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Diário da Resistência


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CartaCapital: Mino Carta e as trevas ao meio-dia


04/05/2012 - 11h49

Trevas ao meio-dia

por Mino Carta, em editorial na CartaCapital que traz a revista Veja na capa

Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revista Veja? O que a induz ao silêncio? O espírito de corpo? Não é o que acontece nos países onde o jornalismo não se confunde com o poder e em vez de servir a este serve ao seu público. Ali os órgãos midiáticos estão atentos aos deslizes deste ou daquele entre seus pares e não hesitam em denunciar a traição aos valores indispensáveis à prática do jornalismo. Trata-se de combater o mal para preservar a saúde de todos. Ou seja, a dignidade da profissão.

O Reino Unido é excelente e atualíssimo exemplo. Estabelecida com absoluta nitidez a diferença entre o sensacionalismo desvairado dos tabloides e o arraigado senso de responsabilidade da mídia tradicional, foi esta que precipitou a CPI habilitada a demolir o castelo britânico de Rupert Murdoch. Isto é, a revelar o comportamento da tropa murdoquiana com o mesmo empenho investigativo reservado à elucidação de qualquer gênero de crime. Não pode haver condão para figuras da laia do magnata midiático australiano e ele está sujeito à expulsão da ilha para o seu bunker nova-iorquino, declarado incapaz de gerir sua empresa.

O Brasil não é o Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único.

Na hora em que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. Nada de mudanças, e que o deus da marcha da família nos abençoe. A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a omitir, a mentir. Neste enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca murdoquiana.

Não que os demais não mandem às favas os princípios mais elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril, inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado, quem sabe.

O jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Roberto Civita, patrão abriliano, é relativamente novo na corporação. Sua editora, fundada pelo pai Victor, nasceu em 1951 e Veja foi lançada em setembro de 1968. De todo modo, a se considerarem suas intermináveis certezas, trata-se de alguém que não se percebe como intruso, e sim como mestre desbravador, divisor de águas, pastor da grei. O sábio que ilumina o caminho. Roberto Civita não se permite dúvidas, mas um companheiro meu na Veja censurada pela ditadura o definia como inventor da lâmpada Skuromatic, aquela que produz a treva ao meio-dia.

Indiscutível é que a Veja tem assumido a dianteira na arte de ignorar princípios. A revista exibe um currículo excepcional neste campo e cabe perguntar qual seria seu momento mais torpe. Talvez aquele em que divulgou uma lista de figurões encabeçada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontados como donos de contas em paraísos fiscais.

Lista fornecida pelo banqueiro Daniel Dantas, especialista no assunto, conforme informação divulgada pela própria Veja. O orelhudo logo desmentiu a revista, a qual, em revide, relatou seus contatos com DD, sem deixar de declinar-lhes hora e local. A questão, como era previsível, dissolveu-se no ar do trópico. Miúda observação: Dantas conta entre seus advogados, ou contou, com Luiz Eduardo Greenhalgh e Márcio Thomaz Bastos, e este é agora defensor de Cachoeira. É o caso de dizer que nenhuma bala seria perdida?

Sim, sim, mesmo os mais eminentes criminosos merecem defesa em juízo, assim como se admite que jornalistas conversem com contraventores. Tudo depende do uso das informações recebidas. Inaceitável é o conluio. A societas sceleris. A bandidagem em comum.

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47 comentários

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Carlos Eduardo

05 de maio de 2012 às 19h11

Por favor, gostaria que o Viomundo fizesse uma campanha contra o uso da religião nas Eleições.
Nessas eleiçoes dese ano hja temos candidatos “comprando” apoio das igrejas.
Recomendo a leitura desse ótimo texto que faz uma campnha contra o uso da religião nas eleições:

“Candidatos, mantenham a religião fora das campanhas!!”

http://blogdofabianocaldas.blogspot.com.br/2012/03/candidatos-mantenham-religiao-fora-das.html

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Marcelo de Matos

05 de maio de 2012 às 10h44

A pergunta que não quer calar: Que prefeito ou governador tucano não contratou serviços da Delta, como coleta de lixo e outros?

Responder

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h43

    “Eita” perguntinha difícil de ser respondida!
    Na minha cabeça só vem nomes de prefeitos e governadores tucano-pefelês que se lambuzaram na Delta!

Marcelo de Matos

05 de maio de 2012 às 10h41

A ironia do blog 247: “Pela primeira vez, desde o início da Operação Monte Carlo, a revista Veja dedicou uma reportagem de capa ao caso Carlos Cachoeira”; indaga: “como Demóstenes enganou tantos por tanto tempo? E retoma uma questão que já havia sido levantada pela colunista Dora Kramer, no jornal Estado de S. Paulo, dias atrás. Será que ninguém desconfiava da agenda paralela do senador goiano? Na verdade, não se trata de uma autocrítica da revista, que foi quem mais contribuiu para a fraude Demóstenes, atribuindo ao senador, em suas páginas, o papel de “mosqueteiro da ética” e transformando o parlamentar em fonte privilegiada de suas reportagens”. Está claro, portanto: a revista não está fazendo “mea culpa”, ou autocrítica.

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CartaCapital: Mino Carta e as trevas ao meio-dia « Ficha Corrida

05 de maio de 2012 às 10h10

[…] CartaCapital: Mino Carta e as trevas ao meio-dia « Viomundo – O que você não vê na mídia Rate this: Sirva-se:Gostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. Deixe um comentário […]

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Paulo

05 de maio de 2012 às 07h08

Fica óbvio uma pitada de “mea culpa” do jornalista Mino Carta. Que os outros se apresentem para os humildes via CPI ou de forma espontânea. Tanto faz! Talvez assim, vomitando seus pecados, os atores da imprensa consigam realinhar seus caminhos para uma nova democracia e possam exercer com mais qualidade seu papel constitucional.

Responder

Adilson

05 de maio de 2012 às 06h58

O povo começa a se indignar, temos o dever de divulgar para chegar até os membros da CPMI do Cachoeira, Veja e Demóstenes: http://www.foramarconi.com.br/

Responder

Luiz Gomez

05 de maio de 2012 às 00h21

É de se levantar a questão do consumo ético.
Se a CPMI comprovar as suspeitas, que os cidadãos e os agentes públicos não financiem (através das compras dos seus produtos)as empresas que tenham se beneficiado de tais ilícitos. Alias, isso deve ser um imperativo legal óbvio.

Responder

carlos vicente

04 de maio de 2012 às 21h31

A amizade e os negócios do senador Ataídes com Cachoeira

As escutas da Operação Monte Carlo mostram uma relação de grande amizade do senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) com o contraventor Carlos Cachoeira. O senador empresta avião, marca encontros para tomar vinhos e fazer negócios de milhões.

A conversa mais intrigante no entanto é como o senador Ataídes publicou uma matéria jornalística no jornal O Estado de Goiás através de Carlinhos Cachoeira. A reportagem seria assinada por Marcos Viera.

O senador foi procurado em duas ocasiões para emprestar um avião para Carlinhos. Em uma delas é para Cláudio, diretor da Delta, ir ao local do acidente envolvendo a esposa de Fernando Cavendish, dono da Delta.

Em outra ocasião o senador marca um encontro com Carlinhos Cachoeira, Eliane Pinheiro- chefe de gabinete de Marconi Perillo e Wladimir Garcez. O assunto da reunião seria um negócio envolvendo “Paulinho” e o senador Ataídes onde Carlinhos Cachoeira ganharia R$ 7 milhões.

O senador também procura Carlinhos para saber o telefone do ator e deputado Stepan Nercessian. Marconi Perillo, Demóstenes, Gilmar Mendes novamente são citados nessas conversas.

http://cachoeiradedados.wordpress.com/2012/05/04/a-amizade-e-os-negocios-do-senador-ataides-com-cachoeira/

Responder

Adelino Neto

04 de maio de 2012 às 20h55

Devemos nós brasileiros, agradecer aos blogs pelo excelente trabalho prestado em favor da verdade.
Principalmente aos blogs, do Azenha, PH Amorim, Nassif,Rodrigo Viana e o tijolaço.
Viva O Brasil.

Responder

    Gil Rocha

    04 de maio de 2012 às 22h03

    A maioria panfletário.
    Só dou moral pro Azenha.
    Mas a censura já começou
    por aqui.
    Mesmo eu sendo educado e
    respeitoso.

    Fabio Passos

    04 de maio de 2012 às 23h12

    … você é apenas mais um leitor de veja inconformado com a sova que os blogs progressistas estão dando no PIG.
    Este despeito do pessoal do esgoto é manjado.

    Assim é a democracia. Acostume-se.
    Quem fala o que quer… ouve o que não quer.
    E não adianta choramingar. Amarelão.

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h18

    Senhor educado, o Viomundo é tão blog sujo quanto os blogues que você diz serem panfletários.

    Digo que os demais blogues citados são panfletos da liberdade, panfletos que querem mostrar a verdade, panfletos que lutam contra os mafiosos do PIG. São tão panfletos quanto este Viomundo.

    Parece-me que o tipo de panfleto que o senhor educado gosta é do mesmo tipo da Veja Bandida. Este tipo de panfleto eu descarto, pois não quero estar ao lado de bandidos como os da famiglia Civita.

    Gil Rocha

    06 de maio de 2012 às 20h01

    Eu sei bem que o Viomundo é um
    blog progressista.
    Mas diferente do restante, tem lugar
    para o contraponto.
    Que aliás, é como deve ser a democracia.
    A maioria aqui é contra, se sente incomodado
    com os comentários contrários.
    A maioria dos argumentos a quem é contrário a
    minha opinião e a de outros, são infantis e ofensivos.
    Diferente da maioria, meus comentários nunca foram a favor
    ou de defesa desse ou aquele político.
    O problema é que parece que só um lado tem culpados.
    Quando a história é com políticos petistas, sempre existe
    uma razão ou desculpa.
    Vocês não são auto críticos, quando na verdade a pilantragem
    corre solta por todos os partidos brasileiros.
    Para a maioria aqui, seria o paraíso não existir o contrário,
    o contraponto, a imprensa de opinião única seria o máximo.
    Assim como aquela mãe que acha que o filho nunca está errado,
    sempre são os outros.
    Mas isto não é democracia, nunca foi e o mundo está aí para provar.
    O totalitarismo nunca vai acontecer no Brasil, e fico feliz
    por isso.
    Então pelo menos por aqui, ainda existe democracia.
    Pelo menos este blog ainda não é totalitário e antidemocrático.
    É o sonho da maioria aqui, mas ainda não é o desejo da maioria dos
    Brasileiros.

FrancoAtirador

04 de maio de 2012 às 19h32

.
.
E O CIVITA SABIA !!!
.
.

Responder

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h21

    Seria o capo Civita?

Fabio Passos

04 de maio de 2012 às 19h00

Mino Carta pegou na veia. Inadmissível aceitar com passividade esta sociedade civita&cachoeira.

A mídia associada ao crime organizado deve ser tratada como… crime organizado. É o caso da “mais vendida”.

O silêncio da rede globo, fsp e estadão não se explica apenas por corporativismo. É muito pior: Cumplicidade com os crimes da quadrilha veja.

Estas oligarquias midiáticas são, sem sombra de dúvida, as organizações mais corruptas do Brasil.
São o astraso. São as trevas.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    04 de maio de 2012 às 19h04

    Fabio, os vagabundos sempre atuam juntos…

Murilo Almeida

04 de maio de 2012 às 18h00

O Mino Carta nos honra. Na minha humilde opinião, é o melhor de todos os jornalistas que há no Brasil. É uma referência única, ímpar na sociedade, uma personalidade do maior respeito e de imenso caráter e moral.

Leio, cheio de orgulho, sua coluna todos as semanas na CC. Suas sábias palavras deveriam ser seguidas por todos aqueles que, verdadeiramente, amam o Brasil e a justa justiça.

Responder

    Fabio Passos

    04 de maio de 2012 às 19h02

    Mino Carta é um fora de série.
    Exemplo de comportamento ético, inteligência privilegiada e cultura invejável. Em resumo: O inverso do que encontramos no PIG. rsrs

    Gil Rocha

    04 de maio de 2012 às 22h52

    Fora de série ele é mesmo.
    Só que não por estas razões
    que listou.

    Fabio Passos

    05 de maio de 2012 às 00h45

    Já o gil rocha é produto seriado: lixo branco de classe média. made in veja. rsrs

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h28

    Já que o Gil Rocha é educado e respeitoso, vou ser polido com ele: Gil Rocha você deve ser fã incondicional de Carlos Lacerda.

    Gil Rocha

    06 de maio de 2012 às 19h41

    Nunca fui classe média.
    Só porque tenho computador e
    sou educado porque sempre li
    muito, não quer dizer nada.
    Se alguém que que recebe um salário
    e meio é considerado classe média, eu
    estou na classe média.
    Se eu não ofendo ninguém não quer dizer
    que eu seja classe média.
    Agora, antes de defenderem alguns progressistas
    por aqui, deviam buscar informações do que eles
    faziam lá pelos anos 70.

Paciente

04 de maio de 2012 às 17h24

Os filósofos já interpretaram o mundo de diferentes formas. A questão é:

Quando é que os blogs sujos vão demandar a criação da primeira rede de televisão cooperativada do Brasil (e do mundo)?

TV digital esta ai, o mercado para TVs exclusivamente de noticias esta ai (CNN e Al Jazira que o digam), BNDES e um novo segmento social no país e na America do sul que ser representado midiaticamente.

E ai? Vamos?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    04 de maio de 2012 às 17h53

    Eu queria fazer isso, mas não tenho o capital. abs

    Cristina

    04 de maio de 2012 às 19h47

    Azenha, pode-se fazer por subscrição pública, como na Alemanha. Existe a demanda. Existe o desafio e com o desmascaramento do PIG existe o potencial. Falta um empreendedor independente (de partidos, do PIG, dos bancos, de interesses estrangeiros). Está lançada a idéia. E também rádio AM e FM. Precisamos de meios públicos, que não pertençam ao Estado e nem ao PIG.

    Marcio H Silva

    05 de maio de 2012 às 00h12

    Se eu ganhar na mega sena sozinho, financio uma midia desta. Torce pra mim azenha, que eu te ajudo……..

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h29

    Que venha a Ley de Medios.

    Werner [email protected]_2

    06 de maio de 2012 às 14h30

    Já está demorando demais, demais!!!!

    Mais dificil com a nova lei, precisa-se de R$Milhões para abrir uma tv aberta… mas se tivessemos uma tv e radio via internet, com programação 24hs, mesmo com reprises, já seria bom começo. e que pudesse ser acessada por celulares 3g, androids, ipads…

Cristina

04 de maio de 2012 às 14h43

Azenha, isso que saiu nesse jornal é verdade? Quem seriam esses ministros do STJ e do STF?

http://www.novojornal.com/politica/noticia/operacao-vegas-envolve-nove-ministros-do-stj-e-quatro-do-stf-03-05-2012.html

Operação Vegas envolve nove ministros do STJ e quatro do STF

Procurador Geral da República evita ir a CPMI, pois Operação Las Vegas, anterior a Monte Carlo, envolve 9 ministros do STJ e 4 do STF

Não por outro motivo que o conselheiro Tito Amaral, levado para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com o apoio decisivo do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), promotor de Justiça em Goiás e ex-assessor do parlamentar, criticou o vazamento de informações que comprometem o antigo chefe. Na sessão do órgão, Amaral falou em punir com “pena de morte” os procuradores da República responsáveis pela Operação Monte Carlo, que seriam coniventes ou responsáveis pelo vazamento de informações que apontam ligações entre Demóstenes e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Porém, o medo de Tito Amaral tinha outro nome “Operação Las Vegas”

Do mesmo acordo celebrado para indicação de Tito, participou e foi indicado o ex-procurador geral de justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares, para o CNMP. Todo medo está relacionado com o que virá a tona no material da “Operação Las Vegas” da Polícia Federal entregue nessa quarta-feira a CPMI. Embrião da Monte Carlo, que levou à prisão de Carlinhos Cachoeira, a “Las Vegas” é considerada, por autoridades que tiveram acesso a seu conteúdo, “mais letal para agentes políticos”.

Também é essa a operação que pode constranger o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Sua assessoria confirmou nessa quarta-feira que ele não pediu diligências à PF quando recebeu o material da “Las Vegas”, em 2009. A justificativa é que não havia “elementos suficientes para qualquer iniciativa no âmbito do STF”.

Polêmico, Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF.

O relatório da Las Vegas foi enviado pela PF à subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques, mulher de Gurgel, e depois “subiu” para ele. Com a paralisação, três anos depois foi deflagrada a Monte Carlo. A requisição e agora entrega para exame da CPI dos autos da Operação Vegas, iniciada pela Polícia Federal em 2007 e concluída no início de 2009, é tida como essencial por integrantes da comissão mista já instalada para investigar as ramificações do chamado esquema Cachoeira.

Fatos mais graves do que os apurados pela operação Monte Carlo (da PF, criada para investigar Demóstenes e Cachoeira) foram apuradas na Operação Vegas, que trata de ligações do Cachoeira com a cúpula do Judiciário.
Considerada a “mãe” da Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do bicheiro Carlos Augusto Ramos, pôs fim à carreira do personagem encarnado pelo senador Demóstenes Torres e motivou à criação da CPMI, a
Vegas pode levar à ampliação das investigações para caminhos ainda não explorados.

Segundo informações, haveria material incriminando (em maior ou menor grau) nove ministros do STJ e quatro do STF. Só que o STF há um ano requisitou toda a documentação a respeito, determinando que a PF não ficasse com cópia, e sentou-se em cima da papelada. Porém, cópia da “Operação Las Vegas” já tinha sido tirada e encaminhada ao grupo de Lula.

Ciente deste fato e diante da possibilidade de vazamento da mesma pela imprensa a exemplo do que ocorreu com a Operação Monte Carlo, não teve como o STF evitar seu envio, chegando nessa quarta-feira na CPMI uma cópia que imediatamente foi trancada, vedando aceso a mesma pelo presidente da comissão aos integrantes oposicionistas.

Evidente que cópias já se encontram nas mãos de integrantes da oposição assim como da imprensa. O que antes era tido como suposição agora se torna realidade. A CPMI pode sim evitar que o mensalão seja julgado pelo STF, pensar diferente é admitir que haja uma crise institucional devido o envolvimento da metade dos ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, além de Gurgel, sua esposa e mais diversos integrantes da Procuradoria Geral da República. (Com informações do Estado de S. Paulo).

Responder

    Cristina

    04 de maio de 2012 às 19h44

    A página da Procuradoria-Geral da República, segundo li num noticiário, desmentiu categoricamente, o que pode ter sido algum factóide mal intencionado. A gente pensa logo em alguma coisa do PIG, né?

    Luiz Carlos Azenha

    04 de maio de 2012 às 19h48

    O PIG é um lixo!

strupicio

04 de maio de 2012 às 14h03

Nas memórias de Trotski – Minha Vida – ele comenta que no fim das contas era uma vantagem relativa os camponeses russos serem massivamente analfabetos…para ler o que escreve a imprensa czarista melhor não saber ler. Como, em nosso país, somos majoritariamente analfabetos funcionais – só uns 15% entendem o que leem, estamos em situação similar.

Responder

    Cristina

    04 de maio de 2012 às 14h45

    Já eu acho que os Blogs Sujos têm como tarefa e missão combater o analfabetismo funcional, ensinando o povo a ler as entrelinhas da mídia e aquilo que se pretende com matérias escandalosas, os preconceitos de classe, a parcialidade disfarçada enfim, ensinar a ler de verdade.

Gil Rocha

04 de maio de 2012 às 13h58

Com relação a mídia servir a
casa grande, o sr. Mino Carta
sabe bem disso…

Responder

    priscila maria presotto

    04 de maio de 2012 às 17h08

    Mino sabe o que sobre a casa grande?

    Fabio Passos

    04 de maio de 2012 às 18h49

    Não perca seu tempo.
    O sujeito é manjada viúva do PIG com dor de cotovelo diante de quem faz Jornalismo.

    Gil Rocha

    04 de maio de 2012 às 21h28

    Eu até explicaria, mas
    acho que a censura já chegou
    por aqui…

    Fabio Passos

    05 de maio de 2012 às 00h46

    gil rocha até explicaria… se não tivesse o baixo QI característico de leitores da veja. rsrs

    Gil Rocha

    05 de maio de 2012 às 01h55

    Não é nada disso não.
    Eu já coloquei algumas
    informações aqui.
    Não passou pela moderação,
    mas é só pesquisar aí pela
    net.

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h34

    Fiz uma breve (e muito breve pesquisa somente neste tópico) e conclui espantado que o educado e respeitoso Gil Rocha gosta mesmo é do Carlos Lacerda!

    Ele tem UDN no seu sangue, eu tenho dna e rna no meu.

newton

04 de maio de 2012 às 13h35

Por que ninguém fala que a TV Record está rompendo o cerco da mídia.
O jornal de Record tem tratado todos os dias da ligação de Cachoeira com a Veja. Os boleguieros ao não citar este fato enfraquecem a posição da Record.
Quando falar que a mídia esta blindando a Veja, tem que abrir um parenteses e dizer: com excessão da Record.
Os blogueiros também poderiam dar uma força à Record, reproduzindo os vídeos das notícias de seu tele-jornal reverentes à ligação Cachoeira-Veja.
Ou vamos deixar a Record sozinha nesta briga?

Responder

    Gil Rocha

    04 de maio de 2012 às 14h02

    Eu até estranhei que alguém
    ainda não tivesse mencionado
    a Record.
    Afinal ela é a única emissora que tem
    um jornalismo isento e blábláblá.

    Fabio Passos

    04 de maio de 2012 às 18h52

    hã… estranho é a dor de cotovelo das viúvas do PIG.
    Chora que vai te fazer bem.

    Luís CPPrudente

    05 de maio de 2012 às 22h37

    Este sujeito educado e respeitoso tem UDN mesmo no sangue. Ainda por cima mora na Casa-grande.

    Willian

    05 de maio de 2012 às 09h26

    A Record não está sozinha nesta: tem todo o aparatato do governo federal e do PT ao seu lado. Quer mais?


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