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Milton Pinheiro: Golpe comunista em 1964 é “fábula” sem base real

22 de março de 2014 às 12h28

por Luiz Carlos Azenha

Não havia chance de um golpe comunista em 1964. A principal força de esquerda então, o Partido Comunista, tinha assumido compromisso com a via eleitoral. É justamente por isso que, quando o golpe foi dado pelos militares, com apoio da direita civil, não houve reação organizada da esquerda, muito menos articulada com João Goulart. O presidente era, então, severamente criticado inclusive por setores da esquerda.

Quem diz é Milton Pinheiro, professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Ele é organizador e autor de um dos textos do livro O que resta da transição, que será lançado nos próximos dias.

Um dos argumentos da direita para o golpe, disseminado por jornais que apoiaram a ação, como a Folha e o Estadão, era justamente este: tratou-se de um “contra-golpe”, para salvar o Brasil do comunismo.

Pinheiro hoje mora em São Paulo, onde faz um estudo sobre a direção do PCB no exílio, no eixo Paris-Moscou-Budapeste-Praga.

“O PCB era hegemônico na esquerda naquele período [do golpe], como o PT foi até a eleição de Lula”, lembra Pinheiro.

Ao longo da ditadura, o partido nunca apoiou a luta armada. Pelo contrário, sempre pregou o aliancismo, ou seja, a formação de frentes políticas para combater o regime e apoio a candidatos do MDB, de oposição.

No entanto, nos estertores da ditadura o partido sofreu um ataque devastador, organizado a partir do I Exército, em São Paulo.

“Os números do ataque ao PCB são extraordinários. Teve 1.300 militantes presos e processados, em 868 processos. Teve quase 5 mil exilados para várias partes do mundo, em especial para a França, Portugal, Itália, Inglaterra, mas também para o Leste Europeu. E teve, a partir de 1974, 40 mortos, dos quais dez membros do comitê central, que era a direção do partido”, resume Pinheiro.

“Foi uma decisão política da ditadura, através da Operação Radar, de 1974 a 1976, liquidar o PCB antes do processo da abertura tutelada que o regime tentou fazer”, avalia.

Em outras palavras, os militares trataram de desarticular a esquerda antes de promover a abertura “lenta, gradual e segura”.

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Na entrevista abaixo, o professor diz também que “apenas no Brasil” a reforma agrária – proposta de João Goulart em 64 que tinha grande apoio popular – é vista como algo subversivo, quando na verdade reforça o capitalismo ao distribuir propriedade.


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Mário SF Alves

23/03/2014 - 12h01

No que tange ao Brasil, o texto é o de sempre: sua imensurável riqueza, sua dimensão continental, sua importância geoestratégica e sua ineficiência econômica determinada por uma estrutura agrária totalmente obsoleta e pelo descaso social determinado pela “FRAGILIDADE MORAL” das oligarquias, ideológica e economicamente constituídas. Faltava o pretexto, e o pretexto foi o pretexto que faltava: o pretexto foi Cuba e a crise dos mísseis, maquiavelicamente traduzidos como “ameaça comunista”.
___________________________
Portanto, não há motivo algum para comemorar o golpe de Estado de 1964. Um golpe que instituiu e manteve entre nós o sui generis, deplorável e SÁDICO subdesenvolvimentismo capitalista. Um golpe que engendrou uma ditadura que manteve pela força ou pelo terror a mais absurda concentração de terras na face da Terra; que manteve pelo arbítrio e castração ideológica a mais abjeta [e antieconômica] concentração de meios de comunicação, riqueza e renda.
Não há motivo para comemorar. Há, sim, motivos fundamentais para morrer de vergonha.

Responder

    Julio Silveira

    23/03/2014 - 16h01

    Consideração perfeita meu caro Mario, perfeita. Te invejo meu caro, pois queria eu ter articulado tal consideração.

FrancoAtirador

23/03/2014 - 11h38

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No mês de setembro de 1964, a revista norte-americana ‘Fortune’

revelava o elo de ligação entre empresários de São Paulo

e a embaixada dos United States of America para dar o Golpe.

24/01/2014 – 06h00 | Felipe Amorim | São Paulo
OperaMundi

Apenas cinco meses após o golpe que depôs o presidente João Goulart, a tradicional revista norte-americana Fortune publicava uma longa reportagem narrando a parceria entre o então embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, e os empresários paulistas que articularam a conspiração.

Enquanto setores civis e militares se armavam e ensaiavam a rebelião, lideranças golpistas foram pessoalmente à embaixada perguntar qual seria a posição de Washington caso fosse deflagrada uma guerra civil no Brasil.

“Cauteloso e diplomático, Gordon deixou a impressão de que,
se os paulistas conseguissem segurar [o comando] por 48 horas,
obteriam o apoio e o reconhecimento dos Estados Unidos”,
escreveu a publicação.

ssa é a apenas uma das revelações do artigo publicado por Philip Siekman na edição da Fortune de setembro de 1964, intitulado “When Executives Turned Revolutionaries” (Quando executivos viraram revolucionários)

Entre os fatos mais reveladores do texto de Siekman, a revista procurou destacar o papel central que o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e seus líderes desempenharam na conspiração.

Primeiro, arrecadando fundos dos principais industriais paulistas e cariocas:
“No total, cerca de 400 empresas contribuíram para a instituição;
e o fluxo de caixa anual não passava dos US$ 500 mil”.

E, mais tarde, ao decidir adotar métodos mais diretos:
“Células de vigilância começaram a se equipar com armas leves,
instalar fábricas clandestinas de granadas de mão,
e escolher um local para levar a cabo operações de guerrilha
na guerra civil que consideravam inevitável e iminente”.

O IPES foi fundado em 1961 “oficialmente” para defender a livre iniciativa e a economia de mercado;
a entidade uniu acadêmicos conservadores, empresários e militares para desestabilizar o governo Jango.

Os principais nomes: Ayres, Mesquita e Resstel

O jornalista Philip Siekman reconta os pormenores da conspiração utilizando como personagens alguns líderes ipesianos e expoentes militares do golpe.

Três deles tiveram, segundo a Fortune, papel central:

Paulo Ayres Filho, representante da indústria farmacêutica [diretor do Ciesp (Centro de Indústrias do Estado de São Paulo), instituição que compartilhava membros, funções e objetivos com a Fiesp];

Júlio de Mesquita Filho, diretor-proprietário do jornal O Estado de S.Paulo;

e o coronel Rubens Resstel, responsável pelo planejamento da mobilização civil-militar em São Paulo.

Anticomunista ferrenho, Ayres Filho é descrito como um dos idealizadores do Ipês e principal incentivador da função marqueteira do instituto:

por meio de panfletos, cartilhas liberais, peças publicitárias
e vídeos “educativos”, o IPES deveria influenciar a opinião pública.

Segundo a revista, o diretor do Estadão, Júlio de Mesquita Filho —
“um dos recrutas mais proeminentes” e “líder nominal do grupo” —,
teve papel fundamental no setor logístico da conspiração,
sobretudo às vésperas do golpe, quando as células civis
já começavam a se preparar para o confronto.

“O grupo Mesquita sozinho gastou cerca de US$ 10 mil em armas,
incluindo uma série de metralhadoras”, relata a publicação.

O coronel Rubens Resstel, por sua vez, é caracterizado como o elo essencial entre os civis ipesianos e o Exército.
Militar graduado e egresso da tropa que lutara na 2ª Guerra Mundial, Resstel teve a função de convencer os altos comandos
e a jovem oficialidade de militares que permaneciam céticos e legalistas.

Também são citados na matéria como importantes conspiradores civis:

Gilbert Huber (proprietário das Listas Telefônicas Brasileiras),

Adhemar de Barros (governador de São Paulo),

e os advogados João Adelino Prado, Luiz Werneck

e Flávio Galvão (jornalista e advogado do Estadão).

Abaixo, primeira página do jornal ‘Última Hora’ repercutindo a matéria da ‘Revista Fortune':


http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/33603/revista+fortune+revela+ja+em+64+elo+entre+empresarios+de+sp+e+embaixada+dos+eua+para+dar+golpe.shtml

Responder

    Mário SF Alves

    23/03/2014 - 15h14

    “Paulo Ayres Filho, representante da indústria farmacêutica [diretor do Ciesp (Centro de Indústrias do Estado de São Paulo), instituição que compartilhava membros, funções e objetivos com a Fiesp];”
    _______________________________
    Indústria farmacêutica, indústria de agro-químicos e a falaciosa revolução verde… mera coincidência?

    Ora, “nos últimos meses, um tema polêmico tem aparecido mais frequentemente na mídia: o potencial prejuízo que o “inevitável” laço entre medicina e indústria farmacêutica pode causar nos pacientes.

    Pior: um novo estudo publicado no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que a fraude é um verdadeiro problema em publicações científicas, problema que tem aumentado no decorrer das décadas. O estudo analisou 2.047 artigos sobre pesquisas biomédicas desacreditadas e retraídas de publicações científicas, e constatou que a maior razão para a sua retração não foram erros honestos (não propositais), mas sim pura fraude.

    O psiquiatra britânico David Healy, odiado por colegas que até tentaram revogar sua licença médica, argumenta que seus semelhantes estão cometendo “suicídio profissional” ao não abordar sua relação perigosamente íntima com a indústria farmacêutica.

    Os conflitos entre medicina e indústria são conhecidos há muito tempo. Um deles são os “presentes” que médicos ganham de fabricantes de remédio, que alguns consideram ser uma tentativa clara de “comprar” o profissional para que ele passe a receitar a medicação.

    Nos EUA, por exemplo, só em 2004 as empresas farmacêuticas gastaram cerca de US$ 58 bilhões (cerca de R$ 116 bi) em marketing, 87% dos quais foram destinados diretamente a cerca de 800 mil norte-americanos com o poder de prescrever medicamentos.”
    Fonte: http://www.ecologiamedica.net/2013/01/os-perigosos-lacos-da-industria.html
    __________________________________________
    É pouco? Então imaginemos a fusão de interesses entre indústria farmacêutica, indústria de agrotóxicos, transgênicos e agro-químicos de modo geral e médicos/planos de saúde.

    _________________________________________

    “Conceitualmente, a Revolução Verde é considerada como a difusão de tecnologias agrícolas que permitiram um aumento considerável na produção, sobretudo em países menos desenvolvidos, que ocorreu principalmente entre 1960 e 1970, a partir da modernização das técnicas utilizadas. Embora tenha surgido com a promessa de acabar com a fome mundial, não se pode negar que essa revolução trouxe inúmeros impactos sociais e ambientais negativos, conforme afirma José Maria Gusman Ferraz, pós-doutorando em agroecologia pela Universidade de Córdoba, na Espanha, e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    O caso brasileiro ilustra bem a situação definida pelo pesquisador: se de um lado está a melhoria econômica, do outro persistem os problemas sociais. “Para usarmos exemplos brasileiros, entre 1970 e 1985, o aumento na produção de alimentos básicos para a população foi de 20%, enquanto que a de produtos de exportação (cacau, soja etc) cresceu da ordem de 119 a 1.112%. O país ocupa hoje lugar de destaque entre os países exportadores de alimentos, contrastando com uma população de milhões de subnutridos”, destaca.

    Além de não ter resolvido os problemas nutricional e da fome, a Revolução Verde também é reconhecida por aumentar a concentração fundiária e a dependência de sementes, alterando a cultura dos pequenos proprietários que encontraram dificuldades para se inserir nos novos moldes. “A concentração da posse da terra e o decorrente êxodo rural causaram um inchaço das cidades, levando a uma favelização nunca vista. Houve uma transferência do lucro decorrente da atividade agrícola para a agroindústria, deixando o produtor rural com uma estreita margem, levando ao seu endividamento”, avalia Ferraz.”

    Fonte: http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-76542010000600006&lng=en&nrm=iso

    _________________________________________________
    O início [agente laranja, uma mistura 1:1 dos herbicidas com nomes de código “Laranja” e “Agente LNX”, que tornou-se conhecida como “Agente Laranja” após o uso em grande escala pelos EUA na Guerra do Vietnã, geralmente misturado com diesel e querosene. O Agente Laranja foi usado como desfolhante na Operação “Ranch Hand”.] Fonte:http://www.aspiracoesquimicas.net/2013/07/agente-laranja.html
    ___________________________________________
    Monsanto e Dow Chemicals são condenadas por uso de agente laranja

    Agente laranja, produto químico utilizado na Guerra do Vietnã produzido pelas multinacionais, causou doenças em ex-combatentes

    Comentário: A mesma empresa Dow quer liberar aqui no Brasil variedades de soja e milho transgênicos resistentes ao veneno 2,4-D, justamente um dos ingredientes do agente laranja. O 2,4-D, quando no ambiente, libera dioxinas, produto sabidamente cancerígeno, além de ser altamente volátil e queimar lavouras e matas vizinhas. Os doutores da CTNBio estão a um passo de consumar mais essa imoralidade.
    Fonte: http://www.portalnovosrumos.com.br/not/2013/jul/monsanto-e-dow-chemicals-sao-condenadas-por-uso-de-agente-laranja.html

    O fim: ???

FrancoAtirador

23/03/2014 - 10h54

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Não foi só a Folha e o Estadão

que espalharam para a Classe Média

o boato do ‘Mentirão – A Origem':

Responder

Roberto Locatelli

22/03/2014 - 21h27

Responder

Francisco

22/03/2014 - 21h24

Os trabalhistas não precisavam “dar golpe” para chegar ao poder, porque já estavam nele, eleitos pelo povo através do voto universal e democrático.

Só dá golpe para chegar no poder, quem não está nele.

Dúvida? Pergunta para a UDN/ARENA/PDS/PFL/DEMO?

A esquerda dar golpe em 1964 equivale a praticar adultério com a própria esposa: é coisa sem sentido, ilógica, doida e desnecessária.

Responder

    Roberto Locatelli

    24/03/2014 - 12h17

    Pois é, Francisco. É a mesma coisa agora, que a direita diz que o PT quer dar um golpe. Ué? Golpe contra quem? Contra Dilma?

    Quem dá golpe é a direita. Em geral em troca de dinheiro.

FrancoAtirador

22/03/2014 - 15h55

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Ocorreu exatamente o contrário do que os golpistas alegaram.

Somente porque houve o Golpe, é que se organizou a Guerrilha.

O próprio Marighella sempre optou politicamente pela via eleitoral,
tanto que foi eleito deputado federal constituinte em 1946,
pelo Partido Comunista, e só deixou de atuar como parlamentar,
porque puseram o PCB na ilegalidade, em 1948, e foi perseguido.

Mesmo assim, Marighella só veio a organizar a luta armada em 1965,
depois que foi baleado por agentes do DOPS em maio de 1964,
portanto após o Golpe que efetivamente ocorreu em 1º de Abril.

Se quisesse, Marighella teria fugido do Brasil, como outros tantos.
No entanto, por destemor e patriotismo, preferiu ficar no Brasil
para organizar a resistência contra um regime absolutamente opressor
que restringiu toda e qualquer liberdade de expressão do pensamento,
fosse através de manifestação pública individual ou coletiva.

Ao permanecer no País e promover corajosamente o enfrentamento,
Marighella não vislumbrou outra forma de combate à Ditadura Militar,
senão através do confronto direto com os Generais Sanguinários.

E, ainda que pressentindo que seria brutalmente assassinado, como foi,
pelo menos morreria lutando por um País Livre, Democrático e Soberano.

É precisamente por isso que orgulhosamente podemos dizer hoje:

MARIGHELLA VIVE!
.
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Documentário

Dirigido por sua sobrinha Isa Grinspum Ferraz,
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Isa_Grinspum_Ferraz)
o longa-metragem “Marighella”
é uma construção histórica e afetiva
desse homem que dedicou sua vida
a pensar o Brasil e a transformá-lo
através de sua ação patriótica.

(http://www.youtube.com/watch?v=SF2Rt1-e8G8)
.
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Responder

    Zé Brasil

    22/03/2014 - 21h48

    Prezado Franco,

    Saudações democráticas e parabéns por suas obesrvaçõe sempre precisas neste espaço democrático que nos propiciam os Jornalistas Azenha e Conceição.

    Falando em Marighella uma pergunta que não se cala: – como nosso (deles!), o valente Aluísio Nunes, que falou grosso com a Senadora Gleisy Hofman, o emérito motorista do fusca em que estava o Carlos quando ele foi trucidado pelos meganhas em SP, SP por sua chuva de balas, saíu-se ileso, sem um arranhão sequer?

    Muita sorte! Ô, tucano de sorte, hein?

Julio Silveira

22/03/2014 - 15h26

Chega ser ridícula essa tese do risco comunista no Brasil. Mas tenho que admitir foi a fabula perfeita criada para encarnar o eixo do mal daquela época.
O conservadores são muito previsíveis e repetem sistematicamente o aprendizado de seu mestre Goebells, criador do advento propaganda moderna. Infelizmente a cidadania em grande parte inculta e incapaz de fazer prosperar um senso critico baseado na logica, costuma cair sempre nessas esparelas, que as mantem aprisionadas aos diversos demônios produzidos para facilitar sua propria opressão e isso vem desde tempos imemoriais.

Responder

    Mário SF Alves

    23/03/2014 - 11h59

    O golpe civil-militar de 1964 foi, de fato, um golpe de Estado contra o Brasil, contra o povo brasileiro. Foi um golpe a favor de inconfessáveis e impublicáveis interesses estrangeiros. E por excelência, o golpe das mais impensáveis e tenebrosas transações. Um golpe idealizado para impedir e inibir qualquer possibilidade de desenvolvimento sócio-econômico do nosso País. E não à toa, um golpe idealizado, planejado e apoiado pela CIA, e com pleno consentimento do governo J.F. Kennedy, aquele que tinha obsessão pelo assassinato do Fidel Castro; um golpe definitivo contra o direito à soberania em toda a América Latina. Após ele, nenhum outro país latino-americano teve mais a chance de evoluir e/ou se desenvolver.

    No que tange ao Brasil, o texto é o de sempre: sua imensurável riqueza, sua dimensão continental, sua importância geoestratégica e sua ineficiência econômica determinada por uma estrutura agrária totalmente obsoleta e pelo descaso social determinado pela “FRAGILIDADE MORAL” das oligarquias, ideológica e economicamente constituídas. Faltava o pretexto, e o pretexto foi o pretexto que faltava: o pretexto foi Cuba e a crise dos mísseis, maquiavelicamente traduzidos como “ameaça comunista”.

    Impossível enumerar as consequências nefastas de um golpe de Estado. No Brasil de 64 , além do circo de horrores promovido pela repressão política ditatorial, o golpe não apenas consolidou a cultura do atraso social e da alienação política, mas dinamizou a violência urbana pela irresponsabilidade ante a exclusão sócio-econômica da maioria da população e pela explosão demográfica ocorrida ao longo do período ditatorial.

    Portanto, não há motivo algum para comemorar o golpe de Estado de 1964. Um golpe que instituiu e manteve entre nós o sui generis, deplorável e SÁDICO subdesenvolvimentismo capitalista. Um golpe que engendrou uma ditadura que manteve pela força ou pelo terror a mais absurda concentração de terras na face da Terra; que manteve pelo arbítrio e castração ideológica a mais abjeta [e antieconômica] concentração de meios de comunicação, riqueza e renda.

    Não há motivo para comemorar. Há, sim, motivos fundamentais para morrer de vergonha.

abolicionista

22/03/2014 - 13h16

Salvaram o Brasil da reforma agrária, essa coisa vermelha.

Responder

    Urbano

    22/03/2014 - 14h27

    A única coisa perceptível que aboliste foi a tua própria inteligência…

    José X.

    22/03/2014 - 19h29

    Acho foi uma ironia. :)

    Mário SF Alves

    23/03/2014 - 12h18

    ???

    Urbano

    22/03/2014 - 19h15

    Abolicionista, aproveito para desdizer o que disse acima e te pedir desculpa, pois por outros comentários teus que vi, creio que o teu comentário acima deve ser apenas galhofa contra os fascistas. Desculpe-me.

    Mário SF Alves

    23/03/2014 - 13h36

    É. E quem precisava reformar a abjeta herança das capitanias hereditárias?

    Ora, pra que serviria a REVOLUÇÃO VERDE senão pra manter intocável tal bárbara e sádica herança? Afinal, bastava isso e uma bem engendrada modernização conservadora da agricultura e todo e qualquer argumento reformista “automaticamente” cairia por terra. Ah, cuidado, o Celso Furtado pensa diferente… Que Celso Furtado?!! Esqueçam aquele vermelho!

    Ora, pra que os conservadores iriam reformar essa abjeta herança das capitanias hereditárias se os EUA garantiam bastava a revolução verde?
    Se bastava o [engavetado] Estatuto da Terra, lei 4504, de 30 de novembro de 1964, para a total supressão do latifúndio improdutivo? Se bastava a inovação tecnológica derivada de tal revolução; se bastava a massiva mecanização do campo; se bastava uma perpétua chuva de venenos agro-químicos importados diretamente dos EUA e um sistema de difusão por TV totalmente submissa e com tecnologia de mesma procedência, igualmente importada?

    Ora, se bastava-lhes isso, Reforma Agrária para quê?

    Pra quê Reforma Agrária se bastava o poder de repressão e todo o terror à disposição da ditadura para realizar a modernização conservadora da agricultura no Brasil dos generais?

    Pra quê Reforma Agrária se bastava isso e de brinde todos os inconformados e atrasados Jecas Tatus seriam imediatamente lançados em êxodo em direção à São Paulo e Rio de Janeiro na constituição de fabuloso exército industrial de reserva?

    Quer plano mais sádico e ultra-conservadoramente eficiente? É própria genialidade da porrada, cara!
    _______________________________________
    A construção do estereotipo do trabalhador rural realizada pela sociedade do início do século XX, utiliza-se da literatura de Monteiro Lobato e dos almanaques do Biotônico Fontoura.

    O estereótipo do Jeca Tatu [tudo a ver com o golpe de Estado de 1964]:

    “Em 1947 Lobato publicou o livreto Zé Brasil, impresso “subversivo” apreendido e anexado ao seu prontuário no DEOPS. Segundo Maria Luiza Tucci Carneiro na obra Livros Proibidos, Idéias Malditas esta publicação da Editora Vitória fora classificada pelo DEOPS como perigoso à segurança nacional. Nesta literatura o camponês não precisava
    mais da fórmula milagrosa do Dr. Fontoura. Politizado, o ”Jeca” havia encontrado a solução para os seus problemas na união com Luiz Carlos Prestes. A questão do campo, segundo Monteiro Lobato, evoluíra. O caboclo não é mais o culpado pelo atraso e a miséria no campo, e sim uma vítima do descaso das autoridades e da opressão dos patrões. Jeca Tatuzinho encontrou a cura para os seus males no Biotônico do Dr.
    Fontoura, mas sem solucionar os reais “problemas” do Brasil. Zé Brasil, por sua vez, uniu-se ao comunismo que poderia lutar pelos seus direitos.
    São estes estereótipos (preguiçoso, desinteressado pelo trabalho, indolente) que irão permear a história da intolerância contra os camponeses brasileiros; construção dedicada a perpetuar as precárias condições no campo com o objetivo, muitas vezes, de garantir
    dividendos e poder para os proprietários da terra. Ao negarmos direitos e dignidade ao homem do campo, deixamos de compartilhar saberes e costumes que podem enriquecer ambos os lados.”

    Fonte: http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0327.pdf

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