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Cartas de Minas
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Fátima Oliveira: Quem deve lavar as louças sujas são os governos

16 de julho de 2013 às 11h24

Aprenda, de uma vez por todas, aqui não dorme louça suja!

Um abandono,que, por pura má-fé, tentam imputar aos médicos

Fátima Oliveira, em O TEMPO
[email protected] @oliveirafatima_

Mesmo exausta após um plantão de 12 horas, lavo as louças do jantar. É olhar a pia e ver vovó Maria com o dedo em riste: “Aprenda, de uma vez por todas, aqui em casa não dorme louça suja!”. É um conforto chegar cansadíssima e encontrar a pia da cozinha limpinha.

No sertão, jantávamos na “boquinha da noite”. Muitas vezes, meu avô não havia chegado do curral, então as louças do jantar dele não eram lavadas pela Albertina, a cozinheira, mas por mim. Naquela noite, eu queria ficar de mutuca na calçada. Após pai velho jantar, arrumei as louças sujas numa bacia, ao lado do fogão à lenha. Mal me sentei na calçada, vovó puxou-me pelo braço.

Na cozinha, bradou: “Primeiro a obrigação, depois a devoção. Aprenda, de uma vez por todas, aqui em casa não dorme louça suja!”. Nem pia, nem água encanada. A água do pote de “lavar vasilhas” era gelada àquela hora. Frio de julho no sertão dói nas “juntas”. Abanei as brasas do borralho para esquentar a água. Abri a janela do lavatório – jirau de madeira, com uma gamela. Resumo da ópera: a lição de não deixar “dormir” louça suja é aplicável a quase tudo o que faço.

No imbróglio dos médicos estrangeiros, o entrave é a montanha de louças sujas “dormidas”: de séculos de abandono da assistência à saúde nas periferias metropolitanas e no Brasil profundo ao desrespeito às leis trabalhistas. Servidor público deve ser concursado. Os governos oferecem contrato, admitindo a precarização do trabalho como regra. É a institucionalização do “fazer cortesia com o chapéu dos outros”!

Rememorando vovó, que resistia a se consultar com “um doutor que não falava nada com nada”. Com cefaleia e vômitos por dois dias, no hospital foi taxativa: “Não quero aquele doutor que não fala nada com nada”. Era um médico boliviano, a simpatia em pessoa, mas, apesar de anos em Imperatriz (MA), só arranhava o português.

Era um hilário e irritante diálogo. Ela falava, eu traduzia. O que ele dizia, eu traduzia. E a consulta seguia, aos trancos e barrancos, evidenciando que a riqueza dos dialetos do português brasileiro é um fato a não desconsiderar nos serviços de saúde, pontuando que o “pt-BR” – código de língua para o português brasileiro –, embora de grafia culta una, é um conjunto de variantes de modos de falar, alguns de difícil compreensão até para brasileiros letrados.

Sou um monumento vivo dos sem-identidade linguística. Sertaneja maranhense, morei em São Luís durante dez anos. O “português da ilha” tem manhas e artimanhas! Na Atenas brasileira, há um modo ludovicense de falar. Em Belo Horizonte, é abrir a boca que indagam: “De onde você é?”. A minha fala é estrangeira em todos os lugares, pois ninguém se reconhece nela, nem maranhenses nem mineiros!

Em “A origem de classe é eterna”, escrevi: “A minha avó Maria, que adora ‘se consultar’, acha que, além de burros, os médicos não sabem de nada. São burros porque, quando ela vai se consultar, precisa levar alguém que traduza para eles o que ela diz. E não sabem de nada, ‘porque, se doutor fosse mesmo sabido, não morria’” (O TEMPO, 28.8.2002). Em “O direito humano ao remédio”, registrei: “Relembro a minha infância no médio sertão do Maranhão, onde não havia atendimento médico. Dizia vovó: ‘Se precisar vê o dotô for condição pá entrar no céu, pois fique sabendo que vai tudo pro inferno’. Vida dura, de total abandono do poder público” (O TEMPO, 10.9.2003).

E é um abandono de séculos que, por pura má-fé, tentam imputar aos médicos. Mas quem deve lavar as louças sujas são os governos.

 Leia também:

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Douglas da Mata

19/07/2013 - 10h04

Quando instados ao debate, os “batedores de pau” da indústria da medicina levam a coisa para o “campo sentimental”.

É preciso avisar: Não há três segredos de Fátima.

A vivência, a lucidez, a poesia, etc, não eximem ninguém de erros de avaliações, ou de posicionamentos políticos ruins.

Não é uma questão pessoal, embora a articulista goste do filtro personalíssimo.

O debate acerca deste tema, quando encaminhado por este viés beira as raias do ridículo, e aí, quando as coisas “esquentam”, os editores do blog correm para “proteger” a articulista, o que aliás, é direito deles, mas retira boa parte da credibilidade da discussão.

É preciso reafirmar:

01- Nem todos os comentaristas que apoiam as medidas do governo são governistas, ou estão à soldo do governo, mas se estivessem, qual o problema, afinal as redes sociais e blogs não são espaços onde o governo e seus militantes devem atuar como forma de aumentar a democratização da comunicação? Não é isto que exigimos? Ou querem uma chancela institucional, tipo: fulano de tal, assessor nível 34 da subsubsub secretaria ministerial?

02- O governo não disse, ninguém disse que os médicos são inimigos do SUS, apenas olhou os dados e buscou uma solução emergencial para uma emergência. Médicos deveriam saber que ações deste tipo se aplicam a situação deste tipo (emergência). Querer discutir nesta esfera a reestruturação do SUS e do financiamento( também necessárias e indispensáveis) é como convocar uma teleconferência internacional para atender um politraumatizado por tiro de fuzil no Miguel Couto.

03- Foram os médicos que se colocaram no papel de vítimas do governo para fazer sua defesa corporativa. Ora, não dá para reclamar agora das consequências, isto é, se colocaram no centro da polêmica e vão ser “atacados” como tais.

04- O programa mais médicos, ou a importação de médicos não é novidade no Brasil. Tivemos aqui o texto do ex-secretário de saúde de Tocantins, senão me engano, narrando o sucesso das iniciativas e das perseguições que sofreu do conselho regional e do federal. Lamentável. Mas o que mais assusta é que tal inciativa, legitimada pelo MS do governo ffhhcc, e depois por zé çerra, não encontraram nas corporações médicas as mesmas críticas.

05- Enviar médicos a outros países não é novidade para Cuba, que aliás, é festejada pela ONU e OMS por isto, e não me consta que houve graves problemas de adaptação em países com línguas cujas diferenças são muito maiores. Se não vierem para o Brasil, os cubanos serão bem recebidos em qualquer outro lugar.

Os outros comentários sobre “escravização”, ou “falta de supervisão”, e outras leviandades (na medida que não têm nenhuma base fática) devem ficar sem resposta, afinal, por que jogar pérolas aos porcos?

Responder

    Salvador

    20/07/2013 - 19h11

    Quanto ao item (2) Eu digo: os médicos e os planos de saúde NÃO querem o SUS. Já pensou se o SUS fosse um sistema que funcionasse quase à perfeição?

Douglas da Mata

19/07/2013 - 09h48

Governo decide aplicar o REVALIDA como avaliação de formação de médicos.

Não se trata de uma condicionante para obtenção da licença para clinicar, apenas um dado para planejar políticas estratégicas neste setor: formação!

A participação é facultativa!

Aposto um doce maranhense como a adesão dos “dôtores” será mínima! Afinal, pimenta nos olhos dos outros é anestésico.

Se tiverem um pouquinho de coerência (nome pomposo para vergonha na cara), Vossa Majestades deveriam fazer em bloco o exame.

Alguém se arriscaria a dizer o resultado ou a taxa de adesão?

Pois é…olha outro monte de louça para lavar.

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O mau jornalismo da Folha no caso dos médicos "desistentes" - Viomundo - O que você não vê na mídia

18/07/2013 - 23h45

[…] da Saúde, dentre os quais o Mais Médicos. O próprio Viomundo já publicou várias delas, aqui, aqui e […]

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Juan Carlos Raxach: Carta de um médico cubano - Viomundo - O que você não vê na mídia

18/07/2013 - 14h35

[…] Fátima Oliveira: Quem deve lavar as louças sujas são os governos […]

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J Souza

17/07/2013 - 13h40

O que o governo quer fazer com o “mais médicos” é o mesmo improviso que quer fazer com a “concessão” do pré-sal, pois alguns dizem que a pressa do governo em privatizar o pré-sal é para que a receita obtida seja contabilizada no cálculo do superávit primário.

No caso dos médicos, o governo propõe a solução imediatista de contratar, sem concurso público, e sem revalidação de diploma, médicos estrangeiros para trabalhar nos municípios que se cadastrarem (tendo ou não médicos naquele município!?). É um “tiro no escuro”… Ninguém sabe quem vai fiscalizá-los, pois fizeram um “contorcionismo” jurídico para contratá-los, nem quanto tempo eles vão ficar nesses municípios “sem médicos” (?). Tomara que dê certo, e que não venham para cá os piores dos outros países, a escória rejeitada por lá…

No caso do serviço civil obrigatório, camuflado de prolongamento do curso de Medicina, o benefício será para os estudantes de Medicina que não conseguirem passar nas provas de Residência Médica em 2020 e em 2021, pois como os melhores estudantes vão estar no serviço civil obrigatório de 2 anos, eles terão a chance de se tornar especialistas estudando menos nos concursos de 2022 e de 2023.

A outra questão, no caso do serviço civil obrigatório, é sobre a responsabilidade civil e penal sobre os atos dos supostos “estudantes” de Medicina com CRM “provisório”. Não haverá supervisores “in loco” para todos estes alunos em todos os locais de atendimento, pois, se houvesse, já haveria médico nesses locais e a medida provisória do governo seria desnecessária! Portanto, a primeira coisa a ser esclarecida será qual a responsabilização do “estudante” e do seu supervisor, que poderá estar distante dele, perante o Conselho Regional de Medicina e perante o judiciário.

A outra questão que surge será: qual o sentimento dos futuros médicos em relação ao SUS, se forem “escravizados” e obrigados a trabalhar em locais outros que não os hospitais universitários e unidades básicas credenciadas pelas universidades, que têm melhores condições de trabalho (geralmente nem tanto quanto as particulares, mas melhores…)? Esses médicos vão querer voltar ao SUS quando terminarem a residência médica depois de 4 ou 5 anos? Se sim, parabéns ao MEC! Se não, esse governo ajudou neste ano a afundar a saúde pública brasileira…

Responder

    Sora Loza

    15/09/2013 - 00h41

    CONCORDO!

Cebes: O SUS precisa de mais médicos. E muito mais! - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/07/2013 - 13h38

[…] Fátima Oliveira: Quem deve lavar as louças sujas são os governos […]

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Paulo

17/07/2013 - 11h51

Fátima, por toda a sua história de vida e dedicação à medicina e aos direitos humanos, pela sua indicação ao Nobel da Paz em 2005, uma poesia para acariciar a grande pessoa que você é. E a caravana vai passando…

EU VIM
Murilo Mendes

Eu não nasci no começo desse século.
Eu nasci no plano do eterno.
Eu nasci de mil vidas superpostas.
Nasci de mil ternuras desdobradas.
Eu vim para conhecer o mal e o bem.
E para separar o mal e o bem.
Eu vim para amar e ser desamado.
Eu vim para ignorar os grandes e consolidar os pequenos.
Eu não vim construir a minha riqueza.
Não vim construir a minha própria riqueza.
Mas não vim para destruir a riqueza dos outros.
Eu vim para reprimir o choro formidável.
Esse choro formidável que as gerações anteriores me transmitiram.
Eu vim para experimentar a dúvida e a contradição.
E aprendi que é preciso idolatrar a dúvida

Responder

Mari

17/07/2013 - 11h44

É uma bela e doce crônica de memórias que se entrelaça aos problemas atuais do campo da saúde. Fátima, a sua avó é uma figuraça, uma pessoa linda. Abaixo uma bonita crônica da Fátima para a avó dela

DOÇURAS E PICARDIAS DA VOVÓ
Fátima Oliveira

Nascemos no mesmo dia. Tivemos uma vida de muita intimidade: sou a sua primeira neta; afilhada e filha de criação. E fui o tudo e o todo de sua vida.
Doze de outubro de 2007. Iniciava o plantão quando soube que minha avó materna, Maria Andrelina da Conceição, falecera. Em Imperatriz, no Maranhão. Completou 86 anos em 20 de setembro. Nascemos no mesmo dia. Tivemos uma vida de muita intimidade: sou a sua primeira neta; afilhada e filha de criação. E fui o tudo e o todo de sua vida. Eu sei.
Decidida que não queria vê-la morta, e com um plantão para tocar nas 12 horas seguintes, engoli as lágrimas. Na mente, aos borbotões, cenas de nossas vidas juntas… Foi um dia com gosto de lágrimas… Era nítida a primeira vez em que saí de casa, para nunca mais voltar, aos dez anos, quando fui estudar em Colinas.
Arrastou-me para o quarto, onde retirou do sutiã um bolo de dinheiro: “Pega um dinheirinho…” Retruquei: “Mas o pai velho já deu o dinheiro de levar…” Num largo sorriso, ela foi definitiva: “É o dele. Pras despesas graúdas. Aqui é o meu. Pras tuas coisinhas; uma merenda; e pagar uma mulher pra lavar e passar tua roupa…” Não era pouco dinheiro.
Vovó era arteira pra ganhar dinheiro. Possuía uma padaria, seu próprio dinheiro. Até emprestava pro pai velho quando o dele andava “vasqueiro” (escasso, difícil). Se demorava a pagar, ela dizia: “Bota em teu avô pra me pagar logo. Se não, nada posso comprar pra ti”. O “nada” eram roupas de seda, musseline, organdi… “Coisas” de ouro, que ela a-do-ra-va.
Usava sempre, mesmo em casa, um bom brinco de ouro com uns brilhantezinhos. Havia um joalheiro ambulante que a primeira casa em que ia ao chegar à cidade era a nossa. Ela separava as jóias do seu agrado, mostrava pro meu avô e só depois fechava o negócio. “Braulino, olha as jóias. As que vou comprar; as que tu vais me dar e as da Fátima”.
Jamais meu avô disse não. Às vezes, dizia: “Maria, olha o dia de amanhã. Tu gasta demais, mulher. Estou apertado”. Pagava. Como não? Ela até emprestava do dinheiro dela pra ele pagar as jóias que ela dizia que ele estava dando pra ela! Perdi a conta do tanto que tive de cordões, pulseiras e anéis de ouro, de pérola, de prata… Ela me vestia como se eu fosse uma boneca. Na adolescência, vivi às turras com ela pra poder usar sandálias franciscana, calça Lee e camiseta branca, para ela “umas roupinhas chués, chués” (pobres…).
Era firme, uma matriarca assumida, porém prosista de marca maior (contadeira de causos “cabeludos”). Uma doce lembrança é sua alegria num Dia das Mães em que a presenteei com argolas de ouro e brilhantes. Na maior picardia, cravou: “Mulher, tem certeza que é ouro? As pedrinhas são diamantes? Vou usar. Se não for, tu vais ver”…
Dizia que, mesmo antes de ser uma “pessoa de condição”, nas orelhas dela só brincos de ouro. Ou de ouro, ou nada! Odiava bijuteria. A vida inteira, quando me via sem brincos, ou com bijuterias, dizia que eu matava qualquer mãe de desgosto.
Um dia, resolvi beber uma pinga. Ela, hor-ro-ri-za-da: “Virge Maria, ela aprendeu até a beber cachaça! Cem filha que eu tivesse nunca ia mais sair de casa pro mundo. Só aprendem o que não presta! Mulher, onde tu aprendeu a beber cachaça? Olha que tu não puxe à Custódia” – prima dela, boa de gole, que eternizei em “As cachaças de Minas” ( O TEMPO, 17.3.2004).
Vasculhei o computador em busca do que já escrevi sobre suas tiradas espirituosas e ensinamentos – uma forma de tê-la comigo foi eternizá- la no que mais amo fazer: escrever. Num lampejo, entendi: você me mandou pra cá, vovó! Nos vários gestos de dar um dinheirinho pras minhas coisinhas, sempre que eu voltava pra escola. Foi doce recordar cada vez que íamos pro quarto. Vovó vive no encantamento que tenho por ela. Ela virou uma encantada. No meu peito, em minha mente, pois eu falo “sawabona” (“Eu te respeito, eu te valorizo, és importante para mim”) e ela responde: “shinkoba” (“Então, eu existo para ti”)!

16.10.2007
A médica Fátima Oliveira escreve neste espaço às terças-feiras.

Responder

Acássia

17/07/2013 - 10h45

Alguns médicos e o Conselho querem tudo pra eles.

A prova é o ato médico: querem desclassificar o chinês que lhes ensinou acupuntura.

Responder

Tamires

17/07/2013 - 10h41

Os bate-paus aparecendo aos montes. Deveriam ter vergonha. Mas não têm. Precisam justificar seus salários perante o ministro twitteiro, cuja candidatura a governo de São Paulo está indo para o saco.
O mais triste é que o tal pode continuar ministro e assim prejudicando mais e mais a saúde brasileira com suas estabanações. Alguém tem de abrir os olhos da Dilma para que ela possa ver a erva daninha que ela está cevando na Esplanada dos ministérios, que além de incompetente é fundamentalista. E misógino, odeia as mulheres. A Nota abaixo é cristalina:

Posted: 26 Jun 2013 08:12
NOTA AO MINISTRO DA SAÚDE

Dr. Alexandre Padilha
Ministério da Saúde

Nós, entidades da sociedade civil, integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher-CNDM, vimos manifestar nossa indignação diante das alterações realizadas pelo Ministério da Saúde, no Capitulo III do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres – PNPM 2013/2015– Saúde Integral das Mulheres e Direitos Sexuais e Reprodutivos. Essa medida autoritária modifica os conteúdos aprovados na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres de 2011 e incorporados na redação do plano em fevereiro de 2013 e são o resultado de um amplo processo de mobilização social, que contou com a participação de grupos de mulheres de diversos segmentos e de sociedades médicas que trabalham pelos direitos das mulheres na área da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos, processo que contou com a participação de mais de 200 mil pessoas em todo o Brasil.

O Brasil é signatário da Conferência Internacional da ONU sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo, em 1994 e da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Beiging, em 1995, que garantem os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres como direitos humanos. Nessas Conferências, os governos de vários países, entre eles o Brasil, assumiram o compromisso de pautar a formulação e a implementação de políticas públicas pelo respeito e garantia aos direitos humanos, entre os quais se incluem os direitos sexuais e os direitos reprodutivos.

Além de difícil comprensão é inaceitável que um governo popular e comprometido com a agenda das mulheres venha alterar com ameaças de retrocesso o PNPM, como por exemplo substituir o termo abortamento (Atenção Humanizada ao Abortamento – Norma Técnica do MS de 2005, e 2ª Edição em 2011), por intercorrências obstétricas, entre outros absurdos, como está no PNPM “reformulado” à luz de velas pelo Ministério da Saúde.

Os países do MERCOSUL alcançaram um significativo avanço na construção do consenso sobre a saúde sexual e reprodutiva através da aprovação do Acordo RMSM-EA N º 20/04 e 21/04. Esse documento, consiste numa Declaração conjunta dos EEPP e EEAA que foi elevado à Trigésima sessão da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), ocorrida em San Juan de Porto Rico no dia 20 de julho de 2004. Nessa ocasião o MERCOSUL apresentou, dentre outros, os seguintes pontos de convergência que até este momento tem sido respeitados:

-Reconhecer plenamente os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas sem discriminação de nenhum tipo;

-Avançar na implementação de políticas integrais de saúde sexual e reprodutiva de forma coordenada e revisar a legislação vigente dos nossos países;

-Redobrar os esforços para reduzir a morbidade e mortalidade materna, levando em consideração todas as causas, garantindo o acesso a serviços de planejamento reprodutivo, atenção obstétrica de qualidade e atenção humanizada das consequências do aborto inseguro e o acesso aos serviços de aborto legal, quando a legislação assim o permitir.

As mudanças realizadas no PNPM por este ministério, representam um grave retrocesso em políticas e normas já assumidas neste órgão e ferem os princípios de liberdade e de direitos. Consideramos a necessidade de revisão do texto e a inclusão dos conteúdos originais pelo Ministério da Saúde e lamentamos a ausência de sua representação na reunião do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher realizada nos dias 4 e 5 de junho de 2013, onde esta questão foi debatida.

Atenciosamente

Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
Articulação de Mulheres Brasileiras;
Articulação Nacional de Mulheres Negras;
Liga Brasileira de Lésbicas;
Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos;
União brasileira de Mulheres;
LBL-RS – Liga Brasileira de Lésbicas – RS [email protected]

Responder

Dr. Rosinha: Médicos estrangeiros são bem-vindos - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/07/2013 - 10h38

[…] Fátima Oliveira: Quem deve lavar as louças sujas são os governos […]

Responder

J Souza

17/07/2013 - 09h15

Como diz o próprio Lula, no NYT, o PT precisa se renovar e se reaproximar dos movimentos sociais!
Os comentários dos militantes petistas nos sites, seja de direita ou progressistas, mostram que ele está, mais uma vez, certo.

É uma falácia dos militantes do PT que os médicos nunca ligaram para as condições atuais do SUS. Qualquer pessoa, por mais fanática que seja, que pegar o jornal (mensal) do Conselho Federal de Medicina (CFM) poderá ver que nos últimos 8 ANOS os médicos vêm denunciando a precariedade do SUS. E O GOVERNO CONTINUOU FINGINDO QUE ESTAVA TUDO BEM! Só assumiu que o SUS não está bem quando o povo foi para as ruas reclamar… Ai resolveu colocar a culpa nos médicos!

O governo Dilma, criando mais faculdades de Medicina, sem se preocupar com a estrutura e a qualidade das mesmas, continua a imitar o de FHC, como o faz também na questão da privatização do pré-sal, dos portos e dos aeroportos.

Sei que nada vai calar os militantes petistas, que têm que defender seus salários, mas deixá-los faltar com a verdade à vontade não vai ajudar a resolver os problemas do governo.

Responder

    Bernardo

    17/07/2013 - 09h52

    Não consta em lugar nenhum que o governo tenha imputado aos médico a calamidade que é a saúde pública. Não é, entretanto, raziável que a classe médica queira impedir uma ação emergencial para mitiga essa calamidade.O Governo anunciou o “Pacto da Saúde”. São 15,8 bilhões reais de investimento para a construção de 818 hospitais, centenas de unidades de atendimento 24 horas, milhares de creches (estas, uma ação indireta de saúde pública). O apelo para que se tenha médicos no interio e na periferia das grandes cidades é da sociedade. Os Governadores e Prefeitos não têm que lavar louça, temque fazer o dever de casa de Programa de Saúde.

    Acássia

    17/07/2013 - 10h34

    Boa. Se os prefeitinhos moleques substituirem os “executivos” de suas máquinas por médicos já teremos um saldo.

    E nenhuma rádio da direita diz que as máquinas mais inchadas são do

    P M D B !!!!!!!

    Pois isso não lhes interessa.

Mardones

17/07/2013 - 09h11

Esse debate é mesmo complicado, pois trata de um serviço essencial, num país que teme em não respeitar a sua constituição.

Os governos devem dar estrutura para médicos? Sim.

Os médicos se acham deuses? Novamente, sim.

Dois anos de serviços médicos vão salvar o SUS? Não.

Médicos estrangeiros vão fazer o que a população merce? Indefinido.

O Congresso Nacional vai priorizar os serviços públicos em suas decisões? Não.

O governo está disposto a lutar por serviços públicos dignos? Não.

As populações de cidades distantes dos grandes centros urbanos podem esperar a estrutura do SUS melhorar para receber os médicos? Não.

Os médicos foram às ruas para lutar pela CPMF exclusiva para a saúde? Não me recordo.

Responder

    Sora Loza

    15/09/2013 - 00h33

    Médicos se acham deuses?
    Dê o nome desses médicos a quem você se refere!
    Não culpe “os médicos” pela incompetência deste governo!
    Um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União foi divulgado e escancara a esculhambação do PT:
    Só 27% das verbas destinadas pelo governo federal à saúde foram utilizadas NA SAÚDE.
    Para saneamento, com impacto direto na saúde e na mortalidade infantil, usaram somente criminosos 9% das verbas.
    Na educação, usaram 45% das verbas disponíveis.
    E a culpa é dos médicos?

Antonio Luiz

17/07/2013 - 08h58

Aí eu me pergunto: e eu, assim como os outros profissionais de outras áreas, também não somos gente? Só o médico que sofre de dia e à noite tem que lavar louça? Ó Conceição, se liga. Esse privilégio não é apenas seu e de seus colegas médicos. Todos vivemos isso no dia a dia. Não conheço a vida íntima dos magnatas, banqueiros e outros parasitas sociais. Talvez estejam dispensados disso. Mas não é essa vida deles que quero atingir com a minha sublime e honrosa profissão que ganhei nos bancos públicos das escolas até chegar ao curso superior. Sei das minhas origens e delas tenho orgulho. Não quero ser um fazendeiro ou latifundiário no interior das Minas à custa da profissão e do galanteio fácil de uma população sofrida e sincera, como ocorre com a maioria dos médicos pelo interior do Brasil. O medo verdadeiro que tem vocês médicos é o da perda dos privilégios, pois pensam que lavar louça é só para pobres ou com o imposto alheio.
Bem que os cubanos poderiam vir e com eles trazer o Paredão, como maliciosamente propagam alguns. Tremei-vos. O Paredão que temem é o da reserva de mercado e o da perpetuação de privilégios.
Em Cuba (1993) vi muitas criancinhas de olhos brilhantes e muito alegres e dóceis. Sem demonstrar qualquer sintoma ou medo de serem devoradas por adultos comunistas. Muitas delas, certamente, para cá poderão vir. E lá, eu poderia falar Espanhol, Inglês ou mesmo o Português. Sem problemas de comunicação.
No último dia passei mal de tanto comer frutos do mar. Queria um sonrisal. Me informaram que isso não se vendia ou fornecia em balcões. Deveria eu passar pelo médico público disposto na esquina, a 200 metros de distância. Achei muito ter que passar em um posto ambulatorial por causa de minha gula. A moça do hotel me fez um chá de camomila e dali umas duas horas eu já estava bom. Os colegas mexicanos que encheram a cara por lá passaram várias vezes. Voltavam e continuavam enchendo a cara. Naquele último dia nos despedimos do paraíso, do carinho e da simplicidade. A casa de um médico ou de qualquer engenheiro cubano era de dar inveja a qualquer franciscano. Simplicidade, respeito e carinho, em especial com os brasileiros. Temo pela integridade física dos futuros médicos estrangeiros que por aqui virão, em especial cubanos, quando se tem uma categoria com meros açougueiros, divididos entre o consumismo de Miami e as noitadas dos Jardins.

Responder

    Paulo Figueira

    17/07/2013 - 12h31

    Assino embaixo

LEANDRO

17/07/2013 - 07h34

Saúde é direito do cidadão e dever do estado. Está na constituição. O governo não faz a parte dele e quando a insatisfação explode procura um inimigo para desviar o foco e transferir a responsabilidade. Ele arrecada e muito para prover saúde o resto é conversa fiada.

Responder

Gerson Carneiro

17/07/2013 - 04h58

O ideal seria cada um lavar sua respectiva louça.

Aqui em casa na maioria das vezes sou eu quem lavo. sorte que é louça apenas de duas pessoas; mas na casa de painho e mãinha era louça de 13 pessoas: painho, mãinha e mais 11 fí.

E quando você está lavando aquele montão de louça e já está no finalzinho e alguém encosta sorrateiro e deixa mais uma xicrinha?! Ah, vou negar não: dá vontade de tacar na cabeça.

Responder

    Acássia

    17/07/2013 - 10h51

    Engraçadilmais. Tocou no pontin. Todo brasileirin já lavou uma locin.
    Bomdilmais falar a mesma language.

Scan

17/07/2013 - 00h21

Douglas, jamais havia visto alguém postar tantos comentários pertinentes, acurados, claros e irrespondíveis como você fez aqui nesse tópico.
Parabéns e muito obrigado: é difícil encontrar pessoas que abordem determinado assunto de forma tão precisa e com lógica tão devastadora.
[]’s

Responder

    Hilton B.

    17/07/2013 - 08h18

    Pla-pla-plapla-pla-plapla-pla-plapla-pla-plapla-pla-pla
    Claque de desesperados, gente odiosa e invejosa, sim! Se não tiveram coragem para meter a cara nos livros e estudar medicina, não adianta mais chorar sobre o leite derramado. A única explicação possível para tanto ódio é única: inveja de médicos. Claro que não vão admitir, mas os zezinhos da vida que destilaram aqui além de ódio e inveja. Estudar medicina exige coragem e disciplina, acima de tudo. Não é para qualquer pessoa. E olhem que não sou médico, fiz outras opções e sou feliz na que escolhi, embora nem sonhe ganhar em um ano o que muitos médicos ganham em um mês.

    Acássia

    17/07/2013 - 10h32

    Não temos inveja não. Temos contato com médicos que jamais iriam a uma passeata pois estão trabalhando ou ensinando.

    Mas enxergamos, ainda, apesar das novelas.

    Hoje, enquanto o Dr. Padilha (que deve ser um ET pois médicos querem parecer outra coisa) dava entrevista na Brasil atual, a rádio que troca noticia malhava e malhava ” a importação industrial de médicos”.

    Quem lhes dá esse poder todo?

    Acássia

    17/07/2013 - 10h43

    Médicos não são os únicos que metem a cara nos livros.Que história é essa?!

    O problema é que eles tem uma profissão relacionada com pesssoas.

Douglas da Mata

16/07/2013 - 23h11

Foi um médico que assinou o “laudo” de suicídio de Vladimir Herzog.

Cada equipe de tortura tinha a assistência de um médico que atestava as condições para a continuação dos suplícios.

São médicos que assinam os “laudos” dos autos de resistência.

Temos muita louça para lavar…muita louça…mas vai ter médico preferindo quebrá-la antes.

Responder

Douglas da Mata

16/07/2013 - 23h07

Lógica da irmandade do avental:

Se dá tudo errado, a culpa é do governo!

Se dá tudo certo, o mérito é do médico!

Nem pajés, nem curandeiros têm uma auto-referência tão míticas de si mesmos!

Responder

Luís Carlos

16/07/2013 - 22h55

Alguém leu na página do CFM o que é chamado pela entidade de “Pró SUS”? Apenas pautas corporativas. Essa é a luta do CFM pelo SUS?

Responder

Douglas da Mata

16/07/2013 - 21h59

No Brasil, ao contrário de outros países, como em Cuba, estudar medicina virou sinônimo de distinção e escalada social.

Não à toa, ao invés de dar amplo acesso, e filtrar os profissionais-estudantes durante sua formação, nosso país cria um enorme funil na entrada.

Resultado: vagas públicas para a elite, e uma indústria de diplomas para quem puder pagar, ou se pendurar em financiamento oficial, ou bolsas.

Por isto, e por outras coisas, os médicos brasileiros além da própria natureza do ofício, que lida diretamente com bem estar e a sobrevivência humana, se imaginam como semi-deuses, impassíveis de questionamento, à salvo de qualquer crítica.

Os conselhos de medicina raramente processam, e quando processam, menos ainda punem seus pares pelos erros cometidos.

80% dos estudantes de medicina que ocupam Universidades Públicas são oriundos da classe B e A.

É um processo que se retroalimenta, e que resiste a qualquer mudança que abale seu status quo.

No entanto, frente as alterações que mercantilizaram a medicina, e tornaram o setor público um mero remunerador dos interesses privados, os médicos responderam com silêncio domesticado.

Em relação a substituição humanista, que privilegia clínica médica e não a especialização mercenária, que exige cada vez mais e mais complexidade, quando a maioria dos paciente só quer atenção, os médicos ruminaram sua omissão semovente.

Muitos deles engrossaram o coro contra a CPMF.

Outros tanto distribuem recibos falsos (ou vendem) para que a classe média drible o IRPF.

Com tantos “direitos”, e tão poucos deveres, não é por acaso que os médicos acusem a todos que questionem tal situação de invejosos.

É verdade: quem não quer estudar com o patrocínio do governo, escolher onde trabalhar e ganhar bem mais que a média nacional?

Questão de competência?

Questão de capacidade intelectual?

Afinal, você que ganha três ou quatro salários mínimos, por que não estuda medicina, ou coloca seu filho lá? És burro? Preguiçoso?

Ah, já sei. Agora você não vai querer que sua filha(o), condenado a ser balconista com diploma de pedagogo, termine medicina em 08 anos, e tenha que trabalhar no SUS, lá em Paraopeba.

Responder

    Scan

    16/07/2013 - 23h45

    Clap, clap, clap para suas três postagens, Douglas.
    []’s

    francisco pereira neto

    16/07/2013 - 23h50

    Eu não queria entrar nessa discussão. Acabei acertando, depois de ler o seu comentário.
    Não podemos generalizar críticas à uma classe de profissionais, mas a classe médica bem que está merecendo essas palmadas na bunda.

Mari

16/07/2013 - 21h49

“Em casa que falta pão ninguém tem razão”
Alguém já disse que “política é a arte de dialogar”. E eu acrescento “E não de esculhambar quem pensa diferente”.
Não esquecendo que vivemos numa democracia, parece que as pessoas não sabem ser minimamente civilizadas. Há cada comentário aqui que penso estar numa praça de guerra. As pessoas deveriam ter um pouco mais de vergonha e de tolerância porque do jeito que dizem aqui parece que queremos viver mesmo é num mundo sem médicos.
O governo errou de inimigo ao querer degradar uma categoria profissional sem a quel não podemos viver. Vai pagar caro por tal erro.
Vamos debater. Trocar ideias e não esculhambações.

Responder

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 22h01

    Isto é um comentário auto-referenciado? Sim, porque eu não acredito que só tenha enxergado intolerância de um lado.

    É, como na mídia corporativa, uma “moral seletiva”?

    Ih, Azenha e Conceição, o troço ‘tá bravo.

    Mari

    16/07/2013 - 22h07

    Corrigindo o ditado:
    Em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão

Douglas da Mata

16/07/2013 - 21h45

Atenção:

Neste tema saúde pública, para alguns debatedores, portadores da “verdadeira verdade” defender qualquer política pública do governo é passível de exílio.

É mais ou menos assim: hay gobierno, soy contra!

E tome rótulo: “carneiro”, “pau mandado”, blablabla.

Argumentos? Neca de pitibiriba!

Responder

Alice Matos

16/07/2013 - 20h57

Sua avó fez um diagnóstico correto: “‘Se precisar vê o dotô for condição pá entrar no céu, pois fique sabendo que vai tudo pro inferno’”.
Era assim, continua assim em muitos lugares. Como já li muitas crônicas suas sobre a sua avó sei que ela era uma sertaneja analfabeta, mas uma mulher sábia.
Os políticos deveriam ter vergonha de há tantos anos uma sertaneja ter diagnosticado corretamente os problemas da Nação e eles nem tchuns!
Comentaristas deveriam ter vergonha dos políticos que defendem Principalmente os paus mandados do Padilha, que bem sabemos quem são aqui. Têm de mostrar trabalho pelo dinheiro que ganham. Comentam que só jornalistas ele possui mais de trinta no gabinete, todo mundo mamando nas tetas do Estado. Precisam trabalhar de vez em quando.É de margar.

Responder

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 21h40

    Bom, se remuneração fosse critério para desempenho, nossa medicina seria muito melhor que toda América Latina, e Cuba incluída.

    Não parece ser o caso.

    Eu fico muito triste quando posição política ou opinião passa a ser desqualificada pelo rótulo.

    Rótulo é para comida e sabão em pó.

    Rejeito classificar os que discordam de mim como porra-loucas, ou desocupados e preguiçosos da medicina, ou ainda, mercenários.

    Não é só isto, embora boa parte até corresponda a estas definições.

    É preciso mais para o debate.

    Dados? Não vi nenhum que contrariasse os números da OMS, por exemplo!

    Dados? Não vi nenhum que me convencesse que as condições de Cuba sejam melhores que a do interior do Acre, e porque, mesmo sem salários e sob intenso bloqueio, eles consigam ser muiiiiiiiiiiiiito melhores que nós no quesito saúde pública!

    Carreira de Estado? Ótimo, mas aí não vai poder clinicar na rede privada, nem para si, e muito menos receber brindes e aconchegos da indústria farmacêutica.

    Juízes, promotores, delgados, defensores e policiais não podem ter outra fonte de renda.

    Não dá para ter carreira de Estado e privilégios dos “liberais”.

    E dava para ficar horas desfiando situações inexplicáveis e escondidas atrás da gritaria.

    Mais dados, menos rótulos.

    José de França

    17/07/2013 - 08h18

    Parabéns, Douglas.

Luís Carlos

16/07/2013 - 20h34

Ao ler o texto, parece que a categoria médica e suas entidades não tem “louça suja” a ser lavada. Não só tem, mas são pias e mais pias de louça muito suja. Imunda! Falar de governos? Pois bem. Nas cidades do interior (mesmo nas grandes e capitais) quantos prefeitos são médicos? Muitos! Vale lembrar que o estado mais rico do país, SP, tem governador médico! Na Câmara Federal e no Senado quanto parlamentares são médicos? Posso estar enganado, mas creio que a maior bancada seja de médicos, ou talvez, no máximo, a segunda maior. Os médicos estão nas instituições de governo e nos parlamentos e ainda tem o desplante de não assumirem sua parte nesse processo. Parece não só ter louça para lavar mas muitos candidatos a “Pilatos” também achando quero o povo não sabe identificar os problemas e que os tem negado.

Responder

    Igor

    16/07/2013 - 20h40

    Mais médicos ou menos indecências
    MIGUEL SROUGI

    Os estágios no SUS terão início em 2021. Quantos corpos sucumbirão até lá, vítimas da ventura sempre prometida e nunca concretizada?
    Não vale mais a pena discutir a vinda de médicos estrangeiros. Proposta falaciosa, destinada ao fracasso. O governo percebeu a indecência e descartou os médicos cubanos. Deu-se conta de que eles aqui atuariam em regime de escravidão, como bem demonstrou Flávia Marrero, da Folha.
    Tampouco vale a pena discorrer sobre os médicos portugueses e espanhóis. Criados com padrão de vida inatingível para a maioria dos brasileiros, nunca se adaptariam aos rincões abandonados e carentes da nação. Teriam que praticar em condições desprovidas de dignidade e sem chance de propiciar vida honrada para si e seus familiares.
    Ademais, dificilmente receberíamos profissionais competentes, prósperos em seus países. Sem um exame de competência, para cá viriam muitos médicos desqualificados, desconfio que até alguns insanos ou foragidos.
    Modificando radicalmente o seu discurso, o governo fez novo anúncio: curso de medicina de oito anos, dois deles dedicados ao trabalho no SUS. Simpatizei inicialmente com a ideia, menos desvairada do que trazer médicos estrangeiros, mais justa com a sociedade, que custeia a formação dos médicos da nação.
    Ressabiado com os recentes disparates oficiais, debrucei-me em reflexões e terminei desconsolado. Esse estágio coercitivo é compatível com a prerrogativa de liberdade, direito inegociável da existência humana? Será que estagiários inexperientes conseguirão atuar num sistema público devastado pelo descaso e pelos malfeitos e assumir a responsabilidade de resgatar seres para a vida?
    Instrutores e professores qualificados aceitarão migrar com suas famílias para os grotões remotos do país, amparando os estagiários? É justo obrigar um médico a estudar 12 ou 13 anos (curso: oito anos, residência: quatro a cinco anos) para poder exercer sua profissão e dar suporte à sua vida e da sua família?
    O programa começará em 2015 e os estagiários iniciarão sua prática no SUS em 2021. Quantos corpos desassistidos sucumbirão até lá, vítimas da ventura sempre prometida e nunca concretizada?
    Além dessas imperfeições na nova proposta, incomodaram-me a completa falta de discussão com os seus protagonistas e o ardor incontido com que ela foi apresentada. Fez-se crer que toda a indecência na saúde deve-se à falta de médicos. Um embuste, já que a Organização Mundial de Saúde recomenda como padrão assistencial ideal 1 médico para cada 1.000 habitantes e no Brasil essa relação atual é de 1,76/1.000 habitantes.
    A realidade é que a saúde da nação está subjugada a um sistema governamental insensível, que vetou em 2011 lei que destinava 10% do Orçamento da União a essa área –a Argentina aplica mais de 20% ao ano em saúde.
    Esse é um dos motivos –não a falta de médicos– pelos quais existem 1.200 pacientes aguardando internação para cirurgia no setor de Urologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, cerca de 200 deles com câncer e 140 crianças. O mesmo motivo impede outros hospitais públicos de cumprirem a sua missão. Quando um paciente é operado de apendicite, essas instituições gastam cerca de R$ 3.900 e são ressarcidas pelo SUS com R$ 414,62!
    Senhora presidente, mais um clamor, respeitoso. Assuma a determinação política de priorizar recursos para as áreas sociais. Atue na saúde com competência e sensatez, não com respostas transloucadas aos gritos indignados da nação. Para que os brasileiros possam vislumbrar o alvorecer com esperança.
    E combata com arrojo o grupo de ímprobos e incompetentes instalados no teu entorno. Sem esquecer o arcebispo Desmond Tutu: “Se ficarmos neutros numa situação de injustiça, teremos escolhido o lado do opressor”.

    MIGUEL SROUGI, 66, pós-graduado em urologia pela Universidade de Harvard (Boston), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do conselho do Instituto Criança é Vida

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 21h21

    Mentiras e mais mentiras. Deve ser uma epidemia.

    A média em regiões pobres e periféricas cai a 0.8 médico por mil habitantes.

    700 cidades não têm médico algum.

    Cerca de 6000 unidades de saúde estão prontas, esperando médicos ou funcionando com enfermeiros(as).

    Se levarmos em conta as dimensões do país, e suas peculiaridades de locomoção no território, esta má distribuição assume contornos de tragédia.

    DADOS:

    http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-05-20/oms-alerta-para-o-baixo-numero-de-medicos-no-brasil.html

    E MAIS DADOS:

    http://saudeweb.com.br/13355/indice-de-medicos-esta-abaixo-da-recomendacao-da-oms/

    É simples:

    Não dá para debater com uma das categorias mais elitistas e parasitas do Brasil(sim, porque só ascenderam a profissão por usarem as universidades públicas pelos pobres que detestam atender).

    Ministro e Presidenta: passa o rodo, e pronto!

    E a partir de agora, arrocho fiscal em cima deste bando de sonegadores.

    Vai sobrar dinheiro para custear a saúde pública!

    Quem quiser chorar, entrega a carteirinha. Com o salário de um médico-chantagista dá para pagar 8 cubanos, no mínimo.

    E pelos índices de lá, vamos ficar muito mais satisfeitos.

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 21h25

    PS: a maioria dos doutores deste país (de verdade, com doutorado) estudam 12, 15 e/ou nunca param de estudar para ganhar 1/3 de um residente que acabou de limpar as espinhas da cara.

    Não estão satisfeitos, simples: deixem a medicina para quem quer exercê-la, onde ela é realmente necessária.

    Repito: vaga em universidade pública só para pobre! Aposto com quem quiser que o problema da fuga de médicos dos rincões acabaria!

    Quem quiser fazer fortuna com a medicina, que pague por seus estudos e escolha, aí sim, onde quer trabalhar.

    Se for com meu imposto, quem decide é aquele que eu elegi.

    Luís Carlos

    16/07/2013 - 22h44

    O Dr. Miguel, pós graduado em Harvard, não citou um único dado epidemiológico brasileiro. Será que conhece? Caso sim, desconsiderou os dados para seu texto. Talvez tenha entendido que devesse esconder ou não citar pois seriam contrários ao texto que desenvolveu. Talvez saiba mais da epidemilogia ianque do que da brasileira. Cita razão de médicos no Brasil, mas não cita distribuição, nem tampouco cita a necessidade de discutir isso em razão de coorte. Estranho para um pós graduado. Não conhece técnicas de pesquisa muito sabidas por quem estuda saúde pública, por exemplo? O texto é rico nos argumentos espalhados pelos conselhos de medicina, autarquias públicas, tomadas de interesses privados e corporativos, e por outras entidades médicas, como por exemplo, culpar exclusivamente governos pelo problema da saúde pública brasileira. Mais, faz da categoria médica, completa vítima do sistema político, e não sujeito histórico da dominação econômica e do modelo médico hegemônico. Já Machado de Assis denunciava esse modelo no texto “Alienista”. De lá para cá parece que muito poucos se interessam por boa literatura, menos ainda por sociologia da saúde. A categoria médica e seus conchavos com a indústria farmacêutica passa batido no texto do autor. Também ignora o texto, as influências das entidades médicas e da corporação na formação médica e o foco dessa no mercado e não na saúde pública. O texto pesa a mão sobre os governos e suas mazelas, mas esconde passivo da corporação médica com a saúde pública e população brasileira. Tudo por uma boa parceria de dominação da massa, em favor do capital internacional e de suas contas bancárias. Que digam seus consultórios privados com badulaques e reformas oferecidas por indústrias e suas viagens para congressos bancadas imoralmente por indústrias farmacêuticas e/ou distribuidoras.
    O Dr. urologista que escreveu o texto sabe que são feitas, por exemplo, vasectomias pelo SUS? Será que onde ele fez a especialização, nos EUA, isso é oferecido para população? Não. Mas isso pouco importa, sempre haverá espaço para defesa do modelo estadunidense contra o SUS. A simples defesa de mais dinheiro para o SUS não nos coloca no mesmo lado, pois cabe a pergunta. Mais dinheiro para quê Dr.? Para manter o modelo de atenção perdulårio e fracassado defendido por entidades médicas, com muita atenção hospitalar, muitos especialistas nos grandes centros, muita tecnologia dura e pouca resolutivdade, e pouco ou nenhum impacto epidemiológico sobre, por exemplo, mortalidade infantil e materna?
    Muito corporativismo e pouco compromisso social.

    Reinaldo

    16/07/2013 - 23h12

    Muito bem Douglas, Obrigado por dar a resposta adequada a estes que buscam uma reserva de mercado a custa do sacrifício das pessoas.

    Sora Loza

    15/09/2013 - 00h22

    Perfeito!

    Um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União foi divulgado na semana passada e escancara a esculhambação do governo PT:
    Só 27% das verbas destinadas pelo governo federal à saúde foram utilizadas NA SAÚDE.
    Para saneamento, com impacto direto na saúde e na mortalidade infantil, usaram somente criminosos 9% das verbas.
    Na educação, usaram 45% das verbas disponíveis.
    Se este governo estivesse realmente preocupado com a saúde, saneamento básico ou educação, deveriam ter vergonha desses números em vez de culpar uma categoria para disfarçar a própria incompetência em governar!

Alexandre Bastos

16/07/2013 - 20h32

Antes de qualquer outra coisa digo a Fátima Oliveira que fiquei extasiado com a beleza com que narra suas memórias e como com sabedoria as entrelaça ao hoje. Coisa de GENTE que viveu plenamente e vive.
Eu realmente me lavo com tantos berros dos carneirinhos de um governo que se afoga em bobagem, como a de eleger uma categoria profissional indispensável à nação como bode expiatório.
O Tiro está saindo pela culatra. E o culpado é o Padilha, que ao invés de aglutinar espalha brasa pra todo lado.
As Universidades Federais estão começando a se pronunciar. E a coisa não está ficando boa.
Pensem: alguma coisa está saindo errado!!!!!

Portal divulga nota da Faculdade de Medicina da USP sobre programa Mais Médicos
Por: Assessoria PPS e FMUSP

Para colaborar com a discussão em torno da Medida Provisória do Programa Mais Médicos, o Portal do PPS disponibiliza íntegra de nota divulgada nesta segunda-feira (15) pela Faculdade de Medicina na USP. Entre outros pontos, a proposta do governo abre a possibilidade de importação de médicos estrangeiros sem a necessidade de validação do diploma e estabelece dois anos de trabalho obrigatório no SUS para os formandos em medicina. Confira abaixo a íntegra da nota.

Nota Oficial – Medida Provisória Mais Médicos para o Brasil

1. A Diretoria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) manifesta sua profunda preocupação quanto aos pontos centrais da Medida Provisória Mais Médicos para o Brasil, anunciada pelo Governo Federal no último dia 08 de Julho p.p., e seus impactos na formação médica no Brasil e o objetivo nacional de uma Saúde Pública de qualidade, pelos motivos que se seguem:

a) A proposta de aumento de mais de 11 mil vagas para a Graduação em Medicina é temerária num quadro em que diversas Instituições atualmente credenciadas pelo Ministério da Educação não oferecem formação adequada aos seus alunos, inclusive sem hospitais de ensino, fundamentais para a educação médica. O exame do CREMESP – Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, tem apontado, ano a ano, a insuficiência dessa formação. Qualquer proposta de ampliação de vagas, deveria ser precedida por ação do Ministério da Educação de fiscalização efetiva dos cursos médicos e exigência de condições adequadas para a formação como a obrigatoriedade dessas Instituições manterem hospitais de ensino;

b) A ampliação da duração do curso de Medicina de 6 para 8 anos, com o acréscimo de um novo ciclo de 2 anos de trabalho obrigatório no Sistema Público de Saúde não trará os impactos anunciados pelo Governo Federal e ainda atrasará a completa formação médica que só se dá com a Residência Médica. Se a questão é a falta de médicos, o adiamento de sua formação irá piorar o quadro atual. Se a questão é distribuição dos médicos por todas as regiões do Brasil, a MP não oferece respostas para a migração desses estudantes com a necessária supervisão desses alunos;

c) A proposta de importação de médicos estrangeiros, sem a adequada avaliação de suas competências pelo exame Revalida, representa um risco para a sociedade. Sem uma avaliação criteriosa, não há como garantir que esses profissionais tenham condições de atendimento à população. Há que se definir também quem fará a fiscalização da atuação desses médicos, órgãos do Ministério da Saúde ou os Conselhos Regionais de Medicina;

d) A questão do mau funcionamento da rede pública de Saúde não é resultado da falta de médicos e sim de uma política pública de saúde inadequada que vem se agravando ano a ano. De um lado, falta infraestrutura básica para diagnóstico e tratamento; de outro, falta um plano de carreira para médicos e demais profissionais de saúde que os motivem a se fixar em locais distantes dos grandes centros. Finalmente, é necessária a implantação das redes de referência e contrarreferência que permitam a otimização dos recursos e a consequente desoneração dos centros especializados.

e) A proposição de medidas com tal impacto sem a prévia consulta aos setores envolvidos (associações de classe, academia, gestores, classe política entre outros) representa política impositiva, sujeita a vários erros técnicos e políticos e o consequente descrédito dos propositores frente à população.

2. Pelos motivos apresentados, a Diretoria da Faculdade de Medicina da USP propõe ao Governo Federal:

a) a retirada de pauta da MP Mais Médicos para o Brasil;

b) a constituição de uma comissão composta por representantes dos Ministérios da Educação e Saúde, representantes da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, lideranças das principais Escolas Médicas do país, das entidades representativas dos profissionais médicos e lideranças Estudantis, para elaborarem proposta de modelo factível e viável para a saúde pública do Brasil;

c) a manutenção do programa Revalida nos moldes atuais para a admissão de médicos estrangeiros no país;

d) a emissão de nova resolução ministerial que torne extinto ou opcional o “ bônus “ nas notas dos participantes do PROVAB nos exames de ingresso nos programas de residência Médica já a partir dos editais de 2013;

e) Constituir comissão formada pelas lideranças das escolas médicas e Ministérios da Educação e da Saúde com o objetivo de instituir um programa supervisionado obrigatório para a atenção primária dentro do currículo da Graduação.

A análise e propostas da Diretoria da Faculdade de Medicina da USP serão discutidas na próxima sexta-feira, dia 19 de Julho, às 8 h, em Congregação Temática com o objetivo de definir a posição oficial da FMUSP sobre o tema. A reunião, com a presença de convidados externos, é aberta aos interessados.

Após a reunião haverá coletiva de imprensa para apresentação da posição oficial. Necessária a confirmação de presença.

São Paulo, 15 de Julho de 2013.

Diretoria da Faculdade de Medicina da USP

Manifestação da Congregação da Escola Paulista de Medicina

A Congregação da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, reunida extraordinariamente no dia 12 de julho de 2013, informa ao povo brasileiro, que neste momento estão matriculados nas áreas de saúde desta Escola 1.144 alunos de graduação, além de 1.032 médicos em programas de residência médica, 2.203 profissionais em programas de Pós-graduação (1.200 doutorandos e 1003 mestrandos) e aproximadamente 10.000 profissionais matriculados em diversos cursos e programas de especialização. Com a responsabilidade de uma instituição pública que somos, temos participado ativamente da elaboração e execução de programas dos Ministérios da Saúde e da Educação que visam à consolidação do Sistema Único de Saúde, ao aprimoramento da assistência, à formação e qualificação dos profissionais de saúde, com destaque ao Pró-Saúde, Pró-Residências e UNA-SUS. Julgamos que nossa capacidade de atuação no campo da saúde, da educação e produção de conhecimento, de uma maneira séria e eficiente para as áreas de saúde, é a missão que o povo brasileiro nos delegou e que tentamos cumprir nos nossos 80 anos de história.

Acreditamos com convicção que a única forma de resolvermos os problemas do Brasil, principalmente na área de saúde, é com formação profissional adequada, com investimento público, com amplo debate com a sociedade, com envolvimento não apenas de médicos, mas de todos profissionais de saúde, com programas bem estruturados e com organização e infraestrutura adequadas e suficientes do sistema, visando à qualidade que o povo brasileiro tanto merece.

Dessa maneira, preferimos continuar cumprindo a missão, que muito nos orgulha, formando profissionais e pesquisadores de qualidade e com a quantidade que os nossos números mostram, focados no objetivo final de oferecermos esses profissionais bem formados para o nosso país, colaborando assim com a saúde do nosso povo. Portanto, por unanimidade, abertos ao debate e a contribuir com o país, decidimos que não iremos aderir a esse programa que neste momento é proposto pelo governo federal brasileiro (portaria normativa No 14 de 09/07/2013). A nossa responsabilidade não nos permite.

Esperamos que os brasileiros, que tanto lutaram pelo direito à saúde e construíram esta Escola pública nesses 80 anos, entendam os nossos argumentos e continuem confiando na qualidade da formação da Escola Paulista de Medicina.

Estejam certos que não vamos decepcioná-los.

Escola Paulista de Medicina

Responder

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 21h33

    Agora eu tenho certeza: Está tudo dando certo!

    Se a USP diz que está errado, é porque estamos todos certos!

    o ninho dos maiores grupos de mercantilistas da medicina está localizado ali!

    Com os tributos do povo, formam-se as dinastias que execram o povo e a condição secular a que estão subjugados, mas que, aos trancos e barrancos(como diria Darcy Ribeiro) estamos tentando melhorar.

    Imagine um policial ou uma professora que rejeitasse atender um chamado ou dar aula nas periferias por causa “das condições” de trabalho, ou do local onde atuam?

    Está fundada uma nova religião: A Igreja da Medicina nas Condições Ideais dos Penúltimos Dias.

    Nesta nova fé, o único pecado mortal é pensar.

Douglas da Mata

16/07/2013 - 19h47

Claro que todos os descontos e contextualizações devem ser feitos.

Mas imaginem se quem sabia ler e escrever em Cuba, dissesse, frente ao pré-histórico índice de analfabetismo de seus compatriotas:

“quién debe lavar los platos es el gobierno”.

Ou, de outro modo:

Não façam gentileza com nosso chapéu!

Cada vez mais que ouço os médicos esperneando eu torço:

Em um destes ressorts amazônicos, em passeio de férias, Dr Caio Augusto Pomposo VII sofre uma queda da própria altura, após um ataque isquêmico e quebra o fêmur em dois lugares, provocando o rompimento e exposição do osso.

Não há médicos em um raio de 1000 km.

O rádio do hotel sofreu uma descarga elétrica de nuvens da chuva que cai torrencialmente há dois dias, e que cairá por outros tantos, que isola o local de acesso por terra e por ar.

Pelo rio, o tempo de viagem é de 36 horas.

Eu não verteria uma lágrima, e vocês?

Responder

    Caracol

    17/07/2013 - 07h42

    A julgar pelos últimos quinhentos anos, prezado Douglas, o que ia acontecer é que o senhor Caio Augusto Pomposo VII ia morrer seco com a boca cheia de formigas e uma gorda conta bancária. Ia ser apenas menos um Caio Augusto Pomposo. A ele sucederiam os Caios Augustos Pomposos VIII, IX, X, XI… e assim por diante.
    Ah! O tal hotel se mudaria da Amazônia para o Morumbi.

Tetê

16/07/2013 - 16h25

16 de Julho de 2013
A Saúde exige unidade política
Jandira Feghali*

Espanta o quanto entramos na armadilha da divisão, enquanto as ruas nos pedem união e defesa da qualidade e fortalecimento da atenção de saúde à população.

É de se valorizar o avanço alcançado pela saúde pública brasileira num país de quase 200 milhões de habitantes, onde a busca do sistema universal só é possível com a atuação e responsabilidade do Estado brasileiro. Mas é também necessário que analisemos os entraves e dificuldades que impedem o acesso do povo ao seu direito fundamental.

A luta por mais recursos adquiriu centralidade no Brasil desde a década de 90, e ainda hoje mantém-se em destaque em função de um déficit já reconhecido pelo governo e pela Organização Mundial de Saúde, que chega hoje a R$ 70 bilhões ao ano. Mas também precisamos observar as distorções no gasto, que ainda privilegia o setor privado, fragilizando, por exemplo, a manutenção e ampliação da estrutura da atenção básica.

Faltam leitos hospitalares, emergências, exames complementares, medicamentos, profissionais de diversas categorias em inúmeras cidades brasileiras ou a existência insuficiente com contratos absolutamente precários. Por isso, imaginar que a medida provisória denominada ”Mais Médicos” será solução para os nossos problemas é, no mínimo, ingênuo. Se por uma lado temos a obrigação de garantir profissionais para atender o povo, também é verdade que os caminhos para fazê-los chegar lá precisam ser seguros e justos para os pacientes e para os trabalhadores. A medida encerra uma série de polêmicas que precisarão ser superadas e possamos unificar os profissionais das diversas competências e a sociedade brasileira em torno de lutas que fortaleçam de fato o SUS.

O movimento Saúde +10 ganhou novos contornos esta semana: percorre as ruas do Brasil como projeto de iniciativa popular e chegará ao Congresso Nacional em 5 de agosto buscando garantir 10% das receitas brutas da União para a Saúde. Num país de tributação regressiva, onde quem paga imposto é quem menos tem, precisamos avançar para a contribuição sobre grandes fortunas como fonte justa e democrática para viabilizar políticas públicas de saúde para o povo brasileiro.

Unidade política exige que driblemos manobras de isolamento deste ou daquele setor ou categoria. Que evitemos desvios dos objetivos. A luta para defender a saúde das pessoas deve ser o objetivo central do nosso trabalho!

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=5364&id_coluna=90

Responder

abolicionista

16/07/2013 - 16h22

Nos postos de saúde da zona sul de SP o que acontece é uma vergonha. Os médicos ganham salários altos e só aparecem lá duas ou três vezes por semana, ficam um pouco e se mandam. E isso acontece há anos e nunca doutor nenhum disse um pio! Só por que fez juramento de hipócrates acha que tem direito de ser hipócrita?

Responder

    J Souza

    16/07/2013 - 17h55

    Atendimento

    Disque Saúde

    O Ministério da Saúde implementou a Ouvidoria Geral do SUS, que possibilitou a unificação de serviços e informações que antes eram prestadas pelos diversos 0800 administrados pelo Ministério.

    Disque Saúde é um canal de comunicação entre o cidadão e o Ministério da Saúde

    A Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde (SUS), criada pela Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP), é um canal democrático de comunicação entre a população e o Ministério da Saúde. Por meio dele, os usuários do SUS recebem informações sobre saúde e também podem fazer reclamações, denúncias, sugestões, elogios e solicitações.

    Há ainda uma linha direta com a Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) que oferece orientação de enfrentamento à violência contra a mulher.

    É papel da Ouvidoria efetuar o encaminhamento, a orientação, o acompanhamento da demanda, e o retorno ao cidadão, com o objetivo de propiciar uma resposta adequada aos problemas apresentados, de acordo com os princípios e diretrizes do SUS.

    A ligação para o Disque Saúde (136) é gratuita e o serviço funciona 24 horas. De segunda a sexta-feira (exceto feriados), o usuário pode falar diretamente com um atendente. Fora desse horário e aos sábados, domingos e feriados, é possível utilizar o atendimento eletrônico, próprio para a divulgação de informações.

    Atendimento aos usuários do SUS

    Canais de entrada:

    – Correios: SAF Sul, Quadra 2, Lote 5/6, Edifício Premium, Torre I, 3º andar, sala 305 – Brasília-DF CEP: 70.070-600.

    – Atendimento presencial: em horário comercial, no endereço acima.

    – Internet: Portal da Saúde

    – Telefone: 136 (Disque Saúde).

    J Souza

    16/07/2013 - 17h56

    Não esqueça de também ligar para elogiar, quando gostar do atendimento!

    abolicionista

    17/07/2013 - 18h08

    Legal, as empresas de telefonia também proporcionam um serviço semelhante para os usuários. Tudo pelo bem do povo.

Isabel Lauande

16/07/2013 - 16h08

Valeu Fátima Oliveira. Pra quem sabe ler um pingo é letra. Sobre os dialetos do português, adorei. A inveja não mata, mas maltrata. Vão catar coquinho e vender na feira

Responder

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 19h28

    Isabel, a sua contribuição ao debate se limita a “diagnosticar” quem tem inveja ou quem não tem?

    Ué, a julgar pelo chorôrô da autora e dos médicos, não há motivos para invejá-los, e pensei, sinceramente, em pedir ao Azenha e Conceição para que vendêssemos uma rifa eletrônica ou coisa do tipo para mandar para os doutores.

    Então fica assim: a culpa, ou a louça, é do governo, e pronto!

    Fico aliviado, e vou mandar a sugestão ao Ministro. Se é uma relação unilateral de deveres, por que então ouvir as categorias ou incentivar qualquer debate entre profissionais e usuários?

    Está resolvido:

    01- quem quiser bolsa ou universidade pública de medicina terá que trabalhar 05 anos onde o governo determinar.

    02- fim do desconto do IRPF nas consultas, planos e serviços de saúde.

    03- implementação imediata da lei que obriga os planos e seguradoras a reembolsar o SUS pelos atendimentos ao segurados, caso contrário, poderá o SUS rejeitar pacientes da classe média e classe alta.

    04- triplicar a alíquota do ISS dos médicos e serviços de saúde.

    05- caução, hipoteca ou gravação antecipada de bens dos médicos que trabalham no serviço público, para regressão ao Erário no caso de indenização de erro médico comprovado, julgado e processado.

    06- fim da atribuição exclusiva do CFM para julgar e processar médicos. O novo órgão será composto por médicos, Estado, sociedade civil.

    Como você bem disse, já que o problema é só do governo, mãos à obra.

    Luís Carlos

    16/07/2013 - 19h53

    Tudo se resume a inveja?? Nada, nenhuma palavra sobre saúde pública, indicadores de saúde, nada? Somente inveja??
    Por favor, seria inveja de que afinal??

zuleica jorgensen

16/07/2013 - 15h57

São 500 anos de Brasil por construir. Não só na saúde mas em absolutamente tudo. Sua avó, como a minha, teve a felicidade (e o direito) a ser examinada por um médico, que, ainda falho no português, podia cumprir a sua função.
Séculos de descaso não podem ser resolvidos por um ou dois ou três ou quatro governos. São necessários, pelo menos, várias décadas para se ter um início de solução, ainda mais num país imenso, com lugares inóspitos e perdidos no meio do nada.
Outro dia li de um médico, o seguinte: na Amazônia, nem com salário de 100 mil ninguém quer trabalhar.
A louça não está suja, a cozinha, a sala, o quarto, o banheiro e o quintal também estão.
Faxina completa. Temos vagas!

Responder

matheus

16/07/2013 - 13h44

Não aguento mais esse mimimi corporativista.
Se não querem trabalhar no interior, tudo bem. E por que, ainda por cima, não querem deixar contratar médicos estrangeiros? Vão me dizer que é “preocupação humanitária” com supostas “más condições de trabalho”?
Conta outra! Ficaram caladinhos sobre isso até ontem. Hoje, aparece uma medida para resolver OUTRO problema, que é a escassez de profissionais para o atendimento básico em periferias urbanas e zonas rurais.
E por que isso os deixa tão histéricos?
Estupidez, autismo, indiferença com o sofrimento dos cidadãos mais desfavorecidos.
E então o óbvio problema de subfinanciamento do SUS vira PRETEXTO para uma choradeira insuportável, motivada por puro egotismo. Nem sequer nos interesses econômicos dos médicos assalariados essa medida mexe.
Quem estaria incomodado com isso?
OS PLANOS DE SAÚDE.
Para mim está ficando claro que a máfia de branco é que faz lobbie junto à mídia e Congresso para atacar o projeto que contraria os interesses comerciais dos mafiosos de branco.
É isso. Quem não quiser trabalhar no interior, não trabalhe. Mas deixe quem, mesmo formado no estrangeiro, quiser lá trabalhar.
Deixem de ser mimados e egoístas! Isso está me dando nojo e me lembra todas as vezes que eu ou parentes meus tivemos um PÉSSSIMO atendimento médico!

E agora não querem o serviço civil obrigatório… Ora, façam outro curso então! Se eu pago sua faculdade elitizada e cara com os meus impostos, quero que vocês devolvam para a sociedade alguma coisa. Além do mais, qual é o diabo do incômodo? Eu queria ter essa oportunidade de emprego garantido, por boa remuneração, antes mesmo de me formar. Eu fiquei na miséria e só consegui sair por um concurso público muito concorrido. E vocês, playboys e patys, chorando de barriga cheia! E cheia dos meus impostos e de todo o povo brasileiro, principalmente dos mais pobres, que são os que mais pagam impostos e nunca estudam medicina.

Vão catar coquinho!

Responder

    Max

    16/07/2013 - 15h58

    Matheus: muito bem, falou tudo!!!

    Isabel Lauande

    16/07/2013 - 16h11

    Mateus, cara se manca. O assunto aqui é bem outro. A responsabilização dos governos sobre os serviços de saúde. Medicina realmente é apenas uma profissão. Governos sem linha e sem ética nunca assumem suas responsabilidades

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 19h32

    Fácil responsabilizar governos quando as corporações e a indústria da medicina desenham o modelo de Estado para que o setor público sempre esteja falido.

    A pergunta é: É possível fazer medicina de caráter preventivo, reduzir mortalidade infantil, aumentar expectativa de vida, etc, com pouco dinheiro?

    Cuba com seus 6 médicos por mil habitantes responde:

    Mortalidade: 5 a cada mil nascidos.

    Longevidade: 78,8 anos.

    Salário médio do médico cubano: respondam os doutores humanistas do blog.

    Luís Carlos

    16/07/2013 - 20h03

    Isabel
    Governos devem responder sim por suas responsabilidades. O governo federal está justamente tomando medidas para isso. Mas entidades médicas, entre elas, autarquias como os conselhos de medicina também devem assumir suas responsabilidades, que nesse caso são muitas, em minha opinião, tão grandes ou maiores que as de governos, sem que até agora as assumam e se proponham de fazer algo para mudar. Pelo contrário, querem manter tudo exatamente como está, sem mudanças. Sem ampliar acesso, sem mais vagas em graduações de medicina ou residências, sem médicos vindos de fora para trabalhar, sem mudar as grades curriculares médicas ajustando-as à epidemiologia do país, aos indicadores de saúde nacionais, ou a modelo de atenção à saúde focado na atenção básica, por exemplo. Querem manter tudo como está, pois está bom para entidades médicas, apesar de péssimo para o povo.

    Caracol

    17/07/2013 - 07h28

    Essa parece ser uma grande, se não a maior, utilidade dos governos: ter em quem botar a culpa. O assassino é sempre o mordomo e o governo é sempre o culpado.
    Já pensou se não houvesse governo? Cada um ia se ver obrigado a olhar para dentro de si mesmo e aí… ia ser uma merda que faz gosto.

    francisco niterói

    16/07/2013 - 17h20

    Mateus

    Clap clap clap pra vc.

    So um pitaco sobre o post: tem muita louca suja pra ser lavada. Só uma delas : que tal a classe medica batalhar pra sair do podio de uma das mais sonegadoras categorias do país?

    Talvez assim eu acredite no “profundo interesse” que muitos tem “demonstrado” pela saude do brasileiro.

J Souza

16/07/2013 - 12h28

No caso dos médicos, daria para fazer um filme: “Todas as formas de burlar as leis trabalhistas”…
Isso vale não só para os governos, federal, estaduais e municipais, mas, principalmente, para os CONVÊNIOS, hospitais e clínicas particulares.
Tem médicos que ganham muito, mas que, se por algum motivo não puderem trabalhar, e não tiverem algum dinheiro no banco ou algum imóvel para alugar, não terão dinheiro nem para comer, pois não tem vínculo nenhum, nem público nem privado.
Aliás, é por essa “garantia” que muitos médicos ainda aceitam trabalhar no serviço público, onde, apesar de os convênios pagarem muito mal, ainda recebem 2 a 3 vezes menos do que neste. Sobre as condições de trabalho, então, melhor nem falar…
E, depois de atender de cerca de 250 pacientes por mês, os médicos que trabalham ainda têm que ouvir e ver o governo ofender toda uma classe profissional, insinuando que não são humanos, ou que não sabem lidar com gente.
OS MÉDICOS QUE TRABALHAM NÃO TÊM CULPA SE OS GOVERNANTES NÃO PUNEM OS MAUS MÉDICOS, OS QUE NÃO TRABALHAM, E QUE GERALMENTE SÃO OS MÉDICOS AMIGOS DOS POLÍTICOS.

Responder

    Luís Carlos

    16/07/2013 - 20h08

    J Souza
    Quem deveria “punir” médicos são os conselho de medicina, que não os punem por serem seus “amigos”. Será que a médica da UTI de Curitiba, acusada de matar pessoas já foi punida pelo CRM/PR? Creio que não, mas o auditor médico que está apurando o caso já está sendo processado pelo CRM/PR, conforme me informou semana passada. Porque será?

    J Souza

    16/07/2013 - 21h39

    Caro Sr. Luís Carlos, como você pode ver acima, me referi aos médicos “que não trabalham”, ou seja, que não cumprem seus horários, que faltam aos ambulatórios.
    Questões administrativas entre o médico e seu contratante, seja público ou privado, geralmente não competem aos CRMs julgar, a não ser que firam o código de ética médica.
    Esse tipo de fiscalização não é competência dos CRMs, a não ser que a falta ocorra numa situação de (plantões de) emergência e isto cause algum dano grave ou a morte do paciente.
    Portanto, os governantes são omissos, sim, quando não exigem que seus funcionários cumpram suas obrigações.
    Mas, considerando que tudo que se cobra desses governos (federal, estaduais e municipais) nunca é responsabilidade deles, talvez também isso devesse ser administrado pelos CRMs…

    Luís Carlos

    16/07/2013 - 22h52

    Tens razão ao afirmar que faltas administrativas devem ser cobradas pelos empregadores, no caso, governos. Por outro, lado, algumas dessas faltas também poderiam ser entendidas por faltas éticas. Por exemplo, cobrança de médicos contra usuários do SUS, infringindo princípio da universalidade garantido pela CF. Deveria ser investigado e punido pela gestão e também pelo conselho de categoria. Porém, como disse antes, não creio que os conselhos estejam preocupados com isso, infelizmente. Assim como essas, outras faltas deveriam ser apuradas e de forma administrativa e pelo respectivo conselho de categoria, mas me permita dizer, os conselhos de categoria pouco ou nada fazem quanto a isso.

Douglas da Mata

16/07/2013 - 12h05

Tem muita louça suja nos governos.

Mas há também uma grande montanha de louça e aventais brancos sujos de sangue a serem lavados.

Médicos comeram o manjar da omissão durante séculos, enquanto gozavam a condição de “liberais”.

Agora, convidados a integrar a classe trabalhadora e todos os percalços, pegos de surpresa pela indústria da medicina, sofrem a precarização e baixa remuneração que assola toda a classe trabalhadora. Choram pitangas tardias, onde lágrimas se misturam ao sangue das vítimas dos erros médicos interditados pelo corporativismo!

Uma boa parte dos médicos abandonou a clínica, e partiu com gosto para a mercantilização expressa na “especialização”. Mais louça suja.

De outro lado, para compensar as perdas, médicos avançaram como aves de rapina sobre orçamentos públicos, sendo que as deduções fiscais vão direto para…? Para a medicina privada, planos, seguradoras, cooperativas médicas! Louça suja e que corre o risco de se espatifar no chão!

Boa parte das consultas (60% + ou -), do problemas clínicos, dizem os especialistas da OMS, se resolvem com um instrumento comum: as mãos, o toque do médico, o ouvido, a conversa!

Talvez resida aí o medo da articulista, ela mesmo que se diz exemplo e símbolo da medicina humanitária: descobrirmos que nenhuma estrutura, nenhum tomógrafo ou cirurgia robótica substituirá o médico!

Aliás, por ironia, Cuba é um claro exemplo disto!

Dá para entender problemas de comunicação entre médicos estrangeiros e seus pacientes nativos.

Não dá para entender é que os nativos, de certos rincões, nunca ouvirão um médico que fale português, embora boa parte destes profissionais tenha se formado com o dinheiro dos impostos cobrados do Oiapoque ao Chuí.

A louça tem que ser lavada, com vasilha ou na beira do rio. Pelas palavras de certas corporações médicas, a louça só ficará limpa se o governo usar a mais moderna lava-louças.

Mas quem, afinal, ganha com isto?

Responder

    JJ

    16/07/2013 - 13h55

    Douglas, falou muita água amigo. Põe os neurônios pra funcionar; é simples: quem pediu votos e se elegeu para resolver os problemas do povo foram os governos. Que se virem. Médicos e outros profissionais da saúde apenas fazem o seu trabalho e mais nada. Não pediram votos pra cuidar do povo.

    Neotupi

    16/07/2013 - 15h44

    Pois é, então os que pediram voto para cuidar do povo tem que se virar e trazer médicos estrangeiros, assim como reformular a formação em medicina para atrair mais vocacionados e menos empresários de branco.

    Américo Júnior

    16/07/2013 - 16h23

    E alguns ainda não fazem o seu trabalho direito, JJ vc citou um dos problemas mais sérios deste país, a falta de interesse pela política, os brasileiros não se interessam pelo assunto e vivem reelegendo pessoas que não possuem o mínimo de compromisso com o país, além de cobrarmos dos governantes é preciso também, cobrar mais comprometimento dos médicos sim,será que o jovem que se candidata a uma vaga a um curso de medicina nos dias atuais, não sabe dos problemas estruturais, ou ele vai cursar porque aprendeu a gostar de medicina assistindo doutor house?

    Douglas da Mata

    16/07/2013 - 19h19

    JJ…meu nobre e encarecido amigo.

    JJ será de “jênio, jênio”?

    Pois bem, eu tentei colocar meus neurônios para funcionarem no nível de sua assertiva.

    Não deu…eles não rodam este programa tão reducionista..

    Eu tenho a péssima mania de enxergar a realidade de forma um pouco mais complexa, e os problemas de forma um pouco mais polimórfica(aprendi este termo recentemente, e adorei).

    Então, na História das nações, todos os governos sempre usaram e abusaram do incentivo a determinadas condutas, serviços e obrigações, em alguns casos, tais “incentivos são “compulsórios” para preencher as necessidades de atendimento a demandas de suas populações.

    Por isto temos impostos, serviço militar obrigatório, alvarás, licenças, etc e tal. É o Estado de Direito que decide quem vai poder exercer esta ou aquela atividade econômica, quantos médicos precisamos, se cobraremos ou não IRPF dos engenheiros que precisamos importar, e por aí vai!

    Mas o serviço público civil tem uma natureza que ultrapassa a representatividade dos governos, e repousa, justamente, nos servidores, nos estatutos, deveres e direitos!

    Nosso regime (também sou servidor público) jurídico, e nossa condição social reflete muito mais que as políticas públicas de cada mandatário. Por isto temos interações e responsabilidades que não poderão ser empurradas para os governos, como é a tese simplista defendida por ti.

    O seu comentário é elucidador. Não sei se és médico, mas ele revela o que a classe médica tem feito há muito tempo: cada um por si e deus contra todos!

    Eu não creio que a classe médica, formada, majoritariamente por integrantes das castas mais altas deste país possa se isentar de seu dever de retribuir o esforço feito para formá-los, algo em torno de 800 mil reais, sem contar a residência
    Tradicionalmente, utilizaram facilidades públicas, ou seja, universidades gratuitas mas bancadas pelos tributos de todos, e proporcionalmente, mais impostos dos pobres, que ironicamente nunca colocarão seus filhos nas escolas públicas de medicina.
    Um tremendo círculo vicioso: uso dinheiro do pobre para formar filho de rico como médico, e este profissional não quer atuar onde o pobre habita!

    Acho que o governo foi muito leniente: Quem estuda em universidade pública tem que trabalhar cinco anos no SUS e aonde for mandado e pronto!
    Não quer? Pague pelo estudo e abra a chance de financiar quem queira assumir o lado humanista da medicina!

    Outra medida seria aumentar as cotas sociais nas universidades públicas, ou seja: só vai estudar medicina de graça os filhos das famílias de baixa renda!
    Sem filtros das indústrias de cursinhos, vestibulares e diplomas, que acabam por dificultar a entrada dos pobres, para (de)formar médicos que sequer sabem diferenciar uma gripe de meningite se não tiver um tomógrafo!!!

    Ora, se os médicos não querem ir para os rincões, alegando a suposta falta de estrutura, e blablabla, por que rejeitar que outros possam ir?

    A conversa fiada da hipossuficiência acadêmica não se sustenta, ou quando você vai a Cuba, Bolívia ou outro país você pede uma revalidação do diploma do médico, caso precise de atendimento?

    Há muitas mentiras ditas e outras escondidas: médicos não querem ir para o interior porque, via de regra, ali não podem pular de galho em galho(plantão em plantão), e e passar parte do dia no consultório ou no hospital chique da cidade grande.
    Clinicar no meio do mato não dá status para ninguém. Não faz fortuna!

    É só buscar no IBGE: na classe A e B estarão todos os médicos deste país, ou quase todos.
    Arrisco a dizer que nenhum deles tenha renda anual de menos de 200 mil/ano.

    Na favela ou em cafundó do judas não vai representante da indústria farmacêutica, não tem seminário e “brindes”.

    Enfim, desculpe por encher tua paciência e seus super-neurônios.

    Luís Carlos

    16/07/2013 - 20h17

    “Não pediram votos para cuidar do povo.” Mas pedem dinheiro, muito dinheiro, diariamente, e ainda querem imputar responsabilidades apenas aos governos. A “sociedade tem apenas” direitos e nenhuma responsabilidade? Lembre-se que conselhos de categoria, como os de medicina são autarquias e não podem simplesmente lavar as mãos como se nenhuma responsabilidade tivessem. Aliás, as maiores responsabilidades estão justamente nos conselhos de medicina, corporativos e autoritários.

    Acássia

    17/07/2013 - 10h42

    Se entendi, o governo está fazendo tudo legalmente.Como pode.

    Se tivesse havido apenas protestos, ok.

    Mas está havendo campanha contra o governo.

    Sugestão: aplicar o Revalida e deixar uma multidão de médicos entrarem e deixar os médicos protestarem antes, durante e depois.

    Torcer para que haja adeptos ao Revalida.

    Bertold

    16/07/2013 - 15h59

    Falou tudo e um pouco mais. Gostei. Certos atores sociais e econômicos que nunca apareciam no debate dos problemas brasileiros, pois o bode expiatório era sempre a generalíssima classe política, saíram das sombras e a verdade nua e crua é de que tinham um lado que nunca eram mostrados: uma elite social confortavelmente escondida no topo da renda e que eram alheias aos dramas dos mais pobres. Repito sempre a máxima leniniana para quem “o critério da verdade é a prática”. E essa verdade que era percebida por da sociedade há tempos, agora também está sendo percebida pelos demais. Querem que tudo permaneça como está e concordam em fazer alguma coisa quando as estruturas e “condições” de trabalho atingirem a condição de palácios imperiais nos órgãos de saúde publica mesmo que médicos estrangeiros saiam mais baratos em todos os quesitos.

João MS

16/07/2013 - 12h02

Fátima,

Acho que são os pobres que estão lavando a louça suja.E vão continuar lavando.

Sorte de sua avó que ainda tinha alguém que lhe medicasse.

Aqui no RN, parafraseando Djavan, até um médico falando japonês e escrevendo em braile já seria alguma coisa:

Do Tribuna do Norte

Pediatras: há vagas na Maternidade
Publicação: 16 de Julho de 2013 às 00:00

Sara Vasconcelos – repórter

A Maternidade-Escola Januário Cicco, maior maternidade pública no Estado, poderá suspender novamente o atendimento a partir de amanhã (17), quando a escala de plantão não contará mais com médicos pediatras. A decisão depende do resultado do processo de seleção simplificada, encerrado à meia-noite desta segunda-feira, dia 15, para contratação de oito médicos. Até a manhã de ontem, somente três interessados se inscreveram para as vagas e, até então, a direção da MEJC não sabia informar quais medidas serão adotadas para continuar realizando partos.

Entre as alternativas enumeradas pelo diretor-geral, Kleber Morais, para evitar nova suspensão estão o de repactuar com o governo do Estado o atendimento das gestantes que chegarem à Januário Cicco, em trabalho de parto; aumentar a quantidade de plantões dos pediatras do quadro e a dos novos médicos para tentar fechar a escala para a segunda quinzena de julho.

“Somente amanhã (hoje) saberemos quantos médicos foram selecionados e a disponibilidade de cada um para os plantões. Com estes dados, é que iremos negociar com os pediatras do quadro, o aumento de plantões, hoje fixado em oito”, explicou o diretor.

Com a maternidade operando acima da capacidade e com a desativação da Maternidade Leide Moraes devido a obras de reforma, uma nova paralisação é considerada crítica. Com os 19 leitos de UTI neonatal ocupados, na manhã de ontem, quatro bebês aguardavam, no Centro de Recuperação de Operados (CRO), por vaga na UTI.

No setor de alto risco materno, além dos nove leitos, outros sete extras instalados no corredor, também estavam ocupados. Entre eles, estava a dona de casa Valtercia Tertuliano Gomes, de 31 anos, que precisou voltar a ser internada depois de dar à luz a Ketlen, por problemas de pressão arterial.

“Já faz sete dias que estou em leito de corredor e não tem previsão de alta, só quando a pressão estabilizar. Tenho toda assistência, mas é difícil ficar aqui, exposta”, conta.

Entre os dias 26 e 30 do mês passado, devido a deficiência de profissionais, a realização de partos foi interrompida na MEJC, nos turnos que não contavam com pediatra na escala.

Nos dias 29 e 30 do mês passado, o Hospital Santa Catarina assumiu o serviço de referência obstétrica de alto risco, recebendo pacientes que precisavam da presença de pediatra, enquanto a MEJC manteve a assistência ginecológica, incluindo procedimentos clínicos não relacionados ao nascimento. “O pacto poderá ser retomado”, observa Morais.

Além da contratação de novos pediatras, o valor do plantão foi reajustado de R$ 780,00 (durante a semana) e R$ 930 (finais de semana) para R$ 1.050,00. A defasagem no valor pago foi uma das causas para a falta de plantonistas na unidade. Médicos que davam de 5 a 6 plantões passaram a dar somente 3 por causa do valor pago, considerado abaixo do mercado.

Atualmente, 23 pediatras atuam na MEJC, sendo 11 da UFRN e 13 da Funpec. Há necessidade de mais 22 pediatras. Contudo, concurso público só será realizado depois que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que assumiu a gestão dos Hospitais Universitários, concluir o dimensionamento da rede, afirmou o diretor Kleber Morais.

Fonte: http://tribunadonorte.com.br/noticia/pediatras-ha-vagas-na-maternidade/255715

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