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Weissheimer: Essas lésbicas são terríveis!


19/03/2012 - 10h30

Fica difícil saber o que está incomodando mais o conservadorismo católico e seus porta-vozes: se a decisão pela retirada dos crucifixos das salas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul ou o fato dela ter resultado de uma iniciativa da Liga Brasileira das Lésbicas e de outras entidades de defesa dos direitos de homossexuais.

por Marco Aurélio Weissheimer, em Carta Maior

É notável a quantidade de falácias e preconceitos que vêm sendo esgrimidos em público contra a decisão de retirar os crucifixos das salas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Olhando para alguns dos artigos publicados recentemente, especialmente no jornal Zero Hora, fica difícil saber o que está incomodando mais o conservadorismo católico gaúcho e seus porta-vozes mais ou menos envergonhados: se a decisão pela retirada dos crucifixos ou o fato dela ter resultado de uma iniciativa da Liga Brasileira das Lésbicas e de outras entidades de defesa dos direitos de homossexuais.

O ex-senador Paulo Brossard não escondeu seu, digamos, desconforto. Em artigo intitulado Tempos Apolípticos  (ZH – 12/03/2012), Brossard critica a decisão “atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária”. No artigo, isso é dito logo após o ex-senador revelar que a filha, Magda, advertiu-o de que “estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta”.

A única associação feita no artigo ao Apocalipse é com a iniciativa desta “opção sexual minoritária”. No final, Brossard “confessa” surpresa com “a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa” e pergunta se a mesma entidade vai propor “a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro”.

Como jurista, Brossard deveria saber que o princípio da separação entre Estado e Igreja não implica, absolutamente, “a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro”. Aqui, o preconceito e a falácia andam de mãos dadas (como aliás, costuma acontecer). O que mais essas lésbicas vão querer agora? Demolir o Cristo Redentor? Acabar com o Natal?

A mesma dobradinha entre falácia e preconceito é exibida no artigo O crucificado, do jornalista Flávio Tavares (ZH – 18/03/2012), que também questiona a motivação das lésbicas e mesmo a legitimidade de sua organização, advertindo para perigos futuros. Tavares sugere que pode ser tudo ressentimento: “Desejarão as lésbicas repetir a intolerância de que foram vítimas?” – escreve, questionando se a liga que as representa não “é mero papel timbrado, como tantas no Brasil?” E adverte para os riscos de acabarem com o Natal e os feriados religiosos.

“Dizer que somos um Estado laico que não admite símbolos religiosos é falso e inadmissível. A ser assim, teríamos de terminar com o Natal e os feriados religiosos que pululam pelo calendário”.

Ao contrário de Brossard, o jornalista ainda poderia merecer o desconto de seu evidente desconhecimento a respeito do teor do princípio de separação entre Estado e Igreja, que não proíbe o uso de símbolos religiosos ou a prática de manifestações religiosas pelas pessoas.

Ao contrário do que o jornalista e o jurista dizem, a proibição de símbolos religiosos em repartições públicas não é uma medida intolerante que desrespeita a liberdade de culto. É exatamente o contrário. No caso brasileiro, como a Igreja católica não é a religião oficial do Estado (como nenhuma outra o é, aliás), como existem outras religiões no país, e como vale aqui o princípio da liberdade de culto, o Estado e suas instituições, como o Judiciário, deve se manter equidistante das preferências religiosas particulares de seus cidadãos e cidadãs.

O Estado laico ou secular foi inventado, entre outras coisas, para garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão, inclusive a liberdade de não ter religião. A ideia é evitar que alguma religião em particular exerça controle ou interfira em questões políticas.

Todos os doutos juristas que vêm se manifestando a respeito do tema sabem disso, obviamente, ou deveriam saber, ao menos. A invenção do Estado laico foi regada com muito sangue e injustiça. Muito sangue, aliás, derramado pela própria Igreja Católica, que torturou e queimou milhares de pessoas na fogueira. Se há juristas interessados em ostentar em suas salas um símbolo de injustiça, poderiam, por exemplo, colocar na parede um retrato de Giordano Bruno, submetido a um “julgamento ultrajante”, brutalmente torturado e mutilado antes de ser queimado na fogueira.

A religião do Estado republicano é a Constituição. É para isso, entre outras coisas, que foi criada essa coisa chamada República. Nem sempre foi assim. Chegou-se a isso após muito sangue, injustiça e intolerância. A República é tolerante e generosa com a diferença. Ela não exige, por exemplo, que os templos religiosos coloquem uma Constituição na parede.

Mas tem gente com medo do iminente apocalipse que se aproxima. Esses dias terríveis onde as lésbicas – essa “opção sexual minoritária”, como diz Brossard – têm o poder de influir no que ocorre no interior dos tribunais. Como bom católico que é, Brossard foi pedir ajuda ao guardião da fé Dom Dadeus Grings, um ferrenho crítico dos direitos dos homossexuais e um revisionista do Holocausto. O diálogo pode ter sido mais ou menos assim: “Antigamente não se falava em homossexual”, reclamou, saudoso, Dom Dadeus a Brossard. “Minha filha Magda disse que é o Apocalipse”, respondeu o ex-ministro do STF…Pausa para um sinal da cruz.

Essas lésbicas são terríveis. Só falta elas pedirem agora o fim da isenção de impostos para as igrejas. É o fim dos tempos…

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior

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85 comentários

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pinheiro

20 de março de 2012 às 23h53

acabar com as isençoes das igrejas me parece otimo…

Responder

marcio gaúcho

20 de março de 2012 às 22h20

O crucifixo, com o Cristo pregado, figura de sofrimento e dor, deveria ser banido da face da terra. Não entendo o por quê de se usar esse símbolo que retrata justamente o que o homem daqueles tempos foi capaz de fazer com aquele pregador. A igreja católica deveria se envergonhar dessa simbologia, pois é herdeira do império romano, que crucificou Cristo. Usa a cruz para lembrar a atrocidade, mas fatura muito bem com a venda de quinquilharias sobre o ocorrido. A ciência está desmistificando os dogmas da igreja católica, um a um, e em breve toda a farsa milenar estará revelada. E será o fim e a decepção de todos.

Responder

marcus

20 de março de 2012 às 11h18

Por favor, alguém aqui pode me dar um exemplo prático de como um Juiz pode ter seu julgamento alterado baseado num crucifixo visível na parede? De que forma, que não seja baseado numa lei, um Juiz poderia dar seu julgamento sobre um caso (imaginando que ele entraria em conflito com a lei brasileira e, digamos, a "lei espiritual" lembrada pelo crucifixo).

Responder

    Emilio Matos

    20 de março de 2012 às 11h52

    Você está distorcendo e mudando de assunto. De onde saiu a ideia de que a motivação é evitar influência no julgamento? A ideia é observar o princípio de laicidade do Estado e de tolerância religiosa a todas as religiões e a quem não tem religião.

    marcus

    20 de março de 2012 às 17h54

    Mas então Emílio, vc está dizendo que a presença do crucifixo não interfere em nada no julgamento de Juizes e nem em qualquer outro funcionário público? A questão aqui é que a presença de um Crucifixo demonstra uma preferência pelo Cristianismo, o que configuraria uma intolerância religiosa por parte do Estado, que deve ser laico? O Estado deixa de ser laico ao ostentar um crucifixo na parede (mesmo que suas ações não sejam influenciadas por ele)?

    Emilio Matos

    20 de março de 2012 às 18h32

    Parece claro para mim que a questão não é influência sobre o julgamento. E também parece claro que não parece fácil compatilizar a ideia de um Estado laico com a ostentação de um símbolo religioso de uma religião específica. Isso parece ser bem claro.

    Qual seria o motivo de se ostentar um símbolo de uma religião específica em um espaço público?

    marcus

    20 de março de 2012 às 21h35

    Um dos motivos pode ser a herança cultural do país. O mesmo motivo que faz com que bandeiras como as da Noruega e da Suécia tenham uma cruz nórdica, o contexto histórico da nação.

    Emilio Matos

    21 de março de 2012 às 12h09

    Há algumas objeções:

    1. Qual o motivo de se querer demostrar a herança cultural do país em um tribunal de justiça, especificamente, que deveria demonstrar neutralidade, inclusive para com quem não se identifica com a herança cultural? Há vários lugares adequados para se expressar a cultura, como monumentos públicos, galerias de arte, eventos culturais, museus. Que fixação é essa com tribunais?

    Emilio Matos

    21 de março de 2012 às 12h09

    2. Mesmo que se decida demonstrar a herança cultural em tribunais, por que motivo a escolha é demonstrar apenas a cristã? O Brasil tem uma cultura rica. Porque não capoeira, festa junina, exposições sobre a língua portuguesa? Percebe o absurdo? Herança cultural por herança cultural, a língua portuguesa é tão ou mais organicamente entrelaçada ao Brasil que o cristianismo. Percebe a inadequação de fazer exposições sobre a língua portuguesa, no estilo do Museu da Língua Portuguesa, em tribunais? Se você acha isso inadequado, então está esgrimindo essa Reinaldice de herança cultural mas está sendo inconsistente.

    Reinaldo Azevedo de mais não faz bem, rapaz. O cara se pega em uns detalhes irrelevantes e faz daquilo o assunto principal, deixando o centro das questões de fora, apenas para defender a agenda não declarada dele.

    mfs

    28 de março de 2012 às 17h49

    É verdade. Alguém aqui pode me dar um exemplo prático e como um árbitro de futebol pode ter seu julgamento alterado baseado no fato de vestir a camisa de um dos times em campo?

Gerson Carneiro

20 de março de 2012 às 07h15

Eu sou da macumba.

Exijo que nas repartições pública tenham uma galinha preta, um tacho de farofa e uma garrafa de cachaça.
Não aceito discriminação religiosa. Ou não tenha nada de religião alguma. Não deve mesmo ter.

Responder

    JOSE DANTAS

    27 de março de 2012 às 15h54

    Os umbandistas são mais católicos que a maioria dos que se dizem católicos e uma prova disso é a própria "Lavagem do Bonfim". Afinal, como bom macumbeiro, você tava lá ou não, em meio aquele "milhão", dia 12.01.12?

Rios

19 de março de 2012 às 22h35

Por só se fala sobre "o conservadorismo católico e seus porta-vozes" se outras congregações cristãs são tão ou mais xiitas?

Responder

Rafael

19 de março de 2012 às 22h09

Como é difícil ao Judiciário adotar uma postura de neutralidade.

Responder

Fabio_Passos

19 de março de 2012 às 21h19

Então a Liga Brasileira das Lésbicas deixou os reacionários furibundos?
Muito bom.

Esta "elite" branca e rica é apenas mofo e bolor.

Responder

Arthur Schieck

19 de março de 2012 às 19h39

Aqui no Rio o culpado foi um "terrível" judeu. rs..
Brincadeira à parte, foi preciso um presidente de tribunal não católico (Luiz Zveiter) para perceber o absurdo disso.

Responder

Pedro Soto

19 de março de 2012 às 19h35

É uma pena que falsos esquerdistas dêem de mão beijada para a direitalha esses insultos gratuitos ao cristianismo. Isso vale mais do que dez PIG's juntos.
Sou cristão, católico e de esquerda, assim como o Lula, a Dilma, o Hugo Chávez, a Cristina Kirchner, o Daniel Ortega e outros líderes latino-americanos. Noventa por cento da população latino-americana é cristã, também.
A esses luminares que se acham muito espertos, proponho então o seguinte: Sugiram aos partidos de esquerda que abram mão dos votos dos cristãos para ver o que acontece.

Responder

    beattrice

    20 de março de 2012 às 08h42

    Favor não colocar CFK nesse balaio porque por lá a igreja católica foi devidamente desmascarada no seu apoio deslavado à ditadura e colocada no seu devido lugar.

    Pedro Soto

    20 de março de 2012 às 10h55

    Não se esqueça que padres e freiras também foram mortos na ditadura militar argentina. Não generalize, por favor. Esses que tanto falam contra o preconceito sexual tratam os cristãos com todo o preconceito possível. A direita, penhorada, agradece.
    Esse teu "balaio" está parecendo meio pejorativo, não?

_Rorschach_

19 de março de 2012 às 18h49

Honestamente acho que quem se incomoda com cruzes, na verdade, não é ateu.

Para mim, não passam de dois pedaços de pau, amarrados e pregados na parede.

E dois pedaços de pau não tem o condão de me incomodar.

Incomodam-me o desaparalhamento e consequente lentidão do Judiciário; a justiça com j miniscúlo; corrupção dos juízes; a preferência do Código Penal pelos pretos, pobres e putas….

Responder

    Miguel

    20 de março de 2012 às 01h03

    quando esses dois pedacos de pau sao sintomas do que orienta a conduta do poder publico ali representado, me incomoda deveras.

Pedro Soto

19 de março de 2012 às 18h15

É esse anti-cristianismo fanático e fora-de-hora que vemos por aqui que tanto prejudica a esquerda em todas as eleições. A direitalha deita e rola.

Responder

miguel grazziotin

19 de março de 2012 às 18h14

Brossard, que foi senador do MDB, mostra a verdade, ou seja, que o MDB ( os que ficaram no Brasil, como Pedro Simon) faziam de conta que eram oposiça ao regime.
Outrossim, como catolico praticante, acho que o simbolo do Cristo nao deve mesmo estar nas sals dos juizes.Certamente Jesus nao concorda com muito do que é decidio ali..
E parabens aos marketeiros das lesbicas, criaram, sem necessidade, mais um motivo para piorar sua aceitaçao na sociedade.Burrice.

Responder

PedroAurélioZabaleta

19 de março de 2012 às 18h05

1) Donde se conclui que Brossard não entende nada de legislação, nem de política.
2) Gostei muito da idéia de eliminar todos os feriados religiosos.
3) Indispensável eliminar das notas de real qualquer citação religiosa;
este "macaquismo" das notas de dólar é ridículo.

Responder

damastor dagobé

19 de março de 2012 às 17h47

eu ainda aguardo resposta para o seguinte paradoxo: porque os padres colocam pararraios no alto da torre mais alta das igrejas e catedrais??? não deviam temer a ira divina ja que tudo é decorrente da vontade de Deus ..ou pensam que ele pode estar senil e com problemas de pontaria..ou, hipotese que acho bem mais provavel..eles nao acreditam em deus algum…

Responder

Rodrigo Leme

19 de março de 2012 às 17h43

Acho que existem algumas nuances no assunto. Especialistas em direito, me esclareçam onde eu falar alguma bobagem.

1. Crucifixo em uma repartição pública é lei? Se não é lei, não fere o conceito de estado laico.
2. Eu, sendo católico / espírita / ubandista / evangélico / adventista / TJ / que seja, não posso uar um símbolo religioso no meu local de trabalho? Se eu, pessoa física, sou obrigado a esconder o símbolo da minha fé, há uma violação da minha liberdade de culto, não? Pq o estado deve ser laico, eu não, e iso não deveria ser vedado a mim em um prédio público ou privado, certo?
3. O fim do símbolo diminui um centímetro a discriminação que seja?
4. Quem discrimina? A religião ou o homem? Pq isso é um ataque não ao preconceiuoso, mas sim à religião, que é feita de pessoas estúpidas e pessoas maravilhosas, asim como existem lésbicas estúpidas e maravilhosas. É punir um grupo por seu extrato mais mesquinho.

Responder

    Rogério Leonardo

    19 de março de 2012 às 21h29

    Não sei se deveria, afinal você não costuma ser polido, mas, como sou advogado, vou ser educado e irei responde-lo:

    1) Ao contrário, a lei agora (interna do TJRS), como explicado no texto, é a proibição dos crucifixos nas salas do TJRS, visando dar efetividade ao conceito de estado laico.

    2) Você, o Juiz ou o Dirigente de qualquer repartição pública podem usar e até pendurar crucifixos em suas salas particulares, biombos, ou seja lá onde estejam suas coisas pessoais dentro da repartição, pode também usa-lo em correntes, brincos e afins, porém, não deve coloca-los nos locais de atendimento, em destaque e direcionados a todos os frequentadores do local.

    3) Não, não diminui, mas atesta a laicidade do estado e sua imparcialidade com relação às preferências religiosas de cada um, sejam servidores ou cidadãos.

    4) Sinto muito, mas, ao contrário do que você possa pensar, os órgãos religiosos institucionalizados (as igrejas) discriminam e agem politicamente (bancadas de religiosos) contra a liberdade sexual das pessoas, tentando barrar, por exemplo, políticas públicas de controle de natalidade e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Por outro lado, a retirada dos crucifixos não é ataque nenhum à crença e sim uma adequação à laicidade do Estado prevista constitucionalmente.

    Espero ter ajudado.

    mfs

    19 de março de 2012 às 23h17

    Botou as palavras da minha boca (ou do meu teclado).

    Rodrigo Leme

    20 de março de 2012 às 08h55

    Valeu pelos esclarecimentos.

    José Geraldo Gouvêa

    19 de março de 2012 às 23h23

    1 – Não existe lei que determine, mas ainda não há lei nem jurisprudência que proíba. E ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer, salvo por força da lei.
    2a – Acredito que pode, desde que não seja muito ostensivo, pois local de trabalho não é lugar de rezar.
    2b – Não há, porque local de trabalho não é local de culto. A violação da liberdade de culto somente ocorreria se você fosse proibido de frequentar seu culto religioso. No caso de religiões, como o Islã, que exigem orações periódicas, em nome da liberdade de culto o funcionário pode ser autorizado a fazer pausas no horário de trabalho, mas certamente é inadequado que reze de frente para o público.
    2c – O Estado é laico, você não é. Mas para garantir que ninguém seja constrangido, o Estado laico pode limitar sua liberdade de fazer certas coisas em nome da religião. Porque certas práticas religiosas perturbam o funcionamento de certos ambientes (imagine uma sessão de descarrego numa agência bancária lotada, por exemplo).
    3 – Diminui, porque para quem acredita em uma religião, o símbolo de outra é um símbolo de opressão. Os cristãos têm dificuldade de entender isso porque não têm a experiência de serem minoria de fato. Mas faça um exercício mental e imagine-se em um país 90% muçulmano ou budista ou de qq outra religião.
    4a – A religião não discrimina porque é um substantivo abstrato. Substantivos abstratos não "fazem" nada. Quem discrimina são as pessoas, óbvio.
    4b – Por que a remoção dos símbolos religiosos de ambientes não religiosos seria um ataque à religião? Entendo que seria ataque à religião se removessem símbolos religiosos de igrejas e as secularizassem. Mas tribunais não são igrejas. Duvido que as religiões aceitariam que as Armas da República fossem instaladas obrigatoriamente acima do altar.

Wildner Arcanjo

19 de março de 2012 às 17h36

Agora eu pergunto. Hipoteticamente, se eu como cristão quiser colocar sobre a minha mesa de trabalho, em uma repartição pública, uma imagem de Maria de Nazaré com o menino Jesus, serei obrigado a retirar ela?

Responder

    Davi Lemos

    19 de março de 2012 às 22h15

    Não, não será. Ou pelo menos não deveria. O problema, creio eu, é aquela cruz que vc vê quando entra numa repartição pública, pregada na parede, para todo mundo ver. Isso é uma afronta, aos que não acreditam na cruz. Da mesma maneira, seria uma afronta aos evangélicos uma imagem de Iemanjá pregada na parede como símbolo de autoridade para todos que chegam na repartição. O alto da parede não é mesa de ninguém.
    Laicidade não tem nada a ver com antirreligiosidade, mas com, vamos dizer, "ambiente neutro". E todos, crentes de qualquer matiz, ou não crentes, deveriam frequentar um ambiente neutro, sem pressão de qualquer lado.

    Wildner Arcanjo

    27 de março de 2012 às 17h53

    Fico com a sua resposta, a do outro amigo fere o meu direito constitucional de ter uma religião (e de expressar ela).

    José Geraldo Gouvêa

    19 de março de 2012 às 23h15

    Acredito que sim, porque:

    1 – Sua mesa de trabalho não é "sua", ela pertence a quem o contrata e você a usa de acordo com as instruções que recebe. Portanto, se mandarem tirar, você tem que tirar, a menos que deseje criar um conflito de hierarquia por causa de sua fé.
    2 – As imagens não fazem parte dos itens que você usa para trabalhar. Na verdade ocupam lugar que poderia ser de um grampeador, de um carimbo ou de outra coisa.
    3 – A repartição pública não é igreja: ninguém vai lá rezar, tal como você não vai (ou não deveria ir) buscar atendimento na igreja para problemas do serviço público.
    4 – Você não precisa ter uma imagem em sua mesa para rezar tanto quanto não precisa levar pastas do serviço para analisar na hora da missa.
    5 – Algumas pessoas (que não seguem sua mesma religião) podem sentir sua atitude como um proselitismo mal-educado.
    6 – Colocar itens pessoais (como imagens religiosas, foto da mãe, autógrafo do Julio Iglesias etc.) sobre a mesa de trabalho é deselegante, sugere uma pessoa imatura e pouco profissional, que não sabe separar a vida pessoal de seu trabalho.

    Enfim, mesmo que não seja obrigado a retirar a imagem, acredito que, por uma questão de profissionalismo e para passar de si uma imagem civilizada e madura, a imagem sequer deveria ser posta.

RicardãoCarioca

19 de março de 2012 às 16h22

Sou cristão, mas não concordo com artigos religiosos pendurados em autarquias e demais espaços públicos. Como disse a matéria, o Estado deve se manter equidistante de todas as religiões.
Um dia, alguém vai propor a colocação de um despacho de cadonblé num desses lugares públicos e aí eu vou querer ver a atitude dos servidores públicos que permitem indumentárias católicas a respeito de permitir mais um símbolo religioso, de outra religião.
Outra coisa, são os feriados católicos. Minha lógica não permite concordar em tê-los. Data comemorativa de santo, de divindade, de antepassado, tudo bem! Mas, não se pode dar dias de feriado para símbolos de qualquer religião. Se não, tem que dar para os das outras religiões também.
E o Natal? Apoiaria a manutenção desse feriado especificamente – e somente esse – por se tratar de, na prática, mais uma data do calendário do comércio do que do religioso. Em muitos países a lógica é essa, em relação ao Natal.

Responder

    JOSE DANTAS

    19 de março de 2012 às 16h54

    Se você fosse cristão não faria essa comparação entre uma inofensiva imagem do Cristo e uma galinha preta amarrada numa garrafa de pinga, que segundo a própria umbanda, é colocada numa encruzilhada para satisfazer o desejo de espíritos atrasados. Jamais os Umbandistas fariam uma proposta dessas. Quanto aos feriados aqui, a lógica também é essa, ninguém ta preocupado com o "santo" e sim com a folga, porém quem quiser trabalhar terá espaço para isso, mas o brasileiro não é chegado mesmo…
    O problema não é a retirada do símbolo e sim a maneira como vem sendo tratado o assunto, como se o Cristo fosse o capeta e tivesse fazendo mal a alguém. E pura represália por conta da não aceitação da igreja em relação ao homossexualismo que seus próprios membros praticam e o Cristo é que paga.

    PedroAurélioZabaleta

    19 de março de 2012 às 17h52

    "galinha preta amarrada numa garrafa de pinga, que segundo a própria umbanda, é colocada numa encruzilhada para satisfazer o desejo de espíritos atrasados".
    E uma pessoa brutalmente surrada, coroada com espinhos, furada no peito por uma lança, e pregada numa cruz é para satisfazer que tipo de espíritos?

    beattrice

    20 de março de 2012 às 08h38

    BRAVO!

    mfs

    20 de março de 2012 às 15h42

    Mas aí é que está, o ponto não é esse! O ponto é que se há separação entre Estado e religião então não pode haver símbolo religioso no espaço público, nem crucifixo nem figa, imagem de preto velho, estátua de Buda, do reverendo Moon, do Ali-Kamel, do que seja. Se Deus existe ou não, se umbanda e cristianismo devem ser postos no mesmo balaio ou não é assunto de outro lugar.

    _Rorschach_

    20 de março de 2012 às 20h38

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

    Parabéns pela arguta observação.. Fazia tempo que não ria tanto.

    Jorge Santos

    21 de março de 2012 às 09h18

    Valeu mesmo Pedro. Como somos 'esquecidos'…

    RicardãoCarioca

    20 de março de 2012 às 09h05

    Se você não tem certeza – como eu tenho – de que sou cristão, posso dizer que, baseado no seu comentário, creio que você é do tipo obscurantista, com um déficit em interpretação de texto.
    Eu digo que ou se permitam a colocação de símbolos religiosos de todas as religiões ou de nenhuma. Não há motivos para a cristandade ter provilégios sobre as demais, ainda que ela fosse a religião de 99,99% dos brasileiros, sendo o Brasil um Estado laico.
    Sim, sou cristão e não sou católico, nem protestante, pentecostal, adventista, assembleísta, messiânico, ortodoxo, anglicano, metodista, quadrangular, testemunha, etc. Para mim, somente a Santíssima Trindade é sagrada, nada mais. E nem a Ela, para mim, deve-se dar feriados, mas no máximo, dia(s)comemorativo(s).

    Janaína

    19 de março de 2012 às 19h47

    O Estado é laico e ponto final. Deve ser terminantemente proibida a colocação de símbolos religiosos de QUALQUER religião em repartições públicas. No caso de espaços públicos, também acho desabido colocar símbolos religiosos. Esses devem ser colocados. por quem assim o desejar, nos espaços privados,sejam esses templos, imóveis de particulares,residenciais ou comerciais.
    NO caso foi uma associação de lésbicas que entrou com a ação, como poderia ter sido uma associação de observadores de pássaros. Pouca importa. são brasileiros e brasileiras e devem ser todos respeitados no seu direito de entrar com ações na Justiça.

mfs

19 de março de 2012 às 16h03

Sou contra também. Outro dia, minha irmã, que é juíza, entrou no tribunal e percebeu que não havia mais um crucifixo na parede. Pronto! Isso foi suficiente para ela ficar cheia de tesão pela advogada de defesa. Então, ela absolveu o reu acusado de estupro e foi direto para o motel com a advogada, também sexualmente abalada pela ausência do símbolo cristão. No entanto, o final foi feliz porque dentro do quarto do motel havia uma imagem de N. Senhora do Bom Conselho que fez com que imediatamente elas voltassem a ser heterossexuais e homofóbicas. Pelo menos nessa parte do Brasil o Apocalipse não acontecerá.

Responder

@orivaldog

19 de março de 2012 às 15h25

Em um estado verdadeiramente laico acredito que não há espaço em repartições públicas para simbolos religiosos, como tb acredito que não devem existir programas de cunho religioso nos canais de rádio e de tv aberta que são concessões de serviço público. Tb sou contrário a existência de feriados de cunho religioso, para que possamos ser um país plenamente democrático e garantidor das liberdades individuais e até mesmo coletivas precisamos transformar a religião em algo de cunho pessoal, sem a proteção ou a perseguição do estado. Por um Brasil verdadeiramente laico, democrático, pacífico e alegre!

Responder

Elias

19 de março de 2012 às 14h59

Caberia um estudo para descobrir se o uso do chapéu panamá causa alguma desordem intelectual. Inclusive nos que usaram por longo tempo e depois deixaram de usar.

Responder

Jairo_Beraldo

19 de março de 2012 às 14h25

Dilma é considerada pelos reacionários da direita aqui em Goiás, MACHO. Isto aqui vai dar pano pra manga… principalmente depois que ela esteve aqui em GO vistoriando as obras da Ferrovia Norte-Sul, onde ela colocou no seu devido lugar o reizinho M.Perigo, quando "negou" carona a deputados federais goianos, com o argumento de que era uma visita técnica e não um evento político, e ignorou o reizinho goiano de forma sutil, desprezando sua presença no acontecimento.E na entrevista disse com todas as letras – "vou falar somente sobre a obra, senão nada sairá nos jornais". Só esta frase já causou furor na mídia nativa, que passou a bater com mais força no prefeito goianiense, o petista Paulo Garcia e em Maguito Vilela(PMDB) prefeito da vizinha Aparecida de Goiania, aliado fiel do governo federal.

Responder

Alexandre Bitencourt

19 de março de 2012 às 14h22

Quando será que vão entender que o evangelho é um convite e não uma imposição. Colocar um crucifixo num orgão público, é uma imposição àqueles de outra religião ou aos que não tem nenhuma. Na ocasião foi pedido pela Liga Brasileira das Lésbicas, mas deveria ser pedido antes pela Igreja, respeitando a liberdade das pessoas. Chega a ser risível comparar isso a um apocalipse.

Responder

Guilherme

19 de março de 2012 às 14h00

E o que dizer dos dizeres "Deus seja louvado" em algumas de nossas cédulas monetárias (a de R$100,00, p. ex.)?

Responder

    RicardãoCarioca

    19 de março de 2012 às 16h32

    É macaquice do "In God We Trust" dos EUA. Também sou a favor da retirada dessa frase ou a inclusão de outras, como Axé, Oxalá, Salam waleikum warahmatullahi wabarakatuh, etc.

    Rodrigo

    19 de março de 2012 às 16h54

    Vai faltar nota. Como corinthiano apostoloco romano poderia exigir o "Timão ê ô" nas notas de 5.

    Melhor deixar sem nada mesmo.

    Miguel

    20 de março de 2012 às 01h05

    na verdade tem em toda cedula.

Alberto

19 de março de 2012 às 13h00

Cara, quanto a não saber o que incomoda e dói mais paraa Igreja católica "se a decisão pela retirada dos crucifixos das salas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul ou o fato dela ter resultado de uma iniciativa da Liga Brasileira das Lésbicas e de outras entidades de defesa dos direitos de homossexuais". EU DIGO, que é o conjunto da obra rsrsrsrsrsrr

Responder

Marat

19 de março de 2012 às 12h45

Ahhhhhhh, não vejo a hora de ouvir os "especialistas" de plantão do PIG, acerca desse, digamos, saborosíssimo assunto!

Responder

Marat

19 de março de 2012 às 12h44

Cala a boca, Magda – rsrsrsrsrsrsrsrs – desculpem, mas não consigo segurar certos deboches… Eita José Simão – rsrsrsrsrsrsrs – PPP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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JOSE DANTAS

19 de março de 2012 às 12h42

O Brasil é laico porém não é ateu. Estima-se que 89% dos brasileiros sejam cristãos e esse dado, por si só, justifica a presença do símbolo do Cristo nesses e em outros locais públicos, até porque a princípio não se pode atribuir ao mesmo nem um malefício que possa causar a quem não participa dessa crença e assim, simplesmente se faz a vontade de uma minoria em detrimento da maioria absoluta das pessoas que pagam impostos nesse País e que, cada vez mais, são preteridas pelas minorias organizadas através de ONGs muitas vezes mantidas com o dinheiro público, que é de todos e, consequentemente também da maioria, que não opina por falta de meios. Se a Igreja Católica fosse uma instituição melhor administrada, poderia bancar uma pesquisa de opinião a respeito desse assunto e com certeza os números seriam amplamente favoráveis pela manutenção dos crucifixos nessas repartições.

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    damastor dagobé

    19 de março de 2012 às 13h06

    ah sim..tem toda razão…98% dos brasileiros se declaram crentes em algum tipo de "entidade superior". já na Noruega (o mais alto IDH do mundo) temos mais de 70% de ateus…Deus deve gostar mais de ateus, como dizia George Bernard Shaw, ao menos os incréus não ficam enchendo o divino saco Dele, com deus te ajude, deus te pague, deus te abençoe, vai com deus, e montes infinitos de pedidos tolos e levianos.

    JOSE DANTAS

    19 de março de 2012 às 16h41

    Os 30% que não são ateus ainda assim são muita gente, o que significa dizer que, ou na Noruega existem 30% de imbecis, o que seria um alto percentual, ou no meio daquele primeiro mundo tem gente que não é ateu e nem idiota. Portanto não dá para avaliar os daqui e os de lá em função da Fé em alguma coisa que não provamos e nem conhecemos. Aliás, Fé é acreditar naquilo que não é palpável, o contrário é o óbvio.

    Eduardo Di Lascio

    19 de março de 2012 às 13h34

    Eu peço que não se gaste o meu suado dinheiro de impostos em artefactos religiosos, de qualquer tipo. Obrigado.

    marcos

    19 de março de 2012 às 14h04

    Metada da população é Flamengo ou Corinthians, então vamos colocar a bandeira desses dois times em todas a repartições públicas do país. Para que ouvir as minorias, não é?

    Rafael Borges

    19 de março de 2012 às 15h02

    "Estima-se que 89% dos brasileiros sejam cristãos e esse dado, por si só, justifica a presença do símbolo do Cristo nesses e em outros locais públicos"

    Conhece o termo "ditadura da maioria"? Por esse seu raciocínio, rampas de acesso para cadeirantes não seriam construídas já que a maioria da população não é deficiente física. O Estado não pode querer representar um grupo mais do que o outro, mesmo que esse grupo seja maioria.

    "[…]até porque a princípio não se pode atribuir ao mesmo nem um malefício que possa causar a quem não participa dessa crença[…]"

    De acordo com Paulo Brossard, “estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta”. Taí um malefício: os crucifixos dão respaldo para esse tipo de raciocínio arcaico, que é ainda mais alarmante quando vindo de um ex-senador. Os limites devem ser claros para os governantes: pode acreditar no que quiser, mas na hora de legislar o único livro sagrado que há é a Constituição.

    "Se a Igreja Católica fosse uma instituição melhor administrada, poderia bancar uma pesquisa de opinião a respeito desse assunto e com certeza os números seriam amplamente favoráveis pela manutenção dos crucifixos nessas repartições."

    Irrelevante. Se o Estado é laico, a igreja não tem que dar pitaco no que quer que seja em relação ao exercício de poder público. Pode dar pitaco na vida dos seus fiéis, mas não no país.

    Sergio A B

    19 de março de 2012 às 19h56

    Não estamos discutindo a opinião da população. O Estado é laico e ponto final. Sou católico e acho que não podemos impor as minorias, quer religiosas, raciais, etc…… nada.
    È apenas o velho cacoete da direita: o meu pretenso direito tem que ser respeitado, mesmo que desrespeite os legítimos das minorias.
    Como sempre a Igreja, abraça a direita. Se faz de sonsa, e se dá mal. Ah! que saudade de bispos como D Evaristo Arns ….. Que saudade do tempo em que a Igreja não me envergonhava
    O aborto está no mesmo barco. Idem, idem. Quem impõe ao estado laico o crucifixo, também criminaliza aborto, mas faz aborto nas macegas. Ou no Chile.

    Miguel

    20 de março de 2012 às 01h02

    nao espalha pra ninguem, mas sabia que nesse tantao de 89% que falam com amiguinho invisivel, alguns consideram ofensa repersenta-lo numa imagem?

    beattrice

    20 de março de 2012 às 08h40

    A igreja católica é bem administrada tanto que consegue obter isenção de impostos em todos os países segundo se tem notícia e se não faz a tal pesquisa é porque tem medo do resultado no quesito confiabilidade diante de tantas evidencias de pedofilia dos seus membros.

eunice

19 de março de 2012 às 12h38

Obscurantismo é o que não falta, mesmo nas instituições que se dizem mais refinadas, e no estado mais cheiroso.

Responder

Remindo Sauim

19 de março de 2012 às 12h19

O Brossard e um velho quequético e o Flávio Tavares está reescrevendo sua militância política.

Responder

Felipe

19 de março de 2012 às 11h47

Mais ou menos fora de pauta:
http://correiodobrasil.com.br/militares-da-ativa-

Militares da ativa agem nos bastidores para conter levante entre os aposentados

Um grupo de elite das três Forças Armadas, formado por generais, almirantes e brigadeiros, respondeu positivamente à convocação do ministro da Defesa, Celso Amorim, para a tentativa de reduzir a repercussão da festa que militares aposentados pretendem realizar, em comemoração ao 1º de Abril, data em que se instalou a ditadura militar no país, em 1964. Nos quarteis, as comemorações que perduraram até 2010 foram integralmente canceladas, mas o Clube Militar, no Centro do Rio, começou a distribuir, neste final de semana, os convites para o baile da ‘revolução’, marcado para o dia 29. O traje exigido é o ‘esporte fino’.

O trabalho dos oficiais graduados será o de conversar com os integrantes do núcleo que tenta desmoralizar a presidenta Dilma Rousseff com um enfrentamento direto à ordem de apresentar ao povo brasileiro a verdadeira face do golpe de Estado aplicado por setores radicais da ultradireita no Brasil, com o apoio de agências de inteligência dos EUA e da IV Frota norte-americana, que perdurou por 20 anos e, até hoje, deixa suas marcas na sociedade brasileira. Uma delas é a insubordinação. Oficiais da reserva, muitos deles ligados aos bolsões mais radicais do Exército, assinaram um manifesto no qual se posicionam contra a Comissão da Verdade, que busca levantar os crimes cometidos por agentes do Estado contra a sociedade civil.

– Os oficiais convocados pelo ministro cumprem uma espécie de missão diplomática, de negociar com os setores rebelados, apenas para lhes mostrar que se trata de um movimento inóquo, sem qualquer repercussão na tropa, mas extremamente desgastante para a imagem do país, que hoje vive a plenitude democrática. O grupo pretende se reunir, em caráter informal, com os cabeças dos manifestantes, e argumentar que parte dos 500 signatários do documento em que se posicionam contra a investigação dos casos de torturas, mortes e desaparecimentos ocorridos ao longo dos ‘anos de chumbo’, não o fizeram por questões ideológicas, mas por um caráter meramente oportunista, para constranger tanto à presidenta quanto ao ministro Celso Amorim – disse fonte do Ministério da Defesa, em sigilo, ao Correio do Brasil.

Desde a saída de Nelson Jobim, que fez questão de vazar para a imprensa conservadora uma série de impropérios contra a presidenta Dilma e algumas de suas ministras, os sinais de insubordinação nos setores mais radicais da velha guarda militar vêm aumentando. Estes sinais ficaram mais evidentes com a nomeação do embaixador Celso Amorim para a pasta da Defesa. Uma recente tentativa de levar às barras dos tribunais um torturador declarado elevou a temperatura também no setor do Judiciário, onde perduram outros focos de resistência ao regime democrático no país. Tanto militares aposentados quanto magistrados ainda na ativa protestaram contra a tentativa de alguns promotores de rever a Lei de Anistia. Na semana passada, estes segmentos ligados à ultradireita conseguiram frustrar, ainda que momentaneamente, a reabertura do julgamento do major reformado Sebastião Curió, responsável pelo massacre dos guerrilheiros do Araguaia.

Responder

Polengo

19 de março de 2012 às 11h38

Se deus existe mesmo, ele deve estar muito arrependido…

Responder

FrancoAtirador

19 de março de 2012 às 11h28

.
.
O retorno à Idade das Trevas.
Estado Teocrático de Fato.
Monastério da Saúde,
Monastério da Justiça,
Monastério da Educação…
Supremo Tribunal da Inquisição.
.
.

Responder

Rogério Leonardo

19 de março de 2012 às 11h20

Brilhante exposição, com explicação didática sobre o tema, porém, vai ser difícil que os obscurantistas deem o braço a torcer. Esse pessoal ainda está na idade das trevas, lá pelo ano de 1200 DC.

Responder

Emerson Sousa

19 de março de 2012 às 11h18

É isso que o pessoal não entende! O pedido de retirada dos símbolos religiosos não tem nada a ver com intolerância religiosa, pelo contrário, é um símbolo de tolerância total. De modo diverso, deveriam ser construídos panteões em todos os prédios públicos do país, afinal, os evangélicos não se sentem mal com imagens e ídolos? Os muçulmanos não proíbem a reprodução gráfica da imagem humana? Pois é, o que as meninas fizeram foi, apenas, resguardar o direito de fé dessa turma não-católica.

Responder

Ricardo Pereira

19 de março de 2012 às 11h17

Brossard representa o conservadorismo carcomido que ainda prevalece no Poder Judiciário. Certa vez, ainda estudante do Curso de Direito, ouvi o grande se saudoso Jurista (esse sim, um verdadeiro Jurista) J.J. Calmon de Passos dizer, na presença de Brossard, que "cuspia" (simbolicamente) na cara desse "tipo" de Juíz.

Responder

marcus

19 de março de 2012 às 11h04

"Se há juristas interessados em ostentar em suas salas um símbolo de injustiça…" A maior injustiça inerente a um crucifixo é a injustiça em relação ao próprio crucificado. Atribuir ao símbolo as injustiças históricas – e não às pessoas que o utilizaram – é um grave equívoco.

Essa retirada dos crucifixos me faz lembrar os Taliban do Afeganistão, que em 2001 explodiram as estátuas gigantescas de Buda, argumentando que era uma arte idólatra. O caso aqui é parecido. Ataca-se a cultura de um país, no caso removendo obras de arte, em nome de uma lei mais atual vigente.

Acredito que a referida ONG não está sendo razoável.

Quase sempre esse é o problema: a discussão fica sempre entre os extremistas. Os talibans homossexuais X talibans religiosos.

Responder

    Rafael Borges

    19 de março de 2012 às 15h06

    "Essa retirada dos crucifixos me faz lembrar os Taliban do Afeganistão, que em 2001 explodiram as estátuas gigantescas de Buda, argumentando que era uma arte idólatra. O caso aqui é parecido. Ataca-se a cultura de um país, no caso removendo obras de arte, em nome de uma lei mais atual vigente."

    Retirada de crucifixos não é a mesma coisa que destruição de crucifixos.

    "Quase sempre esse é o problema: a discussão fica sempre entre os extremistas. Os talibans homossexuais X talibans religiosos."

    Talibans homossexuais. Brilhante comparação. Afinal, eles não gostam de ninguém que não seja homossexual e estão dispostos a converter todo mundo para o homossexualismo mesmo que tenham que pegar em armas. Tá bom.

    marcus

    20 de março de 2012 às 17h57

    O exemplo do taliban refere-se ao ódio por um estilo de vida diferente.

    mfs

    19 de março de 2012 às 15h58

    Que história é essa, desde quando os crucifixos estão ali nos tribunais porque são obras de arte? Dois pedaços cruzados de madeira, plástico ou metal pregados na parede para simbolizar a religião da maioria dos juízes agora se tornaram obras de arte? Só se juntarem tudo em mandarem pro museu, não muito longe do mictório de Duchamp. Ninguém está propondo acabar com os crucifixos nem fechar os templos. Não se falou em demolir Ouro Preto MG! Nem a catedral de Brasília, criação do arquiteto ateu, materialista histórico, comunista assumido. As obras de arte religiosas continuarão admiradas e preservadas (esperamos). E nos templos continuarão a enfeitar ou inspirar os fieis de todas as crenças. O que não pode é símbolo religioso em local público onde se realizam julgamentos baseados na Lei. Então, como o ateu, o judeu, o budista e o muçulmano, por exemplo, podem se sentir quando julgados por um juiz cristão que faz questão de exibir o crucifixo?

    marcus

    20 de março de 2012 às 10h58

    "As obras de arte religiosas continuarão admiradas e preservadas (esperamos)" Isso o tempo vai dizer. Pessoalmente, eu acredito que não continuarão preservadas. Mas sobre as decisões nesses tribunais, há algum estudo, alguma pesquisa estatística que mostre que efetivamente muitos julgamentos que deveriam ser baseados somente na lei foram mudados devido à adornos na parede?

    mfs

    20 de março de 2012 às 15h38

    A Constituição diz que o espaço público não pertence a religião alguma. Por que adornos religiosos se a Igreja está separada do Estado?

    RicardãoCarioca

    19 de março de 2012 às 16h24

    Ou se permitem adornos, penduricalhos e adereços de todas as religiões ou de nenhuma. Feriado? De símbolos de todas as religiões (dias úteis se tornariam raros) ou de nenhuma. Simples assim.

    Vlad

    19 de março de 2012 às 16h31

    O quê?!
    Obras de arte nas paredes das repartições?
    E não foram roubadas?

    É o apocalipse mesmo.

Regina Braga

19 de março de 2012 às 11h04

È verdade…uma visão do pp apocalipse.Tiram o simbolo religioso do Estado…e transformam: o Banco Vaticano nas Virgens de lavagem do dinheiro,ligado ao narcotráfico,prostituição,corrupção…Mas com o cruxifico…assim pode?

Responder

    JOSE DANTAS

    19 de março de 2012 às 13h40

    Eo que é que o Cristo tem a ver com os desmandos do Vaticano?

    Emilio Matos

    20 de março de 2012 às 11h54

    É evidente o que tem a ver, não te parece? Você não quer ver. Mas esse também não é o ponto, não tem nada a ver com retaliação a católicos ou cristãos. Não é um ataque ou punição nem nada parecido. É apenas uma afirmação da laicidade do Estado e do respeito a cidadãos que não são cristãos, ou não são religiosos, ou não se identificam ou não gostam do cristianismo.

    mfs

    19 de março de 2012 às 16h06

    Concordo com a observação. A retirada do crucifixo não é motivada pela crítica ao catolicismo ou ao cristianismo. Ela é motiva pelo respeito à Constituição e aos direitos de cidadania. Se o Vaticano é ou não corrupto, se o ateísmo tem ou não fundamento racional são discussões para outro lugar.

    marcus

    20 de março de 2012 às 11h04

    Mas, se há uma motivação pelo respeito à Constituição nos tribunais, não seria muito mais útil lutar contra isso?

    Gravações revelam venda de sentenças de juízes http://extra.globo.com/noticias/brasil/gravacoes-

    Não sou fã desse tipo de comparação pois dá a entender que uma coisa justifica a outra. Mas, como disse, a referida ONG não está sendo nada razoável.


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