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Eduardo Galeano: “Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?”

23 de novembro de 2012 às 17h07
Eduardo Galeano: “Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou”

por Eduardo Galeano, em Pragmatismo político, via Agência Alba

Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

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Kasrils:”O que Israel faz com os palestinos é pior que o apartheid” « Viomundo – O que você não vê na mídia

30/11/2012 - 20h44

[…] Eduardo Galeano: “Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?” […]

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Mardones Ferreira

30/11/2012 - 10h01

Pois é. Hitler e seus associados matam milhões de judeus. E os Palestinos pagam com a vida por esses crimes patrocinados pelos Estados Unidos, cujo chefe reeleito ganha o Nobel da ‘Paz’.

Paz de quem?! Certamente não é a paz dos Palestinos. Mas a paz dos alemães, canadenses, israelenses, britânicos…

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Jaques O. Carvalho

28/11/2012 - 15h11

Vejam esses dois artigos em inglês que ilustram bem a questão:
http://836.nl.sl.pt/
http://836.od.sl.pt/

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Luca K

27/11/2012 - 01h10

@BetoW
Não, não acho q exista uma ‘grande conspiração judaica’… explico depois. Quanto aos rabinos, you missed my point! Mas possivelmente eu não tenha elaborado suficientemente, tentarei fazê-lo noutra oportunidade. Ah, os rabinos em questão são bem mais influentes do q vc imagina!
Abs

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Pedro

26/11/2012 - 09h38

Mandei o artigo do Galeano a um amigo. Posto, agora, aqui, o que escrevi depois da resposta dele.
Bom dia. Dizem que domingo é o dia do Senhor e de descanso. Como aposentado, desde sempre de religião, e tendo todos os dias como dia de descanso, vou tentar conversar um pouco com você. Vamos lá.
Em primeiro lugar acho que o artigo do Galeano diz tudo e já seria uma resposta, penso que a melhor, ao que você escreveu. Supor que Galeano ignore todas essas coisas que você diz a respeito de eleições e sobre o nosso mundo capitalista, já é demais. Ele não só não ignora, como é combatente da primeira fila contra todas as manifestações que o capitalismo caprichosamente criou em nossa época, inclusive Israel.
Israel é um apêndice do império americano, apêndice bem ativo. Basta ver que tem o quarto maior exército do mundo com uma população parasita que só pode ter como perspectiva gastar armas e ser reabastecida pelo seu patrão. 200 artefatos atômicos não é pouca coisa para uma população tão diminuta. A questão fundamental de Israel é a eternização do capitalismo. Esquece, talvez, que tantas bombas atômicas não vai salvar ninguém. Se lembra do que disse Einstein sobre a terceira guerra mundial? Estão preocupados agora em saber quais eram as medidas do cérebro de Einstein e chegam a dizer que a teoria relativista está lá. Estão fazendo com o cérebro de Einstein algo muito parecido com aquilo que o cineasta alemão Herzog mostra em seu inesquecível filme intitulado Kaspar Hauser, que é o nome da personagem principal. Kaspar Hauser apresenta várias deficiências, mentais e físicas. Por ocasião de sua morte, seu cérebro é retirado para ser estudado. Essa façanha científica é levada a efeito por um “cientista”, um nazistinha, que manca e que, ao andar, não obedece exatamente à lei da gravidade. É o mesmo que fez uma revista, que entre nós se arroga um certo monopólio científico, ao publicar essa coisa bem ao gosto nazista sobre o cérebro de Einstein. Sobre o Einstein pacifista muito pouco se fala. O capitalismo, essa sociedade decadente, é o que o império e sua colônia Israel querem defender. Você tem lido sobre o bloqueio a Cuba e sobre os países que votam na ONU pela sua manutenção? Pois é, além de umas ilhas que ninguém sabe onde ficam, e ninguém conseguiu achar nos mapas, votam pela sua permanência o patrão e o servo, Estados Unidos e Israel. Não sei exatamente quantos são os países que têm voto na ONU, mas sei que são esses dois e mais aquelas famigeradas ilhotas que votam contra Cuba. Por que votam contra Cuba? Isso eu não vou dizer. Apenas uma coisinha, a modo de lembrete: para que Cuba volte a ser o paraíso da prostituição, o bordel flutuante. É ou não é? É.
Vi, na sua posição de defesa do capitalismo, com o nome de Israel, algo meio arcaico. É o que vejo nessa coisa de defender Israel por ser descendente de judeu. Coisa que Israel eliminou totalmente. Israel, como seu poderoso patrão, está pouco se lixando pra isso. O negócio, o bom negócio, um dos mais lucrativos atualmente, é a guerra. Essa é a motivação. Mas isso nem precisa de teoria, nem de grandes considerações. Aos que dizem isso, de boca cheia logo se classifica: antisemita. Fácil, fácil. E fica aberto o caminho para a barbárie capitalista. Mas tem gente, e tenho certeza que não é o seu caso, que, como Fernando Henrique Cardoso, acha que o único mundo possível é a decadência capitalista.
Fiquei surpreso de ver você repetir a versão do império, e de suas colônias europeias, sobre a Síria. Acho que você parece estar lendo apenas a imprensa inimiga do PT e que divulga o mensalão como a verdade dos 5% que crê nela e odeia o Lula. Essa imprensa que semeou golpes de direita por toda a América Latina, que pôs os militares no poder, que se lambuzou nos crimes mais odiendos, que torturou até o desespero e a morte mais cruel, na Argentina, 30 mil, no Chile, uma carrada dos melhores chilenos, a mesma coisa no Uruguai e no Brasil. Voce sabe que é essa mesma imprensa que divulga essas coisas que você repete no que escreveu contra Galeano. E este mesmo Galeano é um dos sobreviventes da sanha dessa imprensa. Não foram os militares e os policiais que mataram o que havia de melhor nessa nossa América Latrina, que torturaram até a morte, que jogaram milhares de pessoas no mar a partir de aviões, mas sim essa mesma imprensa que adora Israel. Que tem algo de podre, tem. E não é só na Dinamarca.
Israel é uma colônia capitalista, bem nutrida de armas, em quantidade suficiente para fazer da quarta guerra mundial um exercício para saber quem vai ser mais capaz de acertar os que sobrarem com pedras e pedaços de pau.
Repito, porque isto para mim é uma questão fundamental, Israel deu cabo dessa entidade chamada judeu. Repito, Israel chegou tarde na história e ficou na obrigação de defender a parte podre da sociedade capitalista. Não aprendeu que o nazismo já era o desespero capitalista. Chafurdou na decadência e está gostando dela. A tal ponto que ofereceu bomba atômica ao Apartheid para se defender do terrorista Mandela. Você sabe dessa história, não é? Uma escritora americana publicou um livro, fartamente documentado, sobre essa transação que não se efetivou. Curiosamente foi a Folha que publicou a história desse ato humanitário. Você sabe também, e foi recentemente publicada a documentação, que o governo inglês mandava para os campos de concentração nazistas os esquerdistas ingleses. Você acha que as barbaridades nazistas contra os judeus ficaram por aí? Você sabe que os nazistas argumentavam que os judeus eram racialmente inferiores. Isso mesmo que se divulga sobre muçulmanos, árabes. Essa coisa que as negronas que nos sustentam com seu trabalho não nos deixam esquecer.
É bom não ignorar que o capitalismo é pura concentração de dinheiro podre que não se vivifica mais. Por isso a guerra como a última palavra. Destruir, destruir, e só destruir. Destruir a Líbia, a Síria, os palestinos, e tudo o que se puder. Quanto mais, melhor. Você pensa que, por gostarmos de futebol e carnaval, estamos a salvo dessa sanha? Os torturadores que a imprensa democrática protegeu – você se lembra do papel dignificante que a Folha desempenhou então? – foram instruídos numa escola militar americana. Os americanos são bons educadores. Mas você sabe qual é o maior criminoso para esta imprensa: Stalin. Os nazistas, muitos dos que juraram não saber nada a respeito dos campos de concentração, aquela história do Holocausto, foram honrosamente recebidos pelo governo americano. Alguns, juntamente com a inegável experiência da CIA, fizeram a pequena burguesia se preparar para derrubar o muro de Berlim. Essa pequena burguesia esconde agora os muros que existem em Israel e na fronteira entre os Estados Unidos e México. E tem razão de esconder. Já Marx sabia muito bem do que era feita e do era capaz a pequena burguesia. Escreveu páginas memoráveis sobre ela.
Olha, cara, não posso esconder que fiquei surpreso com a sua reação. É evidente que divulguei o artigo do Galeano porque concordo plenamente com ele. E não é só o Galeano que diz tais coisas. Acabei de ler um artigo do Noam Chomski, que está em Gaza, que foi ver o imenso campo de concentração – que ele chama de “maior prisão a céu aberto do mundo” – que lá foi instalado. Entre as coisas que ele relata está a dieta de calorias destinada aos que lá sobrevivem. Só não é para causar a morte porque preferem gastar as armas que estão sobrando e deixar tarefa tão dignificante a esses parasitas também chamados de soldados e chamar o genocídio que praticam em Gaza de guerra defensiva. Gastar aviões, bombas, balas, foguetes. Se a gente não soubesse que mesmo um modo de produção, o feudal, que tinha todo o amparo e garantia divinos, que tinha para defendê-lo Deus, a Inquisição, o papa, todos os bispos e cardeais, impérios inteiros, boa parte do mundo mais poderoso, não resistiu ao comércio, às manufaturas, para não falar da Revolução Industrial, poderia ter que procurar um psi qualquer para resistir à barbárie capitalista. Particularmente, prefiro o que faço.
Você acha que tudo isso nada tem a ver com essa crise profunda de uma forma de civilização? Nenhuma civilização, quando foi atingida mortalmente por outra forma social que ela própria engendrou, reagiu de maneira muito diferente. Stalin, aquele dos crimes, dizia que nenhuma classe dominante entrega o poder sem luta. É o que estamos vendo. O mundo caminha inexoravelmente para a igualdade. É isto que representa o movimento Occupy Wall Street. Os que dele participam sabem, e cada dia eles têm mais certeza do que divulgam, que só lhes resta uma pobreza cada vez mais pobre no mundo capitalista. E àqueles que representam os 0,01, uma riqueza cada vez mais inútil. Uma riqueza que já tem os dias contados e que pode ter ainda uma sobrevida praticando a destruição generalizada de homens, cidades, países inteiros, povos. Povos tachados de inferiores, assim como fizeram com a África quando lá foram buscar essa negrada que a elite de S. Paulo não quer que manche suas cidades, que foi excluída da Barra, que Ipanema e Leblon destinam à cozinha… Um deles, descendente dos que serviram à Casa-Grande, está mostrando agora seu agradecimento à princesa que os aboliu da escravidão. Provou que o PT é corrupto. Mas tem mesmo que prestar esse serviço ao império. Costuma-se dizer que prostituta e comunista não se regeneram. Será que esse fado não atinge também os descendentes de escravos?
O grande inimigo? O Lula. Sabe por que? Sua palavra de ordem: que todo mundo tenha direito ao café da manhã, ao almoço e ao jantar. É um subversivo. Insuportável. Daí o mensalão. Daí tudo. Tudo mesmo. Operário presidente? Onde se viu uma coisa dessas? E apenas com 9 (nove) dedos? Semi-analfabeto. O homem do menas. É possível? O descendente de escravos, desses que sobraram da barbárie capitalista, tem curso superior, quem sabe até mesmo doutorado numa dessas universidades que pratica a ideologia capitalista mundo afora, é inimigo do Lula e amigo incondicional dos descendentes da Casa-Grande. Inimigos do povo, mas isso é coisa velha.
Essa imprensa que sabia – sabia sim – que havia uma casa em Petrópolis onde se torturava até a morte o que havia de melhor nesse nosso mundo, e depois cremados numa usina de açúcar aí pelos lados de Campos, aqui bem pertinho dela, dessa imprensa. Antonil, aquele jesuíta italiano que escreveu o melhor livro de economia sobre o Brasil, chamava a relação entre açúcar e escravidão de açúcar amargo. Isto não tem nada a ver com Zero-Kal e congêneres. Mas algo semelhante podemos ver no que fazia esse usineiro fluminense que a imprensa, essa nossa, a dali e de acolá, jamais publicou. Sabia? Sabia sim. Sabem de tudo. Contaram até o número daqueles que Stalin assassinou. Auxiliados pelos exímios aritméticos da CIA não deixaram um morto de fora. Gente competente. E sabe, cara, essa imprensa está fechada com Israel. Os palestinos, povo inferior.
A coisa está nesse ponto. O capitalismo não se aguenta mais nas pernas. Mas ainda é capaz de muita destruição. O capital já está na UTI. Você sabe, você que vive nesse mundo, quanto tempo os médicos podem sustentar vivo um moribundo. Tudo depende do seu poder. Os médicos – só para mencionar uns poucos médicos, coisa de que não gosto – são os Obama, os Netanyahu e essa malta que empobrece vergonhosamente os trabalhadores europeus fazendo uma tremenda concentração da riqueza em poucas mãos com o nome pomposo, bem cevado pela raça ignominiosa chamada de economistas, de austeridade. O império é contra isso? Sem alardear a sua austeridade, está fazendo o mesmo com a competência que ninguém lhe pode negar. Por isso o movimento que se declara os 99%.
A única coisa que pode salvar o capitalismo, portanto o império e também Israel, é uma guerra atômica. Eu disse salvar? A acreditar no que vaticinou Einstein, a quarta guerra mundial será uma intifada, isso se formos otimistas e acreditarmos que ainda vão sobrar algumas pedras. Quem sabe se o vaticínio de Einstein já não se realizou quando vemos garotos palestinos atirando pedras contra soldados israelenses!
Desejando que os domingos não acabem, desejo que eles continuem sendo um dia de descanso. Pedro

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Cláudio

26/11/2012 - 02h39

Excelente artigo em que o autor, esse magnífico Eduardo Galeano, mais uma vez diz tudo aquilo que pensamos, palavra por palavra. Uma leitura excepcional, maravilhoso artigo que nos estimula a buscar outros textos de tão boa qualidade. Parabéns também ao Viomundo, pela divulgação. Muito bom.

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Maria

25/11/2012 - 16h53

Galeano é tudo de bom…Fica difícil fazer qq tipo de comentário diante de artigo tão lúcido. Uma coisa no entanto digo, esse pessoal (governos de Israel e EUA ) estão brincando com a humanidade e fazendo despertar os mais terriveis sentimentos em relação a eles próprios. Queram o que? O holocausto II? Tenho nojo da ONU e dos demais organismos internacionais.Todos hipócritas, omissos e no mínimo, cúmplices de assassinatos em massa.

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O que você não vê na mídia sobre Gaza « Viomundo – O que você não vê na mídia

24/11/2012 - 23h32

[…] Eduardo Galeano: “Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?” […]

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Noam Chomsky: Como é tentar sobreviver na maior prisão a céu aberto do mundo « Viomundo – O que você não vê na mídia

24/11/2012 - 23h29

[…] Eduardo Galeano: “Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?” […]

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marcelo leite

24/11/2012 - 22h31

O sofrimento do povo judeu, imposto pelo nazismo alemão deveria servir como exemplo a não ser seguido, mas na realidade o que ocorre é o contrário. Israel adotou uma postura fascista e doentia, massacrando diuturnamente os palestinos. A faixa de Gaza se transformou num gigantesco campo de concentração e pelo andar da carruagem só falta os israelenses construirem os fornos para banho (de gas) para completar sua limpeza etnica.

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Gerson Carneiro

24/11/2012 - 22h23

“Como é estranha a natureza
Morta, dos que não têm dor
Como é estéril a certeza
De quem vive sem amor, sem amor”

Completamente Blue – Cazuza

Choro pela Palestina.

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renato

24/11/2012 - 21h39

Poderiam me dizer, sem ironias!
Só para conhecimento.
Onde nasceu Jesus Cristo!
Só me digam
Palestina ou Israel.
Só isto, sem entrarem em detalhes.
Por Favor!
POR FAVOR –
estou brincando, não me respondam!

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Regina Braga

24/11/2012 - 20h18

Ninguém deu o direito a Israel…mas as vítimas do holocausto, acham que: podem ser, tbém os provedores do holocausto.Excelente o artigo.Cada dia, mais vozes, estão se levantando, contra o Estado de Israel e sua politica de extermínio.Norman Finkelstein,tbém clama ao bom senso e ao humanismo.

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Bonifa

24/11/2012 - 20h01

Israel bombardeou o escritório de uma televisão russa, que evidentemente dava notícias independentes do padrão “ocidental” sobre os acontecimentos em Gaza. Parece que a Rússia não gostou disso. Posicionou em frente à costa de Gaza um daqueles navios que sozinho é capaz de sustentar e ganhar uma guerra contra uma potência média. E mais dois navios de desembarque de tropas e um de apoio e combustível. A desculpa foi a de sempre, diplomática: Os navios estão lá para evacuarem os russos de Gaza, se houver necessidade. Quantos russos? Cinco ou seis? O certo é que o tiro ao alvo por lá parece que deu mesmo uma trégua.

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Luca K

24/11/2012 - 18h48

Como disse antes, o ‘antissemitismo’ é na essência, resultado de vários tipos de conflitos inter-étnicos. Os Palestinos, na medida em q não gostam de judeus, não gostam pq foram e são por eles brutalmente tratados. Vejamos um exemplo europeu: Ucrânia. Voltemos à idade média; Sistema de arrenda, arranjo feito entre a nobreza polonesa dona de terras na Ucrânia e os judeus q agiam como intermediários, como capatazes. Os poloneses raramente visitavam as propriedades q eram administradas pelos judeus q por sua vez exploravam brutalmente os camponeses ucranianos.( E pq os nobres poloneses selecionaram judeus e não outros ucranianos para o serviço? Há outro insight aqui.) Até q estes últimos se revoltaram e passaram os judeus a fio de espada. Passaram tb os poloneses, mas não havia muitos por lá, pelo motivo já explicado. Na rebelião de 1648 os camponeses ucranianos apoiados pelos cossacos e pelo tártaros da Criméia se insurgiram contra o domínio polonês, realizado na prática pelos seus agentes judeus. Fast forward pra tempos bem mais recentes, séc 20. Comunistas tomam o poder na Rússia. Os judeus foram elemento chave na revolução, inclusive ocupando a maior parte dos altos cargos. Nas polícias secretas inclusive, Cheka e NKVD. Até expurgos em 1938, a maioria das posiçoes de alto escalão no NKVD eram ocupadas por judeus que representavam um pequeníssimo porcentual da populaçao como um todo. O historiador judeu Leonard Schapiro escreveu: “Anyone who had the misfortune to fall into the hands of the Cheka, stood a very good chance of finding himself confronted with, and possibly shot by, a Jewish investigator.”
Na Ucrania, “Jews made up nearly 80 percent of the rank-and-file Cheka agents,” relata W. Bruce Lincoln, um professor norte-americano de história russa. Não espanta que mais tarde, na década de 1940 durante a guerra, ucranianos tenham cometido pogroms contra judeus.
Ou seja, não se trata dos ucranianos loucamente odiando judeus. O interessante aqui é que a rebelião contra o sistema de Arrenda evidencia um padrão que o historiador J.Rose entre outros, relata ser comum nas relações entre os judeus e os governantes das terras onde se estabeleciam e que voltaria no tempo até a época de Alexandre o grande e continua até tempos recentes. Essa relação é a dos judeus oferecendo suas habilidades em troca de autonomia e vantagens pecuniárias. Esses arranjos em geral envolvem os judeus como intermediários de uma elite predatória – e em muitos casos estrangeira – e o uso de medidas opressivas contra os gentis pobres. John Rose cita a semelhança do sistema Cleruch no Egito dos Ptolomeus e o sistema arrenda. No egito dos Ptolomeus a elite tb era estrangeira: grega ou macedônica.

Responder

    Jair de Souza

    24/11/2012 - 22h23

    Sabe, Luca K, agora vai ficando cada vez mais claro o que nos diferencia, apesar de que você e eu nos manifestamos contra a política do Estado de Israel. Eu sou antissionista convicto, você é muito mais judeófobo (alguém que odeia os judeus). Os palestinos não odeiam os judeus porque são judeus. Isto é coisa recente. Palestinos muçulmanos conviveram com judeus semitas autóctones por milênios sem nenhum tipo de problema significativo. Foi somente com a chegada dos sionistas europeus que a situação mudou. E o ódio aos judeus de forma generalizada entre parte dos palestinos só existe porque os sionistas fazem de tudo para que o resto do mundo veja as noções de judeu e de sionista como equivalentes. Claro, para você não há nenhum problema com relação a isto, você também vê a coisa assim. Mas, há outros, como eu, que não acreditamos que aqui tenhamos um problema racial, religioso, ou uma maldade inerente a nenhum grupo humano. Nós vemos a questão como confrontos criados por interesses de classes dominantes, mas não como o resultado da tendência natural das pessoas que por ventura nasceram em famílias de cultura ou religião judaica.

    O que você cita sobre o papel dos judeus na Polônia pré-capitalista é algo sobre o que eu pessoalmente creio ter um certo conhecimento. Estudei com muita atenção o livro de Israel Shahak onde ele aborda esta questão. Sim, entendo que é certo, boa parte dos algozes dos camponeses que atuavam a serviço dos grandes senhores (todos estes “bons” cristãos) era composta por judeus. Este fato justifica o ódio das massas camponesas em relação com os judeus. É que, para essas massas camponesas, os únicos judeus que existiam eram aqueles que vinham para extorquir-lhes ao máximo em nome dos grandes proprietários. Portanto, é perfeitamente compreensível que esse sentimento de repulsa aos judeus como um todo tenha se espalhado entre as massas camponesas.

    Agora, ser compreensível, ser explicável, não significa que também seja necessariamente justo. No caso, não era justo, porque, embora existissem de fato uma importante participação de judeus entre esses agentes dos grandes senhores de terras (repito, todos eles muito “bons” cristãos), eles nunca chegaram a constituir uma parcela numericamente considerável do conjunto de judeus existentes na Polônia. Ou será que você acredita que os grandes senhores de terras (todos muito “bons” cristãos, recordo novamente) contavam com milhões de agentes judeus? Sim, por que os judeus chegavam a vários milhões por ali. O erro do camponeses ao generalizar seu ódio ao conjunto dos judeus pode ser entendido, como já tentei explicar, por sua ignorância sobre os outros judeus, que não viviam no campo, já que os “bons” cristãos sempre se esmeraram em proibir que os judeus trabalhassem a terra na Europa. Mas, os que defendem essa generalização atualmente não podem ser desculpados pela carência de informação. Nada disto! Os que defendem esta posição estão agindo imbuídos de um sentimento que eu não posso classificar de outra forma que preconceituoso.

    Já no que toca a participação dos judeus no movimento comunista, sua posição não difere para nada daqueles que comandaram a máquina de matar do nazismo. Ou seja, uma posição de extrema direita.

    Vai ficando claro para mim que você não é um crítico do colonialismo europeu, o colonialismo que foi responsável pelas principais tragédias humanas já ocorridas. Os maiores crimes e as maiores mazelas já cometidas por seres humanos contra outros seres humanos foram praticadas pelas forças colonialistas europeias. O próprio sionismo é mais um desses crimes cometidos por forças europeias contra povos não europeus.

    Sou daqueles que não considero que Israel é uma simples marionete nas mãos do imperialismo estadunidense. Mas, por outro lado, acho uma tolice sem tamanho a crença de que Israel força os Estados Unidos a agir contrariamente a seus interesses. Ora, quais são os interesses dos Estados Unidos? Será que alguém crê que o governo dos Estados Unidos considera que seus interesses são os interesses das maiorias populares dos Estados Unidos? Na verdade, os diferentes governos dos Estados Unidos através da história, assim como os atuais, sempre agiram de acordo com os interesses daqueles que comandam as grandes corporações que dominam a economia e o destino real do país.

    Todos sabemos que a indústria armamentista é um dos principais pilares da economia estadunidense. Será que estas corporações que vivem da fabricação de instrumentos de matar estão perdendo negócios com a aliança com Israel? Será que todos os grandes comandantes dessas corporações, gente como Dick Cheney e Donald Rumsfeld (que não são judeus), são uns “bobinhos” que podem ser enganados pelos sionistas espertos? Se há alguém que assim acredita, sinto dizer, mas se trata, ele sim, de um verdadeiro ingênuo. O que há é confluência de interesses. Se não houvesse tal coisa, esta aliança com Israel já teria acabado há muito tempo. Isto no caso de que tivesse até mesmo começado a existir.

    As potências europeias também têm interesses nesta aliança. Interesses materiais concretos e interesses geopolíticos, o que os leva a apoiar todos os crimes cometidos pela máquina de matar do sionismo. São cúmplices descarados de todos estes crimes. Devem ser moralmente condenados com a mesma veemência.

    Os sionistas que comandam o Estado de Israel desde a sua fundação são todos de ascendência europeia. No primeiro momento eram quase todos até mesmo nascidos na Europa. É isto em boa parte que explica seus sentimentos colonialistas, racistas, agressivos. Eles estão imbuídos de toda a herança do colonialismo europeu. Não têm nada a ver com os judeus semitas que habitavam aquela região em convívio com outras etnias antes da chegada dos europeus. Significa que estou dizendo que os judeus são todos bonzinhos, amáveis, etc? Não! Os judeus são tão bons ou tão maus como outros grupos religiosos, ou étnicos para os que queiram considerá-los como uma etnia.

    Os evangélicos estadunidenses (e também os brasileiros, que seguem as diretrizes deles) vêm demonstrando ser mais sionistas, mais incondicionalmente defensores de tudo o que Israel faz do que os próprios sionistas judeus. Para mim, o sionismo cristão é uma ideologia das mais nefastas existentes. No entanto, eu procuro diferenciar aqueles que comandam o sionismo cristão sabendo muito bem o que ele significa daqueles milhões de outros que o seguem sem ter clareza do que ele representa. Estes últimos podem mudar, mesmo sem deixar de ser evangélicos.

    Você parece temer a condenação do colonialismo europeu e do capitalismo. Eu não tenho medo disto. Eu sou latinoamericanista e socialista.

    Luca K

    25/11/2012 - 18h29

    Hmm… é o seguinte Jair: 1.não odeio os judeus por serem judeus, não diga BESTEIRAS. Aliás, não odeio os judeus, PONTO. Entretanto, não aprecio o comportamento médio dos judeus enquanto coletividade. Sou crítico ferrenho da oligarquia q comanda a plutocracia nos EUA, do imperialismo americano, da OTAN, das intervenções “humanitárias’(como contra a Libia e agora querem fazer o mesmo com a Síria), etc. Entretanto, NÃO embarco nessa ideologia esquerdista ridícula de q os europeus são responsaveis por todas a desgraças e crimes q já ocorreram. Imperialismo, escravidão, colonialismo, etc, NÃO SÃO privilégios da Europa, tendo sido praticados pelos mais diversos povos em diversos momentos historicos.

    A maioria das pessoas prefere mitos agradáveis a verdades desagradáveis, preferem acreditar no que é mais confortável, agradável e politicamente correto. Vc é uma dessas pessoas. Além disso, vc é tb claramente ideologicamente motivado e talvez por isso, imune aos fatos. Sua cabeça está fechada, vc não consegue pensar fora da caixinha. Outro problema reside em vc desconhecer tantos fatos q é como tentar discutir equaçao diferencial com quem nao sabe as 4 operaçoes.

    Antissionistas como vc Jair, pedem q rejeitemos o sionismo mas q abraçemos as supostas características humanísticas do judaísmo. Apesar de críticos do sionismo, acreditam que a comunidade judaica tem desempenhado um papel basicamente positiva na sociedade mas que no século XX, a maioria dos judeus de alguma forma(no seu caso, por conta das maldades européias e da influencia do nacionalismo europeu), mudou, abraçando o sionismo e seu nacionalismo étnico agressivo.

    Mas o judaísmo não é apenas “outra religião.” É ímpar entre as grandes religiões do mundo. Os valores e ethos do Judaísmo são marcadamente diferentes daqueles do Cristianismo, do Islamismo e outros. A mensagem do Cristianismo e do Islã é universal mas essa não é a mensagem do judaísmo. Seus ensinamentos não são para todas as pessoas. Sua moral não é universal. O judaísmo é uma religião para um povo em particular. A religião judaica é baseada não em uma relação entre Deus e a humanidade, mas sim em um “pacto”, ou contrato, entre Deus e um povo “escolhido”. A mensagem central das escrituras hebraicas, é de que os judeus são um grupo divinamente “escolhido” de pessoas – de uma comunidade exclusiva distinta do resto da humanidade.
    O Rabino Menachen Schneerson, o “Lubovitcher Rebe” que liderou o movimento ortodoxo judaico Chabad, com muita influência em Israel, bem como nos EUA, explicou: [Israel Shahak e Norton Mezvinsky, Jewish Fundamentalism (Londres: 1999), p. 59-60.]

    “A diferença entre um judeu e um não-judeu deriva da expressão comum,’Vamos diferenciar’. Assim, não temos um apenas o caso em que uma pessoa está apenas em um nível superior. Em vez disso, temos um caso de ‘vamos diferenciar’ entre espécies totalmente diferentes. Isto é o que precisa ser dito sobre o corpo: o corpo de um judeu é de uma qualidade totalmente diferente do corpo de [membros] de todas as nações do mundo … A realidade inteira de um não-judeu é apenas vaidade. Está escrito: ‘E os estrangeiros devem guardar e alimentar seus rebanhos “(Isaías 61:5). Toda a existencia [de um não-judeu] só existe para servir aos judeus … “. O rabino Kook, outro líder influente e muito reverenciado, expressou uma opinião semelhante: “A diferença entre uma alma judaica e as almas dos não-judeus – todos eles em todos os níveis – é maior e mais profunda do que a diferença entre a alma humana e as almas do gado “.[Israel Shahak and Norton Mezvinsky, Jewish Fundamentalism (Londres: 1999), p. ix.]
    O rabino Ovadia Yosef(e PRESTA ATENÇAO Ô JAIR, ele é SEFARADITA, nascido no Iraque), um dos mais proeminentes e influentes líderes religiosos em Israel, diz que os não-judeus (Goyim) só existem para servir aos judeus. “os Goyim nasceram apenas para nos servir”, disse o rabino Yosef durante um sermão em outubro de 2010. “Sem isso, eles não têm lugar no mundo – apenas para servir o povo de Israel.” [“Yosef: Gentiles exist only to serve Jews,” The Jerusalem Post (Israel), Oct. 18, 2010. (http://www.jpost.com/JewishWorld/JewishNews/Article.aspx?id=191782)]

    Por isso, as políticas cruéis e arrogantes de Israel, as atitudes prepotentes do “Lobby pró-Israel” ou da comunidade judaica organizada, não são uma aberração, mas estão profundamente enraizados em escritos religiosos judaicos e em séculos de tradição judaica.

    Nesse contexto vale a pena ler o que o judeu-israelense e ESQUERDISTA(já q só esses servem né Jair), Gilad Atzmon, escreve a respeito da entrevista(sobre o ataque israelense à segunda flotilha) dada pela professora de Yiddish da universidade de Harvard, Ruth Wisse. “Wisse representa, na verdade, ainda um outro olhar sobre a política de identidade judaica, e da falta total de capacidade de auto-reflexão. Seria muito mais útil se a ‘acadêmica’ parasse com seu discurso bombástico um segundo e se perguntasse – como é que os judeus têm sido sempre constantemente confrontados com firme oposição, onde quer que tenham ido e o q quer q tenham feito?[…] Ao invés de sempre culpar os gentios, eles[acadêmicos judeus] certamente estariam melhor aconselhados a, pelo menos, começar a considerar o conceito, de uma vez por todas, de que pode haver algo realmente um pouco problemático com a ideologia e a cultura judaica em si.”

    Ou o que o judeu britânico antissionista Paul Eisen, escreveu com relação a um artigo de Uri Avnery; “Mas em uma coisa nos separamos. Se Avnery pensa que os judeus americanos são hoje primeiramente americanos e judeus em 2º lugar, eu digo que ele terá uma grande surpresa. Não importa o que dizem, (ou mesmo acreditem), quando se trata de sua identidade coletiva, os judeus são sempre “primeiro os judeus” – que é o que os faz judeus.”

    beto_w

    26/11/2012 - 11h57

    Jair, excelente colocação. Não acho que o Luca odeie judeus, mas acho que ele enxerga uma grande conspiração judaica através da história, moldando o mundo de acordo com seus caprichos.

    Luca, o problema com a maior parte dos argumentos que apresentou é que eles são ou frases de religiosos ortodoxos, ou citações de trechos da bíblia. Bom, a bíblia não é o mais tolerante dos textos, e na antiguidade todos os povos se achavam especiais, melhores que os outros, e escolhidos por alguma divindade. Até hoje em dia, brasileiro se acha melhor que argentino, americano se acha melhor que canadense, francês se acha melhor que o resto do mundo.

    Além do mais, a bíblia também é usada por outras religiões, segundo muitas das quais, se você não aceitar um certo carpinteiro do vilarejo de Nazareth como seu salvador (o que quer que signifique isso), sua alma está condenada a queimar no inferno por toda a eternidade.

    Quanto às citações de rabinos, pode ser que estejam fora de contexto, pode ser que não, mas vamos deixar uma coisa bem clara: a maioria esmagadora (eu chutaria uns 90%) dos judeus no mundo todo é laica, ou seja, podem até ir à sinagoga algumas vezes por ano e seguir alguns costumes. Mas essa maioria não segue nenhum rabino e não dá a mínima para o que eles dizem. Portanto, cuidado com suas afirmações “com muita influência em Israel, bem como nos EUA”, “líder influente e muito reverenciado” ou “um dos mais proeminentes e influentes líderes religiosos em Israel”. A influência desses caras é bem restrita ao seu círculo de seguidores ultra-ortodoxos. O próprio Ovadia Yosef é figura bem polêmica com um histórico de sermões radicais, e tratado pela maioria dos israelenses como um velhinho fanático.

    Por outro lado, como eu já disse antes, infelizmente eu devo assumir que há uma parcela considerável de judeus que acha que nós somos superiores aos outros, ficam se vangloriando de vários judeus ganhadores do Prêmio Nobel, vários judeus com nomes famosos ligados a descobertas científicas e ao avanço da ciência. Essas pessoas chegam a ser arrogantes nesse ponto. Não que esteja errado se orgulhar deles. Isso, e eu já disse antes, tem um motivo simples de explicar – a educação é um valor muito importante na cultura judaica.

    Mas mesmo essas pessoas não devem concordar com os sermões radicais de Ovadia Yosef, ou de Rav Kook. Se existem judeus fanáticos que acreditam que somos o “povo escolhido” e que os outros existem para nos servir? Devem existir. Mas, na minha experiência, são poucos.

Luca K

24/11/2012 - 18h26

Esse papo do Galeano – e de muito outros – de Israel como um ‘vassalo’, uma ponta de lança do imperialismo estadunidense – do qual sou feroz crítico – NÃO SE sustenta. Vejam aqui: Ex-deputada americana sobre a força do lobby pró-Israel https://www.youtube.com/watch?v=MeVBa4lSscw&feature=related
pro-israel lobby na Inglaterra, documentario; https://www.youtube.com/watch?v=Cs7P-4kIa7o, nos EUA: https://www.youtube.com/watch?v=N294FMDok98
lEIAM os livros do prof.Petras http://www.amazon.com/Rulers-Ruled-US-Empire-Militants/dp/093286354X/ref=sr_1_8?s=books&ie=UTF8&qid=1353788429&sr=1-8&keywords=james+petras+books, http://www.amazon.com/Power-Israel-United-States/dp/0932863515/ref=sr_1_3?s=books&ie=UTF8&qid=1353788429&sr=1-3&keywords=james+petras+books
Ou ‘The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy’ dos profs.Walt e Mearsheimer, sobre como os lobbies pró-Israel têm influenciado decisivamente a politica externa americana, particularmente no Oriente Médio.

Responder

Sul 21 » Eduardo Galeano: “Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?”

24/11/2012 - 17h35

[…] Galeano é escritor uruguaio. Este artigo foi publicado originalmente no site Viomundo e em Pragmatismopolítico, via Agência […]

Responder

Fernando

24/11/2012 - 17h25

Sem falar que o holocausto é superestimado.

Genocídio mesmo foi o que fizeram e fazem com os índios na América desde 1498, em especial nos séculos XV e XVI.

Responder

anac

24/11/2012 - 14h14

Os Europeus deveriam pagar a conta. É simples. Os devedores são os europeus, que, não sei o motivo e nem quero saber, rsolveram por seculos perseguir e matar o povo judeu.
Os palestinos são vitimas.

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Urbano

24/11/2012 - 11h52

Os meninos são bonzinhos… inclusive tratam muito bem os velhos, mulheres e crianças palestinos, todos desarmados e altamente vulneráveis, enquanto eles armados até os dentes. Muito bonzinhos mesmo. Crianças jogando bola e uma delas leva um tiro no meio da testa; muito bonzinhos mesmo. Dei-me licença, senhora… Além do mais, que guerra é essa se um dos lados não possui regularmente um exército, marinha nem aeronáutica? Os palestinos estão sendo massacrados e não têm nem o direito de espernear?

Responder

Pedro

24/11/2012 - 11h27

Digo que não li tudo o que os blogs têm publicado sobre o belicismo de Israel, colônia poderosa do império. Do que li, este é o melhor artigo, de longe. Galeano é bom mesmo. Fabricar armas e gastá-las parece que é tudo o que resta ao império e às suas colônias européias.

Responder

Francisco

24/11/2012 - 07h12

O problema é o “anualão”.

Explico..

De quatro em quatro anos dois sujeitos precisam desesperadamente de uns oitocentos milhões de dólares cada, nos EEUU.

Pois bem, Israel dá a propina.

Em troca, o desses caras que ganhou a eleição (para a qual precisava da grana), estimula os estudios de cinema de sua terra a pintar os palestinos como capetas e, mais importante…

Pelo pedagio pago, deixa Israel fazer o que quiser, com quem quiser, quantas vezes quiser, na hora que quiser e na posição que quiser.

O(s) nosso(s) mensalão(ões) é(são) pinto…

Responder

    Luca K

    24/11/2012 - 18h13

    É bem por aí.

Galo Depenado Pelo Apito

24/11/2012 - 00h15

Jurei que nunca mais ia comentar mais aqui, mas não aguentei…COVARDES estão por toda parte…e dei sonoras risadas como terminou a carreira do futebolista argelino, que preferiu “defender” a bandeira de seus algozes, a defender a de sua terra natal, o “grande craque” Zinedine Zidane. Talvez seja por isto, que o ordinario Gornaldo, juntamente com seu despatriado e depois humilhado em terras de Putin,Roberto carlos(DEUS perdoe o nosso REI) na eleiçao de 2010 deram apoio geral e irrstrito ao Pade Çerra…deve ser por isto que Dilma o colocou na condução da copa….VALHA-ME DEUS!!!
QUE PAIS É ESTE?

Responder

Raul Bando People

23/11/2012 - 23h34

Israel é o promotor do holocaustro moderno, com a ajuda dos iankes. Armas, espionagem, agiotagem, empresas corruptas, milionários corruptos. Disso eles entendem.
Vem NIBIRU, vem…

Responder

Thomas Nok

23/11/2012 - 23h26

Há o que comentar num artigo tão bem escrito como esse. Parabéns, Eduardo Galeano.
As crianças são mortas pensando no futuro…

Responder

Gerson Pompeu

23/11/2012 - 22h38

EU Admiro quem saiba responder à essa pergunta.

Responder

Jade

23/11/2012 - 21h59

Segunda-feira à noite, em Barcelona.

No restaurante, uma centena de advogados e juízes se reuniram para ouvir minhas opiniões sobre o conflito do Oriente Médio. Eles sabem que eu sou um barco heterodoxo, no naufrágio do pensamento único, que impera em meu país, sobre Israel. Eles querem me escutar.

Alguém razoável como eu, dizem, por que se arrisca a perder a credibilidade, defendendo os maus, os culpados? Eu lhes digo que a verdade é um espelho quebrado, e que todos nós temos algum fragmento.
E provoco sua reação: “Todos vocês acreditam ser especialistas em política internacional, quando falam de Israel, mas na realidade não sabem nada”.

Será que vocês se atreveriam a falar do conflito de Ruanda, da Caxemira, da Chechênia? Não. Vocês são juristas, sua área de atuação não é a geopolítica.

Porém com Israel vocês se atrevem. Todo mundo se atreve. Por quê?
Porque Israel está sob a lupa midiática permanentemente e sua imagem distorcida contamina os cérebros do mundo.
E, porque faz parte do politicamente correto, porque parece solidário, porque falar contra Israel é de graça.

E, assim, pessoas cultas, quando leem sobre Israel ficam dispostas a acreditar que os judeus têm seis braços, igual como na Idade Média, elas acreditavam em todo tipo de barbaridades. Quando se trata dos judeus do passado e dos israelenses de hoje, tudo vale.
A primeira pergunta, então, é por que tanta gente inteligente se torna idiota quando fala de Israel…

O problema dos que não demonizam Israel, é que não existe debate sobre o conflito, existe rotulação; não trocamos ideias, aderimos aos slogans; não desfrutamos de informações sérias, sofremos de jornalismo tipo hambúrguer, fast food, cheio de preconceitos, propaganda e simplismo.

O pensamento intelectual e o jornalismo internacional, abdicaram de Israel. Não existe. É por isso que quando alguém tenta ir além do pensamento único, se torna suspeito e reacionário, e é imediatamente segregado.

Por quê? Eu tento responder a esta pergunta há anos: por quê? Por que de todos os conflitos do mundo, só este interessa? Por que se criminaliza um pequeno país, que luta por sua sobrevivência? Por que a mentira e a manipulação informativa triunfam, com tanta facilidade?
Por que tudo é reduzido a uma simples massa de imperialistas assassinos? Por que as razões de Israel nunca existem? Por que as culpas palestinas nunca existem? Por que Arafat é um herói e Sharon um monstro? Em definitivo, por que, sendo o único país do mundo ameaçado com a destruição é o único que ninguém considera como vítima?

Eu não acredito que exista uma única resposta a estas perguntas. Da mesma forma como é impossível explicar completamente a maldade histórica do antissemitismo, também não é possível explicar a imbecilidade atual do anti-Israelismo.
Ambos bebem das fontes da intolerância, da mentira e do preconceito.
Se, ademais, nós aceitarmos que o anti-Israelismo é a nova forma do antissemitismo, concluímos que mudaram as circunstâncias, mas se mantiveram intactos os mitos mais profundos, tanto do antissemitismo cristão medieval, como do antissemitismo político moderno. E esses mitos desembocam nos relatos sobre Israel.

Por exemplo, o judeu medieval que matava crianças cristãs para beber seu sangue, se conecta diretamente com o judeu israelense que mata crianças palestinas para ficar com suas terras. Sempre são crianças inocentes e judeus obscuros.

Por exemplo, os banqueiros judeus que queriam dominar o mundo através dos bancos europeus, segundo o mito dos Protocolos (dos sábios de Sion), se conectam diretamente com a ideia de que os judeus de Wall Street dominam o mundo através da Casa Branca.

O domínio da imprensa, o domínio das finanças, a conspiração universal, tudo aquilo que se configurou no ódio histórico aos judeus, desemboca hoje no ódio aos israelenses.

No subconsciente, portanto, pulsa o DNA antissemita ocidental, que cria um eficaz adubo de plantio. Mas, o que pulsa no consciente? Por que hoje surge com tanta virulência uma renovada intolerância, agora centrada, não no povo judeu, mas sim no estado judeu?
Do meu ponto de vista, há motivos históricos e geopolíticos, entre eles o brutal papel soviético durante décadas, os interesses árabes, o antiamericanismo europeu, a dependência energética do Ocidente e o crescente fenômeno islâmico.

Mas também surge de um conjunto de derrotas que sofremos como sociedades livres e que desemboca em um forte relativismo ético.
Derrota moral da esquerda. Durante décadas, a esquerda levantou a bandeira da liberdade, onde houvesse injustiça, e foi a depositária das esperanças utópicas da sociedade. Foi a grande construtora do futuro.

Apesar da maldade assassina do stalinismo ter enterrado essas utopias e ter deixado a esquerda como o rei desnudo, despojado de roupa, ela conservou intacta sua auréola de luta, e ainda rotula o modelo dos bons e dos maus do mundo. Até mesmo aqueles que nunca votariam em posições de esquerda, concedem um grande prestígio aos intelectuais de esquerda, e permitem que sejam eles os que monopolizam o conceito de solidariedade…

Essa traição histórica para com a liberdade se reproduz, no momento atual, com precisão matemática. Também hoje, como ontem, essa esquerda perdoa ideologias totalitárias, se encanta com ditadores e, em sua ofensiva contra Israel, ignora a destruição de direitos fundamentais.

Odeia os rabinos, mas se encanta com os imãs; grita contra o Tzahal (Exército israelense), mas aplaude os terroristas do Hamas; chora pelas vítimas palestinas, mas desdenha das vítimas judias; e, quando se comove pelas crianças palestinas, só o faz se puder culpar aos israelenses. Nunca denunciará a cultura do ódio, ou a sua preparação para a morte, ou a escravidão que suas mães sofrem. E enquanto hasteia a bandeira da Palestina, queima a bandeira de Israel.

Faz um ano, no Congresso do AIPAC em Washington, eu fiz as seguintes perguntas: “Que profundas patologias distanciam a esquerda de seu compromisso moral? Por que não vemos manifestações em Paris, ou em Barcelona, contra as ditaduras islâmicas? Por que não há manifestações contra a escravidão de milhões de mulheres muçulmanas?

Por que não se manifestam contra o uso de crianças-bomba, nos conflitos que envolvem o Islã? Por que a esquerda só está obcecada em lutar contra duas das democracias mais sólidas do planeta, e as que têm sofrido os ataques mais sangrentos, os Estados Unidos e Israel?”

Por que a esquerda, que sonhou utopias, deixou de sonhar, quebrada no muro de Berlim do seu próprio fracasso. Já não tem ideias, e sim slogans. Já não defende direitos, mas sim preconceitos. E o preconceito maior de todos é o que tem contra Israel.
Eu acuso, portanto, de forma clara: a principal responsabilidade pelo novo ódio antissemita, disfarçado de anti-Israelismo, provém daqueles que deveriam defender a liberdade, a solidariedade e o progresso.

Longe disto, eles defendem os déspotas, esquecem de suas vítimas e se calam diante das ideologias medievais que querem destruir a civilização. A traição da esquerda é uma autêntica traição à modernidade. Derrota do jornalismo.

Temos um mundo mais informado do que nunca, porém não temos um mundo melhor informado. Pelo contrário, as estradas da informação nos conectam com qualquer ponto do planeta, porém não nos conectam nem com a verdade, nem com os fatos. Os jornalistas atuais não precisam de mapas, porque têm o Google Earth, não precisam conhecer a história, porque têm a Wikipédia.

Os jornalistas históricos que conheciam as raízes de um conflito, ainda existem, mas são uma espécie em extinção, devorados por este jornalismo que oferece notícias fast food, para leitores que desejam informações fast food.

Israel é o lugar mais vigiado do mundo, mas, entretanto é o lugar menos compreendido do mundo. Claro que, também influencia a pressão dos grandes lobbys dos petrodólares, cuja influência no jornalismo é sutil, mas profunda. Qualquer mídia de massa sabe que se falar contra Israel não terá problemas.

Mas, o que acontecerá se criticar um país islâmico? Sem dúvida, então, a sua vida ficará complicada. Não nos confundamos. Parte da imprensa, que escreve contra Israel, se veria refletida em uma aguda frase de Goethe: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se acha livre, sem sê-lo”. Ou também em outra, mais cínica de Mark Twain: “Primeiro conheça os fatos e depois os distorça o quanto queira”.

Derrota do pensamento crítico. A tudo isto, é necessário somar o relativismo ético, que define o momento atual, e que é baseado, não na negação dos valores da civilização, mas na sua banalização.

O que é a modernidade?
Pessoalmente a explico com este pequeno relato: se eu me perdesse em uma ilha deserta, e quisesse voltar a fundar uma sociedade democrática, só necessitaria de três livros: as Tábuas da Lei, que estabeleceram o primeiro código de comportamento da modernidade.
“O não matarás, não roubarás”, fundou a civilização moderna.
O código penal romano.
E a Declaração dos Direitos Humanos.
E com estes três textos, começaríamos novamente.

Estes princípios que nos endossam como sociedade, são relativizados, até mesmo por aqueles que dizem defendê-los. “Não matarás”, depende de quem seja o objeto, pensam aqueles que, por exemplo, em Barcelona, se manifestam aos gritos a favor do Hamas.
“Vivam os direitos humanos”, depende de a quem se aplica, e por isso milhões de mulheres escravas não preocupam.
“Não mentirás”, depende se a informação for uma arma de guerra a favor de uma causa. A massa crítica social se afinou e, ao mesmo tempo, o dogmatismo ideológico engordou. Nesta dupla mudança de direção, os fortes valores da modernidade foram substituídos por um pensamento fraco, vulnerável à manipulação e ao maniqueísmo.

Derrota da ONU. E com ela, uma firme derrota dos organismos internacionais, que deveriam cuidar dos direitos humanos, e que se tornaram bonecos destroçados nas mãos de déspotas. A ONU só serve para que islamofascistas, como Ahmadinejad, ou demagogos perigosos, como Hugo Chávez, tenham um palco planetário de onde cuspir seu ódio. E, claro, para atacar Israel sistematicamente. A ONU, também, vive melhor contra Israel.

Finalmente, derrota do Islã. O Islã das luzes sofre hoje o ataque violento de um vírus totalitário, que tenta frear seu desenvolvimento ético. Este vírus usa o nome de D’us para perpetrar os horrores mais inimagináveis: apedrejar mulheres escravizá-las, usar grávidas e jovens com atraso mental como bombas humanas, educar para o ódio, e declarar guerra à liberdade. Não esqueçamos, por exemplo, que nos
matam com celulares conectados, via satélite, com a Idade Média.

Se o stalinismo destruiu a esquerda, e o nazismo destruiu a Europa, o fundamentalismo islâmico está destruindo o Islã. E também tem, como as outras ideologias totalitárias, um DNA antissemita. Talvez o antissemitismo islâmico seja o fenômeno intolerante mais sério da atualidade, e não em vão afeta mais de 1,3 bilhões de pessoas educadas, maciçamente, no ódio ao judeu.

Na encruzilhada destas derrotas, se encontra Israel. Órfão de uma esquerda razoável, órfão de um jornalismo sério e de uma ONU digna, e órfão de um Islã tolerante, o Estado de Israel sofre com o paradigma violento do século XXI: a falta de compromisso sólido com os valores da liberdade.

Nada é estranho. A cultura judaica encarna, como nenhuma outra, a metáfora de um conceito de civilização que hoje sofre ataques por todos os flancos. Vocês são o termômetro da saúde do mundo. Sempre que o mundo teve febre totalitária, vocês sofreram. Na Idade Média fascismo europeu, no fundamentalismo islâmico. Sempre, o primeiro inimigo do e confusão social, Israel encarna, na própria carne, o judeu de sempre.

Um pária de nação entre as nações, para um povo pária entre os povos.
É por isso que o antissemitismo do século XXI foi vestido com o disfarce efetivo da crítica anti-Israel.
Toda crítica contra Israel é antissemita?
Não. Mas, todo o antissemitismo atual transformou-se no preconceito e na demonização contra o Estado Judeu. Um vestido novo para um ódio antigo.

Benjamim Franklin disse: “Onde mora a liberdade, lá é a minha pátria”.
E Albert Einstein acrescentou: “A vida é muito perigosa. Não pelas pessoas que fazem o mal, mas por aquelas que ficam sentadas vendo isso acontecer”.

Este é o duplo compromisso aqui e hoje: nunca se sentar vendo o mal passar e defender sempre as pátrias da liberdade.

Responder

    Forest Gump

    24/11/2012 - 00h04

    Gostaria que você fala-se um pouco dos refusenicks…

    Luca K

    24/11/2012 - 00h13

    Buhahahahahaha, quanta besteira! Mas olha, sem querer, aqui e ali, vc(ou a pessoa q escreveu esse texto ridículo) acertou! Será q vc advinha onde? ;-P
    Ex- soldada israelense Maya Wind, uma mina corajosa, diz a verdade sobre israel e sobre os israelenses! http://www.youtube.com/watch?v=NTAvst5mxW4&feature=player_embedded

    EDU MOISÉS

    24/11/2012 - 11h47

    Luca K.Bota besteira nisso.Acho q ele ficou empolgado com a audiência q o escutava e esqueceu de editá-la.Bastaria ele trocar as referências antisemita e de vítimas de judeus por racismo de Israel e das vítimas histórica do povo palestino q aí o texto verdadeiro.

    NPFreitas

    24/11/2012 - 10h06

    Sem volteios, a questão é simples: Como não ficar ao lado da minoria massacrada? Apesar de todo o esforço da mídia “institucionalizada”, como não questionar diante da notícia da morte de mais de 100 palestinos contra 6 israelenses?

    Maria Libia

    24/11/2012 - 13h50

    JADE: As gangues sionistas, antes do estado de israel (pequeno mesmo) expulsavam os palestinos de suas casas, promoviam massacres, espalhavam o terror, tomavam as cidades árabes, mudavam seus nomes e construiam nelas lares para judeus que fugiam da perseguição na Europa. BEN GURION, GOLDA MEIR, etc.etc., foram terroristas. Esta tragédia conta com documentação farta, com a abertura dos arquivos sionistas, em meados dos anos 70. Desde 2000, estima-se que 11.700 crianças palestinas foram detidas e processadas, sem direito a defesa. Mordechai Vanunu, judeu, técnico da central nuclear de Dimona e que, em 1986, deu detalhes do programa nuclear de israel (pequeno mesmo), ficou 18 anos preso, 11 deles numa cela solitária, e em 2004 foi libertado. Esta impedido de mudar de residência, entrar em contrato com estrangeiros sem autorização prévia e de deixar israel (pequeno mesmo). Para você, JADE, que gosta de frases: EINSTEN: “Nasceram com cérebro por engano, bastava-lhes a medula espinhal”. “Só existe uma coisa maior que o Universos: A ESTUPIDEZ HUMANA”. MALCOM “Se voce não cuidar, os jornais farão voce odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo”. ABRAHAM LINCOLN: “É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que voce é um idiota, do que falar e acabar com a dúvida.” ANÔNIMO: “Um país que destrói outro para poder existir JAMAIS poderá ser considerado uma DEMOCRACIA.

Julio Silveira

23/11/2012 - 21h36

Israel age com a consciência de que foi formado por usurpadores e oportunistas. Fazem a maior vingança de suas vidas contra o povo errado por absoluta consciência de que esses são mais frágeis e sucetiveis de perdas, com facil aceitação e apoio mundial.
Usam o irmão maior como garantidor e escudo para perpetração de sua agressividade.

Responder

Jair de Souza

23/11/2012 - 21h18

—–
Obrigado Eduardo Galeano por este artigo escrito com um sentimento de humanismo vindo do fundo da alma. Tomara que a grandiosidade de seu nome seja capaz de sensibilizar alguns intelectuais de ascendência judaica que ficam desesperados com o que acontece na Palestina. Sua razão e sua consciência devem claramente apontar-lhes o caminho da indignação, mas o medo de incorrer em posicionamentos que possam ser tachados de contrários aos interesses de “seu povo” faz com que eles se calem, ou que tratem (timidamente, é verdade) de encontrar formas de livrar a barra da grande potência assassina em que se converteu Israel.

Também me parece curioso encontrar alguns saudosistas do Terceiro Reich demonstrando seu ódio contra Israel. A bem da verdade, Israel é motivo de grande orgulho para a esmagadora maioria dos adeptos da filosofia, ou da prática, nazi-fascista em todo o mundo. Israel é um dos maiores sustentáculos de todas as forças de extrema direita de nosso planeta. Olhem para o mapa mundi, escolham a esmo qualquer continente, onde houver ali um regime de extrema direita massacrando seu povo, por trás dele, quase que com certeza, estará o apoio político, logístico, financeiro, material, cultural, etc, do Estado de Israel.

É claro que os verdadeiros nazi-fascistas da atualidade sabem muito bem que Israel é motivo para sua inspiração, e não para sua condenação. Só alguns poucos elementos da extrema direita (nenhum deles exercendo de fato o poder, é bom dizer) não conseguem enxergar isto. Quanto à esquerda, houve um tempo (felizmente, já totalmente acabado) em que eram os europeus que ditavam os caminhos da esquerda mundial. Essa esquerda europeia hegemônica trouxe para a luta popular seus preconceitos de superioridade e todas as suas mazelas. Foi essa “esquerda” nefasta que justificou a criação do Estado de Israel às custas do povo palestino. Que lindo era para eles apoiarem os kibbutzin “socialistas”, sendo estes os maiores centros de propagação do racismo mais ranço imaginável. Mas, era “lindo”, era de “esquerda”.

Felizmente, hoje em dia, não há ninguém que possa ser considerado como realmente vinculado com o socialismo que seja defensor do Estado de Israel. Todos os que tentam fazer isto sabem que estão fazendo um papel ridículo, semelhante, em certas maneiras, aos direitistas desgarrados que, contrariando os interesses defendidos por sua ideologia, demonstram seu ódio ao país sionista.
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Bertold

23/11/2012 - 20h39

Como sempre, a lucidez, a honra e a ética de Eduardo Galeano destoa da de outros “intelectuais” que preferem o silêncio da omissão.

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Marcos C. Campos

23/11/2012 - 19h43

Gaza : 1.700.000 habitantes

http://en.wikipedia.org/wiki/Gaza_Strip

Imigrantes para Israel nos ultimos 20 anos :
1.258.118

http://en.wikipedia.org/wiki/Aliyah

Estão tirando os Palestinos da Cisjordânia e expremendo-os em Gaza para adotar imigrantes.

É ou não é roubo de propriedade para dar para os amigos ?
Costume medieval ?

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Marcos C. Campos

23/11/2012 - 19h28

Senhor artigo de um senhor ser humano.
A direita vai falar que é um radical , que é revanchismo.

E tem mais , andei lendo uns wikipedia e fiquei sabendo (será verdade ?) que depois do desmembramento da URSS foi liberado muita imigração de judeus russos para Israel mas também foram muitos não judeus. Que existem colônias de língua russa em Israel. São parte dos colonos que estão tomando a Cisjordânia ?

Além de expulsar os Palestinos de suas terras, Israel está se tornando um país super populoso em uma área com pouco recursos naturais. Está dando errado sua economia (extremamente dependente da ajuda americana e dos judeus americanos) e expulsando ainda mais palestinos da Cisjordânia (uma das poucas áreas agriculturáveis da região).

e querem a região de Gaza também.

http://en.wikipedia.org/wiki/Russian_immigration_to_Israel_in_the_1990s

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Urbano

23/11/2012 - 18h52

Segundo os ianques e os davizinhos, os terroristas são sempre os outros… e por conseguinte, idiotas também.

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