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Santayana: Telecomunicações, o tamanho do buraco


04/09/2012 - 18h14

Blog do Mauro Santayana

Segundo O Estado de S. Paulo, as empresas de telefonia que operam no Brasil tiveram uma expansão de sua receita em 8,3% ao ano, desde 2005, e só reinvestiram 3% ao ano, no mesmo período.

Mais grave ainda é a revelação de que, desde a privatização do sistema Telebrás, em 1998, as empresas investiram 390 bilhões, contra uma receita calculada em quase dois trilhões de reais. Esse número é obtido pela informação dos dois principais dirigentes da Oi e da Vivo, de que foram investidos mais ou menos 20% da receita total. Se os investimentos foram de 390 bilhões, basta multiplicar por cinco, para obter a receita total destes 14 anos. É bom lembrar que boa parte dos investimentos foram bancados pelo BNDES, a juros de mãe amorosa.

O Brasil é o paraíso dos investidores estrangeiros, nesse sistema de colonialismo dissimulado. Há poucos dias, outro jornal, O Globo, divulgava que as montadoras de automóveis lucram 3 vezes mais em nosso país do que nos Estados Unidos. A margem de lucro dessas empresas, no Brasil, é de 10%, enquanto nos Estados Unidos não passa de 3%. E não só nos Estados Unidos os carros são muito mais baratos. Há modelos que custam duas vezes mais no Brasil do que na França, e 30% mais barato ali mesmo, na Argentina.

A defesa do interesse nacional recomenda medidas mais fortes de parte do Estado. O governo, no entanto, caminha lentamente. A restauração da Telebrás, iniciada timidamente, timidamente se desenvolve. Há visível desinteresse do Ministro Paulo Bernardo em dar à velha empresa nacional os instrumentos de sua reorganização e funcionamento, para a universalização da banda larga no país.

A privatização das empresas estatais brasileiras foi decidida, como todos sabemos, em Washington, com a articulação dos economistas neoliberais, no famoso Consenso, que não ouviu os povos, nem examinou criteriosamente os efeitos da globalização exacerbada da economia.

Como se recorda, o objetivo, claro e desaforado, da nova ordem que propunham era o de acabar com a democracia política e sua substituição por um governo de gerentes a serviço do sistema financeiro mundial. Nesse sentido, chegou-se a um Acordo Mundial de Investimentos que, simplesmente, colocava o dinheiro sem pátria acima dos estados nacionais. Muitas das cláusulas desse acordo foram cumpridas pelo governo neoliberal de então. E só a reação da França e do Canadá impediu que o tratado espúrio fosse assinado, oficialmente, pelos governos vassalos daquela época, entre eles, o do Brasil.

Hoje, os mais lúcidos economistas do mundo demonstram o erro cometido pelos países que privatizaram suas grandes empresas. Entre eles, dois prêmios Nobel – Joseph Stiglitz e Paul Krugman.

Se a privatização fosse realmente uma vantagem, os Estados Unidos já teriam privatizado a TVA – fundada por Roosevelt, em 1933 – e a Amtrak

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11 comentários

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Santayana: Compra da GVT pela Telefónica, entrega do mercado nacional « Viomundo - O que você não vê na mídia

06 de agosto de 2014 às 23h23

[…] Santayana: Telecomunicações, o tamanho do buraco […]

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Internet cresce, mas só chega a 43% dos domicílios brasileiros « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de setembro de 2012 às 18h42

[…] Santayana: Telecomunicações, o tamanho do buraco […]

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jaime

06 de setembro de 2012 às 09h11

Enquanto isso, na Argentina:

Clarin – 06/09/12

El Gobierno sumará un nuevo servicio: será ahora prestador de telefonía celular. Así lo anunció el ministro de Planificación Julio De Vido, al anular la licitación del 25% de las frecuencias 3G que sirven para dar ese servicio. La medida generó sorpresa en las empresas del sector y provocó dudas sobre el impacto que tendrá sobre la calidad de las prestaciones.

De Vido anunció ayer que el Gobierno había anulado la licitación de las frecuencias de 3G cuya concesión venía discutiéndose hace más de un año. El concurso se había suspendido más de una vez, sin razones oficiales. Ahora, el ministro de Planificación dijo que las frecuencias quedarán para una compañía estatal, ARSat, que así tendrá alrededor del 20% del mercado de la telefonía celular de tercera generación. Arsat explotará esas frecuencias por cuenta propia o en alianza con terceros.

De Vido dijo que sólo uno de los cinco oferentes de la licitación cumplía los requisitos y que entregar todas las frecuencias al único habilitado (Claro) generaría más concentración. “Y LOS ARGENTINOS ESTAMOS HARTOS DE LOS MONOPOLIOS”, apuntó. Esa licitación se había hecho con parte del espectro que Telefónica devolvió en 2005, cuando se fusionaron Movicom y Unifón en Movistar, porque superaba el tope de 50 MHz (una medida de espectro radioeléctrico) de ancho de banda permitidos.

Los oferentes por las frecuencias habían sido Claro, Personal, Nextel, y los grupos Vila-Manzano y Roggio . De Vido argumentó que los dos últimos no cumplían los requisitos de capital, en tanto que Nextel tenía indicadores adecuados, “pero el precio de la acción en el Nasdaq de Estados Unidos sufrió una significativa caída en el último año”, aunque el tema no era motivo de evaluación en la compulsa. Fue más curioso el argumento para rechazar la presentación de Personal. El ministro recordó “la famosa integración monopólica de Telefónica y Telecom”, sobre la cual “estamos en análisis administrativo para ver cómo se resuelve ”. No dijo que la compra de una porción de Telecom por parte de Telefónica en Europa, cuestionada por muchos actores del sector, fue aprobada aquí sin objeciones por el mismo Gobierno que ahora parece objetarla . Así, la única habilitada para la licitación, según De Vido, era Claro, del mexicano Carlos Slim. “Por eso se ha decidido dejar sin efecto el proceso de licitación y asignar esas frecuencias a ARSat”, señaló el ministro.

ARSat es una empresa reestatizada (fue privatizada en los 90 y controlada por NahuelSat), dedicada a la operación de satélites de telecomunicaciones . Además, viene implementando el programa de Televisión Digital Terrestre. Desde 2010, recibió subsidios por $ 4.878 millones.

LAS FRECUENCIAS EN DISCUSIÓN HABÍAN SIDO CONCESINADAS A PRIVADOS Y AHORA REESTATIZADAS. El mismo proceso de Aerolíneas Argentinas, parte de los trenes suburbanos, YPF, Correo Argentino, AySA, entre otras.

De Vido dijo que, con estas frecuencias, Arsat tendrá el 17% del mercado 3G en el área 1 (noreste y noroeste); el 22% en el área 2 (que incluye la ciudad de Buenos Aires y toda el área metropolitana) y el 20,5% en el área 3 (Patagonia).

Entre las empresas del sector, la medida provocó una profunda sorpresa.

“Teníamos un plan de inversión de US$ 1.000 millones para poner en marcha el uso de estas frecuencias”, dijeron en una de las compañías que quedó afuera de la licitación ahora anulada. “Estamos pidiendo la desgrabación del discurso de De Vido para leerlo detalladamente , a ver si entendemos de qué viene todo esto ”, dijeron en otra.

Las empresas apostaban a esas frecuencias para ampliar sus servicios o mejorar los existentes. Ahora buscan desesperadamente alternativas: “Esto es como una autopista, cuando se saturan los carriles, hay que hacer nuevos, y ahora no los habrá”, resumían anoche en una de las afectadas.

De Vido señaló ayer que ARSat hará la operación de los celulares que ahora podrá lanzar en forma directa o a través de terceros , a la vez que señaló que darán participación a “cooperativas y pymes del interior”. Ayer, la Federación de Cooperativas de Telecomunciación celebró la decisión.

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marcio gaúcho

05 de setembro de 2012 às 21h11

A BrOI foi abençoada por Lula, com dinheiro do BNDEs. Estará ela honrando as prestações do empréstimo? Uma pulguinha está dizendo que a BrOi está inadimplente. Pedindo renegociação, para nunca pagar.
Paulo Bernardo, o ministro, está somente preocupado com o salário e o bem-estar da família. É um inativo precoce.
Cadê a Dilma?

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Moacir Moreira

05 de setembro de 2012 às 08h57

As privatizações – ou concessões, como preferem os companheiros petistas – são um verdadeiro kit de felicidade para os empresários ligados ao crime organizado.

Primeiro o povo constrói um patrimônio com o suor do próprio rosto e depois de pronto é só entregar de mão beijada para algum esperto “administrar” em proveito próprio.

Assim fica fácil.

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    tiago carneiro

    05 de setembro de 2012 às 20h53

    Não diga isso, camarada. Os Petistas cegos, aqueles que não merecem usar a estrela no peito, irão ficar com muita raiva de você.

    Depois da privataria tucana, teremos o ”pacote de bondade” da FHC de saias.

    Só na imaginação dela e dos petistas bitolados que as concessionárias irão investir em alguma coisa…

    Vamos ver no que o pacote de bondades da russerra dará.

Paciente

05 de setembro de 2012 às 03h41

No recente embate em torno do valor dos juros bancários ficou evidente que ter uma estatal em cada segmento que os Estado julgue que os valores estão “esquisitos” é altamente recomendável.

Sem a Caixa e o BB o juro teria caído? E o (parco) financiamento da casa própria popular, de baixíssimo custo (e retorno), existiria?

Não se trata de defender a “estatização” da economia, mas criar uma estatal de médio porte em cada setor onde os preços se mostrem estranhos. Passada a situação, privatiza, precisando de novo, cria outra novamente, qual o problema?

Nesse momento muitos brasileiros gostariam que o Brasil dispusesse de uma, uma única montadora que vendesse carros, motos e tratores a preço “de mercado real”. Alguns supõem que o carro popular brasileiro tem sido vendido 30% acima dos preços que poderiam ter. É cartel! Além disso, as forças armadas precisam ter fabricas que não sejam objeto de locaute numa situação de crise.

Como este exemplo, vários outros. Uma empresa por segmento (remédios, veículos automotivos, empresa de telefonia, etc.). pode ser feita sem problemas. Eu sou um dos donos do país. Eu deixo!

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Fabio Passos

05 de setembro de 2012 às 00h01

Para escapar do subdesenvolvimento o Brasil precisa reestatizar as cias estratégias de mineração, siderurgia, energia e comunicações roubadas da nação pelos tucanos privatas.
Os entreguistas neoliberais do psdb vendem até a própria mãe.

As cias privatizadas prestam péssimos serviços.
Vendem porcaria a preços que são um completo roubo.

Quando Brizola se deparou com cias privadas incompetentes colocando em risco o desenvolvimento do Rio Grande do Sul… não teve dúvida e estatizou as empresas para garantir qualidade de serviço e preço justo.

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    Jotace

    07 de setembro de 2012 às 00h30

    Caro Fábio Passos,

    Minha opinião é exatamente igual à sua. Reestatizar ao invés de privatizar ou ‘conceder’ é o que nunca deveria ter sido feito. Há que lutarmos para isso e unidos, exigirmos dos congressistas a decência que devem ter ao lidar com o patrimônio do povo. Como foi denunciado também pelo Mauro Santayana, estamos entregando até o que resta da nossa Defesa. Caso o Governo não tome a providência devida e rápida o Brasil vai ficar (se já não é) como uma barata numa festa de galinhas.Um abraço, Jotace

jaime

04 de setembro de 2012 às 22h58

“Há muitas necessidades sociais prementes que o Governo só pode atender entrando numa forma de concorrência com o s interesses privados. O desenvolvimento dos vales fluviais, por exemplo, área na qual a iniciativa privada jamais poderia esperar operar com eficiência, é essencial para o controle das cheias, da conservação de água, recuperação dos solos desgastados, etc. Mas também produz energia elétrica que concorre com a energia privada e com isso proporciona um critério para medir a atuação dos monopólios de energia privados. Por essa razão, o aproveitamento dos vales fluviais sofre acerba oposição da totalidade da comunidade dos grandes negócios. A história da Tennessee Valley Authority nos proporciona um testemunho eloquente da realidade dessa oposição. A TVA teve sua origem na necessidade que o Governo experimentou de nitratos durante a Primeira Guerra Mundial. Uma represa, instalações geradoras de energia hidrelétrica e uma fábrica de nitrato foram construídas em Muscle Shoals, Alabama, para satisfazer a exigências rigorosamente militares. Durante a década de 1920, o Senador Norris, do Estado de Nebrasca, liderou uma campanha para transformar Muscle Shoals num amplo esquema de desenvolvimento do vale, mas naquele período de prosperidade capitalista nada resultou da idéia, e mesmo o investimento original acabou deteriorando em ociosidade. Foi somente durante os “Cem Dias” depois da posse de Roosevelt em 1933 – um período de quase pânico para a oligarquia endinheirada – que os decididos esforços de Norris foram coroados de êxito. E OS OLIGARCAS LAMENTARAM, DESDE ENTÃO, O SEU MOMENTO DE FRAQUEZA. Do ponto de vista deles, O MAL DA TVA FOI O DE TER SIDO UM TREMENDO SUCESSO. Deu ao povo americano sua primeira visão do que seria possível realizar com um planejamento inteligente sob a direção governamental, equipada dos poderes necessários à realização de um programa racional. Para citar apenas uma de suas realizações, em fins da década de 1950 uma moradia típica da área da TVA pagava pela energia apenas metade do preço médio nacional, embora consumisse um volume duas vezes superior. E, em escala mundial, a TVA tornou-se um símbolo do New Deal, uma luz que mostrava o caminho do progresso democrático. Nessas circunstâncias, a oligarquia não ousou destruir diretamente a TVA. Ao invés disso, organizou uma campanha de longo alcance de críticas impiedosas e para criar embaraços para a TVA, reduzir-lhe as funções, forçá-la a se conformar às normas da empresa capitalista. E esta campanha obteve considerável sucesso: a TVA jamais pôde realizar nada que se aproximasse de suas possibilidades. Não obstante, sua popularidade entre o povo da área de sete estados na qual opera protegeu-a contra a sufocação e a deformação de seus objetivos originais. O maior êxito da campanha contra a TVA, portanto, foi seu sucesso total em impedir que o princípio de uma organização administrativa de um projeto de aproveitamento de um vale flucial para múltiplas finalidades fosse aplicado a qualquer outro dos numerosos vales dos Estados Unidos, e nos quais tanto poderia contribuir para melhorar o bem-estar do povo. A necessidade de novas TVAs é facilmente demonstrável a qualquer pessoa racional; durante a década de 1930 e posteriormente, maiores dispêndios governamentais em projetos de desenvolvimento de rios poderiam ter proporcionado uma excelent solução parcial ao problema da inadequada absorção do escedente. Mas o que Marx chamou de as Fúrias do intresse privado haviam sido despertadas, e repeliram facilmente qualquer nova penetração no seu domínio sagrado.

À luz desses fatos, há algo de peculiarmente repulsivo na forma pela qual a oligarquia cita, insistentemente, a TVA como prova da dedicação dos Estados Unidos aos objetivos progressistas nos países subdesenvolvidos do mundo. O Secretário de Estado Rusk, procurando persuadir os Governos latino-americanos a se unirem na destruição das realizações históricas da Revolução Cubana, disse na reunião de Ministros do Esterior, em Punta del Este, em janeiro de 1962: “Anos de pensamento, trabalho e debate foram necessários para preparar a América para os passos necessários da auto-ajuda e reforma social. Lembro-me bem da intensa resistência, antes que Franklin D. Roosevelt pudesse conseguir o apoio à Tennessee Valley Authority, aquela imensa rede de represas, usinas de energia, fábricas de adubos e agências de extensão agrícola que provocou modificações tão miraculosas em nosso Sul. Mas uma sucessão de líderes progressistas, dispostos a provocar uma modificação social dentro da estrutura do consentimento político, realizou uma ‘aliança para o progresso’ dentro dos Estados Unidos”.

Se a TVA provocou tais milagres, por que essa “sucessão de líderes progressistas” jamais conseguiu criar alguma outra repartição semelhante? (É interessante que o Secretário de Estado, nessa reunião de países da América do Norte, Central e do Sul, não tivesse visto nada de inadequado em referir-se aos Estados Unidos simplesmente como “América”.)”
(Capitalismo Monopolista – Paul A. Baran e Paul M. Sweeze, 3ª edição, 1978, Zahar Editores, págs.168/170)

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Pedro Luiz

04 de setembro de 2012 às 22h32

Sem comentários.É só alegria das empresas de fora neste país.Os empresários da toda poderosa FIESP devem ficar bravos e invejosos com esses lucros astronômicos das teles.Mas é só inveja.

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