VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Denúncias

Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre


19/07/2012 - 11h49

Por que o Brasil se atrasa

Texto escrito e enviado por Adriano Benayon* – 16.07.2012, publicado na Redecastorphoto, sugerido pelo Marco Aurelio

1. A desindustrialização do Brasil não tem sido explicada adequadamente, sequer pelos economistas menos vinculados à ideologia das corporações transnacionais.

2. Em entrevista à BBC (13.07.2012), Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge, Inglaterra, lembrou que, em 1980, a produção industrial no Brasil superava a do conjunto formado por China, Índia, Coreia do Sul, Malásia e Tailândia e que, em 2010, já não representava senão 10% do total produzido nesses países.

3. O economista Leonardo Guimarães Neto, publicou artigo no portal do Centro Celso Furtado, Ano 6 – Edição 8, Recife, 13.04.2012, intitulado “A retomada da indústria brasileira: o recado de Antônio Barros de Castro”.

4. Nele aprecia o pacote estímulos, de R$ 60 bilhões, à indústria brasileira (sic), incluindo: desoneração fiscal, ampliação e barateamento do crédito; redução de até 30% do imposto sobre produtos industrializados para o setor automobilístico; redirecionamento de compras governamentais para bens produzidos internamente; redução de impostos na tecnologia da informação.

5. Deixa de denunciar mais esse absurdo presente à predadora indústria automobilística estrangeira, que não cessa de descapitalizar o País, enviando ao exterior os ganhos oligopolistas arrancados dos consumidores nacionais.

6. Omite também que, sob a presente estrutura industrial, dominada pelas transnacionais, os investimentos e subsídios aos centros de pesquisa tecnológica significam desperdício de recursos públicos, porquanto, não havendo empresas nacionais viáveis no mercado, só ínfima fração do resultado das pesquisas resultará em inovação tecnológica.

7. Observa Guimarães, que, embora bem recebido, o pacote foi considerado insuficiente por sindicatos patronais e de trabalhadores. Esses reclamam:

• (I) desvalorização cambial,
• (II) redução dos juros e dos spreads bancários e
• (III) redução do preço de insumos fundamentais para a atividade industrial, como a energia elétrica.

8. Segundo Guimarães, a perda de competitividade da indústria nacional [sic] não se deve só ao custo Brasil: enorme carga tributária; juros e spreads bancários altos; elevados preços da energia elétrica; enormes déficits de infra-estrutura de transporte e logística.

9. A perda estaria associada à reduzida capacidade de inovação da grande maioria dos segmentos produtivos da indústria nacional (sic), em contexto de acelerado avanço tecnológico nos países competidores, tais como a China.

10. Precisamos, porém, ir mais fundo. Entender por que essa capacidade é reduzida. Daí, inseri três vezes o advérbio latino “sic”, após “indústria brasileira ou nacional, porque a questão básica, intocada nas discussões correntes; é a desnacionalização, o fato de a produção realizada no Brasil não ser nacional, mas subordinada às matrizes das transnacionais estrangeiras que a controlam.

11. É ridículo falar em inovação tecnológica com a indústria desnacionalizada e com os seus centros das decisões sobre produção e mercados, situados no exterior.

12. Se não há inovação tecnológica no Brasil é porque as transnacionais se apropriaram de tecnologias no exterior, amortizaram-nas com as vendas em outros mercados e as utilizam aqui a custo real zero, tal como acontece com as máquinas e equipamentos importados a preços superfaturados.

13. Por que, então, tais indústrias não são competitivas, se seus custos reais de produção são extremamente baixos, ademais de as transnacionais receberem colossais subsídios prodigalizados pelos governos federal, estaduais e municipais?

14. Porque o valor contábil das despesas das subsidiárias no Brasil é levado às alturas, através dos preços que estas pagam às matrizes nas importações dos bens de produção (inclusive o da tecnologia, jamais transferida): os bens de capital e os insumos, tudo é superfaturado, além de serviços sobrefaturados e até fictícios.

15. Em suma, as políticas de favorecimento às transnacionais, inauguradas em 1954, e intensificadas desde então, fazem que os brasileiros paguem para se tornarem pobres. Os fabulosos lucros reais obtidos pelas transnacionais são transferidos ao exterior, não apenas como tal, mas também através desses superfaturamentos e do subfaturamento de exportações.

16. Estando a economia concentrada por empresas transnacionais e bancos, na maioria desnacionalizados, e os “nacionais” associados aos estrangeiros e com eles ideologicamente alinhados, é esse sistema imperial que elege os “governantes” nos poderes do Estado brasileiro, pois as eleições dependem dos dinheiros para as campanhas e do acesso às redes de TV comerciais, vinculadas aos mesmos interesses.

17. Em tais condições, tornam-se inócuos os votos piedosos dos economistas, quando recomendam reformular a infra-estrutura de transportes e logística, baixar os juros até o patamar internacional (o que viabilizaria reduzir a carga tributária), desvalorizar a taxa cambial etc..

18. Mantendo-se a atual estrutura de poder, essas medidas seriam irrealizáveis, além de que, para funcionarem, acarretariam a necessidade do controle de capitais e da estatização dos principais bancos, ou seja, políticas ainda menos toleráveis para os aproveitadores dessa estrutura.

19. Assim, o governo que empreendesse tais políticas, seria desestabilizado e derrubado antes de promover a indispensável a passagem do controle da indústria para capitais nacionais, privados e públicos.

20. Se a indústria não for realmente nacional, jamais terá chance de ser competitiva. O mesmo se aplica à infra-estrutura econômica (energia, transportes e comunicações) e à social (saúde, educação e cultura). Há quedesmercadorizar os serviços públicos e eliminar as agências “reguladoras”, devolvendo o poder delas ao Estado.

21. Também importante para o Estado é recuperar funções perdidas com o modelo do “consenso de Washington” é a total reformulação da administração pública, generalizando-se os concursos públicos, a formação de técnicos e administradores, e instituindo a aferição de desempenho, com possibilidade de demissão, seleção de quadros desde a escola primária, etc..

22. Voltando a Guimarães: “Segundo Antônio Barros de Castro …não se trata hoje de superar um hiato em relação a concorrentes que evoluíam lentamente em termos tecnológicos e de produtividade. Para ele, esta premissa não existe mais, e os concorrentes do Brasil, notadamente a China, ainda estão alcançando novos patamares de produtividade e aumentando o esforço tecnológico para acelerar sua eficiência”. China teria superado a fase de “made in China” para outra de “created in China”.

23. Ora, como assinalei no artigo “Tecnologia, Desenvolvimento e Ilusões”, publicado em maio, é incrível que até os economistas que não se restringem a discutir política macroeconômica, conclamem para a necessidade de inovação tecnológica sem reconhecerem a impossibilidade dela num país cujos mercados estão sob controle praticamente total de empresas transnacionais.

24. Em artigo próximo tentarei resumir a avassaladora ocupação da economia brasileira, a qual prossegue em tal velocidade, que a empresa nacional é, cada vez mais, espécie em extinção.

25. De novo, Guimarães: Castro acredita que o Brasil, de início, deve ganhar tempo até induzir as grandes transformações, garantindo superávits no balanço de pagamento por 10 ou 15 anos com petróleo e matérias primas agrícolas, além da expansão do mercado interno “colocando areia para limitar a ocupação do mercado interno por importações …”.

26. Isso seria, na realidade, perder tempo. E o Brasil já se atrasou demasiado nos últimos 58 anos! Proteção para a indústria, na atual estrutura, só favorece as transnacionais e eleva os incalculáveis prejuízos que vêm causando ao País.

27. De resto, enquanto se dilapidam os recursos naturais através das exportações primárias, as receitas são usadas para pagar por serviços superfaturados e fictícios, às matrizes das transnacionais, e para importar bens de alto valor agregado e insumos grandemente superfaturados. Nem se fica sabendo o que valem as matérias-primas exportadas, nem o balanço de pagamentos se equilibra sem endividamento.

28. Isso implica fomentar a estrutura econômica atrasada, como a da Venezuela, por mais de um século, antes de Chávez: exportar quantidades fabulosas de petróleo e ficar com a estrutura econômica mais primitiva da América do Sul, para gáudio do império anglo-americano.

29. Com governos acomodados às imposições do império, até por carecerem de consciência nacional, as transnacionais estão ocupando até os espaços recomendados por Barros de Castro e seguidores, como a agroindústria do etanol e a química baseada na energia vegetal. Note-se que nem falam dos óleos vegetais, como o dendê, capaz de produzir mais óleo – melhor que o de petróleo – do que a Arábia Saudita.

*Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, e-mail: [email protected]

Leia também:

Joel Leite: As enormes margens de lucro nas vendas de automóveis

Estrangeiro poderá controlar até uma Suiça dentro do Brasil, se projeto for aprovado

Lúcio Flávio Pinto: Ritmo de exportação de minério de ferro é atentado à soberania

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



32 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Carlos Lopes: Multis já controlam 56% da produção de etanol - Viomundo - O que você não vê na mídia

30 de abril de 2013 às 09h44

[…] Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre […]

Responder

Juvandia Moreira: Bancos investem mais em publicidade do que em segurança nas agências « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de agosto de 2012 às 13h13

[…] Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre […]

Responder

Blogueiro da Forbes se enrola ao gozar brasileiros por preço de automóvel « Viomundo – O que você não vê na mídia

13 de agosto de 2012 às 13h51

[…] Joel Leite: As margens de lucro astronômicas no mercado automotivo brasileiro Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre […]

Responder

Chávez sobrevive ao “otimismo mórbido” e põe Venezuela no Mercosul « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de julho de 2012 às 02h49

[…] Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre […]

Responder

Francisco

20 de julho de 2012 às 16h37

Dizem que aquele país grande foi comido por dentro, virou uma carapaça onde mora o hospedeiro que comanda todas as suas ações. Eu pergunto, o hospedeiro do brasil vai deixar o brasil ser independente,ter uma industria nacional forte?

Responder

jaime

20 de julho de 2012 às 12h44

No atual estágio, de nacional mesmo apenas o pensamento de uns poucos como Adriano Benayon é o que nos sustenta sobre o abismo; rompido esse fio, é a descida sem paraquedas. A indústria nacional, ou mais precisamente os industriais tupiniquins, desde décadas alimentam o grande sonho de serem comprados por uma multinacional norte americana ou européia (vide José Mindlin, tão bem tratado pela mídia, sempre que foi possível). O empreendimento estatal foi cercado, apedrejado, banido, crucificado, mas não deixa de ser interessante a frase de Samuel Pinheiro Guimarães: “quando a Embraer foi criada, por exemplo, não havia escala nacional para a produção de aviões.” Por que será que ainda não temos a nossa indústria automobilística genuinamente nacional? Porque o Estado ainda não criou uma estatal para isso e depois a entregou à iniciativa privada. INICIATIVA é tudo o que não temos em solo brasileiro, se depender da privada.

Responder

ZePovinho

20 de julho de 2012 às 12h13

É sempre o mesmo problema:CONTROLE DOs MERCADOs NACIONAis POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS.

http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/6882/Brasil-tem-dificuldade-em-comprar-tecnologia-belica

20 de Julho, 2012 – 11:20 ( Brasília )
Defesa
Brasil tem dificuldade em comprar tecnologia bélica

Fala-se muito em reaparelhamento das Forças Armadas, mas, pragmaticamente, isso tem-se concentrado na Marinha, que deu a partida com a encomenda efetiva de cinco submarinos – via consórcio DCNS/Odebrecht – sendo uma unidade de propulsão nuclear. Na área do Exército, o principal projeto – Sistema de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) – não exige muita engenharia civil, especialidade das empreiteiras agora anunciadas como alavancadoras do sistema.

A sonhada base para a 2ª Esquadra da Marinha, na Amazônia, também não tem data para virar realidade. Para especialista ouvido pela coluna, será difícil para o Brasil comprar tecnologia moderna. Diz que os estrangeiros só facilitam a cessão de métodos ultrapassados. E cita exemplo: a Marinha anunciou a conclusão, com inegável sucesso, do desenvolvimento do motor foguete dos mísseis Exocet por ela utilizados (e ainda usados por diversos países do mundo secundário; os do Primeiro Mundo, inclusive a França, já têm mísseis de última geração).

Mas há um ponto de fundamental importância que parece não estar bem definido na transferência de tecnologia: o sistema de combate. O que difere um navio de guerra de um iate é isso. O que difere um submarino de um submersível (não importa o tipo de propulsão) é também o sistema de combate. Recente noticiário sobre defesa não citou a Consub entre as empresas existentes e reconhecidas.

Esta empresa sobreviveu às diversas falências que ocorreram no âmbito de um consórcio que tinha sido contratado para o processo de modernização das fragatas da Marinha, que começou em 1994 e foi até 2006. Também ela, Consub, se tornou propriedade de uma empresa estrangeira, a norueguesa DSND (ou Sien), cujo principal objetivo está em serviços offshore de petróleo.

Mas é a Consub que, empregando apenas profissionais brasileiros, vem desenvolvendo e integrando os diversos sistemas de combate para os navios da Marinha, chamados de Siconta, que já está na versão 5, destinada ao porta- aviões São Paulo. Aqui aparece também outra curiosidade: por ser formalmente de propriedade estrangeira, uma empresa que tanto fez pelo desenvolvimento nacional de sistemas de combate terá que se reestruturar para poder se beneficiar das facilidades da nova lei de defesa.

Desta forma, seus donos estrangeiros podem achar que não valeu a pena terem deixado que ela se dedicasse integralmente a preparar sistemas de combate que são de propriedade intelectual da Marinha. A nova lei pode estar castigando aqueles que trabalharam realmente em parceria no Brasil.

Outra incoerência no teor nacionalista se vê no Prosuper, pelo qual a Marinha convidou apenas estaleiros estrangeiros a entregarem propostas para a construção, no Brasil, de cinco navios de patrulha oceânicos (chamados de OPV – Offshore Patrol Vessel); cinco navios de escolta (também conhecidos como escoltas) ; e um navio de apoio logístico. O estaleiro estrangeiro tem que apresentar um estaleiro brasileiro para ser o parceiro nacional. Mas, mesmo assim, o contratante principal será um estrangeiro. Por quê? – perguntam os nacionalistas na área de defesa.

Responder

César

20 de julho de 2012 às 11h13

A industria nacional (sic) é criminosa, bandida, visto que se beneficia do roubo de propriedade intelectual, e isso é uma das causas da desindustrialização. Essa turma não paga imposto, pois tudo vai ser cobrado do consumidor e mesmo assim reclama de tributos, aqueles que foram criados para garantir o roubo das classes desprivilegiadas pelas de classe privilegiada, onde em vez de tributar no lucro líquido e patrimônio, tributa no lucro bruto e isso claro que vai ser “tributado” pelos produtores (industriais) e cobrado do consumidor.
E mais, esse bando (os industriais) produzem lixo e vão consumir no exterior (evasão de divisas) pois sabem que seus produtos são lixos. são os mecanismos que roubam o inventor individual, impedindo-o de garantir novos produtos para o consumidor, e assim legitimando uma industria feita por incompetentes parasitas da elite.
Se o inventor for alavancado como a ÚNICA e verdadeira fonte de inovação (coisa que a mídia teima em ocultar), nós poderemos mudar o braziew, pois somos os verdadeiros criadores da inovação, faremos um Brasil, mas para isso é preciso que se extingua a lei patentária, a lei que rouba o inventor e entrega os inventos nas mãos de parasitas metidos a empresários.
A lei patentaria (LPI 9279-96) e o INPI (instituto nacional de propriedade industrial)são a grande causa da mediocridade industrial nacional. Acabemos com ela!

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8565

Eu mesmo fui roubado pela bic (a das canetas) e ela ainda ganhou prêmios com meu invento, graças ao antro INPI e a corrupção em todas as instâncias federais, desde o MPF até o judiciário, passando por Petrobrás (aquela que enterrou maquina de 60 milhões para fazer bunker para a elite) e pelo antro correio.

http://members.libreopinion.com/br/vapera/veiculoaquatico/coincidencia.htm

Responder

Samuel Pinheiro Guimarães: Desindustrialização e desnacionalização « Viomundo – O que você não vê na mídia

20 de julho de 2012 às 10h33

[…] Leia também: Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre […]

Responder

Beto Silva

20 de julho de 2012 às 10h23

No final tudo vai desaguar no fato de que temos um Poder Judiciário fraco, composto de Juízes de Direita. Falta profissionais para instrumentalizar processos judiciais que, legalmente, possam evitar que manobras desleais e ilegais. Enquanto não se punir gente que age assim em nosso país nada haverá pra ser feito. Certamente existem mencanismos que possam evitar que tais manobras se concretizem.
O que a vida quer é coragem.

Responder

Filipe Rodrigues

20 de julho de 2012 às 01h09

Tá certo, o governo erra nas prioridades do BNDES, ao invés de colocar dinheiro na indústria automobilística deveria colocar na indústria textil, calçados, etc; onde o capital é majoritamente nacional.

Mas dizer que há desindustrialização no Brasil é igual o mensalão: ainda carece de provas.

PIB Industrial brasileiro (IBGE): 2002: R$ 344,4 bilhões
2011: R$ 972,1 bilhões

Verdade que a indústria cresceu menos, mas isso não é porque o Brasil virou um país de vocação primária. Em 2001 a China foi aceita na OMC, isso gerou durante a última década um boom das matérias-primas, com supervalorização e aumentos dos preços internacionais das commodities.

Obs: – Há um grande lobby dos grandes grupos econômicos em que a esquerda ainda não percebeu de elevar a taxa de câmbio perto dos R$3,00.
– Hoje ela está a R$2,02 o que já tá de bom tamanho e dá equilíbrio a economia nacional, permitindo a indústria crescer sem ameaças inflacionárias (Dólar a R$3,00 é tão ruim quanto a R$1,50).
– Com o Dólar a R$3,00 a indústria brasileira ficaria muito mais competitiva e exportaria bastante, porém a inflação também aumentaria pela nossa economia ser ainda muito concentrada, a única maneira de impedir a alta inflacionária com câmbio elevado seria o arrocho salarial e acabar com as políticas de valorização salarial e distribuição de renda moderando os reajustes do salário mínimo.

Responder

    FILIPPINI

    20 de julho de 2012 às 12h38

    Caro colega Felipe.Os contratos de câmbio dos produtos exportados são fechados em média 03 meses antes do embarque da mercadoria.esmo hoje com o dólar à R$2,02 já tendo inclusive atingido em momento recente a cotação de R$2,10,os valores destes contratos de cãmbio ainda são fechado em sua maioria com o cãmbio a R$1,70.

    Portanto,não é apenas a necessidade de um câmbio desvalorizado que faz a indútria nacional ganhar competitividade,o importante também é a sua previsibilidade e baixa flutuação.Perceba outras nações que aderem ao “câmbio flutuante”,o fazem apenas no discurso,na prática a flutuação é suja e extremamente controlada.

Diego Rafael - DF

20 de julho de 2012 às 00h47

Adriano Benayon era um dos grandes mentores do falecido Eneias, foi a primeira voz que ouvi dizer que a globalização não era um processo irreversível, isso lá pro ano 2000, ainda na faculdade. Grande homem!

Responder

FILIPPINI

19 de julho de 2012 às 23h37

Garanto para vocês que fiz o que mostrarei a seguir :

1º Após ler este texto,tratei de republicar no fórum que frequento.
Link : http://www.stockinvest.com.br/forum/viewtopic.php?f=3&t=5284

Após isso,tomei contato com outro texto,que ao meu ver é um complemento deste.Link : http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20592

Apartir daí,agindo como cidadão,militante,eleitor consciente fiz o que estava ao meu alcance no momento.

A)Escrevi no Gogle : Presidência da República.
B)Cliquei em Fale com a Presidenta.Link : http://www2.planalto.gov.br/
C)Após neste link : http://www2.planalto.gov.br/presidenta/fale-com-a-presidenta
D)E finalmente o último link : https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php

Segui o passo à passo recomendado via formulário,preenchi todos os campos nescessários.Fiz minha apresentação num breve texto,recomendação de leitura dos textos do Adriano Benayon e do Samuel Pinheiro Guimarães,e depois minha cobrança como brasileiro para Presidenta que elegi e ainda confio.

Vamos juntar pessoas interessadas em ver este debate vingar,entupindo a caixa de mensagens da PRESIDÊNCIA da REPÚBLICA.

Ao menos isso esta ao nosso alcance.Se vai ter algum efeito si,(prático e positivo,)somente o nosso poder de mobilização irá demosntrar.

Temos no mínimo que juntar forças ao redor das idéias apresentadas nos textos dos links acima e poder inserir estes temas na pauta de debates nacionais.

Responder

    FILIPPINI

    20 de julho de 2012 às 12h33

    Apenas um adendo.Não é possível acessar a página da PRESIDÊNCIA da REPÚBLICA na internet se seu navegador for Mozila Firefox.Tive que fazer via Internet Explorer.Após o preenchimento de formulário,vc receberá no e-mail cadastrado uma mensagem para confirmação do conteúdo enviado no seu e-mail.Basta seguir os passos e pronto.

    Não testei via Google Chrome.

Fabio Passos

19 de julho de 2012 às 20h21

E o Samuel Pinheiro Guimarães também alerta:

Desindustrialização e Desnacionalização
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20592


O Brasil corre o risco de uma especialização regressiva na produção agropecuária e de minérios, acompanhada de uma contração do setor industrial e de atrofia de sua capacidade tecnológica de desenvolvimento, e de vir, assim, a se tornar uma mera plataforma de produção e de exportação das megaempresas multinacionais. A desindustrialização e a desnacionalização têm graves consequências para o Brasil e para a integração sulamericana.

Responder

Edinho

19 de julho de 2012 às 19h12

Ou seja, vai piorar…

Responder

Paciente

19 de julho de 2012 às 18h38

Isso é muito velho. Já há vinte anos as transnacionais que eram Ltda se fizeram S.A,s. Muitas nem eram SA, ms se fingiam para se aproveitar das leis. E ninguém fazia nada.A Receita Federal não fazia nada.E assim enviavam lucros pois isso era permitido às S.A,s. Quem se lembra?

Responder

Paciente

19 de julho de 2012 às 18h35

Penso que a única saída é convencer diretamente os habitantes dos países que nos exploram mediante informação via jornais, internet etc, das consequencias do seu voto em seus governantes e também nossos governantes. Já que são os mesmos.
Há outra maneira? Se guerra não podemos fazer pois vamos perder. Apertos nas suas transnacionais nossos governantes são incapazes de fazer, ou acham que provocamos guerra também, digo invasão.

Responder

Paciente

19 de julho de 2012 às 17h30

Não concordo plenamente que se o governo passasse a realmente governar haveria uma invasão dos States. Eles tentariam de tudo, mas acho que não uma invasão.

Responder

ZePovinho

19 de julho de 2012 às 14h42

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-incentivos-as-montadoras-e-as-remessas-ao-exterior

Os incentivos às montadoras e as remessas ao exterior
Enviado por luisnassif, qui, 19/07/2012 – 11:57
Por Assis Ribeiro

Da Carta Capital

Montadoras: incentivo no Brasil cobre prejuízo no exterior

Gabriel Bonis

Para manter a economia brasileira fora da crise, o governo federal tem apostado alto em investimentos na indústria automobilística como um atalho para o crescimento e geração de empregos. Por isso, desde 2008 concedeu ao setor medidas para renúncia fiscal de cerca de 11,3 bilhões de reais. As empresas parecem, porém, ter aproveitado os incentivos para ajudar as matrizes em dificuldade. Isso porque, no mesmo período, as remessas ao exterior somaram 38,1 bilhões de reais, segundo o Banco Central. Ou seja, para cada 1 real renunciado em impostos a fim de ativar a cadeia produtiva do setor – que representa cerca de 20% do PIB industrial do País -, as montadoras remeteram 3,3 reais ao estrangeiro…………………

Responder

O_Brasileiro

19 de julho de 2012 às 14h01

Alguém poderia mandar esse texto para a Presidência da República e para os Ministérios da Fazenda, da Indústria e Comércio e do Planejamento…
É bom saber que há vida inteligente e não-colonizada neste país!
Dar estímulos fiscais a empresas multinacionais… Só no Brasil mesmo, onde se paga o dobro do preço por tudo!

Responder

Márcio Gaspar

19 de julho de 2012 às 13h51

Isso é óbvio, principalmente, para quem estuda História econômica, Geografia econômica, Imperialismo, Globalização, Divisão Internacional e social do Trabalho, países desenvolvidos e subsenvolvidos. A base estrutural da economia brasileira não foi mudada. Ela até foi modernizada, mas a estrutura é aquela aonde a dominãncia da economia fica com os países centrais, que detém as sedes das grandes corporações. O que são as remessas de lucros? Se não as transferencias da renda do trabalho produzido internamente pelos brasileiros. Além de sermos explorados por capitalistas estrangeiros , ainda somos explorados internamento por capitalista brasileiros alinhados ao pensamento importado. Essa estrutura de exploração está aí, montada desde o governo JK, depois com o golpe de 64 foi feito a infraestrutura para ser privatizada no governo FHC e consolidada a dominação econômica por empresas estrangeiras. O recursos naturais do Brasil são dominados por empresas estrangeiras, os que não são também se alinha para os ganhos estrangeiros em detrimento do nacional.

Responder

Márcio Carneiro

19 de julho de 2012 às 13h45

A verdade é que votamos no PT para justamente nos livrarmos dessa elite “entreguista”. Mas o PT, em vez de se livrar deles, se aliou a eles de uma maneira que nunca se viu neste país.

Responder

Fabio Passos

19 de julho de 2012 às 12h18

Análise exepcional.
O fato é que a “elite” entreguista e as oligarquias internacionais decidiram (por nós…) que o Brasil deve ser um mero exportador de commodities agrícolas/minerais para o mundo desenvolvido.

Vivemos um processo contínuo de “africanização” do Brasil desde 1990.
O ritmo pode ser mais ou menos acelerado, porém o rumo permanece constante: Subdesenvolvimento.

A questão JAMAIS será discutida com pluralidade e em profundidade no PIG. A mídia-lixo-corporativa está plenamente satisfeita com o destino definido para o Brasil: O atraso.

É preciso construir uma alternativa nacionalista de esquerda.
O Brasil tem potencial humano e de riquezas naturais para ser uma potência superdesenvolvida. Não podemos aceitar nosso subdesenvolvimento como destino inescapável.

Uma política soberana de industrialização/desenvolvimento pode mudar definitivamente o Brasil em poucas décadas.

Os exemplos da Coréia, India e China estão aí para demonstrar a possibilidade.

Não há outra razão que nos impeça senão a decisão política fruto dos jogos de interesses.

Responder

    Paciente

    19 de julho de 2012 às 17h27

    Sim. À Época da campanha para as crianças da África – lembra-se da música do Stevie Wonder? – escrevi na NET que nem perdêssemos tempo com as crianças da África, com todo respeito,pois aquilo seria o futuro das nossas. Lamentavelmente não errei.

    Ana Paula

    20 de julho de 2012 às 05h49

    Análise excepcional? Concordo. Só acho estranho você concordar, Fabio Passos. Você é o maior defensor do protecionismos às empresas transnacionais automobilísticas e todos os comentaristas do Viomundo sabem disso… Eu fiz alguns alertas semelhantes ao do Adriano em comentários anteriores e sua opinião foi de escárnio. Deve ser porque sou matemática e não economista, por que será?
    Tua opinião entra em contradição direta com o item 26. do texto:

    “Isso seria, na realidade, perder tempo. E o Brasil já se atrasou demasiado nos últimos 58 anos! Proteção para a indústria, na atual estrutura, só favorece as transnacionais e eleva os incalculáveis prejuízos que vêm causando ao País.”

    Fabio Passos

    20 de julho de 2012 às 13h30

    Olá Ana Paula.
    Gosto muito de seus comentários.
    Normalmente não tolero economistas.

    Sou grande defensor de produção industrial no Brasil.
    Prioridade para as nacionais.
    Quando ainda não existem nacionais… favorecer as transnacionais aqui instaladas

    Importar industrializados é ainda pior do que favorecer as transnacionais aqui instaladas. Não tenha dúvida.

E. S. Fernandes

19 de julho de 2012 às 12h10

Nossa, será que começamos a discutir o real;
Será que as trivialidades estão sendo abandonadas em benefício das essencialidades;
Será que voltaremos ao pré-64, quando o mundo real era efetivamente discutido;

A questão do envio de lucros ao exterior era uma das grandes questões discutidas pelo governo progressista de João Goulart: estava na agenda política deste governo algumas reformas, entre as quais taxar tais envios.

Responder

    Fabio Passos

    19 de julho de 2012 às 12h31

    A inteligência e o debate está na rede.

    Na mídia-lixo-corporativa só há propaganda neoliberal idiotizando a classe média mal-instruída.

    A realidade obriga a tomada de decisões sobre questões estruturais.
    Do contrário as oligarquias internacionais continuarão depenando o pato… até a última pena do rabo.

    Paciente

    19 de julho de 2012 às 17h29

    Sim. A ignorante classe média não percebe que nesse cenário não haverá lugar para ela, no futuro.Buy buy shoppings… e empregos…

Willian

19 de julho de 2012 às 12h01

Estes valores ou produtos vendidos entre subsidiárias de uma mesma empresa em países diferentes chamam-se “Preços de Transferência”. Existem parâmetros mundiais para quantificar os valores corretos nestas transações. Cabe a Receita Federal do Brasil efetuar a fiscalização, mas, ao que parece, ela está mais preocupada em pegar os assalariados na malha fina.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.