Leider, com todo o respeito que tenho a seus comentários, te afirmo, a greve da bahia não é a primeira deflagrada de 2011 para cá. Não tem cunho político, e sim de melhores condições de trabalho e salário.
    Os governantes, todos eles, estão se recusando a dialogar com as classes de trabalhadores, seja da saude, educação ou segurança. Dia 10/02 será no RJ porque o governador se recusa a receber as lideranças para dialogar e está apostando que a greve não acontece. O atual governador da bahia apoiou os grevistas da PM em 2001 e agora no poder está do outro lado e se recusa ao menos a dialogar.

    renato

    30 de março de 2012 às 22h24

    Muito bom, Marcio, pelo menos não ficamos com um lado só. Deixou a gente a pensar.

    douglas da mata

    06 de fevereiro de 2012 às 08h42

    Infelizmente, Leider, o Estado brasileiro padece de um mal que se revela quase universal em nossos tempos, ou seja, o aprisionamento das instituições democráticas e das formas de representação pelos interesses corporativos privados e de "mercado".

    É o chamado "divórcio" entre democracia e capitalismo, e as polícias ao redor do mundo, junto com o estamento jurídico, são a correia de transmissão das violências perpetradas em nome do "deus-mercado". Umas simbólicas, outras físicas e doloridas, como no caso do pinheirinho ou do Occupy Wall Street, ou na Grécia.

    No Brasil, o problema é ainda maior, porque sequer atingimos um nível ou estágio de amadurecimento dos direitos humanos, que como já mencionei, só vêm quando há distribuição de renda e fim da exclusão social.

    Então, tristemente, nesse caso, embora possamos enxergar alguma simpatia pelo governador baiano e solidariedade política por ele, na verdade, como governador, ele acaba por expressar e representar valores semelhantes quando se trata de segurança pública e polícia.

    A guarda pretoriana protege o rei, quer seja em SP, RJ ou na BA, e nós da esquerda não demos conta de resolver essa equação de resultado ruim.

    leandro

    06 de fevereiro de 2012 às 09h41

    O governo baiano fomentou a violência quando resolveu por militar ao invés de negociar.. Ou trabalhador só pode reivindicar melhor salário quando é um governo de oposição?

    Criolo canta rap sobre violência na Bahia e no Pinheirinho

    "Agradeçam por estarem vivos", introduziu. Depois de pedir silêncio, Criolo puxou o rap anotado num papel: "Hoje pegou fogo no Moinho/ Abandonaram o Pinheirinho / E o sangue escorre no Pelourinho".

    Antônio Cândido

    09 de fevereiro de 2012 às 12h52

    "Inteligente" é este erudito comentarista, pelo visto. Pelo menos pose de "intelequituau" ele tem

Marcelo

05 de fevereiro de 2012 às 23h06 Responder

    leandro

    06 de fevereiro de 2012 às 09h38

    Muito bom mesmo.

    "Que diálogo e negociação são possíveis e críveis quando se responde com a arma da violência, pondo militares contra militares? É uma estratégia da ignorância política e da prepotência, totalmente ineficaz porque agrava ainda mais o problema em vez de encaminhar uma solução. Por que não se aprova a PEC 300? Os governos federal e os estaduais se uniram para protelá-la e esvaziá-la.m mesmo."

douglas da mata

05 de fevereiro de 2012 às 22h43

Não existe polícia cidadã sem sociedade cidadã.

Pretender impor a polícia um comportamento respeitoso aos direitos humanos, enquanto estão intactas as estruturas do estamento normativo do Estado, tanto no aspecto punitivo(judicial e policial), quanto na diária legitimação ideológica das desigualdades de tratamento baseadas em questões de gênero e sociais, é "esquizofrenia".

Quem veste terno e gravata não apanha, nem na rua, muito menos em delegacia. Direito humano é dinheiro, quem tem dinheiro tem direito, quem não tem, só resta a dura(e muito dura)aplicação da Lei.(às vezes, a lei do cão).

Não se trata de "cinismo" para pregar um "vale-tudo" que perpetue a violência policial, por exemplo, enquanto não amadurecemos enquanto sociedade. Mas é fato.

Polícia mal paga, em uma sociedade desigual são os ingredientes fundamentais para a "nossa guerra civil" de todos os dias, como disse o deputado.

É uma polícia que compensa sua baixa auto-estima da desvalorização no abuso de poder incitado por quem a utiliza como ferramenta de coerção permanente para desestimular os movimentos que questionem a desigualdade, até porque, não se sente como parte desta sociedade.

Mas lembrem-se: nem punimos os torturadores de 64, como imaginar que se possa dar exemplo aos de hoje?

Não conseguimos punir motoristas bêbados, porque sentem-se à salvo da lei por serem proprietários de um veículo, que na sociedade capitalista precede tudo e todos, a despeito de matarem mais que o tráfico.

Descem do carro, e dizem: "sabe com quem está falando?".

Pois é, em uma sociedade com instituições tão frágeis, é a polícia que vai fazendo suas mediações e seus "julgamentos" diários.

A violência(ilegítima) e não a força(legítima)é uma ferramenta que dá certo e que nos foi entregue por aqueles que nos imaginaram como capitães-do-mato para conter as senzalas. Olha o pinheirinho aí…vocês viram a mídia condenar alguém?

Meu vizinho não lê Carta Capital ou lê o blog do Azenha, ele vê JN, e é nessa escolha que ele forma sua visão sobre a polícia, sobre mim, e é com ele que eu vivo, não em gabinetes dos deputados, que depois pedem arrego e vão para Paris, como medo da "milícia".

A mídia(e a esmagadora dos jornalistas empregados dela) continua a se referir aos mortos na periferia com o jargão: "fulano tinha passagem na polícia". Ou será que a audiência dos datenas e wagner montes(e este com votos aos milhares, junto com bolsonaros)são artificiais?

Foi a mídia que festejou as Forças Armadas nas ruas do Alemão, e transmitiu e quase torceu para que a CORE(polícia civil do RIO) atirasse nos caras fugindo.

Os episódios dos recuos do governo DILMA na questão da homofobia e o MEC, e na ausência de punição do bolsonaro pelos seus pares, deu a dimensão do nosso ethos violento, então, não me venham com a fragmentação da solução de problema tão amplo.

Nós, policiais, somos o "braço manu militari" do Estado. Quanto mais violento e segregador esse Estado, tanto é a sua polícia, não tem jeito.

Enquanto mantiverem os pobres e pretos excluídos, mortos ou presos, e do outro lado, com bill de impunidade os envolvidos nos castelos de areia ou satiagrahas, não há solução possível.

Ou se conserta tudo, ou é cada um por si. Infelizmente.

Douglas Barreto da Mata.
Inspetor de Polícia/RJ

Responder

    SILOÉ-RJ

    06 de fevereiro de 2012 às 00h17

    Caraca DOUGLAS!!!
    Suas colocações são de arrepiar, nem tanto pela "eloquência," mas sim pela verdade nua e crua e assustadora.
    NOSSA!!!
    Muito à contra gosto, sou obrigada a concordar com você e a parabeniza-lo pela objetividade e clareza do exposto, que em mim funcionou como uma bofetada.
    Sugiro ao AZENHA expor seu comentário como conteúdo para ser refletido.

Marcia

05 de fevereiro de 2012 às 22h30

Emiliano José sofreu na pele, literalmente, as mazelas da "ditabranda".
Cidadçao de primeiríssima categoria. Orgulho para os baianos.

Responder

Fabio SP

05 de fevereiro de 2012 às 22h04

Ué, o governador da Bahia não é responsável pela PM? Só o de São Paulo?

Responder

    Miguel

    05 de fevereiro de 2012 às 23h31

    voce ve Jacques Wagner se manifestando CONTRARIO `a acao da PM, sendo criticado prla imprensa e nao sendo obedecido. E voce ve Geraldo Alkmin dando completo apoio e elogiando as barbaridades da sua pm paulista, e sendo aplaudido pela imprensa. Percebe a diferenca, ou seu cinismo ja convenceu a voce proprio?

    Gerson Carneiro

    06 de fevereiro de 2012 às 08h29

    É sim, tanto que agiu rápido.

    PMs amotinados barbarizaram o quanto puderam. Na hora de enfrentar quem deveriam colocaram crianças e mulheres como escudo.

    magaiver s. silva

    06 de fevereiro de 2012 às 12h48

    engraçado somente a greve dos pms que barbarizam, então só eles que devem morrer pela sociedade recebendo salario minimo sem direito de reclamar, penso que se todo governante desse valor ao homem que tem coragem de defender terceiros com a propria vida não haveria greve, tudo que está ocorrendo é culpa dos politicos desonestos do brasil, que deve ser mais ou menos 99% em todo o país. Na atualidade não existe politico honesto somente mercenarios.

    David

    06 de fevereiro de 2012 às 15h02

    E quanto vale isso "dara própria vida para defender terceiros"? E será que é isso mesmo o que a PM faz? Pra começar os Militares não podem fazer greve, porque não é simplesmente um serviço público essencial. Você consegue imaginar qual a melhor situação de negociação que um militar tem com a sociedade do que quando um país está em guerra? Agora você consegue imaginar um país em guerra enfrentando greve dos soldados? Por essa razão os militares tem leis específicas e até um sistema judiciário separado, se em muitos momentos vemos corporativismo dos militares, e nessa hora ninguém reclama do tratamento diferenciado, os militares também não podem escolher quais leis eles cumprirão ou não. Por essas e outras acho um tremendo erro essa expansão enorme da polícia militar nos últimos anos.

    David

    06 de fevereiro de 2012 às 15h02

    Na minha opinião um país não deveria usar militares para combater criminalidade, deveria haver uma força policial civil pra isso, tanto para combate quanto para investigação, todos civis, graduados na ACADEPOL, se possível e com o mesmo direito de greve de qualquer servidor público, mantido o percentual mínimo de trabalha para que não prejudica excessivamente a população, como qualquer outro serviço público essencial. Não é o direito a greve de servidor público que tem que ser revisto.

    zezinho

    06 de fevereiro de 2012 às 14h14

    Agiu tão rápido que enquanto o circo pegava fogo na Bahia ele estava tomando seus bons drink em Cuba. E só retornou quando acabou a visita. Até então já haviam morrido umas 70 pessoas. Impressionante a agilidade, é o The Flash! De uma competência ímpar!

    Jairo_Beraldo

    06 de fevereiro de 2012 às 21h40

    E o curioso, é que o mentor e lider da greve dos PM's baianos, é um ex-bombeiro, que fora expulso da corporação é hoje é filiado ao PSDB.


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