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Cartas de Minas
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Luiz Leduino: “Polícia Militar não combina com educação, universidade. Nunca dará certo”

17 de junho de 2012 às 17h07

por Conceição Lemes

Neste domingo 17, a greve das universidades federais completa um mês. Iniciada com a adesão de 33 instituições, o movimento já conta o apoio de 55,  entre as quais a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os estudantes da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp  Guarulhos, especificamente, estão em greve há 85 dias. Na quinta-feira à noite 14, após assembleia para discutir o apoio à greve dos docentes, a Polícia Militar foi acionada para reprimir um grupo de estudantes que protestava contra a entrada da tropa de choque da PM no campus oito dias antes.

O que se viu a seguir foi muita truculência por parte da PM, disparo de balas de borracha e o uso de gás lacrimogêneo contra os universitários.

Resultado: 22 universitários presos e encaminhados à sede da Polícia Federal, já que é a Unifesp é federal; foram soltos no início da madrugada desse sábado.

Em nota oficial, a Reitoria da Unifesp afirma:

De acordo com a direção do Campus Guarulhos, durante a tarde, chefes de departamento se encontravam em reunião com a diretoria. Ao final da reunião de professores, constatou-se que paredes e chão do Campus haviam sido pichados.

Por volta das 18 horas, um grupo de alunos se concentrou na frente da Diretoria Acadêmica e começou a insultar o diretor acadêmico. Em seguida, entraram no prédio quebrando vidros, móveis e computadores, intimidando e acuando não apenas o diretor acadêmico como também professores no local, ameaçando, inclusive, ocupar o prédio. Neste momento a Polícia Militar que faz a segurança do bairro foi acionada por docentes e servidores acuados na Diretoria Acadêmica para conter os manifestantes e garantir a integridade física de todos os presentes, inclusive de alunos.

Assim que foi informada dos acontecimentos, a Reitoria acionou a Superintendência da Polícia Federal, que assumiu a operação policial.

Também em nota, o professor Luiz Leduino de Salles Neto, pró-reitor de Assuntos Estudantis (PRAE), reagiu à ação policial. Ele foi aluno de Matemática da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atualmente é docente do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unifesp – campus São José dos Campos.

Frente à ação policial ocorrida no campus Guarulhos da Unifesp no dia 14 de junho de 2012, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) manifesta a toda comunidade acadêmica e a toda sociedade o veemente repúdio à opção de tratar as questões universitárias, por mais complexas e controversas, por meio da violência.

Ressaltamos que são valores da PRAE o compromisso com a democracia e o respeito à diversidade intelectual, cultural, social e política.

Em função dessa nota, nós conversamos um pouco mais com o professor Luiz Leduino. Segue a nossa entrevista na íntegra:

Viomundo — A sua pró-reitoria divulgou nota repudiando a violência policial. Por quê?

Luiz Leduino Neto — Discordo radicalmente da opção de chamar a PM para atuar em uma situação que envolva um movimento reivindicatório na universidade, pois se há um problema, o mesmo não só não será resolvido, como será piorado. Os dirigentes da universidade, em todos os níveis, devem sempre tentar o diálogo, a negociação. Temos um papel educativo em relação aos nossos estudantes e devemos ser referência para toda a sociedade. Violência nunca deve ser a opção.

Viomundo — O que os alunos fizeram se justificava chamar a PM?

Luiz Leduino Neto — A PM é incapaz de ajudar num momento como aquele. Obviamente a PM não foi lá para negociar. No vídeo amplamente divulgado sobre a ação policial, nota-se que cerca de 20 estudantes estão cantando e repetindo palavras de ordem em frente à diretoria do campus. De repente, de forma violenta, um policial retira uma estudante do grupo. A estudante não oferecia nenhum risco, estava entoando palavras de ordem estudantis como todos os demais ali presentes.

Agora, se você vê uma amiga ou um amigo sendo agredido e levado para longe de forma truculenta, o que faria?  Mas os estudantes nem tiveram tempo de reagir,  a ação da PM foi brutal, com bombas e tiros de borracha.

Havia estudantes que não estavam protestando e foram atingidos. Professores, técnicos administrativos que estavam lá trabalhando e crianças filhos de estudantes também tiveram suas integridades físicas ameaçadas.

Viomundo – O senhor estava no campus da Unifesp Guarulhos no momento das prisões?

Luiz Leduino Neto — Eu cheguei ao local pouco depois da prisão dos estudantes.  Eu estava num evento da pró-reitoria em Osasco, quando um aluno me avisou pelo celular que a PM estava lançando bombas no campus de Guarulhos. A cena que eu vi quando cheguei era de pós-guerra: sangue, vidros quebrados, muitas pessoas em pânico… Assim, a PM não trouxe segurança, trouxe violência e medo.

Viomundo – As reivindicações dos alunos em greve procedem?

Luiz Leduino Neto — A pauta dos estudantes em greve do campus Guarulhos pode ser encontrada AQUI.

As reivindicações são justas. A infraestrutura é, de fato, muito aquém da reconhecida qualidade da Unifesp. O acesso ao campus por transporte público é muito deficiente. Falta um terreno para iniciarmos o projeto de residência universitária, entre outras questões igualmente pertinentes. Mas a greve já resultou em alguns avanços – há empenho da reitoria e do MEC na busca por soluções. Precisamos retomar a mesa de negociação e o debate amplo e respeitoso entre todos. Todos devem ceder.

 Viomundo —  E agora?

Luiz Leduino Neto – Convocamos uma reunião extraordinária do Conselho de Assuntos Estudantis da Unifesp para esta segunda-feira, na parte da manhã. Precisamos discutir coletivamente o que fazer.

Não podemos permitir que essas atrocidades voltem a ocorrer na universidade. Também temos o desafio de reconstruir as relações no campus. Professores, estudantes e técnicos administrativos têm os mesmos objetivos.

O momento exige união em defesa do campus e da Unifesp. Apesar das deficiências apontadas e que devem ser sanadas, o campus Guarulhos possui ótimos cursos de graduação, mestrado e doutorado e diversos projetos de pesquisa e extensão de excelência.

Creio que a saída para essa crise deve passar pelo estabelecimento de uma ampla mesa de negociação e de uma grande força-tarefa visando soluções a curto, médio e longo prazo. A universidade pública é um patrimônio do povo brasileiro, deve ser defendida, melhorada e a sua expansão deve continuar.

Viomundo — O senhor gostaria de acrescentar mais alguma coisa sobre este episódio lamentável?

Luiz Leduino Neto — Acho que não pode haver mais dúvidas: Polícia Militar não combina com educação, com universidade.  Nunca deu, não dá e nunca dará certo.  Tivemos recentemente na USP casos também lamentáveis. A universidade é o espaço do pensamento livre, da crítica, do debate, do diálogo.

Vou além: o papel da PM, de forma geral, deve ser amplamente debatido e revisado pela sociedade. E não se trata apenas de responsabilizar os integrantes da PM pelos abusos, mas quem a comanda e governa e, de forma mais ampla, redefinir sua própria concepção.

Leia também:

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Estudantes, professores e trabalhadores da USP rebatem boletim da reitoria

 

 

99 Comentários escrever comentário »

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Leduíno: Haddad, esqueça seus assessores, ouça o grito das ruas, abra negociação - Viomundo - O que você não vê na mídia

14/06/2013 - 17h27

[…] 14 de junho de 2012 pouco mais de 20 estudantes do campus Guarulhos da Unifesp foram agredidos com t… quando faziam uma manifestação no campus contra a prisão, na semana anterior, de 40 estudantes […]

Responder

Apoio a Luiz Leduino, repúdio à ação da PM « Viomundo – O que você não vê na mídia

21/06/2012 - 00h30

[…] Luiz Leduino: “Polícia Militar não combina com educação, universidade. Nunca dará certo” […]

Responder

Misael Filosofia Noturno

20/06/2012 - 16h49

Vale a pena reler a matéria publicada, aqui mesmo neste blog, na véspera do confronto com a PM no interior do campus Guarulhos.

http://www.viomundo.com.br/politica/carolina-rovai-a-fala-emocionada-de-marilena-chaui-em-ato-na-usp.html

Responder

Emílio Carvalho

20/06/2012 - 14h19

Seguindo a linha de pensamento do Kasuhiro Uehara, é preciso investigar seriamente como se dá o diálogo e as relações de hierarquia neste campus. Não se trata de defender ou atacar (minimizar ou bestializar) essa ou aquela violência do episódio, mas de compreender quais foram as violências que antecederam e geraram um tal extremo. Neste sentido é preciso incluir TAMBÉM as figuras do reitor e do diretor do campus. Desde o ano passado escuto comentários de docentes, de técnicos e de estudantes sobre o modo “truculento”, “grosso” e “intransigente” do atual diretor do campus de Guarulhos. Escuto também que ele tem o respaldo do reitor para seus posicionamentos. Isso deve ser levado muito a sério e investigado em sua veracidade (inclusive pela recém criada Comissão de Sindicância) para que TODAS as violências sejam de fato levadas em conta. Talvez assim alguma aprendizagem realmente ÚTIL seja produzida nisso tudo, principalmente com relação aos modos de se exercer a democracia numa universidade.

Responder

gonçalves

19/06/2012 - 16h23

Parabéns CHACAL, devorou de uma vez só um “porco” e um “carneiro” seus argumentos são muitos claros verdadeiros e diretos,campus universitàrio naõ é terra de ninguém está sujeito as regras da sociedade a qual pertencem e que por sinal é quem paga seu patrimônio que foi depredados por esses vândalos ,baderneiros, fumadores de maconha que não respeitam nem seus pais que na maioria certamente não concordam com esse tipo de protesto bem diferente dos “caras pintadas” , tenho dito [email protected]

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Kazuhiro Uehara

19/06/2012 - 11h33

Luiz Leduino, parabéns por seguir a carreira de docente!

Responder

Kazuhiro Uehara

19/06/2012 - 11h32

Colocaram funcionários e professores despreparados na administração da instituição? Ou eram tucanos disfarçados para telefonar à PM e justificar a violência policial?
Não existiu nenhum dialogo entre os estudantes e a administração da instituição?
É a primeira vez que vejo os funcionários e professores pedirem para a PM intervir na questão, como ex-diretor executivo do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e ex-sindicalista dos bancários.

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Andréa Slemian

19/06/2012 - 00h04

Guarulhos, 18 de junho de 2012.

Manifesto de professores da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
UNIFESP (Campus Guarulhos)
Desde o início do primeiro semestre letivo de 2012 os alunos da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH), da Unifesp Campus Guarulhos, estão paralisados. O movimento dos estudantes, iniciado em março, tinha como objetivo reivindicar resoluções de problemas de infraestrutura do campus. Vários professores, a própria Direção Acadêmica, assim como a Reitoria, já manifestaram publicamente consciência dos problemas, e afirmam que os mesmos são de diversos níveis e demandam tempos diferentes de resolução. Há problemas que podem ser resolvidos em curto prazo; outros – como a construção de um prédio definitivo – fatalmente levarão mais tempo. Desta maneira, o movimento dos estudantes teve início num clima de diálogo entre todas as instâncias. Do início até o atual momento, presenciamos a radicalização extrema deste processo, com um pequeno grupo de alunos dominando, por meio de agressões verbais e físicas, as assembleias de discentes, além de utilizarem métodos de coação com os próprios colegas. As agressões passaram a atingir também os professores que, inicialmente, tentavam dar aulas; logo os ataques aos docentes proliferaram, ocorrendo de forma gratuita. Primeiro, houve a ocupação da Diretoria Acadêmica por parte de um grupo de alunos, mesmo sem representar a opinião da maioria. Na sequência, eles ocuparam quase todas as dependências do campus, inviabilizando o acesso dos docentes às suas salas e escaninhos, onde a correspondência institucional é depositada. Várias vezes em que os docentes, de diferentes cursos, tentaram entrar nas dependências do campus, foram insultados verbalmente e ameaçados fisicamente pelo grupo de alunos que se manifesta de forma agressiva. Este processo culminou nos episódios lamentáveis de 14 de junho de 2012. Depois da ocupação ter sido desmobilizada pacificamente na semana anterior, por um processo de reintegração de posse, o campus, que estava sendo reformado, foi atacado por esse grupo de alunos. Eles cometeram atos de vandalismo após realizarem uma assembleia. Atacaram o campus quebrando os vidros das portas, jogando pedras, pichando paredes, destruindo móveis. A polícia militar teve que ser acionada para proteger a integridade física de docentes e funcionários, bem como o patrimônio público. Os docentes e funcionários que lá estavam ficaram impedidos de sair e alguns chegaram a entrar debaixo das mesas para se protegerem. A imprensa pouco ou nada tem noticiado a respeito da situação vivida pelos professores e pessoal técnico-administrativo. Por meio deste manifesto, nós, docentes da EFLCH abaixo-assinados, queremos externar publicamente e da forma mais ampla possível o nosso protesto:
– contra os atos de intimidação e vandalismo de um pequeno número de pessoas que pretende ser considerado aluno enquanto agride verbal e fisicamente seus docentes;
– pela institucionalidade e governo vigentes no campus;
– pelas condições de segurança no uso do nosso espaço de trabalho;
– por fim, por nossa dignidade profissional.

Subscrevemo-nos:
1. Alexandre de Oliveira Ferreira – Departamento de Filosofia
2. Alexandre Pianelli Godoy – Departamento de História
3. Ana Lúcia Lana Nemi – Departamento de História
4. Ana Maria Hoffmann – Departamento de História da Arte
5. André Machado – Departamento de História
6. André Medina Carone – Departamento de Filosofia
7. Andréa Slemian – Departamento de História
8. Antonio Sergio Carvalho Rosa – Departamento de Ciências Sociais
9. Antonio Simplício de Almeida Neto – Departamento de História
10. Arlenice Almeida – Departamento de Filosofia
11. Bruno Konder Comparato – Departamento de Ciências Sociais
12. Carlos Augusto Machado – Departamento de História
13. Cecília Cintra Cavaleiro de Macedo – Departamento de Filosofia
14. Claudemir Roque Tossato – Departamento de Filosofia
15. Claudia Plens – Departamento de História
16. Daniel Revah – Departamento de Educação
17. Eduardo Kickhofel – Departamento de Filosofia
18. Eduino José de Macedo Orione – Departamento de Letras
19. Fabiana Schleumer – Departamento de História
20. Fabiano Fernandes – Departamento de História
21. Fábio Franzini – Departamento de História
22. Francine F. Weiss Ricieri – Departamento de Letras
23. Gabriela Nunes Ferreira – Departamento de Ciências Sociais
24. Henry Burnett – Departamento de Filosofia
25. Ivo da Silva Júnior – Departamento de Filosofia
26. Jaime Rodrigues – Departamento de História
27. Jamil Ibrahim Iskandar – Departamento de Filosofia
28. Janes Jorge – Departamento de História
29. Julio Moracen – Departamento de História
30. Juliana Peixoto – Departamento de Filosofia
31. Karen Macknow Lisboa – Departamento de História
32. Ligia Fonseca Ferreira – Departamento de Letras
33. Lilian Santiago- Departamento de Filosofia
34. Lucilia Siqueira – Departamento de História
35. Márcia Eckert Miranda – Departamento de História
36. Maria Fernanda Lombardi Fernandes – Departamento de Ciências Sociais
37. Mariana Villaça – Departamento de História
38. Márcia Mansor D’Alessio – Departamento de História
39. Márcia Romero – Departamento de Educação
40. Maria Luiza Ferreira de Oliveira – Departamento de História
41. Maria Rita de Almeida Toledo – Departamento de História
42. Odair da Cruz Paiva – Departamento de História
43. Olgária Chain Feres Matos – Departamento de Filosofia
44. Patrícia Teixeira dos Santos – Departamento de História
45. Paulo Fernando Tadeu Ferreira – Departamento de Filosofia
46. Pedro Santos – Departamento de Filosofia
47. Plínio Junqueira Smith – Departamento de Filosofia
48. Rafael Ruiz Gonzalez – Departamento de História
49. Rita Paiva – Departamento de Filosofia
50. Rossana Alves Baptista Pinheiro – Departamento de História
51. Samira Adel Osman – Departamento de História
52. Stella Maris Scatena Franco – Departamento de História
53. Tatiana Savoia Landini – Departamento de Ciências Sociais
54. Wilma Peres Costa – Departamento de História

Responder

    elson de souza moura

    20/06/2012 - 13h49

    Considerações sobre o “Manifesto dos professores da EFLCH”

    Diferentemente do que foi afirmado na abertura do manifesto dos professores, o movimento estudantil não começou em março de 2012, mas em meados de 2007, ano da inauguração do campus Guarulhos sob as mais precárias condições. Levar a público um problema de longos cinco anos como se fosse novo constitui a má-fé de tentar persuadir de que os estudantes são afoitos e beligerantes.
    Durante esses cinco anos, a pauta de reivindicações continua a mesma, visto que nenhum ponto foi efetivamente resolvido, ainda que reconhecidos por todos como legítimos e necessários.
    Ainda em 2007, os estudantes foram convocados por seus respectivos departamentos, de maneira a fragmentar a coesão do movimento, e coagidos a encerrar a greve de então e a aceitar a adesão ao REUNI sem a devida discussão que, a propósito, se arrasta ainda.
    Além disso, na mesma ocasião, os incautos estudantes de posição política inconsistente foram incitados a comparecer à assembleia discente apenas no momento da deliberação sobre a continuidade da greve, unicamente para encerrá-la, como de fato ocorreu.
    Passados esses cinco anos de descaso, a acusação de radicalização do movimento estudantil não pode ser dirigida a supostos instintos violentos, pois tem fundamento na pública e notória sucessão de descumprimento das promessas de implementação de melhorias feitas em diálogos e negociações abertos a fórceps pelos estudantes desde 2007, ao contrário das acusações de intransigência que são raivosamente dirigidas aos estudantes. A crítica política honesta é motora do debate, mas a distorção e a farsa são execráveis.
    Insistir em ministrar aula em meio à greve discente é tão inocente, ou tão tático, e constitui tanta provocação e incitação à violência, quanto gritar palavras de ordem diante da polícia. Tamanha semelhança se reflete nos atuais protestos da mesmíssima natureza contra as consequências de ambos os casos.
    A acusação de que no dia 14 de junho a polícia foi chamada para conter a suposta quebradeira implementada pelos alunos é, no mínimo, leviana, pois pode marcar para sempre a vida de pessoas que foram expostas às armas, detidas e que podem ser punidas simplesmente por estar no cenário, sem sequer estar engajada no movimento em curso. Por isso, necessita de comprovação, não de condenação sumária. No vídeo amplamente divulgado pela mídia os vidros que aparecem quebrados no dia seguinte permanecem intactos mesmo durante o confronto entre policiais e estudantes. Ademais, no áudio divulgado pela PM, o próprio diretor nega que os estudantes apedrejavam os vidros no momento do acionamento da polícia.
    Não é o caso de elencar outros tantos aspectos controversos de inúmeros eventos passados, mas, pelo pouco que expusemos, perguntamos:
    Qual é o real objetivo da publicação desse texto travestido de manifesto?
    Onde estava e de que lado estava a maioria dos professores quando da implantação a toque de caixa do REUNI sem se saber se o programa ofereceria a devida estrutura para a ampliação das vagas?
    Quando foi, no decorrer desses cinco anos, que os professores tomaram a iniciativa de expor a situação do campus Guarulhos e buscar soluções efetivas nos momentos de retração do movimento estudantil?
    No que se refere ao encaixotamento de livros por falta de espaço na biblioteca, os professores se empenharam com o mesmo rigor dirigido contra a ação dos estudantes? E ao alto índice de evasão por falta de condições de permanência? E no tocante aos demais itens da pauta?
    Desculpem-nos os inocentes que assinaram o “manifesto”, mas na política não há espaço para a inocência. O texto é nitidamente um documento político. Seus objetivos mais evidentes são: municiar a burocracia administrativa para a criminalização e punição dos estudantes que, desde 2007, lutam por melhores condições para toda a comunidade acadêmica e dar sustentação à sórdida estrutura de poder que relega o corpo discente ao lugar mais baixo na escala de interesses. Basta ver o segundo ponto de protesto do manifesto, cuja bandeira é a restauração da ordem e a consequente preservação dos mandatos em curso, ainda que maculados pela inoperância e pela mentira.
    Concedendo-nos o direito da licença poética, e guardadas as devidas proporções, esse manifesto não difere das coletivas da assessoria de imprensa da ROTA, onde se justifica a eliminação de jovens da periferia sob a acusação de serem bandidos.
    Grande parcela dos professores está apenas preocupada em comparecer ao campus uma vez por semana, por obrigação, e em encaminhar sua carreira pessoal, por interesse particular. Razão pela qual a eliminação dos estudantes contestadores ao extremo e a restauração da ordem é tão vital e vale qualquer preço, inclusive romper o silêncio em favor do status quo e contra os estudantes que, a despeito de tudo isso, continuam apoiando os docentes em sua, desde sempre justa, luta por melhores condições de trabalho e por melhores salários.
    Na luta para que um episódio ainda controverso, ímpar e isolado não seja usado para eclipsar a saraivada de descaso levada a cabo por uma burocracia elitista e seletiva desde 2007 e em reconhecimento aos professores que se furtaram da assinatura do documento, em especial aos que demonstram, na prática, sua preocupação com o Campus e seu entorno, subscrevemo-nos:

    1.Elson Moura – Filosofia – Noturno (ingressante em 2007)
    2.Gilberto Calixto – Filosofia – Noturno (ingressante em 2007)
    3.Misael Jordão – Filosofia – Noturno (ingressante em 2007)

    Guarulhos, 20.06.2012

Fabio Passos

18/06/2012 - 23h33

Gerson Carneiro está coberto de razão.
A PM de São Paulo sequestrou uma menina que estava em uma manifestação… e ainda agrediu e atirou bombas sobre os outros estudantes.

Quem faz uma pichação pode ser sequestrado pela puliça e levar bomba na cabeça?

Responder

    xacal

    19/06/2012 - 08h39

    Agora o caldo entornou de vez.

    Putz, quanta perda de tempo…Como eu disse, é um perigo debater com quem está “armado” das certezas “religiosas”.

    Olhem só: ilustra os “argumentos” com uma imagem que retrata um contexto totalmente distinto:

    Alguém que pretenda uma discussão séria colocaria a resistência ao regime militar de 64 no mesmo saco histórico da baderna da UNIFESP?

    Tenham paciência.

Gil Rocha

18/06/2012 - 22h36

O Azenha tinha que ser o único a
moderar o blog.
Eu tenho certeza que ele não bloqueia
ninguém.
Desde que seja educado naturalmente.
O resto é só figuração…

Responder

marilamar

18/06/2012 - 20h52

Concordo com este professor, o reitor ou vice-reitor deveria sair para dialogar com os alunos ou com uma representaçao. Chamar a PM, nunca, pois os exemplos anteriores comprovam que eles vao rebentar os alunos e quem estiver no caminho( é uma tropa para GUERRA), é só ver os videos das greves dos trabalhadores, policiais civis, estudantes da USP, professores estaduais, vendedores ambulantes, cracolandia, e o massacre no pinheirinho. Como disse a ONU, as policias militares tem que ser dissolvidas, pois nao tem educaçao e cultura para tratar o povo brasileiro!!!!

Responder

    gonçalves

    18/06/2012 - 22h36

    “Marilama” Policial realmente não pode ser comparado com baderneiros profissionais´,fumadores viciados em maconha uma boiada orquestrada que destroem bens Pùblicos sem o menor respeito pelas pessoas ,inclusive funcionários que limpam a imundice produzida por essa manada ,o rigor da lei para esses canalhas .

    xacal

    19/06/2012 - 08h55

    Marilamar,

    Não incorra no mesmo “erro”, ainda que induzida a tanto…Uma coisa é discutirmos: qual polícia, polícia para quem, e por que polícia.

    Eu concordo: Uma sociedade violenta onde as execuções extra-judiciais matam 30.000/ano, em sua maioria pretos e pobres entre 19 e 25 anos, não pode gerar uma polícia ostensiva que resguarde direitos e garantias.

    Mas este debate não se faz pelo preconceito, que só acirra ânimos e exalta ainda mais o sentido de “corpo da tropa”.

    Não relevo o fato de que há sádicos entre os policiais(os há entre médicos, professores, etc). Também não relevo que este sadismo associado ao monopólio do uso da força e a estereótipos é um perigo.

    Mas é um perigo aqui, em Londres(Jean Charles de Menezes), em Los Angeles(Rodney King), na repressão ao Occupy Wall Street, ou na Austrália(brasileiro morto com um pacote de biscoito).

    Sociedades maduras institucionalmente não desmontam ou deslegitimam suas polícias.

    Enquadram, discutem, punem e treinam(ah, e claro: pagam salários dignos, pois as melhores polícias são SEMPRE as mais bem pagas).

    No entanto, esta discussão aqui está deslocada.

    No episódio basta entender: Punição ao(s) policial(is) que exacerbou(aram) seu(s) mandato(s), processo e punição aos alunos-vândalos.

    Pois creia: quando “alunos” escolhem depredar, ameaçar, pichar e acuar outras pessoas dentro de uma Universidade, não há negociação possível.

    O ambiente ali, pelo que lemos aqui, com exceção de uma ou outra gracinha de um “descerebrado” qualquer, já está degradado há tempos, e o que houve foi só o estopim de uma crise que atravessa a mudança de um modelo de Universidade para outro: com todos os seus problemas e percalços inerentes a qualquer transição.

    A pergunta é: se estavam dispostos a negociar, por que agiram como agiram?

    Se você diz que os policiais não têm “cultura”, o que dizer dos alunos, ensinados e privilegiados com os impostos da sociedade(inclusive dos policiais, que provavelmente nunca mandarão seus filhos a uma Universidade Pública)? Se entendermos a “falta de cultura”(êiita classificação hierárquica preconceituosa)como motivação para a violência, como justificar que os “alunos bem nascidos e cultos” pratiquem tais atos?

    Um abraço.

angelo

18/06/2012 - 17h32

Faltou pouco pra arrancarem mais um olho com bala de borracha (no Rio já houve pelo menos um caso, um divulgado, não muito divulgado claro).

Depender de Legislativo pra medidas urgentes é loucura, óbvio. Há que se DECRETAR extinção desses equipamentos. Notoriamente temos psicopatas nas polícias. Há não somente despreparados, mas também selvagens que apenas esperam uma chance pra usar o ‘brinquedo’ novo que o Estado deu. Estado, portanto, irresponsável.

Responder

Jaime

18/06/2012 - 15h45

Sou Jaime Rodrigues, professor da EFLCH/UNIFESP, e quero dizer algumas palavras sobre a entrevista com Luiz Leduíno Neto que, estranhamente, ainda ocupa o cargo de Pró-Reitor de Assuntos Estudantis (PRAE) da Unifesp. As palavras dele deixam claro o descolamento dessa Pró-Reitoria em relação aos assuntos da Universidade e o objetivo dele e de seus assessores em utilizar o comando radical da paralisação dos estudantes da EFLCH em benefício de interesses insondáveis. Não se trata de negar a justiça das reivindicações estudantis, mas os eventos das últimas semanas e particularmente do dia 14 de junho de 2012 não entram nessa categoria, e sim na da tentativa de destruição da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade. Não passarão!
O papel educativo da Universidade em relação aos alunos deveria ser o de instituir uma sindicância para apurar responsabilidades das lideranças destruidoras, algo que a PRAE nega-se a fazer. Desde maio de 2012, a PRAE assumiu a mediação do conflito, alijando do processo a comissão de mediação instituída pela Congregação da EFLCH, composta por professores da casa. A ação da PRAE para encontrar a solução do conflito foi nula, já que o pró-reitor e seus assessores apoiaram a radicalização do conflito. O coroamento desse processo foi a destruição de 14 de junho.
Platitude dizer que a polícia não foi ao campus para negociar. Óbvio que não: foi para garantir a integridade de professores e funcionários impedidos de sair da diretoria acadêmica diante da chuva de pedras que caía sobre eles! A negociação cabia à PRAE, ausente neste e em outros momentos da crise.
As deficiências de infra estrutura do campus, diagnosticadas há tempos, decorrem da ineficácia administrativa dos órgãos central da Universidade, da qual Leduíno é membro como Pró-Reitor. A verba do REUNI para a construção do novo prédio encontrava-se à disposição da Unifesp desde 2007, mas a administração foi incapaz de licitar a obra com sucesso. Mas é certo que, desde o início da paralisação, a Reitoria e a Diretoria da EFLCH negociaram com os estudantes vários itens de suas reivindicações. Só que a pauta muda a cada dia, inviabilizando, assim, qualquer acordo duradouro. Os alunos também foram alijados do processo pela liderança radical que se apossou de tudo e tornou toda a comunidade refém.
“A universidade pública é um patrimônio do povo brasileiro, deve ser defendida, melhorada e a sua expansão deve continuar”. Palavras, apenas palavras, Luiz Leduíno. Na prática, a aliança PRAE / radicais militantes de micro partidos tarefeiros ajudou a danificar instalações públicas e ferir os que efetivamente estão comprometidos com essas palavras – ou seja, docentes e servidores da EFLCH.
Ter sido militante estudantil em sua geração não o habilita a lidar com a nova situação, prof. Leduíno. Não estamos mais na ditadura, graças à luta da nossa geração e da anterior. O movimento estudantil também não é mais o mesmo da ditadura. Falta à PRAE uma noção mais precisa de processo histórico e de compreensão de que a história, quando se repete, é como farsa!

Responder

Regina Braga

18/06/2012 - 11h25

È a ditadura deixou suas sequelas…Absoluta falta de negociação.Como ensinar limites,se o exemplo é a PM? Se exceções forem abertas para o uso da PM(com estudantes),quebramos toda a capacidade da Universidade de resolver seus problemas.

Responder

    xacal

    18/06/2012 - 12h38

    Regina,

    Concordo contigo. Desde que se portem como estudantes. Não é o que relatam diversos professores e alunos por aqui.

    Então, senão há sequer consenso sobre a conduta dos manifestantes, sobra ao Estado a intervenção menu militari.

    Ou vamos esperar a coisa piorar até que não reste mais nada para que se possa discutir sobre?

    Em tempo: a polícia é uma instituição cara ao Estado Democrático de Direito. Cabe a sociedade definir o perfil desta polícia.

    Creia, não há polícia autoritária e violenta sem uma sociedade de mesmo viés que lhe causa e mandato.

    gonçalves

    18/06/2012 - 22h50

    Parabéns Xacal o Policial faz parte integral da sociedade ou será que a PM é treinada em outro planeta? Ou vem da mesma sociedade a qual pertence esses baderneiros que precisam fumar maconha para se “expressarem democraticamente” quebrando bens públicos, desrespeitando qualquer tipo de pensamento diferente dos seus ou seja a força. Portanto a PM usou correta e legalmente uma força maior para que a ordem fosse restabelecida.

    Misael Filosofia Noturno

    19/06/2012 - 15h40

    Caro Xacal, não tome isso como gozação, pois não é. Sei que o espaço é inapropriado e desproporcional à magnitude da questão. Por isso, vai ficar com ar lacunal, mas vou traduzir sua última frase:

    Não há polícia truculenta em uma sociedade em que os cidadãos se conformam em serem ignorados, saqueados, explorados e adestrados a não se rebelarem contra esta ordem de coisas.

    Quanto à tônica geral desta enxurrada de mensagens, não entendo porque tanta indignação por cada grupo defender-se a si próprio e atacar outros. Estranho seria se fosse o contrário.

Gerson Carneiro

18/06/2012 - 10h55

Vim para dizer que o apelo para a PM sinaliza falta de competência, e só.

Deparei-me com a ótima e feliz lembrança do comentarista Porco Rosso: “Cabe também uma citação de Salvor Hardin: ‘a violência é o último refúgio do incompetente'”.

Responder

    xacal

    18/06/2012 - 12h54

    Coitados dos competentes “manifestantes”. Ninguém entendeu a proposta pacífica e competente de diálogo expressa em vidraças quebradas, pichações e as ameaças a servidores, alunos e professores.

    Faltou o Gérson lá para traduzir…ahhh, desculpe, o Gerson está de férias

    Vilma

    18/06/2012 - 19h09

    Sinceramente, gostaria de saber: quando se sente agredido, você faz o quê? A agressão verbal e constrangimento ilegal… resolver no braço não vale.

    Christiano Almeida

    18/06/2012 - 21h48

    Acho que não seja o último, mas, o primeiro.

    gonçalves

    18/06/2012 - 22h59

    Parabéns “Carneiro” , defendendo a classe a manada de vandalos ^vai no estouro da ” boiada” tem tudo a ver

Sandro Kobol Fornazari

18/06/2012 - 10h46

A PM de São Paulo é uma das polícias mais violentas do mundo. Dados da Anistia Internacional recentemente divulgados mostram que, em 2011, foram mortas pela PM 437 pessoas, enquanto foram executados, em 31 países em que há pena de morte (exceto a China, que não divulga esses dados), 676 pessoas. Além disso, é flagrante a truculência com que a PM tem lidado com as manifestações e os movimentos sociais (não se esqueça de Pinheirinho). No vídeo que alguns estudantes da UNIFESP divulgaram, está claro que os policiais foram violentos e que provocaram a reação dos estudantes para que houvesse pretexto para prendê-los. Está claro também que os estudantes provocavam os policiais, gritando palavras de ordem a poucos centímetros dos seus ouvidos, eu chamaria isso de estupidez dado o despreparo e os métodos conhecidos da PM (a menos que eles desejassem mesmo ser vítimas, esperando assim apoio e simpatia de parte da sociedade, como do infeliz senhor Pró-reitor de Assuntos Estudantis, que até agora pouco fez para resolver os assuntos estudantis no campus de Guarulhos).
O que o vídeo não mostra é que esse grupo de estudantes não estava pacificamente se manifestando. Há um grande número de relatos que contam a mesma história: ANTES DA CHEGADA DA PM, os estudantes estavam muito exaltados, à porta da Diretoria Acadêmica, ameaçando invadir, quebrando vidros, computadores, forçando as portas. Se não se pode recorrer à polícia, pela sua desqualificação, quando se é ameaçado ou agredido, que opções se tem? Levantar uma bandeirinha branca como nos desenhos animados, tentar conversar? Se eu estivesse lá dentro, acuado dessa forma, não sei se teria coragem de sair e tentar conversar. Como tentar ser razoável diante de uma multidão enfurecida e que dogmaticamente se arroga detentora do saber sobre o que é justo, que menospreza o diálogo?
De uma coisa, não tenho dúvida nesse caso (porque é apenas desse caso que eu trato aqui): os estudantes não estavam com a razão, não agiram corretamente, foram violentos. Será que poderão fazer uma autocrítica nesse sentido, ou vão continuar arrogantemente se tratando como as únicas vítimas?
E é preciso que a sociedade se manifeste com apoio e solidariedade aos professores e funcionários que viveram esses momentos de terror.

Sandro Kobol Fornazari
Professor do Departamento de Filosofia
UNIFESP – Campus Guarulhos

Responder

Gerson Carneiro

18/06/2012 - 10h01

A imagem mostra um policial que de repente dá o bote, captura uma moça e foge. Isso é o quê?

Responder

    xacal

    18/06/2012 - 10h15

    Você está certo. Como eu disse antes, o que adianta debater com quem certeza?

    Então, fica aqui minha sugestão: Apanhe as imagens, faça uma representação junto a corregedoria e ao Ministério Público advogando esta tese do “sequestro”.

    Vai dar uma ótima contribuição à sociedade, exercendo seu “direito-dever” de cidadão.

    Eu acredito que você acredita no que fala. Nunca imaginaria que você utilizasse a manipulação semântica como objeto de populismo intelectual.

    Boa sorte.

    Gerson Carneiro

    18/06/2012 - 10h58

    Ah, não. Dá muito trabalho. Eu tô em férias. Prefiro ficar aqui me divertindo, vendo o xacal brigar com as imagens.

    Killimanjaro

    18/06/2012 - 11h10

    manipulação semântica a gente já ve a todo momento na mídia a serviço das as acessorias de imprensa da polícia do governo quando dizem que os alunos “invadiram” a Reitoria, quando eles Ocuparam. Ou quando dizem que praticaram atos “violentos” ao pixarem muros e quebrarem vidros. Destruição de propriedade não é violência. Tinta não machuca ninguem. Creio eu que bombas e balas de borracha sim configuram um ato de violência contra a pessoa Humana

    xacal

    18/06/2012 - 12h31

    Logo o Gérson, quem diria. Fazendo apologia da imagem como prova absoluta dos fatos.

    Pelo que já foi dito e repetido(ad nauseam)por aqui, as imagens foram “estrategicamente” publicadas (ou editadas?)no exato momento da truculência policial.

    Pois é, parece que o Gerson tirou férias de tudo mesmo…inclusive de alguma coerência.

    Vilma

    18/06/2012 - 19h19

    Claro que a imagem foi editada! Mostraram a parte que interessa aos alunos coitadinhos… só quem vive lá percebe o conflito: os alunos quebram portas e fechaduras, pixam paredes e vidros, xingam e gritam com professores, impedem servidores de sair. Hostilizam até terceirizados que passam para limpar a sujeira que os ditos estudantes fazem. E a culta sociedade cairá matando sobre a polícia? Me poupe. Se o movimento do pco lá tivesse um mínimo de respeito ao próximo não teriam parado na delegacia.

    abolicionista

    18/06/2012 - 21h33

    Minha Senhora, com todo o respeito. Sou professor do Estado e lido com esse tipo de coisa todos os dias. Há alunos que traficam drogas, andam armados e até já atiraram em uma diretora. Só que lá a gente não pode fazer nada. Esses alunos aí são uns anjos perto dos que os que eu enfrento todos os dias. Bem vinda ao mundo real. Desculpe-me pelas palavras duras, mas é a mais pura realidade. O sucateamento do ensino não vai ficar só na base, e já está atingindo o nível superior há um bom tempo.

xacal

18/06/2012 - 09h16

Meus caros:

Me parece que em certo ponto, o debate está interditado(mais uma vez, o que tem se tornado comum na blogosfera).

Temos aqui uma série de conflitos e sub-conflitos, que nos mostram como vai ser difícil manter o ritmo de amadurecimento das instituições democráticas, e aí, mesmo para o nariz torcido de alguns, está incluída a polícia.

Ficou claro para mim a pressa do blog do Azenha em publicar a versão de um dos envolvidos(muito embora não estivesse presente), que disparou contra a polícia, dizendo que esta é incompatível com universidade e blá, blá, blá, como se a academia estivesse “uber alles”, um idílico e intocável mundo.

A bem da verdade, esta é uma concepção comum na Universidade, embora não hegemônica, diga-se.

O blog assumiu para si a responsabilidade de veicular esta voz única como se fosse a única voz, servindo ao jogo de interesses políticos que hoje dá os contornos da disputa sobre as várias concepções de universidade, onde a Unifesp não seria exceção.

Sabemos que o processo de expansão de um modelo que privilegiava só poucos brasileiros para um modelo que inclui milhões é doloroso.

É este o clima que se instalou. Todos foram atingidos em sua “zona de conforto” e foram trazidos a ter que dialogar mais e mais. O resultado temos assistido.

Infelizmente, ficou claro que mais educação formal não significa mais tolerância.

…………………………………………………..

Por outro lado, temos a questão da polícia.

Espanta a rejeição a INSTITUIÇÃO POLÍCIA, e não a ação exagerada de alguns policiais.

Argumentação: A polícia é violenta! Óbvio. Mas ela não é mais nem menos violenta que a sociedade onde está inserida. Um passeio pelas periferias vai dizer isto, só que ninguém vê, pois ali a clientela não repercute quando morre.

Tremenda desonestidade intelectual é misturar este debate sobre o papel da polícia na sociedade para redimir um bando da vândalos travestidos de alunos, que imaginavam ter salvo conduto para quebrar tudo(talvez, imbuídos da ideia do professor: polícia e universidade não combinam).

Como também é uma tremenda desonestidade intelectual tentar contrabandear aqui teses para corroborar a violência policial.

Enfim, como diria Raulzito: “Ô senhores, isto é só o fim…”

Responder

Adalberto Simões Mania

18/06/2012 - 08h27

Trabalhei no campus durante um curto periodo e no período que estive ocorreu greve e me recordo de uma aluna perguntando quando acabaria a greve? Me pergunto que motivo leva a comunidade discente a se esconder no memento de greve ao invés de lotar as organizadas assembléias e deliberar por fim da greve ou contra esse tipo de manifestação.

Retirado do site: http://advivo.com.br/blog/luisnassif/relato-de-professor-no-caso-da-pm-na-unifesp
“Uns 15 minutos depois, da sala onde eu e mais uns 10 amigos estavamos em uma reunião do centro acadêmico, pela janela pude ver aproximadamente três viaturas da PM na porta do campus e logo em seguida um grande barulho que eu pensei serem bombas mas que na verdade eram tiros. Quando olhamos pela janela muita gente correndo, abrimos a porta, mais dois amigos entraram na sala para se proteger e logo depois disso os vidros desta sala ESTOURARAM nas nossas costas… mas não tinha sido bomba e nem tiro, mas um aluno (ou como queiram chamar) quebrando todas com uma lixeira… ”

A violência partiu de todos os lados, mas não entendo como 2000 alunos deixam 30 comandar. Em março quando deflagrada a greve discente os mais de dois mil alunos preferiram se esconder a participar das assembléias pela deliberação da greve, houve assembleia Inter-campi no dia em questão e dali deliberaram ações cujo resultado maior é mostrado no video.

Já participei de assembléias cansativas onde tivemos de resistir para votar a favor dos nossos interesses, manobras sempre ocorrerão mas é a falta de interesse da maioria que legitima qualquer tipo de ação nas assembléias.

Democracia é isso que estamos vendo, vamos aproveitar que é ano eleitoral para participar e mudar. Acredito que democracia plena é exercida com a maioria, onde esta a maioria discente? É preciso participar mais politicamente do movimento estudantil para não permitirem que trinta deliberem ações ou representem plenamente dois mil.

Responder

    Jess

    18/06/2012 - 08h47

    é lamentável sua falta de conhecimento sobre o que ocorre, seguido de um julgamento infundado.

    NÃO FOI UMA DELIBERAÇÃO DO MOVIMENTO QUEBRAR NADA.

Gerson Carneiro

18/06/2012 - 05h41

O que se ver no vídeo é um policial sequestrando uma aluna. É um sequestro relâmpago praticado pela PM, dentro da Universidade.

Responder

    xacal

    18/06/2012 - 08h43

    Acho que todos nós concordamos que a manifestação do gerson nem merece réplica.

    É só deixar ela assim, intacta, para que se esvazie jogada ao tempo do ridículo.

Arainat

18/06/2012 - 03h07

Quando o último reduto – nas sociedades democráticas – de livre manifestação e enfrentamento do “status quo” sucumbe à força do Estado, e mais que isso, tal violência é defendida de forma canhestra por àqueles que deveriam estar do lado da rebeldia (diga-se não só professores e alunos, mas toda a comunidade acadêmica), fica patenteado o quão frágil e enganoso é o projeto político-educacional que está em curso em nossas universidades. Se a liberdade de pensar e agir na contramão do Sistema não merece guarida na Universidade, então a Universidade não tem razão de existir. Não como espaço de liberdade, de questionamento e enfrentamento de todos os saberes e fazeres estabelecidos e sedimentados. Ser “conforme” o que o Estado impõe e a sociedade aplaude não contribui em nada para com àqueles que querem um mundo menos obsequioso com a violência e a exclusão.
Lutar por isso no espaço de uma Universidade livre exige coragem, enfrentamento e desordens, que devem ser resolvidas de forma autônoma dentro do escopo da própria Universidade.

Responder

    xacal

    18/06/2012 - 09h26

    “Quando o último reduto – nas sociedades democráticas – de livre manifestação e enfrentamento do “status quo” sucumbe à força do Estado,(…)”

    É academia ou religião?

    Esta idealização da Universidade como “reduto de civilidade” e, ou “foco irradiador de civilização” exclusivo(ou último) nos dá, de forma inequívoca, o animus que motiva quebra-quebras como este.

    Só falta sentarem-se a mesa ao redor do Santo Graal.

    Alguém precisa dizer ao amigo que a Universidade, como em ente da sociedade, e impregnado de suas contradições, ainda que em nível mais erudito, encerra em si tanto autoritarismo quanto qualquer outra esfera ou estrato da sociedade.

    A única diferença desse episódio á ação da polícia, antes reservada a conter os “bárbaros” que não conseguiram entrar na “maçonaria acadêmica”, embora a sustente com seus impostos.

Moacir Moreira

18/06/2012 - 02h22

A PM paulista é a herança maldita da ditabranda.

É urgente a sua extinção.

Responder

Elson

18/06/2012 - 00h53

Acho muito triste ver professores das ditas humanidades defendendo a ação da polícia militar. A mesma polícia militar que a comissão de direitos humanos da ONU pediu a extinção.

O papel da polícia não é negociar. Caso tivesse mesmo havido a postura coercitiva de alguns estudantes, como uma medida de segurança deveria agir? Ir lá e garantir a segurança dos ameaçados, defendendo-os e deixando-os em segurança.

Mas o que a polícia fez? O que sempre faz. Ataca a todos que aparecem na frente. Perguntaram alguma coisa aos funcionários que foram humilhados e reprimidos pela polícia? Quem ousou contra a segurança destes? Pelo risco de uns convoca-se aqueles que colocam a todos em risco?

O papel da PM não é proteger, é atacar, oprimir quando pode, reprimir quando a opressão não foi suficiente.

Falam em diálogo, mas o diálogo para alguns significa só que o outro aceite sua posição. Dizem isso de alguns alunos. Mas digo, isso ocorre em toda a universidade.

Repudio uma vez mais a ação desastrosa da Polícia Militar. Repudio a existência de uma instituição que se baseia nas mais crueis formas de violência para subjugar outros.

Temos urgentemente que compreender o que segurança, o que é liberdade. Todos nós.

Responder

    Júlio De Bem

    18/06/2012 - 01h41

    Não se discute com Vândalo amigo. Vândalo é só na truculência mesmo. Por que não picham suas casas ao invés do patrimônio público? São burros. Merecem cada cassetada por não usarem o cérebro e aprenderem que se deve respeitar quem pensa de maneira oposta a deles.

Ana Nemi: “A polícia foi chamada porque esses alunos não respeitam a democracia, a diversidade” « Viomundo – O que você não vê na mídia

17/06/2012 - 23h29

[…] Luiz Leduino: “Polícia Militar não combina com educação, universidade. Nunca dará certo” […]

Responder

Marjane

17/06/2012 - 23h20

Sou estudante da Unifesp/EFLCH e prefiro não me identificar por de fato temer represálias. Reconheço que essa não é a primeira ação agressiva dos estudantes grevistas (ressalto que não são todos agressivos). Há vários exemplos de professores sendo ameçados ou coagidos por estudantes e de outros alunos se sentindo inseguros dentro da própria universidade devido a um sistema atualmente vigente no qual uma minoria parece ter o poder sobre a maioria, que se encontra longe do campus por motivos distintos. Sim, o campus fica vazio em tempos de greve. Cerca de 30 pessoas costumam frequentar o espaço nesse período, estando ausente todo o restante do corpo discente. Houve durante a greve uma reunião com a reitoria a fim de dialogar, mas não foi isso que alguns estudantes fizeram. No vídeo, o mais desatento telespectador percebe as chacotas dos estudantes para com os membros da direção sendo disparadas desnecessariamente, pois onde realmente se preza o diálogo não há espaço para bobagens vãs. Enfim, esse comando de greve nem de longe quer negociar ou dialogar, eles são muito agressivos. Acredito que há outras formas de protesto, de pressionar a instituição para com os problemas estruturais do campus, que são vários. Com relação a ação violenta da PM, reitero: os docentes e funcionários estavam a cerca de 5 horas presos dentro da diretoria, com estudantes agindo de forma truculenta do lado de fora, depredando patrimônio público. O que a PM poderia ter feito? A ação foi violenta sim, mas não parecia haver forma diferente de ação. Infelizmente todos já conhecemos como esses colegas agem: eles não tem limites, eles parecem estar obcecados por um ideal e não parece ser a melhoria da universidade, pois há muito tempo não se fala em pauta de reivindicações e a diversidade de ideias não é respeitada. Qualquer tentativa de agir por outras formas é considerada “legalista e burocrata” pelos que dizem nos representar. Qual a forma de agir para com os grevistas? Se a polícia não combina com a universidade, violência também não. Estudantes são cidadãos também e como tal, devem ter plena consciência de suas ações. Depredar patrimônio público e coagir pessoas não é uma forma legítima de reivindicação e não condiz com um espaço onde se preza a intelectualidade. A ação da PM foi violenta mesmo, mas não vejo forma diferente de terem agido já que as pessoas os enfrentavam frente a frente, não demonstravam estar afim de ceder. O medo está instaurado em nosso campus há tempos, mesmo sem a PM. Espero podermos encontrar uma saída dessa situação lamentável, pois se antes nós tínhamos problemas estruturais, agora temos outro grande vilão: a desarmonia e desrespeito por grande parte dos estudantes para com os demais. Criou-se uma espécie de ditadura estudantil, onde ideias contrárias não são aceitas e há agressão física e verbal num espaço não destinado para tais fins.

Responder

Edson F.

17/06/2012 - 22h00

Educação e PSDB são incompatíveis!

Responder

Maria Fernanda Lombardi Fernandes

17/06/2012 - 21h56

Caro PH, a entrevista do pró-reitor Leduíno reforça a desastrosa nota da PRAE. A mim espanta que este senhor ainda ocupe cargo na reitoria da Unifesp.
Ao contrário do que afirma, os fatos do dia 14 foram outros, como vários colegas já disseram aqui.
Apesar de longo, posto abaixo um texto da professora Ana Nemi, assinado por vários outros colegas, enviado à ombudsman da Folha. Aqui, como lá, faz-se necessário ouvir outras vozes.

Maria Fernanda
Ciências Sociais – Unifesp

Gostaria de me manifestar sobre os episódios recentes no campus Guarulhos, onde funciona a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da UNIFESP. Ao contrário do que vem sendo veiculado, o que os alunos faziam ali não era ato político pacífico, eles estavam cassando o direito de ir e vir dos professores e funcionários que eles acuaram na Diretoria Acadêmica gritando “invasão”, “invasão”. O que a polícia fez foi retirar os alunos de lá para que os professores e funcionários ali acuados pudessem retornar do trabalho para suas casas. Quando a polícia chegou eles já haviam vandalizado o prédio quebrando vidros e pichando as paredes que estavam sendo recuperadas dos atos de vandalismos cometidos por eles durante os dias em que ocuparam o campus na semana anterior.
Sendo assim, gostaria de afirmar que também fiz movimento estudantil, também defendi a democracia no exato início dos anos 80 quando, em meio ao apagar das luzes da ditadura e o retorno dos exilados, lembrávamos que Edson Luís morreu para que pudéssemos falar e não para que estudantes das décadas seguintes impedissem colegas, professores e funcionários de uma instituição pública de se manifestarem e de darem aulas.
A polícia não foi chamada para impedir movimento político pacífico, ela foi chamada porque alguns alunos acuaram pessoas da comunidade acadêmica e optaram por tratar questões universitárias, por mais complexas e controversas que sejam, por meio da violência. Exatamente ao contrário do que vem sendo divulgado. A polícia foi chamada, repito, porque esses alunos não respeitam a democracia, a diversidade intelectual, cultural, social e política.
E que não se afirme que o que ocorreu na EFLCH/UNIFESP é precedente para que a polícia ocupe espaços universitários ou que estaríamos importando tecnologia da USP, conforme poucos colegas apressados e desinformados disseram. Estamos lidando com a exceção e, em nome dos princípios democráticos que a exceção pretende suspender, não permitiremos que se torne regra. Assim, não estou advogando a presença da polícia no campus e nem considero aceitável ver alunos feridos ou enfrentando policiais armados. Mas é bom lembrar que foram os alunos que precisaram chamar a polícia há algumas semanas para que um colega deles que defendia outras ideias saísse escoltado do campus em função das agressões que sofria, exatamente do mesmo grupo de grevistas que acuou parte da comunidade acadêmica na quinta-feira, 14 de junho. O recurso à exceção, portanto, tem partido dos alunos devido às atitudes autoritárias do grupo de alunos minoritário que vem sequestrando o espaço público de debates que vínhamos construindo na EFLCH, infelizmente…
Quero, no entanto, e para finalizar, resistir ao uso político e partidário que vem sendo feito dos problemas decorrentes da construção de um campus de universidade pública. Evidentemente não somos favoráveis ao uso da força como argumento político, por isso repudiamos o grupo de alunos que vem nos acuando violentamente e tentando sequestrar o espaço do campus em favor das pautas eleitorais dos seus pequenos partidos, assim como repudiamos a imprensa que os acolhe sem ouvir aos professores que eles perseguem e caluniam.

Cordialmente,

Ana Nemi (História/UNIFESP)

Em colaboração com:

Rita Paiva (Filosofia/UNIFESP)
Maria Fernanda Lombardi (Ciências Sociais/UNIFESP)
André Medina Carone (Filosofia/UNIFESP)
Maria Luiza Ferreira de Oliveira (História/UNIFESP)
Plínio Junqueira Smith (Filosofia/UNIFESP)
Bruno Konder Comparato (Ciências Sociais/UNIFESP)
Rafael Ruiz (História/UNIFESP)
Mirhiane Mendes de Abreu (Letras/UNIFESP)
Ligia Ferreira (Letras/UNIFESP)
Wilma Peres Costa (História/UNIFESP)
Gabriela Nunes Ferreira (Ciências Sociais)

Responder

    André Medina Carone

    17/06/2012 - 22h24

    Maria Fernanda, já encaminhei este nosso texto aos administradores do viomundo.com.br pelo facebook e solicitei que nos seja dado o mesmo espaço que foi dedicado ao Sr. Leduino. Espero que este blog, do qual sou leitor, mostre efetivamente o seu compromisso com aquilo que não se vê na mídia.

    Conceição Lemes

    17/06/2012 - 22h30

    André, por favor, mande o texto para este e-mail: [email protected]
    Nós publicaremos. abs

    elson de souza moura

    20/06/2012 - 14h39

    Considerações sobre o “Manifesto dos professores da EFLCH”

    Diferentemente do que foi afirmado na abertura do manifesto dos professores, o movimento estudantil não começou em março de 2012, mas em meados de 2007, ano da inauguração do campus Guarulhos sob as mais precárias condições. Levar a público um problema de longos cinco anos como se fosse novo constitui a má-fé de tentar persuadir de que os estudantes são afoitos e beligerantes.
    Durante esses cinco anos, a pauta de reivindicações continua a mesma, visto que nenhum ponto foi efetivamente resolvido, ainda que reconhecidos por todos como legítimos e necessários.
    Ainda em 2007, os estudantes foram convocados por seus respectivos departamentos, de maneira a fragmentar a coesão do movimento, e coagidos a encerrar a greve de então e a aceitar a adesão ao REUNI sem a devida discussão que, a propósito, se arrasta ainda.
    Além disso, na mesma ocasião, os incautos estudantes de posição política inconsistente foram incitados a comparecer à assembleia discente apenas no momento da deliberação sobre a continuidade da greve, unicamente para encerrá-la, como de fato ocorreu.
    Passados esses cinco anos de descaso, a acusação de radicalização do movimento estudantil não pode ser dirigida a supostos instintos violentos, pois tem fundamento na pública e notória sucessão de descumprimento das promessas de implementação de melhorias feitas em diálogos e negociações abertos a fórceps pelos estudantes desde 2007, ao contrário das acusações de intransigência que são raivosamente dirigidas aos estudantes. A crítica política honesta é motora do debate, mas a distorção e a farsa são execráveis.
    Insistir em ministrar aula em meio à greve discente é tão inocente, ou tão tático, e constitui tanta provocação e incitação à violência, quanto gritar palavras de ordem diante da polícia. Tamanha semelhança se reflete nos atuais protestos da mesmíssima natureza contra as consequências de ambos os casos.
    A acusação de que no dia 14 de junho a polícia foi chamada para conter a suposta quebradeira implementada pelos alunos é, no mínimo, leviana, pois pode marcar para sempre a vida de pessoas que foram expostas às armas, detidas e que podem ser punidas simplesmente por estar no cenário, sem sequer estar engajada no movimento em curso. Por isso, necessita de comprovação, não de condenação sumária. No vídeo amplamente divulgado pela mídia os vidros que aparecem quebrados no dia seguinte permanecem intactos mesmo durante o confronto entre policiais e estudantes. Ademais, no áudio divulgado pela PM, o próprio diretor nega que os estudantes apedrejavam os vidros no momento do acionamento da polícia.
    Não é o caso de elencar outros tantos aspectos controversos de inúmeros eventos passados, mas, pelo pouco que expusemos, perguntamos:
    Qual é o real objetivo da publicação desse texto travestido de manifesto?
    Onde estava e de que lado estava a maioria dos professores quando da implantação a toque de caixa do REUNI sem se saber se o programa ofereceria a devida estrutura para a ampliação das vagas?
    Quando foi, no decorrer desses cinco anos, que os professores tomaram a iniciativa de expor a situação do campus Guarulhos e buscar soluções efetivas nos momentos de retração do movimento estudantil?
    No que se refere ao encaixotamento de livros por falta de espaço na biblioteca, os professores se empenharam com o mesmo rigor dirigido contra a ação dos estudantes? E ao alto índice de evasão por falta de condições de permanência? E no tocante aos demais itens da pauta?
    Desculpem-nos os inocentes que assinaram o “manifesto”, mas na política não há espaço para a inocência. O texto é nitidamente um documento político. Seus objetivos mais evidentes são: municiar a burocracia administrativa para a criminalização e punição dos estudantes que, desde 2007, lutam por melhores condições para toda a comunidade acadêmica e dar sustentação à sórdida estrutura de poder que relega o corpo discente ao lugar mais baixo na escala de interesses. Basta ver o segundo ponto de protesto do manifesto, cuja bandeira é a restauração da ordem e a consequente preservação dos mandatos em curso, ainda que maculados pela inoperância e pela mentira.
    Concedendo-nos o direito da licença poética, e guardadas as devidas proporções, esse manifesto não difere das coletivas da assessoria de imprensa da ROTA, onde se justifica a eliminação de jovens da periferia sob a acusação de serem bandidos.
    Grande parcela dos professores está apenas preocupada em comparecer ao campus uma vez por semana, por obrigação, e em encaminhar sua carreira pessoal, por interesse particular. Razão pela qual a eliminação dos estudantes contestadores ao extremo e a restauração da ordem é tão vital e vale qualquer preço, inclusive romper o silêncio em favor do status quo e contra os estudantes que, a despeito de tudo isso, continuam apoiando os docentes em sua, desde sempre justa, luta por melhores condições de trabalho e por melhores salários.
    Na luta para que um episódio ainda controverso, ímpar e isolado não seja usado para eclipsar a saraivada de descaso levada a cabo por uma burocracia elitista e seletiva desde 2007 e em reconhecimento aos professores que se furtaram da assinatura do documento, em especial aos que demonstram, na prática, sua preocupação com o Campus e seu entorno, subscrevemo-nos:

    1.Elson Moura – Filosofia – Noturno (ingressante em 2007)
    2.Gilberto Calixto – Filosofia – Noturno (ingressante em 2007)
    3.Misael Jordão – Filosofia – Noturno (ingressante em 2007)

    Guarulhos, 20.06.2012

    RELATORIA DO DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO
    Publicado em 20 de junho de 2012
    São Paulo, 18 de junho de 2012

    Ao Ministro da Educação
    Sr. Aloizio Mercadante

    Ao Reitor da Unifesp
    Sr. Walter Manna Albertoni

    Ao Procurador Federal dos Direitos do Cidadão
    Sr, Aurélio Veiga Rios

    Ao Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo
    Sr. Antônio Ferreira Pinto

    Assunto: Repúdio à violência ocorrida na Unifesp/Guarulhos e solicitação de retomada imediata do processo de negociação entre as partes envolvidas no conflito

    Caros Srs.

    A Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação manifesta profunda indignação diante das denúncias de estudantes feitas à Relatoria sobre a violência policial ocorrida contra estudantes no campus da Unifesp-Guarulhos na última quinta-feira (14/6), amplamente divulgada pela imprensa.

    Às informações já veiculadas pelos meios de comunicação, somam-se relatos de abuso de poder e violência psicológica por parte de policiais militares e federais, entre eles, ameaças diversas – de raspagem dos cabelos dos estudantes à utilização de técnicas de tortura usadas no antigo Dops –, submissão das estudantes a usarem o banheiro de porta aberta, proibição durante 15 horas de conversas entre os estudantes detidos e desses com pessoas externas. Também registramos denúncia de assédio sexual contra uma estudante, protagonizado por policiais militares durante o trajeto até a Polícia Federal. Solicitamos investigação imediata de tais denúncias.

    A Relatoria também vem manifestar estarrecimento diante da falta de disposição e de capacidade para negociação demonstrada pelos gestores públicos diretamente envolvidos em um conflito político que tem como foco as condições de infraestrutura de funcionamento do campus Guarulhos da Unifesp. É um absurdo a nítida opção pela criminalização do movimento reivindicatório dos estudantes, demonstrada na última semana, em detrimento de alternativas negociadas.

    Diante da falta de capacidade demostrada para a negociação até o momento, solicitamos que o governo federal convoque um grupo de mediação de conflito, composto também por representante da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. É necessário construir respostas políticas a uma situação que se arrasta, que tem como objeto reivindicações consideradas justas por dirigentes da própria Unifesp, como o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Sr. Luiz Leduino Neto.

    Informamos que a Relatoria Nacional para o Direito Humano é uma iniciativa da Plataforma DHESCA (Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais), uma articulação de 34 organizações e redes nacionais de direitos humanos. Inspirada nos Relatores Especiais da ONU, a Plataforma possui mais cinco relatorias nacionais: saúde, moradia, alimentação, meio ambiente e trabalho.

    Com o apoio das agências da ONU no Brasil e da Procuradoria Federal do Direito do Cidadão, as Relatorias realizam investigações independentes e elaboram pareceres enviados para autoridades nacionais e instâncias internacionais de direitos humanos. A função de Relator não é remunerada e é exercida por pessoas com grande reconhecimento no campo em que atuam, responsáveis por liderar investigações independentes sobre violações. Cada relatoria nacional conta com um assessor, viabilizado com apoio das Nações Unidas. Atualmente, o mandato de Relatora Nacional é exercido por Denise Carreira, coordenadora de Educação da organização Ação Educativa e ex-coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, com assessoria exercida por Suelaine Carneiro, socióloga e integrante de organização Instituto Geledés.

    Atenciosamente

    Denise Carreira

    Relatora do Direito Humano à Educação

    Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque
    01223-010 – São Paulo – SP
    (11) 3151-2333, ramais 132 e 108
    educaçã[email protected]
    http://www.dhescbrasil.org.br

André Medina Carone

17/06/2012 - 21h42

Gostaria de dizer aos administradores deste blog e a todos que acompanham esta série de comentários que foi enviado há cerca de uma hora um texto redigido por um grupo de professores da Unifesp/Guarulhos que traz informações importantes, que não estão presentes na entrevista do Sr. Leduino. Material que merece de fato ser divulgado por um veículo que nos informa sobre o que não se vê na mídia.

Responder

mara

17/06/2012 - 21h40

Há filmagem? Quem quebrou foi a PM ou os estudantes na hora da barbárie, ou foi concomitante no momento do confronto?

Responder

    André Medina Carone

    17/06/2012 - 22h29

    Mara, as filmagens só começaram após a chegada da polícia. A respeito do que aconteceu antes, temos os depoimentos de professores e funcionários que não aparecem nem na fala do pró-reitor, nem na grande mídia e nem no blog do Azenha.

Aflito

17/06/2012 - 21h29

Completamente fora de pauta, mas vale a pena reproduzir. O intenauta ulysses freire postou este texto no blog do Nassif.

ulysses freire da paz jr.

“Não somos nada além de intelectuais prostituídos”

“O conceito de uma imprensa livre não existe. Você sabe disso e eu sei disso. Nenhum die vocês se atreveria a escrever suas opiniões honestas, e mesmo que o fizesse, não seria editado. Toda semana sou pago para manter a minha própria opinião fora da circunscrição editorial do jornal. Isto se aplica a todos igualmente, e aquele que não cumprir, está no ‘olho da rua’ e pode procurar um novo emprego.
A tarefa do jornalista é destruir a verdade, dizendo mentiras, distorcer os fatos e venalizar o país e a si próprio pelo pão de cada dia. Você sabe disso, eu sei disso, o absurdo que é para se chegar a uma imprensa livre? Todos somos ferramentas, marionetes e fantoches dos ricos, que manejam as cordas por trás dos bastidores. Dançamos de acordo com a música que tocam. Nossos talentos, possibilidades e as nossas vidas são patrimônio de outrém. Não somos nada além de intelectuais prostituídos. ”

Discurso de despedida de John Swinton em 1953, editor chefe do New York Times

fonte: http://www.stampalibera.com/?p=39040

Responder

ZePovinho

17/06/2012 - 21h20

QUANDO HAVERÁ DEMOCRACIA NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS,COM O VOTO DOS ALUNOS VALENDO O MESMO QUE O VOTO DOS DÉSPOTAS PROFESSORES?????????????????????????????????????

Responder

    ZePovinho

    18/06/2012 - 00h08

    Quer dizer………..com o voto dos professores valendo muito mais do que o voto dos alunos.

marcosomag

17/06/2012 - 20h55

Protesto estudantil, repressão pela PM, possível “plantação” de “provas” de que os estudantes teria “depredado patrimônio público”, processos contra estudantes.

Filme na UNIFESP igualzinho ao da USP!

Bem que o MEC poderia negociar de forma civilizada as reivindicações dos estudantes, não é mesmo Ministro Mercadante!

Ou então, agüente ser comparado ao medievalista que dirige a USP e aos uspianos com cassetadas da PM!

Responder

rodnei nascimento

17/06/2012 - 20h46

Lamentável essa pseudo-pseudo reportagem. Por que diabos não ouvem os professores e funcionários que foram alvo de intimidação e estavam prestes a sofrer sei lá que tipo de violência mais grave? Por que essa demonização da polícia e vitimização dos estudantes? A polícia é truculenta, eu sei., mas estudante nao esta acima da critica por que é estudante. Que jornalismo é esse que não se pergunta quem são esses estudantes e qual a relação deles com o conjunto dos discentes. O apelo à violência mostra-se aqui um meios eficaz de atingir fins políticos, com a conivência de um jornalismo preguiçoso.
Rodnei Nascimento
Prof. Adjunto do Departamento de Filosofia da Unifesp.

Responder

    marcelo

    17/06/2012 - 21h10

    Concordo plenamente com o Rodnei Nascimento.

    mara

    17/06/2012 - 21h21

    Me engana que eu gosto, estudante não é bandido é só dialogar, mas vc sabe isso?

    André Medina Carone

    17/06/2012 - 22h47

    Mara, eu queria concordar com você mas a minha experiência me desmente. Estes militantes não me permitiram nem mesmo entrar em sala de aula para discutir a greve e os problemas (reais) de infraestrutura. Se você estiver interessada neste assunto, recomendo duas outras fontes:
    http://advivo.com.br/blog/luisnassif/sobre-a-greve-da-unifesp-guarulhos
    http://advivo.com.br/blog/luisnassif/relato-de-professor-no-caso-da-pm-na-unifesp

    xacal

    18/06/2012 - 08h53

    Mara,

    Não há, em toda criminologia, nem no estudo antropológico e, ou sociológico, nenhuma premissa que defina de antemão quem É ou quem NÃO É bandido.

    Temos sim(aprendi, como policial civil, ouvindo palestras e lendo orelhas de livros)é o corte de classe e outras injunções, que definem na sociedade e apara o aparato policial quem É ou quem DEVE SER mais suspeito que outros.

    Assim, vamos punindo não os crimes(fato)mas quem achamos culpados.

    Isto está descrito sem máscaras na sua fala.

    Ora, quem age como bandido(comete crime)deve ser tratado como tal(sem exagero ou abuso, veja bem!), tanto faz se mora no Jardim Ângela ou no Morumbi, tanto faz se é estudante ou pintor de paredes.

    Não se negocia com quem já cometeu o crime e escolheu a violência como forma de pressão!

    Simples assim.

NONON

17/06/2012 - 20h05

Policia para bater em estudante/professor tem.
Tem delegacia do vale do paraiba contratando segurança particular para se proteger de assaltos.
NONON

Responder

Fabio SP

17/06/2012 - 20h02

Ué, e o governador não tá metido nessa?!?! Estranho!!!

Responder

lulipe

17/06/2012 - 19h57

Parabéns à PM, lugar de bardeneiro é na cadeia.Se quer protestar tudo bem, e um direito, depredação de patrimônio público é crime!!Os policiais foram até comedidos, deveriam ter descido o cacete que é o que essa cambada respeita e em alguns casos até gosta.

Responder

    bino

    17/06/2012 - 20h56

    lulipe,
    Acho que não foi o consentimento de todos ali depredar o patrimônio publico (sempre tem alguns exaltados), até acho errado isso, alias é contraditório reivindicar melhoras na infraestrutura e depredar o prédio. Porém, isso não justifica a ação truculenta da PM. Você o chama de baderneiros, mas você não faz ideia de quão precária é o prédio que eles estudam, o quanto eles estão lutando para ter um ensino de qualidade. Você deveria se informar antes de sair xingando.

    mara

    17/06/2012 - 21h25

    Estudante não é baderneiro, simplesmente estão reinvidicando melhorias, que se dependessem dos sentados nunca evoluiria.

ZePovinho

17/06/2012 - 19h48

A academia não muda………………..

Responder

Carlos Augusto Machado

17/06/2012 - 19h25

A reportagem é leviana e pior ainda é o comportamento do professor Leduino. Sou professor da UNIFESP-Guarulhos, e acompanhei por telefone e email o desespero de meus colegas professores que estavam lá encurralados na sala de estágio e na sala da diretoria acadêmica, com funcionários e administradores, quando após uma assembléia pacífica a minoria que tem nos agredido fisica e verbalmente nos últimos 3 meses invadiu o campus, pixou o prédio recém-pintado (depois das pixações da última invasão), começou a quebrar vidraças, computadores, móveis, e a gritar xingamentos contra os professores. É revoltante ser um professor universitário, ter estudado a vida inteira, trabalhar por um salário que de forma alguma faz justiça ao tempo de preparo, investir tanto emocionalmente e pessoalmente em um projeto maravilhoso de construção de uma universidade publica de qualidade em uma região até então abandonada pelas autoridades públicas, tudo isso só para ver a imprensa supostamente crítica e as próprias autoridades universitárias voltarem as costas contra nós. Voltarem as costas não, melhor dizer mostrarem os punhos cerrados, porque o que sofremos com o radicalismo da minoria (mesmo) dos estudantes de nosso campus é violência. Leduino não estava lá. É a segunda vez que professores são agredidos naquele campus apenas por estarem trabalhando e ele se coloca do lado dos agressores. Coragem nada! Trata-se de populismo barato. Ninguém aceita a violência cometida pela polícia. Nenhum de nós, professores da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, aceita essa violência. Mas nenhum de nós aceita a violência daqueles que são nossos alunos, e que são a minoria irracional de um movimento que tem reivindicações legítimas e que merecem o respeito e o apoio de todos nós. Fico revoltado em ver que um professor se colocar a favor da violência contra professores para fazer politica acadêmica. Isso é pusilânime. Se a imprensa quiser informar, ao invés de repetir o que lê no blog do comando de greve (fonte do vídeo exibido aí), que entreviste os professores do campus, ou o pessoal técnico administrativo. Ou pelo menos os alunos que não fazem parte do comando de greve.

Responder

    André Medina Carone

    17/06/2012 - 20h22

    Faço minhas as palavras do professor Carlos Augusto Machado. A grande imprensa omite deliberadamente que professores e funcionários foram acuados e encurralados por militantes em uma sala, e enfrentavam insultos, agressões e uma saraivada de pedras atiradas pelos vidros. Os novos blogs, essa imprensa que me parecia tão corajosa, está fazendo um papelão e agora abandona os professores à própria sorte, seguindo o triste exemplo do senhor Leduíno.
    Atenciosamente,
    André Medina Carone.
    Professor do Departamento de Filosofia/UNIFESP

    Felipe

    17/06/2012 - 20h49

    Agências de Pesquisa – federais e estaduais – financiando (relativamente bem) projetos de professores, relevantes ou não para o pensamento e desenvolvimento da sociedade, disputa pelo poder interno dentro das estruturas políticas da universidade (universidades que recebem de certa forma uma grande verba tanto pública como privada).

    POXA, QUANTA COISA PARA ALÉM DE VIDROS QUEBRADOS E PIXAÇÕES!!!

    Então convido à reflexão sobre a autoridade invocada por professores que se beneficiaram historicamente, de forma proposital ou não, da universidade excludente. Não se esqueçam de que as revindicações vão além de estruturas materiais elas são reflexo de uma luta por liberdade e democratização – plena – da universidade e sua influencia como fomentadora de projetos de sociedade.
    Os professores querem pesquisar e lecionar, os alunos não tem onde morar, a sociedade vive refém do sistema e do medo projetado pelas estruturas de controle… quem tem a razão – O QUE É A RAZÃO? O Professor que estudou muitão, o aluno que sofre com um projeto de universidade excludente ou a sociedade carente que não se vê contemplada por um campus de Filosofia e Ciências Humanas?

    mara

    17/06/2012 - 21h29

    Violencia gera violencia, ninguem ultrapassa este limite senão se sentir desrespeitado principalmente no meio academico, sentem e dialoguem, aí não tem vitimas.

Fabio Passos

17/06/2012 - 19h08

As demandas dos estudantes são mais do que justas.
Ao invés de queimar dinheiro com especuladores vagabundos no cassino financeiro, como defende a “elite” branca e rica e o PIG… o Estado deveria investir na educação.

Usar a polícia para reprimir manifestações de estudantes em uma universidade é um erro absurdo.

Responder

    Júlio De Bem

    18/06/2012 - 01h51

    Acorda rapaz, que porcaria vc ta falando?

    Estudante nao destrói seu local de estudo. A polícia nao combateu estudantes, combateu bandidos que ameaçavam covardemente professores que estavam trabalhando.

    Depredadores merecem levar porrada da PM. E depois não adianta chorar pra mamãe, que voltou do cabelereiro em plena terça feira as 3 da tarde.

    Fabio Passos

    18/06/2012 - 21h13

    Você está brincando, não é?

    parece até um leitor de veja… sieg heil.

Rafael

17/06/2012 - 18h27

O diretor e os professores responsáveis pelo patrimônio do campus, pediram socorro à Polícia para garantir sua própria segurança e impedir a violência e destruição de mais janelas, computadores e equipamentos da Universidade. A Polícia Militar sob comando estadual, por conta própria, no próprio estilo para qual é treinada, partiu para a violência com bombas, balas e pancadaria contra estudantes civis desarmados. Depois de prender 22 estudantes, a PM os levou para a delegacia de Polícia Federal na Lapa, onde passaram a noite fazendo os depoimentos legais. Em nenhum momento o diretor do campus pediu para a PM praticar violências. Isso é uma determinação superior aos soldados-feras paus-mandados. A cadeia de comando da PM: sargento, tenente, capitão, coronel, secretário de segurança pública, governador. Os estudantes estão no direito de reivindicar melhores condições de ensino, mas não no direito de quebrar vidraças, janelas, computadores. Quem quebrou deveria ressarcir, repor o equipamento na faculdade que é de todos.

Responder

José Eduardo

17/06/2012 - 18h25

A PM tem que ser extinta e ponto final! Essa é uma recomendação feita inclusive pela ONU. A polícia deve ser uma entidade civil e não militar. E vamos parar com esse papo nazi-fascista de que existe uma guerra urbana no Brasil. Não existe! Isso é papo dos Datenas da TV que, querendo ou não, lucram com a miséria e o pânico coletivos! O que existe é uma polícia ineficiente, mal preparada e mal paga submetida geralmente a governantes estúpidos e canalhas que a usam politicamente. E é preciso mudar radicalmente também o judiciário, que se esmera muito em proteger os ricos e condenar os pobres. Em nenhum país civilizado do planeta os juízes têm o poder que aqui têm. Juízes não são intocáveis! Enfim, ou se muda tudo isso ou continuaremos sempre com um pé na barbárie!

Responder

    xacal

    17/06/2012 - 18h58

    José Eduardo,

    Concordo contigo: A separação das polícias em duas cadeias de comando, e com um que se estrutura como “militar” é um assombro.

    Mas isto per si não garante um aparato policial mais “delicado”. Veja o caso na França, Grécia, EEUU ou Espanha durante a repressão aos manifestos contra a crise mundial.

    A questão policial (e do uso da força pelo Estado) transcende a questão da “natureza policial”(civil ou militar), mas é uma expressão do uso da violência a partir de premissa ideológicas.

    Agora, se por um lado a PM (em SP ou em qualquer outro Estado) merece nosso olhar e nosso questionamento (sem esquecer que só existe polícia violenta em sociedade violentas), os comentários preconceitusos

    xacal

    17/06/2012 - 19h14

    perdão, eu enviei antes de terminar, então:

    (…)os comentários preconceituosos que leio por aqui não ajudam a aproximar a sociedade deste debate necessário para definirmos de uma vez por todas: polícia para quê, polícia para quem?

    De certo que estudantes que escolhem depredar um patrimônio pago pelos tributos da maioria da sociedade que não poderá ver seus filhos sentados ali, naqueles bancos escolares, não merecem nenhuma condescendência.

    Punam-se os exageros da polícia, mas esta história de PM e Universidade não combinam é de uma autoritarismo sem par, professado pro quem diz combatê-lo.

    Se derem motivos, devem ser contidos pela força necessária. Isto também é premissa do Estado de Direito.

    mara

    17/06/2012 - 21h34

    Concordo.

Rafael

17/06/2012 - 18h21

Na prática, o que faria esse senhor se estivesse não numa reunião em Osasco, mas sim na situação descrita pelo diretor e professores responsáveis pelas instalações da universidade, que se sentiram acuados por jovens que quebravam vidros, janelas e computadores e que os ameaçavam fisicamente? Não ligaria para a polícia, pedindo proteção? Pago pra ver.

Responder

xacal

17/06/2012 - 17h54

A violência é indesejável. É claro.

A polícia estava lá porque foi chamada. Estamos diante de um dilema: Se mantêm os estudantes sem nenhuma admoestação, chamam a PM de frouxa, se ela age com energia, tascam: brucutus truculentos.

Ora, mais desastrada é a assertiva: PM e Universidade não combinam? Como assim? Então há território onde o Estado e suas forças não podem pisar?

Não tenho dúvidas que a PM (paulista, fluminense, paraense) não esteja de todo preparada para enfrentar manifestações e talvez, para lidar com os integrantes “inofensivos” da Academia.

É difícil agradar o gosto desse pessoal que exige um trato violento com a ameaçadora periferia (“os bandidos”) para poderem passear tranquilos nos Jardins, e se acham acima da Lei para ofender o direito alheio de ir e vir e o patrimônio público que juram defender, mas que depredam sempre que podem.

Fico cá com minhas insistentes dúvidas, embora não ache que a melhor forma de corrigir a seletividade de classe da Justiça seja difundir a barbárie:

E se esse quebra-quebra fosse em uma escola pública secundarista da periferia pobre de SP ou de outro rincão deste país? Haveria tanta mobilização? Já estariam soltos? Haveria alguma nota ou entrevista?

Responder

    Chacal 2

    17/06/2012 - 18h41

    Chacal 2 para Chacal Chacal 2 para Chacal 1
    – O que o elemento tá falando é sobre inteligência, in-te-li-gên-cia entende? Quer que repita ou mande desenhado ?
    -Câmbio Chacal 1 câmbio.

    xacal

    17/06/2012 - 19h26

    Xacal para chacal 2.

    E desde quando é a academia ou reitores que definem o que é “inteligência” ou quais são os limites para o uso da força pelo Estado?

    Agir com inteligência? Ora, depois de consumados os crimes(dano e constrangimento ilegal)não tinha que ter conversa nenhuma. Era reunir todo mundo e apresentar na sede da PF. Caso contrário, prevaricariam os policiais militares.

    Eu repito: Punam-se os exageros. SEMPRE.

    Mas quem escolhe depredar patrimônio público e restringiu o direito alheio de ir e vir deve estar preparado para enfrentar as conseqüências, que vão aumentando sua gravidade, à medida que aumenta a reação de quem deseja impedir o trabalho da polícia.

    Por quem ninguém argumenta no sentido contrário?

    Todos protestam, tudo bem, causa justa. Chegou a polícia, pronto, acabou vamos embora.

    Tão mais “desinteligentes” que os PMs são os que os enfrentam.

    Se não querem a PM ou outra polícia no campus, não cometam crimes. Simples.

    ricardo

    17/06/2012 - 18h46

    Na mosca, Xacal. E nas moscas.

Jairo Beraldo

17/06/2012 - 17h49

Repito pela milesima vez a frase de Einstein – “nasceram com cérebro por engano, bastava-lhes a medula espinhal”.

Responder

    xacal

    17/06/2012 - 19h50

    Está aí alguém que mede os outros pela sua régua.

    Gerson Carneiro

    18/06/2012 - 09h54

    Jairo Beraldo, parabéns. Sua régua é a do Einstein.

    Porco Rosso

    17/06/2012 - 20h09

    Cabe também uma citação de Salvor Hardin: “a violência é o último refúgio do incompetente”.

    xacal

    17/06/2012 - 20h45

    Perfeita citação:

    Quem depreda e coage é violento, tanto quanto quem abusa do uso da força em nome do Estado.

    O problema é enxergar violência apenas em um dos lados. Aí extrapola a incompetência e vira má-fé mesmo.

    Porco Rosso

    17/06/2012 - 21h04

    xacal

    Aquela mulher que é sequestrada pelo policial estava apenas gritando, assim como o resto do grupo: isso não é violência.

    Lohan

    18/06/2012 - 03h23

    Porco Rosso
    “Aquela mulher […]estava apenas gritando, assim como o resto do grupo: isso não é violência.” desculpe, para mim gritar é violência. Agressão verbal, por acaso. E caso não se lembre, xingar policiais é crime também. Eu, aluna, que participei de muitas assembleias me sinto acuada com gritos e a coisa toda.

    xacal

    18/06/2012 - 08h40

    Bem que dizem: focinho de porco não é tomada!

    Claro, mister porco, mas a pergunta é: O que ela disse para provocar a ação do policial?

    Essa resposta, só nos autos, e não há especulação possível que nos responda antes.

    Repito, e você parece não ter ouvido(será o barulho da réstia?): Punição para todos na medida de suas condutas: Aos policiais que exageraram e aos alunos que depredaram e coagiram outros alunos, servidores e professores.

    Simples.

    Porco Rosso

    19/06/2012 - 00h05

    xacal

    No instante em que o policial (homem adulto) agarra com extrema violência a estudante (jovem mulher), ela estava apenas gritando palavras de ordem com os colegas; não estava resistindo à uma voz de prisão, não representava risco à ninguém.

    Se ela “depredou” patrimônio público antes, isso é assunto de investigação e processo, se for o caso. Se ela foi flagrada quebrando alguma coisa e o PM a fosse prender por isso, teria dado voz de prisão.

    O que ocorre é que, no vídeo, fica claro que a ação policial (muito eficiente, por sinal: cada um sabia exatamente o que e quando fazer, tal qual um robô; quem dera a PM fosse eficiente assim pra reprimir o crime também) foi motivada por causa das palavras de ordem dos estudantes, que devem ter os chateado de algum modo (será que as carapuças serviram?).

    xacal

    22/06/2012 - 18h39

    Caro porco,

    Eu, em nenhum dos meus comentários(e desafio alguém que prove o contrário)disse que os PM estão certos, pois repito ad nauseam: A todos na medida dos seus excessos: PMs e vândalos estudantis…

    Meus comentários se dirigiram a ideia(quase criminosa)de que a Universidade, seja a USP do “geraldinho” ou a UNIFESP da Dilma, são territórios onde a polícia (Estado) deve se ausentar.

    E mais: combati que este argumento de questionar a truculência policial fosse utilizado como biombo ideológico para justificar o quebra-quebra…

    Já que citastes processos, etc, lhe digo: as imagens só devem ser consideradas depois de uma perícia (dentro do processo)…

    Um abraço

    PS: a polícia (PM ou civil) são eficientes sim, claro…veja as cadeias cheias de pobres, pretos e semi-analfabetos…

    Mas isto não é uma orientação apenas policial, não é?

    Tem professor que acha que polícia e Universidade são antagônicos e excludentes, pois é, vai ser difícil mudar o perfil dos presos…aí, só dá para trancar os pé-de-chinelos….

    xacal

    18/06/2012 - 10h18

    Ué, eu prefiro imaginar que a régua que ele utilizou foi a utilizada na ofensa que proferiu, ou seja, a régua dos descerebrados.

    Mas quem sou eu para falar do que eu disse, afinal, eu não sei o que falo, não é mesmo?

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