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Guinada de Marina levou-a para longe de dúvida sobre transgênicos
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Guinada de Marina levou-a para longe de dúvida sobre transgênicos


14/09/2014 - 20h18

rato

Ratos que desenvolveram câncer depois de ingerir milho transgênico e receber doses de glifosato; a União Europeia está investindo 3 milhões de euros para que o estudo seja refeito. O Viomundo noticiou o resultado da pesquisa aqui. O milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) é liberado no Brasil. A CTNBio, Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, decidiu não fazer estudo semelhante no país.

*****

Marina Silva, em discurso de 2002, usando a Bíblia para justificar sua oposição aos transgênicos, conforme reproduzido no blog do Mário Magalhães

“Em Gênesis 21,33, o próprio Patriarca Abraão, com mais de 80 anos, resolve plantar um bosque. Quem planta um bosque com quase 100 anos está pensando nas gerações futuras, que têm direito a um ambiente saudável. Era esse o significado simbólico do texto. No Êxodo 22,6, há determinação explícita no sentido de que quando alguém atear fogo a uma floresta ou bosque deverá pagar tudo aquilo que queimou. Talvez essa regra seja mais rigorosa do que as do Ibama. Com relação aos transgênicos, o livro Levíticos 22,9 expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie”.

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Captura de Tela 2014-09-14 às 17.42.23

Trecho de projeto de lei da senadora Marina Silva, de 1997, ainda no PT, que estabelecia “moratória do plantio, comércio e consumo de organismo geneticamente modificados (OGM) e seus derivados”. O projeto foi arquivado; página 189 da biografia “A vida por uma causa”

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Já candidata a presidente pelo PV, Marina “calibrou” mais uma vez sua posição (página 173 do mesmo livro)

Eis outra falácia: dizer que sou contra transgênicos. Nunca fui. Sou a favor, isso sim, de um regime de coexistência, em que seria possível ter transgênicos e não transgênicos. Mas agora este debate está prejudicado, porque a legislação aprovada é tão permissiva que não será mais possível o modelo de coexistência. Já há uma contaminação irreversível das lavouras de milho, algodão e soja.

por Luiz Carlos Azenha

Estava eu a assistir uma entrevista de Marina Silva ao Jornal Nacional quando ouvi a candidata dizer que sua oposição aos transgênicos era “uma lenda”. Diante de Willian Bonner e Patrícia Poeta, reafirmou que acreditava “na coexistência”, lado a lado, de lavouras com e sem OGMs (Organismos Geneticamente Modificados).

Estranhei. Graças ao interesse específico de Conceição Lemes pelo assunto, o Viomundo tem acompanhado de forma crítica a atuação da CTNBio, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, encarregada de liberar ou não os transgênicos no país. Faz o mesmo em relação à Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, encarregada entre outras coisas de monitorar o uso de agrotóxicos.

Por exemplo? Aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Sigam os links postados no pé dos textos para outras entrevistas e reportagens. Nossa ideia sempre foi transformar este espaço, aos poucos, num banco de dados para jovens que buscam informação sobre transgênicos e agrotóxicos, informação quase ausente da mídia corporativa por conta do apoio dos barões da mídia ao agronegócio (a Globo é integrante da associação do agronegócio, denuncia João Pedro Stedile) e às verbas publicitárias que irrigam o bolso dos Marinho, Frias, Mesquita e outros.

Estivemos entre os primeiros a dar publicidade aos documentários O Mundo Segundo a Monsanto, Comida S/A e aos documentários-denúncia de Silvio Tendler sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, aqui e aqui.

O que me intrigou na resposta de Marina Silva foi o fato de que a ambientalista falou, em pleno 2014, em “convivência” entre lavouras, justamente num momento em que está se formando um consenso mundial sobre os transgênicos e suas consequências.

Não é um consenso pelo banimento puro e simples, mas por uma reavaliação aprofundada do impacto ambiental e à saúde humana que causam.

Não por acaso, surgem em todo canto as feiras de alimentos orgânicos. Não por acaso, já existe em Nova York um supermercado de tamanho considerável só de produtos sem corantes, conservantes e outros químicos. No Brasil, o MST desenvolve projetos para oferecer, na merenda escolar, alimentos livres de venenos e outros químicos.

Como sou um leitor voraz sobre o assunto, porém amador e sem formação científica, fui ouvir o pesquisador Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina – UFSC. Ele faz parte de um grupo crescente de estudiosos brasileiros que se debruça sobre o assunto e acompanha as pesquisas nacionais e internacionais.

Resumo da entrevista: a tecnologia dos transgênicos/agrotóxicos “se descolou da Ciência”. Algumas pesquisas “desmentem os pressupostos” utilizados para aprová-los. Existe um “vazio de conhecimento” que causa dúvidas crescentes sobre os riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Para nossos jovens leitores, é essencial explicar a relação entre os transgênicos e os agrotóxicos. Eles são produzidos por um grupo de empresas, conhecidas lá fora como Gene Giants, que auferem lucros extraordinários com as tecnologias. Em 2011, algo em torno de U$ 80 bilhões. Do grupo fazem parte, entre outras, a Monsanto, a Syngenta, a Dow, a Dupont, a Pioneer, a Basf e a Bayer.

Curiosamente, as duas últimas são sediadas na Alemanha, país que tem endurecido sua legislação contra os transgênicos. Há um forte confronto em andamento entre as Gene Giants e governos preocupados com a saúde pública, sob pressão de seus cidadãos.

As Gene Giants ganham rios de dinheiro fazendo modificações genéticas em plantas e patenteando as sementes, pelas quais cobram royalties dos agricultores, safra a safra. Nos Estados Unidos e no Canadá, agricultores já foram processados na Justiça por guardar sementes transgênicas de uma safra e utilizar na seguinte sem pagar os royalties. As modificações tornam as plantas resistentes ao uso dos agrotóxicos produzidos pelas mesmas empresas. O resultado concreto é a explosão no uso dos venenos, que com as chuvas correm para os rios e contaminam pessoas durante e depois da aplicação.

Como o Viomundo noticiou em primeira mão, a pesquisadora Danielly Palma, da equipe de Wanderlei Pignati, descobriu a presença de agrotóxicos no leite materno numa pesquisa feita em Lucas do Rio Verde, uma das capitais do agronegócio brasileiro. Pignati nos disse que podem existir “até 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes na água que você bebe”.

Sobre a possibilidade de plantio lado a lado de lavouras com e sem OGMs — a que se referiu a candidata Marina Silva, no Jornal Nacional — as dúvidas são crescentes.

No caso do milho, por exemplo, nosso entrevistado Leonardo Melgarejo sugere que o leitor visite uma lavoura num dia quente. Aquele bafo de calor provoca um movimento de ar ascendente, que carrega o pólen do milho geneticamente modificado a altitudes elevadas. Em alguns casos, ele congela por causa da altitude. É incorporado a massas de ar que se deslocam por quilômetros e quilômetros. Depois, cai e pode fecundar, ou “contaminar”, plantações de milho que não são transgênicas.

Segundo a legislação brasileira, em condições médias a contaminação é inferior a 1%  quando existe uma distância de 100 metros entre as lavouras com e sem OGMs. Porém, estudos já registraram o deslocamento do pólen de 600 metros a alguns quilômetros. Isso, obviamente, prejudica os agricultores que não querem usar transgênicos. Alguns apostam na produção orgânica, outros simplesmente não querem ficar escravos do pagamento anual de royalties.

Leonardo Melgarejo avaliou o comentário de Marina Silva: “Plantar lado a lado é uma atitude ingênua, equivocada. O plantio lado a lado assegura a contaminação e prejudica o direito de quem não gostaria de cultivar transgênicos”.

No caso do chamado milho Bt, as Genes Giants introduziram genes de uma bactéria que age como inseticida, matando uma lagarta que prejudica a produção.

No passado, o controle da lagarta era feito por inspeção pessoal. Nas áreas de lavoura onde houvesse um número superior de lagartas ao considerado adequado era aplicado o veneno.

Agora, com o milho Bt, joga-se agrotóxico em tudo. O veneno atinge da ponta da raiz ao pólen. “A planta absorve o veneno, metaboliza, transforma em outras coisas, enquanto [as plantas]  que estão em volta morrem. Cria num primeiro momento um vazio, que traz uma nova geração de plantas resistentes”, explica Melgarejo. Ou seja, a tendência do produtor é de aplicar cada vez mais veneno, gerando mais lucro para as Gene Giants.

Melgarejo sugere outra expedição pessoal ao leitor do Viomundo. No Centro-Oeste, visite uma plantação de soja e note a presença de plantas de milho crescendo bem lá no meio. São sementes de milho tolerantes ao veneno mais comum, o glifosato, que germinam no meio da soja.

Ou seja, agora o agricultor precisa combinar agrotóxicos distintos para dar conta das plantas resistentes.

Por isso surgem venenos cada vez mais poderosos ou que atuam com mecanismos distintos, o que aumenta a pressão para que os órgãos públicos aprovem rapidamente novos produtos, sem avaliação adequada.

No caso do milho Bt, o argumento que antecedeu a aprovação dava conta de que o “inseticida” inserido na variedade para matar a lagarta seria destruído sem problemas no trato digestivo dos seres humanos. Porém, o pesquisador Azis Aris, professor de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Sherbrook, no Canadá, descobriu a proteína tanto no cordão umbilical quanto em fetos, antes do nascimento.

Quais as consequências? Continuamos totalmente no escuro.

No caso do milho NK 603, o pesquisador Gilles-Eric Seralini, da Universidade de Caen, na França, coordenou um estudo cuja divulgação causou grande estrondo (fotos no topo deste post).

“Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos”, explicou Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup. Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto. Durante o estudo, o milho fazia parte de uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos. “Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e maior durante o consumo dos dois produtos”, afirmou Seralini, cientista que integra ou integrou comissões oficiais sobre os alimentos transgênicos em 30 países.

O estudo foi alvo de fortes críticas, inclusive de cientistas ligados às Gene Giants. A União Europeia destinou 3 milhões de euros para refazê-lo. No Brasil, a CTNBio decidiu contra novos estudos. Estamos, portanto, consumindo o NK603 na incerteza.

Outro estudo recente de grande impacto, segundo Melgarejo, foi o de Charles Benbrook, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos. Ele pesquisou áreas onde houve o uso sucessivo de glifosato em várias safras. Constatou que o veneno altera a composição dos microoganismos que vivem no solo da região. Provoca a redução das bactérias associadas às raízes das leguminosas, que ajudam a fixar o nitrogênio do ar. Ou seja, o agricultor precisa recorrer ao adubo nitrogenado, com forte impacto econômico para ele e para países importadores.

“Isso não é considerado no Brasil pela CTNBio”, alerta Melgarejo. A aprovação ou não, segundo ele, é feita com uma visão estreita, que não considera o conjunto dos impactos sócio-econômicos.

No caso do milho Bt ou do NK 603, a CTNBio não exige testes em animais em gestação ou em pelo menos duas gerações de animais, como outros países exigem. O argumento das Gene Giants é de que os transgênicos tem sido consumidos há mais de 20 anos sem causar danos à saúde pública. Não causam, por exemplo, reações alérgicas.

Porém, para Melgarejo isso “não nos dá segurança”. Ele lembra que em períodos da vida de grande alteração hormonal — gestação, puberdade, menopausa/andropausa — os seres humanos são mais suscetíveis a expressar alterações resultantes do consumo alimentar e que isso ainda não foi suficientemente estudado.

Para ele, os transgênicos/agrotóxicos “estão sendo liberados de maneira apressada e com estudos superficiais”.

Melgarejo lembra que no Brasil não existe um protocolo para avaliar insetos transgênicos. Ainda assim, a CTNBio liberou o mosquito que supostamente vai ajudar a combater a dengue, testado em Jacobina, na Bahia. Ao copular com a fêmea, o Aedes aegypti macho bloqueia a reprodução das larvas.

Porém, essa capacidade pode ser naturalmente desativada por um antibiótico muito comum em rações para animais.

Não há, portanto, garantia de redução da população de mosquitos transmissores da dengue. Pode ser até que a população aumente!

Além disso, diz Melgarejo, “na natureza não existe espaço vazio. Outros possíveis vetores da dengue podem aparecer”. A condição natural do vírus da dengue, como de todo ser vivo, é de se reproduzir. “Se não se reproduz é possível que sofra mutações”, acrescenta. Mutações para as quais os serviços de saúde estão completamente despreparados.

“O fato concreto é que em Jacobina a população de mosquitos caiu, mas no ano seguinte o prefeito foi obrigado a decretar estado de emergência por conta da dengue”, afirma.

Por causa do óbvio poder econômico das Gene Giants (leia aqui, Projeto de Vaccarezza é redigido por lobby da Monsanto), Leonardo Melgarejo acredita que só a indignação dos cidadãos com os riscos a que estão sendo submetidos pode provocar mudanças. Isso depende de informação, infelizmente indisponível de maneira contextualizada na mídia corporativa.

Sobre a atual campanha política, ele vê “Dilma tolerante e Marina favorável” ao atual estado de coisas.

A ex-ministra do Meio Ambiente, citada pelo New York Times como “ícone” da luta ambiental, premiada em várias partes do mundo por suas propostas na área e proponente de uma “nova política”, que a distinguiria dos adversários, parece ter dado uma guinada e tanto ao longo do tempo, pelo menos em relação aos transgênicos: “Eu acredito que a Marina tem seus interesses [políticos] nesse momento. Espero que ela não tenha mudado por dentro tanto assim”.

O que deixa o pesquisador angustiado é o fato de que o processo não tem volta. “O milho Bt, não é mais possível retirá-lo da Natureza. Não tem como recolher. Não tem volta”, afirma. O mesmo vale para todos os novos produtos que, anualmente, rendem bilhões de dólares e o controle de boa parte da cadeia alimentar às Gene Giants.

[A produção de conteúdo exclusivo como este é generosamente bancada por nossos assinantes. Torne-se um deles]

Para ouvir a entrevista completa, altamente recomendável, clique abaixo nas setas vermelhas:

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28 comentários

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Mário SF Alves

15 de setembro de 2014 às 15h47

“Com relação aos transgênicos, o livro Levíticos 22,9 expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie”.”

___________________________________
Não sei e não faço ideia de que tipo de profanação ocorria naquela época. Ainda assim, assim um recado e tanto.
________________________________________
A dúvida que é:

E profanar a alma humana pode?
E profanar a alma humana através de fingimentos, será que pode?
E profanar a alma humana através de interesses publicamente inconfessáveis, será que pode?
E profanar a alma humana através da máxima “de que os fins justificam os meios”, será que pode?
E profanar a Democracia recusando-se a aceitar críticas e ao debate publico da relação custo-benefício de nossas intenções/planos governamentais, pode?
_______________________________________________
Século XXI tempo de superação, inclusive, e sobretudo, de tais profanações.

Responder

Marat

15 de setembro de 2014 às 15h44

Azenha, a tal da CTNBio é muito criticada, e recebe acusações de ganhar dinheiro de multinacionais ligadas aos transgênicos. Se for possível averiguar, seria importantíssimo sabermos a verdade.

Responder

henrique de oliveira

15 de setembro de 2014 às 13h39

O problema é que a fome não pode esperar estudos e seminários muito menos palestras sobre o assunto que é de vital importância , mas a questão é a seguinte esses produtos (os transgênicos) são para dar lucro ou para o mundo erradicar a fome?

Responder

    Mário SF Alves

    15 de setembro de 2014 às 15h56

    Não, prezado Henrique, não é a fome de alimentos que comanda esse processo. O que comanda esse processo/transgenia e correlatos é a fome do lucro acima de tudo e, por tabela, a fome de submissão de nações inteiras ao jugo de interesses que lhes são estranhos e prejudiciais.

    __________________________________

    Princípio da precaução não apenas contra os transgênicos; princípio da precaução também e sobretudo, contra certos indivíduos ideologicamente transgenizados.

Constator

15 de setembro de 2014 às 13h30

Só para constar, o tal estudo citado, feito pelo Seralini, é inválido por conter falhas extremamente óbvias na maneira de como foi conduzido.
Considerando até mesmo o histórico de pesquisas similares feitas pelo Seralini, não há sombra de dúvida que não há nada de científico no estudo.

Responder

    Mário SF Alves

    15 de setembro de 2014 às 16h01

    Humm… e o que dizer dos “atalhos” procedimentais utilizados para apressar/baratear/viabilizar mercadologicamente os resultados de pesquisa/testes experimentais e o respectivo licenciamento comercial de transgênicos?

    Elias

    15 de setembro de 2014 às 16h57

    Uma rápida googlada nos faz ver que os detratores de Séralini são os que trabalham param empresas de agrotóxicos e transgênicos.

Elias

15 de setembro de 2014 às 12h22

É um trabalho desses que os jovens das redes sociais poderiam ampliar sugerindo aos professores usar em sala de aula. Não sei a quais professores esse material é imprescindível. Talvez, Biologia, Química e História.

PS: Ignorante que sou no assunto, senti falta da citação da Embrapa. Fui conferir e descobri que a Embrapa já está bem envolvida com os transgênicos. Uma empresa tão importante que se deixou dominar pelo império do lucro.

Parabéns, Azenha, pela clareza verbal ao tratar de assunto, para mim, tão complexo.

Responder

    Mário SF Alves

    15 de setembro de 2014 às 16h13

    Elias,

    Há um tempo, conheci um pesquisar da Embrapa. Na ocasião confirmei algumas hipóteses:

    1- Que, por questões de segurança, inclusive, de biossegurança, o Brasil não deveria ignorar a importância do autodomínio dessa tecnologia;
    2- Que organismos transgênicos podem ser obtidos, inclusive, entre indivíduos de mesma espécies, e não apenas entre espécies de gêneros diferentes;
    3- Que não há incompatibilidade conceitual entre agricultura orgânica e o cultivo de OGMs.

Urbano

15 de setembro de 2014 às 11h58

Sabe-se hoje que a czarina silva, politicamente, é uma fraude; e ninguém precisou nem se dar ao trabalho de inquirir, não. Ela mesma mostrou com todas as letras, ainda mais estufando e batendo na estampa. Deduz-se daí que, só os gaiatos, os obtusos e os de má fé para votar numa fraude.

Responder

Luís CPPrudente

15 de setembro de 2014 às 11h07

As sementes transgênicas devem ser bem estudadas antes de serem aprovadas por qualquer órgão. Infelizmente a força do agronegócio junto ao CTNbio e à Anvisa faz com que o Brasil queime etapas, contaminando terras, plantas, animais e pessoas.

Responder

Julio Silveira

15 de setembro de 2014 às 11h01

Nada como uma eleição para desnudar candidatos frageis e moralmente duvidosos, mas que vestidos por uma boa armadura publicitária conseguem camuflarem-se de santos para servir aos inimigos destes.

Responder

    Mário SF Alves

    15 de setembro de 2014 às 16h21

    Bom… isso num contexto democrático. Mesmo que seja numa democracia tutelada por mídias autoritárias.

    O problema é quando o autoritarismo de tais mídias impede ou distorce, inibe ou sabota o debate público das ideias, compromissos e viabilidade socioeconômica do programa de governo esboçado por certos candidatos.

Daniel Beck

15 de setembro de 2014 às 10h26

Caro Azenha,

Sempre admirei o seu blog e o acompanho já faz alguns anos. Me considero aspirante a cientista (faço doutorado em Ciência da Computação) e, especialmente em assuntos polêmicos como os OMGs, procuro sempre acompanhar o que dizem as revistas científicas.

Sendo assim, fiquei surpreso ao ver esse estudo sobre o efeito do milho NK603 e o herbicida Roundup. Resolvi fazer uma rápida pesquisa sobre o artigo e descobri que não somente ele sofreu as críticas citadas pelo Dr. Melgarejo mas também ele foi *retirado* de circulação pela revista onde ele tinha sido publicado [1]. Não sou especialista na área mas essa atitude me parece bastante séria pois me leva a crer que as críticas tinham fundamento e que os resultados do estudo devem ser desconsiderados.

Pesquisando mais a fundo, descobri que estudos anteriores do autor principal (Prof. Séralini) também foram alvo de várias críticas [2]. Por fim, um editorial da Nature (uma das revistas científicas mais prestigiadas no mundo) cita vários problemas com a forma de divulgação dos resultados [3]. Em especial, chamo a atenção para o seguinte trecho (peço desculpas por não traduzí-lo):

“With such strong claims and the predictably large effect they will have on public opinion, researchers should take care how they present their findings to the public and the media. They should spell out their results clearly; emphasize the limitations and caveats; and make it clear that the data still need to be assessed, and replicated, by the scientific community.

That didn’t happen. The paper was promoted in a public-relations offensive, with a related book and film set for release this week. Furthermore, journalists wishing to report the research had to sign confidentiality agreements that prevented them from contacting other scientists for comment on the paper until after the embargo had expired. Some, to their credit, refused, or accepted and then revisited the story critically once their hands were no longer tied by these outrageous restrictions.”

Repito, não sou especialista na área. Mas é justamente por isso que devo debruçar minha opinião sobre quem é especialista: a comunidade científica da área em questão. Quanto a isso, me parece claro que os estudos do Prof. Séralini são bastante questionáveis. Por conta disso, devo dizer que me sinto incomodado com o fato do Dr. Melgarejo não ter levado em conta esse fato. Na minha área eu teria muitas precauções em citar um artigo retirado de circulação em uma entrevista, especialmente em um assunto tão polêmico. Gostaria de ouvir a opinião do Dr. Melgarejo em relação a retirada do artigo e, se for o caso, porque esse estudo ainda assim deve ser considerado.

Gostaria de deixar claro que minha opinião é favorável aos OMGs e não à Monsanto e outras companhias que usam práticas industriais de ética questionável. Há várias instituições acadêmicas e sem fins lucrativos ligadas ao estudo dos OMGs. Um exemplo de resultado desses estudos é o “Arroz Dourado” (“Golden Rice”), um arroz OMG voltado a suprir a deficiência de vitamina A [4][5].

Por fim, deixo um link para um artigo de um blog voltado à divulgação científica, tratando de vários mitos em relação as OMGs e apontando para as respectivas referências [6]. Espero que meu posicionamento tenha sido claro.

Forte abraço,
Daniel

[1] http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691512005637

[2] http://en.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9ralini_affair

[3] http://www.nature.com/news/poison-postures-1.11478

[4] http://www.businessinsider.com.au/what-is-golden-rice-2014-6

[5] http://irri.org/golden-rice/the-project

[6] http://www.iflscience.com/environment/myths-and-controversies-gmos-0

Responder

    Daniel Beck

    15 de setembro de 2014 às 10h44

    Uma correção ao meu comentário: onde digo “OMG”, leia-se “OGM” (organismos geneticamente modificados).

    Dani

    15 de setembro de 2014 às 13h00

    Provavelmente ele não comentou porque o estudo foi republicado.

    AS-PTA | Estudo de Séralini sobre milho transgênico é republicado

    Número 678 – 27 de junho de 2014

    A pressão da indústria da biotecnologia e dos órgãos reguladores foi forte e conseguiu vitória temporária ao tirar de circulação a pesquisa inédita que demonstrou efeitos crônicos em ratos causados pelo consumo do milho transgênico NK 603 com e sem o herbicida Roundup (glifosato), ambos da Monsanto.

    A vitória foi temporária porque a Environmental Sciences Europe acaba de republicar a pesquisa e colocá-la de volta no debate científico, mantendo os resultados e conclusões originais e oferecendo acesso aos dados brutos do estudo, algo jamais feito pelas empresas do setor, que alegam segredo industrial mesmo sobre dados que dizem respeito a efeitos sobre a saúde e meio ambiente. Os pesquisadores franceses avaliaram a mesma linhagem de ratos usados pela Monsanto em seus estudos e identificaram graves danos ao fígado e rins, além de distúrbios hormonais e elevada ocorrência de tumores.

    A publicação original dos resultados encontrados por Gilles-Eric Séralini e sua equipe saiu em setembro de 2012 pela Food and Chemical Toxicology, que depois da repercussão causada pelo estudo inédito recompôs seu conselho editorial para abrigar um ex-funcionário da Monsanto e logo depois anunciou a retirada do artigo.

    A Food and Chemical Toxicology sai chamuscada do episódio, assim como as agências governamentais que desacreditaram a pesquisa. Entre elas está a CTNBio, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que atacou o estudo e seus autores e descartou a reavaliação de sua decisão, que considerou seguro o NK603 e autorizou seu uso comercial no Brasil.

    A AS-PTA saúda a volta do artigo ao debate público sobre a segurança desses produtos e sobre a influência das corporações sobre a ciência e os processos regulatórios. Baseando-se na lei de biossegurança demandaremos que a CTNBio reconsidere sua decisão à luz dos achados dos pesquisadores da Universidade francesa de Caen.

    E como cantou Vandré: “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

    Mário SF Alves

    15 de setembro de 2014 às 16h32

    E como cantou Vandré: “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.
    _______________
    Grande, Vandré! Atualíssimo, Vandré! E viva a arte do Vandré!

    “Gente, o mundo não se resume a festivais…” E tomara que jamais seja dominado pelas corporações patenteadoras de vidas, praticantes da biopirataria e produtoras dos transgênicos…

    Daniel Beck

    15 de setembro de 2014 às 17h38

    Republicação é comum em artigos que foram retirados [1]. No caso do estudo da equipe de Séralini, a republicação foi feita em uma revista sem fator de impacto (por ser muito nova) e sem revisão adicional [1].
    Eu, particularmente, ainda não estou convencido da validade do estudo, especialmente quando há um metaestudo concluindo que não há perigos significantes no uso de OGMs (publicado com revisão por pares em uma revista de alto fator de impacto) [2].

    [1] http://retractionwatch.com/2014/06/24/retracted-seralini-gmo-rat-study-republished/

    [2] http://www.geneticliteracyproject.org/wp/wp-content/uploads/2013/10/Nicolia-20131.pdf

    Dani

    18 de setembro de 2014 às 18h28

    E em relação aos estudos feitos pelas proponentes da tecnologia (utilizados para liberação) que sequer são publicados e muito menos replicados, pois não são disponibilizados dados, metodologia e sementes para isso. Você tem alguma opinião? Não os considera questionáveis?

    Detalhe: Seralini validated by new EFSA guidelines on long-term GMO experiments
    http://gmwatch.org/index.php/news/archive/2013/14882-seralini-validated-by-new-efsa-guidelines-on-long-term-gmo-experiments

    Curioso, vc que se mostra tão “pesquisador” não viu que o arroz dourado foi um tremendo fracasso:

    O arroz dourado contou com tanta publicidade que nem precisa ser apresentado. Em uma pesquisa no Google, o termo de busca (em inglês) “arroz dourado” + vitamina A gera 131 mil resultados. O arroz dourado conta com genes que produzem em seu endosperma modestas quantidades de betacaroteno, uma das formas de se obter vitamina A. O arroz dourado se tornou o estandarte para os defensores do uso humanitário e benéfico dos OGMs e foi capa da revista “Time”, além de ter inspirado 11 artigos só no “New York Times”.

    A realidade científica do arroz dourado, no entanto, dificilmente poderia ser mais distinta daquela apresentada pela pesada campanha de relações públicas ao seu redor. Antes de 2005, toda a publicidade se referia ao arroz dourado 1 (GR1) (Ye et al. 2000). Em meio a uma quase total ausência de ceticismo jornalístico, apenas o Greenpeace e a física e ativista ambiental indiana Vandana Shiva salientaram o fato de que as reivindicações feitas em favor do produto eram falsas: o GR1 era incapaz de solucionar o problema da carência de vitamina A porque os níveis de betacaroteno apresentados eram muito baixos. Isto, na época, ainda era discutível, mas trata-se de um claro reconhecimento do fracasso do GR1 o fato de que a Syngenta tenha mais tarde desenvolvido um novo tipo de arroz (GR2) (Paine et al 2005).

    A versão atual do arroz dourado (GR2) foi assunto de apenas três publicações científicas (Paine et al 2005; Tang et al 2009; Tang et al 2012). Nada se sabe sobre sua rentabilidade ou características agronômicas e, dificilmente, sabe-se qualquer coisa também sobre sua eficácia ou segurança. O GR2 não foi aprovado para uso comercial ou consumo público em nenhum país. Ele é, portanto, um produto ainda em desenvolvimento, e, na verdade, apenas recentemente o GR2 foi cruzado com a subespécie indica do arroz, que é a mais comida na Ásia. Existe, portanto, o que certamente é uma disparidade sem precedentes entre o número de artigos jornalísticos escritos sobre o arroz dourado e os seus verdadeiros méritos que, até o momento, inexistem.

    Mas o ponto central, para além do fato de que os leitores do “New York Times” talvez sejam os mais desinformados do mundo, é que o arroz dourado não está sozinho, ele é apenas um exemplo dentre vários de uma pesquisa preliminar e duvidosa em OGMs sendo transformada em notícia positiva na mídia global.
    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/36952/nem+tudo+e+verdade+.shtml
    http://aspta.org.br/campanha/676-2/

    E é sempre bom lembrar:
    “ausência de evidência não pode ser tomada como evidência da ausência” (TRAAVIK, 1999)

    Não existe nenhum estudo que comprove que transgênicos são seguros. Eu te desafio a mostrar aqui.

    Pra quem se interessa:
    GMO Myths and Truths
    http://tinyurl.com/nw7k35w

    Seralini and Science: an Open Letter
    http://www.independentsciencenews.org/health/seralini-and-science-nk603-rat-study-roundup/

    Soja Transgênica – Sustentável? Responsável?
    http://tinyurl.com/olg4sgd

    Transgênicos para quem?
    http://tinyurl.com/kl8yk2z

    Coexistência – o caso do milho
    http://tinyurl.com/n97ab7n

    Seed Industry Structure – Philip H. Howard
    Associate Professor, Michigan State University
    https://www.msu.edu/~howardp/seedindustry.html
    http://www.youtube.com/watch?v=nBBXLZWyXBQ

    http://aspta.org.br/campanha/657-2/

    http://pratoslimpos.org.br/?p=7062

Fernando Lopes

15 de setembro de 2014 às 10h20

Essa questão é séria. Envolve meio ambiente, dependência do Brasil a empresas multinacionais, direitos civis, concentração de renda, etc. Mas vale lembrar quem são no Brasil os defensores das Gene Giants. Quem faz o lobby delas e quem usa mais seus produtos. Sempre os mesmos pois o agronegócio é controlado pelos mesmo corruptos de sempre que vivem a comprar políticos, e arrasar nosso país. Infelizmente ninguém, nem os blogs tem coragem de dizer seus nomes, talvez porque até os blogs sonhem com uma verbinha publicitária para lhes ajudar. Como eu não tenho nada a perder ou a ganhar não custa lembrar que os líderes do agronegócio, os desmatadores das florestas do Brasil são as mesmas empreiteiras e grupos financeiros que também exploram e escravizam os brasileiros que moram nas cidades. Sim eles mesmos: ANDRADE GUTIERREZ, CAMARGO CORREA, BANCO ITAÚ, BANCO BRADESCO, MENDES JUNIOR, REDE GLOBO e todos dessa corja de nobres famílias e modernos empresários. São a verdadeira escoria da sociedade esta elite de bandidos que imprensa inteira sempre protege!

Responder

Mardones

15 de setembro de 2014 às 09h53

Para uma candidata que se apresentava como ‘verde’, a Marina poderia incluir no seu plano de governo a questão da agroecologia. Mas com tantas honrarias internacionais resolveu mudar mais uma vez o discurso e ficar ainda mais igual a velha política. Até agora, ela não apresenta nada que se possa chamar de novo.

Responder

    Mário SF Alves

    15 de setembro de 2014 às 16h57

    Marina, a cada dia que passa, cada vez mais me cheira a estelionato eleitoral.

    Agora deu pra usar das velhas artimanhas e manhas pra evitar franco debate das ideias.

    Seu esboço de plano de governo tem de ser debatido, sim. Ou será que ela acha que é democrático ou sequer educativo levantar as mãos pro céu e orar aquele “pai nosso” do neoliberalismo? Aliás é o mesmo pai nosso do AhÉsim.

Leleco

15 de setembro de 2014 às 00h41

Caro Azenha ,penso que seria interessantíssima a atual opinião e visão estratégica oficial da Embrapa sobre a questão ( como a maior empresa de pesquisa agropecuária do país – e uma das maiores do mundo – e o Brasil como grande produtor de alimentos ), já que até onde eu sei , atua diretamente no estímulo à pesquisa e produção da cultura transgênica.

Responder

Frank

14 de setembro de 2014 às 22h06

Cadê a Dilma para peitar estes caras? Quantos mais terão que morrer de câncer por conta disto?

Responder

    Heverton

    17 de setembro de 2014 às 10h26

    Caro Frank. Nem a Dilma nem o Lula querem “peitar” os ruralistas nem as “Gene Giants”. Se quisessem fazer, já teriam feito nesses 12 anos em Brasília. Dilma, inclusive, está fazendo campanha para a Kátia Abreu continuar no Senado.
    https://www.youtube.com/watch?v=KKKgQoo9_t4 (abre no facebook)

FrancoAtirador

14 de setembro de 2014 às 21h58

.
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“Nossa ideia sempre foi transformar este espaço,
aos poucos, num Banco de Dados para jovens
que buscam informação sobre Transgênicos e Agrotóxicos,

informação quase ausente da Mídia Corporativa
por conta do apoio dos Barões da Mídia ao Agronegócio
(http://www.guiademidia.com.br/agronomia/agronegocios.htm)

(a Globo é integrante da Associação* do Agronegócio,
denuncia João Pedro Stedile: http://abre.ai/associacao_globo_agronegocio)
e às verbas publicitárias que irrigam o bolso dos Marinho, Frias, Mesquita e outros.”

*Inclua-se nessa Associação a RBS, dos Sirotsky,

tentáculo da Rede Globo na Região Sul do Brasil,

de onde tem origem a Senadora Ana Amélia (PP),

e o Grupo Bandeirantes, dos Saad, em todo o País.
.
.
LATIFÚNDIO E AGRONEGÓCIO:
SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS NO PROCESSO DE ACUMULAÇÃO DE CAPITAL

(http://abre.ai/latifundio_agronegocio_acumulacao-de-capital)
.
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Responder

Francisco

14 de setembro de 2014 às 21h36

A pergunta que não quer calar é: o Brasil, com o que produz naturalmente, precisa MESMO usar transgênicos?

Que um país minúsculo, com clima desfavorável e terra pobre use é até compreensível, mas… O Brasil?

O caso do uso de transgênicos no Brasil é um daqueles em que se fosse convocado plebiscito, a democracia ganhava (ou seja, o antigênico perdia).

Porque nenhuma consulta popular sobre o assunto? Pelo mesmo motivo pelo qual o segundo mandato de Dilma tem que ser satisfatório para “acalmar as elites” e, pela primeira vez também, para satisfazer as bases petistas: a esquerda no Poder sem a pressão democrática das bases é tão ou mais prisioneira do capital quanto a direita no Poder.

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