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Michael Moore: Venham todos ocupar Wall Street


30/09/2011 - 18h46

Após visitar os acampados em Wall Street e declarar seu apoio ao movimento de ocupação, o cineasta e ativista Michael Moore publicou uma nota em seu blog chamando pessoas de todo o país para se reunirem aos manifestantes em Nova York. Ele considera o fato histórico: “É a primeira vez que uma multidão de milhares toma as ruas de Wall Street”. A manifestação segue sendo ignorada pela “grande imprensa”.

Redação de Carta Maior

A manifestação “Ocupar Wall Street chega ao décimo dia ignorada pela grande imprensa e cada vez mais “gritante” na mídia alternativa e blogs. As milhares de pessoas permanecem acampadas no local, enfrentando policiais cada vez mais violentos.

Lawrence O´Donnel, apresentador de uma emissora de TV alternativa, mostra em seu programa “The last World” a cena de um jovem sendo agredido. Ele questiona: “Por que os policiais estão batendo neste rapaz?”

Em seguida, Lawrence reapresenta a mesma cena em câmera lenta e explica: “Os policiais estão batendo no jovem porque ele está armado com uma câmera de vídeo”. Outra cena do programa mostra duas mulheres gritando muito após terem sido atingidas por spray de pimenta. Lawrence condena a brutalidade: “As pessoas são inocentes, pacíficas, não podem ser agredidas nem presas”.

O que causa espanto ainda maior, acrescenta o jornalista, é a falta de reação de quem assiste ao espetáculo de horror de braços cruzados. “Ninguém faz nada a favor dessas pessoas”, denuncia, afirmando que a violência policial contraria a lei, é crime. Diz ainda que a ação policial tem uma explicação: o governo sabe que a manifestação não terminará enquanto a população nas ruas não for ouvida.

Um internauta posta o programa de Lawrence no Youtube e pede: “Por favor, transformem isto num viral”, explicando que tem poucas linhas para expressar o horror que está ocorrendo nas ruas. Ele assina “moodyblueCDN” na postagem.

Abaixo do vídeo, segue o comentário: “E aqui vamos nós aos bastidores de Matrix”, comparando a bem engendrada política imperialista ao enredo do filme de ficção científica, no qual os personagens têm os destinos traçados por máquinas e só podem romper esse circuito de manipulação quando surgir o salvador.

Outro vídeo da internet mostra os jovens e sua demanda: “quem for honesto nos dará apoio, quem for heróico se juntará a nós”.

Lucas Vazquez está entre os jovens de Wall Street, é um dos organizadores do protesto, segundo um vídeo. Ele dá uma declaração tranqüila, mostrando-se surpreso com a reação dos policiais.

Os dez dias de protestos já deram origem a um documentário, O verão da Mudança (Summer of Change), de Velcrow Ripper. Ripper navega na praia hippie dos anos 1960 ao propor: “Como esta crise global pode se transformar em uma história de amor?”. O documentário foi produzido pela Evolve Love.  

Leia também:

A ocupação da Praça da Liberdade, em Washington

Mike Whitney: O castelo de cartas está desabando





18 comentários

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Roberto Locatelli

06 de outubro de 2011 às 20h29

Como disse o Michael, há toda uma efervecência oculta na sociedade estadunidense.

É como se fosse um vulcão. O movimento Ocupar Wall Street é só a fumarola saindo de alguma fenda. Mas lá por baixo, uma gigantesca câmara de magma aumenta a pressão sobre as camadas tectônicas. A erupção será explosiva.

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beattrice

06 de outubro de 2011 às 15h13

Espero sinceramente que um dia talvez quem sabe paulistas e paulistanos ocupem a Praça da Sé.
Aí então a Bastilha do Bandeirantes vai tremer e despejar o OPUS DEI.

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Bonifa

03 de outubro de 2011 às 17h12

"A manifestação segue sendo ignorada pela “grande imprensa”." Não segue mais. Depois que George Soros declarou sua simpatia ao movimento, a Globo orientou seu correspondente para fazer uma reportagem sobre. Uma bela reportagem que saiu mostrando a manifestação como uma faceta a mais da imensa quantidade de curiosidades da Big Apple, demonstração alegre, inofensiva e risonha da liberdade de que se goza na grande democracia americana. Nada de violência ou prisões. O reporter ressaltou até que a demonstração virou mais uma das atrações turísticas de New York. No "Bom Dia, Brasil".

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    Mário SF Alves

    04 de outubro de 2011 às 10h56

    Atração circence! É assim que foi definido "O Ocupa WS" pela correspondente do PIG em NY.

    beattrice

    06 de outubro de 2011 às 15h15

    Até a CBN, a rádio que toca mentira, entrou na falsa cobertura.

Primeiro Comunicado Oficial do Ocupar Wall Street « O Futuro é a Liberdade

03 de outubro de 2011 às 08h46

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Regina Braga

01 de outubro de 2011 às 11h24

Da primavera ao outono americano…Começou a reação e parece que, estão com dificuldades no facebook…Mas a única forma de acabar com patifaria é fazendo as manifestações…Que o Obama não enquadre os manifestantes,como o Cameron…Sem os truculentos políciais.

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Gilmar Henriques

01 de outubro de 2011 às 10h21

Digite o texto aqui![youtube 4zdH09mWVF8 http://www.youtube.com/watch?v=4zdH09mWVF8 youtube]

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Gilberto Silva

01 de outubro de 2011 às 07h59

Bom, até que enfim os americanos estão acordando.

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FrancoAtirador

01 de outubro de 2011 às 01h10

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Os 99% que ocuparam Wall Street

Amy Goodman – Democracy Now, na Carta Maior

Se dois mil ativistas do movimento conservador Tea party se manifestassem em Wall Street, provavelmente haveria a mesma quantidade de jornalistas a cobrir o acontecimento. Duas mil pessoas ocuparam de fato Wall Street no dia 17 de setembro. Não levavam cartazes do Tea party, nem a bandeira de Gadsden com a serpente em espiral juntamente com a ameaça “Não te metas comigo”.
Mas a sua mensagem era clara: “Somos os 99% da população que não toleram mais a ganância e a corrupção do 1% restante”, diziam. Ali estava uma maioria de jovens a protestar contra a especulação praticamente incontrolável de Wall Street, que provocou a crise financeira mundial.

Um dos multimilionários mais conhecidos de Nova York, o presidente da Câmara, Michael Bloomberg, comentou sobre o momento que vivemos: “Muitos jovens saem da universidade e não encontram trabalho. Foi isso que aconteceu no Cairo e em Madri. Não queremos este tipo de distúrbios aqui”. Distúrbios? A Primavera Árabe e os protestos na Europa trataram-se disso?

É provável que, para desilusão do presidente da Câmara Bloomberg, o que aconteceu no Egito e na Europa seja justamente o que inspirou muitas pessoas a ocupar Wall Street. Em comunicado recente, a coligação de organizações que protestam em Nova York informou: “No sábado, realizámos uma assembleia geral com duas mil pessoas. Na segunda-feira, às 20h, ainda estávamos ocupando a praça, apesar da constante presença policial. Estamos construindo o mundo que queremos, tomando por base as necessidades humanas e a sustentabilidade, no lugar da ganância das empresas”.

Falando de Tea Party, o governador do Texas, Rick Perry, tem provocado polêmica durante os debates presidenciais republicanos com a sua declaração de que o elogiado sistema de segurança social dos Estados Unidos é “um esquema do tipo Ponzi”. Charles Ponzi dedicou-se a fraudar milhares de pessoas em 1920 com a promessa enganosa de que receberiam enormes ganhos a partir de investimentos. Um típico esquema Ponzi consiste em tomar o dinheiro de vários investidores e pagá-los com o dinheiro de novos investidores, em vez de pagar a partir de ganhos reais. O sistema de segurança social dos Estados Unidos é de fato sério: tem um fundo confiável de mais de 2,6 mil milhões de dólares. O verdadeiro esquema que ameaça o povo norte-americano é a insaciável ganância dos bancos de Wall Street.

Entrevistei um dos organizadores do protesto “Ocupemos Wall Street”. David Graeber é professor em Goldsmiths, Universidade de Londres, e é autor de vários livros. A sua obra mais recente é "Dívida: os primeiros 5.000 anos". Graeber assinala que, no meio da crise financeira de 2008, renegociaram-se dívidas enormes de bancos. No entanto, pouquíssimas hipotecas receberam o mesmo tratamento. Graeber disse: “As dívidas entre os mais ricos ou entre governos podem sempre ser renegociadas e, de fato, sempre foi assim na história mundial. Não estão gravadas em pedras. Em termos gerais, quando os pobres têm dívidas com os ricos, automaticamente as dívidas convertem-se numa obrigação sagrada, mais importante do que qualquer outra coisa. A ideia de renegociá-las é impensável”.

O presidente Barack Obama propôs recentemente um plano de criação de emprego e maiores esforços para reduzir o défice público. Uma das propostas é o chamado “imposto sobre os milionários”, que conta com o apoio do multimilionário e partidário de Obama Warren Buffet. Os republicanos denominaram o imposto de “guerra de classes”.

Graeber explica: “Durante os últimos 30 anos vimos os mais ricos da nossa sociedade liderarem uma guerra política contra todos os demais, e esta é considerada a mais recente disputa, uma medida totalmente disfuncional do ponto de vista político e económico. Esse é o motivo pelo qual os jovens simplesmente abandonaram qualquer ideia de recorrer aos políticos. Todos sabemos o que acontecerá. Os impostos de Obama são uma espécie de simulação com carácter populista, que todos sabem que será rechaçado. Na realidade, o que provavelmente vai acontecer é que haverá mais cortes nos serviços sociais”.

Lá fora, na manhã fria de quarta-feira, os manifestantes iniciaram o quarto dia de protestos com uma marcha no meio de forte presença policial. Fizeram soar a campainha de abertura da “bolsa do povo” às 9h30, exactamente na mesma hora em que soa a campainha da Bolsa de Nova York. Enquanto os banqueiros continuam seguros dentro dos seus bancos resgatados, lá fora, a polícia prende manifestantes. Num mundo justo, com uma economia justa, caberia perguntar: quem deveria estar passando frio lá fora? Quem deveria ser preso?

(*) Texto em inglês traduzido por Mercedes Camps para espanhol. Texto em espanhol traduzido para o português por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisto por Bruno Lima Rocha para Estratégia & Análise.

http://www.democracynow.org/blog/category/weekly_…

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FrancoAtirador

30 de setembro de 2011 às 23h09

.
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ENQUANTO 99% PROTESTAM, 1% BEBE CHAMPANHE EM WALL STREET

[youtube 2PiXDTK_CBY http://www.youtube.com/watch?v=2PiXDTK_CBY youtube]

Responder

FrancoAtirador

30 de setembro de 2011 às 23h05

.[youtube sssMrX9ls3o http://www.youtube.com/watch?v=sssMrX9ls3o youtube]

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Gustavo Pamplona

30 de setembro de 2011 às 22h40

Assistam este vídeo aí e divirtam-se com a cara da Fátima ao falar do aumento da "aprovação". hahahahahha
http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/t/edic…

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Marcio H Silva

30 de setembro de 2011 às 22h23

O mundoi capitalista tá ficando ( ou já era a muito tempo e não tinha percebido ) tudo igual.
Parece que a empresa de consultoria é a mesma para estes países.

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joão33

30 de setembro de 2011 às 22h03

e aqui no Brasil ,é chegada a hora do povo heróico acampar no ministério da justiça , e no supremo tribunal federal, e nos ministérios publicos estaduais tambem, e chamar o procurador gurgel as falas ,por que ele não recorreu sobre a anulação da castelo de areia e contra o daniel dantas.

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    Marcio H Silva

    30 de setembro de 2011 às 22h15

    Boi barrica também! não esqueça.

Lucas

30 de setembro de 2011 às 19h27

O Obama acabou de executar Amar al-Awlaki no Iêmen, sem julgamento.

A diferença entre esse cara e os muitos outros líderes de Estado, revolucionários e "terroristas" assassinados pelos Estados Unidos é que estes eram estrangeiros, mas al-Awlaki era cidadão estadunidense, de modo que, em tese, estaria protegido pela quinta emenda da constituição deles "No person shall (…) be deprived of life, liberty, or property, without due process of law;(…)".

Obama acaba de se declarar, silenciosamente, ditador, com o poder de decidir quem vive e quem morre. O povo do "Occupy Wall Street" é melhor tomar cuidado.

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Aline

30 de setembro de 2011 às 19h19

Uma mídia que da gosto é isso aqui:
Olha a diferença quando o meio de comunicação tem competência e os jornalistas se comportam como jornalistas e como pessoas equilibradas e bem educadas: http://noticias.r7.com/videos/veja-na-integra-ent…
Dilma tranquila, tratada com o respeito que merece, rende que rende e fala ao seu povo com a inteligência e o coração. uma entrevista imperdivel.
Parabens aos entrevistadores, à Presidenta e a Record.

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