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Carlos Neder: Não é admissível Alckmin se dizer vítima das empresas


08/08/2013 - 22h12

É preciso abrir o caixa do Metrô

por Carlos Neder*

As graves denúncias sobre cartel (acordo ilegal entre empresas para aumentar preços de produtos e serviços) nos contratos de trem e metrô reacendem as críticas sobre possível favorecimento de empresas e particulares, tendo em vista os baixos investimentos do Governo do Estado nesse estratégico meio de locomoção em massa.

São Paulo tem o menor sistema metroviário do mundo. Enquanto Nova York, com seus 8,5 milhões de habitantes, conta com mais de 470 quilômetros de linhas, a capital paulista, com mais de 11,3 milhões de moradores, tem cerca de 70 quilômetros. O resultado é que os engarrafamentos nas vias públicas trazem prejuízos ao Estado e o país.

Essas denúncias surgem justamente no momento em que as manifestações de rua reivindicam transporte público e de qualidade, resultando na redução da tarifa de ônibus em vários locais. Houve, inclusive, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara Municipal de São Paulo, que está analisando as planilhas de custo desse sistema na cidade.

O governo estadual e a Assembleia Legislativa de São Paulo não podem, mais uma vez, se omitir. Daí a importância de uma CPI para apurar as denúncias de direcionamento nos contratos de trens e metrô. A liderança da bancada do PT elaborou um pedido de investigação que, para ser aprovado, necessita do apoio dos demais parlamentares.

É inadmissível a afirmação do governador Alckmin de que, se confirmado o cartel, o Estado é vítima das empresas e na investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão vinculado ao Ministério da Justiça. A administração estadual não pode se eximir de responsabilidade no ocorrido e deve explicações públicas sobre as razões dessa lenta expansão das linhas de metrô nos últimos 20 anos.

Temos de abrir o nebuloso caixa do sistema metroviário. A falta de informações confiáveis sobre a sua operação afeta a sua credibilidade e as pessoas que usam o serviço. E isso compromete o futuro das parcerias que temos defendido para a sua ampliação, ainda mais no momento em que o Governo Federal anuncia que irá investir R$ 8 bilhões na capital paulista em obras de mobilidade urbana, dos quais parcela considerável se destina à circulação viária.

*Deputado estadual (PT-SP)

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10 comentários

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José X.

10 de agosto de 2013 às 13h32

O Alckmin merece entrar para o Livro de Recordes do Guiness na categoria cinismo. Infelizmente, isso tudo não vai dar em nada, podem escrever aí. Logo logo tudo isso some do noticiário, com o generoso auxílio do PIG e do ministério público.Tem que reformar o judiciário e o minsitério público, senão NUNCA a corrupção no setor público vai ser efetivamente combatida.

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Valmont

09 de agosto de 2013 às 22h12

Geraldo Alckmin é um cínico!

Está tudo combinado. O discurso dos tucanos vem na mesma toada do Partido da Imprensa Golpista: é tudo muito limpo e impessoal; a culpa é toda dos “gringos”. Tudo não passa de um cartel. Palavra bonita! Parece coisa de primeiro mundo, sô!

“Supostos servidores, supostamente públicos, teriam recebido supostas propinas, mas, porém, contudo, todavia, ninguém sabe, ninguém viu nada.” Eis o resumo das pseudonotícias da Rede Goebbels de Manipulação & Cia.

Embromação pura!

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Terezinha

09 de agosto de 2013 às 20h46

Cadê as planilhas do Metrô? vamos oferece-las a sociedade. Bem se desde de 1988 até os dias atuais – ano de 2013 – quase 15 anos – há cartel e o pobre governo tucano nunca percebeu é preciso que o governador renuncie! Como pode tanta existir tanta incompetência? Mas, uma pergunta: Qual é a relação do Portelinha com o Ronivon? Aquele da compra de votos da reeleição de FHC?

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Marcolino: Incêndio em Itu foi criminoso; esquema de corrupção em SP é mais amplo que o noticiado; FHC deve apoiar CPI - Viomundo - O que você não vê na mídia

09 de agosto de 2013 às 19h33

[…] O atual governador, Geraldo Alckmin, chegou a dizer que, se houve de fato formação de cartel em São Paulo, por parte das empresas que fecharam contratos para fornecer bens ou serviços na área de transportes, o Estado foi vítima. […]

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matheus

09 de agosto de 2013 às 13h33

Vítimas das empresas são os usuários e trabalhadores do transporte coletivo. O Alckmin é o chefe dessa facção criminosa.

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Julio Silveira

09 de agosto de 2013 às 10h55

Quem duvidou que ele não iria defender essa tese de inocência. Afinal sua assessoria de imprensa, bem articulada, das mídias corporativas, já tinham saído na frente colocando o cartel das empresas como responsáveis únicos pelos artifícios que lesaram os milhões dos cofres públicos, paulistanos primeiro depois brasileiro. Ou alguém acredita que a captação desses recursos fiquem restrito apenas ao âmbito de São Paulo sem respingar no Federal de alguma forma?

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renato

09 de agosto de 2013 às 10h33

Eles não podem dizer que não sabiam de nada.
Este refrão é do Meu Presidente. É plagio.
Cadeia neles, e que isto se arraste até as
eleições presidenciais.
Que vontade de dizer: AI, COMO SOU BANDIIIDA!
Mas não vou dizer, para não falarem que assisto
a globo.

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Mardones

09 de agosto de 2013 às 08h48

As culpada são a Siemens, a Alston e a justiça Alemã. Coitado dos tucanos, vítimas de sórdidos europeus.

Um tucano como novo santo do Brasil!!

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Ozzy Gasosa

08 de agosto de 2013 às 23h48

Não esperem nada da Assembleia Legislativa.
Com exceção do “bloco” oposicionista na casa (PT, PCdoB,PSOL mais o deputado Major Olímpio/PDT, é o único independente desse partido) todos os outros são da bancada do abafa do Pinóquio Alckmin.

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Luís Carlos

08 de agosto de 2013 às 22h17

O Merval vai defender a teoria do “domínio do fato” no propinoduto tucano de SP? Ou ela só vale pro PT?

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